Há erros que duram para a vida, não beba durante a gravidez – Campanha de prevenção de consumo de bebidas alcoólicas durante a gravidez e período de amamentação

Outubro 15, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Informações sobre o consumo de álcool durante a gravidez:

http://www.sicad.pt/pt/Paginas/detalhe.aspx?itemId=75&lista=SICAD_NOVIDADES&bkUrl=/BK

 

A Agenda do IAC 2016 prima pela originalidade

Outubro 15, 2015 às 1:02 pm | Publicado em Campanhas em Defesa dos Direitos da Criança | Deixe um comentário
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A Agenda do IAC 2016 é um produto muito útil, pois, para além de permitir lembrar tarefas futuras, anotar compromissos, escrever listas, planear o dia, a semana e o mês, registar ideias e acompanhar projetos, lembrar datas especiais como aniversários, contém dicas de segurança sobre a utilização da internet, a proteção da imagem, prevenção do cyberbullying, hábitos de conduta livres de riscos (prevenir raptos) e denúncia de abusos sobre a criança. A abordagem destas temáticas e respetivas dicas de segurança serão complementadas por alguns jogos pedagógicos. A par desta vertente utilitária, a Agenda IAC 2016 proporciona agradáveis momentos de leitura através de  maravilhosos poemas e contos da autoria de conceituados escritores portugueses como Alice Cardoso, António Torrado, José Fanha, Fernando Cardoso, Luísa Ducla Soares, Margarida Fonseca Santos, Raquel Palermo, Sara Rodi e Sílvia Alves. Cada mês apresenta um poema ou um conto alusivo à Criança. As ilustrações são criadas a partir dos desenhos das crianças apoiadas pelo IAC.

É uma agenda com um formato que facilita a sua utilização (14×14) e com capas de proteção transparentes que garantem a sua durabilidade.

Destina-se a crianças, jovens, pais, avós, educadores, responsáveis de instituições que trabalham com crianças, entre outros.

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O nosso projecto de crowdfunding “Agenda 2016 do Instituto de Apoio à Criança”, cujo objetivo inicial é angariar verba para a produção da agenda e a motivação final é o desenvolvimento de novos projetos ligados à prevenção de situações de violência entre os jovens, necessita do seu apoio. Se o seu donativo for superior a 10€, além das recompensas enumeradas no PPL, vai receber também um exemplar da agenda. Mas 1€ já é uma ajuda. Euro a euro…

Para apoiar a Campanha de Crowdfunding do CEDI Instituto de Apoio à Criança, aceda ao link

http://ppl.com.pt/pt/causas/agenda-iac-2016

Na causa “Agenda IAC 2016 Pela Defesa e Promoção dos Direitos da Criança” introduza o valor do seu contributo, clicando posteriormente em CONTRIBUIR. Continue o processo seguindo os passos que constam do formulário. Aconselhamos a selecionar a opção” Desejo doar o valor a este promotor, mesmo que a campanha não angarie a totalidade dos fundos“ para que possamos dispor de qualquer verba angariada e, desta forma, concretizar o nosso objetivo. A plataforma do PPL irá gerar uma Referência Multibanco para que possa fazer o seu contributo à campanha.

Agradecemos que divulgue a nossa iniciativa.

Os nosso agradecimentos

O Centro de Documentação do Instituto de Apoio à Criança

Problemas de solidão dominam Linha SOS-Criança

Outubro 15, 2015 às 10:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 14 de outubro de 2015.

A notícia contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

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Segundo o coordenador do serviço, Manuel Coutinho, 64% dos apelos que chegaram no ano passado ao serviço telefónico do Instituto de Apoio à Criança (IAC) foram feitos por “meninos, meninas e jovens que queriam falar com alguém”.

“As crianças e os jovens, por vezes, vivem numa solidão acompanhada. Estão pessoas perto deles, mas não têm confiança, não têm à vontade para falar com essas pessoas e ligam para o serviço SOS-Criança”, contou Manuel Coutinho.

Estas crianças “estão sozinhas e fechadas dentro delas próprias e são essas crianças, com dúvidas existenciais, com ideação suicida, com angústia, com os medos depressivos que procuram frequentemente” este serviço.

