1º Seminário Internacional Violência na Adolescência – 31 de maio – 1 de junho em Lisboa

Maio 25, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

http://seminariointernacionalgap2019.com/

“Eu sei onde estás e quero explicações” — para alguns jovens, a violência no namoro é vivida online

Abril 6, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 25 de março de 2019.

Nuno Rafael Gomes (texto) e Miguel Cabral (ilustração)

Os jovens denunciam mais, mas ainda lhes é difícil sair de relações abusivas. Quando os telemóveis e as redes sociais entram nas relações, descodificam-se as desconfianças através de partilhas de passwords. É preciso “falar destes assuntos na escola”, avisam especialistas.

Bárbara (nome fictício) chegou a Portugal há pouco mais de meio ano. Saiu do Brasil para estudar e trabalhar no Porto, onde o seu namorado de há quatro anos — também ele brasileiro — se tinha estabelecido “poucos meses antes” da sua chegada. Ela tem 23 anos; ele, 40. Descreve-o como “uma pessoa descontrolada”. Já Maria terminou uma relação depois de o então namorado lhe esconder o telemóvel “para ler as mensagens”. “Também queria controlar o que eu vestia e isolou-me dos meus amigos.” Para Carla (nome fictício), alguns dias do Verão de 2017 foram “bastante complicados”. Depois de “acabar” com o namorado, recebeu a mensagem: “Não te esqueças que sei onde trabalhas.” Deixou de colocar a localização nos seus posts.

Estes são apenas três casos que reflectem algumas conclusões apontadas por dois estudos apresentados em Fevereiro: o da associação Plano i, Violência no Namoro em Contexto Universitário: Crenças e Práticas, e o da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), Violência no Namoro 2019. Há um aumento na taxa de violência psicológica entre os jovens, que cada vez mais adoptam “crenças conservadoras”. Também há uma maior sensibilização para o tema. A ameaça via telemóvel (com mensagens como “eu sei onde estás e quero explicações”) ou nas redes sociais preocupa não só as duas organizações, como também a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

Mas vamos por partes. Para Bárbara, “a violência verbal sempre existiu”. “Já existiu violência física e ele já me prendeu num ‘mata-leão’ [golpe de estrangulamento das artes marciais japonesas] até eu desmaiar”, conta. Isso foi no Brasil. Numa viagem a Paris, agrediu-a na rua. “Chutou-me e eu estava jogada no chão. Ninguém fez nada.” Prefere o anonimato porque tem medo que se descubra. Ainda vivem juntos. “Não tenho para onde ir. Não tenho como pagar renda sozinha, tenho de pagar propinas também.” Para Bárbara, a solução seria “morar noutra cidade ou arranjar um emprego longe” para fugir ao companheiro “controlador” que não gosta que ela tenha “uma educação, uma profissão, amigos”. “A situação está mais tranquila porque estou poucas vezes em casa, por causa do trabalho e da faculdade”, acrescenta. Ainda assim, já foi ameaçada pelo companheiro por recusar ter relações sexuais.

Situações como a de Bárbara não são desconhecidas de organizações portuguesas que lidam com a violência doméstica — e não só. “Estes processos são difíceis e não são imediatos, mas têm solução”, garante Daniel Cotrim. O assessor técnico da direcção da APAV, responsável pelas áreas da violência doméstica e de género e da igualdade, ressalva que é importante dizer que não se consegue interromper “o ciclo da violência” rapidamente.

“O essencial é pedir ajuda à APAV no sentido de podermos informar e apoiar as vítimas”, sublinha. O número de denúncias por jovens vítimas de violência no namoro “tem aumentado”. Não quer dizer “que tenha havido um aumento generalizado de situações ou que há um fenómeno”. Mas “as pessoas estão mais informadas e sensibilizadas, tendo um maior conhecimento sobre isto”.

Opinião semelhante tem Mafalda Ferreira, criminóloga e coordenadora executiva do programa UNi+, da associação Plano i, vocacionado para a prevenção da violência no namoro em contexto universitário: “Até os casos recentes podem dar a sensação de que há mais casos; o que se passa é que o problema é mais visível.” E o mesmo observa a ILGA — Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo: “Em termos proporcionais, é igual. Tem mais que ver com quem denuncia”, adianta Sara Malcato, coordenadora de serviços e psicóloga clínica da associação.

