Gestão democrática: como escutar as crianças na escola?

Junho 17, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do site Educação Integral de 18 de maio de 2018.

gestão democrática da escola pressupõe escutar as crianças, sobretudo as mais novas. Compreendê-las como sujeitos de direito, capazes de influenciar a vida coletiva significativamente, é o primeiro passo para criar um contexto participativo.

Leia + Qual a importância dos processos de escuta nas escolas?

“A criança não é um vir a ser. Ela já é”, diz Franciele Busico Lima, professora de pedagogia no Instituto Singularidades e da rede municipal de São Paulo, sobre a mudança de perspectiva em relação à infância que ocorreu nas últimas décadas, passando a compreendê-la como uma fase em si, e não um passo para tornar-se algo.

Manuel Jacinto Sarmento, professor no Instituto de Estudos da Criança, da Universidade do Minho, em Portugal, e uma das maiores autoridades no assunto, lembra que esse entendimento da infância surgiu no século XX e foi consagrado por em meio da Convenção Internacional Sobre os Direitos da Criança, de 1989.

“Este documento marcou os direitos específicos das crianças, para além dos Direitos Humanos, uma vez que a infância tem uma vulnerabilidade estrutural, dado que carecem dos adultos para se alimentar, poderem se desenvolver e se integrarem socialmente”, afirma Manuel, ressaltando que a Convenção reforçou a noção de que as crianças são cidadãs e têm direito à autonomia, identidade e poder de participação.

Se esses processos participativos forem instituídos desde cedo, diz o professor, cria-se uma cultura fundamental para uma sociedade mais democrática.

“Ninguém consegue tocar piano sem dedilhar suas teclas. A mesma coisa é verdade em relação à participação. Nunca teremos uma sociedade democrática sem a inclusão das crianças”, explica Manuel.

Para Franciele, a escola e os adultos também ganham. “O mundo adulto é muito embrutecido. Temos muito a aprender com as crianças, sobre como elas veem o mundo e outros caminhos para resolver os problemas da escola”, diz.

Escuta das crianças: ponto de partida

Praticar a escuta ativa das crianças requer alguns princípios. O primeiro é aceitar que talvez as crianças tomem a decisão “errada” e que não cabe ao adulto vetá-la, mas discuti-la. “A vida é assim para os adultos também, temos que lidar com erros e frustrações. Essa é uma oportunidade de discutir, debater e entender a questão”, diz Franciele.

Além disso, o medo dos adultos de que as crianças tomem uma decisão equivocada não pode impedir o processo de deixar que as crianças tomem decisões reais, que vão muito além de escolher, por exemplo, qual suco querem tomar no recreio.

Lugar do adulto

No processo de escuta para uma gestão democrática, os adultos também precisam entender o seu lugar físico e simbólico. É comum na relação com as crianças, por exemplo, que se pergunte da seguinte forma: “o que você quer beber? É água?”, ao invés de permitir que elas nomeiem e decidam o que querem.

É aconselhado que as crianças se expressem diretamente, isto é, sem que um adulto fale por elas. Durante as conversas faz-se necessário, ainda, deslocar-se para a altura delas, agachando ou sentando ao lado, com a finalidade de criar um diálogo mais horizontal.

Por fim, é preciso compreender que uma gestão democrática não se sustenta realizando processos de escuta das crianças de maneira pontual e isolada, e sem que ela reverbere de fato nas decisões da escola.

“Participar é ter o poder de influenciar a vida em comum, um poder que não é total e exclusivo, mas partilhado. Trata-se de um processo contínuo e permanente”, explica Manuel.

Estratégias para escutar as crianças

Assembleias

No ano passado, as crianças da Escola Municipal de Educação Infantil Dona Leopoldina, em São Paulo, decidiram que queriam uma casa na árvore. Fizeram diversos desenhos e planejamentos, e construíram a tão sonhada obra. Isso foi possível graças ao Conselho de Criança.

Uma vez por mês, crianças de 4 e 5 anos, gestão, professores e funcionários se reúnem para debater desejos, atividades e problemas na escola. Em uma das assembleias, realizadas no refeitório da escola, foi levantado o problema de que vizinhos passeavam com os cachorros nos jardins da escola e não recolhiam as fezes do animal. Juntos debateram o assunto: por que isso acontece? Todo mundo acha ruim? O que pode ser feito? Quem é responsável?

Nas duas semanas seguintes, discutiram o tema em sala de aula, com os colegas e professores. As crianças apresentaram suas ideias para solucionar o problema e os professores tentaram avaliar junto com elas a viabilidade de sua concretização.

Esse debate ocorre preferencialmente em um segundo momento, e não durante a assembleia, porque é mais fácil realizá-lo com grupos menores, cada um com um professor. Assim, todos têm a chance de serem ouvidos.

