Jornadas Pedagógicas – Da Escola para Todos à Escola onde Todos Aprendam: um contributo para a Promoção do Sucesso Escolar” 3 e 4 de julho em Montemor-o-Velho

Junho 26, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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http://jornadaspedagogicas.pe.hu/

Reforçar a autoestima para diminuir chumbos

Abril 10, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.educare.pt/ de 29 de março de 2017.

Programa “Mediadores para o Sucesso Escolar”, da EPIS – Associação Empresários pela Inclusão aumenta em 14% a probabilidade de sucesso no 3.º Ciclo. O projeto trabalha competências não cognitivas dos alunos para melhorar resultados.

Sara R. Oliveira

“Mediadores para o Sucesso Escolar” é o programa da EPIS – Associação Empresários pela Inclusão, que estabeleceu como objetivo combater o insucesso escolar sobretudo no 3.º ciclo do Ensino Básico, ou seja, nos 7.º, 8.º e 9.º anos de escolaridade. O trabalho concentra-se no reforço de competências não cognitivas dos alunos para melhorar o desempenho em termos dos resultados escolares. Estas competências incluem a autoestima, a motivação, a dedicação, a organização, bem como o bom relacionamento com os colegas, professores, pais, encarregados de educação e familiares. Competências que, por regra, não são trabalhadas no ambiente escolar mais tradicional. Um estudo pioneiro revela que o programa da EPIS aumenta em 14% a probabilidade de sucesso escolar, quando analisados os anos entre 2014 e 2016. Pedro Martins, professor catedrático e doutorado em Economia, coordenou o estudo.

Na comparação entre dois subgrupos de jovens, verifica-se que os alunos que foram selecionados, de forma aleatória, para o acompanhamento feito pelos mediadores, apresentam um desempenho escolar significativamente superior aos que não tiveram a mesma ajuda. O primeiro grupo exibe uma diferença de 4,8 pontos percentuais na percentagem de aprovações. Esta diferença corresponde a um aumento de mais de 10% na probabilidade de não retenção, efeito que resulta da participação no programa dos mediadores. Excluindo-se os cerca de 200 jovens que, por vários motivos, foram selecionados mas não participaram na mediação, os efeitos tornam-se ainda mais expressivos, chegando a 6,2 pontos percentuais- comparando com o valor anterior de 4,8 percentuais -, ou seja, um aumento de mais de 14% na probabilidade de não retenção no período em análise. Há um aumento de cerca de 80 jovens a não reprovar.

Há estudos internacionais que sublinham a importância das competências não cognitivas trabalhadas pelo programa, tanto a nível da promoção do sucesso escolar junto dos alunos, como também em vários indicadores de qualidade de vida dos adultos, nomeadamente em termos de emprego ou rendimento. Tudo indica que há uma relação entre os níveis baixos dessas competências e os percursos escolares associados a retenções. O trabalho de análise dos perfis dos jovens é desenvolvido no programa da EPIS tendo em conta quatro dimensões: o aluno, o seu encarregado de educação, a escola e o território. Cada dimensão é analisada através de vários indicadores que, por último, são aferidos com vista a incluir ou não cada jovem junto de um grupo de acompanhamento.

O trabalho de mediação é conduzido por um grupo alargado de técnicos em educação, contratados pela EPIS ou pelo Ministério da Educação (ME). É atribuída a cada mediador uma carteira de jovens, que são acompanhados durante um período de pelo menos dois anos letivos. O trabalho de mediação é feito através de sessões individuais ou em pequenos grupos – um mediador para dois ou três jovens. As sessões de mediação têm duração e periodicidade variáveis mas duram, em geral, cerca de 20 minutos e são feitas a cada duas semanas.

Sessões individuais ou coletivas

Em 2010, foi feita uma avaliação do primeiro período de funcionamento do programa, isto é, entre 2006 e 2009. Nessa altura, verificou-se uma redução significativa do insucesso escolar dos alunos participantes em relação a outros grupos de jovens comparáveis mas não participantes. “Estes resultados mereceram ampla divulgação nacional e internacional, em cerca de 30 outros estudos e relatórios”, lembra a EPIS.

O novo estudo apresenta duas inovações em relação ao efetuado há cerca de sete anos: incide sobre um período mais recente, entre 2014 e 2016, e baseado numa metodologia diferente, na avaliação experimental baseada em grupos de comparação aleatórios. Segundo a EPIS, a avaliação do programa resulta da comparação do desempenho escolar entre jovens sinalizados participantes e jovens sinalizados não participantes. Esta metodologia garante que, em termos médios, eventuais diferenças de desempenho entre os dois grupos possam ser atribuídas exclusivamente à participação no programa. A utilização desta nova abordagem permite aumentar a compreensão dos efeitos do programa, bem como a sua visibilidade e o seu potencial de recetividade e implementação em termos internacionais.

A avaliação abrange três distritos: Lisboa, Setúbal e Açores, 15 concelhos, 55 escolas e 1029 turmas em dois anos letivos, 2014-2015 e 2015-2016. Quanto aos alunos participantes, 2311 foram selecionados para participação ativa no programa, enquanto que 648 foram selecionados para grupo de controlo, em ambos os casos na sequência de autorização parental. Em termos médios, os quase 3000 jovens pré-selecionados tinham à data, em setembro de 2014, 14,2 anos e 47% eram raparigas.

400 mil euros de poupança

As turmas tinham, em média, 22,3 alunos, sendo que 13,7% dos alunos estavam a frequentar os novos cursos vocacionais. Sensivelmente, metade dos alunos frequentava o 7.º ano de escolaridade. No primeiro trimestre desse ano letivo, o número médio de notas negativas ascendia a 4,8, num total de 12 disciplinas, sendo que 77% dos alunos tinham tido nota negativa a Matemática, 59% a Português e 50% a Inglês. Ao longo dos dois anos letivos analisados, os jovens foram acompanhados por um total de 57 mediadores, na sua maioria professores do ME. Cada aluno participou, em média, em 12,8 sessões individuais ou coletivas com os mediadores, durante um período total médio de cerca de 12 meses.

