Os conselhos dos especialistas para os pais que vão deixar os filhos pela primeira vez sozinhos em casa – Notícia com declarações de Maria João Cosme do IAC

Janeiro 22, 2021 às 12:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 21 de janeiro de 2021.

Muitos adolescentes terão de passar o dia sem a presença dos adultos, sejam os professores na escola ou os pais em casa. Gerir algumas tarefas de casa, as refeições e os tempos de lazer poderá ser um quebra-cabeças para as famílias portuguesas. Neste artigo os especialistas ajudam com estratégias emocionais e alertas para evitar os acidentes domésticos.

A pandemia já é algo brutalmente diferente e o confinamento um desafio extremo. Estas primeiras semanas de 2021 serão, sem dúvida alguma, um marco de mudança na vida das famílias portuguesas que terão de tomar a resolução de permitir que os filhos adolescentes fiquem, pela primeira vez, sozinhos em casa. Apesar de a Organização Mundial da Saúde definir o início da adolescência a partir dos dez anos, os especialistas contactados são unânimes em concordar que nesta idade são mais crianças do que adolescentes. “Há muitos jovens que não foram preparados anteriormente e ainda lhes falta maturidade. O desenvolvimento nesta faixa etária é muito heterogéneo”, explica Hugo Rodrigues. Para o pediatra, as diferenças acentuam-se ainda mais quando se fala do crescimento de meninos e meninas. “As meninas desenvolvem a maturidade mais cedo. As mudanças físicas são acompanhadas do desenvolvimento cerebral. Não estão todos em pé de igualdade em termos de desenvolvimento. E se num ambiente controlado nota-se menos, em auto-gestão vão criar mais dificuldades a umas famílias do que a outras.”

Falar em auto-gestão significa que os jovens depois de os pais saírem de casa para ir trabalhar terão de estar atentos ao relógio e cumprir com alguns horários. Mesmo sem aulas à distância seria bom que algum do tempo fosse reservado à realização de exercícios, fichas, leituras ou revisão da matéria dada. No princípio poderão estar focados, mas rapidamente vão dispersar. Distrações como uma televisão ligada, mesmo que sem som, vão existir a toda a hora.

Cada jovem merece uma avaliação consoante a sua maturidade, responsabilidade e autonomia. “Os pais têm de ter confiança na personalidade da criança. Se for completamente desorganizada podem desconfiar que vai falhar. Mas a partir dos 12 anos há uma maior capacidade de concentração e de responsabilização das consequências dos seus atos”, salienta Maria João Cosme, psicóloga clínica do SOS Criança do Instituto de Apoio à Criança.

Mesmo aos progenitores que até agora nunca tinham dado alguma autonomia aos seus filhos a entrar na adolescência, é-lhes pedido que em pouco tempo cedam na proteção e na supervisão. Como alerta o pediatra Hugo Rodrigues, é bom que tenham bem presente de que os filhos “vão falhar seguramente, e mais do que uma vez.”

É preciso que os adultos desta equação não esqueçam que devem também respeitar o espaço dos mais novos. Por exemplo, não devem abusar dos telefonemas ou das vídeochamadas. “Devem confiar que se eles precisarem de alguma coisa vão avisar. Quanto mais os adultos normalizarem o dia-a-dia dos seus filhos, mais eles cumprirão o desafio”, acrescenta Hugo Rodrigues. “É preciso estipular o horário e combinar quando ligam para não acontecer a banalização da rotina”, reforça Maria João Cosme.

Para muitos pais esta situação poderá ser equivalente a estar a transformar os seus filhos em adultos à força. Mas, é importante explicar que a situação “é peculiar e temporária” e que em situações normais não ficariam sozinhos. “Os pais devem dizer que está a acontecer por ser algo ‘in extremis’, em que todos temos individualmente de cumprir as nossas responsabilidades. Os pais têm mesmo de ir para a rua trabalhar e eles têm de ficar em casa por uma questão de saúde e de segurança, assumindo uma função mais adulta de forma precoce, mas que é temporária.”

Para a psicóloga do Instituto de Apoio à Criança, é certo que seria na gestão das aulas online que os jovens poderiam vacilar. “O tempo em casa, esse, eles até agradecem, assim como ter o espaço próprio e serem autónomos, relaxando quando não têm tarefas. O pior será perder a socialização com os colegas, é o que mais os perturba.” No entanto, ainda não vai ser neste confinamento que passarão pela experiência de tomarem conta de si e da responsabilidade escolar.

