Ordem dos Advogados a favor de estatuto de vítima para crianças que presenciem violência doméstica

Julho 15, 2019 às 2:43 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 11 de julho de 2019.

Carolina Reis

Parecer da Ordem chegou ao Parlamento já depois do chumbo do projeto de lei em comissão. Instituto de Apoio à Criança apela aos deputados que, na votação em plenário, aprovem o diploma.

A Ordem dos Advogados emitiu um parecer favorável à proposta do Bloco de Esquerda para a atribuição do estatuto de vítima às crianças que testemunhem situações de violência doméstica. O documento, com data desta quarta-feira, tinha sido pedido pelo grupo de trabalho que analisou vários diplomas sobre violência doméstica e de género, mas chegou ao Parlamento já depois do chumbo da lei em sede de comissão.

“Na exposição de motivos desta proposta está plasmada a ideia há muito defendida por este Conselho Geral da Ordem dos Advogados, ou seja, a de que as crianças são vítimas de violência doméstica decorrente da violência doméstica conjugal. Neste sentido, é já longo o trabalho de consciencialização que este Conselho Geral da Ordem dos Advogados tem realizado. Por isso, não poderia a Ordem dos Advogados estar mais de acordo com os pressupostos subjacentes à proposta de lei”, lê-se no parecer a que o Expresso teve acesso.

O documento, assinado pelo bastonário cita várias vezes o último relatório do GREVIO, o grupo de peritos do Conselho da Europa para acompanhar o cumprimento da Convenção de Istanbul, que visa erradicar a violência contra as mulheres e crianças.

Também o Instituto de Apoio à Criança (IAC) emitiu um comunicado a pedir que a lei seja aprovada. “No ano em que se celebra o 30 aniversário da Convenção dos Direitos da Criança, o IAC apela ao Parlamento no sentido de reconsiderar o seu sentido de voto, por forma a que em plenário seja ainda possível reverter a situação com vista ao cumprimento do Superior Interesse da Criança.”

Nas votações indiciárias, terça-feira, PS, PCP e CDS votaram contra. Só o PSD se colocou ao lado do BE nesta matéria. Apesar do chumbo, os bloquistas não desistem do diploma e vão levá-lo a votação no plenário, à procura de votos de deputados dissidentes.

O projeto de lei bloquista propõe incluir na categoria de vítima especialmente vulnerável as crianças que vivam em contexto de violência doméstica ou o testemunhem. Na altura da apresentação do diploma, Catarina Martins sustentou que a ideia era a de evitar que os agressores ficassem com a regulação do exercício das responsabilidades parentais. “Quando o tribunal de família tiver de tomar decisões sobre a guarda de crianças vai compreender que aquelas crianças são vítimas e que, se há um agressor, elas devem ser afastadas desse agressor”, disse a líder do BE.

Em defesa do voto de chumbo do PS, a deputada Isabel Moreira considerou que “convém não esquecer que as crianças que presenciam atos de violência doméstica inscrevem-se no âmbito de proteção da Lei de Promoção e Proteção de Crianças e Jovens em Risco”. A parlamentar insiste que o atual conceito de vítima a que se reporta o regime jurídico aplicável à violência doméstica, à proteção e à assistência das suas vítimas já inclui as crianças. “A lei também tem disposições específicas sobre vítimas menores. O conceito de ‘vítima especialmente vulnerável’ do CPP já possibilita que esse estatuto decorrente da lei da violência doméstica seja conferido às crianças”, frisa.

Parecer – Ordem dos Advogados

http://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063446f764c324679626d56304c334e706447567a4c31684a53556c4d5a5763765130394e4c7a464451554e45544563765247396a6457316c626e527663306c7561574e7059585270646d46446232317063334e68627938794d6a49344f545a6c597930774e6a4e684c5451305a544974596d45304d4330324e475a6d4e6d51785a474e6a4e546b756347526d&fich=222896ec-063a-44e2-ba40-64ff6d1dcc59.pdf&Inline=true

Projeto de Lei 1183/XIII

https://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=43597

Açúcar é como álcool para crianças: danifica o fígado e o cérebro delas

Julho 15, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site GreenMe de 25 de fevereiro de 2019.

por Cíntia Ferreira

Você daria um copo de bebida alcoólica para seu filho pequeno? A resposta, certamente, será não. Nenhum pai ou mãe daria álcool para uma criança. Principalmente por que esse item é tóxico, causa danos graves ao organismo e vicia. No entanto, se você tem o hábito de dar doces, e encher as refeições do seu filho de açúcar, pode ser que você esteja fazendo mal para à criança, sem perceber.