O último estudo apresenta resultados mais positivos do que os apurados em 2010. E uma vez que se utilizam recursos humanos do ME, com disponibilidade de horário para colaborar no projeto, a EPIS considera que a relação custo-benefício do programa “torna-se particularmente satisfatória”. Deste modo, os custos prendem-se exclusivamente com a administração do programa enquanto os ganhos traduzem-se na redução das despesas públicas inerentes às retenções, “potencialmente de 400 mil euros, considerando-se um custo de 5000 euros por aluno por ano, para 80 alunos ao longo desses dois anos”. A EPIS pondera alargar estas análises a outros aspetos, nomeadamente ao efeito das características dos mediadores, às diferenças dos efeitos entre regiões, aos potenciais efeitos multiplicadores resultantes das interações entre os alunos e ainda à avaliação do efeito das retenções no sucesso escolar subsequente.

 

 

Venham +5 e podemos ser todos bons alunos

Março 20, 2017 às 12:02 pm | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 17 de março de 2017.

Métodos de estudo, dicas para controlar a ansiedade e ajuda para elaborar o currículo — tudo junto no mesmo blogue. É o Venham +5

Texto de Diana Barros

Venham +5 (segredos de estudante) é um projecto que promete dar solução às dores de cabeça de todos os estudantes. Criado pela mão de Soraia Rodrigues, é um blogue onde se podem ler dicas acerca de quais os melhores métodos de estudo, tirar dúvidas sobre as melhores formas para contornar a ansiedade e até ter ajuda personalizada para elaborar o currículo.

A ideia surgiu da experiência de Soraia ao ver a irmã enfrentar algumas dificuldades ao lidar com a pressão dos exames. Soraia explica que na altura idealizou “um projecto que ajudasse os estudantes nestas situações”, mas como não tinha capacidade para financiar um projecto físico decidiu criar algo online, “o que também me permitiu atingir um maior número de pessoas”, acrescenta.

O intuito do projecto não é substituir os gabinetes de apoio que já existem nas faculdades e escolas de ensino secundário, mas dar mais armas aos alunos para combaterem o insucesso escolar. Soraia explica a importância do Venham +5, alertando para uma realidade pouco conhecida: o insucesso tem mais impacto no abandono escolar a nível do Ensino Superior que as dificuldades económicas.

A formação de Soraia na área da psicologia deixou-a com uma ideia de quais as causas principais do insucesso escolar. “O insucesso escolar, numa frase precoce, é condicionado por três aspectos: a auto-eficácia que é a capacidade que temos de confiar nas nossas próprias capacidade é determinante, o factor comportamental e emocional também tem um papel relevante e por fim, o contexto familiar”, diz Soraia. Ainda que estes sejam os motivos do insucesso escolar numa fase precoce, podem influenciar o sucesso escolar em fases mais avançadas, Soraia acrescenta  “as experiências vividas na escola primária reflectem-se adiante no percurso escolar”.

Ler os textos disponíveis no blogue é gratuito, mas ter apoio personalizado ou orientação na construção de um currículo custa dinheiro. Soraia explica que o preço “nunca será tão caro como uma clínica de psicologia por exemplo” e acrescenta “estou a lidar com um público de estudantes, a maior parte não tem rendimentos, mas preciso de algum retorno”.

Contudo, os estudantes – quer do ensino secundário, quer do ensino superior – não são os únicos que beneficiaram da ajuda de Soraia, que também já chegou a quem se encontra desempregado à procura de trabalho. Saber o que colocar e não colocar no currículo, qual o modelo a adoptar e que competências sublinhar são dúvidas que vêm à cabeça de quem está a escrever o currículo e o Venham +5 pode indicar o melhor caminho.

Os planos para o futuro incluem a criação de um espaço físico no Porto, mas ainda falta dinheiro, para conseguir financiamento Soraia organizou uma campanha de crowdfunding. O dinheiro angariado na campanha vai servir “para poder ter um site mais trabalhado, organizado e traduzido em várias línguas e para conseguir criar o espaço físico”, explica Soraia. Divulgar o projecto não tem sido fácil, mas os comentários no blogue do Venham +5 já são alguns. “Falei com algumas associações de estudantes – e claro houve de tudo – umas responderam-me, foram receptivas e divulgaram o projecto e outras não se mostraram interessadas”, explica Soraia, mas acrescenta também que acredita que este trabalho de divulgação tenha que ser feito no campo, “ir a uma escola e explicar em que consiste o projecto.”

A psicologia de não dizer psicologia

Os textos do Venham +5 são o resultado de experiência pessoal e pesquisa de Soraia. “O enquadramento dos textos sou eu que escrevo, mas no caso específico de uma actividade para treinar determinada competência, vou buscar informações a fontes externas e referencio-as”, explica a fundadora do projecto.

A formação na área da psicologia também tem peso, mas Soraia prefere manter a palavra longe dos textos que escreve. “Tento sempre escrever os textos do ponto de vista da psicologia, mas oculto a palavra psicologia do meu projecto porque acho que ainda está muito estigmatizada”, explica.

Para Soraia, o fundo científico dos conteúdos do Venham +5 é muito importante, mas categorizá-los como apoio psicológico teria um efeito repelente para o público do seu blogue. “As pessoas ainda não vêm o apoio psicológico como uma necessidade básica.”

Para os de cá e para os que vêm

Além dos conteúdos já disponíveis no blogue, Soraia pretende alargar o Venham +5 a estudantes de Erasmus ou outros programas de mobilidade que venham para Portugal. O objectivo é facilitar a integração dos estudantes estrangeiros, quer na vida cotidiana da cidade, quer na vida académica, onde entraves linguísticos e falta de apoio personalizado podem ser barreiras à aprendizagem.

