Caso Team Strada. E agora, como é que lido com os meus filhos? Experimente começar com uma conversa

Agosto 21, 2019 às 6:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Sapo24 de 29 de julho de 2019.

Margarida Alpuim

As notícias da semana passada sobre a Team Strada e o fascínio pelo mundo dos youtubers e influencers voltou a chamar a atenção para os riscos dos comportamentos online desregrados. Numa sociedade em que nascemos “com o nariz colado ao ecrã”, duas psicólogas sugerem estratégias para que os pais possam ajudar os filhos a fazer uma utilização segura da Internet. As conversas sem julgamento de valor criam espaço para fazer perguntas, partilhar angústias e promover o juízo crítico — mas nem sempre é fácil saber por onde começar.

“Uso das tecnologias? Sim. Desde pequenos? Sim.” Só que com regras. Quem o diz são duas psicólogas que trabalham com jovens, uma na área da ciberpsicologia e outra na promoção de comportamentos saudáveis.

As especialistas falaram ao SAPO24 a propósito da polémica com a Team Strada: o caso mediático de um projeto de jovens youtubers coordenados por um adulto, Hugo Strada, que tem sido alvo de crítica pela proximidade física considerada excessiva que estabelece com os membros mais novos do grupo, alguns deles menores de idade. O Ministério Público já confirmou a abertura de um inquérito relativo à ação deste homem de 36 anos.

Ivone Patrão, docente no ISPA – Instituto Superior de Psicologia Aplicada e investigadora na área dos comportamentos e dependências online, e Margarida Gaspar de Matos, professora universitária e colaboradora numa rede da Organização Mundial de Saúde que estuda os comportamentos dos adolescentes, dão voz a uma visão que tem vindo a ficar cada vez mais clara nos últimos anos: a Internet tem aspetos positivos para o desenvolvimento infantil e juvenil, informa, entretém, “só que não é baby-sitter”, e precisa de ser utilizada com supervisão.

A afirmação parece óbvia e simples, mas, quando chega a hora de definir limites e de encontrar estratégias para ajudar os mais novos a fazerem um uso saudável das tecnologias, muitas vezes os adultos não sabem por onde começar.

“Os pais estão receosos destas conversas, não sabem como as fazer. Mas, se não começarem a experimentar, também nunca as fazem”, afirma Ivone Patrão. A especialista encoraja os responsáveis a não terem medo: “A conversa não é nada de transcendente. Até porque há coisas que os pais vão certamente logo perceber”.

O que fazer, então?

Antes de mais: Conversar com “serenidade” e evitar os diálogos extremados

“Quando os pais ficam aflitos e começam a proibir [a utilização da Internet] e a dizer que é um horror, não criam bom impacto”, explica desde logo Margarida Gaspar de Matos. Reações como esta, acredita a psicóloga, levam os filhos a dizerem: “O meu pai não percebe nada disto”. “E riscam os pais da lista” de pessoas a quem recorrer em caso de dúvida.

A ideia não é os pais “impedirem os filhos de acederem aos vídeos ou à Internet. Isso é uma política muito catastrófica, que só faz com que cada um fique radicado na sua certeza”, continua.

Ivone Patrão concorda. As conversas sobre os limites e disciplina no uso da Internet devem acontecer sem que haja “um juízo de valor à partida”. Não traz bons resultados dizer: “Isto não presta, isto não vale nada, não vejas isto”. Isso afasta os mais novos, considera a psicóloga.

Quando os adultos reagem de forma radical sem entrarem em diálogo com os filhos e “sempre com o sermão no cantinho do seu cérebro”, Margarida Gaspar de Matos diz que o resultado acaba por ser as crianças ou os jovens deixarem de falar com os pais e  ficarem “sozinhos, sem saber o que hão de fazer”.

A alternativa, defende, é ter uma “conversa que não seja assustadora, que seja serena”. “Uma atitude de serenidade; de disciplina, mas de diálogo”, sublinha. Desta forma, “se os filhos por algum motivo ficarem aflitos, vão perguntar aos pais”.

Ivone Patrão, que é também terapeuta familiar, reforça a ideia: as crianças e os jovens “têm de estar à vontade para dizerem aos pais ‘Vi isto’ ou ‘Apareceu aquilo’”, referindo-se ao facto de por vezes aparecerem imagens com conteúdos inapropriados para os mais novos — como homens e mulheres nuas. Em vez de o responsável a dizer “Apareceu isto? Então, nunca mais vês”, a psicóloga sugere que a conversa seja ao contrário e que se entre em diálogo: “Quando isso aparecer, o que é que achas que deves fazer?”. Assim, diz, “começamos a imprimir juízo crítico, a imprimir as questões da valorização, do respeito, de como se comunica”, continua.

A ideia é “pô-los a pensar” a partir dos conteúdos que lhes chegam: “O que te pareceu o comportamento deste youtuber? E esta linguagem?”. Ivone Patrão dá um exemplo: usar algumas expressões “em determinado contexto e para fazer humor é uma coisa, passar o dia a dizer asneiras é outra”. “Temos de ter espaço para falar disto. E não me parece que as famílias tenham este espaço”, considera.

Estratégias construtivas para criar disciplina

Uma forma de criar espaços de conversa é jogar com os filhos e ver alguns vídeos com eles. Sabendo que os pais não podem “estar a supervisionar a todo o segundo”, refere Ivone Patrão, “é muito importante que se estabeleçam bem as regras quanto ao número de horas que [os filhos] estão online e quanto ao tipo de conteúdos que são visualizados. E que se dê espaço para falar sobre como está a correr o cumprimento” das regras estabelecidas: “Mostra lá o que tens estado a ver?”, “Em que é que estás mais interessado agora?”. “Senão, os pais perdem o fio à meada” e não se instala o hábito de ir conversando sobre o tema.

É precisamente por isso que as duas especialistas concordam com a ideia de que seja criada disciplina desde cedo.