Ansiedade e medo à parte, uma grande preocupação nesta nova situação é garantir a segurança dentro de casa e Hugo Rodrigues não facilita. “Ainda faz todo o sentido conselhos como não abrir a porta a ninguém, não mexer no gás ou não abrir janelas ou varandas. É importante que saibam cortar a luz e o gás de casa, onde estão as torneiras de segurança e saberem utilizar esses mecanismos que podem fazer toda a diferença, por exemplo, em caso de inundação. Alertá-los de que a junção de água e eletricidade não dá bom resultado.”

Seguindo os avisos da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) é entre os 9 e os 12 anos que as crianças devem ser preparadas para as situações de perigo doméstico. Segundo Helena Sacadura Botte, secretária-geral da associação sem fins lucrativos e de utilidade pública, nessa faixa etária devem “conseguir identificar alguns riscos: acender fósforos pode causar queimaduras na pele ou pegar fogo à casa; ao aquecer o almoço pode haver uma fuga de gás se não apagar o bico do fogão ou se uma corrente de ar, por exemplo, apagar a chama.

“A criança tem de ser treinada para os riscos existentes em casa e para as ações a tomar, os comportamentos alternativos”, alerta Helena Sacadura Botte. Nestas idades, janelas e varandas podem representar menos risco. É importante saber que as varandas devem ter no mínimo 1,10 metro de altura, barras verticais e sem espaçamento superior a 9 centímetros.

Resumindo: Os fatores de maior preocupação entre os 9 e os 12 anos são o risco de queimadura, risco de queda em altura elevada de varandas ou janelas, risco de afogamento em piscinas ou tanques de rega e risco de eletrocussão. Nunca devem mexer com as mãos molhadas no secador de cabelo ou na varinha mágica (para fazer um sumo, por exemplo). As crianças devem secar o cabelo no quarto e nunca na casa-de-banho, pois ali há humidade e aumenta o risco de eletrocussão. Colocar um tapete antiderrapante na banheira, ter em atenção se a temperatura da água não está demasiado quente (para não provocar queimaduras) e verificar se as tomadas elétricas não têm fios descarnados são outras situações a ter em conta.

Desde o início da pandemia e do primeiro confinamento, em março do ano passado, que os mais novos têm passado por um “crescimento abrupto”, na opinião de Rita Chichorro, psicóloga clínica, especialista na área de neuro-desenvolvimento infanto-juvenil. “O que estão a pedir é que, no fundo, crianças que não ficavam sozinhas em casa, agora tenham de crescer. O papel dos pais deve ser muito ativo, eles são responsáveis por regular ao máximo o comportamento.”

Os pequenos adolescentes precisam que o comportamento seja regulado, orientado, de ter diretrizes. Para tal, Rita Chichorro sugere que em família se faça uma lista de tarefas, uma tabela que inclui o horário das tarefas e das refeições e os telefones em caso de emergência.

Os pais devem garantir a organização do espaço lúdico e do espaço de trabalho. E, uma vez que as tentações existem, podem criar uma rede de suporte à volta, contando com a ajuda de algum vizinho ou algum familiar mais próximo que consiga fazer uma curta visita presencial em casa.

“Temos de fazer com que a criança, mesmo num ambiente tão impreciso, se sinta segura. Se o adulto tiver um comportamento ansioso ela vai perceber. Ligar de hora a hora poderá deixá-la em pânico”, destaca Rita.

Não podendo ignorar a existência de tempos livres e de redes sociais, os pais devem monitorizar o seu acesso, recorrendo também à regulação parental que permite bloquear o acesso a páginas; e estipular os tempos de consumo. “Fazer só um pedido não chega. Têm de ter uma intervenção mais ativa, explicando os perigos da Internet.”

O regresso a casa dos adultos deverá ser um momento de atualizações e partilhas. Ouvir o que os mais novos viveram e sentiram quanto a dificuldades, medos, ansiedades, preocupações e também o que correu bem, seja sobre aquecer a comida, ter frio numa determinada divisão da casa, a Internet que não funcionou, as dificuldades numa ou outra matéria escolar ou mesmo não se sentiu confortável de estar sozinho em casa.

Poderá esta experiência ser um trauma para estes futuros adultos? O pediatra Hugo Rodrigues não acredita que “o facto de ser ‘à pressa’ tenha uma consequência drástica, nem super-determinante. “Nos mais novos não me parece que seja a forma ideal, mas é a altura de empossá-los de responsabilidade, não como um fardo mas como algo de positivo. Pode servir para favorecer a autonomia dos miúdos, mas os pais não os prepararam para a situação. Os adultos continuam a favorecer a imaturidade.”

