Ensinar e aprender em tempo de COVID-19: entre o caos e a redenção E-Book

Junho 11, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Descarregar o E-Book no link:

http://www.fep.porto.ucp.pt/sites/default/files/files/FEP/SAME/Ebook_Ensinar_e_aprender_em_tempos_de_COVID_19.pdf?fbclid=IwAR0Kgfz1-c9-Qk6Z1-OpG1405Gu4hyLb8w3e8JnuA2hnbuxYQBypW72jBaw

Confinamento: qual o seu impacto nos comportamentos das crianças?

Junho 11, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapolifestyle de 3 de junho de 2020.

Um texto de Sandra Helena, psicóloga clínica e psicoterapeuta de crianças e adolescentes, da Psinove.

Com a pandemia, também as crianças se depararam com novas rotinas, novas formas de estar com a família e muitas privações. Deixaram a sua escola, os seus amigos, a sua educadora/professora, os seus familiares (avós, tios, primos) e até aquele parque infantil onde iam depois de saírem da escola que não pode ser utilizado. São imensas as restrições que tiveram e têm de aceitar de imediato e, naturalmente, que não pode ser fácil aceitar e não ripostar. As crianças falam muitas vezes com o seu corpo e este pode ser um momento em que não é diferente. Justamente por isso pode ser relevante compreender algumas reações inesperadas, aceitando, intervindo ou pedindo ajuda.

As birras, a intensa irritabilidade e reatividade emocional, o choro frequente e a baixa resistência à frustração são algumas das manifestações mais comuns. O que podemos fazer inicialmente é observar e anotar sintomas, verificando a frequência, duração e intensidade dos comportamentos. É importante analisar se acontece apenas neste contexto de vida ou se anteriormente já haviam sido observadas. Algumas crianças já apresentavam sintomas, mas que neste período acabaram por ser tornar mais intensos.

Podemos estar perante a Perturbação de Oposição e Desafio que consiste na alteração de múltiplas dimensões, cujos sintomas principais são a criança apresentar um padrão de comportamento negativo, desafiador, desobediente, hostil com frequência e intensidade não expectável para a sua faixa etária. O descontrolo emocional e a agressividade também são comuns, incluindo por vezes violência verbal e física.

A criança tem tendência a manifestar o comportamento mais frequentemente com pessoas do seu círculo habitual, mas também o pode exibir com outras pessoas. Esta perturbação necessita de uma intervenção precoce, pois sem o treino de competências parentais e aconselhamento à família tende a piorar, influenciando toda a dinâmica familiar. O desgaste é imenso o que leva a que, muitas vezes, os pais cedam às vontades e desejos da criança e isso apenas contribui para adiar a hostilidade e a desobediência.

Na vida quotidiana, tendencialmente, o convívio social entre amigos e família do núcleo próximo é eliminado, assim como a frequência de locais públicos porque se torna desconfortável e desgastante para os pais e, muitas vezes, também, para a criança pela ausência de estrutura de atividades e rotinas. A Perturbação de Oposição e Desafio afeta todos em redor e a procura de ajuda, por vezes, acontece com o desespero dos pais, após demasiado tempo em que a criança tem um comportamento caracterizado por dificuldade em seguir regras ou instruções, sendo cada vez mais reativa, impulsiva, desafiadora e opositiva.

É indispensável ter em consideração o momento de vida da criança (instabilidade familiar, doença, perdas) e as condições da atitude de desobediência antes de julgar se estamos perante uma perturbação, pois pode ser um meio de se autoafirmar ou não entendimento das instruções ou não saber executar o pedido formulado.

Algumas possibilidades para tentar agir com uma criança desafiante e opositiva:

– Identificar os sinais;

– Conversar com a criança acerca das suas reações;

– Ajudar a criança a identificar as suas emoções;

– Ensinar formas de lidar com a frustração;

– Comunicar com clareza;

– Não reagir impulsivamente;

– Tornar-se um exemplo;

– Consistência nas regras e limites impostos;

Quando a criança conhece a autoridade do adulto, compreende intelectualmente a proibição, sabe a necessidade de respeitar os limites e as instruções, vivenciou consequências e mantém o mesmo procedimento, será relevante procurar ajuda especializada.