Margarida Gaspar de Matos põe o relógio da utilização da Internet a contar logo a partir dos três anos — para as crianças com dois anos ou menos é mesmo desaconselhável, acrescenta. A ideia é limitar o tempo que as crianças estão online. “Não é preciso grandes explicações. É só dizer que, tal como não podem comer ou dormir o dia todo, também não podem estar ao computador todo o dia. Só podem estar meia hora depois do lanche”, exemplifica.

“Se a criança se habituar que a vida é assim — com uma disciplina à volta da utilização dos ecrãs —, vai considerar isso normal”, completa.

“O que também se tem de fazer desde os três, quatro anos é dar alternativas a estar com o nariz no ecrã. Sugerir outras coisas para fazer. Pode ser ler, ajudar nas tarefas da casa, fazer legos, praticar um desporto. E atividades em família”, salienta Margarida Gaspar de Matos. A psicóloga lembra até que os momentos passados em família proporcionam um espaço para conversas informais, sem ser “aquela hora da conversa de que os adolescentes não gostam nada”. Naturalmente, “à medida que se vai fazendo uma caminhada ou se vai fazendo um bolo, as pessoas estão na conversa e os temas surgem”.

Ivone Patrão adverte para que, nos dias de hoje, nas conversas que têm com os filhos, não basta aos pais perguntar: “O que está a acontecer na escola? E cá em casa? E com os avós?”. “Não. Então e online? O que é que está a acontecer online? Também temos de olhar para isso”, exclama. Até porque às vezes “podem andar a acontecer coisas online que influenciam o estado de humor daquela criança ou daquele jovem e os pais não sabem”, alerta.

A polémica que se gerou na última semana sobre a Team Strada e as mensagens que têm circulado nas redes sociais — por exemplo, “nunca esperei isso do Hugo Strada, realmente ele magoou muitos”, “eu gostava tanto da Team Strada” ou “cansei de estar calada e como medo. Isto é abuso psicológico” — revelam que há muitos jovens a sentirem-se afetados pela situação de alguma maneira.

Caso Team Strada: “Quem visualiza está em risco, mas quem está dentro pode estar em perigo”

Na sexta-feira, dia 26 de julho, a Procuradoria-Geral da República confirmou a “instauração de um inquérito” em relação à atuação de Hugo Strada, o adulto mentor do grupo. Em causa estão imagens da interação entre ele e os jovens que têm gerado controvérsia.

Toda a polémica e o possível fim do grupo pode ter um impacto real quer nos participantes da Team Strada, quer nos fãs, acredita Ivone Patrão.

“Quem visualiza [os vídeos da Team Strada] está em risco, mas quem está dentro deste enredo pode estar em perigo”, avança a investigadora, advertindo que nesta fase apenas é possível comentar em termos hipotéticos, uma vez que não há informação oficial sobre as dinâmicas no interior do grupo.

Caso os atuais membros da equipa estejam “a ser alvo de algum tipo de abuso psicológico ou até sexual”, eles estão em perigo. A psicóloga não tem dúvidas: Dadas as circunstâncias, “tinha de  ser aberto inquérito” para averiguar os comportamentos em questão.

Por outro lado, se para os membros do grupo a Team Strada era, possivelmente, além de um projeto de vida, um espaço de “carinho”, há uma perda a considerar.

“Se isto era uma forma de eles receberem afeto, isso agora vai-lhes ser retirado”, explica. Se a equipa funcionava como um “grupo de pertença”, estes jovens sentiam-se integrados num grupo de pessoas “com quem se identificavam, com quem faziam todas as atividades, riam, choravam”. Caso tenha de acabar, “não deixa de ser uma perda”, esclarece a psicóloga.

Dependendo da gravidade das situações, estes jovens “podem vir a desenvolver sintomatologia negativa — revolta, tristeza, ansiedade”. “É importante que haja suporte. Da família, dos amigos. Pode haver até alguns casos de jovens que necessitem de acompanhamento psicológico”, adianta a especialista, deixando a ressalva de que “não gosta de psicologizar tudo” e que as respostas devem ser dadas consoante a reação de cada um.

Ao mesmo tempo, os jovens que veem ou viam os vídeos da Team Strada também “estão em risco”, por estarem expostos todos os dias a conteúdos desadequados, podendo começar a “achá-los normais” e a perder “o juízo crítico”.

Aquilo que os pais podem fazer para ajudar os filhos a gerirem as emoções e a fazerem uma leitura saudável do caso passa primeiro por “dar espaço para eles falarem. Muito. Ouvir. Dar espaço para colocarem cá para fora todas as suas angústias, ansiedades. O que acham, o que pensam”, sugere Ivone Patrão. E depois tranquilizá-los — “Agora podes visualizar outras coisas”, “Os projetos têm princípio, meio e fim” — e perceber se o discurso está “fora da realidade e a inundar a liberdade de alguém”. Nesses casos, os pais podem ajudar os filhos a recentrarem-se e recordar os valores que querem alimentar na família.

Para as situações mais extremas, caso os jovens se sintam “sozinhos, amedrontados, isolados, sem ninguém com quem falar”, Margarida Gaspar de Matos lembra que existem linhas de apoio para onde as crianças e os jovens podem telefonar e que são atendidos por alguém que os ajuda primeiro a baixar os níveis de ansiedade, e depois a encontrar formas de apoio para lidarem com o momento que estão a viver. Um exemplo desses serviços, gratuitos, é a Linha SOS Criança (número: 116 111).

Para que não se chegue a estes pontos de rutura, a docente da Universidade de Lisboa insiste no papel fundamental da prevenção e na importância de que os filhos recebam afeto de forma a que se sintam “enraizados” e “contentes com a vida”, evitando assim que, por estarem fragilizados, se vejam envolvidos em situações de vulnerabilidade.

A Team Strada é um projeto criado em abril de 2018 com o objetivo de juntar jovens youtubers. Num livro publicado em outubro do ano passado, a Team Strada apresenta os seus membros como estando “prontos para fazer as melhores pranks [partidas], causar o pânico e aventurar-se em grandes desafios”.

O criador e mentor da equipa é Hugo Strada, de 36 anos, também ele youtuber, e que se identifica como gestor de artistas e influencers e produtor de eventos.

