O que é o fenómeno Youtuber?: uma reportagem da SIC

Julho 11, 2018 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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“Quando for grande, quero ser youtuber”

Julho 11, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Astronauta, bombeiro ou médico, já não são as profissões de eleição dos sonhos dos mais pequenos. Hoje em dia, é comum ouvir uma criança dizer “quando for grande, quero ser youtuber”. Mas o que é isto de “ser youtuber” e como é que eles fazem dinheiro?

A VISÃO falou com o Miguel Raposo, que criou duas agências de sucesso e trabalha, atualmente, com os youtubers portugueses com maior alcance (como o Wuant, Windoh, Nuno Agonia, ou Inês Faria – esta última que, em um mês, conseguiu 20 mil subscritores no Youtube) para perceber de que forma é que alguém que publica vídeos na internet pode ter um retorno financeiro.

Veja o vídeo AQUI.

Reportagem publicada no site da Visão, em 3 de julho de 2018.

Carta aberta – Pedido de ajuda aos youtubers portugueses

Abril 9, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no https://observador.pt/ de 29 de outubro de 2017.

Deparo-me cada vez mais com crianças e pré-adolescentes com sintomas de ansiedade, insónias a despertares nocturnos, pesadelos e medos que estão, de alguma forma, relacionados com os vossos vídeos.

Caros youtubers, sejam aqueles com mais ou menos subscritores e seguidores e cujos vídeos têm mais ou menos visualizações, esta carta é um pedido de ajuda feito a todos vós.

Enquanto mãe e psicóloga, tenho acompanhado de perto o vosso trabalho. Sei os vossos nomes, conheço muitos dos vossos vídeos e insta stories, sei o que gostam de publicar e de que forma se distinguem uns dos outros. Já estive presente em 3 meets (é assim que se diz, certo?) e, ao longo das várias horas de espera (sentada no chão) pude observar quem vos segue. Centenas de crianças e pré-adolescentes, rapazes e raparigas. Uns pintam o cabelo de azul ou fazem totós no alto da cabeça para ficarem parecidos com os seus ídolos. Outros levam presentes ou desenhos para vos oferecer. Muitas raparigas choram ou gritam, ou ambos. Os rapazes, ainda fiéis aos bons estereótipos de género, controlam as lágrimas, mas é visível toda a emoção que sentem.

Em consulta, tenho-me deparado com uma frequência crescente com crianças e pré-adolescentes que apresentam sintomas de ansiedade, desde insónias a despertares nocturnos, pesadelos e medos variados. Na mente de muitas destas crianças os conteúdos destes sintomas estão, de alguma forma, relacionados com os vossos vídeos, sejam porque estes apresentam jogos de computador com conteúdos mais agressivos, ou porque testam a veracidade da história da Maria Sangrenta, ou porque abordam palhaços assassinos, ou porque… ou porque….

Naturalmente, a responsabilidade em supervisionar aquilo a que as crianças assistem na internet é dos pais e cuidadores. É destes o dever de estar atentos, filtrar os conteúdos em função da idade e nível de desenvolvimento dos filhos. No entanto, e por motivos diversos, nem todos os pais o conseguem fazer. Uns por falta de tempo e atenção. Outros porque acreditam que os filhos têm já essa capacidade de análise crítica. Outros porque são enganados pelos filhos, que navegam na internet quando os pais já dormem. E há ainda os pais que, embora atentos e com capacidade de supervisão, não conseguem, de todo, controlar aquilo a que os filhos assistem quando estão na escola, através dos telemóveis dos colegas.

Face a isto, surge o meu pedido de ajuda. Não vos peço, naturalmente, para alterarem a vossa estratégia ou o tipo de vídeos que, no fundo, vos caracteriza.

Peço-vos sim para, enquanto modelos a que estes jovens aspiram, ajudarem-nos a ultrapassar algumas dificuldades e a desenvolver algumas competências.

Como?

Antes de mais, explicar como funcionam os modelos. Os modelos têm um impacto muito importante nas aprendizagens que fazemos, na medida em que muito do que aprendemos é fruto daquilo que observamos. E ao observarmos modelos pelos quais sentimos empatia e simpatia, e com os quais nos identificamos, de forma natural e, muitas vezes, de forma inconsciente, estamos a aprender. Ora, será então natural que, quando os nossos modelos são reforçados ou punidos (por exemplo, quando se assustam, quando gritam, quando expressam medo ou alegria), também nós podemos experienciar essas mesmas emoções.

