Carlos Neto. “Não se pode aprisionar as crianças em férias. É preciso libertá-las para que possam viver tudo”

Julho 3, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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© Bruno Gonçalves

Entrevista do i a Carlos Neto no dia 23 de junho de 2018.

Marta F. Reis

Começaram as férias grandes para quem não tem exames. Para o especialista em desenvolvimento infantil, são uma oportunidade para fazer reset a uma cultura de superproteção. E para os pais abrandarem

“Não podemos aprisionar as crianças e os adolescentes em casa em tempo de férias”. O conselho é de Carlos Neto, professor na Faculdade de Motricidade Humana que há mais de 30 anos se dedica à área da educação física e motora e ao papel do jogo no desenvolvimento das crianças. Com mais um período de férias grandes à porta, o investigador acredita que tentar cultivar um pouco mais de autonomia e liberdade na relação com os mais novos será benéfico para eles mas também para os pais. O objetivo é que as férias sejam um momento de prazer e descoberta e não uma “batalha campal”, a realidade de muitas famílias, lamenta. As dicas são práticas: mais contacto com a natureza e deixá-los experimentar e até fazer coisas um pouco mais arriscadas do que o costume, seja trepar às árvores, andar de skate, correr na praia com um papagaio… ou porque não acampar todos juntos este ano? A saúde física e mental de todos agradece.

É há muito tempo uma pessoa preocupada com o espaço que as crianças não têm para brincar ao longo do ano e o impacto que isso tem no seu desenvolvimento motor e psicológico. Este tempo das férias grandes pode ser usado pelos pais para as estimular?

De facto os pais deveriam encontrar soluções para reinventar o tempo de férias para os filhos. Não pode continuar a acontecer as férias serem um tormento quer para os filhos quer para os pais, que é o que muitas vezes acontece. Muitas vezes os pais até têm quase medo que chegue este tempo – durante o ano as crianças passam muito tempo nas escolas, os pais no trabalho e passam muito pouco tempo juntos e depois, quando chegam as férias, é um verdadeiro drama. Há soluções como pôr as crianças em colónias de férias que de certa forma os liberta de estarem com os filhos, mas fazer só isso por sistema não é bom.

E nem todas as famílias têm posses para isso.

Claro que isto dependerá sempre do nível sociocultural e há muitos tipos de famílias e de crianças, por isso as oportunidades serão sempre diferentes. O ponto de partida é que as crianças que agora terminam o ano escolar têm a expectativa que o tempo de férias seja agradável, prazeroso e que seja diferente do ano escolar. Sobretudo que consigam finalmente ter um tempo sem regras muito rígidas e usufruir da possibilidade de fazer coisas novas.

Tem a perceção de que hoje os miúdos chegam ao fim do ano letivo mais sedentos de férias?

Não tenho dúvidas disso. Há 30 ou 40 anos, e falo até da minha geração, temos boas memórias das férias mas o período escolar não tinha nada a ver: havia liberdade, andávamos na rua. Isto hoje não acontece, o que faz com que as crianças tenham uma expectativa maior de que o período de férias seja diferente, desafiante, misterioso. Mas também que traga um contacto mais afetivo e emocional com os pais, que haja uma vinculação afetiva emocional maior. E por isso era bom que os pais pudessem partir para férias com essa consciência e tentar corresponder a essas expectativas.

Pais cada vez mais absorvidos pelo trabalho.

Esse é o grande problema, a falta de harmonização entre o tempo passado no trabalho e em família. As férias devem ser uma oportunidade para tentar dar um pouco mais de qualidade a esta relação.

Mas há um desfasamento prático: as férias escolares duram dois meses e meio e o período normal de férias por ano de um trabalhador são 22 dias úteis.

Claro, pressupõe uma organização diferente das famílias e certamente que haverá muitas coisas em jogo até de natureza política mas, antes de irmos aí, penso que importa perceber também que é preciso respeitar a necessidade que as crianças têm de ter um tempo de intervalo da rotina para brincarem mais livremente. Diria que deve haver quatro ou cinco preocupações dos pais em tempo de férias: proporcionar situações de liberdade que sejam uma alternativa ao tempo organizado. O segundo conselho que daria aos pais é tentarem proporcionar tempos mais ativos, de relação com a natureza, e por outro lado que não seja algo muito previsível e estruturado. Os pais tentarem levar as crianças a sítios novos, conhecer o interior do país. Por exemplo acampar: o contacto com a natureza é essencial.

O campismo no passado era um clássico do verão de muitas famílias.

Sim, se calhar hoje nem tanto mas é uma forma de as crianças estarem fora do seu contexto habitual e da identidade do espaço onde vivem e basta isso para se libertarem. Também diria que há necessidade de haver atividades desafiantes e isto tanto pode ser ir a um parque aquático, uma ida à serra. Ser mais desafiante significa permitir às crianças correrem mais riscos.

Fala-se por vezes dos “pais-helicóptero”, que tentam controlar e gerir todas as experiências para que as crianças não tenham de enfrentar obstáculos. Um estudo publicado há dias concluía que este estilo de parentalidade acabava por ter um impacto negativo no rendimento escolar e nas relações sociais. É contrariar essa tendência?

Sim e isso de certa forma implica que os pais consigam reconhecer que os filhos podem ter mais autonomia do que aquela que eles pensam que têm.

Os pais tendem a menosprezar as capacidades dos filhos?

Penso que tendem a ter uma perceção diferente e o desafio está em perceber como é que as férias podem ajudar a desconstruir os medos que os pais têm em relação aos filhos. Estou a falar sobretudo nas idades mais baixas, dos 3 aos 5 e dos 5 aos oito.

Que medos são mais comuns?

Coisas tão simples como deixá-los nadar, subir às árvores, trepar.

Há pais com medo que os filhos subam às árvores?