Soraia explica que o apoio vai ser, sobretudo, em duas vertentes: “pequenos livrinhos digitais que sirvam de introdução à vida académica e à vida na cidade: o preço de um café, como funciona a faculdade entre outras informações” e a criação de parcerias entre alunos da cidade e os que vão para lá estudar “vou contactar alunos que estão cá e já conhecem a cidade para poderem ajudar os outros”, explica Soraia.

 

 

 

Irmão mais velho ou mais novo: quem é o mais inteligente?

Fevereiro 23, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://pt.euronews.com de 8 de fevereiro de 2017.

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Os primogénitos têm mais hipóteses de ter êxito na vida. Até agora existiam estudos que diziam que ser o primeiro a nascer se traduzia a um maior nível de estudos e maiores salários. Um fenómeno conhecido como “efeito da ordem no nascimento”: quanto maior é a diferença de anos de uns irmãos para os outros, mais vantagens terá o mais velho.

Mas agora aparece uma explicação ao nível cognitivo. Um estudo agora revelado analisou o comportamento de 5 mil crianças dos Estados Unidos e concluí que as diferenças podem começar antes dos três anos de idade.

Em termos biológicos não parece haver vantagens: o mais novo costuma nascer com mais peso e com mais saúde. A nível de apoio emocional, ao que tudo indica, aos mais novos é dada mais atenção. Mas o que muda então são os estímulos cognitivos: a leitura de histórias, a música, as visitas aos museus, as idas ao cinema e até a realização de trabalhos manuais, parecem ocorrer com mais frequência com os primeiros filhos. Ou seja, os mais novos serão menos estimulados e acabam por ter rendimentos académicos piores.

Este estudo foi publicado no Journal of Human Resources

 

 

As 9 características que todos os pais de miúdos com sucesso têm em comum

Dezembro 16, 2016 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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texto da http://visao.sapo.pt/ de 1 de dezembro de 2016.

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Vários estudos científicos relacionam a educação com o sucesso. E há pelo menos 9 semelhanças entre os pais de filhos que se deram bem na vida

Todos os pais querem que os seus filhos não se metam em sarilhos, tenham sucesso escolar e uma vida cheia de alegrias. Não há uma receita certa, mas várias investigações têm vindo a apontar alguns caminhos e fatores que não determinam mas podem influenciar ou prever o sucesso futuro. Aqui ficam 9 coisas que pais de miúdos bem sucedidos têm em comum:

1 – Põem os miúdos a fazer tarefas

Pode não ser fácil e gerar alguma tensão familiar mas pôr as crianças a fazer algumas tarefas domésticas só lhes faz bem, além de ser uma ajudinha extra para os pais. Julie Lythcott-Haims, da Universidade de Stanford e autora do livro “Como criar um adulto“, disse numa Ted Talk: “Se os miúdos não estão a tratar da sua louça é porque alguém o está a fazer por eles. E estão a ser absolvidos não apenas do trabalho, mas também de aprenderem que o trabalho tem de ser feito e que cada pessoa deve contribuir para melhorar o que é de todos”.

Segundo a autora, as crianças que cumprem tarefas em casa tornam-se profissionais que colaboram mais com os colegas, criam mais empatia porque reconhecem o esforço necessário e são capazes de desenvolver tarefas de forma independente.

As bases desta teoria são do “Harvard Grant Study”, o mais vasto estudo longitudinal dos Estado Unidos sobre o desenvolvimento de pessoas adultas

Ao Tech Insider, Julie Lythcott-Haims explica: “Ao pô-los a fazer tarefas – pôr o lixo na rua, tratar das suas roupas – fazemos com que se apercebam de que têm de trabalhar. Devem saber que as suas vidas não se centram só neles e que pertencem a um ecossistema, a uma família ou a um local de trabalho partilhados”.

2 – Mantêm as expectativas altas

Um estudo conduzido pela Universidade da Califórnia, envolvendo 6600 crianças nascidas nos Estados Unidos em 2001 veio descobrir que as expetativas que os pais têm para os seus filhos têm um efeito considerável nas suas realizações futuras: 57% das crianças que tiveram menos sucesso tinham pais que esperassem que chegassem ao ensino superior. Mas 96% das crianças que foram bem sucedidas tiveram pais que ambicionavam que chegassem e concluíssem o ensino superior.

3 – Ensinam-lhes capacidades sociais

A simpatia e abertura para fazer amigos podem ser fundamentais para definir o sucesso dos seus filhos. Dois grupos de investigadores – da Universidade da Pensilvânia e da Universidade Duke na Carolina do Norte – avaliaram mais de 700 crianças de vários estados americanos durante o período em que frequentaram o jardim-de-infância e até aos 25 anos. O que descobriram foi uma correlação muito forte entre as capacidades sociais reveladas e praticadas no jardim-de-infância e o seu sucesso enquanto adultos duas décadas depois.

Segundo as conclusões do estudo, as crianças com mais competências sociais – que cooperam e ajudam os colegas e que parecem ter facilidade em compreender os seus sentimentos – têm uma maior probabilidade de conseguir um diploma universitário e ter um trabalho a tempo inteiro aos 25 anos do que aqueles que revelavam poucas capacidades sociais no jardim-de-infância. Os miúdos com mais limitações ao nível das capacidades sociais também revelaram uma maior probabilidade serem presos, terem problemas com álcool e de se candidatarem a habitações sociais

O que o estudo mostra é que ” ajudar as crianças a desenvolver capacidades sociais e emocionais é uma das coisas mais importantes que podemos fazer para os preparar para um futuro saudável”, diz Kristin Schubert, Diretora da publicação Robert Wood Johnson Foundation que reuniu os resultados deste estudo.

