O segredo do sucesso está dentro da biblioteca

Fevereiro 22, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Adriano Miranda

Reportagem do https://www.publico.pt/  de 3 de fevereiro de 2018.

 Por Samuel Silva

A Escola Básica e Secundária de Ponte da Barca está no top 5 das que no secundário mais se distinguem no “ranking alternativo”. A leitura é aposta central do seu projecto educativo.

“O direito de não ler.” “O direito de saltar páginas.” “O direito de não acabar um livro.” No bloco C da Escola Básica e Secundária de Ponte da Barca é o colorido dos “Direitos Inalienáveis do Leitor”, enunciados por Daniel Pennac, que quebra a monotonia da parede amarelada. As frases são pintadas a grená, com excepção da primeira letra de cada uma delas, que surge destacada numa pequena tela ornamentada como uma iluminura dos escritos clássicos.

Um dos “O” está cortado a meio e o director, Carlos Alberto Louro, nota-o: “Às vezes algum engraçadinho estraga isto e é preciso voltar a fazer.” A escola de Ponte da Barca é a 5.ª melhor do ensino público no ranking do sucesso (a 3.ª, se forem tidas em consideração exclusivamente as escolas públicas). Mas, como todas as escolas, não é perfeita: “Também há quem se porte mal.”

Na hora em que os alunos regressam às aulas depois de um curto intervalo, não há ruído no amplo pátio entre as salas. O bloco C é 20 anos mais novo do que o resto da escola, construída em 1983. É aqui que estão os laboratórios, o auditório e também a biblioteca, que é uma espécie de “menina dos olhos” para a direcção e os professores.

A biblioteca escolar é igualmente uma peça fundamental para esta escola no Alto Minho que, desde que o Governo começou a divulgar o indicador de sucesso — que assinala escolas onde mais alunos conseguem fazer todo o ciclo de estudos sem chumbar e que permite fazer um “ranking alternativo” ao das médias de exame — tem estado entre as melhores do país.

Criada em 2004, a biblioteca da escola tem hoje mais de 17 mil títulos listados e é um ponto de encontro para os alunos dos vários níveis de ensino — aqui cruzam-se alunos do 7.º ao 12.º ano. Sobre estas prateleiras, assenta a estratégia da escola para obter bons resultados. “O bom aluno tem de compreender bem o que lê e saber expressar-se. Também só consegue ser bem-sucedido se for capaz de interpretar a realidade”, resume o director, Carlos Alberto Louro.

Foi esta a visão que a escola construiu nos últimos 13 anos. A biblioteca é a primeira das Medidas Estruturais de Acção Educativa definidas pela comunidade escolar. Desde Novembro de 2012, alunos, professores e pais promovem a leitura através de um programa semanal na Rádio Barca — a única emissora local —, que já tem mais de 200 emissões. A iniciativa valeu o prémio “Ideias com Mérito” pela Rede Nacional de Bibliotecas Escolares há dois anos.

Ensino personalizado

Também é pela biblioteca que passa a organização de feiras do livro, encontros com escritores, concursos de escrita e o muito concorrido concurso de leitura. Quase todos os alunos desta escola participam nesta competição, onde os estudantes de Ponte da Barca têm chegado quase sempre às finais nacionais nos últimos anos.

“Participar no concurso de leitura ajuda-nos a todos”, avalia João Ramos. Tem 17 anos, cabelo curtíssimo e um discurso fluído. Quer seguir engenharia mecânica ou industrial e está a terminar o secundário na área de Ciências e Tecnologias. Tem participado regularmente nos concursos de leitura e essa experiência permite-lhe perceber que, para quem não está habituado a ler, a competição “é uma altura em que os alunos podem investir um bocadinho mais e descobrir” os livros. Para quem já é leitor assíduo, “há sempre a possibilidade de ir às fases seguintes, a nível regional ou nacional — e isso é sempre bom”, conta.

A aposta na promoção da leitura deu frutos, sobretudo a Português que, com uma média de 12,3 valores, é a disciplina em que os alunos de Ponte da Barca têm melhores resultados. Essa classificação média vale-lhes mesmo um lugar entre as 40 melhores escolas do país nessa disciplina nos exames nacionais de 2017. Nas restantes matérias, os alunos da escola minhota não conseguem ter resultados tão positivos e só conseguem estar entre as 200 melhores do país numa outra disciplina, História.

Além da aposta na leitura, o que explica o bom desempenho da escola de Ponta da Barca no ranking do sucesso? Dá-se a palavra aos alunos. “Tivemos quase sempre os mesmos professores e isso é muito positivo”, sublinha João Ramos, aluno do 12.º B. Colega da mesma turma, Rúben Lima antecipa um futuro na investigação — “talvez Biotecnologia” — e vê o facto de as turmas não serem demasiado grandes uma mais-valia daquele estabelecimento de ensino: “Temos um ensino quase individualizado.”

Os indicadores do Ministério da Educação mostram ainda que uma das marcas desta escola é a estabilidade do corpo docente, com 93,8% dos professores a pertencem ao quadro. Este facto permitiu à direcção ter estabelecido que, em regra, o mesmo professor acompanha uma turma ao longo dos 10.º, 11.º e 12.º anos.

A escola é também relativamente pequena — tem 211 inscritos no ensino secundário — e as turmas não têm mais do que 22 ou 23 estudantes. Ainda assim, nas disciplinas que estão sujeitas a exames nacionais, os alunos são divididos em grupos mais pequenos, de 11 ou 12, para frequentarem o tempo de reforço lectivo destinado a consolidar as aprendizagens nessas matérias.

Na parte final do 3.º período, são promovidas aulas específicas para preparação para exame e os professores têm indicações para construírem os testes ao longo do ano tendo em consideração o modelo habitual das provas nacionais e os respectivos critérios de correcção.

Contexto difícil

“Os bons resultados são uma preocupação transversal”, sublinha Carlos Alberto Louro. O director está nas funções desde 1992 e, por isso, conhece bem o contexto em que trabalha, que apresenta dificuldades de base a que a escola tem que responder.

O agrupamento de Ponte da Barca é o único num concelho pequeno (cerca de 12 mil habitantes) e disperso, porque embora a maioria da população viva na vila que é sede do município, chegam ali alunos que vêm desde a aldeia de Lindoso, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, até aos limites do concelho de Ponte de Lima.

A realidade socioeconómica dos alunos é também diversa. Em regra, cerca de metade são oriundos de famílias de baixos recursos económicos e por isso elegíveis para os apoios da Acção Social Escolar. No ano passado, os alunos apoiados pelo Estado foram 43,8% do total.