É uma força de expressão mas é um bom exemplo daquilo que é necessário para as crianças melhorarem a sua literacia motora e as férias devem ser uma oportunidade para que isso aconteça, promovendo jogos e brincadeiras ativas. Isto pode acontecer dentro de casa mas devem poder ter uma atividade física mais intensa e ao ar livre e com a participação dos próprios pais, porque isso é importante. Neste sentido, os filhos deviam ajudar os pais a libertarem-se do peso que foi o ano de trabalho. A sociedade portuguesa anda a viver muito à pressa, há uma excitação no quotidiano que está a criar gravíssimos problemas de saúde mental e física nos adultos e nas crianças.

A neurologista Teresa Paiva, especialista em problemas de sono, já tem alertado, por exemplo, para a tendência de ter debates e programas televisivos muito acesos noite dentro, como se o dia não acabasse. É um sintoma dessa excitação?

Sim, é um bombardeamento completo e, no geral, temos uma organização do tempo cada vez mais stressante. E, portanto, o tempo de férias é uma oportunidade para proporcionar novas atividades aos mais novos mas também deve ser uma oportunidade para as pessoas aprenderem a viver mais devagar, a aproveitar o silêncio do corpo, fazerem mais reflexão e contemplação do que é a família. Este conceito de aprender a viver mais devagar é dar mais tempo para a interiorização de cada um e de consciência do que é a vinculação afetiva entre filhos e pais.

É investigador no campo do desenvolvimento infantil, sobretudo motor. Recentemente os resultados nacionais das provas de aferição revelaram que as crianças de sete anos têm dificuldades em saltar à corda e dar cambalhotas. Quão preocupantes são estes indicadores?

São preocupantes mas não podemos dramatizar. Quer o saltar à corda quer a cambalhota [provas em que muitos alunos falharam] são duas habilidades motoras complexas que só atingem o seu nível maduro por volta dos oito/nove anos. Creio que não devemos ter uma visão sensacionalista sobre os resultados porque uma criança de sete anos não terá ainda as condições para ter um êxito absoluto nestas atividades, sobretudo quando se pede algo muito estandardizado como acontece nessas provas. Disto isto, os indicadores de fundo dados pelas provas de aferição é que podem ser considerados mais preocupantes: temos um sedentarismo implantado nas nossas crianças, principalmente nas primeiras idades. Digo-o há mais de 20 anos: temos tido um progressivo declínio do jogo e da atividade física.

Em Portugal em particular?

É um problema dos países mais desenvolvidos. E, ao mesmo tempo, o que vimos nas últimas décadas foi um aumento das desordens do foro mental: ansiedade, depressão, hiperatividade, défice de atenção e até da taxa de suicídio na passagem da adolescência para a idade adulta. Estas transições de ciclo de vida são sempre difíceis, mas a cultura do tudo dado e tudo pronto na hora para as crianças não favorece a sua capacidade de adaptação motora, cognitiva, social e emocional.

Acaba por ser um ciclo vicioso.

Sim. Temos uma superproteção patológica que não cria condições para que as crianças possam ter uma capacidade criativa e de adaptação, que leva os pais a protegerem-nas mais. E isso é o grande problema da sociedade atual em relação às culturas de infância. Só há uma solução: no período escolar e sobretudo nos períodos de férias, proporcionarem-lhes atividades para que essas competências motoras, sociais e emocionais possam ser valorizadas. É dar mais tempo de informalidade e imprevisibilidade e deixar que as crianças possam encontrar o seu caminho. Deixe-me usar este termo: é deixar as crianças fazerem coisas ‘malucas’, deixar os miúdos ter o skate, os patins, a bola, o papagaio, e deixá-los enriquecer o seu vocabulário motor e social à vontade.

Em Portugal há uma percentagem elevada de criança em risco de pobreza e exclusão social, mais de um quarto. Estão particularmente vulneráveis?

Sim, mas às vezes as crianças que vivem em meios empobrecidos têm mais oportunidades de brincar de forma livre do que as que vivem em meios socioeconómicas mais elevados mas estão sujeitos a uma superproteção inaceitável. E aos medos dos pais. Temos de desconstruir os medos dos pais, é algo absolutamente urgente na sociedade portuguesa, as famílias andam cheias de medos e isso leva a que as crianças não tenham autonomia, mobilidade e, por fim, participação.

Como é que os pais devem gerir as tecnologias nesta altura do ano? Mais liberdade também pode significar mais tempo para usar tablets e afins…

Penso que deve haver um decréscimo durante o tempo de férias de tudo o que sejam equipamentos digitais, telemóveis, tablets, televisão. Não diria impor: se dizemos que é um tempo de liberdade, não podemos impor, mas podemos negociar. Vamos negociar com os filhos reduzir o tempo dedicado a estes aparelhos, passar de ter o tempo todo ativo na ponta dos dedos para o tempo ativo nos pés.

Mas há algum limite adequado?

Diria que até aos cinco, seis anos não devem usar mas a partir dos sete já todos os miúdos têm telemóvel. A questão dos limites tem sobretudo a ver com o exemplo dos pais.

Se passarem os tempos livres agarrados aos telemóveis, os miúdos vão copiar.

Sim. É toda a gente perceber que as férias saudáveis incluem menos tempo só agarrado aos equipamentos digitais. Não quer dizer que não se usem: um GPS pode ajudar a criar um desafio na natureza.

Há professores que partilham que, por vezes, há pais que não querem que a escola feche num feriado ou numa ponte, insistem em ter onde deixar as crianças mesmo que até estejam de folga.

Sim, querem ter os filhos ocupados.

Imagina que, continuando assim, vamos chegar a uma altura em que se tornará incontornável reduzir a duração das férias grandes?