4 – Têm relações saudáveis com os filhos e parceiros

Os pais podem estar separados ou juntos mas o que importa, em nome do sucesso dos mais novos, é que mantenham relações saudáveis e positivas com eles e entre si. De acordo com um estudo da Universidade de Illinois, as crianças que vivem em ambientes de conflito, tendem a ter um futuro mais instável do que as outras.

O professor e autor do estudo, Robert Hughes, acrescenta ainda que há crianças com famílias monoparentais saudáveis que reportam muito mais sucesso no futuro do que as que têm os pais juntos mas problemas de conflito permanente entre ambos. Um ambiente calmo, de respeito e compreensão é sempre propicio a um desenvolvimento de sucesso.

Os problemas de adaptação da relação dos pais no pós-divórcio, que por vezes vem acompanhado de alguma tensão, também têm consequências negativas para as crianças, diz Robert Hughes. Um outro estudo veio concluir que o ideal será um contacto frequente entre as crianças e os pais sem a custódia, em vez da luta ou discussão pela custódia e visitas surpresa ou esporádicas. Ter cuidado com este tipo de postura facilita a adaptação das crianças ao divórcio e, depois, à vida futura.

5 – Têm um nível educacional mais elevado

As expetativas pessoais são, muitas vezes, o reflexo das expetativas e ambições dos pais. Um estudo de 2014 da psicóloga Sandra Tang, da Universidade de Michigan, veio afirmar que as mães que acabam o secundário e a faculdade têm mais probabilidade de vir a criar filhos que sigam o mesmo caminho. O estudo teve a participação de 14 mil crianças a frequentarem o jardim de infância entre 1998 e 2007 e concluiu que os filhos de mães adolescentes (de 18 anos ou mais novas) têm menor probabilidade de concluir os estudos secundários e superiores.

Ou seja, as aspirações educacionais dos pais têm influência sobre as aspirações dos filhos. Num estudo longitudinal feito em 2009 por pelo psicólogo Eric Dubow e que incluiu os testemunhos de 856 pessoas de zonas rurais veio descobrir-se que “o nível educacional dos pais quando as crianças têm 8 anos faz prever de forma significativa o seu sucesso educacional e profissional nos 40 anos de vida seguintes”.

6 – São pais menos stressados

De acordo com uma pesquisa recente, citada pelo Washington Post, o número de horas que as mães passam com os seus filhos – entre os 3 e os 11 anos – tem pouco impacto no futuro comportamento, bem-estar e sucesso dos miúdos. O que verdadeiramente pesa é a qualidade e calma dos momentos que partilham.

“O stress das mães, especialmente causado por problemas profissionais ou precisamente por não terem tempo para estar com os filhos, pode afetá-los de forma negativa”, diz Kei Nomaguchi, um dos autores desta pesquisa.

Chama-se contágio emocional e é o fenómeno psicológico pelo qual as pessoas “apanham” os sentimentos (mais ou menos como quem apanha um vírus ou uma constipação) e ajuda a explicar estes resultados. Da mesma forma que tendemos a partilhar os mesmos sentimentos com os nossos amigos quando estão felizes ou tristes, quando os apais estão exaustos, frustrados e em stresse, esse estado emocional pode ser transferido para os filhos

7 – Ensinam matemática aos filhos desde cedo

Em nome do sucesso dos seus filhos, não os poupe das contas Uma análise feita em 2007 a 35 000 crianças americanas, canadianas e inglesas a frequentar o ensino pré-escolar revelou que o desenvolvimento de capacidades matemáticas pode ser altamente vantajoso para o seu futuro

“A importância primordial das capacidades matemáticas desde cedo – concretamente de começar a escola com conhecimentos dos números, da ordem dos números e outros conceitos matemáticos simples – é uma das principais conclusões do nosso estudo”, disse o coautor Greg Duncan num comunicado de imprensa sobre o tema.

“A mestria da matemática desde cedo faz prever não apenas as capacidades matemáticas, faz também prever as futuras capacidades de leitura”, acrescentou Greg Duncan.

8 – Valorizam os esforços dos seus filhos

É importante que as crianças entendam de onde vem o sucesso: do esforço e do trabalho mais do que do talento. Há já várias décadas que a psicóloga Carol Dweck, da Universidade de Stanford, tem vido a descobrir as formas como crianças (e adultos) pensam acerca do sucesso.

As pesquisas e conclusões estão sintetizadas no livro “Mindset: The New Psychology of Success” e destacam-se duas formas fundamentais de pensar o sucesso:

1) Uma abordagem fixa que assume que o nosso caráter, inteligência e capacidade criativa não mudam de forma significativa, e que o sucesso é a afirmação da inteligência natural de cada um. Lutar pelo sucesso ou tentar evitar o insucesso a qualquer custo é uma forma de manter os níveis e expetativas de cada um.

2) Uma abordagem em crescimento que pressupõe o desafio e a superação. Quem a tem vê as falhas como uma forma de melhorar, evoluir e falhar menos. A diferença entre estas duas abordagens pode estar na educação. Se os pais reagem aos sucessos dos filhos, como as boas notas, com base na sua inteligência, vão implantar neles uma abordagem fixa relativamente ao sucesso. Se, pelo contrário, os pais estimulam nos filhos a ideia de que os seus sucessos são baseados no esforço vão impulsionar o desenvolvimento de uma abordagem em crescimento.

9 – As mães trabalham

Mais do que uma tendência em crescimento, as mulheres e mães trabalhadoras são uma banalidade dos dias de hoje. E isso parece ser positivo para o sucesso das crianças.

De acordo com uma pesquisa de Harvard há benefícios significativos no facto de as crianças crescerem com mães que trabalham. Este estudo descobriu que as filhas de mães que trabalham fora de casa estudam até mais tarde e têm maior probabilidade – mais 23% do que as filhas de mães que trabalham em casa – de vir a ter um cargo profissional de supervisão e a ganhar mais dinheiro.