Um estudo no Reino Unido, a Pesquisa Nacional de Dieta e Nutrição, demonstrou que o açúcar consumido pelos pequenos pode fazer tão mal ao fígado e ao cérebro quanto o álcool.

Nesse caso, o fígado metaboliza a frutose, uma das moléculas do açúcar, da mesma forma que o álcool, sobrecarregando o órgão que tem, entre outras funções, o trabalho de eliminar as toxinas do organismo.

Não à toa, é cada vez mais comum que crianças sofram com problemas “de adulto”, como diabetes e doenças hepáticas. Um estudo feito na Itália avaliou 271 participantes, com idade média de 12,5 anos, e que tinham dietas açucaradas. A pesquisa descobriu que 37,6% deles tinham Esteatohepatite não-alcoólica (NASH), doença que pode causar danos irreversíveis, levando a fibrose e cirrose.

Entre os principais vilões do excesso de açúcar estão os alimentos industrializados. É comum que a indústria encha os produtos com açúcar, principalmente nos itens destinados ao público infantil. Além disso, é fácil mascarar o açúcar nos rótulos, pois existem pelo menos 56 nomes diferentes para essa substância.

Produtos como iogurte, cereais e bolachas podem conter uma quantidade tão grande de açúcar que extrapolam as necessidades diárias da criança apenas em uma refeição. A frutose, mencionada nos estudos, também existe nas frutas, mas não é nociva, pois vem acompanhada de vitaminas e minerais essenciais ao organismo e são metabolizadas de modo diferente.

Por isso, muito cuidado com o que coloca no prato do seu filho.

Criança com necessidades especiais expulsa de acampamento após pressões de outros pais

Julho 15, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 2 de julho de 2019.

A mãe disse que deixou claro que não queria que revelassem a condição da filha. Pedido que não terá sido atendido pela organização do acampamento em Espanha.

Uma menina, de 11 anos, com sinais de atraso no desenvolvimento foi expulsa de um acampamento em Espanha após queixas dos pais de outros participantes. Trata-se de mais um episódio de discriminação envolvendo alunos com necessidades especiais.

Apesar de o lema do centro Diverbo ser “línguas adaptadas a todas as necessidades”, este caso mostra que na prática não é cumprido este objetivo. Revoltada, Carolina Gómez, a mãe da menina com necessidades especiais que frequenta o Colégio Sagrado Coração em Madrid denunciou o caso ao jornal “El País”, com vista a evitar que situações semelhantes se repitam no futuro.

No ato de inscrição, a encarregada de educação garante que alertou para as “dificuldades motoras e de linguagem” da filha e que a organização do acampamento de Aldeaduero, em Salamanca, não colocou nenhum entrave. Depois, Carolina Gómez fez questão ainda de falar com a coordenadora que também não levantou nenhum obstáculo.

“Disseram-me que ia ser fantástico, que ela se ia integrar perfeitamente, que os participantes tinham entre 7 a 12 anos, que não dominavam ainda muito o inglês e que seriam organizados jogos e atividades, pelo que não haveria nenhum problema”, afirmou Carolina Gómez, que pagou 1600 euros pela atividade de verão da filha.

A encarregada de educação disse ainda que deixou claro que não queria que revelassem a condição da filha aos outros participantes e/ou aos pais, sob pena de a criança se sentir discriminada. Pedido que não terá sido respeitado pela organização. Resultado? Quando tiveram conhecimento do caso, logo no primeiro dia de acampamento, os pais pressionaram os responsáveis para expulsarem a menina do acampamento.

“Inicialmente alegaram que o nível de inglês da minha filha era insuficiente. Depois disseram-me que era uma pena, mas que estavam entre a espada e a parede porque as mães queixaram-se”, acrescentou a mãe.

Segundo a organização havia duas hipóteses: ou a menina dormia com os monitores noutro quarto ou ia-se embora. Mal foram informados, os pais deslocaram-se rumo ao local do acampamento situado a cerca de 350 km de Madrid.