“É um momento que os vai marcar. Impede a relação com os amigos, do contacto com a escola e com os outros, com a cultura, com os afetos”, explica Rita Chichorro. “O confinamento tem o lado prejudicial no desenvolvimento, mas não sei se constitui mais tarde um trauma.”

“Não é um bicho-papão e, ao fim de poucos dias, as famílias vão retirar conclusões positivas. Mas, o processo, sendo assim tão rápido, está sujeito a erros da parte dos pais, dos jovens e dos professores. É preciso gerir com bom senso e maleabilidade”, conclui Hugo Rodrigues.

Webinar “Comportamentos de fuga em acolhimento residencial: o que constitui proteção e risco” 17 de junho

Junho 9, 2020 às 7:22 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Os jovens em fuga são as principais vítimas pelas situações a que involuntariamente se expõem nos seus percursos de fuga ou na procura desesperada dos seus sonhos. Prevenir estes comportamentos é função de todos.

Para nos ajudar a refletir sobre as fugas em acolhimento residencial, iremos realizar um  Webinar sobre o tema “Comportamento de Fuga em Acolhimento Residencial: o que constitui proteção e risco”, que irá contar com a participação  da Professora Joana Cerdeira, psicóloga e autora do manual “Fugir da Instituição? – um Guia para Jovens em Acolhimento”  e das equipas do IAC (SOS Criança e do Projecto Rua), que irão partilhar as suas reflexões sobre a problemática das fugas institucionais

Este webinar, que surge na sequência do Webinar Quando a fuga parece ser a única solução…“, promovido pelo IAC no  dia 25 de maio,  Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, dirige-se em especial às equipas técnicas das instituições parceiras da Rede Construir Juntos, mas também a todos os interessados.

Assim, convidamo-lo a participar neste evento, que irá ter lugar no dia 17 de junho, das 16h30 às 18h, na plataforma ZOOM

O Webinar é gratuito, com inscrição prévia através do link:

https://forms.gle/WUtehwWniLeH2cZN8

 

Linha SOS Criança registou este ano 10 casos de crianças desaparecidas

Maio 26, 2020 às 3:40 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Sábado de 26 de maio de 2020.

por Lusa

Metade dos casos são relativos a fugas de casa ou de instituições, segundo o Instituto de Apoio à Criança.

A linha de apoio SOS Criança recebeu este ano 10 apelos relacionados com crianças desaparecidas, metade dos quais relativos a fugas de casa ou de instituições, disse fonte do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

Em declarações à Lusa, a responsável pela área das crianças desaparecidas da linha SOS Criança, Maria João Cosme, explicou que dos 10 apelos recebidos, cinco configuravam casos de fuga (três de casa e duas de instituições), três eram relativos a raptos parentais, um relativo a uma situação transfronteiriça ainda não foi tipificada e um outro, o caso da criança encontrada morta em Peniche.

“O caso da criança Valentina, por não apresentar características especificas de nenhuma das outras tipologias em que os casos são caracterizados, acabou por ficar nos ‘Perdidos, Feridos e Outros Desaparecimentos’”, explicou a responsável.

Quando se assinala o Dia das Crianças Desaparecidas, a responsável disse que a situação da quarentena não trouxe riscos novos para estas crianças, mas potenciou os já existentes.

“Por exemplo, nos casos de raptos parentais, por uma questão de segurança, o pai ou a mãe pode reter o filho mais tempo do que o que está acordado”, explicou.

Por admitir desde o início que o confinamento potenciava alguns riscos, a SOS Criança passou a funcionar em horário alargado (09:00/21:00) em dias úteis. Já a linha específica das crianças desaparecidas (116000) funcionava 24 horas por dia pois, a partir das 19:00, a linha é encaminhada para a Polícia Judiciária.

“Desta forma, podemos garantir que a linha 116000 dá uma resposta 24h/dia, sete dias por semana”, afirmou.

Maria João Cosme disse que houve um “aumentou do número de apelos”, sublinhando que “com o isolamento aumenta o instinto de fuga. Há jovens que já têm instinto de fuga, mas quando são obrigados [a ficar confinados a um espaço] há mais tendência para este comportamento”, disse.

O IAC reconhece que as crianças e jovens, confinados em casa, ficaram mais pressionados e aconselhou que a retoma da normalidade possível seja feita “de forma serena e equilibrada”.

“Encarem esta nova etapa da forma mais serena possível, com todas as precauções (…). É essencial existir contacto social para que emocionalmente comecemos todos a ter alguma estabilidade”, sublinhou.

O IAC está “disponível para todo o tipo de apelo de crianças, jovens e adultos. Mas, principalmente, para dar voz a crianças e jovens, mais ansiosos agora com a telescola e alguns com muito trabalho e algum stress. Podem sempre ligar. Fazemos apoio psicológico via ‘whatsapp’, ‘online’ e via telefone”.