Ora, face a isto, de que forma imagino a vossa ajuda?

Imagino vídeos onde possam expressar dificuldades em algumas situações, em que não desistem, e em que pensam na melhor forma para ultrapassar todo o tipo de obstáculos. O que chamamos de modelos de confronto, ou seja, modelos que não são perfeitos (e com quem mais facilmente todos nos identificamos), mas que encontram estratégias adequadas para lidar com os problemas. São estes modelos que apresentam uma maior probabilidade em ser seguidos e imitados.

Imagino vídeos a que as crianças possam assistir e aprender essas mesmas estratégias.

Como lidar com os medos? Sim, porque todos temos medos.

Como lidar com a ansiedade? Sim, porque todos nós sentimos ansiedade.

O que fazer perante uma dificuldade? Como tomar uma decisão mais adequada? Sim, porque todos temos dúvidas em relação à forma como lidamos com a adversidade.

Mas há mais. Se me permitem, imagino ainda algo adicional. Imagino que nos vossos meets sugerem aos fãs que levem, por exemplo, comida ou ração para os animais abandonados, roupa ou calçado para as pessoas que vivem na rua, livros para as crianças que não os têm. E ao imaginar isto, visualizo centenas de crianças e pré-adolescentes ao rubro, por poderem ouvir, falar, abraçar e tirar fotografias com os seus ídolos mas, também, por sentirem que contribuem para o bem-estar de alguém.

É este o meu pedido de ajuda.

Até ao próximo meet,

Psicóloga clínica e forense, docente universitária

 

Quando as crianças e jovens acreditam mais nos youtubers do que nos pais

Abril 1, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 14 de março de 2018.

No TSF-Pais e Filhos de hoje, conversamos com Filipe Custódio, especialista em cibersegurança, sobre a influência dos youtubers nas crianças e como lidar com a situação.

Seguem-nos com toda a atenção, são ídolos para eles porque por alguma razão conseguiram captar-lhes a atenção, mas muitas vezes o que preconizam vai contra os princípios que os pais defendem e há ideias perigosas.

Filipe Custódio, especialista em cibersegurança, alerta para esta realidade. “Atenção que por vezes há outros educadores que estão em nossa casa, nos telemóveis deles que dizem exatamente o contrário do que nós estamos a dizer”, conta. Perante isto, este especialista em cibersegurança defende que só há uma solução: “o debate franco e aberto com os nossos filhos”.

Para Filipe Custódio não basta dizer que o que determinado youtuber está a dizer é mentira, é preciso argumentar e mostrar outras outras fontes. Por outro lado, Filipe Custódio defende que os pais não devem condicionar a ideias políticas dos filhos ainda que essas ideias possam não ser iguais às dos pais. “Expô-los a várias realidades, é o máximo que podemos fazer”, defende.

ouvir as declarações de Filipe Custódio no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/interior/quando-as-criancas-e-jovens-acreditam-mais-nos-youtubers-do-que-nos-pais-9183207.html

 

Youtubers: para que os queremos?

Março 19, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 23 de fevereiro de 2018.

Podem ser úteis, engraçados, inspiradores, nenhuma das anteriores ou todas elas. No Festival P, a 3 de Março, no Hard Club, no Porto, vamos reunir quatro criadores de conteúdos bem diferentes. Yolanda Tati, Tubalatudo, C Feliz e Hugo Van der Ding vão falar sobre o que se faz pelo YouTube.

Sim, precisamos deles. E a resposta ao título pode ser esta: precisamos destes jovens (e de outros não tão jovens) por causa do humor, da reflexão que proporcionam e dos conhecimentos diversificados que transmitem em poucos minutos de vídeo. Yolanda Tati, Tubalatudo, C Feliz e Hugo van der Ding são quatro youtubers bem diferentes entre si e bem diferentes da maioria dos criadores de conteúdo que fazem carreira naquela plataforma de partilha de vídeos.

Daí o título completo da sessão ser “Rir, pensar e aprender: para que precisamos dos youtubers?”, incluída no programa do Festival P, que o PÚBLICO organiza no sábado, 3 de Março, no Hard Club, no Porto.