Chegaram a pedir para a filha realizar um teste para avaliar o seu nível de inglês, mas a organização recusou. “Ainda nem tive tempo para pensar no que vou fazer. O que tinha claro era que tinha que denunciar este caso, para que não façam isto a mais ninguém”, concluiu.

Mais informações na notícia do El País:

Un campamento expulsa el primer día a una niña de 11 años con retraso madurativo

“Não vacinar uma criança equivale a uma situação de negligência ou de maus tratos”

Julho 14, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 1 de julho de 2019.

Por Rita Costa

Parece que são pessoas que se esquecem ou não querem saber daquilo que tem sido a evolução da medicina e dos cuidados de saúde ao longo dos últimos anos”, afirma Paulo Oom.

Um estudo realizado pelo Wellcome Global Monitor e publicado pela revista Science há pouco mais de uma semana revela que, no continente europeu, só pouco mais de metade da população considera as vacinas uma forma segura de prevenção da saúde. O que significa que há uma crescente descrença nas vacinas. Descrença que para o pediatra Paulo Oom significa ignorância.

“Sabemos que o aparecimento das vacinas levou, de facto, ao desaparecimento de alguns milhões de mortes de crianças por ano, a nível mundial”, sublinha.

Paulo Oom assegura que se as pessoas que hoje são contra as vacinas, tivessem vivido há cem anos iam perceber a importância das vacinas. ” Se fosse possível levar essas pessoas ao passado para verem o que é uma epidemia de sarampo, com milhares e milhares de crianças doentes, com vários milhares de crianças a morrer eu acho que dificilmente elas poderiam continuar a pensar da forma que pensam.”

Para o pediatra, “não vacinar uma criança equivale a uma situação de negligência ou de maus tratos”.

mais informações na notícia:

Want to prevent vaccine deaths? Show people the consequences of unvaccinated nations

Tem a certeza que o seu filho não é vítima de “grooming”?

Julho 13, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do Notícias Magazine de 28 de junho de 2019.

Texto de Ana Sofia Reis

É o termo usado quando um pedófilo tenta aliciar um menor, criar uma amizade através da internet e ganhar a confiança do jovem para fins sexuais.

Fazem-se passar por crianças ou adolescentes, de forma a criar uma relação de confiança maior, até chegarem à chantagem sexual. Para evitar que tal aconteça, o diálogo entre pais e filhos é fundamental. Saber como detetar os sinais é essencial. Por isso, a Notícias Magazine mostra-lhe como estar atento para que o seu filho não seja vítima de “grooming”.

  1. Torna-se introvertido. Tem medo de ser questionado ou que os pais notem que algo estranho está a acontecer.
  2. Fecha-se no quarto ou na casa de banho com frequência e durante bastante tempo.
  3. Usa o telemóvel ou computador quando o resto da família já está a dormir. É comum que seja sempre à mesma hora.
  4.  Tem roupa e objetos que não foram oferecidos pelos pais.
  5.  Tem dificuldade em adormecer.
  6.  Não tem apetite.
  7.  Mostra nervosismo.
  8. Chega a ficar doente: com dores de estômago, dores de cabeça ou diarreia.

 

 

Governo prevê que famílias de acolhimento possam adotar, mas em casos excecionais

Julho 12, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 9 de julho de 2019.

Por Lusa

O ministro da Vieira da Silva sublinhou que a medida tem um caráter excecional.

O projeto de decreto-lei do Governo sobre acolhimento familiar prevê que, em casos excecionais, e que envolvam crianças muito pequenas, as famílias de acolhimento possam pedir a tutela parental e adotar a criança.

A ser ouvido hoje na Comissão de Trabalho e Segurança Social, o ministro Vieira da Silva revelou que, “em situações excecionais, as famílias de acolhimento vão poder pedir a tutela parental da criança que esteve em situação de acolhimento”.

No anteprojeto do Governo, apresentado em 26 de abril e que foi posteriormente colocado em discussão pública, estava definido que poderia ser candidato a família de acolhimento qualquer pessoa com mais de 25 anos e menos de 65, que não fosse candidato a adoção.

Hoje, o ministro revelou que o documento final, que junta alguns dos contributos recebidos, prevê que possa haver exceções nos casos das “crianças mais jovens”, dando como exemplo o caso de uma criança com dois anos, colocada numa família de acolhimento, mas cujo projeto de vida alternativo, definido por um tribunal, só surge um ano depois e propõe a adoção.