Sandra Helena – Psicóloga clínica e Psicoterapeuta de crianças e adolescentes

Consequências da Quarentena nos Adolescentes

Junho 10, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Ana Galhardo publicado no site Up to Kids

Consequências da Quarentena nos Adolescentes

As medidas adotadas em Portugal para fazer face à propagação do Covid 19, quer para tentar não sobrecarregar o sistema nacional de saúde, quer pela própria saúde individual e coletiva foram uma série de ações que começaram por colocaram o país no chamado “estado de emergência”, indiscutivelmente necessário, mas por vezes mal-interpretado ou executado de forma excessiva. As famílias adotaram medidas extremas de cuidado, sem perceberem que com isso também estavam a fomentar outros desequilíbrios…

Os adolescentes e jovens

Infelizmente assisti a muitos jovens que estiveram 2 meses quase sem poder “colocar o nariz fora da janela”. Sem ver os namorados ou namoradas. Sem estar com amigos mesmo dentro da distância de segurança e já depois de termos saído do estado de emergência. 2 meses em total isolamento social e familiar, porque a maioria também não quer passar tanto tempo com a família (faz parte de ser adolescente) e viram-se fechados nos seus quartos a olhar a vida só pela janela e pela tela do computador!

Embora compreenda a posição dos pais e a sua preocupação em proteger os filhos, penso que permitiram que o seu medo se propagasse para eles de forma pejorativa e com consequências sérias para o equilíbrio emocional, sobretudo dos adolescentes. As crianças mais pequenas são mais fáceis de distrair dentro de casa. E os adultos têm uma capacidade de compreensão e aceitação que os adolescentes ainda não têm. Parece-me que eles foram os que mais sofreram com esta cultura do medo que se difundiu como água que escorre pelos dedos e que não conseguimos conter…. Foram os que mais sofreram também com o isolamento ao qual foram sujeitos.

O isolamento e a depressão

Do isolamento a que foram sujeitos, alguns jovens começaram a revelar traços depressivos, outros sintomas de ansiedade crescente.

  • Emagrecimento;
  • Dificuldades de dormir;
  • Dificuldades em concentrarem-se nas tarefas da escola;
  • falta de vontade de comunicar;
  • Deixar de ter vontade de sair de casa;
  • Deixar de praticar atividade física;
  • Dificuldade de comunicação e vivência familiar com consequente isolamento no quarto;

Estes são alguns dos muitos sintomas que os jovens que acompanho têm revelado como consequências da quarentena.

Ansiedade social

Associado a estes aspetos temos ainda jovens que já tinham ansiedade social e que com esta quarentena agravaram o seu quadro. Como sabemos a ansiedade vem sempre do medo. Neste caso o medo dos relacionamentos interpessoais, com os quais, melhor ou pior, tinham de se confrontar todos os dias na escola e com o devido acompanhamento iam crescendo na capacidade de se relacionarem mais e melhor. Com a quarentena, inicialmente pareceu-lhes ótimo! Não tinham que lidar com essa tensão diariamente e podiam estar simplesmente relaxados. Com o passar dos dias foram deixando de ter vontade de comunicar com as pessoas ainda que de forma virtual e da ansiedade boa, de eu quero e vou lidar/ultrapassar os meus medos deixaram-se simplesmente cair no abatimento, na falta de vontade e de estímulo para o que quer que seja.

O desconfinamento

Neste momento começamos devagarinho a regressar às nossas atividades laborais presenciais e escolares (só para alunos de 11º e 12º ano) . Vai ser urgente cuidar das consequências que a reclusão trouxe consigo. Cuidar do medo de ser contaminado e tentarmos todos aprender novas formas de nos relacionarmos, sem nos colocarmos em perigo, sobretudo sem colocarmos o país em perigo, mas cuidando também da nossa sanidade mental.

O ser-humano é um animal social e o Português especificamente de presença e de toque.