A escolaridade média dos pais é também baixa. As mães chegam ao 9.º ano; os pais têm o 7.º. De resto, apenas no último censo, em 2011, o concelho ultrapassou os dois dígitos na percentagem da população com habilitações de nível superior. Por isso, o director da Básica e Secundária de Ponte da Barca considera que o facto de 60% a 70% dos alunos que completam o secundário seguirem para o ensino superior deve ser encarado “como uma grande conquista”.

Anúncios

Antes do sucesso escolar, há que trabalhar as emoções

Fevereiro 20, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia do https://www.publico.pt/  de 2 de fevereiro de 2018.

Jornadas Internacionais do Pensamento Emocional decorrem em Lisboa nesta sexta-feira.

Bárbara Wong

O dia não corre melhor se, antes de sairmos de casa, alguém nos disser umas palavras simpáticas? “A predisposição que tivermos para os outros vai ser diferente porque o amor é contagiante”, defende Maria Caldeira, directora do Agrupamento de Escolas do Alto do Lumiar, em Lisboa. Trabalhar o pensamento emocional é a proposta desta professora para conquistar os alunos, oriundos de meios desfavorecidos, para que, no futuro, possam estar mais predispostos para estudar. Nesta sexta-feira realizam-se as primeiras jornadas internacionais do Pensamento Emocional, no ISCTE-IUL, em Lisboa.

Já existem vários projectos, a nível nacional e internacional, onde se procura trabalhar as emoções dos alunos, aponta a directora deste agrupamento que fica num Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP) e que é uma das experiências em curso no país. “Tenho o privilégio, a honra e a graça de trabalhar com um grupo de pares e de parceiros extraordinários”, orgulha-se Maria Caldeira, enumerando os professores, a mediadora escolar, os técnicos da Junta de Freguesia do Lumiar, as universidades, associações e organizações que estão a colaborar com o agrupamento.

Dulce Martins, investigadora do ISCTE, faz parte da equipa que acompanha 19 agrupamentos TEIP e recorda que a ideia de trabalhar sobre as emoções surgiu quando um dia houve um grave problema de indisciplina numa das escolas do Alto do Lumiar. Maria Caldeira defendeu na altura que “o pensamento emocional pode ser um promotor de disciplina”, recorda a investigadora.

E foi assim que começou. Por exemplo, numa escola do 1.º ciclo do agrupamento há aulas de ioga três vezes por semana, um projecto com a colaboração da autarquia e da Universidade de Aveiro que está a monitorizar os resultados. Noutra, também do 1.º ciclo, os alunos de Psicologia da Universidade de Lisboa trabalham com as crianças as suas competências emocionais – “há um défice grande de afectos”, justifica a directora. Na Escola Básica das Galinheiras, o campeão de kickboxing Miguel Reis dá aulas aos alunos do 1.º ciclo. “O atleta é filho de mãe cigana e pai negro, o que mostra que a relação entre as duas culturas é possível, que se pode viver em paz”, explica aínda a directora. Se um aluno se portar mal, o mestre fala com ele; não participar numa prova pode ser o castigo. Os meninos “estão a trabalhar as emoções de uma forma física”, continua Maria Caldeira.

O agrupamento — que tem resultados académicos abaixo da média nacional, em todos os ciclos — tem ainda trabalhado com os professores e com a associação de pais. O fim último é melhorar o desempenho escolar dos alunos? “Quando conseguimos trabalhar estas competências, quando os alunos estão disponíveis para ouvir, claro que contribui para melhorar os resultados”, responde Maria Caldeira.

“É preciso estimular o pensamento emocional para promover competências emocionais que são essenciais para o sucesso escolar. Os estudos dizem que os alunos mais competentes a nível emocional têm maior sucesso académico”, acrescenta Dulce Martins. E é isso que se pretende com estes e outros projectos que o agrupamento está a levar a cabo. “Em primeira e em última análise queremos que estes alunos tenham sucesso académico, mas também queremos muito que sejam felizes e encontrem um equilíbrio interno”, conclui a directora.

As inscrições para as jornadas esgotaram — o que “é muito revelador da necessidade que as pessoas sentem em trabalhar os afectos”, avalia Maria Caldeira —, mas os painéis podem ser acompanhados a partir do site do encontro.

 

 

Aumenta o fosso entre rapazes e raparigas no sucesso escolar

Fevereiro 2, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , ,

Notícia do https://www.publico.pt/ de 12 de janeiro de 2018.

O género e o contexto socioeconómico continuam a marcar fortemente o desempenho dos alunos. Ministério divulga resultados do indicador que mede quantos conseguem ao longo da escolaridade um percurso “limpo” de chumbos.

CLARA VIANA

É sabido que em média as raparigas têm melhores desempenhos escolares do que os rapazes, mas em Portugal esta tendência está a acentuar-se no 3.º ciclo e no ensino secundário. É o que mostram os dados sobre os chamados percursos directos de sucesso divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério da Educação (ME).

Para o ME, um aluno com um percurso directo de sucesso é aquele que, cumulativamente, não chumbou em nenhum dos anos do seu ciclo de escolaridade e que obteve positiva nos principais exames. No conjunto dos alunos, estes casos de “percursos limpos” ainda são a minoria, embora estejam a aumentar. Como também aumentou o fosso entre rapazes e raparigas neste indicador.

No ensino secundário a diferença entre eles e elas passou de sete pontos percentuais em 2015/2016 para 10 pontos em 2016/2017. No 3.º ciclo, a diferença que separa uns e outros subiu, num ano, de nove pontos percentuais para também 10. No concreto: 47% das raparigas conseguiram, em 2016/2017, concluir o 12.º ano com um percurso directo de sucesso — ou seja, não chumbaram nem no 10.º, nem no 11.º ano e tiveram positiva nas principais provas finais no 12.º. Os rapazes saíram-se pior: apenas 37% conseguiram um percurso livre de chumbos.

No 9.º ano as taxas de sucesso (zero chumbos no 7.º e no 8.º e positiva nos exames do 9.º) foram, respectivamente, de 51% e 41% para raparigas e rapazes.

“Existem mais repetências entre os rapazes”, confirma o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima que, no entanto, afasta a questão do comportamento como sendo actualmente uma das razões para que tal aconteça. “Posso dizer por experiência que hoje já não é verdade que as raparigas sejam mais bem comportadas que os rapazes”, refere.

O que poderá explicar então a diferença? “As raparigas amadurecem mais cedo e talvez estejam mais predispostas para os estudos do que os rapazes”, admite.

Ainda uma minoria

O indicador sobre os percursos directos de sucesso foi lançado pela primeira vez no ano passado pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Ficou a saber-se então que tanto no 3.º ciclo do básico como no secundário os alunos com “percursos limpos” de chumbos e que, cumulativamente, tinham nota positiva nos exames nacionais constituíam uma minoria.