O projeto conta também com uma casa, onde os jovens se juntam para criar conteúdos “que são publicados no YouTube, a principal plataforma da Team [o canal está neste momento inacessível]”, pode ler-se no livro.

Sabemos onde andam os nossos filhos?

Agosto 10, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de opinião de Rute Agulhas publicado no DN Life de 28 de julho de 2019.

Esta semana os adultos passaram a conhecer a chamada “Team Strada”. Sim, os adultos, porque as crianças e jovens portugueses há muito que conhecem este adulto que terá 36 anos, angariador de miúdos que desejam ser youtubers (nome chique) e influencers. Que é como quem diz, alguém famoso que ganha dinheiro a fazer vídeos parvos e tem uma legião de seguidores.

Que os miúdos de hoje já não aspiram a serem astronautas, pilotos de automóveis ou futebolistas, isso já sabíamos. Vários estudos recentes têm comprovado isso mesmo. À célebre pergunta “o que queres ser quando fores grande?”, cerca de metade das crianças a partir da idade escolar responde youtuber. E é vê-los chatearem os pais para tirarem cursos de youtuber (sim, existem), gastarem rios de dinheiro em câmaras de filmar, luzes e todo um conjunto de parafernálias necessárias para conseguirem um vídeo perfeito.

Após diversas queixas, a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção de Crianças e Jovens (CNPDPCJ) expôs a situação ao Ministério Público, pedindo uma investigação para aquilo que considera poder configurar uma situação de perigo para as crianças e jovens envolvidos. Ao vermos os vídeos em questão, deparamo-nos com um tipo de proximidade física aparentemente muito intrusiva, com toques e comportamentos que parecem exceder aquilo que será adequado. É bem-vinda esta investigação.

No entanto, esta polémica deve fazer-nos reflectir a outro nível.

Em primeiro lugar, onde estão os pais ou cuidadores destas crianças e jovens que se deixam enredar nestes meandros, sedentos de fama? Ao ponto de poderem fazer qualquer coisa, aceitar qualquer coisa, calar qualquer coisa? Ou querem os pais, mais ainda do que os filhos, esta mesma fama fácil a troco do que tiver de ser?

Em segundo lugar, sabemos a influência gigante que os youtubers têm nas crianças e jovens. E sabemos nós, pai e cuidadores, a que vídeos assistem os nossos filhos? Que influencers influenciam a sua vida? Que comportamentos tentam eles imitar? Que fotos postam eles, na ânsia de receberem mais likes? Que conversas têm nos milhentos grupos de WhatsApp a que pertencem? Quais os conteúdos dos seus jogos preferidos?

Pois é. Às vezes pensamos que sabemos, mas não sabemos. Os maiores perigos há muito que deixaram de ser as más companhias e as drogas na rua. O maior perigo pode estar mesmo aí ao seu lado, aqui ao meu lado, em nossa casa. Debaixo dos nossos olhos. E este perigo é maior ainda porque é silencioso e não incomoda muito. Os miúdos até estão sossegados e entretidos entre quatro paredes, e acreditamos (ou queremos acreditar) que isso é o bastante para os proteger. Mas não é.

Numa era digital, as competências parentais têm de ser transpostas para o mundo online. O que equivale a dizer que é necessário comunicar abertamente com os filhos e conhecer as actividades digitais em que eles se envolvem, protegendo-os dos perigos que a Internet pode representar.

Dá trabalho? Dá.

Eles refilam porque detestam sentir-se controlados? Refilam.

Mas a supervisão é o único caminho seguro.

 

[Entretanto, o YouTube terá encerrado o canal do Team Strada, depois da abertura de um inquérito por parte do Ministério Público, na sequência das queixas que chegaram à CNPDPCJ.]

“Team Strada”. Proteção de Menores envia denúncias sobre youtuber para o Ministério Público

Julho 27, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 26 de julho de 2019.

Marta Leite Ferreira

Manuel Pestana Machado

Ana Catarina Peixoto

Vídeos causaram polémica no Twitter, com críticas à proximidade física entre o responsável do “Team Strada” e adolescentes youtubers. “Podem consubstanciar perigo”, diz Comissão de Proteção de Menores.

A Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção de Crianças e Jovens (CNPDPCJ) enviou para o Ministério Público denúncias recebidas nas últimas horas acerca do youtuber Hugo Strada, que gere a “Team Strada”, um grupo de youtubers adolescentes, por considerar que os jovens em causa podem estar “perante eventuais situações que podem consubstanciar perigo”, confirmou a CNPDPCJ ao Observador.

Num e-mail enviado em resposta ao Observador, a CNPDPCJ explica que, “quando estamos perante eventuais situações que podem consubstanciar perigo, por norma são encaminhadas para as CPCJ territorialmente competentes”: “Quando se desconhece o local de residência das crianças/jovens envolvidos, como é o caso, estas comunicações são encaminhadas para o Ministério Público — Família e Menores, o que a Comissão Nacional fez após denúncias recebidas”.

O youtuber em causa fala em “difamação” e em acusações que põem em causa o seu bom nome, prometendo agir judicialmente contra os que estão expor o caso nas redes sociais. A declaração junta-se às de vários jovens que, nas últimas horas, saíram em defesa do criador da Team Strada, negando as alegações.

Hugo Strada, de 36 anos, e o grupo de jovens da “Team Strada” têm sido criticados no Twitter após a partilha de um youtuber, João Sousa, que denunciava o conteúdo dos vídeos publicados por eles, nos canais da equipa no YouTube e outras redes sociais.

Num dos filmes partilhados no YouTube, Hugo Strada surge a entrar numa casa de banho enquanto uma das jovens da equipa está a utilizá-la. Além disso, no Twitter, vários utilizadores expuseram imagens de eventos em que o gestor interage com fãs menores de idade, criticando a forma como o faz, sobretudo por aquilo que consideram ser a proximidade física excessiva que demonstra ter. Há ainda relatos de alegada extorsão, burla e aproveitamento.

Uma dessas denúncias foi enviada pelo grupo Voluntários Digitais em Situações de Emergência para Portugal (VOST Portugal), que partilhou o e-mail enviado à CNPDPCJ no Twitter.