Sabemos que o toque neste momento é perigoso, ok. Mas vamos ter que encontrar novas formas de voltar a conviver ainda que dentro da distância de segurança ou com máscara e mesmo que nos continuemos a cumprimentar com o cotovelo, não podemos deixar de que o Covid nos retire a necessária convivência social e nos empurre fisicamente saudáveis, para a falésia do desequilíbrio emocional, sobretudo da depressão e da ansiedade.

O que dizem os estudos?

Existem inúmeros estudos que mostram a importância das relações entre pares para um desenvolvimento saudável e harmonioso, principalmente no período da adolescência. Para além disso, sabemos também que o isolamento desenvolve no cérebro o aumento da produção de um determinado neurotransmissor que faz com que exista uma maior propensão para a agressividade, medo e ansiedade. Quando este neurotransmissor existe no organismo em quantidades exageradas, superiores às que o corpo deveria normalmente produzir, as pessoas não conseguem voltar à atividade normal, mesmo depois da ameaça passar.

Isto tem que ser uma preocupação para todos nós, pais, terapeutas e educadores. Precisamos ajudar os nossos jovens a aprender como retomar a vida! Não podemos mesmo deixar que continuem fechados em quatro paredes ou o desfecho será talvez mais catastrófico do que o próprio covid.

 

PSICOTERAPEUTA CORPORAL E RESPONSÁVEL PELO ESPAÇO CRESSER.

Ana Galhardo

 Espaço CresSer

Corona vírus #Covid-19: Como lidar com… situações vulneráveis para crianças e jovens

Maio 1, 2020 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Documento completo no link:

https://www.cnpdpcj.gov.pt/corona-virus-covid-19-como-lidar-com-a-situacao1.aspx

Tinoni em Quarentena: Triagem – Hospital da Bonecada

Abril 28, 2020 às 5:26 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Rodrigo e Mathilde viajam com os filhos todos os dias pelo mundo. Em casa, recriam países e sonham

Abril 23, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do Público de 14 de abril de 2020.

O casal luso-francês, amante do ar livre, cria cenários todos os dias nas divisões do apartamento para viajarem com Pablo (3 anos) e de Salomé (6). “Viajamos, fazemo-los sonhar. Uma das primeiras coisas que nos perguntam mal acordam é ‘onde é que vamos hoje?’.”

Ingredientes: um apartamento (de preferência sem varanda), uma família em confinamento a marinar há alguns dias, duas crianças irrequietas (de três e de seis anos ou de idades semelhantes), um casal que gosta mais de estar lá fora do que cá dentro, uma máquina fotográfica ou smartphone, equipamento desportivo (facultativo) e imaginação q.b. Modo de preparação: junta-se tudo numa das divisões da casa; envolve-se até o cenário estar pronto; tira-se a fotografia; serve-se no Instagram com uma legenda a gosto.

No dia seguinte a ter sido decretado o confinamento em França — tudo começou no dia 17 de Março, data entretanto prolongada por Emmanuel Macron até dia 11 de Maio —, a conta de Instagram que desde sempre existiu para guardar as memórias das aventuras em família passou a servir para guardar as memórias das aventuras em família… dentro de casa.

E as coisas, diga-se, nem mudaram assim tanto. Continua a haver fotografias dos acampamentos selvagens, das lições de ski, dos mergulhos e do snorkeling, das peripécias do canyoning e dos trilhos de cicloturismo, das aulas de yoga, dos desafios de badminton, dos passeios e da comida do mundo.

No dia 18 de Março foi publicada a primeira foto. “Os miúdos estavam a correr de um lado para o outro e eu disse ‘vamos fazer como se fôssemos para a piscina’. E a Mathilde, por piada, tirou fotos como se estivessem na praia a apanhar sol, com um crocodilo insuflável e o guia da Córsega, onde tínhamos pensado ir de férias”, conta à Fugas Rodrigo Barbosa, que decidiu publicar essa viagem virtual no Insta. “Pensamos que era giro e uma forma de os ocupar. Devíamos fazer uma viagem por dia”. Seja.