Após os debates, os alunos registram suas reivindicações e conclusões sobre o tema em qualquer formato que desejem: música, desenho, escrita, colagem. Depois, elegem dois representantes de cada sala, sempre uma menina e um menino, que se voluntariam e se revezam todos os meses com os demais colegas, para apresentar à gestão as ideias e reivindicações das turmas, em uma segunda reunião.

Nesta última, ficou decidido que seriam enviadas cartinhas aos vizinhos, pedindo que recolhessem o cocô dos cachorros, também colocaram placas indicando que era proibido não recolher as fezes, e deixaram sacolas disponíveis para quem esquecesse a sua própria.

Grupos de trabalho

Outra maneira de estimular a participação das crianças, sobretudo das que estão no final do Fundamental I ou já no Fundamental II, é realizar grupos de trabalho acerca da questão. O intuito é investigar e pesquisar o assunto, formular hipóteses e comparar teses, debatendo com os colegas e professores, para se ter uma noção mais ampla do problema.

Por exemplo, se as crianças quiserem novos brinquedos para o parquinho da escola e eles custam caro e a escola não tem dinheiro, pode-se pesquisar com os alunos a forma de financiamento das escolas, a distribuição do dinheiro para cada área, alternativas à compra do brinquedo, e até realizar um planejamento financeiro para viabilizar a compra em determinado período de tempo.

Desenhos

Os desenhos podem ser um recurso alternativo à fala para que as crianças expressem seus desejos, sonhos e desconfortos. Em sala de aula, com crianças a partir de 4 anos, principalmente, desenhar pode ser uma ferramenta para entender o que elas querem.

O professor pede, por exemplo, que elas desenhem como gostariam que fosse a brinquedoteca da escola. Ou pede para ilustrarem o que menos gostam na escola. E enquanto elas desenham, os professores podem perguntar o que significa cada elemento, o que estão querendo expressar, como se sentem sobre aquilo.

Enquanto isso, o professor vai fazendo um registro por escrito das impressões, que podem ser levadas à gestão posteriormente, ou pelos professores ou pelas próprias crianças.

Vias de comunicação

Para além de momentos estabelecidos para discutir questões acerca da escola, é interessante que as crianças possam acessar a gestão a qualquer momento. O simples gesto de deixar a porta da diretoria aberta pode ser um convite a entrar.

Como nem sempre um diretor ou coordenador poderá atender as crianças, uma alternativa é criar um canal nas redes sociais que elas possam acessar e mandar mensagens. Para os mais novos, pode-se deixar uma caixa de sugestões em algum lugar de fácil acesso da escola, onde as crianças possam depositar seus pedidos e incômodos.

Mas para que as crianças saibam que esse mecanismo funciona, e são verdadeiramente escutadas, os especialistas recomendam que haja sempre um retorno da gestão, e que preferencialmente não se demore mais do que um mês para realizá-lo.

Fotografias

Para Franciele, que acompanhou crianças pequenas, de 4 anos, durante uma visita à Bienal de Artes, uma ferramenta interessante para entender o ponto de vista das crianças é a câmera fotográfica.

Ela pediu para os pequenos fotografarem o que estavam vendo, o que mais gostaram na exposição de arte, entre outros pontos. Depois, projetaram as imagens para toda a turma e foram conversando sobre as impressões que tiveram, e o que acharam de cada foto e de cada obra.

“As fotos que as crianças tiraram na Bienal não tinham nada a ver com as fotos que os adultos fizeram. É outro ponto de visão, outra realidade, vivem em outros espaços, outros objetos, e veem coisas que a gente jamais veria”, contou.

Rodas de conversa

Manuel traz de Portugal outra experiência bastante difundida pela Educação Infantil do país. Lá, ao final do dia, as crianças sentam em roda e o professor puxa o assunto, pedindo que contem como foi o dia deles, o que aconteceu. Naturalmente, vão surgindo sugestões, problemas e opiniões sobre a escola e as atividades que realizaram.

“O processo de participação não está restrito a uma faixa etária, deve ser feito também para crianças menores por meio de suas formas próprias de comunicação, pois elas, como todas as outras, têm capacidade de emitir sua opinião e elas devem ser levadas em conta”, assegura Manuel.

 

Uma gestão democrática pressupõe a participação efetiva dos vários segmentos da comunidade escolar – familiares, professores, estudantes e funcionários – em todos os aspectos da organização da escola

Conferência “Efeitos do neoliberalismo e da economia do conhecimento na educação musical de crianças e jovens” 18 maio no Anfiteatro do IE da Universidade do Minho

Maio 17, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No âmbito do Programa de Doutoramento em Estudos da Criança irá realizar-se na sexta-feira, dia 18 de Maio às 17h, no Anfiteatro do IE da UMinho, a Conferência “Efeitos do neoliberalismo e da economia do conhecimento na educação musical de crianças e jovens”, proferida pelo Prof. José Luís Aróstegui da Universidade de Granada. Entrada livre. Será entregue um certificado de presença no final da conferência.