O secretário-geral do IAC explicou que o que “acontece muito” é as famílias estarem a passar por “períodos de grande fragilidade, não conseguindo conter” a pressão que recai sobre elas.

Ao não conseguirem enfrentar “tanta dificuldade” deixam, por vezes, “perpassar para as crianças uma falta de cuidado e atenção adequada” ou “não têm recursos nem meios para fazer frente à dificuldade e às necessidades que as crianças hoje precisam”.

Por outro lado, as famílias têm cargas horárias cada vez maiores que não se compatibilizam com os horários das escolas, o que contribui para que muitas crianças passem mais tempo sozinhas e aumente os seus sentimentos de “angústia e solidão”, advertiu o psicólogo.

Desde 1998 (ano em que o serviço foi criado) já chegaram mais 116 mil situações à Linha. Em 2014, recebeu 5.799 novas situações.

Segundo Manuel Coutinho, “a complexidade dos apelos apresentada”, desde que o serviço foi criado, “tem vindo a aumentar” e as situações a tornarem-se “cada vez mais delicadas” e mais difíceis de resolver.

Para o psicólogo, esta realidade exige “um maior trabalho de articulação e parceria” com todos os serviços de apoio e proteção das crianças para “encontrar uma resposta conjugada que permita ajudar a criança a retomar o normal funcionamento no seu dia-a-dia”.

Há outras questões que fazem com que as crianças liguem, muitas delas relacionadas com pedidos de prevenção e de apoio, que totalizaram 25% das situações no ano passado.

“Quando as crianças estão com dúvidas existenciais e estão aflitas ligam para o SOS-Criança, mas muitas vezes são também os adultos que procuram ajuda”, contou.

Vinte por cento dos apelos que chegaram à linha, em 2014, foram de crianças em risco, enquanto 18% foram de crianças vítimas de negligência e 12% vítimas de maus-tratos físicos dentro da família.

Os maus tratos psicológicos representaram 9% de apelos e as questões da regulação do exercício das responsabilidades parentais 8%.

“Há aqui um conjunto de situações que está próxima do mundo das crianças e em que a sociedade em geral tem que pôr a lupa e dar maior atenção”, defendeu Manuel Coutinho, destacando a importância de divulgar o serviço gratuito SOS-Criança (116111) para chegar a um maior número de pessoas.

Das crianças apoiadas pelos técnicos da linha no ano passado, 54% eram meninas.

No último ano, 47% dos apelos eram de Lisboa, 19,5% de Viseu 16% do Porto, 11% de Setúbal, 4% de Faro e 3% de Aveiro.

 

 

 

O Wi-Fi é um risco para a saúde das crianças?

Outubro 15, 2015 às 9:15 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 10 de outubro de 2015.

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Em França, proibiu-se o wi-fi em creches, por se considerar que os campos eletromagnéticos são um risco para a saúde. Fomos perceber se o perigo é real.

Katya Delimbeuf

Texto

Ana Serra

Infografia

Os campos eletromagnéticos estão por todo o lado. E não se veem — daí, possivelmente, suscitarem tanto temor. Tudo o que o olho não consegue observar, a mente imagina a dobrar. Na última década, o nosso quotidiano alterou-se profundamente no que à parafernália tecnológica diz respeito. Integrámos inúmeros gadgets e trouxemo-los para dentro de casa. Pior: eles andam nas mãos dos nossos filhos, a toda a hora, se nos descuidarmos. E se algum destes objetos tiver efeitos nocivos para a saúde? Entre o smartphone com Wi-Fi ou 3G, o portátil com ligação à internet, os espaços públicos com Wi-Fi, o Wi-Fi em casa, o micro-ondas, são muitas as novas fontes de campos eletromagnéticos… Que consequências para a saúde terão todos estes campos com radiações na próxima geração, que cresce em contacto com eles diariamente? Depois da corrida à tecnologia ‘sem fios’, teremos de arrepiar caminho?