Penso que tudo vai depender da evolução da lei laboral. Hoje existe uma assimetria muito grande entre os países do norte da Europa e os do sul em relação à organização do tempo de trabalho e já seria tempo de Portugal alinhar pelas políticas públicas que dão valor à qualidade de tempo familiar, sobretudo às famílias que têm filhos. Não iria por mais tempo de férias, o que é preciso mudar é o tempo que os pais têm disponível para os filhos e isso passa sobretudo por uma flexibilização dos horários de trabalho, poder sair-se às 16h, 16h30. Nos países do norte da Europa os pais saem do trabalho para ir buscar os miúdos à escola com toda a naturalidade. Aqui agora até se está a pensar na escola a tempo inteiro para o 2.º ciclo, o que para mim é um escândalo. Ter crianças dos 10 aos 12 anos na escola todo o dia não faz sentido.

O que diz é que mesmo estando a trabalhar, se os pais saíssem mais cedo podiam dar outro acompanhamento aos filhos no período de férias.

Sim, mesmo que pudesse haver mais ou menos dias de férias, seriam um fardo menor. Tenho a sensação de que hoje em dia as crianças chegam ao fim de férias com uma certa frustração: não fizeram o que estava nas suas expectativas. E era bom que quando chegassem ao novo período escolar em setembro pudessem ir com a sensação de que viveram um período de férias de forma tão intensa que então vale a pena voltar à escola para aprender. Isso não acontece na maior parte dos casos. As férias devem ser uma oportunidade para os pais conhecerem melhor os seus filhos, aprender a controlar o medo, incentivando as brincadeiras mais arriscadas fora de casa, percursos de autonomia fora de casa, não têm de os acompanhar sempre, mas estar presentes. Não estou a dizer coisas extraordinárias, às vezes é simplesmente passear. Há crianças que nunca saíram de casa à noite com os pais para dar uma volta, descobrir a cidade, a aldeia, a vila. Deve ser um tempo também para os pais gostarem mais de serem pais.

Essas experiências de brincadeira e autonomia vão refletir-se mais tarde no desempenho escolar?

E não só. Hoje não há dúvidas sobre isto: quase todos os indivíduos que tiveram sucesso, foram felizes e empreendedores, tiveram infâncias felizes.

Há aquela ideia de que, por vezes, depois das férias até há mais separações: as pessoas não estão habituadas a tanto tempo juntos.

Não tenho dúvidas: há pais e crianças que vêm das férias completamente exaustos e temos de conseguir inverter isto. Mas isso tem a ver com os pais não estarem habituados por um lado mas também não conseguirem perceber que as férias podem ser tempo de liberdade, de autonomia, de descoberta.

E os primeiros excessos? Nas festas da aldeia, por exemplo, começa-se a beber muito cedo, aos 13, 14 anos

É uma outra realidade, mas hoje muitas dessas diferenças que existiam entre a infância no meio rural e no meio urbano estão esbatidas. Hoje os jovens fazem exatamente a mesma coisa e até há estudos que indicam que as crianças de meios rurais têm maior exposição à televisão do que nos meios urbanos.

Os namoros de verão são outro clássico. É outro campo em que os pais não devem coartar demasiado a liberdade dos jovens?

Deve haver com certeza responsabilidade e regras, mas deve haver oportunidade para isso. Costuma-se dizer que a adolescência é a idade esquecida. Hoje temos políticas para a infância, até para os idosos mas não há nada para os adolescentes, que é uma fase central no desenvolvimento. Os adolescentes precisam de experimentar desafios que não são só físicos mas também de natureza emocional. Ninguém esquece os seus amores de verão e os pais também não os devem esquecer e é natural dar mais liberdade aos adolescentes nas ferias. Deve haver algum controlo mas nada de muito sofrido ou patológico: não se pode aprisionar as crianças e os adolescentes em férias, é preciso libertá-los para que possam viver tudo, inclusive o seu corpo.

Os mais cautelosos argumentarão que o mundo mudou nas últimas décadas, que está mais perigoso.

Sim, mas por vezes há uma perceção errada dessa mudança. Portugal é um dos países mais seguros do mundo. Basta ver o turismo que temos, a forma como o país é amado por quem chega cá. Muitas vezes há uma perceção errónea na cultura portuguesa e nas famílias no geral de que somos um país com problemas de segurança quando, pelo contrario, somos um dos países mais seguros.

Não há mais perversidade?

São os tais medos que se instalaram na cabeça dos pais e, seja como for, as crianças e os jovens têm de saber como reagir às situações.

Que conselhos práticos se pode dar às famílias que agora começam a estruturar as férias? Faz sentido planear as semanas para incluir diferentes atividades, fazer um programa do verão em família?

Acho que pode ser interessante, mas com uma condição: com a participação dos filhos. Deixar que os filhos sugiram as atividades que querem fazer, dar-lhes ouvidos. É uma excelente ideia. Era o que se devia fazer mais nas escolas e não se faz, porque os professores impõem quase tudo. Temos de passar de uma cultura de imposição para uma cultura de participação. Mas, essencialmente, é tentar fazer tudo para inverter os indicadores que mais nos preocupam: cada vez há mais obesidade, mais diabetes. Temos de dedicar mais tempo ao exercício físico, comer melhor, guardar tempo para o descanso.

Guarda boas memórias das suas férias grandes?

Sim, ainda hoje. Acabávamos a escola e havia um período em que os pais ainda estavam a trabalhar, por isso passávamos a maior parte tempo na rua.

Em Lisboa?

Cresci em Leiria, uma cidade maravilhosa, com castelo, rio, tudo o que precisávamos. Mal acabava a escola era uma libertação enorme. Depois vinha a altura de ir para a praia, conhecer novos amigos. Andávamos 15 dias a um mês na praia, com dias muito intensos. Nadávamos, jogávamos à bola. Jogar à bola na praia ou mesmo andar é um desafio fabuloso em termos de educação motora, é um desafio em termos de equilíbrio e adaptação e isto para as crianças pequenas é um estímulo muito bom. Isto além do iodo e do próprio contacto com a água do mar, que é revigorante e ao mesmo tempo uma forma de acalmar. Precisamos urgentemente de estratégias para que os corpos acalmem. Mas as minhas memórias são isto: a liberdade que tínhamos, a autonomia e alegria. A melhor recordação que tenho era não gostar que chegasse a noite porque sabíamos que íamos ter de ir dormir. E ter de ir dormir era improdutivo.