Em declarações ao Observador, o coordenador Jorge Miguel Gomes sublinha que o grupo não pretende “acusar ninguém”, mas que alguns dos conteúdos partilhados pareceram “impróprios” por envolverem menores. “A nossa maior pergunta, aliás, é onde estão os pais destas crianças?”, questiona.

A origem da polémica

A 19 de julho, na última sexta-feira, Hugo Strada, um gestor digital e musical, anunciou no programa Curto Circuito, da SIC Radical, que vai lançar uma “escola de influencers“: “Vim dizer que a Team Strada e eu vamos abrir oficialmente uma escola. Uma escola de influencers. Chama-se Strada School”, afirmou. Ainda antes de desvendar a novidade, no entanto, Hugo Strada surge a beijar um membro do grupo conhecido por “Dumbo”. Esse jovem, de 17 anos, não estava junto ao manager e aos colegas no início do programa. Quando chega, Hugo Strada e Dumbo cumprimentam-se um beijo nos lábios.

Esse foi o momento que espoletou a polémica, que se tornou o assunto mais popular do Twitter ao longo da última quarta-feira, quando o Curto Circuito publicou as imagens do programa no YouTube. Um dos primeiros a comentar o caso nas redes sociais foi João Sousa, um conceituado youtuber com quase 730 mil subscritores. “Eu estou há imenso tempo para dar expose à Team Strada no YouTube mas a minha agente não me deixa. Ando a estudar o caso deles há algum tempo e quanto mais coisas vejo, mais preocupado fico. E sinto que fazer isto já é mais um dever cívico do que outra coisa”, publicou o influenciador no Twitter.

Mais tarde, João Sousa anunciou que publicaria um vídeo na mesma rede social com conteúdos que considerava “desconfortáveis e duvidosos”: “Para algumas pessoas, não vai ser algo conclusivo, mas garanto-vos que isto é só a ponta do icebergue. Para entenderem a gravidade disto eu tinha de fazer um vídeo de 30 minutos no YouTube”, justificou.

O vídeo publicado por João Sousa inclui excertos de filmes carregados na página oficial da Team Strada no YouTube. Mostram Hugo Strada, o manager dos influenciadores, a carregar num desodorizante em spray junto aos genitais de uma das youtubers do grupo, a beijar outro membro da equipa nos lábios, a tocar à campainha de uma mulher na noite de Halloween e a pousar a mão na coxa de uma fã menor.

O momento que mais comentários suscitou foi aquele em que Hugo Strada entra numa casa de banho enquanto uma rapariga a está a utilizar. No vídeo, o manager anuncia jocosamente que estava a gravar “um tutorial” sobre “como limpar uma cenaita” — um termo da gíria que se refere a uma vagina. Entre risos, e enquanto coloca os braços em cima das pernas para esconder as partes íntimas, a influenciadora pede para que Hugo Strada e os outros membros que com ele entraram na casa de banho saiam para que ela se possa limpar. Nesse momento, o manager olha para a câmara e diz: “Não levem a mal porque eu sou tio dela. Faço isto desde que ela tem dois anos”.

Depois de publicar estas imagens, que foram partilhadas 8 mil vezes no Twitter, João Sousa garantiu que aquele conteúdo representava “10%” de tudo o que tinha visto até àquele momento: “Pode parecer estranho mas tenho acompanhado isto há muito tempo e arrecadado muita informação e é mesmo preocupante. Não faço esta merda pelo clout [fama], acredito mesmo que existam crianças em risco”. E acrescentou: “Depois deste post tenho imensa gente que trabalhou com eles que se está a chegar à frente e a contar-me coisas chocantes e muito mais graves a níveis que não imaginei, não tenho nenhum dúvida quanto a avançar com isto”.

Mas, até agora, João Sousa não divulgou mais informações sobre o grupo. “O mais provável é começar a receber ameaças por parte dele [Hugo Strada], que me vai meter em tribunal, não seria a primeira vez”, justifica. Por isso, vai procurar ajuda legal: “Vou juntar-me com advogados e trabalhar esta situação legalmente para não meter em risco nenhuma das testemunhas tanto a nível jurídico como físico, pois pelo que estou a entender penso que poderá ser uma realidade. Só depois avanço com isto”.

Ainda esta quinta-feira, o youtuber reiterou que não falará mais sobre o assunto porque as suas publicações “tiveram um grande mediatismo e chegaram aos ouvidos de muita gente, que era o que este assunto precisava — atenção do público”.

Entretanto, começou a circular, também no Twitter, uma gravação áudio com supostas ameaças do Hugo Strada contra ex-membros que falassem mal dele. O som está a ser publicado por estes ex-membros da Team Strada, que têm tweetado sobre o assunto. Não é claro, porém, em que contexto o áudio foi gravado ou se a voz, de facto, corresponde à de Hugo Strada.

O manager do grupo também terá começado, ele próprio, a receber ameaças. Aquele que será o seu número de telemóvel também está a ser partilhado de forma pública nas redes sociais.

O Observador tentou entrar em contacto com Hugo Strada e com a sua equipa durante esta tarde, mas até ao momento não recebeu qualquer resposta. Entretanto, no Instagram, o manager publicou um comunicado em que diz que vai “encaminhar o assunto para que sejam tomadas as medidas legais para repor a verdade”, uma vez que considera que foi “alvo de comentários difamatórios e de acusações” que colocam em causa o seu “bom nome”. Além disso, o agente diz repudiar “qualquer acusação” que lhe tem sido feita. E acrescenta que tem havido “manipulação de imagens”.

O Observador também tentou contactar João Sousa, o youtuber que denunciou o caso, e a sua equipa de agenciamento, que não quiseram prestar mais declarações, à semelhança de outras pessoas que já trabalharam com a Team Strada.

Dumbo, o influenciador que troca um beijo com Hugo Strada no programa da SIC Radical, já reagiu à polémica nas redes sociais: “Quando vocês eram mais novos davam um beijinho ao vosso pai. Então pronto. O Hugo é como um pai que nunca tive ao meu lado. Até mete piada”, publicou o jovem de 17 anos no Twitter.

O que é a Team Strada?