Os dados agora divulgados confirmam este retrato, embora se tenha registado uma evolução positiva. Em 2016/2017, 42% dos alunos do 3.º ciclo tiveram percursos de sucesso, quando no ano anterior eram 37%. No secundário, o mesmo aconteceu com 46%. Em 2015/2016 eram 40%.

Em declarações aos jornalistas, durante a apresentação destes resultados, o secretário de Estado da Educação João Costa considerou que estas subidas se poderiam justificar pela “ligeira subida da média dos exames nacionais” registada no ano passado em quase todas as disciplinas e por algum impacto das acções entretanto adoptadas pelas escolas no âmbito do programa de promoção do sucesso escolar, lançado em 2016/2017. O governante frisou, contudo, que esta evolução deve ser “olhada com cautela” porque em educação dois anos não são tempo suficiente para identificar tendências.

“Penso que ainda é prematuro atribuir-se ao programa de sucesso escolar. Estamos só no segundo ano deste programa que, na maioria das escolas, tem incidido sobretudo no 1.º ano de escolaridade”, comenta Filinto Lima, em declarações ao PÚBLICO. Para o presidente da ANDAEP, esta evolução poderá reflectir sobretudo a preocupação das escolas em conseguir que “os bons alunos atinjam outros patamares”. “A par do combate ao insucesso escolar, existe hoje uma forte sensibilização das escolas para com os alunos que, estando já com notas positivas, podem melhorar ainda mais as suas aprendizagens.”

O peso do meio

O que os novos dados também mostram é que esta tendência de subida é transversal a todo o tipo de estudantes, independentemente do contexto socioeconómico de origem, embora o peso do meio continue a marcar profundamente o desempenho.

Para avaliar este impacto, a DGEEC foi saber qual a percentagem de alunos com Acção Social Escolar (ASE) que conseguiram ter percursos de sucesso e também a dos que não beneficiam destes apoios, que só são atribuídos a estudantes oriundos de agregados com rendimentos iguais ou inferiores ao salário mínimo nacional.

Os beneficiários da ASE estão divididos em dois escalões: A e B, sendo o primeiro o dos mais carenciados. Em 2016/2017, 28% dos alunos do escalão A e 35% do escalão B que concluíram o 12.º ano estavam entre os estudantes com percursos de sucesso. Em 2015/2016, estes valores tinham sido, respectivamente, de 23% e 30%.

Já entre os alunos de meios mais favorecidos, ou seja, sem apoios do Estado, esta proporção passou de 39% em 2015/2016 para 44% no ano lectivo passado.

No 3.º ciclo, 54% dos estudantes que não estão abrangidos pela ASE tiveram percursos de sucesso em 2016/2017. No ano anterior tinham sido 47%. Entre os alunos do escalão A da ASE a evolução foi de 18% para 22% e no escalão B passou-se de 28% para 34%.

É uma evolução que Filinto Lima vê com “muita satisfação”. “Significa que as escolas estão a cumprir o seu papel de elevador social.” Apesar disso não tem dúvidas de que a diferença a favor dos alunos mais favorecidos será “uma tendência que vai continuar”.

Também a nível distrital a tendência é de subida. No secundário as maiores subidas neste indicador de sucesso escolar (sete pontos percentuais) registaram-se em Aveiro, Beja, Castelo Branco e Porto. Braga e Viana do Castelo são os distritos que mais se distanciaram pela positiva: tiveram 48% de alunos com percursos de sucesso quando a média nacional foi de 42%. Braga volta a destacar-se no 3.º ciclo com 50% de estudantes nesta situação, mas a campeã é Coimbra que atingiu os 56%.

Para João Costa, a avaliação com base nos percursos de sucesso “permite contrariar análises simplistas e não induzir algumas más práticas educativas” nas escolas, ao contrário do que sucede com os rankings tradicionais, elaborados só com base nas notas dos exames. Um exemplo: este indicador, quando usado para comparar escolas, “penaliza as que estão a chutar alunos para fora para não ficarem mal” nos rankings. Mais: ele permite uma avaliação mais séria do trabalho realizado, acredita. “Uma escola é boa pelo progresso que os alunos fazem”, sublinha.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Provas Finais e Exames Nacionais 2017 – Principais Indicadores Ensino Básico e Secundário

 

 

 

Jornadas Pedagógicas – Da Escola para Todos à Escola onde Todos Aprendam: um contributo para a Promoção do Sucesso Escolar” 3 e 4 de julho em Montemor-o-Velho

Junho 26, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

mais informações:

http://jornadaspedagogicas.pe.hu/

Reforçar a autoestima para diminuir chumbos

Abril 10, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Texto do http://www.educare.pt/ de 29 de março de 2017.

Programa “Mediadores para o Sucesso Escolar”, da EPIS – Associação Empresários pela Inclusão aumenta em 14% a probabilidade de sucesso no 3.º Ciclo. O projeto trabalha competências não cognitivas dos alunos para melhorar resultados.

Sara R. Oliveira

“Mediadores para o Sucesso Escolar” é o programa da EPIS – Associação Empresários pela Inclusão, que estabeleceu como objetivo combater o insucesso escolar sobretudo no 3.º ciclo do Ensino Básico, ou seja, nos 7.º, 8.º e 9.º anos de escolaridade. O trabalho concentra-se no reforço de competências não cognitivas dos alunos para melhorar o desempenho em termos dos resultados escolares. Estas competências incluem a autoestima, a motivação, a dedicação, a organização, bem como o bom relacionamento com os colegas, professores, pais, encarregados de educação e familiares. Competências que, por regra, não são trabalhadas no ambiente escolar mais tradicional. Um estudo pioneiro revela que o programa da EPIS aumenta em 14% a probabilidade de sucesso escolar, quando analisados os anos entre 2014 e 2016. Pedro Martins, professor catedrático e doutorado em Economia, coordenou o estudo.

Na comparação entre dois subgrupos de jovens, verifica-se que os alunos que foram selecionados, de forma aleatória, para o acompanhamento feito pelos mediadores, apresentam um desempenho escolar significativamente superior aos que não tiveram a mesma ajuda. O primeiro grupo exibe uma diferença de 4,8 pontos percentuais na percentagem de aprovações. Esta diferença corresponde a um aumento de mais de 10% na probabilidade de não retenção, efeito que resulta da participação no programa dos mediadores. Excluindo-se os cerca de 200 jovens que, por vários motivos, foram selecionados mas não participaram na mediação, os efeitos tornam-se ainda mais expressivos, chegando a 6,2 pontos percentuais- comparando com o valor anterior de 4,8 percentuais -, ou seja, um aumento de mais de 14% na probabilidade de não retenção no período em análise. Há um aumento de cerca de 80 jovens a não reprovar.