Quem segue o canal de Yolanda Tati sabe que esta jovem youtuber é irónica na abordagem do que chama a “filosofia do quotidiano” e de como adora a palavra vicissitudes. No mesmo vídeo, Yolanda é capaz de desmistificar os mitos acerca das mulheres negras, o racismo ou a integração e, logo depois, falar com humor sobre os maus hábitos de brasileiros, portugueses e angolanos: a pontualidade, a digestão nocturna (“bom garfo e mau relógio”), o vício e a “corrupção hard core”.

Tubalatudo, por sua vez, é sinónimo de utilidade. No seu canal, aprendemos como fazer um mini-barco, um spinner ou um skate eléctrico com uma impressora 3D. Ou, se preferirem, um carrinho de robô de duas rodas, uma pistola de papel ou os brinquedos mais incríveis em casa. O canal que Radu Caraus gere tem quase um milhão de subscritores e é a prova de que conteúdo útil (também) dá visualizações — e gera comentários construtivos.

Não que C Feliz se importe muito com a opinião dos outros. No seu canal, Catarina Oliveira quer superar barreiras que se atravessam inesperadamente e lutar pela inclusão e independência. Aos 26 anos, foi parar a uma cadeira de rodas — mas isso nunca a travou e é essa a inspiração que quer trazer ao YouTube. Por lá, fala de forma honesta sobre dificuldades e vitórias. “A vontade de ser feliz tem de prevalecer”, disse ela ao P3, em Agosto. Concordas?

Se Catarina te quer feliz, Hugo Van der Ding quer é ver-te a rir. Foi isso que fez nos cartoons que divulgava no Facebook da Criada Mal Criada, Celeste da Encarnação, Velha mas Moderna, Cavaca para Presidenta ou a sua sucessora, a primeira-dama independente, Brites de Almeida. E é isso que faz desde que chegou ao YouTube há um ano com a Meia Desfeita, o projecto de sketchs de humor que dirige, agora já sem bonecos.

O painel decorre das 15h às 16h30 e será moderado por Nelson Nunes, jornalista e escritor, autor de vários textos de opinião no P3 e, mais recentemente, do livro Isto Não É Um Livro de Receitas — se fosse, estaria melhor no painel da Fugas. Para que precisamos de youtubers, vai ele perguntar? Se calhar a resposta não cabe num título só.

 

 

 

 

Youtubers e outras espécies: O fenómeno que mudou a maneira de entender os conteúdos audiovisuais | e-Book

Janeiro 30, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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descarregar o documento no link:

https://publiadmin.fundaciontelefonica.com/index.php/publicaciones/add_descargas?tipo_fichero=pdf&idioma_fichero=es_es&title=Youtubers+y+otras+especies&code=581&lang=es&file=Youtubers_y_otras_especies.pdf

Quando for grande quero ser youtuber

Janeiro 26, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 16 de janeiro de 2018.

Esqueçam os jogadores de futebol, os cantores ou os apresentadores de televisão. A nova geração, quando crescer, quer ser youtuber, quer fazer vídeos que publica no canal YouTube, quer ter muitas visualizações e ganhar muito dinheiro. Impossível? Não. As crianças e os adolescentes vêem que já há quem, pouco mais velho do que elas, tenha casas e carros melhores do que os dos seus pais. Com um trabalho que parece ser divertido. E esse começa a ser o seu ideal de vida, revelam alguns pais, preocupados.

A realidade é que há youtubers portugueses com muito sucesso entre os que têm dos dez aos 15 anos de idade, que participam em eventos e são tratados como “estrelas internacionais”, conta Miguel Raposo, agente de “todos os youtubersque estão no top 10 do YouTube”, diz ao PÚBLICO. “Os youtubers são grandes influenciadores de uma camada mais jovem que segue e admira o seu trabalho”, define Sofia Monteiro, editora da Manuscrito, uma chancela da Presença.

“São novos, ricos, têm carros… A ideia que se passa é um apelo ao material. Há uma venda de valores que pode ser perigosa: ‘Tu podes ser famoso sem dominar a língua portuguesa’”, resume Ana Galvão, radialista que trocou recentemente a Antena 3 pela Rádio Renascença, ao PÚBLICO. Num post no Facebook publicado no início da semana passada, Ana Galvão denuncia “uma legião de jovens youtubers que estão a ensinar barbaridades aos nossos filhos”.

Sobre essas “barbaridades” já Nuno Markl, com quem a radialista tem um filho em comum, tinha escrito, no Facebook. Em causa um vídeo que o filho de oito anos vira em que um youtuber recomendava que, quando a mãe o acordasse para ir para a escola, a mandasse para o c… Markl ainda argumenta que aquele vídeo pode não ser para crianças de oito anos: “Então é para miúdos de quê? Catorze? Dezoito? Há uma idade em que a dica ‘manda a tua mãe para o c…’ já é aceitável?”, e conclui que lá em casa “acabaram-se os youtubers”.