Os últimos dados divulgados na semana passada pelo IAC já indicavam um “aumento muito significativo” de apelos no período de confinamento, com cerca de 700 contactos desde janeiro, dos quais quase 300 em abril.

WhatsApp 913069404

Webinar “Quando a fuga parece ser a única solução…” 25 de maio, 16.00h – 18.00h – Dia Internacional das Crianças Desaparecidas

Maio 21, 2020 às 10:01 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, o IAC irá promover o Webinar “Quando a fuga parece ser a única solução…”. A análise multidisciplinar de um caso real.

Webinar gratuito com inscrição prévia através do link https://forms.gle/tQfVkTdHpaGHKNNDA

7 conselhos para ajudar os miúdos a lidar com as redes sociais – conselhos de Maria João Cosme do IAC

Janeiro 15, 2020 às 8:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 9 de janeiro de 2020.

Margarida Queirós

Na edição de dezembro da VISÃO Júnior falámos sobre o mundo dos likes. Agora, temos sete conselhos – dados por uma psicóloga – para os pais ajudarem os mais novos a lidar com as redes sociais.

As redes sociais fazem parte da nossa vida, é um facto que ninguém consegue negar. Os mais novos também as usam e muita da sua vida social é vivida no Instagram, no TikTok e no Facebook. Passar demasiado tempo preocupado com likes ou ansioso porque os dados móveis acabaram é algo que acontece a muitos jovens. Por isso, e com base em testemunhos recolhidos junto dos nossos leitores que usámos no artigo de capa, questionámos a psicóloga Maria João Cosme sobre algumas situações comuns a muitos pais. A especialista é psicóloga no programa SOS Criança, do Instituto de Apoio à Criança.

Ultimamente o meu filho só fala de redes sociais. O que posso fazer para que se interesse por outras atividades?

As redes sociais não têm de ser conotadas apenas como algo negativo. Sabendo que nas redes sociais a comunicação faz-se principalmente entre pessoas amigas, podemos por exemplo aconselhar outras atividades que possam fazer offline com essas pessoas. O ponto de partida deve ser ouvir os filhos, mostrar interesse pelo que gostam e tentar perceber como funcionam as redes sociais. Depois, poderão pedir que os filhos façam o mesmo, ou seja, que deem atenção a outras atividades que os pais dominem melhor. Conhecer os filhos e os seus interesses abre uma porta de comunicação saudável e rica entre pais e filhos!

Já aconteceu ver o meu filho triste porque uma das fotos que publicou teve poucos likes. Como lhe explico que os likes não ditam se as pessoas gostam de nós ou não?

Os pais devem ter sempre por base uma relação de confiança, abertura e comunicação com os filhos. Isso começa à nascença… Até antes! Assim sendo, os pais, melhor que ninguém, saberão chegar até eles. Por um lado, mostrando empatia pelo seu sentimento de tristeza mas, por outro lado, explicando de forma clara que os likes são gestos à distância, não há apego, não há pessoas em presença, logo, não se podem nunca comparar com as ações e os sentimentos que temos em presença de alguém. Se forem likes de desconhecidos também não devem ser sobrevalorizados, ou seja, ter likes ou não terlikes deve ter a mesma explicação, relativizando o tema, para não ter uma dimensão desmesurada.

O meu filho está sempre ligado, e quando lhe peço para largar o telemóvel, noto que fica ansioso, como se fosse perder algo. É normal?

Pedir para largar o telemóvel vai depender do que o jovem estiver a fazer . É normal que o filho fique ansioso caso esteja envolvido numa atividade ou jogo ou conversa que tenha de interromper. Obviamente, se estiver a usar o telemóvel num momento desadequado, como por exemplo ao jantar, ou onde saiba à partida que está a incumprir ou desobedecer, não deve ser valorizada a sua ansiedade e deve ser explicada de forma assertiva a regra e o motivo pelo qual não se pode estar ao telemóvel naquele momento. Os pais devem também ser o exemplo e desligar mais vezes o seu telemóvel!

A minha filha tem muitos seguidores nas redes sociais e está a tornar-se “famosa”. É normal para uma adolescente? O que faço para que não dê tanta importância ao assunto?

O sentimento de “ser famoso” nao tem de ser negativo. Tem, sim, de ser contextualizado, ou seja, a jovem deve entender a diferença entre  a “fama” online, e a fama da vida real, conseguida através de reconhecimento por feitos nobres ou de excelência em alguma área específica. Os pais devem ajudar a “trazer à terra” e não deixar que fiquem demasiado deslumbrados com algo que nem sequer conseguem dominar pelo carácter “fantasiado” do mundo virtual.