Há estudos internacionais que sublinham a importância das competências não cognitivas trabalhadas pelo programa, tanto a nível da promoção do sucesso escolar junto dos alunos, como também em vários indicadores de qualidade de vida dos adultos, nomeadamente em termos de emprego ou rendimento. Tudo indica que há uma relação entre os níveis baixos dessas competências e os percursos escolares associados a retenções. O trabalho de análise dos perfis dos jovens é desenvolvido no programa da EPIS tendo em conta quatro dimensões: o aluno, o seu encarregado de educação, a escola e o território. Cada dimensão é analisada através de vários indicadores que, por último, são aferidos com vista a incluir ou não cada jovem junto de um grupo de acompanhamento.

O trabalho de mediação é conduzido por um grupo alargado de técnicos em educação, contratados pela EPIS ou pelo Ministério da Educação (ME). É atribuída a cada mediador uma carteira de jovens, que são acompanhados durante um período de pelo menos dois anos letivos. O trabalho de mediação é feito através de sessões individuais ou em pequenos grupos – um mediador para dois ou três jovens. As sessões de mediação têm duração e periodicidade variáveis mas duram, em geral, cerca de 20 minutos e são feitas a cada duas semanas.

Sessões individuais ou coletivas

Em 2010, foi feita uma avaliação do primeiro período de funcionamento do programa, isto é, entre 2006 e 2009. Nessa altura, verificou-se uma redução significativa do insucesso escolar dos alunos participantes em relação a outros grupos de jovens comparáveis mas não participantes. “Estes resultados mereceram ampla divulgação nacional e internacional, em cerca de 30 outros estudos e relatórios”, lembra a EPIS.

O novo estudo apresenta duas inovações em relação ao efetuado há cerca de sete anos: incide sobre um período mais recente, entre 2014 e 2016, e baseado numa metodologia diferente, na avaliação experimental baseada em grupos de comparação aleatórios. Segundo a EPIS, a avaliação do programa resulta da comparação do desempenho escolar entre jovens sinalizados participantes e jovens sinalizados não participantes. Esta metodologia garante que, em termos médios, eventuais diferenças de desempenho entre os dois grupos possam ser atribuídas exclusivamente à participação no programa. A utilização desta nova abordagem permite aumentar a compreensão dos efeitos do programa, bem como a sua visibilidade e o seu potencial de recetividade e implementação em termos internacionais.

A avaliação abrange três distritos: Lisboa, Setúbal e Açores, 15 concelhos, 55 escolas e 1029 turmas em dois anos letivos, 2014-2015 e 2015-2016. Quanto aos alunos participantes, 2311 foram selecionados para participação ativa no programa, enquanto que 648 foram selecionados para grupo de controlo, em ambos os casos na sequência de autorização parental. Em termos médios, os quase 3000 jovens pré-selecionados tinham à data, em setembro de 2014, 14,2 anos e 47% eram raparigas.

400 mil euros de poupança

As turmas tinham, em média, 22,3 alunos, sendo que 13,7% dos alunos estavam a frequentar os novos cursos vocacionais. Sensivelmente, metade dos alunos frequentava o 7.º ano de escolaridade. No primeiro trimestre desse ano letivo, o número médio de notas negativas ascendia a 4,8, num total de 12 disciplinas, sendo que 77% dos alunos tinham tido nota negativa a Matemática, 59% a Português e 50% a Inglês. Ao longo dos dois anos letivos analisados, os jovens foram acompanhados por um total de 57 mediadores, na sua maioria professores do ME. Cada aluno participou, em média, em 12,8 sessões individuais ou coletivas com os mediadores, durante um período total médio de cerca de 12 meses.

O último estudo apresenta resultados mais positivos do que os apurados em 2010. E uma vez que se utilizam recursos humanos do ME, com disponibilidade de horário para colaborar no projeto, a EPIS considera que a relação custo-benefício do programa “torna-se particularmente satisfatória”. Deste modo, os custos prendem-se exclusivamente com a administração do programa enquanto os ganhos traduzem-se na redução das despesas públicas inerentes às retenções, “potencialmente de 400 mil euros, considerando-se um custo de 5000 euros por aluno por ano, para 80 alunos ao longo desses dois anos”. A EPIS pondera alargar estas análises a outros aspetos, nomeadamente ao efeito das características dos mediadores, às diferenças dos efeitos entre regiões, aos potenciais efeitos multiplicadores resultantes das interações entre os alunos e ainda à avaliação do efeito das retenções no sucesso escolar subsequente.

 

 

Venham +5 e podemos ser todos bons alunos

Março 20, 2017 às 12:02 pm | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Texto do http://p3.publico.pt/ de 17 de março de 2017.

Métodos de estudo, dicas para controlar a ansiedade e ajuda para elaborar o currículo — tudo junto no mesmo blogue. É o Venham +5

Texto de Diana Barros

Venham +5 (segredos de estudante) é um projecto que promete dar solução às dores de cabeça de todos os estudantes. Criado pela mão de Soraia Rodrigues, é um blogue onde se podem ler dicas acerca de quais os melhores métodos de estudo, tirar dúvidas sobre as melhores formas para contornar a ansiedade e até ter ajuda personalizada para elaborar o currículo.

A ideia surgiu da experiência de Soraia ao ver a irmã enfrentar algumas dificuldades ao lidar com a pressão dos exames. Soraia explica que na altura idealizou “um projecto que ajudasse os estudantes nestas situações”, mas como não tinha capacidade para financiar um projecto físico decidiu criar algo online, “o que também me permitiu atingir um maior número de pessoas”, acrescenta.

O intuito do projecto não é substituir os gabinetes de apoio que já existem nas faculdades e escolas de ensino secundário, mas dar mais armas aos alunos para combaterem o insucesso escolar. Soraia explica a importância do Venham +5, alertando para uma realidade pouco conhecida: o insucesso tem mais impacto no abandono escolar a nível do Ensino Superior que as dificuldades económicas.

A formação de Soraia na área da psicologia deixou-a com uma ideia de quais as causas principais do insucesso escolar. “O insucesso escolar, numa frase precoce, é condicionado por três aspectos: a auto-eficácia que é a capacidade que temos de confiar nas nossas próprias capacidade é determinante, o factor comportamental e emocional também tem um papel relevante e por fim, o contexto familiar”, diz Soraia. Ainda que estes sejam os motivos do insucesso escolar numa fase precoce, podem influenciar o sucesso escolar em fases mais avançadas, Soraia acrescenta  “as experiências vividas na escola primária reflectem-se adiante no percurso escolar”.