Estava encontrada a base da receita. O palco é um apartamento num segundo andar de um prédio de três andares em Croix Rousse, uma das colinas de Lyon e zona das antigas fábricas de tecelagem. “O apartamento é um recuperado canut, com um pé direito altíssimo onde os trabalhadores tinham as máquinas de tecelagem”, descreve Rodrigo, com uma sala enorme, janelas rasgadas, muita luz e com uma mezzanine perfeita para produções fotográficas e planos picados (como o stand-up paddle algures na Bretanha no dia 20 de Março e o mergulho à procura de peixes estranhos na Grande Barreira de Coral australiana no dia 1 de Abril). “É uma das maneiras que encontramos de aliviar o quotidiano, uma brincadeira que agora é o nosso desafio quotidiano”, sorri este lisboeta, jornalista a trabalhar com a Euronews (sede em Lyon) desde 2004.

Para os adultos, a sensação de estar enclausurado, com o mundo à volta transformado numa verdadeira pandemia, é “estranhíssima”. “Temos a informação da quantidade de mortos à nossa volta. Mas vivemos neste isolamento em que tudo parece calmo no nosso bairro e à nossa volta. Trabalhamos em casa e, como a maior parte das pessoas, não atravessamos a cidade. Por isso, não temos a noção. Temos um hospital aqui perto, mas nem esse movimento nós vemos.”

Rodrigo e a companheira francesa Mathilde Monges têm a sensação de estar a “viver uma pausa na história”. “Mas sem nos apercebermos da verdadeira realidade”, aponta Rodrigo. “Mas o facto de termos que gerir o quotidiano com dois miúdos pequenos, com o teletrabalho e a escola à distância e tudo, os dias parecem passar a correr.”

Salomé tem seis anos. Pablo três. Têm escola de manhã, ginástica no YouTube “para os cansar” e uma saída de uma hora por dia autorizada pelo governo francês — Salomé ainda ouve um podcast em francês que conta a actualidade aos mais pequenos e “vai seguindo algumas coisas do coronavírus”. “Pensei que eles tivessem vontade de sair com mais frequência. Habituaram-se ao ritmo e não colocam muitas questões existenciais”, constata Rodrigo, atribuindo essa ordem ao facto de terem “os pais por perto”. “Essa segurança é uma vantagem em troca do sacrifício de não verem os amigos”, aponta. A “foto do dia”, normalmente realizada da parte da tarde, é mais um ponto positivo nesta equação chamada covid-19.

A família criou uma nota no telemóvel com ideias de “viagem”, que acontece pela hora do lanche (“para publicar pela hora do jantar”). Familiares e amigos acompanham tudo como se tratasse de uma viagem das antigas. Rodrigo e Mathilde sempre viajaram muito “de mochila às costas” e “mais lowcost por opção”. E tanto Salomé como Pablo começaram a fazer caminhadas a partir dos dois anos. Há dois anos, Rodrigo — que já foi visto (no Instagram) a carregar Pablo às costas numa mochila, em plena montanha, no mundo real — foi fazer campismo selvagem com a filha na zona de Beaufort, em Pierra Menta, uma montanha “que tem um cume em forma de faca apontada ao céu”. “Dormimos no Lago do Amor na base de Pierra Menta. Quando chegámos ao refugio de montanha, a dois mil metros de altitude, as pessoas até ficaram surpreendidas por estar lá uma miúda tão pequena”, conta.

Passavam “muito tempo ao ar livre” (“sinto falta de Portugal e do mar, mas tenho montanhas enormes que em Portugal não tenho”). Começaram a fazer cicloturismo em família há dois anos. Uma coisa “menos ambiciosa” no primeiro ano (“porque a Salomé pedalava pouco”) pela ciclovia ao longo dos canais entre Lyon e Dijon. Algo “mais ambicioso” este ano (“já com a Salomé a fazer algumas etapas sozinha” e com Pablo a ser puxado no carrinho) entre Lyon e “uns amigos” na Suíça, perto de Basileia.