Como explico aos meus filhos que a vida dos influencers não é exatamente como vemos no Instagram?

Os influencers só mostram o que querem. Tal como os atores e atrizes também têm vidas muito diferentes das que mostram no ecrã – assim se deve explicar que nem tudo o que parece é.  Caso os influencers sejam modelos pela positiva, isso pode resultar numa boa forma de os jovens seguirem modelos.

Como posso ajudar a minha filha a reduzir o tempo que passa no telemóvel?

Os pais devem sempre ter um discurso pela positiva. Falar dos benefícios que se pode ter e das muitas atividades interessantes que se podem fazer se tiverem mais tempo disponível: estando online na vida real,  fazendo histórias sem Instagram e obtendo abraços em vez de likes. O sabor disto falará por si. Têm que se sentir os ganhos!

Como posso introduzir a ideia de fazer um detox de redes sociais/telemóvel? Qual será a melhor altura e como se pode lidar com a ansiedade que daí resulte?

Qualquer vício está associado a ansiedade. Combater os vícios é perceber as rotinas que lhe estão associadas. Se os nossos filhos perceberem em que momentos mais usam o telemóvel, poderão antecipar e substituir o uso do telemóvel por qualquer atividade ou ocupação que gostem. Estarem distraídos e divertidos ou concentrados em algo, fará desaparecer ou diminuir a ansiedade. O que interessa é estarem a sentir prazer: se o obtiverem de uma forma diferente, não haverá ansiedade associada. A nossa mente é que nos guia e somos nós que controlamos a nossa mente! Experimentem em família programas de fins de semana ou férias cativantes, mantendo a possibilidade de usarem telemóvel ou rede social em momentos acordados pelos interessados. Não esquecer que os pais devem dar o exemplo!

11ª Global Missing Children’s Network Conference – com a presença de Dulce Rocha, Presidente do IAC, 4-6 dezembro em Lisboa

Dezembro 3, 2019 às 3:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Dra. Dulce Rocha, Presidente do IAC partipará na sessão de abertura da 11ª Conferência no dia 4. A Drª Maria João Cosme técnica do IAC-SOS-Criança e a Drª Paula Paço técnica do IAC-Projecto Rua apresentarão a comunicação”Multi-Sectorial Approach” no dia 3 de dezembro no âmbito da First Responder Missing Children Training.

GMCN Conference Agenda FINAL

Training Agenda Draft (1)

IAC recebido pelo Eurodeputado Carlos Coelho

Agosto 3, 2018 às 2:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Facebook do Eurodeputado Carlos Coelho

Recebi hoje uma delegação do Instituto de Apoio à Criança para discutir formas de reforçar o compromisso da União Europeia e dos Estados-Membros com mecanismos mais eficazes de encontrar crianças desaparecidas. O trabalho do IAC e das estruturas internacionais em que participa, sobretudo da Missing Children Europe, é louvável. O futuro está na união de esforços de todos para reforçar e garantir os direitos de todas as crianças.

As crianças e a mentira

Fevereiro 9, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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mentira

 

Este artigo, publicado hoje no site Up to Kids, foi escrito pela Drª  Maria João Cosme, técnica do serviço SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança.

“A mentira é o acto de mentir, é uma ilusão, um embuste, um erro, uma vaidade, uma peta, uma falsidade, um engano propositado e é uma afirmação contrária à verdade com intenção de enganar.” (Dicionário de Língua Portuguesa).

Mas e no caso das crianças? Porque mentem as crianças?

O recurso à mentira ou a tendência para esconder a verdade é algo que assusta pais e cuidadores. Porque tudo o que não controlamos, assusta!..

Podemos referir vários motivos pelos quais se pode mentir:
Medo da Punição; Imaginação/Fantasia; Para proveito próprio; Agradar aos outros; Ser aceite socialmente; Imitação; Chamar a atenção; Negar responsabilidades; Melhorar autoestima.

Pode ainda existir outra situação que leve a criança a mentir, mas não intencionalmente, quando por exemplo ela não entende a pergunta dos pais. A mentira por mal-entendido. Por vezes as crianças não têm ainda adquiridas algumas noções, como a do tempo por exemplo, e os adultos terão que ter esse entendimento e utilizar uma linguagem mais adequada e adaptada à idade.

 

Será que a mentira também cresce com a idade?
A partir dos 3 anos
Por esta altura, a criança ainda não consegue estabelecer uma barreira entre a realidade e a fantasia. “A criança faz uso da mentira porque acredita que o que está a relatar aconteceu mesmo” (Ramalho, 2006).