Ler os textos disponíveis no blogue é gratuito, mas ter apoio personalizado ou orientação na construção de um currículo custa dinheiro. Soraia explica que o preço “nunca será tão caro como uma clínica de psicologia por exemplo” e acrescenta “estou a lidar com um público de estudantes, a maior parte não tem rendimentos, mas preciso de algum retorno”.

Contudo, os estudantes – quer do ensino secundário, quer do ensino superior – não são os únicos que beneficiaram da ajuda de Soraia, que também já chegou a quem se encontra desempregado à procura de trabalho. Saber o que colocar e não colocar no currículo, qual o modelo a adoptar e que competências sublinhar são dúvidas que vêm à cabeça de quem está a escrever o currículo e o Venham +5 pode indicar o melhor caminho.

Os planos para o futuro incluem a criação de um espaço físico no Porto, mas ainda falta dinheiro, para conseguir financiamento Soraia organizou uma campanha de crowdfunding. O dinheiro angariado na campanha vai servir “para poder ter um site mais trabalhado, organizado e traduzido em várias línguas e para conseguir criar o espaço físico”, explica Soraia. Divulgar o projecto não tem sido fácil, mas os comentários no blogue do Venham +5 já são alguns. “Falei com algumas associações de estudantes – e claro houve de tudo – umas responderam-me, foram receptivas e divulgaram o projecto e outras não se mostraram interessadas”, explica Soraia, mas acrescenta também que acredita que este trabalho de divulgação tenha que ser feito no campo, “ir a uma escola e explicar em que consiste o projecto.”

A psicologia de não dizer psicologia

Os textos do Venham +5 são o resultado de experiência pessoal e pesquisa de Soraia. “O enquadramento dos textos sou eu que escrevo, mas no caso específico de uma actividade para treinar determinada competência, vou buscar informações a fontes externas e referencio-as”, explica a fundadora do projecto.

A formação na área da psicologia também tem peso, mas Soraia prefere manter a palavra longe dos textos que escreve. “Tento sempre escrever os textos do ponto de vista da psicologia, mas oculto a palavra psicologia do meu projecto porque acho que ainda está muito estigmatizada”, explica.

Para Soraia, o fundo científico dos conteúdos do Venham +5 é muito importante, mas categorizá-los como apoio psicológico teria um efeito repelente para o público do seu blogue. “As pessoas ainda não vêm o apoio psicológico como uma necessidade básica.”

Para os de cá e para os que vêm

Além dos conteúdos já disponíveis no blogue, Soraia pretende alargar o Venham +5 a estudantes de Erasmus ou outros programas de mobilidade que venham para Portugal. O objectivo é facilitar a integração dos estudantes estrangeiros, quer na vida cotidiana da cidade, quer na vida académica, onde entraves linguísticos e falta de apoio personalizado podem ser barreiras à aprendizagem.

Soraia explica que o apoio vai ser, sobretudo, em duas vertentes: “pequenos livrinhos digitais que sirvam de introdução à vida académica e à vida na cidade: o preço de um café, como funciona a faculdade entre outras informações” e a criação de parcerias entre alunos da cidade e os que vão para lá estudar “vou contactar alunos que estão cá e já conhecem a cidade para poderem ajudar os outros”, explica Soraia.

 

 

 

Irmão mais velho ou mais novo: quem é o mais inteligente?

Fevereiro 23, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do http://pt.euronews.com de 8 de fevereiro de 2017.

euronews

Os primogénitos têm mais hipóteses de ter êxito na vida. Até agora existiam estudos que diziam que ser o primeiro a nascer se traduzia a um maior nível de estudos e maiores salários. Um fenómeno conhecido como “efeito da ordem no nascimento”: quanto maior é a diferença de anos de uns irmãos para os outros, mais vantagens terá o mais velho.

Mas agora aparece uma explicação ao nível cognitivo. Um estudo agora revelado analisou o comportamento de 5 mil crianças dos Estados Unidos e concluí que as diferenças podem começar antes dos três anos de idade.

Em termos biológicos não parece haver vantagens: o mais novo costuma nascer com mais peso e com mais saúde. A nível de apoio emocional, ao que tudo indica, aos mais novos é dada mais atenção. Mas o que muda então são os estímulos cognitivos: a leitura de histórias, a música, as visitas aos museus, as idas ao cinema e até a realização de trabalhos manuais, parecem ocorrer com mais frequência com os primeiros filhos. Ou seja, os mais novos serão menos estimulados e acabam por ter rendimentos académicos piores.

Este estudo foi publicado no Journal of Human Resources

 

 

As 9 características que todos os pais de miúdos com sucesso têm em comum

Dezembro 16, 2016 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

texto da http://visao.sapo.pt/ de 1 de dezembro de 2016.

afp-getty-images

Vários estudos científicos relacionam a educação com o sucesso. E há pelo menos 9 semelhanças entre os pais de filhos que se deram bem na vida

Todos os pais querem que os seus filhos não se metam em sarilhos, tenham sucesso escolar e uma vida cheia de alegrias. Não há uma receita certa, mas várias investigações têm vindo a apontar alguns caminhos e fatores que não determinam mas podem influenciar ou prever o sucesso futuro. Aqui ficam 9 coisas que pais de miúdos bem sucedidos têm em comum:

1 – Põem os miúdos a fazer tarefas

Pode não ser fácil e gerar alguma tensão familiar mas pôr as crianças a fazer algumas tarefas domésticas só lhes faz bem, além de ser uma ajudinha extra para os pais. Julie Lythcott-Haims, da Universidade de Stanford e autora do livro “Como criar um adulto“, disse numa Ted Talk: “Se os miúdos não estão a tratar da sua louça é porque alguém o está a fazer por eles. E estão a ser absolvidos não apenas do trabalho, mas também de aprenderem que o trabalho tem de ser feito e que cada pessoa deve contribuir para melhorar o que é de todos”.

Segundo a autora, as crianças que cumprem tarefas em casa tornam-se profissionais que colaboram mais com os colegas, criam mais empatia porque reconhecem o esforço necessário e são capazes de desenvolver tarefas de forma independente.

As bases desta teoria são do “Harvard Grant Study”, o mais vasto estudo longitudinal dos Estado Unidos sobre o desenvolvimento de pessoas adultas

Ao Tech Insider, Julie Lythcott-Haims explica: “Ao pô-los a fazer tarefas – pôr o lixo na rua, tratar das suas roupas – fazemos com que se apercebam de que têm de trabalhar. Devem saber que as suas vidas não se centram só neles e que pertencem a um ecossistema, a uma família ou a um local de trabalho partilhados”.