A Team Strada define-se nas páginas oficiais como “um projeto criado pelo manager Hugo Strada, com o objetivo de reunir os seus agenciados numa grande aventura”: “São moradores daquela que é a Nova Casa dos Youtubers em Portugal e por lá criam-se conteúdos que são publicados no YouTube, a plataforma principal da Team”. O grupo foi criado em abril de 2018, mas o projeto inicial organizava festas para fãs de Justin Bieber, também conhecidas como Beliebers.

Hugo Strada, através da Strada Management, era o organizador desses eventos, que aconteceram, pelo menos, em sete datas: a 2 de setembro de 2017 (Hard Club, no Porto), 4 de abril de 2017 (Lisboa ao Vivo), 3 de dezembro de 2017 (Hard Club), 30 de janeiro de 2018 (Hard Club), 3 de março de 2018 (Estúdio Time Out, Lisboa) e 8 de abril de 2018 (Hard Club). A entrada para estes eventos custava entre 15 e 85 euros.

Um bilhete de 25 euros permitia conhecer os youtubers convidados. E o bilhete mais caro garantia ainda uma camisola oficial, um poster, assistir ao soundcheck e uma foto profissional com os artistas. Entre os youtubers convidados para fazer presenças estavam Windoh, Paulo Sousa e também João Sousa — o influenciador que fez as denúncias mais recentes sobre a Team Strada no Twitter.

Entretanto, a 5 de abril de 2018, Hugo Strada anunciou a criação da Team Strada, uma “nova casa dos youtubers” — ou, como se apresentam no Facebook, “a casa dos youtubers mais incríveis, mais loucos, bem-dispostos e prontos para fazer as melhores pranks [partidas], causar o pânico e aventurar-se em grandes desafios”. De acordo com o grupo, duas semanas após o lançamento do primeiro vídeo, o canal já tinha 75 mil pessoas inscritas e 53 mil seguidores no Instagram. O primeiro filme publicado chegou a ser notícia por estar no top 10 nas tendências do Youtube em Portugal em 2018.

Segundo o canal Team Strada, oito pessoas viviam originalmente nessa nova casa de youtubers, incluindo  o manager e o influenciador a quem Hugo Strada aparece a beijar na boca. Alguns destes youtubers ainda pertencem à equipa, mas uma das jovens já deixou o grupo. E agora também publicou tweets a criticar Hugo Strada.

Quando a polémica estalou, a jovem escreveu no Twitter — numa conta que foi, entretanto, apagada — que sofreu represálias quando decidiu deixar a Team Strada: “Vocês não sabem o quanto eu já chorei e os ataques de ansiedade que eu já tive por causa de estar ali. E depois de sair piorou. Mas uma pessoa não pode falar porque é ameaçada e tratada como merda e restos, apesar de ter feito tudo o que estava ao meu alcance para resolver as coisas numa boa”.

A jovem diz ter tentado seguir a sua vida em frente, mas “depois são só bocas e indiretas”, recorda. “Cansei de estar calada e com medo. Isto é abuso psicológico. Eu sempre tive imensos problemas de ansiedade. Ele sabia e ainda conseguiu piorar tudo. O melhor foi a indireta que mandou num vídeo para mim e para o meu novo manager”.

Segundo a youtuber, Hugo Strada “não paga nos eventos”, mesmo quando isso é alegadamente prometido. Ainda assim, a jovem diz que não concorda com algumas das acusações que são apontadas ao gestor — nomeadamente as relacionadas com a proximidade física com os menores: “Acho isso de uma gravidade extrema”, escreveu.

O Observador aguarda ainda resposta da Procuradoria Geral da República sobre a existência de eventuais investigações relacionadas com o caso.

Youtubers. quando as influências digitais acabam mal

Junho 25, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 5 de junho de 2019.

Boas notícias para os pais: YouTube desativa canais com conteúdos suicidas e violentos para crianças

Março 20, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 1 de março de 2019.

A secção de comentários em dezenas de milhões de vídeos com menores de idade será também removida, após a denúncia de um circuito de pedofilia existente na plataforma

André Manuel Correia

O YouTube, principal plataforma agregadora de conteúdos audiovisuais do mundo, anunciou ter “cancelado determinados canais que colocam em perigo, de alguma forma, as crianças”, como conteúdos que incitam, por exemplo, ao suicídio ou abrem espaço, na secção de comentários, à apologia predatória do abuso sexual de menores.

A decisão surge na sequência de uma onda indignação e de queixas relativamente a um circuito de pedofilia, desvelado pelo youtuber Matt Watson — sobre o qual pode ler mais neste artigo —, a que se soma a denuncia do blog de pediatria “Pedimon.com” de um polémico vídeo, com desenhos animados, interrompido inesperadamente para explicar a forma correta de cortar os pulsos “para chamar a atenção”.

O Youtube reitera o compromisso em criar atualizações para garantir a segurança dos mais jovens e pede para que todos os utilizadores continuem empenhados na denúncia de todos os vídeos potencialmente nocivos e de teor criminoso.

 

Incentivo ao suicídio infantil no YouTube chega à “Porquinha Peppa” e “Fortnite”

Março 15, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do MAGG de 27 de fevereiro de 2019.

por Rita Espassandim

O desafio Momo incentiva os jovens a magoarem-se e está presente em séries ou jogos infantis bem conhecidos. Alerta foi dado pelas escolas.

O desafio Momo chegou no ano passado e foi rapidamente associado à Baleia Azul. Tal como o jogo que escondia uma série de desafios de auto-mutilição, e terminava com o suicídio dos participantes, o Momo desafiava os jovens a acabarem com a própria vida. Agora, parece que estes conteúdos estão a ser incluídos discretamente em vídeos infantis do YouTube, como a “Porquinha Peppa” e “Fortnite”.

Depois de uma mãe ter alertado para a presença de incitações ao suicídio em conteúdos infantis no YouTube e YouTube Kids, as escolas de toda a Grã-Bretanha dizem que as crianças estão a ser alvo de imagens assustadoras e clipes da personagem perturbadora Momo. De acordo com o “Daily Mail“, já foram contactadas por centenas de pais assustados. Os educadores dizem que os clipes aparecem no meio de vídeos aparentemente inocentes de desenhos animados, como a “Porquinha Peppa”, ou sobre jogos de computador como o “Fortnite”.