Ao terceiro dia de confinamento foram esquiar às Dolomitas, em Itália. Ao quinto dia foram ver um filme de terror (e comer pipocas) em Hollywood. Ao sétimo dia foram aprender a jogar curling ao Canadá. Ao oitavo dia fizeram um retiro de meditação no Tibete. Ao nono fizeram canyoning nas ilhas Baleares. Ao décimo pescaram salmão na Noruega. Ao 11º dançaram o Lago dos Cisnes em São Petersburgo. E ao 13º dia de confinamento descansaram num abrigo na Suíça (“depois de um longo passeio de raquetes de neve, nada melhor que um serão num chalé à volta de um fondue”).

“O fio condutor é um destino diferente para cada dia”, sublinha Rodrigo, que assim aproveita para manter algumas dinâmicas familiares. Se à quarta-feira é dia de comer hambúrgueres e batatas fritas numa rulote ali na vizinhança, no 17º dia de confinamento monta-se o estaminé na sala e vai-se num instante a Nova Iorque. “Passámos a manhã inteira a desenhar e a pintar”.

“Preparamos as coisas e pegamos no Pablo ao último momento para o equipar e dar uma ou outra indicação”, diz Rodrigo, sorrindo perante a “capacidade de concentração” do mais novo que “não dura mais do que cinco minutos”. “A Salomé gosta mais de ser actriz e de alinhar no jogo”.

Normalmente, a família passa “muito tempo fora”. Aí, escusa “criar cenários”. É tudo natural. Enclausurada, serve-se da imaginação e dos muitos objectos que noutras circunstâncias os ajudam a vencer dificuldades e obstáculos. “Costumo dizer que sou minimalista dentro de casa, mas tenho os ‘brinquedos’ todos”, diz Rodrigo. Bicicletas, pranchas, capacetes, raquetes, esquis, arneses, apetrechos disto e daquilo, adereços num palco.

“Em vez de jogar 50 vezes o mesmo jogo com os miúdos, viajamos, fazemo-los sonhar. Uma das primeiras coisas que nos perguntam mal acordam é ‘onde é que vamos hoje?’.”

COVID – 19 Estou de Quarentena… E agora?

Abril 15, 2020 às 12:15 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Nova Telescola avança no arranque do 3.º período para alunos até ao 9.º ano

Abril 13, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 4 de abril de 2020.

Oferta vai ser criada em parceria com a RTP e usar canais disponíveis na TDT e outras plataformas da TV pública. Rede europeia antecipa que alunos não voltam a ter aulas presenciais neste ano lectivo.

Maria Lopes e Samuel Silva

Vem aí uma nova Telescola. Terá um outro nome e um formato distinto daquele que os estudantes conheceram a partir de 1965, mas será através da televisão que o Governo fará o ensino à distância chegar a um maior número de alunos, numa altura em que se torna claro que as aulas presenciais vão continuar suspensas durante o 3.º período por causa da pandemia de covid-19.

A ideia é leccionar o último período através de um ou mais canais de acesso universal da RTP, isto é, que estão na TDT (Televisão Digital Terrestre) que é gratuita, e outras plataformas da televisão pública. Com aulas diárias de segunda a sexta-feira, como na escola. O PÚBLICO confirmou que o Governo tem vindo a trabalhar com o canal público com o objectivo de que a iniciativa arranque logo na primeira semana de aulas, com início previsto a 13 de Abril, depois do período de férias de duas semanas que coincidem com o feriado religioso da Páscoa.

Os conteúdos disponibilizados na televisão vão ser apresentados pelo Ministério da Educação como complementares ao acompanhamento que se pretende que os professores continuem a fazer à distância, como nas duas últimas semanas do 2º período. Ministério da Educação e RTP estão a estudar soluções para que não haja sobreposições de programação para as famílias que têm mais do que um filho.

A nova Telescola vai destinar-se aos alunos do ensino básico, ou seja, até ao 9º ano. De fora fica o ensino secundário, para o qual na próxima semana serão anunciadas medidas específicas, sobretudo para os alunos do 11º e 12º ano, que têm exames nacionais agendados para a segunda metade de Junho.

Na RTP está já constituída uma equipa com pessoal criativo e técnico para colocar o projecto de pé. Mas há ainda muitas questões por definir, como o tempo diário de emissão, como será dividido pelos diferentes níveis de ensino (se se agregam os vários anos de um ciclo), se os conteúdos são gravados na RTP ou num agrupamento escolar. Os conteúdos serão sempre responsabilidade exclusiva do ministério.