2 – Mantêm as expectativas altas

Um estudo conduzido pela Universidade da Califórnia, envolvendo 6600 crianças nascidas nos Estados Unidos em 2001 veio descobrir que as expetativas que os pais têm para os seus filhos têm um efeito considerável nas suas realizações futuras: 57% das crianças que tiveram menos sucesso tinham pais que esperassem que chegassem ao ensino superior. Mas 96% das crianças que foram bem sucedidas tiveram pais que ambicionavam que chegassem e concluíssem o ensino superior.

3 – Ensinam-lhes capacidades sociais

A simpatia e abertura para fazer amigos podem ser fundamentais para definir o sucesso dos seus filhos. Dois grupos de investigadores – da Universidade da Pensilvânia e da Universidade Duke na Carolina do Norte – avaliaram mais de 700 crianças de vários estados americanos durante o período em que frequentaram o jardim-de-infância e até aos 25 anos. O que descobriram foi uma correlação muito forte entre as capacidades sociais reveladas e praticadas no jardim-de-infância e o seu sucesso enquanto adultos duas décadas depois.

Segundo as conclusões do estudo, as crianças com mais competências sociais – que cooperam e ajudam os colegas e que parecem ter facilidade em compreender os seus sentimentos – têm uma maior probabilidade de conseguir um diploma universitário e ter um trabalho a tempo inteiro aos 25 anos do que aqueles que revelavam poucas capacidades sociais no jardim-de-infância. Os miúdos com mais limitações ao nível das capacidades sociais também revelaram uma maior probabilidade serem presos, terem problemas com álcool e de se candidatarem a habitações sociais

O que o estudo mostra é que ” ajudar as crianças a desenvolver capacidades sociais e emocionais é uma das coisas mais importantes que podemos fazer para os preparar para um futuro saudável”, diz Kristin Schubert, Diretora da publicação Robert Wood Johnson Foundation que reuniu os resultados deste estudo.

4 – Têm relações saudáveis com os filhos e parceiros

Os pais podem estar separados ou juntos mas o que importa, em nome do sucesso dos mais novos, é que mantenham relações saudáveis e positivas com eles e entre si. De acordo com um estudo da Universidade de Illinois, as crianças que vivem em ambientes de conflito, tendem a ter um futuro mais instável do que as outras.

O professor e autor do estudo, Robert Hughes, acrescenta ainda que há crianças com famílias monoparentais saudáveis que reportam muito mais sucesso no futuro do que as que têm os pais juntos mas problemas de conflito permanente entre ambos. Um ambiente calmo, de respeito e compreensão é sempre propicio a um desenvolvimento de sucesso.

Os problemas de adaptação da relação dos pais no pós-divórcio, que por vezes vem acompanhado de alguma tensão, também têm consequências negativas para as crianças, diz Robert Hughes. Um outro estudo veio concluir que o ideal será um contacto frequente entre as crianças e os pais sem a custódia, em vez da luta ou discussão pela custódia e visitas surpresa ou esporádicas. Ter cuidado com este tipo de postura facilita a adaptação das crianças ao divórcio e, depois, à vida futura.

5 – Têm um nível educacional mais elevado

As expetativas pessoais são, muitas vezes, o reflexo das expetativas e ambições dos pais. Um estudo de 2014 da psicóloga Sandra Tang, da Universidade de Michigan, veio afirmar que as mães que acabam o secundário e a faculdade têm mais probabilidade de vir a criar filhos que sigam o mesmo caminho. O estudo teve a participação de 14 mil crianças a frequentarem o jardim de infância entre 1998 e 2007 e concluiu que os filhos de mães adolescentes (de 18 anos ou mais novas) têm menor probabilidade de concluir os estudos secundários e superiores.

Ou seja, as aspirações educacionais dos pais têm influência sobre as aspirações dos filhos. Num estudo longitudinal feito em 2009 por pelo psicólogo Eric Dubow e que incluiu os testemunhos de 856 pessoas de zonas rurais veio descobrir-se que “o nível educacional dos pais quando as crianças têm 8 anos faz prever de forma significativa o seu sucesso educacional e profissional nos 40 anos de vida seguintes”.

6 – São pais menos stressados

De acordo com uma pesquisa recente, citada pelo Washington Post, o número de horas que as mães passam com os seus filhos – entre os 3 e os 11 anos – tem pouco impacto no futuro comportamento, bem-estar e sucesso dos miúdos. O que verdadeiramente pesa é a qualidade e calma dos momentos que partilham.

“O stress das mães, especialmente causado por problemas profissionais ou precisamente por não terem tempo para estar com os filhos, pode afetá-los de forma negativa”, diz Kei Nomaguchi, um dos autores desta pesquisa.

Chama-se contágio emocional e é o fenómeno psicológico pelo qual as pessoas “apanham” os sentimentos (mais ou menos como quem apanha um vírus ou uma constipação) e ajuda a explicar estes resultados. Da mesma forma que tendemos a partilhar os mesmos sentimentos com os nossos amigos quando estão felizes ou tristes, quando os apais estão exaustos, frustrados e em stresse, esse estado emocional pode ser transferido para os filhos

7 – Ensinam matemática aos filhos desde cedo

Em nome do sucesso dos seus filhos, não os poupe das contas Uma análise feita em 2007 a 35 000 crianças americanas, canadianas e inglesas a frequentar o ensino pré-escolar revelou que o desenvolvimento de capacidades matemáticas pode ser altamente vantajoso para o seu futuro

“A importância primordial das capacidades matemáticas desde cedo – concretamente de começar a escola com conhecimentos dos números, da ordem dos números e outros conceitos matemáticos simples – é uma das principais conclusões do nosso estudo”, disse o coautor Greg Duncan num comunicado de imprensa sobre o tema.

“A mestria da matemática desde cedo faz prever não apenas as capacidades matemáticas, faz também prever as futuras capacidades de leitura”, acrescentou Greg Duncan.

8 – Valorizam os esforços dos seus filhos

É importante que as crianças entendam de onde vem o sucesso: do esforço e do trabalho mais do que do talento. Há já várias décadas que a psicóloga Carol Dweck, da Universidade de Stanford, tem vido a descobrir as formas como crianças (e adultos) pensam acerca do sucesso.

As pesquisas e conclusões estão sintetizadas no livro “Mindset: The New Psychology of Success” e destacam-se duas formas fundamentais de pensar o sucesso:

1) Uma abordagem fixa que assume que o nosso caráter, inteligência e capacidade criativa não mudam de forma significativa, e que o sucesso é a afirmação da inteligência natural de cada um. Lutar pelo sucesso ou tentar evitar o insucesso a qualquer custo é uma forma de manter os níveis e expetativas de cada um.