Os posts de Ana Galvão e Nuno Markl, com milhares de reacções, abrem as portas a um universo que sobretudo os pais das crianças e dos adolescentes conhecem, o dos youtubers. Jovens que gravam vídeos e os colocam no YouTube à espera de milhares ou milhões de visualizações. Jovens que influenciam quem os vê. Alguns dos portugueses que actualmente estão no top 10 vivem juntos numa moradia de luxo com piscina em Alcochete. Alguns vieram do mundo dos videojogos, ou seja, antes eram conhecidos por estarem horas a jogar em directo para a Internet.

“Inicialmente, os youtubers estavam muito ligados aos videojogos, hoje em dia são entertainers. Falam de tudo”, explica Miguel Raposo, representante dos jovens da “Casa dos YouTubers”, mas também de músicos como Piruka, outro fenómeno do YouTube. O também autor do livro Torna-te Um Guru das Redes Sociais acrescenta: “Além dos temas e brincadeiras, eles partilham muito da vida pessoal e isso aproxima o público.”

Desvalorização dos meios tradicionais

As “brincadeiras” de que Raposo fala podem ser, segundo viu o PÚBLICO no YouTube, partidas que pregam, com gritos e palavões à mistura. O PÚBLICO tentou falar com vários youtubers, da casa e não só, mas apenas dois, que não fazem parte do top 10, aceitaram responder a algumas questões. Miguel Raposo justificou a recusa dos da “Casa dos YouTubers”: “O público deles não está na televisão ou nos jornais, e eles desvalorizam mesmo muito estes ‘meios’.”

No YouTube, num vídeo, Tiagovski, um dos youtubers com quem o PÚBLICO tentou falar, publicou um vídeo de 35 minutos em que tenta desconstruir a opinião de Ana Galvão e declara: “Desde há quase três meses, quase ninguém diz palavrões [entre] os maiores influenciadores, porque nós tentamos fazer um conteúdo family friendly.” Para logo a seguir quebrar o recorde: “Agora vou ser um bocadinho agressivo, mas para todos os pais que nos estão a ver, vocês não pensem que os vossos filhos não sabem o que é p…”, e dá início a uma lista de palavrões usados para designar os órgãos genitais masculinos e femininos. Se os meninos dizem asneiras ou desrespeitam os pais, “a culpa é dos pais. Os pais é que têm de educar nesse aspecto”, atira no vídeo com cerca de 83 mil visualizações.

Sobre o facto de os youtubers não saberem falar bem português, uma das acusações de Ana Galvão, Tiagovski contesta. “Duvido muito”, diz o jovem de 24 anos que revela manifesta dificuldade em ler o post da radialista; que diz “podamos” em vez de “possamos”; que por vezes não conjuga os verbos, por exemplo ao dizer “é os youtubers”, em vez de “são os youtubers”. Contudo, ressalva que não cabe aos youtubers ensinarem língua portuguesa.

O youtuber repete que é um influenciador, que o seu trabalho tem mais visualizações do que a rádio ou a televisão e que há “empresas, empresas, empresas e empresas” atrás deles por causa do alcance que têm, enumerando algumas do desporto e da tecnologia. Mais: paga Segurança Social e não foge ao fisco, sublinha. Miguel Raposo prefere não comentar os ganhos dos youtuber, mas conta que criou a BeInfluence só para os representar, os dos jogos, do entretenimento e, mais recentemente, da música.

Loucura, fanatismo e PSP

Os números do YouTube atestam o êxito que estes jovens têm. Mas se dúvidas houvesse, os eventos ao vivo confirmam-no. Esses “acabam por demonstrar a loucura e o fanatismo que os fãs sentem pelos youtubers”, declara Raposo, dando o exemplo do lançamento do livro de Wuant – autor do vídeo com o qual Galvão e Markl se insurgiram e que é o número 1 entre os youtubers – em Lisboa, há precisamente um ano. “A fila saía fora da Fnac e do próprio centro comercial. Fechámos a fila cinco minutos depois de começar a sessão”, conta, acrescentando que há outros casos como aquele no Porto em que foi preciso chamar a PSP para o mesmo youtuber conseguir sair. Este tem 2,6 milhões de subscritores.