O PÚBLICO questionou o Ministério da Educação sobre os pormenores do novo modelo de ensino mediado pela televisão, não tendo obtido uma resposta. A tutela só vai pronunciar-se sobre a nova Telescola depois da decisão sobre o eventual prolongamento da suspensão das aulas presenciais — que o primeiro-ministro disse ser tomada no dia 9 (quinta-feira).

O presidente da administração da RTP apenas diz ao PÚBLICO que “há vontade conjunta” e que “a RTP e o Ministério da Educação estão a trabalhar para haver conteúdos educativos para serem emitidos pela televisão pública”. Gonçalo Reis acrescenta que a operadora pública é “parceira no sentido de assegurar a produção televisiva e a emissão num ou vários canais da RTP”. “A difusão de conteúdos desta natureza numa altura como a que vivemos é a centralidade da nossa função de serviço público”, vinca, escusando-se a entrar em pormenores sobre a operação que está a ser preparada.

No fim-de-semana passado, o ministro da Economia antecipava que o 3º período traria aulas na TV por cabo. A opção do Ministério da Educação recaiu, porém, sobre a TDT, que tem uma taxa de penetração superior à do cabo. Além do mais, todos os canais da televisão digital terrestre estão também nos pacotes de TV por cabo comercializados pelas operadoras de telecomunicações.

Na TDT, a RTP tem quatro canais (1, 2, 3, e Memória; a que se somam os canais regionais dos Açores e Madeira, com emissão nas respectivas regiões autónomas). Tendo em conta a natureza de cada um, a maior facilidade em libertar faixas horárias estará na RTP2 (que já tem dois blocos horários com programação infantil) e na RTP Memória. Depois, há também a plataforma digital RTP Play, onde podem ser vistos conteúdos já emitidos em antena ou outros exclusivamente para este serviço. Porém, poderá haver ainda uma outra solução na TDT, mas implica negociar com a Altice: para além dos canais da RTP, da SIC, TVI e ARTV, a plataforma da televisão digital tem ainda espaço para mais dois canais, mas o seu uso para a telescola implica um processo mais demorado.

O Governo vai também afastar-se do nome Telescola, até porque o conceito que agora é proposto será completamente diferente do que existiu nos anos 1960 e 70. A Telescola criada em 1965 estava concentrada em apenas dois anos, equivalentes aos actuais 5.º e 6.º anos. As aulas eram seguidas pela televisão por crianças que não podiam ir a escolas regulares, sobretudo em regiões do interior. Os conteúdos televisionados eram depois complementados em contexto de sala de aula por professores – habitualmente dois, um para a área de letras e outro para as ciências.

Além dos conteúdos disponibilizados através de um dos canais disponíveis na TDT, a RTP vai também dar uma nova visibilidade à sua plataforma Ensina, ainda pouco conhecida entre a comunidade educativa. Este portal, lançado em 2014, reúne conteúdos educativos em vídeo, áudio e infografias divididos por matérias: Artes, Português, Ciência, Cidadania, além de uma área de infantil destinada ao público pré-escolar.

A Itália, que foi o primeiro país a encerrar escolas como forma de combater o novo coronavírus, logo no início de Março, lançou uma iniciativa semelhante. Um acordo entre o Governo e a emissora estatal RAI permitiu disponibilizar, através da plataforma multimédia RAI Play, os conteúdos do canal de televisão RAI Scuola, que cria conteúdos educativos há mais de 20 anos.

A RAI vai oferecer aulas reais em vídeo, bem como selecções temáticas de conteúdos, organizados por disciplinas e destinados a todas as faixas etárias, desde as crianças dos jardins de infâncias aos estudantes do ensino secundário. Os primeiros materiais disponibilizados na semana passada incluem desafios para o desenvolvimento de habilidades manuais, aulas de programação informática e programas sobre as obras de escritores como Primo Levi, Amos Oz ou Pier Paolo Pasolini.