“Ora nesse ano, entre os dois e os três anos, a criança esteve numa família de acolhimento. É extremamente difícil compreender como é que a criança depois de ter estado um ano nessa família de acolhimento é colocada numa outra família, família de adoção”, apontou.

Vieira da Silva sublinhou que a regra é a de que a família de acolhimento não pode ser candidata a adoção, mas adiantou que estão previstas situações excecionais, “sobretudo para crianças muito jovens”, em que a família de acolhimento poderá pedir as responsabilidades parentais.

O ministro admitiu, por isso, que se trata de “um passo a caminho da adoção”, sublinhando, no entanto, que nesse caso a família deixa de ser considerada família de acolhimento.

A par desta mudança, o ministro sublinhou que o projeto-lei do Governo prevê que o acolhimento familiar deixe de ser considerado uma prestação de serviços para passar a ser entendido como uma resposta social, o que traz também o reforço do apoio social devido.

Vieira da Silva lembrou que o Governo passará a pagar entre 522 e 691 euros por criança, quando o valor mínimo atual ronda os 330 euros.

De acordo com o governante, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social recebeu uma dezena de contributos durante o período de discussão pública, esses contributos foram trabalhados, e o documento final foi já enviado aos parceiros sociais, no caso a Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade Social (CNIS), União das Misericórdias Portuguesas, Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens.

Foi também dado conhecimento ao Instituto de Segurança Social, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e Casa Pia de Lisboa, estas três como membros do grupo de trabalho criado em 2017 que apresentou propostas de revisão desta medida de proteção.

Depois disto, disse Vieira da Silva, o decreto-lei entra em circuito legislativo, que é dizer que irá a Conselho de Ministros para depois ser promulgado pelo Presidente da República, não havendo ainda uma data para que isso aconteça.

O requerimento para a audição do ministro sobre o acolhimento familiar foi apresentada pelo grupo parlamentar do CDS-PP e na sua intervenção inicial o deputado Filipe Anacoreta Correia defendeu que o acolhimento familiar em Portugal funciona como uma exceção quando deveria ser a regra.

Perante isso, Vieira da Silva defendeu que é preciso discutir toda a estratégia e não apenas só uma parte e lembrou que a maioria das crianças acompanhadas e com medidas de proteção definidas estão em meio natural de vida e que apenas uma pequena percentagem está numa instituição.

A brincar? No caminho para o sucesso não há lugares sentados

Julho 12, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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UP to Kids

Texto e imagem do site Up to Kids

By Ana Fonseca

“E ele fica apenas a brincar?”

“Mas o que é que ele faz entre a escola e a hora do jantar? Não achas que tem demasiado tempo livre?”

“Mas Ana, tem de entender que temos de lhe ocupar estas horas vagas. Se não ele não consegue aprender a utilizar o tempo de uma forma útil”

“Mas está a sugerir o quê, que o deixemos apenas a brincar?”

Sim, de facto estou a sugerir que as crianças devem ficar um tempo bastante alargado “apenas” a brincar. De preferência em espaços abertos. De preferência em espaços naturais. De preferência com outras crianças que não sejam necessariamente colegas. De preferência sem a interferência dos adultos.

No caminho para o sucesso não há lugares sentados

Numa sociedade cada vez mais acelerada e mais competitiva, é normal que sintamos que todos os nossos segundos acordados sejam no sentido de produzir alguma coisa. Quantas vezes chegamos a cortar nas horas de sono e de descanso para mais uma horinha no escritório?  Ou mais uns minutos para acabar aquele relatório. Parece que o sentar, só por sentar já não existe sem alguma culpa por não estarmos a ser “produtivos” para o nosso caminho de “sucesso”.

Neste caminho, resolvemos também levar as nossas crianças.

Muitas crianças têm um horário tão ou mais preenchido que os adultos. Começam as aulas muito cedo. Têm um dia repleto de aprendizagens, de absorção de conhecimento que muitas vezes continua para as AEC e outras atividades de enriquecimento curricular. Depois os ATL, centros de explicações e afins. E quantas vezes seguem para desportos, músicas, atividades de expressão, entre outras

A oferta é tanta, que muitas vezes o próprio fim-de-semana é sacrificado, perdendo-se tempo em família em prol das tais atividades.