No caso dos filhos (rapazes) de mães que trabalham fora de casa, o estudo também revelou que tendem a realizar mais tarefas domésticas e tarefas relacionadas com os filhos – passam mais 7h30 a tratar da casa e mais 25 minutos por semana a tratar dos filhos do que os filhos de mães que não têm empregos fora.

 

 

 

Taxa de “percursos de sucesso” entre alunos com mães sem habilitações é de apenas 8%

Novembro 10, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 20 de outubro de 2016.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Desigualdades Socioeconómicas e Resultados Escolares — 2.º ciclo do ensino público geral

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Os melhores alunos contam os segredos do sucesso escolar

Novembro 4, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto da http://visao.sapo.pt/ de 18 de setembro de 2016.

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Clara Soares

Jornalista e Psicóloga

Gostar de estudar e fazê-lo com o mesmo sentido de prazer e descoberta com que se desfruta de outras atividades é algo que se aprende desde cedo, com amor e disciplina – ingredientes que os adultos só conseguem dar se estiverem presentes e atentos. Conheça métodos para cada idade e veja as dicas para os pais.

Isto de ser “bom aluno” tem que se lhe diga. É ser bem-comportado, aprender a fazer e ter sucesso académico? E se for um “bom rebelde”, como no filme que juntou os atores Robin Williams e Matt Damon? Também pode ser um “bom aluno”? A resposta é sim. Basta ter condições para experimentar sem medo de falhar ou de ser deixado para trás.

Aprender a aprender, que resulta em boas notas, implica motivação, método e diversão, as bases para as crianças crescerem felizes. Por isso importa que, desde cedo, os adultos lhes passem a mensagem de que confiam nelas, de que estão lá para as ouvir, compreender e orientar. Isto aplica-se a pais e professores e é particularmente decisivo quando a “retaguarda familiar é menos favorecida, caso em que não podemos deixar os miúdos pelo caminho”.

Luísa Moreira, mentora do projeto Fénix, concebido para combater o insucesso escolar no ensino público, explica como se estimula o valor próprio, ingrediente que os bons alunos partilham, desde o primeiro ciclo: “Aos primeiros sinais de dificuldades na sala de aula, o professor, apoiado por outros docentes, dedica uma disponibilidade acrescida à criança impedindo que ela se agarre à ideia do ‘não vou conseguir’”. A professora, ex-diretora de uma escola do ensino básico, lembra que o projeto, de âmbito nacional, permite aos alunos “sentirem-se apoiados e capazes de acompanhar os colegas”. Sem esta alavancagem, o cenário pode ser outro, como atestam as conclusões do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), divulgadas este ano no relatório da OCDE: ser adolescente e viver em famílias economicamente desfavorecidas é um fator que pode conduzir a maus resultados escolares. Conclusão: as bases para se ser “bom aluno” cultivam-se cedo e são a missão de todos: comunidade, escola e família.

Atenção, rotinas e diversão

O ano letivo começa melhor se o cérebro estiver em forma. O que a ciência diz: só aos 25 anos é que o seu desenvolvimento fica concluído. O que fazer até lá: definir horários para as refeições, beber água fora delas e reduzir a comida “de plástico” ao mínimo e criar rotinas. O tempo de descanso e a hora de ir para a cama são as mais difíceis de cumprir, e os efeitos secundários não ajudam.

“A privação de sono traduz-se em excesso de cortisol e excitação, que se confunde com hiperatividade”, adverte a psicóloga e coach parental Cristina Valente. A autora do livro O Que Se Passa Na Cabeça Do Meu Filho (Manuscrito, 285 págs., €14,90) explica ainda porque é que os gadgets devem ficar fora do quarto.

Outro cavalo de batalha é a concentração, ou a falta dela, que aflige tantos pais no regresso às aulas. Filho, Presta Atenção! (Companhia das Letras, 170 págs., €12,50), que a psicóloga de desenvolvimento Ana Manta escreveu, inspirada no mais novo dos seus três filhos, apresenta sugestões e atividades divertidas para fazer em casa e “integrar emoções e sensações através dos cinco sentidos”. O terceiro ano é a altura ideal para cultivar a planificação do estudo, mas com bom senso: “Digo aos pais que o objetivo não tem de ser o ‘muito bom’ a tudo; ter ‘suficiente’ numa disciplina chega para um filho se sentir bem e confiante.”

Método e consciência emocional

Estar nas aulas como um zombie, depois de estudar horas a fio. Decorar matéria sem perceber como se aplica à vida prática. Faltar a aulas e trabalhos de grupo por causa das noitadas. Organizar-se só na véspera dos testes. Fórmulas que não funcionam por razões óbvias. Menos óbvio é o papel das competências emocionais e sociais. Mas, quanto mais conscientes delas, maior a garantia de sucesso escolar. Mostram-no os resultados do estudo financiado pela FCT sobre os efeitos das práticas de atenção plena (programa americano MindUp) numa amostra de 454 alunos e 20 professores do 3º ano do ensino básico. Joana Carvalho, psicóloga e responsável pela área da educação no Instituto Mindfulness, confirmou que “a maioria dos professores se sentiram mais realizados e atentos ao que se passava na sala de aula, e essas melhorias também se registaram nos alunos do grupo experimental.” Fernando Emídio, coordenador do 1º ciclo do agrupamento de escolas da Marinha Grande Poente, que entraram na investigação, sustenta que a gestão das emoções compensa: “As melhorias no rendimento deveram-se à maior disponibilidade para aprender, à redução dos conflitos entre pares e ao bem estar na sala de aula.”