Mas adormecia num instante, não?

[Risos] Verdade, quanto mais cansados melhor é para adormecer. Mas a sensação de que ir dormir é uma chatice, uma perda de tempo, significa que tivemos um dia feliz. E é uma sensação que acho que hoje as crianças não têm. Às vezes veem-se famílias em férias que mais parece uma batalha campal. Torna-se cansativo porque já ninguém está adaptado a ninguém e ao mesmo tempo há cada vez mais uma cultura egocêntrica que faz com que os pais já não tenham o hábito de estar com os filhos a tempo pleno. Costuma-se dizer que cada um de nós tem uma criança dentro de si. Não iria tão longe, mas certamente cada um de nós tem memórias da sua infância. Era preciso retomá-las para descobrir a forma como devemos passar as férias com os filhos.

 

 

 

Ludi’Cidade 2017 – 20, 21 e 22 de Outubro no Porto

Outubro 18, 2017 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/AssociacaoLudotecasPorto/

Jogos da nossa infância

Setembro 26, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://pumpkin.pt/

Jogo do Mata.

O nome é pouco amigável, mas prometemos horas de diversão. Só precisam de uma bola e de fazer duas equipas com o mesmo número de jogadores. Se for preciso, convidem os amiguinhos, os primos ou desafiem mais adultos a participar. Vão adorar voltar à infância e ainda fazem exercício.

Regras.

O objetivo do jogo é “matar” todos os jogadores da equipa adversária (e tentar não morrer!). Só se pode jogar com as mãos.

O jogo não tem duração definida: quando uma equipa eliminar todos os jogadores adversários, podem recomeçar.

Só precisam de uma bola, preferencialmente mais pequena do que as típicas bolas de futebol.

Delimitem o espaço de jogo em quatro áreas: dois meios-campos e duas áreas mais pequenas no fim de cada lado (área do piolho).

Cada equipa ocupa o seu meio-campo, com excepção do jogador que será o piolho e que ocupará essa área na zona do piolho instalada no meio-campo da equipa contrária.

Os jogadores que estão no meio-campo têm que trocar passes com o piolho. Quando atingirem os 10, e se a bola não cair no chão, podem tentar “matar” um adversário.

Um jogador “morre” quando a bola lhe acerta.

O primeiro jogador de cada equipa a “morrer” substitui o piolho inicial. À medida que outros jogadores vão morrendo, ocupam também a área do piolho, mas já não podem regressar ao meio-campo nem agarrar a bola.

Bota Botilde/Limão.

Quem é que não se lembra da Bota Botilde, a famosa mascote do programa de televisão “1, 2, 3”? Este fenómeno de audiências transversal a todas as idades teve tal impacto que nos anos 80 todas as crianças andavam com a bota botilde no pé… mas não era calçada!

A Bota Botilde era um brinquedo que não só promovia a agilidade e a condição física, como potenciava a vontade de ultrapassar desafios e estabelecer recordes. A mecânica é muito simples: uma corda tem na extremidade uma argola (que se coloca no tornozelo) e na outra tem uma, no caso, bota. A criança só tem que fazer rodar o brinquedo, saltando por cima da corda sem pisar a outra extremidade.

Infelizmente a Bota Botilde já não existe, mas pode encontrar no mercado alternativas mais modernas e igualmente divertidas: Skip It e Argola de Pé para saltar.

Acha que consegue dar mais saltos do que eles?

Jogo do Prego.

Regras.

Vão precisar de um prego com entre 15 a 20 cm de diâmetro, e de um espaço com areia solta onde possam jogar. Podem comprar o prego em qualquer loja de ferragens (o nosso custou 20 centimos).

O objectivo é espetar o prego na areia pelo bico, atirando-o como mandam os desafios:

O prego, depois de atirado à areia, tinha que ficar espetado, e contava como válido, desde que tivesse o topo fora da areia – ou seja, desde que o topo não estivesse em contacto com a areia, o que implicava que não estivesse caído, na horizontal. Se o jogador não fosse bem sucedido, e o prego tivesse caído, passava o “jogo” para o seguinte, iniciando uma nova série com as várias posições indicadas.

Para os jogadores mais avançados há o nível à espanhola, em que a série acima é feita pegando no prego ao contrário, pela cabeça, o que implica uma pirueta no ar antes da aterragem do prego.

Berlinde.

Para jogar ao berlinde não existem leis universais. Os jogos variam de país para país, de cidade para cidade, de rua para rua. Conta a criatividade das crianças e a memória dos pais.

No entanto, os mais comuns são talvez o jogo “dos buraquinhos” ou “dos círculos”: podem cavar vários buraquinhos ou desenhar círculos no chão. Os jogadores devem, com um impulso do polegar, acertar no alvo.  Os jogadores seguintes devem tentar acertar no berlinde dos companheiros, e se conseguirem retirá-los do círculo/buraco, podem ficar com eles.  Vence aquele que ficar com mais berlindes no fim.

Jogo do Fio.

Um fio de lã ou um cordel pesca e temos diversão assegurada durante horas. A sequência de movimentos parece infinita e é muito desafiante tentar ter uma nova ideia para passar o fio para as nossas mãos sem destruir as formas anteriores.

Os miúdos rapidamente aprendem e adoram!

Talvez seja difícil entender com as palavras, mas o vídeo dá algumas pistas. Conseguem reproduzir?

Macaquinho do chinês.

Um jogo divertido para fazer em qualquer lugar (até numa piscina!)

Junto e de frente para uma parede está um jogador, de costas voltadas para os outros participantes. Este jogador vai dizer “um, dois, três, macaquinho do chinês”

Enquanto esta frase é dita os jogadores deslocam-se o mais depressa possível para a parede.

Quando o jogador terminar a frase volta-se para os participantes do jogo.