“Ah, ele está nos escuteiros, porque tem de desenvolver as capacidades sociais”

“Está no xadrez para desenvolver o raciocínio”

“Está na música e no violino para desenvolver a motricidade fina e o ritmo. Também ouvi dizer que era muito importante para a leitura”

“Não quisemos abdicar da vela, para melhorar a concentração e a motricidade global”

Estas, entre tantas outras justificações para a sobrecarga horária das nossas crianças. Estas e a minha preferida do:

“Antes isto, do que ficar apenas a brincar”.

Actividades extra-curriculares ou tempo para ficar a brincar?

A verdade é que existe hoje em dia uma oferta extremamente abrangente de atividades infantis e uma quantidade de informação que chega a sobrecarregar os pais na hora da tomada de decisões. As atividades extracurriculares, em certa medida, são de extrema importância para o desenvolvimento de diversas capacidades. Mas o brincar livre, ao ar livre e em ambientes naturais de preferência sem a interferência permanente de um adulto é também muito importante. Há que haver um equilibrio, como em tudo na vida.

Tanto nas atividades extracurriculares, como em grande parte do dia da criança, está sempre um adulto presente. Salvo raras excepções, nós adultos temos a tendência de orientar a criança para o que consideramos ser mais importante para o seu desenvolvimento. Para resolvermos as dificuldades imediatas do seu quotidiano. Para interferir nos pequenos conflitos entre crianças que possam aparecer. Ao fazermos isto estamos a tirar à criança a sua capacidade de decisão, de autonomia e de desenvolvimento então das suas capacidades sociais.

Que competências se desenvolvem a brincar?

O brincar não é “apenas brincar”. É o palco de diversas de aquisições de extrema importância no desenvolvimento psicomotor, académico e sócio-emocional. Ao colocarmos a criança ao ar livre, e sobretudo em ambientes naturais, a criança tem a hipótese de ter uma estimulação multisensorial. Isto vai permitir-lhe fazer uma generalização do mundo que a rodeia.

Mais do que isso, vai perceber a existência das flores, árvores, solos e vários animais que a rodeiam. Esta descoberta é essencial para a construção da sua curiosidade, espírito crítico e noção ecológica.

Por outro lado, sendo uma brincadeira livre, poderá subir às árvores, correr, saltar e realizar outras ações motoras. Estas ajudarão no desenvolvimento do equilíbrio, noção de corpo, estruturação espacial, avaliação de risco, resolução de problemas, entre outros. Estes factores serão necessários mais tarde para as aquisições académicas.

Sociabilizar desde criança

Se a esta brincadeira livre se associar o estar com outras crianças, a criança tem a oportunidade de inventar jogos e brincadeiras de grupo, fomentando a criatividade, o raciocínio na construção de regras, o trabalho em equipa, o ceder e perceber o lado do outro.

Se existirem conflitos, como é tão comum na infância, ao estarem livres as crianças terão a oportunidade de, sozinhas, encontrar o melhor caminho para resolver a situação. Todas estas aquisições são essenciais para o desenvolvimento da empatia, uma capacidade tão falada hoje em dia.

Desta forma, estando num parque, num recreio, num jardim, as crianças desenvolvem ao seu tempo, no seu ritmo e em conjunto, grande parte das competências que atribuímos a necessárias de serem desenvolvidas de forma estruturada e fechada.

Brincar é a preparação para a aprendizagem

Vários estudos já nos mostraram que o brincar e as várias fases do brincar são na realidade a preparação para aprendizagens mais permanentes e necessárias em outros períodos de vida, pelo que tirar mérito ao brincar é no fundo desvalorizar a infância e a sua importância.

Como dissemos, realmente existe um grande interesse em atividades extracurriculares. Claro que a presença adulta é sempre necessária na vigilância das nossas crianças. Mas tudo isso não tira mérito ao jogo e ao brincar. E acima de tudo, à agência da criança como construtura do seu próprio desenvolvimento.

A família como ninho mas também como rampa de lançamento

Julho 12, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Daniel Sousa publicado no Público de 10 de fevereiro de 2019. Imagem do Público.