Os bons alunos sabem isto. Aos 22 anos, Catarina Correia foi a melhor aluna da Universidade de Aveiro (média de 19 valores no curso de bioquímica), e deveu-o ao equilíbrio entre esforço e lazer: “Ia às aulas, organizava cadernos de matéria por disciplina e condensava os dados de várias fontes, mas há que saber descansar; sempre convivi com amigos e tive atividades fora das aulas.” Para outros, a autonomia é a chave do sucesso. “A partir do 7º ano tornei-me mais independente, pois a minha mãe responsabilizou-me pelos meus estudos”, afirma João Fonseca. Aos 18 anos, conhece bem o seu método – “de manhã estudava duas disciplinas, à tarde, outras duas, sempre sozinho” – o que lhe valeu ter 20 a todas as disciplinas em ciência e tecnologia (menos um valor a Educação Física) na secundária Dr. António Granjo, em Chaves. Por fim, as fases de transição são o teste da verdade. Que o diga Filipa Martins, 25 anos, que saiu com a nota mais alta das três escolas do Norte e entrou em medicina com média de 19,6: “Quando se passa do liceu para o ensino superior é um choque: o volume de matéria aumenta imenso; percebi que era impossível saber tudo e aprendi a selecionar.”

Dicas para os pais

A primeira vez que a criança vai para a creche ou para a escola nova não precisa de ser vivida com um “ai que se me parte o coração”. Ninguém melhor do que os filhos para captar e espelhar as emoções dos pais: quanto mais ansiosos eles estiverem, pior. O que fazer? Encare a compra e organização do material escolar como uma oportunidade para partilhar atividades e criar memórias futuras do início do ano letivo. As rotinas familiares continuam a existir, mas com ajustes: a roupa e a mochila preparadas de véspera, seguidas de um momento de descontração antes de dormir, permitem um despertar tranquilo e tempo para um pequeno-almoço ou viagem até à escola sem pressas. Durante a semana, é possível conciliar o tempo dedicado às tarefas escolares, em local próprio e com gadgets em modo silencioso, com lutas de almofadas e brincadeiras parecidas. O corpo agradece e a cabeça também, já que estar parado e em posturas incorretas cria tensão e mal-estar físico, com impacto nas funções cerebrais e no humor. Reserve alguns minutos do dia para desfrutar das interações com a prole, que dá muito valor à atenção dos crescidos, esses seres imperfeitos que os amam. E provam-no quando dizem “sim” e “não” sem vacilar e estão lá para ajudá-los a crescer, a serem crianças felizes e alunos saudáveis.

Métodos para cada idade

0 – 3 anos Constroem-se os grandes pilares da aprendizagem. Treino das capacidades psicomotoras, sociais e afetivas. Os neurónios mais usados mantêm-se, os outros desaparecem. Recomenda-se brincadeiras que permitam interagir, explorar os cinco sentidos e proporcionar prazer. As birras não devem ser levadas a peito pelos pais e o tempo de sono deve durar entre 11 e 14 horas.

3 – 7 anos Aprendem através do exemplo, por imitação e repetição, que fortalecem redes neuronais e o treino da linguagem e dos hábitos de estudo. Precisam de dormir entre 7 e 12 horas e de ter brincadeiras não estruturadas. A linguagem e a memória consolidam-se com hábitos de estudo e planificação: ambiente tranquilo, sala própria e material arrumado, tempo para os TPC. A personalidade começa a ganhar forma e a aposta recai nas tarefas e jogos que exijam paciência, controlo dos impulsos e capacidade de lidar com emoções básicas (medo, raiva, tristeza, surpresa, nojo, felicidade).

7 – 12 anos Aprendizagem das operações complexas (lógicas) e controlo de sentimentos. Investimento na organização do tempo e método; tirar notas nas aulas, 10 minutos de pausa por cada hora de trabalho em casa, mapas conceptuais, ler em voz alta, usar exemplos práticos, intercalados com tempos livres e atividades em grupo. Tempo de sono recomendado deve durar 9 a 11 horas. Mudanças hormonais da puberdade e treino das emoções secundárias (empatia, desgosto, frustração). Testam-se limites e consequências (responsabilidade) e dá-se início à gestão do dinheiro de bolso, saídas fora da escola e outras tarefas (TPC, arrumar o quarto, passear o cão). Erros de comportamento devem ser corrigidos à medida que surgem, sem excesso de autoridade – nem de permissividade.

12 – 15 anos Pensamento abstrato permite construir hipóteses e fazer planos a longo prazo. O despertar da sexualidade e das emoções complexas surge a par da experimentação e do aumento das distrações. Vale a pena apostar em atividades que promovam a resistência à frustração. O cérebro precisa de 10 horas diárias de sono e pausas frequentes dos estímulos luminosos (gadgets e afins). A influência dos pais é essencial, sobretudo na aceitação de pontos de vista discordantes e na atribuição de autonomia ao adolescente.

16 – 25 anos Cérebro mais apto a identificar erros e consolidar matérias, na interação com colegas. Recomenda-se 7 a 9 horas de sono. Pressão para o sucesso gera ansiedade, que pode reduzir-se se existir um plano de vida e exposição a experiências de contacto com diferentes caminhos possíveis. Fontes: Orientações internacionais e conversa com o neuropsicólogo Fernando Rodrigues e a coach parental Cristina Valente

Atividades extracurriculares: a mais ou a menos?

“Vai agora ou só quando já puder ir sozinho?”; “Deve continuar na música depois de ter más notas e arriscar-se a chumbar outra vez?”; “Ela quer fazer ioga. mas nós achamos que é melhor o karaté”. Pois. O tema constitui uma dor de cabeça para muitas famílias, mas a solução está no problema. E há alguns passos que pode seguir:

– Observe a criança e perceba se ela tem uma parte do dia livre de regras. A criatividade manifesta-se nesses “espaços vazios”. Só depois deve ponderar atividades estruturadas. – Identifique os talentos dos filhos e o que os motiva (estar com meninos com interesses parecidos fora da escola, praticar um desporto em que se sentem confiantes, etc). – Se tem filhos adolescentes que querem desenvolver mestria numa área sem prejuízo das responsabilidades escolares, encare a opção como uma mais-valia para a identidade e um meio de prevenir comportamentos de risco. – Respeite as preferências deles (que hoje o são, mas amanhã talvez não) sem deixar que as suas interfiram no caminho e, pior, que a atividade se torne em mais uma fonte de stresse ou de pressão para o sucesso. – Lembre-se que a ideia é divertirem-se e treinarem capacidades que podem conduzir a novas amizades e papéis sociais e profissionais.