Os jogadores que forem apanhados em movimento regressam ao ponto de partida.

Ganha o primeiro que conseguir tocar na parede ou no jogador da frente sem ser visto.

 

 

Intercâmbios Europeus de Jovens – Oportunidades para este verão, em Lisboa

Junho 8, 2017 às 4:01 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O  Clube Intercultural Europeu – associação socioeducativa de Lisboa – co-organiza este verão, em Lisboa, três intercâmbios de jovens juntando jovens vivendo em França e em Portugal.  

Espaços de aprendizagens, de animação, de atividades diversas, de convívio e partilha intercultural, apoiadas pelo Programa Erasmus + Juventude.

Preço de inscrição para cada intercâmbio: 50 euros incluindo seguro, alojamento, alimentação, transportes locais, atividades. Sendo que no e com o Clube ninguém fica de fora por motivos financeiros, pelo que não hesites em falar connosco.

 Estas são oportunidades imperdíveis para jovens dos 15 aos 25 anos!

Mais informações por mail clubeinterculturaleuropeu@gmail.com ou por telefone 213140073

Agradecemos todo o apoio na divulgação e esperamos encontrar-vos este verão!

https://clubeinterculturaleuropeu.wordpress.com/

https://www.facebook.com/clubeinterculturaleuropeu/

 

Dia Mundial do Brincar 2017 nos Jardins do Palácio de Belém! 28 de maio

Maio 19, 2017 às 12:30 pm | Publicado em Actividade Lúdica, Divulgação | Deixe um comentário
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No dia 28 de Maio, os Jardins do Palácio de Belém estarão abertos das 10h às 17h com atividades especialmente dedicadas a crianças e famílias, tais como: pinturas faciais, insufláveis, shiatsu, jogos de tabuleiro, jogos tradicionais, circuitos de atividade física, atividades artísticas, entre outras.

Este evento, organizado pelo IAC, será de entrada livre para toda a família.

Divulguem e venham BRINCAR connosco.

 

mais informações no link:

http://www.iacrianca.pt/index.php/setores-iac-al/noticias-atividade-ludica/item/879-dia-mundial-do-brincar-2017-nos-jardins-do-palacio-de-belem

Jogar é uma das maneiras inatas para aprender

Abril 27, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://porvir.org/ de 30 de março de 2017.

Palestrante do Transformar, Gonzalo Frasca, professor e designer de jogos, discute a importância dos jogos para a aprendizagem

por Vinícius de Oliveira

Todos aprendemos jogando, seja encaixando blocos de plástico durante a infância, ou mais tarde, comandando heróis e planejando cidades nos videogames. Movidos pelo desafio, a emoção e a vontade de experimentar o novo, continuamos envolvidos por um longo tempo, o que infelizmente nem sempre acontece na educação. Segundo Gonzalo Frasca, uruguaio que é professor da disciplina de videogames na Universidade ORT, em Montevidéu, e chefe de design de jogos na startup WeWeWantToKnow, isso acontece porque a educação se preocupa demais com conteúdos e, com isso, deixou de lado uma característica natural do ser humano. Para ele, o aprendizado se tornou um sofrimento e, em referência ao jogo das Eliminatórias da Copa entre Brasil 4 x 1 Uruguai, o especialista em jogos diz que muitas crianças estão perdendo por goleada, todos os dias na escola.

“Jogar é uma das maneiras inatas para aprender. É a estratégia cognitiva com que conhecemos e exploramos o mundo e, se não conseguimos entender sua profunda relação com a aprendizagem, é justamente porque a escola foi por outro caminho”, disse ao Porvir, alguns dias antes de sua visita ao Brasil para participar do painel “Como engajar e ensinar alunos através de jogos”, do Transformar, evento sobre inovação em educação organizado por Porvir/Inspirare, Fundação Lemann e Instituto Península, que acontece na próxima terça-feira (4), em São Paulo (SP).

Leia também: Games engajam os alunos e trazem significado para a matemática

Na entrevista que você lê abaixo, Frasca mostra como a estrutura de jogos alicerçada em feedbacks (retornos avaliativos) pode ajudar a sala de aula e como vê o professor diante de uma encruzilhada: na formação inicial, ele tem que manter “ordem e progresso” da sala de aula, mas os jogos, especialmente videogames como o (simulador de construção de cidades) SimCity e o (construtor de mundos feitos em blocos virtuais) Minecraft, que não têm um objetivo claro, colocam o aluno diante do “caos” e trazem novas questões para quem ensina.

Frasca também trata na conversa com o Porvir do programa da empresa WeWeWantToKnow, que está desenvolvendo um programa piloto na França e na Noruega para ensinar crianças a partir de 5 anos a resolverem os primeiros problemas de álgebra. De antemão, o designer e professor uruguaio mostra-se realista. “Não vai aparecer um aplicativo milagroso que vai mudar tudo. Mas, sim, é possível inovar para que as crianças aprendam e gostem de aprender. Isso é fundamental”.

Porvir – Como jogos podem ser usados para ensinar e mudar a lógica de ensino e aprendizagem que temos atualmente?

Gonzalo Frasca – Vou respondê-lo de duas maneiras: uma de maneira mais teórica e outra, mais prática, com o que estamos fazendo no projeto piloto na França e na Noruega com o (aplicativo para sistemas iOS e Android) Dragonbox. Jogar é uma das maneiras inatas para aprender e seres humanos aprendem as coisas mais difíceis e complicadas jogando. É a estratégia cognitiva com que conhecemos e exploramos o mundo e se não conseguimos entender sua profunda relação com a aprendizagem, é justamente porque a escola foi por outro caminho. Nos Estados Unidos, a carga de matérias para o jardim da infância é um disparate absoluto. Existem várias razões históricas e econômicas, mas em resumo, não se pode aprender sem emoção. Se eu não me interesso por alguma coisa, não vou aprender. Ouvir (o que o professor está ensinando) me importa porque parece um tema interessante ou porque vão me castigar com uma nota baixa, mas a segunda opção é de curto prazo. Isso é um pouco da teoria. De maneira concreta, produzo videogames para crianças há quase duas décadas para Cartoon Network e Pixar. A estratégia que se aplica a maior parte dos videogames é capturar a atenção, emocionar a criança e oferecer um desafio.