Os youtubers influenciam quem os vê, mas nem sempre têm consciência disso. Pelo menos é o que diz Nurb, que começou há oito anos, cresceu com o seu público, fez carreira na televisão e na publicidade, e, hoje, não está entre os mais vistos. “Quando alguém me diz ‘na minha turma todos usávamos aquela expressão’, então penso que tinha influência”, recorda ao PÚBLICO. Mas, então, não tinha essa percepção. Fazia os seus vídeos – “tinha uma coisa para dizer e dizia” – sem pensar em quem os via. Hoje sente uma maior responsabilidade. “Mesmo que não queira, acabo por ter, porque se disser alguma coisa muito edge [no limite] posso ser mal interpretado.”

Por seu lado, Sea3PO é uma youtuber que se preocupa com o público, a que chama Seafam; e tem noção de que o influencia e de que isso “é uma responsabilidade gigante”. “Por isso mesmo, faço um esforço por ser positiva”, diz, acrescentando que pensa muito nos conteúdos, “exactamente pela influência que têm”. “Se sentir que um tema não é adequado ou não faz sentido, prefiro não o explorar.”

Beatriz e Hugo Rechena são pais de um menino de dez anos cujo sonho é ser youtuber, “como todos os amigos”, conta a mãe. “Há muitos youtubers na escola, são uma comunidade, partilham e divulgam o que fazem entre si, ajudam-se uns aos outros”, conta o pai. A família chegou a ir a um evento onde estavam os youtubers famosos, mas, perante as filas, desistiram. Um dia, viram um deles e Beatriz explicou ao menino que não iam incomodar o jovem porque estava a jantar. “São heróis”, resumem os pais. Ana Galvão concorda: “São corajosos, divertidos, têm uma vida que todos gostavam de ter.” Sea3PO prefere ver-se como “uma inspiração”.

Com todos os cuidados, Hugo Rechena, engenheiro informático, e a mulher, que trabalha na área da comunicação, deixaram o filho abrir um canal de YouTube. O menino – que não quer ser identificado nem neste artigo nem na Internet, onde aparece com uma máscara de Iron Man – assumiu o nome de Iron pt Vlog, e tem quase 90 subscritores. Naquele espaço-conversa, constrói coisas, faz truques de cartas ou de magia e até já fez um vídeo sobre um hotel onde passou um fim-de-semana em família. “E não foi patrocinado!”, brinca o pai. “Ele é muito criativo e não copia as temáticas dos youtubers que admira”, conta a mãe, que reconhece que a criança tímida se transforma por detrás da máscara, revelando desenvoltura, criatividade e sentido de humor.

O rapaz sabe que há uma linha que não pode atravessar, a da falta de educação. Todos os vídeos são vistos pelos pais antes de irem para o canal. “Existe uma pegada que deixamos na Internet e convém que, no futuro, ele olhe e não se envergonhe. Convém que o seu legado não o comprometa”, diz o pai. E também sabe que, se as notas baixarem, a sua carreira pode terminar. Entretanto, tem o apoio dos pais e fez um curso numa escola de programação.

Pais têm gap tecnológico

O interesse das crianças e dos adolescentes é crescente e não são só as grandes marcas, mas também as editoras, que o perceberam. “Os livros de youtubers são uma tendência editorial e ocupam os primeiros lugares dos tops infanto-juvenis”, responde Sofia Monteiro, da Marcador, que publicou os livros de Wuant (na 9.ª edição), Miguel Luz (7.ª edição), Inês Rochinha (4.ª edição) e vai publicar o da Sea3PO. “Como estamos ligados ao contexto escolar, não queremos editar algo cujos valores não são aqueles que defendemos. Preferimos livros mais educacionais”, responde Susana Baptista, da Porto Editora, que em Fevereiro vai publicar Quero Ser Uma YouTuber, da brasileira de 12 anos Júlia Silva, que começou aos seis anos e tem três milhões de subscritores no YouTube. Trata-se de um livro para crianças com conselhos sobre como criar um canal, que cuidados ter, como lidar com a fama; mas também para os pais. Estes “não conseguem estar em todo o lado, por isso é importante saberem como as coisas funcionam”, avalia Susana Baptista.