A imaginação faz parte do desenvolvimento normal e emocional de uma criança.

A partir dos 7 anos
É por volta dos 7 anos que a criança começa a distinguir a verdade da mentira. Nesta idade, a criança acaba por usar a mentira para obter aprovação ou para fugir as consequências de um erro que cometeu, ou seja, já mente de uma forma intencional, o que não acontecia antes.

Adolescência
Na adolescência, “começam a usufruir cada vez mais da mentira quando descobrem que esta pode ser aceite em certas ocasiões e até ilibá-los de responsabilidade e ajudar a sua aceitação pelos colegas” (Carreteiro, 2004).

A mentira nesta altura pode surgir como uma atitude de revolta, ou devido à rigidez das regras impostas pelos pais, ou até mesmo para serem aceites socialmente. Nesta fase, existe intenção de enganar o outro e também de melhorar a sua autoestima e isto pode levar ao afastamento para com os progenitores.

 

O que se deve fazer?
É importante não ignorar, nem achar piada à atitude que a criança teve, pois a criança pode encarar a mentira como algo normal, algo aceite socialmente, mas também é importante não entrar em pânico, porque apesar de tudo, a mentira é utilizada com bastante frequência no quotidiano de toda a gente.

Diálogo: É importante que os pais tenham uma conversa calma com as crianças, para lhes explicar a importância da verdade no quotidiano, as vantagens que a mesma tem e até mesmo as desvantagens da mentira.

Confiança: Uma criança, de qualquer idade, vai sentir-se mais feliz e importante se os pais lhe demonstrarem frequentemente que confiam nela. Se a criança for apanhada a dizer uma mentira, os pais terão de lhe dizer que isso não irá fazer com que eles deixem de confiar nela, mas têm de lhe fazer ver que, se continuar a mentir, vai acabar por fazer com que ninguém acredite nela.

Segurança: A criança tem de se sentir segura para dizer a verdade, sem ameaças e sem receios. As mentiras nem sempre são fáceis de descobrir, pelo que os pais devem certificar-se sempre de que existiu mesmo uma mentira e se realmente a criança mentiu. A necessidade de saber o que realmente aconteceu é justificável. Só assim os adultos conseguem ajudar a criança a regular e corrigir comportamentos e assegurar a sua segurança e bem-estar.

 

A verdade na mentira
A verdadeira mentira implica alguma intencionalidade e está normalmente associada sobretudo a dois aspetos: evitar castigos ou desiludir o outro, ou conseguir algo que deseja muito. Assim, podemos ver alguma legitimidade no recurso à mentira, no sentido em que é uma tentativa de não desiludir ou evitar um problema maior. No entanto é importante não reforçar o comportamento de forma negativa.
A mentira frequente constitui um padrão de comportamento desadequado. Muitas vezes as mentiras são um recurso usado quando a verdade é demasiado dolorosa ou humilhante, ou como chamada de atenção.

É sempre importante estar atento aos sinais.

 

Alguns conselhos:

– Evitar rótulos. Dizer mentiras é diferente de ser mentiroso.

– Dar o exemplo.

– Clarifique que existem opções que não implicam mentir, por exemplo, ao receber um presente de que não gostou, pode simplesmente agradecer.

– Quando a criança mente, o assunto deve ser abordado com calma, sem ameaças de castigos ou de ressentimentos para com ela, para não reforçar pela negativa.

– Evitar dar oportunidade à mentira. Se já sabe que a criança não fez os trabalhos de casa, porquê perguntar se estão feitos?

– Elogiar o comportamento positivo e não recorrer à punição/castigo. Dizer que agimos mal ou que falhámos de alguma forma é difícil, especialmente quando o temos de fazer perante as pessoas mais importantes para nós. Elogie e reconheça a coragem da criança em fazê-lo. Promova a reparação do dano causado em vez do castigo.

Em jeito de conclusão, deve-se procurar reforçar a relação de confiança, assegurando à criança que por muito mau que tenha sido o comportamento, o importante é que ela seja capaz de o partilhar com os adultos próximos para que estes possam ajudá-la.