Porvir – Mas na educação poderia ser a mesma coisa, não é verdade?

Gonzalo Frasca – Bem, deveria ser a mesma coisa, mas não estou dizendo que se deve ter apenas videogames na educação. O Dragonbox, primeiro produto que desenvolvemos, desenvolve consciência algébrica em crianças de cinco anos. Ele é uma amostra que a álgebra, ensinada a partir da educação secundária, tem uma base é que é possível de ser entendida por uma criança pequena. E como isso acontece? Primeiro não pode ser muito fácil porque entendia e não pode ser muito difícil, porque paralisa. E tem que se adaptar a cada criança. E dar feedbacks imediatos, sempre que estiver fazendo as coisas bem ou mal. O que fazemos é manter o nível alto para que se mantenha o desafio. Sempre digo que o oposto do tédio não é a diversão, é o desafio. Quando não se está entediado, quer dizer que tenho algo um pouco difícil para fazer.

Porvir – Como o programa Dragonbox funciona nas escolas?

Gonzalo Frasca – Comecei pela Noruega e pela França, países onde minha empresa possui sedes. Temos 600 crianças na Noruega, em diversas escolas, e 50 na França. Não fizemos uma solução só com videogames. Temos tablets para tarefas digitais com jogos, mas não nos limitamos a isso. Também temos vários livros de texto. Em nosso método, as crianças têm espaços reais e virtuais para experimentar, por exemplo, o conceito de “maior que” ou “menor que”. Uma vez que trabalharam com isso por 20 minutos, o professor pede que expliquem o que acontece, os alunos participam de um pequeno jogo e fazem um teste para ver se aprenderam. Uma das diferenças do programa é que cada criança pode fazer o teste no momento em que se sentir preparado. Nunca aplicamos uma prova até o momento em que acreditamos que ela já sabe, porque cada uma aprende em um ritmo diferente. E também asseguramos que vamos avaliá-los para que fiquemos tranquilos sobre o quanto eles já sabem. É um processo que estamos trabalhando com os professores. Não somos um grupo de entendidos em tecnologia que está desconectado da escola. Fazemos visitas diárias, sempre trabalhando para tentar melhorar.

Porvir – Em uma de suas palestras do TEDxMontevideo, você dizia que não existe nenhuma criança que diz não servir para jogar videogames, mas isso acontece com matemática, física, história. Por que?

Gonzalo Frasca – É uma soma de muitas coisas. O que quer dizer jogar? Jogar quer dizer ter interesse em uma ação e testar o que acontece em sua volta. É o mesmo que experimentar. Essa manhã eu estava com a minha filha de 1 ano, que estava colocando um brinquedo dentro de uma garrafa de água. Eram patos grandes, que não entravam. Ela continuava tentando, tentando até que encontrava outra coisa, usava um frasco maior e aí conseguia. Isso é jogar e também é testar uma hipótese. Tento colocar, vejo que não funciona e trato de colocar o cubo em outro lado. Dessa maneira, ela está entendendo o conceito do que é dentro ou fora, tamanhos, circunferências, um montão de coisas por meio da experiência. O importante é que ela seja desafiada.

Porvir – Mas as famílias costumam pensar que videogames são perda de tempo.

Gonzalo Frasca – O problema é que pensamos o videogame como entretenimento, e não conseguimos ensinar tudo com videogames. Por exemplo, para apresentar o conceito de litro, usamos garrafas de verdade, com água de verdade. Os pais se preocupam com os jogos, mas é difícil dizer qual jogo oferece boa qualidade de aprendizagem, mais ou menos da mesma forma que avaliar qual livro pode ser bom ou não. Se o site RottenTomatoes (de avaliação de filmes) diz que um filme é muito ruim, então você pode deixar de assistir. Com videogames é mais difícil, sobretudo porque a maior parte do que se chama jogo educativo é muito básica, sem estudos científicos por trás, porque é muito caro. Todo mundo diz que é educativo, mas é como se não houvesse controle sobre a medicina e disséssemos que este remédio cura calvície ou o câncer. Na realidade, isso nem sempre é verdade.

Porvir – Em entrevistas anteriores, você fala muito de jogos como The Sims e SimCity. O que eles têm de especial?

Gonzalo Frasca – Eles são os clássicos. O SimCity, como o Minecraft, não têm um objetivo definido. Nos jogos de futebol, deve fazer mais gols. Em SimCity é como ir ao parque, pode-se fazer muitas coisas. O interessante é que parece um laboratório de experimentação.

Porvir – E como devemos preparar os professores para chegada dos jogos à sala de aula?

Gonzalo Frasca – Muitas vezes os professores têm uma formação para ter controle sobre a classe porque, com 25-30 alunos, é necessário ter ordem e progresso. E o jogo é visto como o caos. De um lado, ensinam aos professores a manter a ordem e, de outro, dizem que do caos podem sair coisas boas. É um processo complicado e que não vem só da formação, mas do processo cultural. É aceitar que o jogo é uma maneira de aprender e entender o mundo. Isso se vê por exemplo em algumas empresas e trabalhos que são mais criativos e não te obrigam a bater ponto de 9 às 5 todos os dias. Mas o mundo ideal para escola não é aquele em que alunos estão jogando videogame toda hora, mas algo parecido com o jardim da infância, em que se cultiva o espírito do jogo.

Porvir – Para terminar, poderia enviar uma mensagem ao público que irá acompanhar sua palestra?