A Escola Primária de Haslingden, em Rossendale, disse em comunicado: “Estamos cada vez mais conscientes de vídeos altamente inapropriados que circulam online e que estão a ser vistos por crianças em toda a escola. Esses estão a aparecer em muitos sites e no YouTube (incluindo o YouTube Kids).”

Um dos vídeos começa de forma inocente com um episódio da “Porquinha Peppa”, por exemplo, mas rapidamente se transforma numa versão alterada, com violência e linguagem ofensiva. Outro vídeo conta com a presença de Momo e mostra uma máscara branca distorcidaa incentivar as crianças a realizar tarefas perigosas, sem contar aos pais.

No comunicado da escola, pode ler-se ainda: “Como podem imaginar, isto é muito angustiante para as crianças verem. Encorajamos todos os pais a ficarem atentos quando o filho estiver a ver qualquer vídeo.” Outros avisos foram emitidos pela Newbridge Junior School, em Portsmouth, e pela escola primária Offley Endowed, perto de Luton, Bedfordshire.

Momo consiste numa mulher assustadora com cabelos escuros, um sorriso diabólico e olhos salientes, que até agora atraia crianças através de uma conta WhatsApp — agora já está no YouTube. Através da plataforma de troca de mensagens, enviava para o telemóvel imagens e instruções sobre como a pessoa se poderia magoar, a si e aos outros. Momo ameaça que, se as crianças não fizerem o que ela diz, ela as “amaldiçoará”.

Esta semana, uma mãe preocupada de Manchester, que pediu para permanecer anónima, disse que ficou “profundamente alarmada” quando a professora do filho de 7 anos lhe disse que a criança estava a fazer ameaças a outros alunos na escola.

Depois de discutir com o filho, acabou por descobrir que ele tinha sido influenciado pelo desafio Momo e revelou as coisas horríveis que a personagem lhe disse para fazer.

Num comunicado publicado na CNN, o YouTube agradeceu a atenção dada a este problema e garantiu que os vídeos reportados são analisados diariamente e são imediatamente removidos caso não estejam de acordo com as regras da plataforma.

 

 

Há vídeos no YouTube e YouTube Kids que apelam ao suicídio infantil

Março 12, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do MAGG de 26 de fevereiro de 2019.

por Sofia Venâncio

A denúncia foi feita por uma mãe que, a meio de um episódio de desenhos animados, viu um homem a incentivar os miúdos a matarem-se.

Free Hess, uma mãe e pediatra da Florida, Estados Unidos, declarou guerra aos vídeos destinados a crianças com conteúdos impróprios no YouTube. Tudo começou em julho do ano passado, quando Hess, alertada por outra mãe, viu na plataforma YouTube Kids um vídeo de desenhos animados que, a meio do episódio, durante alguns segundos, mostrava um homem a incentivar ao suicídio infantil, explicando como é que as crianças se podiam matar.

Após ter pedido ajuda em alguns grupos online para reportar o vídeo, este foi removido da plataforma. Mas seis meses depois o vídeo estava novamente online, desta vez no YouTube. “Isto deixa-me irritada e frustrada. Eu sou pediatra e vejo cada vez mais crianças que se automutilam e se tentam suicidar“, disse Hess em entrevista ao canal norte-americano CNN. “Eu não duvido que sejam as redes sociais e [vídeos] como este que estejam a contribuir para isto.” O vídeo foi entretanto retirado da plataforma, mas é possível ver um trecho no blogue de Free Hess, “Pedi Mom”.

Após ter voltado a encontrar este vídeo, Hess voltou a pesquisar por vídeos na plataforma YouTube Kids e ficou chocada com o que encontrou. A médica descobriu conteúdos que glorificavam o suicídio, abusos sexuais, tráfico humano, violência doméstica e o uso de armas. Pode ver tudo num outro artigo do seu blogue.

Para travar a disseminação deste tipo de conteúdos, a mulher começou a exigir por parte do YouTube Kids um maior cuidado e controlo nos vídeos disponibilizados nesta plataforma. “[Eu compreendo que a Goolgle] possa não ter os mesmos objetivos que eu, mas exijo que melhorem a forma como respondem quando alguém reporta um vídeo ofensivo”, disse ainda Hess na mesma entrevista, pedindo ainda que os vídeos ofensivos sejam retirados logo após terem sido reportados.

No entanto, Hess reconhece também a importância dos pais nesta batalha contra os conteúdos impróprios. Para a pediatra, os pais devem ter uma maior noção dos conteúdos que as crianças veem online bem como devem ter o cuidado acompanharem a evolução tecnológica. “Há uma discrepância entre o que as crianças sabem sobre tecnologia e o que os pais sabem”, disse Hess.

Em comunicado publicado também na CNN, o YouTube agradeceu a atenção dada a este problema e garantiu que os vídeos reportados são analisados diariamente e são imediatamente removidos caso não estejam de acordo com as regras da plataforma.

“Temos também investido em novas formas de controlo parental, incluindo a funcionalidade de serem os próprios pais a escolherem os vídeos e os canais disponíveis [no YouTube Kids]. Estamos continuamente a melhorar os nossos sistemas e reconhecemos que ainda há muito a fazer”, disse ainda o YouTube, no mesmo comunicado.

Mas este não é o único problema que o YouTube (e a Google) têm enfrentado por causa dos conteúdos impróprios. Recentemente, marcas como a Nestlé, McDonalds, Disney, Epic Games (“Fortnite”) ou Dr. Oetker retiraram os anúncios da plataforma após o blogger Matt Watson ter alertado para o facto de haver pedófilos a trocarem informações e a utilizarem vídeos de ioga e ginástica como parte de uma rede de pedofilia. O vídeo tem cerca de 20 minutos e conta já com mais de três milhões de visualizações.

De acordo com a CNN, o YouTube também já emitiu um comunicado sobre este assunto, assegurando que removeu todas as contas e canais associados a este problema e desativou os comentários em milhões de vídeos onde aparecem crianças. O YouTube também já apresentou queixa desta atividade ilegal às autoridades competentes.