“Não me esqueças!…” | Dia das Crianças Desaparecidas – texto de Maria João Cosme do IAC

Maio 31, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto publicado no site http://uptokids.pt/  da autoria da Drª Maria João Cosme, técnica do IAC-SOS-Criança a 30 de maio de 2016.

uptokids

Como prevenir um desaparecimento, e como agir no caso de desaparecimento de uma criança

O Instituto de Apoio à Criança sugere…Para prevenir um Desaparecimento:

  • Combine sempre antecipadamente com as suas Crianças um local de encontro (uma árvore, uma estátua, um café, a barraca do Salva-Vidas, a bandeira na praia);
  • Estipule antecipadamente com a Criança que, caso ela não se lembre do local combinado, é preferível que permaneça no mesmo local, pois será o adulto a vir à sua procura;
  • Quando sair em família/grupo, vista o seu filho com cores vivas a fim de este ser sempre bem visível e rapidamente localizável;
  • Não permita que a Criança ande nua em espaços públicos (praia, piscina, parque de campismo, estância de férias) pois pode estar a expô-lo a olhares indiscretos/voyeuristas e se ela se perder, torna-se mais difícil a sua identificação e reconhecimento;
  • Se a sua Criança se perder num espaço fechado (supermercado, centro comercial, centro de exposições, museu) procure imediatamente um segurança/polícia e solicite que mande encerrar/controlar as portas e comunique através do sistema de som o sucedido (para despertar a atenção de todos e desmotivar a intenção de um possível agressor);
  • Ensine a sua Criança a gritar e resistir caso um desconhecido o tente agarrar e/ou seduzir com guloseimas, dinheiro ou outras ofertas;
  • Ensine a sua Criança a procurar ajuda junto de um segurança, de adultos acompanhados de crianças ou autoridade (Policia, GNR) caso esta se perca;
  • Não deixe as Crianças sem supervisão, partilhe essa tarefa com familiares e amigos de forma alternada para que todos possam desfrutar da sua companhia;
  • Certifique-se que as Crianças, quando sozinhas em casa, mantêm a porta fechada e não a abrem, nem falam com estranhos. Se combinou a visita de alguém, certifique-se que as Crianças se sentem confortáveis com essa pessoa;
  • Certifique-se que as Crianças, quando sozinhas, não informam ninguém de que estão sozinhas em casa (quando alguém toca à porta, telefona ou quando em conversação na Internet);
  • Assegure-se de que as Crianças sabem que se devem manter afastadas de piscinas, canais, riachos, ribeiros, rios ou poços de água, quando não acompanhadas por um adulto (familiar, monitor, professor, …)
  • Dado que os dias são maiores nos meses de Verão, certifique-se que as Crianças sabem a hora de recolher a casa e de que o devem avisar que vão chegar mais tarde;
  • Escolha babysitters/empregadas com cuidado e atenção. Solicite referências a familiares, amigos, vizinhos e até mesmo às empresas ou anteriores empregadores. Observe as suas interações com as crianças e pergunte às Crianças se gostaram da pessoa;
  • Verifique os campos de férias, ATL antes de inscrever as Crianças. Certifique-se que averiguam o registo criminal dos seus funcionários e de que as Crianças estão sempre supervisionadas, têm identificadores (pulseiras, colares, crachás, chapéus, t.shirts), e que todas as atividades e saídas lhe são atempadamente comunicadas;
  • Ouça as suas Crianças e assegure-se que consegue sempre encontrar tempo para conversar com elas. Ensine-as a fugir de situações que considerem desconfortáveis, perigosas e/ou assustadoras e pratique com elas algumas hipóteses de saída em segurança. Certifique-se que as Crianças se sentem à vontade para lhe contar tudo o que as possa assustar ou confundir, ou que têm alguém de confiança a quem o possam fazer;
  • Não se esqueça que as crianças caminham sempre contra o sol! Pelo que deve iniciar as suas buscas com as suas costas viradas para o astro rei;
  • Não caia na tentação de pensar que a sua Criança sabe pedir ajuda naturalmente por dominar a comunicação oral, pois a ansiedade e a angústia de separação rapidamente se apoderam de uma criança em situação de perda, ferimento ou queda/lesão grave;
  • Se tiver dúvidas, contacte o SOS Criança Desaparecida 116 000

Em caso de Desaparecimento de uma Criança…

  • Inicie imediatamente a procura da Criança e solicite ajuda a familiares, amigos e vizinhos e dirija-se aos transeuntes com uma descrição da Criança;
  • Lembre-se que, de acordo com a diretiva europeia de 2001 2001/C 283/01 emitida pelo Conselho Europeu em 09/10/2001, consideram-se Crianças Desaparecidas:

– Crianças em Fuga,

– Crianças Raptadas por Terceiros

– Crianças Desaparecidas de forma inexplicável

  • Contacte rapidamente as Forças de Segurança locais (PSP ou GNR) e seguidamente o SOS Criança Desaparecida (116000)
  • De acordo com a Lei de Protecção de Crianças e Jovens (Lei 147/99 de 1 de Setembro), o Desaparecimento inscreve-se numa situação de urgência (artº 91) e não há motivo para aguardar tempo algum para iniciar a procura da Criança