Gonzalo Frasca – Não existem sugestões mágicas. Não vai aparecer um aplicativo milagroso que vai mudar tudo. Mas, sim, é possível inovar para que as crianças aprendam e gostem de aprender. Isso é fundamental. Temos muitos desafios como civilização, mas não podemos fazer com que crescer e aprender se torne um sofrimento. Tem que ser difícil, mas não um sofrimento. É como futebol. Se fosse fácil, não seria tão bom. Mas sofrer o tempo todo. Se todos os jogos fossem 4×1 como o que o Brasil ganhou do Uruguai, seria um sofrimento. Hoje em dia, muitas crianças estão perdendo por goleada, todos os dias na escola. E isso precisa ser evitado.

 

 

 

Guia traz 60 brincadeiras para discutir direitos humanos com as crianças

Abril 1, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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texto do site https://catraquinha.catracalivre.com.br/ de 27 de janeiro de 2016.

catraqinha

Brincar é muito importante para o desenvolvimento da criança. Quando brinca, a criança está desenvolvendo uma série de habilidades e novas competências, usando sua imaginação e se relacionando com o mundo. Brincar em grupo também é importante: a criança aprende a dividir, lidar com a diferença e socializar.

Apostando nisso, a Equitas, uma ONG internacional sediada no Canadá, que oferece programas de transformação e educação em direitos humanos, desenvolveu o Play It Fair, um guia contendo 60 brincadeiras e atividades para desenvolver com crianças de 6-12 anos para discutir temas como direitos humanos, discriminação e resolução de conflitos.

25 desafios da infância e da adolescência no Brasil

O guia foi desenvolvido com o objetivo de trabalhar os valores primordiais da Declaração Universal dos Direitos Humanos, como cooperação, respeito, equidade, inclusão, respeito à diversidade, responsabilidade e aceitação, e vem sendo utilizado por educadores e profissionais de recreação infantil em acampamentos de férias e escolas infantis.

O material foi lançado em 2011, e até hoje as atividades já alcançaram mais de 500.000 crianças em todo o Canadá e outras em diversas partes do mundo. Embora esteja em inglês, o guia já foi traduzido para o árabe e utilizado por educadores no Oriente Médio e na Indonésia.

Baixe o material gratuito (em inglês) aqui .

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O país onde (ainda) há tempo para brincar

Fevereiro 28, 2016 às 7:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://lifestyle.sapo.pt/

sapo

Na Finlândia, brincar faz parte do método de ensino. Os finlandeses são conhecidos pelo seu sistema de educação, um dos melhores do mundo. Curiosamente, este é o país da Europa onde os alunos passam menos tempo nas aulas, aprendem a ler mais tarde e só têm exames no final do 12.º ano. Esta foi a conclusão de uma investigação publicada no jornal Atlantic e realizada por Tim Walker, um professor norte- americano que dá aulas em Helsínquia.

A Finlândia tem, ainda, uma das maiores taxas de alfabetização do mundo, sendo que 94 por cento da sua população sabe ler, escrever e frequenta ou frequentou a escola. E esta aposta na educação não é recente, tendo sido iniciada nos anos da década de 1970. Porquê? «Porque os finlandeses viram sempre a educação como a sua maior riqueza», explica Tim Walker.

Até o PISA, sigla de Program International Student Assessment, o maior teste de avaliação aos sistemas educativos realizado em 64 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e que mede a qualidade do ensino, atesta essa aposta, colocando-o no topo dos países com melhor sistema educativo. A par da China, de Singapura, e de Xangai.

Um dos factos mais apreciados pelo PISA é a igualdade entre alunos e escolas, ou seja, as condições económicas das famílias e a localização das escolas não têm muita influência nos resultados. Todos têm bons resultados! O último PISA foi divulgado em 2012. No entanto, os positivos dados finlandeses são já reconhecidos desde o início do novo milénio e a média de chumbos é só de 3,8 por cento, enquanto a média da OCDE é de 12 por cento.

A brincar (também) se aprende

Mas vamos por partes. Na Finlândia, contrariamente ao que acontece na maioria dos outros países europeus, incluindo Portugal, as crianças só aprendem a ler quando entram na escola aos sete anos. Até lá, os pequenos são estimulados, sobretudo, a brincar e, mesmo no ensino primário, a brincadeira continua. As crianças são estimuladas para a instrução através de atividades lúdicas, de forma a ganharem interesse pela escola, que, segundo Tim Walker, «também pode ser divertida».

E, muito importante, sem terem medo de falhar. Os alunos finlandeses passam 703 horas por ano na escola, enquanto os portugueses ficam 827 horas. No início do lectivo 2015/2016, o sistema educativo finlandês teve mais uma novidade. Ass disciplinas foram todas integradas, pelo que, os professores de matemática, finlandês, história, ciências e todas as outras cadeiras, se juntaram para lecionar as matérias.

Tal foi feito definindo tópicos que podem ser trabalhados através de diferentes perspetivas. O objetivo não é que os professores debitem a matéria, mas sim que os estudantes discutam as temáticas abordadas pelos primeiros. Os alunos gostam dessa independência e, no ensino secundário, além de serem eles a escolher as matérias que mais lhes interessam, podem concluí-lo em três anos. A confiança é um dos pilares do sistema educativo do país.

As vantagens do ensino gratuito

Na Finlândia, todo o ensino (do pré-escolar ao universitário) é gratuito. Mesmo nas poucas escolas privadas existentes, os estudantes não pagam. E no gratuito incluem-se as refeições, os manuais escolares e os transportes, até ao final da escolaridade obrigatória, o nono ano. Apesar disto, o investimento no ensino é de apenas seis por cento do PIB do país.

Nas escolas finlandesas, há ainda uma equipa que presta assistência aos alunos, composta por um assistente social, um orientador, um enfermeiro, um psicólogo, um orientador escolar e um professor do ensino especial. Todos eles se encontram com os alunos que necessitam do apoio, pelo menos, uma vez por semana. Entre os membros da equipa há várias reuniões para discutir os possíveis problemas dos alunos em questão, numa atividade multidisciplinar.