O que é o YouTube Kids?

O YouTube Kids é uma aplicação desenvolvida especialmente para crianças. Disponível em Portugal desde setembro de 2018, a aplicação tem um sistema de controlo parental que permite controlar o tempo de visualização, a ferramenta de pesquisa e os tipos de conteúdos que são acedidos através da plataforma.

 

 

Crianças, a “Momo” não existe e não vos vai fazer mal – Notícia do JN com declarações de Melanie Tavares do IAC

Março 1, 2019 às 3:52 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Foto: Pedro Granadeiro/Global Imagens

A notícia contém declarações da Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança.

Notícia do Jornal de Notícias de 1 de março de 2019.

Rita Salcedas

Desafio violento na Internet que tem crianças como alvo está a preocupar os pais, numa altura em que circulam novos relatos de casos. Instituto de Apoio à Criança apela à partilha e diálogo, para evitar consequências graves.

Há alguns meses que o nome “Momo” vai ganhando espaço nas redes sociais, nos jornais, nos alertas da Polícia e, sobretudo, na vida de pais preocupados incapazes de controlar tudo o que os filhos veem na Internet. É uma espécie de desafio, que começou há meses no WhatsApp e que é atribuído como causa de suicídios infantis e ataques violentos, à semelhança da “Baleia Azul”.

Funciona assim: um utilizador desconhecido, que tem como imagem associada a de uma mulher com os olhos esbugalhados e um sorriso que pode assustar os mais vulneráveis, coage menores a cometer atos violentos. Quem envia a mensagem dá indicações à criança para fazer mal a si própria, sob ameaça de que a família sofrerá se as mesmas não forem seguidas, garantindo ter acesso a informações pessoais do destinatário.

De acordo com a BBC, a imagem assustadora em causa pertence a uma escultura que representa uma mulher-pássaro e faz parte de uma exposição sobre fantasmas e espetros de uma galeria de arte em Ginza (Tóquio), de 2016.

Youtube nega “Momo” em vídeos

O fenómeno já não é novo, mas novos casos divulgados nos últimos dias no Facebook trouxeram-no novamente para a atualidade mediática. Pais de crianças – entre os quais uma mãe portuguesa a viver na Alemanha – alertaram, em publicações que se tornaram virais, que a tal figura apareceu em vídeos infantis no Youtube, nomeadamente no jogo Fornite e nos desenhos animados Porquinha Peppa. A plataforma respondeu, num comunicado internacional, não haver nenhuma evidência de vídeos a promover o desafio Momo.

“Contrariamente a relatos da imprensa, não temos recebido qualquer evidência de vídeos que mostrem ou promovam o desafio Momo no Youtube. Conteúdo desse tipo estaria a violar as nossas políticas e seria imediatamente removido quando detetado”, esclareceu ao JN o Youtube.

Instituto de Apoio à Criança não recebeu queixas

No Reino Unido, a divulgação em massa de um novo relato levou especialistas e instituições de apoio à criança, nomeadamente de apoio em situação de risco de suicídio, a alertar que o fenómeno não é mais do que um caso de “pânico moral” criado por adultos.

Em Portugal, o Instituto de Apoio à Criança (IAC) garante não ter recebido qualquer participação a dar conta do caso, considerando que, a ser verdade, é “muito grave e nefasto para a saúde mental e física das crianças”, podendo provocar perturbações de sono, alimentação e outras.

“Geralmente, acontece numa fase em que a criança se está a construir e não tem ainda uma estrutura de personalidade formada para tomar decisões em consciência, não tendo noção do perigo real”, explicou ao JN Melanie Tavares, coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do IAC.

A responsável disse ainda que este tipo de situação causa “angústia dupla”, uma vez que as crianças sofrem por receberem as mensagens e por acharem que não as podem partilhar com os pais – segundo a indicação que recebem na mensagem.

O que se deve fazer?

Neste ou em qualquer caso que cause medo ou ansiedade, as crianças devem partilhar o que viram ou ouviram com os pais. “Não existe consequências” em fazê-lo, descansa a coordenadora.

Já os pais devem abordar as questões com os filhos, podendo aconselhá-los a falarem, em alternativa, com alguém próximo em quem confiem, “como a professora, a tia, o irmão mais velho”. Ocultar nunca é a solução. “Não há nada pior do que a falta de informação. As crianças vão acabar por ouvir falar disso, mas não sabem decifrar”, disse Melanie.

Um caso detetado em Portugal

O Comando Territorial de Coimbra da GNR registou, no ano passado, uma ocorrência relacionada com o desafio viral protagonizado pela sinistra figura. A informação foi avançada ao JN na altura por fonte oficial da Guarda que, por se tratar de caso único, não quis avançar mais pormenores.

 

 

YouTube vai proibir vídeos com desafios e partidas que incentivem “a violência ou atividades perigosas”

Fevereiro 11, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 17 de janeiro de 2019.

A plataforma de partilha de vídeos atualizou as “diretrizes da comunidade” e passou a proibir “conteúdo que incentive atividades perigosas com grandes possibilidades de resultar em ferimentos graves”.

Cláudia Monarca Almeida

O YouTube atualizou esta terça-feira a política de utilização e vai começar a remover vídeos de desafios e partidas que incentivem “a violência ou atividades perigosas que possam resultar em sérios danos físicos, situações stressantes ou morte. Desafios como o Tide Pod Challenge — que mostra os utilizadores a morderem as pastilhas de detergente para as máquinas de lavar — e o desafio do fogo (em que deitam um produto inflamável na pele e depois ateiam fogo) vão ser retirados da plataforma.

“Há muito que o YouTube proíbe vídeos que promovam atividades prejudiciais e perigosas; e revemos e atualizamos regularmente as nossas diretrizes para nos certificarmos de que são consistentes e endereçam apropriadamente tendências emergentes”, disse um porta-voz do site à CNN.