“Desligava a Internet só para não falar com ele”

Dos 2683 universitários auscultados na investigação da Plano i, mais de metade confessaram ter sofrido “pelo menos um acto de violência no namoro”: 54,5% das mulheres e 55,3% dos homens inquiridos disseram ter sido vítimas de algum tipo de violência — e 34,5% assumiram ter praticado pelo menos um acto de violência.

No estudo da UMAR deste ano lê-se que a “principal forma de violência no namoro” é a psicológica. Em quase cinco mil inquiridos, 34% apontam esta como a tipologia de violência mais presente nas suas relações — e isto representa um aumento de 19% face aos dados de 2018. No mesmo estudo lê-se que “58% dos jovens que namoram ou namoraram dizem já ter sofrido uma qualquer forma de violência por parte do companheiro e 67% acham isso natural”.

“Há formas de violência que são mais facilmente identificáveis do que outras. A violência verbal e emocional que é perpetrada online tende a ser minimizada e até desconhecida”, conta Mafalda Ferreira. Foi o que aconteceu com Carla, estudante de 21 anos de Viana do Castelo, numa relação que manteve durante quase dois anos. Conheceu o ex-namorado “no ano de caloira”, aos 18 anos. “Cheguei ao Porto e não conhecia ninguém do curso. Ele é de lá e também do meu curso. Foi um dos primeiros amigos que tive e fez-me sentir acolhida”, recorda. Rapidamente começaram a namorar. “Nos primeiros meses fui muito feliz. Depois, começou a ficar estranho.” Se Carla não lhe respondesse às mensagens, “é porque estava com outros”. E mais mensagens (e desconfianças) chegavam.

“Às vezes desligava a Internet só para não falar com ele. No dia a seguir, as minhas amigas lá lhe diziam que não lhe respondia porque tinha adormecido”, explica. “Ou então deixava de ‘postar’ fotos com a minha localização no Instagram para não receber perguntas dele.” Recebia-o em casa e discutiam, deixou de estar tanto com os amigos e, a certa altura, começou a acreditar no que ele lhe ia dizendo: “Ninguém gosta de ti para além de mim.” Quando Carla tentou acabar a relação, sentiu-se emocionalmente chantageada e repensou a decisão: “Dizia-me que, se acabasse com ele, desistia da universidade.” Mais tarde, terminaria “de vez”. “Aí ele disse: ‘Não te esqueças que eu sei onde trabalhas. Um dia apareço lá.’” Nunca apareceu no bar onde trabalha no Verão, “felizmente”. Mas Carla ainda receia represálias, daí não assumir a sua identidade real.

No caso de Maria Figueiredo, copywriter de 26 anos de Vila Nova de Gaia, o telemóvel também teve o seu peso no controlo por parte do ex-namorado. “Tinha 18 anos na altura. Lembro-me que acabei a relação depois do Paredes de Coura de 2012.” Durante o festival, o então namorado roubou-lhe o telemóvel “para ver as mensagens”. Foi a gota de água.

Mas havia muito que sentia que tudo o que fazia era “diminuído” e “desvalorizado”. Sentia-se “quase perseguida”. E chegou a dar-lhe a “password do Facebook”. “Insistiu que devia ter e eu dei”, conta.

Mafalda Ferreira, da Plano i, adverte: “A partilha das passwords, que surge como algo romantizado, não passa de uma prova de desconfiança.” O entendimento deste pedido como “acto de amor” dificulta, na sua opinião, “o facto de a vítima reconhecer a sua relação como violenta”. Daniel Cotrim acredita que há soluções — para adolescentes e pré-adolescentes. “É importante falar destes assuntos nas escolas sem os culpabilizar”, defende, apontando ainda que, “nos casais em que isto acontece, este controlo e falta de privacidade são vistos quase como naturais”.