A aprendizagem que vem dos jogos

Enquanto que, nos outros países, se está a transformar o pré-escolar quase no primeiro ano de escolaridade, como é o caso de Portugal, na Finlândia, o tempo é gasto a brincar e isso acontece até aos sete anos, altura em que as crianças entram para a escola. Mas isso não quer dizer que não estejam a aprender.

Fazem-no, segundo Tim Walker, «sem dar por isso e de uma forma muito interessada». Passam poucas horas sentados com caneta e papel nas mãos, mas, em contrapartida, têm um horário que estipula as atividades da semana. Podem ser jogos de grupo,  música, correr, visitas de estudo ou até brincar às várias profissões.

A (boa) imagem dos professores

Se, em Portugal, a imagem dos professores é pouco abonatória, na Finlândia, é precisamente o contrário. É uma profissão muito popular e prestigiada, à qual muitos jovens querem aceder, sendo que muitos não conseguem tornar-se professores. Para se ensinar, atualmente, é necessário ter um mestrado e são as escolas que os escolhem para docentes.

Não há um concurso nacional. Cada diretor do estabelecimento de ensino é que decide quem contrata. E cada professor pode definir o seu método de ensino. Ao contrário do que sucede em países como o nosso, acaba por ter muita autonomia. O salário médio de um professor na Finlândia ronda os 3.000€, sensivelmente o dobro do salário médio de um professor em Portugal.

Texto: Rita Caetano

 

 

Jogos em família na Ludobiblioteca da EB Raul Lino – 23 de janeiro

Janeiro 21, 2016 às 11:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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https://www.facebook.com/bibliotecaraullino/?fref=ts

Crianças devem lutar? Entrevista Carlos Neto

Janeiro 1, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da http://www.gazetadopovo.com.br a Carlos Neto no dia 18 de dezembro de 2015.

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Por Adriano Justino exclusivo para Gazeta do Povo

O professor português Carlos Neto não foge a temas polêmicos relacionados ao desenvolvimento infantil. Em entrevista por email à Gazeta do Povo, ele fala sobre a importância das brincadeiras de luta entre crianças, vistas como nocivas por pais e especialistas:

Professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, o português Carlos Neto .

Professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, o português Carlos Neto não foge a temas polêmicos relacionados ao desenvolvimento infantil. Em entrevista por email à Gazeta do Povo, ele fala sobre diversos temas, em cinco capítulos que iremos publicar em nosso site, um por semana, relacionados a desafios da formação das crianças de hoje. Neste primeiro trecho da entrevista, ele fala da importância das brincadeiras de luta entre crianças, ainda hoje vistas como nocivas por pais e especialistas:

Como os jogos influenciam a formação das crianças?

O processo de desenvolvimento humano ocorre entre duas dinâmicas opostas e complementares: a procura de proximidade (segurança) e a necessidade progressiva de distanciamento (autonomia). As crianças menores procuram afeto e as mais velhas independência. Este é um fenômeno que acontece em quase todas as espécies animais. Trata-se de uma questão de sobrevivência e de aquisição de ferramentas muito úteis para se tornar adulto.

Este mecanismo adaptativo é ainda mais particular no ser humano por ter uma infância relativamente longa e necessitar assegurar a sua sobrevivência através de uma relação muito complexa entre mudanças que ocorrem no seu corpo e no seu ambiente. O desenvolvimento do jogo e da motricidade permite uma conquista progressiva de autonomia do homem através de referências biológicas e culturais.

As brincadeiras de luta também são importantes na infância?

Elas são uma das mais fascinantes linguagens do corpo em uma perspectiva evolutiva. Os comportamentos de jogo de luta a brincar (play-fighting), jogo de perseguição e caça (play-chasing) e jogo de luta a sério (real-fighting) têm sido largamente estudados no comportamento animal e humano. Todas as crianças saudáveis têm necessidade de brincar de lutas ou de jogos de perseguição. São atividades ancestrais que devem fazer parte das culturas lúdicas na infância.

É correto os pais proibirem as lutas?

O contato físico através dessas brincadeiras e a consequente perseguição, são comportamentos que não devem ser proibidos. Pelo contrário, devem ser implementados entre pais e filhos em casa, entre as crianças no recreio ou em jogo livre nos espaços exteriores. Reprimir este tipo de brincadeira é um erro estratégico do ponto de vista educativo e terapêutico. No entanto, devemos ter atenção quando assistimos a lutas a sério de forma repetida em crianças (principalmente nos recreios escolares), porque isso pode denotar comportamentos de “bullying”.

Como os brinquedos bélicos podem interferir no desenvolvimento?

Se as famílias e as escolas não fornecerem brinquedos bélicos às crianças, elas terão a ocasião de encontrar objetos que imitarão esse tipo de brincadeira. Estes brinquedos bélicos naturais, artesanais ou industriais (como a maior parte de jogos de guerra eletrônicos) são fundamentais para o desenvolvimento motor, cognitivo e social da criança. Elas brincam de guerra (faz-de-conta) de forma simbólica e adquirem várias competências muito importantes: noção de ataque, defesa, território, fuga, simulação, sobreviver, morrer.

As lutas não estimulariam comportamentos agressivos?

Estas formas de brincar são muito importantes durante a infância e uma estratégia decisiva em interiorizar e humanizar os impulsos agressivos que fazem parte da natureza humana. As nossas pesquisas têm vindo a demonstrar que os jogos de luta e a utilização de brinquedos bélicos têm um estereótipo predominantemente masculino e não se verificaram nas crianças estudadas alterações ou aumento de comportamentos antissociais ou agressivos entre pares. Devemos ainda lembrar que os brinquedos bélicos têm uma existência muito significativa em todos os estudos realizados em pesquisas etnográficas sobre jogos tradicionais na infância, em diversos continentes e culturas. Existem muitos benefícios no desenvolvimento da criança na utilização destes objetos lúdicos, apesar da polêmica científica e pedagógica ainda existente sobre o papel nocivo dos brinquedos bélicos.

 

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