“Não me esqueças!…” A história por detrás do Dia das Crianças | Desaparecidas…25 de Maio

Como apareceu o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas

Em Portugal assinalou-se, pela primeira vez, em 25 de Maio de 2004, o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, por iniciativa do Instituto de Apoio à Criança (IAC)

A origem desta data funda-se no facto de no dia 25 de Maio de 1979 ter desaparecido uma criança de 6 anos, Ethan Patz, em Nova Iorque. Nos anos seguintes, pais, familiares e amigos reuniram-se para assinalar o dia do seu desaparecimento e, em 1986, a data ganha uma dimensão internacional quando, na sequência da criação do National Center for Missing and Exploited Children, o Presidente Reagan dedica esse dia a todas as crianças desaparecidas.

Esta data é assinalada em diversos Países da Europa, à semelhança do que sucede na Bélgica, desde 2002, em que a Child Focus, associação belga criada pelo pai de uma das crianças assassinadas pelo pedófilo Dutroux, decidiu adotar este dia associando-se assim ao movimento iniciado nos Estados Unidos.

A Federação Europeia das Crianças Desaparecidas e Exploradas Sexualmente,( Missing Children Europe), criada em 2001, e que o IAC integra desde a sua fundação, recomenda iniciativas nesse dia, às ONG nacionais.

As organizações que intervêm nesta área adotaram como símbolo a flor de miosótis, em inglês “forget me not !”

Em Portugal agarrámos esta causa!…

Por forma a cumprir a decisão de 15 de Fevereiro de 2007, o MAI atribuiu ao Instituto de Apoio à Criança, enquanto órgão da sociedade civil em 27 de Agosto de 2007, o numero 116 000 para Crianças Desaparecidas e em 27 de Julho de 2008, o IAC inaugurou o número europeu para as Crianças Desaparecidas 116 000 sendo o segundo país europeu a cumprir a diretiva europeia.

Segundo a referida diretiva, o número grátis Criança Desaparecida – SOS Criança Desaparecida,  “a) atende chamadas de quem quer comunicar o desaparecimento de crianças e transfere a informação recolhida para a policia b) oferece orientação e apoio às pessoas responsáveis pela criança desaparecida c) apoio a investigação.”

O IAC comprometeu-se a receber os apelos do SOS-Criança Desaparecida de 2ª a 6ª feira entre as 9horas e as 19horas, bem como assegurar o apoio psicológico, social e jurídico gratuito às vítimas e suas famílias. A partir das 19h as chamadas são encaminhadas para a Polícia Judiciária.

Curiosidade: A lenda da Flor Miosótis

Programa PSP (parceria com IAC) Pulseiras “Estou Aqui”

Bibliografia: documentos de trabalho do IAC/SOS-Criança Desaparecida

IX Conferência Crianças Desaparecidas | 31 Maio 2016 | Ver Programa

Maria Joao Cosme

    

Sobre o Autor

Maria Joao Cosme

cosmeMaria João Cosme, Psicóloga, Lisboa

Sou mãe de dois filhos. Tenho 40 anos. Desde pequena que nutro o gosto pela escrita. Trabalho na área…

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Workshop “Missing Persons/Pessoas Desaparecidas”- Albufeira

Abril 28, 2016 às 12:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Todos os anos os Consulados Britânicos em Lisboa e Portimão lidam com casos de participações de cidadãos britânicos (turistas e residentes) desaparecidos em território português. Por este motivo o consulado tem colaborado com diferentes autoridades e instituições que combatem este fenómeno, nomeadamente o SEF, a PJ, a PSP, a GNR e a Interpol.

Para melhor entender a função e a articulação entre as autoridades no que cerne este assunto, o Consulado Britânico em Portimão organizou um workshop intitulado “Missing Persons” que se realizou em Albufeira, no salão nobre da Câmara Municipal, no dia 5 de Abril, convidando também o IAC a estar presente, nomeadamente o SOS-Criança Desaparecida. As comunicações foram realizadas em língua inglesa e todos os participantes expuseram a intervenção habitual dos seus serviços quando existe uma situação de pessoa desaparecida em território nacional. Esta reunião contou com a presença de um representante sénior do UK International Crime Bureau (UK ICB) e das autoridades policiais, para além do IAC e do Presidente da Safe Communities Portugal, uma IPSS sediada no Algarve.

O FB “Brits in Portugal” tem fotos sobre o evento referido AQUI.

 

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