 

 

 

 

Mais desiguais, piores alunos

Outubro 29, 2016 às 5:51 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/de 20 de outubro de 2016.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Desigualdades Socioeconómicas e Resultados Escolares II : 2.º Ciclo do Ensino Público Geral 

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Quanto mais habilitações tem a mãe, melhores os resultados dos filhos na escola. O nível socioeconómico também joga um papel importante, diz um estudo do Ministério .

É a segunda vez – primeiro para o terceiro ciclo, no ano passado, e agora para o segundo – que o Ministério da Educação, através da Direção-geral de Estatísticas, analisa os resultados em função de algumas características das famílias portuguesas, no estudo “Desigualdades Socioeconómicas e Resultados Escolares”. E as tendências mantêm-se: uma relação muito forte entre o desempenho e o contexto socio-económico dos alunos, a somar a assimetrias regionais.

Mas o estudo revela também que a dinâmica das escolas pode subverter este cenário, o que liberta os dados de interpretações deterministas que levem a concluir, por exemplo, que nem as habilitações literárias permitem mobilidade social.

Os escalões do Apoio Social Escolar (ASE) confirmam as dificuldades escolares associadas às financeiras. “Entre os alunos que não recebem qualquer apoio ASE, a percentagem de percursos de sucesso no 2.º ciclo é de 63%. Entre os alunos com maior apoio ASE (escalão A), alunos oriundos de agregados familiares com condições económicas mais modestas, a mesma percentagem de percursos de sucesso é apenas de 27 por cento”. No grupo de estudantes sem apoio financeiro, 92% transitam de ano. Já as famílias com o maior apoio do ASE, a taxa de sucesso escolar não vai além dos 78 por cento.

A investigação agora publicada revela ainda que nos casos em que as mães têm licenciatura ou bacharelato, a percentagem de percursos de sucesso é de 80 por cento. Pelo contrário, os alunos com mães que não foram além do 4.º ano atingem bons resultados em apenas 26% dos casos.

Quanto mais letrados os encarregados de educação, melhor a prestação escolar dos filhos, confirmando-se igualmente a importância dos rendimentos familiares: “Alunos provenientes de meios socioeconómicos favorecidos tendem a obter, em média, melhores resultados escolares do que os seus colegas oriundos de meios mais desfavorecidos”.

Esta conclusão é especialmente preocupante na medida em que põe em causa a própria génese do sistema público – e universal – de educação que se pretende em Portugal. Nivelamento de oportunidades e promoção da mobilidade social ficam, assim, longe de garantidas.

Mas a análise estatística regional forneceu dados curiosos, que obrigam a olhar para o estudo com mais pormenor. Embora Setúbal tenha mães mais diferenciadas do que os outros distritos, o resultado académico dos filhos não é coerente. Com 43% de sucesso escolar, Setúbal é o pior distrito do País, por oposição a Coimbra (60%), com a melhor prestação. “Em média, os alunos do distrito de Braga cujas mães têm habilitação baixa, equivalente ao 6.º ano, têm um desempenho escolar no 2.º ciclo superior aos alunos do distrito de Setúbal cujas mães têm como habilitação o 12.º ano completo. Existem, portanto, outros fatores importantes em jogo, além do nível socioeconómico.”

Se o percurso académico e os rendimentos dos pais jogam um papel importante, as condicionantes regionais parecem um dado a ter cada vez mais em conta. “Os alunos dos distritos do sul do país têm níveis de habilitação das mães acima da média de Portugal continental, mas resultados escolares significativamente abaixo da média. Observe-se em particular como os alunos dos distritos de Faro, Lisboa ou Setúbal, tendo níveis de habilitação das mães francamente superiores aos dos seus colegas de Viseu, Braga ou Aveiro, têm ainda assim taxas de percursos de sucesso bastante inferiores – cerca de 12 pontos percentuais mais baixas – do que estes seus colegas do norte do país”.

Os autores do estudo alertam, por isso, para a necessidade de cruzar variáveis. “O nível socioeconómico não equivale a destino, ou seja, não determina de forma inapelável o desempenho escolar dos alunos. Prova disso é o facto de os alunos de certas regiões do país com indicadores socioeconómicos desfavoráveis, como Braga ou Viseu, terem, não obstante, indicadores de desempenho no 2.º ciclo francamente superiores à média nacional.”

Além do nível socioeconómico e das habilitações dos encarregados de educação, alertam os autores do estudo, “o dinamismo das escolas e dos professores”, bem como a importância atribuída à escola em cada região podem fazer a diferença.

Embora o sistema seja o mesmo, as variações entre escolas são ainda assinaláveis, o que aponta para a necessidade de atuar em cada universo.

 

 

 

Estudo conclui que mais trabalhos de casa não significam maior sucesso escolar

Agosto 9, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 25 de julho de 2016.

paulo novais

Mais trabalhos de casa não significa, necessariamente, maior sucesso escolar, segundo um estudo do projeto aQeduto. O estatuto socioeconómico e cultural dos alunos continua a ser determinante.

Mais trabalhos de casa não significa, necessariamente, maior sucesso escolar, de acordo com um estudo do projeto aQeduto, apoiado pelo Conselho Nacional de Educação, que será apresentado esta segunda-feira.