Falando pela associação, realça: “A APAV defende que se deve reduzir [nas horas de ensino de] Matemática e Português para trabalhar a questão da igualdade de género, cidadania e inteligência emocional.” Isto porque os adolescentes “estão na fase de identificação de grupos de pares e há o medo de ficarem sozinhos”; assim, “estes rapazes e raparigas demoram muito tempo a denunciar porque não querem sair daquele grupo”. Quanto às redes sociais e aos telemóveis, Mafalda Ferreira esclarece que, de acordo com o estudo, “neste tipo de violência” é comum haver ao mesmo tempo “duas vítimas e dois agressores”: cada elemento do casal pode assumir ambos os papéis em momentos diferentes.

O problema da “masculinidade tóxica”

No estudo da Plano i, há percentagens significativas que apontam para crenças “bastante conservadoras”. “As respostas que obtivemos reflectem o que a pessoa pensa, sofre ou pratica, analisamos crenças e práticas”, começa por explicar Mafalda Ferreira. “Assim, 12,7% das mulheres e 27,9% dos homens concordam que algumas situações são provocadas pelas mulheres.” Mas há mais: a mesma percentagem de inquiridos acredita que “meninos e meninas devem ser educados de forma diferente” ou que “homens e mulheres devem ter deveres e direitos diferentes”. Muitas vezes, tanto o agressor como a vítima concordam com estas ideias. Daniel Cotrim corrobora: “Há uma herança transgeracional. Os pais já viviam questões de violência, por exemplo.”

A coordenadora executiva do UNi+ e o assessor técnico da APAV indicam que, quando o rapaz é o agressor, as tipologias dominantes de violência são “a sexual e a física”. No caso das raparigas, “é mais psicológica e verbal”. “Para os rapazes, não é normal serem vítimas de raparigas. Tem a ver com as raízes das questões da masculinidade”, diz Daniel Cotrim.

Os rapazes têm dificuldade em assumir que são vítimas de violência no namoro — sejam eles hetero ou homossexuais. “Por um lado, tem que ver com a dita masculinidade, de existir um papel de género que levanta sentimentos de vergonha”, explica o psicólogo e técnico da APAV. “Depois, há a questão dos pares. O pânico de o grupo saber.” Para além disso, de acordo com um estudo de 2017 da Universidade do Minho, a maioria dos homens vítimas de violência doméstica acha que é inútil apresentar queixa. “Ainda há um pensamento associado à forma com que as instituições como a polícia, os tribunais e organizações como a APAV os vão ver”, explica. “É preciso dizer que as organizações estão preparadas para trabalhar com eles”, ressalva.

A questão da “masculinidade tóxica” também se observa quando se fala de violência no namoro em relações homossexuais, principalmente “em casais de homens”, afirma Sara Malcato. “A comunidade não está fechada numa redoma. Também há pessoas LGBTI transfóbicas e homofóbicas.” Isso tem que ver “com um grande dilema entre aquilo que a pessoa crê e o que sente”. E “há um aumento crescente” de crenças mais conservadoras devido “à própria internalização da homofobia”.

Em 2018, segundo dados enviados pela ILGA ao P3, foram atendidas 409 pessoas no serviço de apoio à vítima da associação — o grupo dos “homens cis gay” (pessoas cujo género é o mesmo que o designado no nascimento que têm sexo com outros homens) foi o que mais recorreu a esta ajuda (75 utentes). A maior parte das queixas refere-se a casos de violência familiar, mas 38 pessoas queixaram-se de terem sido vítimas de assédio ou de violência na intimidade.

Daniel Cotrim diz que não existem muitas campanhas em redor da violência em casais LGBTI. Contudo, há casos a chegar à APAV. Apesar de “não existirem grandes diferenças em relação à violência heteronormativa”, há situações concretas e específicas: “A questão da ameaça de outing”, de expor a orientação sexual ainda não publicamente assumida de alguém, é uma delas.