Os filhos não são dos pais. Crescem para poder voar. Pode ser-se pai ou mãe toda a vida, mas há funções parentais com tempos determinados.

Muito se tem discutido sobre o declínio do papel da família. Será ainda a estrutura social que sustenta o desenvolvimento pessoal e social de indivíduos e sociedades? Também se tem assistido a uma transformação da família tradicional, que passou a coexistir com enquadramentos familiares outros, por exemplo, as famílias monoparentais, de casais homossexuais ou as famílias reconstruídas. Contudo, a família como estrutura social parece manter ainda alguns traços essenciais, tornando-a fundamental para que, desde tenra idade, possamos crescer, desenvolver, construir uma identidade.

A família, não obstante as suas variantes, é um espaço fundamental para o crescimento dos indivíduos. É o ninho. Dá protecção, acolhimento e, sobretudo, um ambiente afectivo propício e essencial ao desenvolvimento humano. É difícil crescer saudavelmente sem amor. O ninho constitui a base, o chão seguro, a confiança, a segurança. Mas é também entre muros que aprendemos a aceitar os limites, que vamos estabelecendo os valores e a moral, onde construímos a nossa ética. É também através dos mais próximos — pais, cuidadores — que vamos estabelecendo duas das funções mais importantes: aprender a ver o mundo e desenvolver um olhar sobre nós mesmos.

É através do olhar do outro mais próximo que começo a desvelar o modo de estar no mundo, e não menos importante, a ver-me, a desenvolver um sentimento de mim mesmo. O mesmo é dizer, construir-me como pessoa. Nas primeiras fases, no essencial existe uma relação mais hierárquica entre pais e filhos, com os primeiros a exercem um papel de maior referência, estabelecendo regras e valores, sem estes deixarem de ser aconchegados pelo afecto. Na adolescência, as articulações mudam, com dinâmicas muito desafiantes, tanto para jovens como para educadores. A entrada na vida adulta tece outros obstáculos. Em todas as fases, sabe-se que é necessário realizar ajustamentos. De parte a parte. Expresso em cliché: é um processo. Ajustes comportamentais, emocionais, das funções e papéis de cada membro da família.

Repleto de questões e incógnitas, o caminho do desenvolvimento pessoal poderá ser percorrido mais tranquilamente pelos pais, se for aceite que a perfeição parental é uma idealização. Os jovens, por sua vez, adiam a entrada definitiva no mundo do adulto. Apesar dos rituais de preparação, é por vezes uma porta difícil de trespassar, sobretudo, aceitando todas as suas consequências. Medos, receios, angústias, expectativas claras e outras mais implícitas adiam a passagem para uma outra fase da vida. Este momento tem naturalmente de ser preparado. Serão fundamentais as aprendizagens realizadas em estádios anteriores, para o jovem adulto se sentir confiante a avançar por novos caminhos.

Este momento de vida crucial é muitas vezes posto em causa pelos próprios pais. Na entrada da “adultice” dos seus filhos, os pais não são capazes de aceitar, compreender ou lidar com este novo momento. Os pais não realizam os ajustamentos necessários à fase de vida dos seus filhos e acabam por os acorrentar emocionalmente. Querem manter um registo de ninho quando este já se transformou ou deveria verdadeiramente ser uma rampa de lançamento.

Os filhos não são dos pais. Crescem para poder voar. Pode ser-se pai ou mãe toda a vida, mas há funções parentais com tempos determinados. Portugal está repleto de jovens adultos, ou homens e mulheres nas faixas etárias dos 30 ou 40, com vida estabelecida a nível familiar, profissional, social, que vivem numa prisão emocional. Estes filhos adultos não se sentem verdadeiramente livres. Não sentem legitimidade na sua liberdade psicológica. Sentem-se em falta. Por não serem tão presentes, por não estarem e agirem, como lhes fazem sentir que deveriam ser, estar e fazer. Uma dependência emocional dos pais, não dos filhos. Por razões várias, que passam por questões culturais ou aspectos de personalidade, pais ou elementos de uma família original promovem e mantêm uma dinâmica relacional que fomenta a culpa e a tristeza dos filhos adultos.