2) Uma abordagem em crescimento que pressupõe o desafio e a superação. Quem a tem vê as falhas como uma forma de melhorar, evoluir e falhar menos. A diferença entre estas duas abordagens pode estar na educação. Se os pais reagem aos sucessos dos filhos, como as boas notas, com base na sua inteligência, vão implantar neles uma abordagem fixa relativamente ao sucesso. Se, pelo contrário, os pais estimulam nos filhos a ideia de que os seus sucessos são baseados no esforço vão impulsionar o desenvolvimento de uma abordagem em crescimento.

9 – As mães trabalham

Mais do que uma tendência em crescimento, as mulheres e mães trabalhadoras são uma banalidade dos dias de hoje. E isso parece ser positivo para o sucesso das crianças.

De acordo com uma pesquisa de Harvard há benefícios significativos no facto de as crianças crescerem com mães que trabalham. Este estudo descobriu que as filhas de mães que trabalham fora de casa estudam até mais tarde e têm maior probabilidade – mais 23% do que as filhas de mães que trabalham em casa – de vir a ter um cargo profissional de supervisão e a ganhar mais dinheiro.

No caso dos filhos (rapazes) de mães que trabalham fora de casa, o estudo também revelou que tendem a realizar mais tarefas domésticas e tarefas relacionadas com os filhos – passam mais 7h30 a tratar da casa e mais 25 minutos por semana a tratar dos filhos do que os filhos de mães que não têm empregos fora.

 

 

 

Taxa de “percursos de sucesso” entre alunos com mães sem habilitações é de apenas 8%

Novembro 10, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia do Público de 20 de outubro de 2016.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Desigualdades Socioeconómicas e Resultados Escolares — 2.º ciclo do ensino público geral

clicar na imagem

taxa

Os melhores alunos contam os segredos do sucesso escolar

Novembro 4, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

texto da http://visao.sapo.pt/ de 18 de setembro de 2016.

nfactos-fernando-veludo

Clara Soares

Jornalista e Psicóloga

Gostar de estudar e fazê-lo com o mesmo sentido de prazer e descoberta com que se desfruta de outras atividades é algo que se aprende desde cedo, com amor e disciplina – ingredientes que os adultos só conseguem dar se estiverem presentes e atentos. Conheça métodos para cada idade e veja as dicas para os pais.

Isto de ser “bom aluno” tem que se lhe diga. É ser bem-comportado, aprender a fazer e ter sucesso académico? E se for um “bom rebelde”, como no filme que juntou os atores Robin Williams e Matt Damon? Também pode ser um “bom aluno”? A resposta é sim. Basta ter condições para experimentar sem medo de falhar ou de ser deixado para trás.

Aprender a aprender, que resulta em boas notas, implica motivação, método e diversão, as bases para as crianças crescerem felizes. Por isso importa que, desde cedo, os adultos lhes passem a mensagem de que confiam nelas, de que estão lá para as ouvir, compreender e orientar. Isto aplica-se a pais e professores e é particularmente decisivo quando a “retaguarda familiar é menos favorecida, caso em que não podemos deixar os miúdos pelo caminho”.

Luísa Moreira, mentora do projeto Fénix, concebido para combater o insucesso escolar no ensino público, explica como se estimula o valor próprio, ingrediente que os bons alunos partilham, desde o primeiro ciclo: “Aos primeiros sinais de dificuldades na sala de aula, o professor, apoiado por outros docentes, dedica uma disponibilidade acrescida à criança impedindo que ela se agarre à ideia do ‘não vou conseguir’”. A professora, ex-diretora de uma escola do ensino básico, lembra que o projeto, de âmbito nacional, permite aos alunos “sentirem-se apoiados e capazes de acompanhar os colegas”. Sem esta alavancagem, o cenário pode ser outro, como atestam as conclusões do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), divulgadas este ano no relatório da OCDE: ser adolescente e viver em famílias economicamente desfavorecidas é um fator que pode conduzir a maus resultados escolares. Conclusão: as bases para se ser “bom aluno” cultivam-se cedo e são a missão de todos: comunidade, escola e família.

Atenção, rotinas e diversão

O ano letivo começa melhor se o cérebro estiver em forma. O que a ciência diz: só aos 25 anos é que o seu desenvolvimento fica concluído. O que fazer até lá: definir horários para as refeições, beber água fora delas e reduzir a comida “de plástico” ao mínimo e criar rotinas. O tempo de descanso e a hora de ir para a cama são as mais difíceis de cumprir, e os efeitos secundários não ajudam.

“A privação de sono traduz-se em excesso de cortisol e excitação, que se confunde com hiperatividade”, adverte a psicóloga e coach parental Cristina Valente. A autora do livro O Que Se Passa Na Cabeça Do Meu Filho (Manuscrito, 285 págs., €14,90) explica ainda porque é que os gadgets devem ficar fora do quarto.

Outro cavalo de batalha é a concentração, ou a falta dela, que aflige tantos pais no regresso às aulas. Filho, Presta Atenção! (Companhia das Letras, 170 págs., €12,50), que a psicóloga de desenvolvimento Ana Manta escreveu, inspirada no mais novo dos seus três filhos, apresenta sugestões e atividades divertidas para fazer em casa e “integrar emoções e sensações através dos cinco sentidos”. O terceiro ano é a altura ideal para cultivar a planificação do estudo, mas com bom senso: “Digo aos pais que o objetivo não tem de ser o ‘muito bom’ a tudo; ter ‘suficiente’ numa disciplina chega para um filho se sentir bem e confiante.”

Método e consciência emocional

Estar nas aulas como um zombie, depois de estudar horas a fio. Decorar matéria sem perceber como se aplica à vida prática. Faltar a aulas e trabalhos de grupo por causa das noitadas. Organizar-se só na véspera dos testes. Fórmulas que não funcionam por razões óbvias. Menos óbvio é o papel das competências emocionais e sociais. Mas, quanto mais conscientes delas, maior a garantia de sucesso escolar. Mostram-no os resultados do estudo financiado pela FCT sobre os efeitos das práticas de atenção plena (programa americano MindUp) numa amostra de 454 alunos e 20 professores do 3º ano do ensino básico. Joana Carvalho, psicóloga e responsável pela área da educação no Instituto Mindfulness, confirmou que “a maioria dos professores se sentiram mais realizados e atentos ao que se passava na sala de aula, e essas melhorias também se registaram nos alunos do grupo experimental.” Fernando Emídio, coordenador do 1º ciclo do agrupamento de escolas da Marinha Grande Poente, que entraram na investigação, sustenta que a gestão das emoções compensa: “As melhorias no rendimento deveram-se à maior disponibilidade para aprender, à redução dos conflitos entre pares e ao bem estar na sala de aula.”