Em França foi aprovada, em fevereiro deste ano, uma lei que proíbe o Wi-Fi em creches e jardins de infância para crianças com menos de três anos. A alegação tem na saúde dos mais novos o principal argumento, sendo que os cérebros dos bebés, mais finos e em formação, podem ser mais sensíveis a esta emissão constante. Além disso, um bebé pode, literalmente, bater com a cabeça e ficar a centímetros de distância de um router, uma box emissora de ondas ou uma antena.
Luís Correia, professor de Engenharia Eletrotécnica há três décadas no Instituto Superior Técnico, e investigador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, estuda questões relacionadas com telecomunicações há mais de 16 anos. “A preocupação com os campos eletromagnéticos nasceu nos anos 90 e aumentou com o aparecimento do GSM (sistema global para comunicações móveis)”, explica. “O telemóvel foi a tecnologia com a penetração mais rápida de sempre na sociedade ocidental: em 12 anos, 100% da população passou a usá-lo. Mas como as ondas eletromagnéticas não se veem, a perceção do risco é muito maior do que a realidade.”

Para o engenheiro, “o que está em causa não é a quantidade de fontes que temos à nossa volta, mas a intensidade da radiação. Essa intensidade está regulada por uma recomendação do ICNIRP, organismo da Organização Mundial da Saúde, que fixou um valor máximo de 28 Volts/metro como limite a que as pessoas podem estar expostas sem risco, em modo contínuo”. Luís Correia defende que não há qualquer problema relativamente às emissões eletromagnéticas — desde que se cumpram os limites mínimos admitidos por lei. Em seu entender, “a proibição aprovada em França não tem sustentação técnico-científica, até porque o Wi-Fi emite a potências muito baixinhas (0,1 Watts).”

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O investigador ressalva ainda: “As antenas de rádio e de televisão, que irradiam a potências muito superiores (400.000W para televisão, 50.000W para rádio contra os 600W para telemóvel), existem há mais de 50 anos. Se houvesse consequências nefastas para a saúde causadas pelos campos eletromagnéticos, não teriam já surgido casos de pessoas doentes nas imediações?”, questiona.

O pediatra Mário Cordeiro não é tão rápido a ‘arrumar’ o assunto. “Embora inicialmente se pensasse que a rede sem fios não causasse qualquer problema, um pouco à semelhança das micro-ondas emitidas pelos telemóveis, têm surgido alguns estudos que põem em causa esta certeza e colocam a hipótese de existirem alterações do ADN celular por exposição intensa e prolongada à rede sem fios, sobretudo nas crianças. Alguns estudos têm três décadas de evolução, pelo que os resultados são sólidos”, afirma. “Com os telemóveis e o aquecimento que provoca o seu uso, as crianças, por terem um tabique ósseo menos espesso que o dos adultos, estariam em maior risco de sobreaquecimento das células cerebrais. Elas são mais sensíveis devido ao desenvolvimento celular, designadamente do sistema nervoso central.” É fundamental dosear e remeter para o “apenas necessário” uso das tecnologias. Os locais wireless deveriam, de facto, ser limitados. “Para quê, num infantário, haver este tipo de ligação à internet?”, questiona o pediatra. Que conclui: “Mais vale prevenir do que remediar… E poupar as crianças será certamente uma boa ideia.”

Em 2011, a OMS (através da Agência Internacional de Pesquisa contra o Cancro) classificou os “campos magnéticos de baixas frequências e os campos eletromagnéticos de radiofrequências” como “possivelmente cancerígenos para humanos” — a par do “chumbo, do café e dos motores a gasolina”. Para o médico nefrologista António Vaz Carneiro, professor na Faculdade de Lisboa e diretor do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, “não há estudos científicos que permitam concluir que os campos eletromagnéticos têm efeitos nocivos na saúde das pessoas. O risco associado é muito baixo”. Para ele, “a lei aprovada em França reflete uma preocupação social válida, mas sem fundamentação científica”. Ressalva: “Um adolescente que vai para a praia das 8h às 20h apanha mais radiação (solar e ultravioleta) do que se utilizar telemóvel a vida inteira.” Se é verdade que não há certezas científicas absolutas sobre os efeitos nefastos dos campos eletromagnéticos, se pensarmos em possíveis consequências para os nossos filhos, haverá quem queira arriscar?