O estudo “E os alunos, que responsabilidade”, o oitavo de uma série do projeto aQeduto, tendo por base dados do relatório PISA da OCDE, aponta Portugal como um dos países, entre os analisados, onde os alunos dedicam em média menos tempo aos trabalhos de casa: quatro horas semanais, situando-se acima das três horas semanais na Finlândia (com a média mais baixa) e abaixo das sete horas semanais da Polónia e da Irlanda (com a média mais alta).

O estudo aponta que, em todos os países analisados, são os alunos com melhores resultados na prova de Matemática dos testes PISA em 2012 — usada como base para a análise –, aqueles que mais tempo passam a fazer trabalhos de casa, sobretudo se forem alunos que conjugam bons resultados com estatuto socioeconómico elevado.

“Contudo, a nível agregado, não se observa uma relação entre maior número médio de horas dedicadas à realização de trabalhos de casa e ‘score’ [resultado] médio dos países. Por exemplo, os alunos finlandeses dedicam pouco tempo a trabalhos de casa (3 horas) e o ‘score’ PISA é elevado (519), ao passo que, em Espanha, o número de horas (6) é muito mais elevado e o ‘score’ é relativamente baixo (484)”, exemplifica o estudo.

Notando que o estatuto socioeconómico e cultural dos alunos continua a ser determinante para os seus resultados em países como Portugal, Espanha, França ou Luxemburgo, e que em Portugal se encontra uma grande percentagem de alunos de baixo estatuto social, o estudo do projeto aQeduto aponta que há características como a perseverança e a autoconfiança que podem ter maiores impactes nos resultados, e que estão diretamente relacionados com esse estatuto social.

São a autoconfiança dos alunos e a sua eficácia na resolução de problemas que parecem ser mais determinantes para o sucesso, sendo essas as características que diferenciam os jovens com melhores resultados.

“É interessante verificar que os bons alunos de classes mais favorecidas se distinguem mais pela autoconfiança, enquanto os seus colegas de classes menos favorecidas, apesar de menos autoconfiantes, se diferenciam por serem, na prática, realmente eficazes na resolução de problemas”, lê-se no estudo.

Os autores ressalvam, no entanto, que os bons alunos com estatuto social mais baixo “declaram menos vontade em enfrentar e resolver situações complexas”.

“Isto é, verifica-se que a eficácia e a autoconfiança dos alunos tem um alto poder determinante na probabilidade de sucesso. A pergunta que fica é: como estimular estas características em quem não as demonstra?”, questionam.

Os autores apontam ainda que, no caminho para o sucesso, a maioria dos alunos nos países em análise assume a sua responsabilidade em atingir essa meta, apontando o esforço como fundamental para esse objetivo.

“Na maioria dos países, apenas cerca de 10% dos alunos consideram que ser bem-sucedido depende do professor”, refere o estudo.

No caso português, 50% assume ser sua inteira responsabilidade chegar ao sucesso, mas entre 10% a 15% dos alunos, consoante o estatuto socioeconómico e os resultados, dizem que o sucesso depende dos professores.

Sobre a perseverança em Portugal, os autores escrevem que “esta característica é transversal aos alunos com ‘scores’ elevados independentemente do seu estatuto socioeconómico e cultural”, e que “os bons alunos portugueses são os que revelam maior perseverança contrariamente aos alunos franceses, cujo nível de perseverança é muito baixo, mesmo em alunos com resultados elevados”.

No entanto, se o estatuto socioeconómico não pesa na atitude de nunca desistir, os resultados sim: entre os jovens portugueses mais carenciados com resultados mais fracos, só 45% dizem nunca desistir, enquanto entre aqueles que têm resultados elevados há 74% que afirmam que nunca desistem.

O projeto aQeduto trabalha sobre os temas de avaliação, qualidade e equidade em educação, e resulta de uma parceria entre o CNE e a Fundação Francisco Manuel dos Santos.

 

 

 

 

Quer saber se o seu filho vai ser bom aluno?

Agosto 9, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 19 de julho de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Predicting educational achievement from DNA

É a maior relação causa-efeito jamais descoberta entre o ADN de uma pessoa e o tipo de comportamento que determinadas características genéticas vão desencadear: um estudo do King’s College de Londres, hoje divulgado, concluiu que uma análise aos genes permite antecipar se uma criança está mais ou menos destinada a ter sucesso escolar.

“Descobrimos que quase 10% da diferença nos resultados escolares se deve apenas ao ADN. Fica longe dos 100%, mas está muito acima do que por norma conseguimos na previsão de comportamentos” através da genética, sublinha Saskia Selzam, um dos autores do estudo. “Por exemplo, quando pensamos na diferença entre rapazes e raparigas na matemática, o género explica só 1% da variação. E as características de perseverança de um indivíduo preveem apenas 5% da variação no sucesso escolar.”

Para os investigadores, que pesquisaram a presença ou ausência de mais de 20 mil variantes comuns de ADN em crianças e adolescentes para chegarem a esta conclusão, a descoberta vai permitir “recolher informação sobre se uma criança poderá vir a desenvolver problemas de aprendizagem”. E, uma vez na posse desses dados, será possível adoptar “medidas adicionais adequadas às necessidades de cada uma”, afirma Robert Plomin, outro dos responsáveis pelo estudo, ao site do King’s College de Londres.

Isoladas, as variantes de ADN que interferem com o sucesso escolar não têm impacto nos resultados. O efeito é mínimo, defende o estudo revelado hoje no Journal of Molecular Psychiatry. Mas a presença simultânea de várias pode ser a diferença entre uma criança vir a ser uma aluna de nota 19 ou 20 ou de 14 ou 15. Sendo que os primeiros têm quase o dobro de probabilidade de chegarem à universidade.

“Isto faz toda a diferença nas oportunidades de vida”, concluem os investigadores.

 

 

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