Os bons alunos sabem isto. Aos 22 anos, Catarina Correia foi a melhor aluna da Universidade de Aveiro (média de 19 valores no curso de bioquímica), e deveu-o ao equilíbrio entre esforço e lazer: “Ia às aulas, organizava cadernos de matéria por disciplina e condensava os dados de várias fontes, mas há que saber descansar; sempre convivi com amigos e tive atividades fora das aulas.” Para outros, a autonomia é a chave do sucesso. “A partir do 7º ano tornei-me mais independente, pois a minha mãe responsabilizou-me pelos meus estudos”, afirma João Fonseca. Aos 18 anos, conhece bem o seu método – “de manhã estudava duas disciplinas, à tarde, outras duas, sempre sozinho” – o que lhe valeu ter 20 a todas as disciplinas em ciência e tecnologia (menos um valor a Educação Física) na secundária Dr. António Granjo, em Chaves. Por fim, as fases de transição são o teste da verdade. Que o diga Filipa Martins, 25 anos, que saiu com a nota mais alta das três escolas do Norte e entrou em medicina com média de 19,6: “Quando se passa do liceu para o ensino superior é um choque: o volume de matéria aumenta imenso; percebi que era impossível saber tudo e aprendi a selecionar.”

Dicas para os pais

A primeira vez que a criança vai para a creche ou para a escola nova não precisa de ser vivida com um “ai que se me parte o coração”. Ninguém melhor do que os filhos para captar e espelhar as emoções dos pais: quanto mais ansiosos eles estiverem, pior. O que fazer? Encare a compra e organização do material escolar como uma oportunidade para partilhar atividades e criar memórias futuras do início do ano letivo. As rotinas familiares continuam a existir, mas com ajustes: a roupa e a mochila preparadas de véspera, seguidas de um momento de descontração antes de dormir, permitem um despertar tranquilo e tempo para um pequeno-almoço ou viagem até à escola sem pressas. Durante a semana, é possível conciliar o tempo dedicado às tarefas escolares, em local próprio e com gadgets em modo silencioso, com lutas de almofadas e brincadeiras parecidas. O corpo agradece e a cabeça também, já que estar parado e em posturas incorretas cria tensão e mal-estar físico, com impacto nas funções cerebrais e no humor. Reserve alguns minutos do dia para desfrutar das interações com a prole, que dá muito valor à atenção dos crescidos, esses seres imperfeitos que os amam. E provam-no quando dizem “sim” e “não” sem vacilar e estão lá para ajudá-los a crescer, a serem crianças felizes e alunos saudáveis.

Métodos para cada idade

0 – 3 anos Constroem-se os grandes pilares da aprendizagem. Treino das capacidades psicomotoras, sociais e afetivas. Os neurónios mais usados mantêm-se, os outros desaparecem. Recomenda-se brincadeiras que permitam interagir, explorar os cinco sentidos e proporcionar prazer. As birras não devem ser levadas a peito pelos pais e o tempo de sono deve durar entre 11 e 14 horas.

3 – 7 anos Aprendem através do exemplo, por imitação e repetição, que fortalecem redes neuronais e o treino da linguagem e dos hábitos de estudo. Precisam de dormir entre 7 e 12 horas e de ter brincadeiras não estruturadas. A linguagem e a memória consolidam-se com hábitos de estudo e planificação: ambiente tranquilo, sala própria e material arrumado, tempo para os TPC. A personalidade começa a ganhar forma e a aposta recai nas tarefas e jogos que exijam paciência, controlo dos impulsos e capacidade de lidar com emoções básicas (medo, raiva, tristeza, surpresa, nojo, felicidade).

7 – 12 anos Aprendizagem das operações complexas (lógicas) e controlo de sentimentos. Investimento na organização do tempo e método; tirar notas nas aulas, 10 minutos de pausa por cada hora de trabalho em casa, mapas conceptuais, ler em voz alta, usar exemplos práticos, intercalados com tempos livres e atividades em grupo. Tempo de sono recomendado deve durar 9 a 11 horas. Mudanças hormonais da puberdade e treino das emoções secundárias (empatia, desgosto, frustração). Testam-se limites e consequências (responsabilidade) e dá-se início à gestão do dinheiro de bolso, saídas fora da escola e outras tarefas (TPC, arrumar o quarto, passear o cão). Erros de comportamento devem ser corrigidos à medida que surgem, sem excesso de autoridade – nem de permissividade.

12 – 15 anos Pensamento abstrato permite construir hipóteses e fazer planos a longo prazo. O despertar da sexualidade e das emoções complexas surge a par da experimentação e do aumento das distrações. Vale a pena apostar em atividades que promovam a resistência à frustração. O cérebro precisa de 10 horas diárias de sono e pausas frequentes dos estímulos luminosos (gadgets e afins). A influência dos pais é essencial, sobretudo na aceitação de pontos de vista discordantes e na atribuição de autonomia ao adolescente.

16 – 25 anos Cérebro mais apto a identificar erros e consolidar matérias, na interação com colegas. Recomenda-se 7 a 9 horas de sono. Pressão para o sucesso gera ansiedade, que pode reduzir-se se existir um plano de vida e exposição a experiências de contacto com diferentes caminhos possíveis. Fontes: Orientações internacionais e conversa com o neuropsicólogo Fernando Rodrigues e a coach parental Cristina Valente

Atividades extracurriculares: a mais ou a menos?

“Vai agora ou só quando já puder ir sozinho?”; “Deve continuar na música depois de ter más notas e arriscar-se a chumbar outra vez?”; “Ela quer fazer ioga. mas nós achamos que é melhor o karaté”. Pois. O tema constitui uma dor de cabeça para muitas famílias, mas a solução está no problema. E há alguns passos que pode seguir:

– Observe a criança e perceba se ela tem uma parte do dia livre de regras. A criatividade manifesta-se nesses “espaços vazios”. Só depois deve ponderar atividades estruturadas. – Identifique os talentos dos filhos e o que os motiva (estar com meninos com interesses parecidos fora da escola, praticar um desporto em que se sentem confiantes, etc). – Se tem filhos adolescentes que querem desenvolver mestria numa área sem prejuízo das responsabilidades escolares, encare a opção como uma mais-valia para a identidade e um meio de prevenir comportamentos de risco. – Respeite as preferências deles (que hoje o são, mas amanhã talvez não) sem deixar que as suas interfiram no caminho e, pior, que a atividade se torne em mais uma fonte de stresse ou de pressão para o sucesso. – Lembre-se que a ideia é divertirem-se e treinarem capacidades que podem conduzir a novas amizades e papéis sociais e profissionais.

 

 

 

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.