Maria diz faltarem “campanhas com maior impacto”, mas ressalva: “Já se faz alguma coisa.” Exemplo disso é a campanha #NamorarMemeASério, lançada pela secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade que contou com a participação de algumas figuras públicas. Ou então a revista GQ que na capa da edição de Março ordenou: “Se agride uma mulher, não compre a GQ.” Já no Porto foi aprovado recentemente, tal como já existe noutros locais, o Plano Municipal de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género

“A violência isola” — e “com mais prevalência nos casais do mesmo sexo”, realça Sara Malcato. A rejeição pode vir “dos pais, da família e dos amigos”. Quando não isola, esconde-se atrás de publicações nas redes sociais, seja qual for a orientação sexual. “Para os meus amigos, estava tudo bem”, diz Carla. Hoje, tem uma “relação saudável” com um rapaz que lhe dá espaço. “Agora falo disto tranquilamente. Na altura, foi muito complicado. Só a minha mãe sabia de tudo”, recorda.

Do caso de Bárbara, pouca gente sabe: “Contei a uma colega e à minha psicóloga.” Continua a publicar piadas e selfies no Instagram — para quem a vê pelas redes sociais está tudo bem. Não apresentou queixa, tal como as restantes entrevistadas. “Pensei sempre: ‘Logo, logo me livro dessa situação.’”. Às vítimas de violência no namoro e/ou doméstica, aconselha o “amor-próprio” que tem vindo a reconquistar. E a procurarem ajuda — mas Bárbara ainda não o fez.

 

 

Campanha #NamorarMemeASério pela eliminação da violência no namoro

Março 3, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.cig.gov.pt/2019/02/campanha-pela-eliminacao-da-violencia-no-namoro-namorarmemeaserio/

 

I Jornadas do Alto Alentejo Contra a Violência, 12 outubro em Ponte de Sor

Agosto 27, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://apav.pt/jornadas/index.php/home-alto-alentejo

 

Teens who ‘sext’ experience more violence: study

Agosto 16, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site http://medicalxpress.com/ de 5 de agosto de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Teenage intimate partner violence: Factors associated with victimization among Norwegian youths

Jourden C

Teenagers who exchange digital messages with sexual content, a practice known as sexting, are more likely to experience violence in love relationships, a study has found.

In a survey of more than 1,000 14 to 17-year-olds in Norway, 549 reported having had a romantic partner.

Nearly a third of the young lovers said they had sent explicit sexual messages—pictures and/or text—to their sweethearts.

Compared to teens who had not engaged in sexting with a partner, these adolescents experienced four times more physical violence—acts such as smacking, pushing, strangulation or being beaten with a hard object, the researchers found.

They suffered 2.5 times more sexual abuse, ranging from forced kissing to rape, and 3.5 times more psychological violence.

The findings were reported in the peer-reviewed Scandinavian Journal of Public Health.

For teens, “there is a bigger chance of becoming a victim of intimate partner violence if you send messages with sexual content,” said lead author Per Hellevik, a sociologist at the Norwegian Centre for Violence and Traumatic Stress Studies is Oslo.

More than 40 percent of youngsters with love interests—which did not necessarily include sex—said they had experienced couple violence of some kind. This included sexters and non-sexters.

Girls were far more exposed to violence than boys, the study showed, especially those with older partners.

They also reacted differently.

Both sexes were asked how they felt when subjected to violence in a relationship, with possible answers ranging from “sad” and “frightened” to “loved” and “desired”.

Twice as many girls expressed negative feelings about violence.

At the other extreme, “one percent of the girls and 35 percent of the boys had purely positive experiences”, Hellevik said in a statement.

The study does not conclude that sexting causes violence, noting that children who experience fighting or brutality at home or at school are prone to similar behaviour with their intimate partners.

Sexting, in other words, could be as much symptom as cause.

The findings raise thorny questions about when parents and teachers should intrude in the private digital lives of youngsters.

“We wouldn’t let teenagers hang around in the streets all day without knowing what they are up to or who they were with,” said Hellevik.

“In the same way, they shouldn’t be allowed to hang around online on their own.”