Sempre que o filho de Beatriz e Hugo Rechena está no YouTube, eles estão atentos, dizem. Por exemplo, nunca se vê nada com auscultadores postos, mas com o som audível. Mas isso não quer dizer que não possa ver coisas que os pais preferissem que não visse, sabem. Também Ana Galvão diz que o filho é “bastante controlado”, mas tal não significa que não veja com os amigos. “Não sou pela proibição de conteúdos, mas os pais têm de estar mais em cima disto”, defende a voz do programa da tarde da Renascença. Por exemplo, Ana e Beatriz descobriram, através dos filhos, que o YouTube também se pode ver pela televisão. “Temos um tremendo gap tecnológico em relação aos nossos filhos”, admite Ana Galvão.

No YouTube existem “filtros parentais”, assim como há a possibilidade de denunciar um vídeo. “O YouTube é um espaço para utilizadores com 13 ou mais anos”, informa Rui Carvalho, porta-voz da empresa em Portugal, acrescentando que existe a opção “modo restrito” que “permite às famílias filtrar mais os conteúdos”. Esta tem sido uma preocupação da empresa, que está a “investir significativamente na moderação de conteúdos”. A empresa não responde à pergunta se há denúncias a vídeos de youtubers portugueses.

“Temos de ter cuidado com o conteúdo e ver o que os nossos filhos estão a ‘ver’. É como deixar um filho andar na rua sozinho, temos de ter cuidado”, aconselha Miguel Raposo, o agente dos youtubers. “O controlo parental pode estar no nosso aparelho, mas não estar no de outro pai ou dos amigos”, observa Hugo Rechena. “Há pais que não sabem o que os filhos vêem ou que têm canais onde publicam vídeos”, acrescenta a mulher. O marido lembra as potencialidades que tem um smartphone, que os pais desconhecem. “Não devemos restringir, mas educar”, propõe. “E acompanhar”, complementa Beatriz Rechena.

 

 

Videojogos: quando a vida dos filhos passa a estar centrada num ecrã

Janeiro 4, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 27 de dezembro de 2016.

No centro clínico PIN — Progresso Infantil os pais são convidados a participar nos jogos com os filhos Enric-Vives Rubio

No centro clínico PIN — Progresso Infantil os pais são convidados a participar nos jogos com os filhos

Vício é cada vez mais comum entre as crianças que passam a viver isoladas. O PÚBLICO acompanhou uma sessão com pais e filhos num centro clínico que trata este comportamento aditivo.

Romana Borja-Santos

As crianças vão entrando e pedindo licença para ocupar um lugar nos poufs dispostos em frente às consolas. Timidamente. Quase é necessário que os terapeutas lhes peçam para começar a jogar. À porta, os pais espreitam. No entanto, não é preciso passar muito tempo para que estalem os primeiros sinais de conflito entre os meninos. Parar o jogo e dar lugar a uma outra criança parece ser uma missão difícil, mesmo num ambiente diferente do de casa. “É um dos sinais de adicção aos videojogos”, alerta Pedro Rodrigues, psicólogo clínico e um dos psicoterapeutas do centro clínico de desenvolvimento PIN — Progresso Infantil, onde decorreu esta experiência que junta pais e filhos numa sessão sobre os desafios que as novas tecnologias estão a trazer às famílias.

Enquanto os filhos jogam, os pais são convidados para uma conversa de grupo com Pedro Rodrigues. O relato dos problemas que têm em casa também começa de forma tímida. Mas rapidamente concluem que lidam com casos muito semelhantes. “A maior dificuldade é quando é para o tirar do jogo, mas eu até compreendo em parte porque gosto de jogar”, sintetiza Octávio Gonçalves, um dos pais. A sessão, que decorreu há uma semana, contou com um grupo de 30 crianças. Pedro Rodrigues admite que não são raros os casos com demonstrações de violência física que chegam ao centro, em Paço de Arcos, Oeiras. Alguns já partiram a consola, o computador ou o telemóvel nos momentos de revolta.

Além das explosões de raiva, o interesse quase exclusivo e obsessivo pelos jogos e pela Internet é outro sinal de alerta, a par com o aumento do tempo de jogo, os conflitos, a quebra do rendimento escolar e as mentiras sobre o tempo que se passa a jogar. A perda de outros interesses, a fuga às emoções e o insucesso em tentar reduzir o tempo de jogo são outros sinais. Quando quatro ou cinco destas características estão presentes, Pedro Rodrigues alerta que é urgente pedir ajuda. Aliás, este comportamento adictivo foi incluído em 2013 na última revisão do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais.