Limites não respeitados, exigências que alimentam o sentimento de estar em falta, ingerência nos assuntos de uma nova família constituída por um filho ou filha, expressões de sofrimento dos pais como se este fosse causado pelos filhos ou mesmo um silêncio ensurdecedor são exemplos que se constituem como correntes de ferro e que impedem uma verdadeira autonomia. O cordão umbilical psicológico não foi ainda cortado. Por parte dos pais. Mesmo em períodos muito adiantados do desenvolvimento pessoal dos seus filhos. E pode mesmo não existir a vontade de alguma vez o cortar. Se assim for, será então mais um desafio, ainda que por vezes sentido como enorme, para os filhos adultos ultrapassarem. Mais um obstáculo a transpor. Não depende no essencial de distâncias físicas, mas de capacidades emocionais que legitimem essa liberdade individual. E não depende de juízos de valor sobre os pais. Estes estão a lidar com a vida, com os momentos desta, consigo próprios, como conseguem.

Mais importante do que juízos é a capacidade de compreensão, um trabalho interior que diminui culpabilidades, um crescimento que assume as consequências de ser adulto e de estabelecer o seu espaço pessoal. Talvez caiba assim a estes adultos exercer a capacidade de mudança psicológica, que lhes permita viver em plenitude a sua autonomia, individualidade, identidade.

Docente e director da Clínica de Psicologia do ISPA

12% dos jovens portugueses não estudam nem trabalham

Julho 11, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Eco Sapo de 27 de junho de 2019.

Portugal é o nono país da União Europeia com menos jovens “nem nem”. Há mais mulheres do que homens nesta situação, em Portugal.

Um em cada seis jovens da União Europeia (UE) não estudava nem trabalhava no ano passado, o correspondente a cerca de 15 milhões de pessoas, mas Portugal ficou abaixo desta média, sendo o nono país com menos “nem nem”.

Segundo dados divulgados esta quinta-feira pelo gabinete de estatísticas da UE, o Eurostat, cerca de 16,5% dos jovens europeus entre os 20 e os 34 anos não estudava, trabalhava ou estava em estágio no ano passado. Em Portugal, esta percentagem foi mais baixa, com os “nem nem” a representarem 11,9% dos jovens portugueses em 2018.

Portugal ocupou, por isso, o nono lugar dos países com menos jovens nessa situação. Havia, ainda assim, mais mulheres portuguesas (12,8%) do que homens (10,9%) nessa condição.

Ao nível da UE, as percentagens mais baixas foram registadas na Suécia (8%), Holanda (8,4%), Luxemburgo (9,9%) e Malta (10,1%). Em sentido inverso, no ano passado, havia mais jovens “nem nem” em Itália (28,9%), Grécia (26,8%), Bulgária (20,9%) e na Roménia.

mais informações na notícia do Eurostat:

1 in 6 young people not in employment or education

IAC pede que se aprove estatuto de vítima para crianças expostas a violência doméstica

Julho 11, 2019 às 4:40 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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DR

Notícia da Rádio Renascença de 10 de julho de 2019.

Hugo Monteiro , Cristina Nascimento

Proposta do Bloco foi chumbada na terça-feira com os votos contra do PS, PCP e CDS. Apenas o PSD votou ao lado do BE.

O Instituto de Apoio à Criança (IAC) apelou esta quarta-feira ao Parlamento para que reconsidere o sentido de voto e acabe por aprovar o Estatuto de Vítima para menores que presenciem crimes como os de violência doméstica.

A proposta do Bloco de Esquerda foi rejeitada ontem, na especialidade, com os votos contra do PS, PCP e CDS. Apenas o PSD votou favoravelmente ao lado dos bloquistas.

Em declarações à Renascença, a presidente do IAC, Dulce Rocha, diz ter ficado surpreendida com a decisão parlamentar.

“Fui ouvida no grupo de trabalho da Primeira Comissão e fiquei convencida que era um assunto consensual”, diz, acrescentando que “como há a informação que este assunto ainda vai a plenário talvez fosse produtivo fazer um último apelo”.

“Achamos que é aconselhável que esse estatuto seja reconhecido.

Nesta entrevista, Dulce Rocha garante que não há dúvidas sobre os danos “não apenas psíquicos e emocionais, mas chegam a ter repercussões físicas graves”.

“Cada vez se sabe mais que o stress prolongado é um stress tóxico. As crianças ficam mais vulneráveis relativamente à infeções, a doenças principalmente do foro bacteriológico”, assegura.

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