Resumo da palestra:

Nesta palestra será feita uma reflexão sobre a influência do neoliberalismo e da economia do conhecimento na educação em geral e na educação musical em particular, a fim de estudar o lugar que a música ocupa, e que poderia ocupar, num currículo escolar entendido como “motor da economia do conhecimento” actualmente vigente na maioria dos países.
Para tal é feita uma revisão de literatura, a partir da qual se estudam diferentes teorias económicas, em particular a teoria do neoliberalismo, e também o que se entende por “economia do conhecimento”, bem como as consequências que ambas as teorias têm para a educação e para a educação musical escolar. Por fim, apresentam-se as conclusões sobre o neoliberalismo e a economia do conhecimento como duas realidades bem distintas, e que enquanto a influência da primeira explica o actual declive da disciplina na escola, a segunda oferece um campo de actuação relevante para a música escolar e, na realidade, para todas as artes e Humanidades, ao mesmo tempo que se apresentam alguns sinais a nível internacional que parecem assinalar uma melhoria da música escolar dentro de um currículo dirigido para uma economia do conhecimento.

mais informações no link:

https://www.ie.uminho.pt/pt/_layouts/15/UMinho.PortaisUOEI.UI/Pages/EventsDetail.aspx?id=52942

 

Mestrado em Estudos da Criança – Instituto de Educação (IE) da Universidade do Minho

Junho 17, 2017 às 8:16 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.ie.uminho.pt/pt/Ensino/mestrados/Paginas/Mestrados-em-Estudos-da-Crianca.aspx

Programa – Viver a Adolescência em Família – Escola Secundária de Vila Verde

Janeiro 20, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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programa

mais informações:

http://www.esvv.net/site/index.php/as-noticias/85-divulgacao/482-viver-a-adolescencia-em-familia

Seminário Internacional “Criança e Direitos: Contextos e Diálogos Norte e Sul” 18 novembro no Instituto de Educação da Universidade do Minho

Outubro 22, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.ie.uminho.pt/pt/_layouts/15/UMinho.PortaisUOEI.UI/Pages/EventsDetail.aspx?id=49329

I Seminário Internacional “Sala de Leituras do Futuro” 2 de julho em Barcelos

Junho 27, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://salaleiturasfuturo.wix.com/2016

Simpósio sobre a obra de Alice Vieira – 25 de Maio no Instituto de Educação da Universidade do Minho

Maio 22, 2016 às 5:37 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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auditório pequeno do Instituto de Educação, entrada livre.

mais informações:

https://ciecum.wordpress.com/2016/05/16/simposio-sobre-a-obra-de-alice-vieira/

 

XVII Diálogos sobre Educação “Educação, Migrações e Refugiados” – 20 de abril Instituto de Educação da Universidade do Minho

Abril 16, 2016 às 9:27 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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XVII Diálogos sobre Educação Educação, Migrações e Refugiados

20 de abril de 2016 Sala de Atos do Instituto de Educação

09:45 Sessão de Abertura José Augusto Pacheco (Presidente do IE) Almerindo Janela Afonso (Diretor do Departamento de Ciências Sociais da Educação)

Sessão da Manhã 10.00 Conferência Cosmopolitismo, Cidadania, e Resgate da Infância em Tempos de Guerra Manuel Jacinto Sarmento (Departamento de Ciências Sociais da Educação)

Moderador: Almerindo Afonso

11:00 Painel: A Educação como Estratégia de Apoio e Abertura de Horizontes de Esperança Intervenções: “Articulação entre a Escola e o Guimarães Acolhe, o Plano de Ação do Município de Guimarães para o Acolhimento de Refugiados: análise dum desafio em fase inicial” .

Dra. Paula Oliveira (Vereadora da Ação Social da Câmara Municipal de Guimarães)

O Movimento de Apoio aos Refugiados na UM (MAR) Ana Cunha (Departamento de Biologia da Universidade do Minho, coordenação do MAR)

Moderadora: Maria José Casa Nova (Coordenadora do Núcleo de Educação para os Direitos Humanos do IE – NEDH-IEUM)

12: 30 Encerramento

https://www.ie.uminho.pt/pt

Colóquio “Literatura Infantil, Práticas e Imaginário – Figuras do Imaginário”

Março 27, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O Colóquio “Literatura Infantil, Práticas e Imaginário – Figuras do Imaginário”  realiza-se no Auditório do Instituto de Educação (Universidade do Minho) a 16 de Maio 2016, 2ª feira.