 

 

 

 

Quero ajudar os refugiados a contar a história que estão a viver

Outubro 15, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do site http://www.jornalissimo.com ao fotojornalista Reza no dia 28 de setembro de 2015.

O fotojornalista francês Reza dá máquinas e formação em fotografia a crianças e jovens a viver em campos de refugiados.

O interesse de Reza pelos refugiados não é de ontem, tem 35 anos, os mesmos que a sua carreira profissional. É fotojornalista, nasceu o Irão e, ele próprio, se viu obrigado a abandonar o país natal para poder exercer a profissão em liberdade. Fotografou sobretudo em cenários de guerra e de conflito e, foi aí, que se apercebeu de que os refugiados são uma “das comunidades mais vulneráveis” que existem. Com o patrocínio do ACNUR, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, está a desenvolver o projeto ‘Exile Voices’ (Vozes do Exílio), para dar formação em fotografia a miúdos que vivem em campos de refugiados. O trabalho de alguns dos seus alunos está exposto nas margens do Sena, em Paris, na exposição ‘Rêve d’Humanité’ (Sonho da Humanidade) até 12 de outubro e tem despertado o interesse da imprensa mundial. Ao JORNALÍSSIMO, Reza contou como este projeto, e outros semelhantes por ele realizados no passado, já mudou vidas. As fotografias que ilustram o artigo foram tiradas por jovens sírios formados por Reza, a viver num campo de refugiados no Iraque. Podes ler mais sobre eles e ver outras fotografias aqui.

JORNALÍSSIMO – Poderá a arte ajudar a solucionar os problemas do mundo?

REZA – A arte tem esta capacidade de criar laços entre as culturas, entre os indivíduos, de uma forma muito profunda e muito emotiva. A arte tem a possibilidade de mostrar a vida de outro ângulo, sobretudo de nos fazer refletir, de nos fazer sair do nosso quotidiano. Tudo isto só nos pode levar a melhorar o nosso olhar em relação à sociedade, às outras culturas, às outras comunidades. Muitos problemas do mundo são certamente de ignorância e de desconhecimento de uns e outros. Neste caso, a arte pode ajudar.

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J – O trabalho que desenvolveu com estes jovens sírios a viver num campo de refugiados no Iraque pode mudar a vida deles… Que papel desempenhou a fotografia na vida destas crianças e jovens?

R – A partir do momento em que nós aprendemos uma técnica, sobretudo nestas idades, dos dez aos 15 anos, temos a capacidade de continuar a aprofundar os nossos conhecimentos e até de fazer dessa técnica uma profissão. Este projeto (‘Exile Voices’) que lançámos para crianças que estão em campos de refugiados no Iraque, no Afeganistão, no Ruanda, em Marrocos, na Jordânia ou em subúrbios de países europeus, como em França ou em Itália, ajudou-as muito. Por um lado, ajudou-as a melhorar as suas capacidades individuais, a sua cultura geral. Mas, ao dominarem uma técnica, ajudou-as também a terem uma ocupação. A algumas ajudou-as mesmo a terem uma profissão.

J – Isso já aconteceu?   R – Sim. Estou a pensar no exemplo de um jovem que nós formámos no Afeganistão, em Cabul, já em 2001, e que se tornou fotógrafo profissional. Chama-se Massoud Hossaini, foi nosso aluno e é diretor de fotografia da ‘Agence France Presse’ no Afeganistão. Em 2012, venceu o mais importante prémio de fotografia, o ‘Pulitzer’. Mas há muitos mais exemplos. Temos outros alunos que receberam diferentes prémios, como o ‘The Picture of the Year’ ou o ‘World Press Photo’, entre outros, o que mostra bem a importância deste tipo de formação e educação.

J – Os jovens que participam neste projeto têm as suas próprias máquinas fotográficas?