Noutros países, os operadores públicos estão a anunciar conteúdos destinados aos estudantes que não podem ter aulas desde meados de Março. A France Télévision mudou toda a programação do canal France 4 para passar a transmitir aulas ao vivo, ministradas por professores de escolas públicas. A programação abre às 9h00 com 30 minutos de leitura dedicados às crianças do primeiro ciclo e tem conteúdos para o pré-escolar, o ensino secundário e até ao ensino superior – a quem são dedicados, por exemplo, 30 minutos de Francês, ao início da tarde. Também na Irlanda e na República Checa as aulas chegaram, nas últimas semanas, às televisões públicas. Mesmo fora da Europa, países como o Senegal estão a adoptar esta solução.

Aulas não devem regressar

A substituição das salas de aulas pelas salas de estar no dia-a-dia dos estudantes está para durar. É essa a convicção dos especialistas da rede europeia Eurydice que, num relatório divulgado esta semana, antecipam que a generalidade dos alunos do continente europeu não deverá voltar às escolas até ao final deste ano lectivo.

A maioria dos países decidiu reavaliar a situação a cada duas semanas, tal como Portugal. Por isso, o regresso às aulas está ainda previsto para 13 de Abril, data de regresso das férias da Primavera, em Portugal conhecidas como férias da Páscoa. Mas, tal como é admitido pelas autoridades nacionais, também os restantes governos europeus devem decidir renovar esse prazo, antecipa a Eurydice.

Noutros 16 sistemas de ensino, os Governos suspenderam as aulas por tempo indeterminado. Malta é o único país que já anunciou que as escolas vão manter-se encerradas até o final do ano lectivo. A Finlândia estendeu recentemente a suspensão de aulas presenciais até 13 de Maio, duas semanas antes da data em que previa terminar o período lectivo. De acordo com o relatório publicado esta semana, aquele país nórdico prepara-se para estender o encerramento das escolas “até ao final do período”.

“Parece provável que outros países façam anúncios semelhantes nos próximos dias e semanas”, antecipam os especialistas da Eurydice. “Portanto, a perspectiva de os alunos não retornarem à escola neste ano académico é muito real”.

Eurydice, uma rede de peritos que reúne informações sobre educação na Europa, publica regularmente estudos sobre os sistemas educativos de todo o continente e recolheu, nas últimas semanas, dados sobre os impactos das medidas de mitigação da covid-19 em cerca de 40 países. De acordo com este relatório, apenas dois países não encerraram totalmente as escolas: Islândia e Suécia mantêm abertas as escolas primárias e do 2º ciclo do ensino básico, isto é aquelas que recebem estudantes mais novos. As restantes estão encerradas, tal como acontece no resto dos países.

O encerramento de escolas foi uma das medidas usadas pelos governos para retardar a propagação do novo coronavírus. Na Itália, o país mais atingido pela pandemia, as escolas fecharam a 5 de Março, uma decisão que viria a ser seguida desde logo pela Albânia, Grécia, República Checa e Roménia.

A maioria dos sistemas educativos europeus fechou as suas escolas até 16 de Março, data em que também entrou em vigor a suspensão das aulas presenciais em Portugal. O último país a anunciar medidas deste tipo foi o Reino Unido, onde todas as escolas fecharam as portas a 20 de Março.

De acordo com esta rede europeia “todos os países europeus estão a organizar aulas à distância”. Os métodos variam entre o uso de manuais e materiais habitualmente usados em contexto escolar, o recurso a plataformas de e-learning, conteúdos partilhados através de redes sociais e aulas divulgadas com o auxílio de programas de televisão nacionais, elenca a Eurydice no relatório divulgado esta semana.

Câmara Municipal do Funchal publica guia para ajudar pais durante a quarentena

Abril 11, 2020 às 3:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Visualizar o guia no link:

https://covid19.cm-funchal.pt/cmf-preparou-guia-para-ajudar-pais-durante-a-quarentena/

Como sorrir em tempos de isolamento social? Manual para crianças

Abril 10, 2020 às 6:00 am | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Descarregar o manual no link:

http://www.aemontemor.pt/on/index.php/34-blog/spo/275-como-sorrir-em-tempos-de-isolamento-social

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