ENTRADA LIVRE

A participação no Colóquio confere direito a um certificado de participação.

Organização: Centro de Investigação em Estudos da Criança (Instituto de Educação, Universidade do Minho)
Colaboração: Departamento de Teoria da Educação e Educação Artística e Física
(Instituto de Educação, Universidade do Minho)

 

Saiba mais AQUI.

Crianças e jovens dormem cada vez menos

Fevereiro 12, 2016 às 9:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.nos.uminho.pt de 26 de janeiro de 2016.

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Catarina Dias

Estudo do CIEC conclui que 72% dos menores dormem de 7 a 9 horas diárias durante a semana, “o que é pouco”, diz Olinda Oliveira. Foram inquiridos 502 alunos, com idades entre os 9 e 17 anos.

Um estudo da Universidade do Minho revela que 72% dos menores dormem de 7 a 9 horas diárias durante a semana, “o que nem sempre é suficiente” para assegurar o seu bem-estar físico e psicológico. Associados a noites “mal dormidas” estão sintomas como mudança de humor, desmotivação, ansiedade, falta de concentração ou ainda, em casos extremos, problemas de comportamento, obesidade e menor resistência a doenças, diz Olinda Oliveira, autora deste trabalho. A presença de aparelhos multimédia no quarto parece ser um dos fatores que mais retarda a hora de deitar.

A investigação incluiu uma amostra de meio milhar de alunos, com idades compreendidas entre os 9 e 17 anos. Pretendeu averiguar a quantidade e a qualidade de sono dos alunos em função do meio de residência, sexo e ano de escolaridade, identificar fatores externos com impacto na redução progressiva das horas de repouso, bem como avaliar de que forma a qualidade do sono interfere na saúde física e emocional, nos comportamentos e na aprendizagem dos envolvidos.

Os resultados comprovam o que se passa na generalidade dos países do Ocidente: a tendência em dormir menos de 9 horas por noite aumenta à medida que se avança nos anos de escolaridade. “Esta mudança nos hábitos e padrões do sono pode ter efeitos negativos nos processos de desenvolvimento, no progresso psicossocial e na performance académica dos jovens”, realça a investigadora, que teve a orientação de Zélia Anastácio, do Instituto de Educação. A culpa é também dos aparelhos eletrónicos A tese de mestrado mostra ainda que mais de metade dos estudantes admite sentir, “às vezes”, distração. E há outros sintomas que, mesmo não sendo manifestados pela maioria dos 502 inquiridos, surgem com alguma frequência, tais como mudanças de humor (198), ansiedade (195), bocejo constante (185), agitação (166), desmotivação (160), olheiras (141), irritabilidade (129), pequenos acidentes (118), muita tristeza (114) e fadiga muscular (100). Da amostra integral, 12% confessou ter adormecido pelo menos uma vez nas aulas.

Entre os fatores externos que mais retardam a hora de deitar está a existência de aparelhos multimédia no quarto. Mais de sete em cada dez inquiridos afirmaram ter televisão no quarto, seguindo-se do computador, aparelho de música e internet (55,8%). “A necessidade cada vez maior de privacidade por parte das crianças e dos adolescentes leva os pais a colocarem uma panóplia de aparelhos nos quartos dos filhos, propiciando hábitos de sono pouco saudáveis”, justifica Olinda Oliveira. A Fundação Nacional do Sono dos EUA vai ainda mais longe ao afirmar que os alunos com quatro ou mais itens eletrónicos nos quartos têm quase o dobro da probabilidade de adormecer na escola e/ou enquanto fazem os trabalhos de casa.

Meio rural favorece qualidade do sono

O local de residência parece igualmente influenciar a qualidade do sono dos mais jovens. Os que habitam em meios rurais tendem a ter períodos de sono mais tranquilos e deitam-se mais cedo durante a semana (21h00-22h00) e ao fim de semana (23h00-24h00). “As profissões praticadas pelos pais do meio urbano nem sempre implicam horários fixos de trabalho, o que atrasa a hora do jantar e, consequentemente, de deitar, afetando negativamente toda a unidade familiar”, esclarece.

Foram ainda identificadas diferenças significativas nos hábitos de sono, segundo o sexo dos inquiridos (249 do sexo feminino e 253 do sexo masculino). Durante a semana, as raparigas acordam mais cedo do que os rapazes, invertendo-se a tendência ao fim de semana. Estas discrepâncias vêm confirmar o que já é defendido noutros estudos internacionais: “Por norma, as mulheres têm ao longo da vida maior incidência de problemas de sono, como insónias e pesadelos”, sublinha a investigadora Olinda Oliveira. O seu trabalho foi também alvo de publicação pela Elsevier e pela Asociación Nacional de Psicología y Educación.

 

 

 

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