 

Conferência “Olhares Sobre a Violência em Contexto Familiar” 17 e 18 março em Matosinhos

Março 2, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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matosinhos

mais informações:

http://www.cm-matosinhos.pt/pages/242?news_id=3916

Um em cada seis jovens acha normal forçar relações sexuais

Fevereiro 12, 2016 às 4:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de fevereiro de 2016.

mais informações no Estudo da UMAR:

http://www.umarfeminismos.org/images/stories/noticias/Estudo_V.Namoro2016_UMAR.pdf

paulo pimenta

A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) está preocupada com o facto de 22% dos jovens aceitarem as manifestações de vários tipos de violência registadas em relações de intimidade. As activistas da UMAR inquiriram 2500 jovens, com idades entre os 12 e os 18 anos, e os resultados que obtiveram demonstram quadros comportamentais e ideias que consideram inquietantes.

O estudo apresentado pela UMAR nesta sexta-feira, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, distingue três tipos de violência: psicológica; física; e sexual. No que à violência sexual diz respeito, 32,5% dos rapazes (em oposição a 14,5% das raparigas) acham normal que se force as relações sexuais – uma média de 16%, considerando todos os inquiridos.

O quadro da violência sexual não inclui apenas as relações sexuais forçadas, nele cabendo também uma série de comportamentos sexuais definidos como violentos que 23% dos inquiridos consideraram legítimos. Ainda que quase um quarto dos jovens portugueses aceitem a “normalidade” deste tipo de agressão, só 4,5% assumem terem sido vítima desses comportamentos.

A violência psicológica é encarada como aceitável por quase um quarto dos jovens portugueses, e 8,5% consideram já ter sido vítima dela.

Já a violência física é menos tolerada pelos jovens, sendo ainda considerada legítima por 9% dos inquiridos e com 5% destes a assumirem terem sido alvo de agressões.

O estudo da UMAR enquadra-se num programa de prevenção da violência, e não se resumiu à realização de inquéritos e desenvolvimento do estudo apresentado. As activistas levaram a cabo acções de sensibilização para a necessidade de prevenir a violência junto dos jovens e foi durante essas acções que detectaram “quão enraizadas estão as ideias de poder e controlo”, frisou Ana Guerreiro ao PÚBLICO. “É difícil analisar estes números, e mais ainda ter os jovens à frente e constatar estes comportamentos”.

As agressões entre namorados, e também entre ex-namorados, só foram incluídas no âmbito do crime de violência doméstica, previsto no Código Penal, em Fevereiro de 2013. A Polícia de Segurança Pública recebeu em 2015 mais queixas por violência no namoro do que por violência entre cônjuges, mas 77% dos inquéritos abertos pelo Ministério Público por este tipo de crime são arquivados, na maioria das vezes por falta de provas. O relatório anual do Ministério da Administração Interna descreve o destino dos poucos casos que conseguem chegar às salas dos tribunais: “De um total de 2954 sentenças transitadas em julgado entre 2012 e 2014, cerca de 58% resultaram em condenação e cerca de 42% em absolvição. Na maioria das condenações (96%) a pena de prisão foi suspensa”.

Para Maria José Magalhães, presidente da UMAR, tudo isto é produto de uma cultura que “está na base do femicídio, da violência doméstica, da falta de respeito pelos direitos humanos em geral”. Na última década, morreram 398 mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal.

 

 

 

Violência exercida no namoro é sobretudo de índole psicológica

Junho 7, 2015 às 2:06 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 2 de junho de 2015.

Shutterstock

Um estudo realizado em 32 escolas do distrito do Porto, envolvendo 456 jovens, com idade média de 13 anos, revelou que a maior parte da violência exercida nas relações de intimidade é de índole psicológica.

O trabalho insere-se no projeto Artways — Políticas Educativas e de Formação contra a Violência e Delinquência Juvenil, da UMAR — União de Mulheres Alternativa e Resposta, financiado pelo Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu e gerido pela Fundação Calouste Gulbenkian. 

“Ao nível da legitimação, mostra-se alarmante o facto de 27% dos inquiridos considerarem normal a violência psicológica e 13% considerarem normal a violência física. Isto é muito preocupante porque estamos a falar de uma idade que vai desde 11 até aos 18 anos”, afirmou Maria José Magalhães, presidente da UMAR.