“Os pais vêm procurar ajuda quando o problema já está no patamar do intolerável, quando existe violência física, verbal e quando as notas baixam, porque os pais são muito sensíveis às notas”, diz João Faria, também psicólogo clínico e responsável pelo Núcleo de Intervenção no Comportamento Online do PIN, centro que é dirigido pelo neuropediatra Nuno Lobo Antunes [ver entrevista ao lado]. Aqui acompanham sobretudo crianças com perturbações do desenvolvimento, em que são mais comuns os problemas de dependência — em particular nos casos de Síndrome de Asperger (forma ligeira de autismo). “Nestas perturbações há muitos interesses exclusivos e tendência para escolher uma actividade e desenvolvê-la muito, também pela capacidade de controlo e antevisão da situação”, explica João Faria.

“Quer ser youtuber

Na sessão com os pais, alguns admitem que tentam lidar com o problema proibindo temporariamente os jogos. Helena Castro tem dois filhos. Diogo com 13 e António (nomes fictícios) com 10 anos. O primeiro chegou ao PIN devido a problemas de comportamento, o segundo tem Asperger. As tecnologias são um problema, sobretudo no mais velho. “Quer ser youtuber”, resume a mãe, que relata dificuldades em casa e na escola — com uma série de notas negativas e “brancas” nos testes. Diogo quase nunca se desliga. Mesmo na escola vai fazendo vídeos com os amigos e publicando na Internet. “Volta e meio tiro-lhe o telemóvel e dou-lhe um dos antigos, que só faz e recebe chamadas. Chama-lhe o Ipedra, em brincadeira com o nome do Ipad, e diz que sou uma ditadora, uma Hitler.”

Susana Saldanha conhece bem o cenário. É mãe de um outro youtuber, Francisco, de 10 anos, “que sempre foi extremamente regrado” até terem ido, há um ano, por razões profissionais, para o Rio de Janeiro. “É uma sociedade totalmente diferente e posso dizer que o meu filho era um pouco gozado por ser português. Nem telemóvel tinha e lá eles têm tudo e eu tive de lhe dar um para ele se sentir integrado”, explica.

A oferta teve o efeito contrário: Francisco começou a isolar-se cada vez mais. Passou a estar sempre online ou a jogar. A relação de proximidade com a mãe deu lugar a conflitos. Mergulhava cada vez mais tempo nos jogos. Entrou em depressão, teve pela primeira vez uma crise de epilepsia que os médicos atribuíram à mudança radical de vida. Regressaram a Portugal. Mas com eles veio também “o vício dos videojogos e da Internet”. “O meu filho reconhece que está viciado e que tem dificuldade em parar e que acaba por usar os jogos e o YouTube como um refúgio para as emoções”, explica.

Proibir?

Pedro Rodrigues e João Faria são unânimes: proibir não deve ser o caminho. Até porque os jogos têm potencialidades. Na sala onde decorre a experiência há conflitos. Mas também há meninos que quase não comunicam e que a jogar vão falando e rindo com os parceiros. “Se eu retirar não vou dar a possibilidade das crianças aprenderem a auto-regularem-se. A tecnologia deve ser um elemento de ajuda nos ganhos de competência. Isso implica que pais e educadores estejam mais presentes”, defende Pedro Rodrigues. O psicólogo lembra que a adicção aos videojogos actua no cérebro da mesma forma que “as drogas como a cocaína ou heroína”, pelo que é “essencial” actuar no comportamento em vez de só restringir.

Dicas que Susana Simões, outra das mães presentes na sessão, recebe como úteis, mas com dúvidas. “Os jogos violentos trazem algum benefício?”, questiona. Pedro Rodrigues defende que os pais devem ficar atentos às idades recomendadas. “Mas mesmo que eu tente evitar há os colegas da escola que vêem programas e jogam jogos violentos”, contrapõe Susana Simões.

Uma realidade de que Pedro Rodrigues está consciente. A receita, defende, está em conversar com os filhos sobre o mundo irreal dos jogos. Sobre a violência em concreto, reconhece que pode parecer estranho, mas sublinha que “pode servir como momento de libertação de energias sobretudo nos jovens com algumas perturbações e com dificuldade em aderir a actividades físicas”. Nas perturbações do desenvolvimento há quase sempre um défice na produção de dopamina, uma substância associada ao prazer e às recompensas que muitas vezes estes jovens não conseguem no mundo real.