A atualização surge depois de o Bird Box Challenge se ter tornado viral. O desafio, tal como o nome, é inspirado no filme da Netflix, que foi o maior sucesso da plataforma de streaming até ao momento, e num curto espaço de tempo, ao ser visto por mais de 45 milhões de pessoas na primeira semana. Imitando a personagem de Sandra Bullock, vários jovens têm-se filmado a fazer várias atividades com os olhos vendados. Nos Estados Unidos uma jovem de 17 anos colidiu com outro quando conduzia “com os olhos cobertos”. Segundo a polícia local, este foi o “resultado previsível” do Bird Box Challenge.

A popularidade do Bird Box Challenge obrigou a Netflix a emitir um apelo no Twitter. “Não acredito que tenho de dizer isto, mas POR FAVOR NÃO SE MAGOEM COM ESTE BIRD BOX CHALLENGE. Não sabemos como é que isto começou, e apreciamos o amor, mas Boy e Girl [nome dos personagens filhos de Bullock no filme] só têm um desejo para 2019 e é que vocês não acabem no hospital por causa de memes.”

Sob a revisão às “Políticas Acerca de Conteúdo Nocivo ou Perigoso”, o YouTube passa a proibir “desafios que representem um risco aparente de morte” ou que possam causar “danos físicos reais”. Deixam também de ser permitidas “partidas que levam as vítimas a acreditar que correm perigo físico”. Assim, vídeos que contenham “invasões a domicílios ou a simulação de tiros sendo disparados de um carro em movimento” serão retirados da plataforma.

Com a atualização, o YouTube coloca especial enfoque na proteção dos mais novos. Vão deixar de ser permitidos conteúdos que apresentem “crianças a participar em desafios perigosos que impliquem um risco iminente de ferimentos graves” e “partidas abusivas ou perigosas passíveis de causar problemas emocionais a crianças.” Para “desenvolver diretrizes sobre os tipos de brincadeiras que ultrapassam esse limite”, o YouTube diz ter trabalhado diretamente com psicólogos. A “simulação da morte de um dos pais” e a “simulação de abandono por pais ou responsáveis” são os dois exemplos dados de tipos de vídeos que não serão aceites no site.

A nova versão das diretrizes inclui também o reforço no controlo do links externos e as imagens das miniaturas. Utilizadores que divulguem links para “sites pornográficos, malware ou spam” ou usem “imagens [nas miniaturas] que violem gravemente as políticas, como fotos pornográficas ou com violência explícita” vão receber um aviso. À terceira infração em 90 dias, a conta será apagada.

O YouTube anunciou ainda que começou na terça-feira o “período de tolerância” de dois meses, durante o qual os utilizadores poderão ser informados sobre atualizações e alterar os seus conteúdos. “Nos próximos dois meses, conforme intensificarmos a aplicação, todo o conteúdo que violar as diretrizes da comunidade relacionadas a miniaturas, links externos, desafios e partidas será removido, mas o canal não receberá um aviso”, explica o comunicado.

 

Ryan tem sete anos de idade, é youtuber e já ganha milhões de euros – a brincar

Janeiro 3, 2019 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 4 de dezembro de 2018.

Ryan lidera o top da lista das estrelas de YouTube mais bem pagas de 2018 elaborada pela Forbes. A criança já tem mais de 17 milhões de seguidores e ganha cerca de 19,2 milhões de euros.

A revista Forbes fez uma lista das estrelas de YouTube mais bem pagas de 2018. Se e é fã de youtubers, já se deve ter lembrado do PewDiePie, Jake Paul ou Markiplier. Mas é mesmo um rapaz de sete anos que lidera o ranking. Chama-se Ryan, gosta de Legos, comboios e carros e dos seus mais de 17 milhões de seguidores.

É no seu canal de YouTube, Ryan ToysReview, que Ryan se entretém a abrir brinquedos, a brincar com eles e a dar a comentá-los. Quem o filma e quem edita os vídeos são os pais. Desde que se lançou na internet, em 2015, já juntou 26 mil milhões de visualizações, que a Forbes acredita serem na sua maioria de crianças com a sua idade.

O fenómeno Ryan chegou à internet em julho de 2015: com apenas três anos, a criança abriu 100 brinquedos de uma só vez. Foi aí que as visualizações duplicaram e, atualmente, há 10 milhões de pessoas que acompanham o dia-a-dia de Ryan, agora com sete anos.

As gravações são feitas ao fim de semana e os vídeos são editados enquanto Ryan está na escola. O negócio é tão lucrativo que a mãe de Ryan, que dava aulas como professora de ciências na escola secundária, deixou a escola e dedica-se a tempo inteiro ao canal de YouTube. Com estas brincadeiras, Ryan já conseguiu ganhar 22 milhões de dólares (cerca de 19,2 milhões de euros). Num só ano, foram 17,3 milhões de dólares. Logo a seguir, aparece Jake Paul em segundo na lista da Forbes, com 16,8 milhões de dólares. As suas piadas são o mote para as 3,5 biliões de visualizações durante um ano.

De acordo com a revista, uma parte do dinheiro (cerca de um milhão de dólares) que Ryan reuniu até agora vem dos anúncios com reprodução automática que vêm sempre antes do novo brinquedo que ele tem para mostrar, sendo que outra parte vem do conteúdo patrocinado. Assim, as receitas provenientes desta atividade são mais suscetíveis de variar a nível de interesse.

Não obstante, o que é facto é que esta criança de sete anos aposta no chamado “unboxing” — categoria de vídeos do YouTube dedicada à abertura de caixas como novos produtos e que é uma das mais lucrativas –, conseguindo, assim, tirar do “trono” Daniel Middleton. Agora, é ele que ocupa o top dos artistas que mais se destacam a fazer vídeos, algo que é cada vez mais comum na internet.

Entretanto Ryan já se pronunciou sobre este grande sucesso online: à NBC News, disse que isso se deve a ele “entreter e ser engraçado”. Ainda assim, 15% dos lucros estão protegidos até que se ele se torne adulto, por ainda ser muito novo para ter controlo sobre isso.

O ranking da Forbes junta dados do YouTube, Social Blade e Captiv8, bem como em entrevistas com agentes, publicitários, produtores e advogados.

 

 

 

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