R – O conceito e o método de trabalho que emprego é sempre o de garantir que as crianças têm, desde o início, a sua própria máquina fotográfica. O equipamento que damos é igual para todos. No campo de refugiados sírios no Iraque, em que estamos a trabalhar desde 2013, os vinte alunos receberam mais de 60 máquinas. Começámos por dar-lhes uma câmara fotográfica própria para iniciação, ao final de dois meses demos-lhes outra e voltámos a oferecer-lhes uma máquina, mais avançada, no final do primeiro ano. Hoje, cada um deles tem, portanto, três máquinas fotográficas para trabalhar. Não seria justo que fosse de outra maneira. É fundamental que cada criança tenha o seu próprio equipamento.

J – Será que estas imagens que eles captaram e que estão agora expostas em Paris (nas margens do Sena, junto ao Museu de Orsay), podem fazer mais para sensibilizar o mundo sobre o que é ser refugiado do que mil reportagens jornalísticas?

R – Fazem-no de um modo diferente. Nesta exposição ‘Rêve d’Humanité’ estão também imagens de um fotógrafo profissional do Dubai, Ali Bin Thalith, e ainda as minhas fotografias de refugiados, mas foi por as fotografias dos campos de refugiados vistos pelo olhar das crianças que a imprensa mundial mostrou grande entusiasmo. É esta a diferença, é uma outra forma de olhar. As reportagens fotográficas que existem são feitas por fotógrafos profissionais, que andam de um lugar para outro. O que eu estou a fazer com estes jovens em todo o mundo é ajudar a que possam ser eles próprios a contar a história que estão a viver. E é por isso que a fotografia destas crianças é tão diferente da dos profissionais da imagem. É muito, muito diferente. E sensibiliza de forma diferente também. As pessoas gostaram muito mais de ver as fotografias de campos de refugiados feitas pelas crianças do que pelos adultos.

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J – Que comentários ouviu sobre a exposição ‘Rêve d’ Humanité’?

R – Visitei várias vezes a exposição de forma anónima para poder ouvir o que as pessoas diziam sem saber que era eu quem estava ali. Todas as pessoas, sem exceção – de diferentes culturas, tanto os turistas, como os parisienses – não falavam de outra coisa senão de como estas fotografias as estavam a tocar e de como esta nova visão era importante. Houve também muitas pessoas que viram as fotografias pela Internet e nos escreveram a felicitar por esta forma diferente de olhar.

J – E os miúdos que tiraram as fotografias, como reagiram?

R – Voltámos há dois meses ao campo de refugiados e reunimos todas as crianças e jovens que participaram e as suas famílias. Fizemos um evento para os felicitar e para entregar os certificados de participação. A mãe de um dos participantes disse algo que nos tocou muito. Disse que, com o projeto de formação das crianças, conseguimos levar sorrisos para o campo e fazer com que as crianças se tenham esquecido de que eram refugiadas. Portanto, não é emocionante só para quem vê as fotografias, mas para toda a gente que está envolvida no projeto.

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R – Mahatma Gandhi é uma figura histórica que me inspira muito e há uma frase dele que me tocou e me inspirou de forma especial. Ele dizia que todos os dias, sempre que começamos um novo projeto na vida, devemos pensar nos seres humanos mais vulneráveis que conhecemos e questionar-nos: “o que eu vou fazer vai ajudar ou não estes indivíduos, estes povos vulneráveis?”. Ou seja, é importante que aquilo que fazemos tenha sempre uma ligação com a Humanidade, traga sempre qualquer coisa à Humanidade. Nestes últimos 35 anos em que trabalhei em zonas de guerra, de conflitos e problemas sociais, dei-me conta que uma das comunidades mais vulneráveis é precisamente a dos refugiados. Os refugiados são como cada uma das pessoas que vai ler esta entrevista, como você, como eu, como os nossos vizinhos. São pessoas que, num determinado momento da sua vida, são obrigadas a deixar tudo – as suas lembranças, as suas memórias, as suas casas, as suas escolas, as suas universidades, as suas lojas, até as suas famílias – e fugir, e ir para outra parte. Ser refugiado é isto. É por isso que são pessoas vulneráveis e é por isso que eu quero levar luz aos campos de refugiados com o meu trabalho. Dar formação a crianças refugiadas e ajudar a que o mundo compreenda esta situação.

 

 


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