O terapeuta lembra que a postura inicial dos pais neste dia de experiência foi ficar fora da sala das consolas, recomendando que tentem participar nas actividades — até para perceberem como funcionam os jogos. João Faria corrobora que é importante os pais envolverem-se, considerando que pode ser perigoso “tirar o chão” a estas crianças — ou seja, fazer um corte radical. Até porque, este comportamento de dependência, diz, é muitas vezes o espelho de outros assuntos mal resolvidos, nomeadamente a incapacidade que muitos jovens têm em serem aceites socialmente e em terem os resultados esperados a nível escolar. “Os pais estão ávidos de ter estratégias, mas tem de ser feito um trabalho prévio”, sublinha João Faria. “Têm de ter tempo para serem pais.”

 

 

WeTube Studio, a incubadora de “youtubers”

Abril 28, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://p3.publico.pt/ de 18 de abril de 2016.

Juliana Santos

As estatísticas dizem que, em 2018, dois terços do conteúdo online vão ser vídeo. Vão começar a aparecer escolas de “youtubers”?

Texto de Juliana Santos

Para quem sempre quis criar conteúdo original para o YouTube, mas não tem as ferramentas necessárias (ou precisa de motivação extra), foi criado em Santo Amaro de Oeiras o primeiro estúdio do país que se dedica à produção e edição de vídeo para partilha online, o WeTube Studio.

Esta “incubadora de futuros grandes youtubers”, como define Miguel Brito Gonçalves, um dos sócios, foi projectada por três profissionais de multimédia e teve em conta a crescente popularidade do YouTube e dos seus produtores de conteúdos, os chamados “youtubers”.

O mote partiu de Miguel, pai de dois adolescentes, que notou que os seus filhos deixaram de assistir televisão e passaram a estar mais atentos ao online. Contudo, é um cenário que se repete em tantas outras casas: “Os miúdos já não vêem televisão porque no YouTube podem seleccionar o que vêem, a que horas vêem”, afirma Ricardo Santos, outro dos sócios e também formador. “As plataformas tradicionais estão a ficar obsoletas, não temos de estar reféns da programação de um canal de televisão, apesar de já podermos andar sete dias para trás.”

A carreira de “youtuber” é agora uma das mais cobiçadas entre os mais jovens, mas os meios que existem não são os mais favoráveis: “A maioria aprende a ver tutoriais que nem sempre são os mais próprios”, explica Ricardo. “Os melhores estão em inglês, mas alguns miúdos não têm ainda a destreza para perceber tudo.”

 Um conceito pioneiro

Embora existam outros cursos de edição de vídeo no mercado, este apresenta-se como pioneiro, não só porque aborda directamente a questão da partilha online, mas também porque tem em vista uma utilização mais extensiva. Como o público-alvo é o jovem, tiveram em conta o horário, que não poderia ser laboral, mas também a duração, que é apenas oito horas.

O curso divide-se em quatro módulos: a abordagem inicial ao programa de edição; os efeitos, as transições e as sincronizações de câmaras; a utilização de “chromas” e capturas de ecrã; e, por fim e em jeito de teste, a produção e edição de um vídeo para posteriormente carregar no canal de YouTube.

E quem não quer ser “youtuber”?

Tomás tem 18 anos e frequenta a licenciatura de Engenharia e Gestão Industrial. É o mais velho da turma, mas não partilha com os seus colegas o entusiasmo pelo YouTube: “Não sou muito de fazer vídeos para o YouTube, mas gosto da parte da edição, por isso estou a tirar o curso. Pode vir a dar jeito.”

As competências adquiridas aqui expandem-se para além do YouTube. Se a edição de vídeo é uma ferramenta que muitos empregadores valorizam, a comunicação interpessoal é uma capacidade que é treinada em todas as aulas, mesmo que os alunos não estejam tão à vontade: “O YouTube é uma rede de partilha e um sítio onde as pessoas se conseguem abrir. Mesmo as mais introvertidas estão ali a expor-se e não têm problemas com isso. É uma nova maneira de comunicar”, alerta Ricardo.

Apesar de ainda só ter alguns meses de vida, o estúdio está já a preparar outros cursos, incluindo edição de vídeo nível II, edição de imagem e efeitos de imagem e de vídeo.

Por agora, as inscrições só estão disponíveis para a terceira turma de edição de vídeo, e podem ser feitas aqui ou nas instalações do estúdio no Edifício Parque Oceano. O curso custa 125 euros.

 

 

 

 


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