De acordo com os dados 7% dos inquiridos já sofreram de abuso físico e 2% admitiu já ter sido forçado a ter relações sexuais.

“Mais de 40% dos rapazes inquiridos consideram que é legítimo pressionar para beijar e 31% considera natural pressionar para ter relações sexuais”, sublinhou Maria José Magalhães.

Segundo a responsável, “26% dos rapazes acha normal proibir a sua companheira de sair com outros amigos. Entre as raparigas a percentagem é de 11%, o que também é relevante. Ou seja, estes jovens acham que porque se namora pode-se forçar a outra pessoa a fazer o que não quer”.

“Também os rapazes estão em maior número a considerar como naturais a violência física, assim como as ameaças, a humilhação e a proibição de vestir peças de roupa. Mas, neste último aspeto, as raparigas também estão representadas, 30% considerou normal controlar a forma de vestir dos outros”, acrescentou.

No que toca ao comportamento que os jovens assumiram depois do episódio violento, 8% diz não ter dado importância e 12% diz acabar por perdoar o agressor. Apenas 4% referiu ter recorrido a outras pessoas para pedir ajuda.

São dados, que segundo a presidente da UMAR, demonstram “a importância de uma intervenção junto dos jovens no sentido de desconstruir a ideia de que o namorado(a) é da sua posse e que faz com aquela pessoa o que quiser, porque ela é sua”.

“Noções de respeito pela privacidade, de respeito no aspeto físico, psicológico e social da outra pessoa são coisas que não estão a ser ensinadas aos jovens. E esta cultura de que o amor é cego, de que o amor significa posse, de que a paixão é irracional e de que as pessoas podem fazer o que quiserem com o outro é, para nós, a cultura de base do femicídio, da violência doméstica, da falta de respeito pelos direitos humanos em geral”, sublinhou.

No âmbito deste projeto, está também a ser realizado um trabalho com jovens que pelo seu comportamento são considerados “eventuais futuros agressores”.

“O nosso trabalho de prevenção da delinquência junto de eventuais futuros perpetradores de violência é feito muito devagar, mas tentando que elas e eles sejam mais ativos nessa prevenção”, disse, referindo que há casos que têm sido sinalizados às comissões de proteção de crianças e jovens e a centros de atendimento a vítimas de violência doméstica, “com muito cuidado, com muita confidencialidade e com muito apoio”.

Lusa/SOL

 

 

 

 

VI Encontro do Grupo Violência: Informação Investigação Intervenção

Maio 27, 2015 às 8:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.fbb.pt/blog/vi-encontro-do-grupo-violencia-2-e-3-de-junho/

https://www.facebook.com/pages/Funda%C3%A7%C3%A3o-Bissaya-Barreto/152838224772751

Exposição sobre Violência nas Relações de Intimidade no espaço Atmosfera M no Porto

Março 6, 2015 às 1:20 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Como sabem, a metodologia deste projeto é particular e inovadora, trabalhando as temáticas ligadas à violência de forma artística. Durante o ano letivo em que trabalhamos com os/as jovens, criamos produtos artísticos na sequência das temáticas que abordamos (Direitos Humanos, Direitos das Mulheres, Violência Doméstica, Violência no Namoro, Bullying, Preconceito, entre outras).

Por forma a sinalizar junto dos/as jovens a Violência no Namoro, foram criadas, com o excelente contributo de fotógrafos/as, várias fotografias que pretendem alertar para o fenómeno da Violência nas Relações de Intimidade nos/as jovens.

Aproveitando que o mês de Março é dedicado às Mulheres, vamos realizar uma exposição entre o dia 7 de Março e o dia 3 de Abril com todos os trabalhos desenvolvidos, e cuja inauguração será próximo dia 7 de Março pelas 16h00 no espaço atmosfera m no Porto, sito na Rua Júlio Dinis, nº 158/160 4050-318 Porto (lugar de garagem gratuito).

Seria uma honra poder contar com a V/ presença nesta inauguração, pelo que solicitamos a V/ confirmação para artways.umar@gmail.com

http://artways.umarfeminismos.org/

https://www.facebook.com/projetoartways

 

 

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