Seis sintomas que ajudam a detetar o vício dos videojogos

Junho 17, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Exame Informática de 28 de maio de 2019.

Francisco Garcia

Um problema que só recentemente foi considerado doença e que tem vindo a tornar-se cada vez mais comum na nossa sociedade, que é cada vez mais dependente das novas tecnologias.

Este sábado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) passou a considerar o comportamento obsessivo para com os videojogos uma doença mental. Conheça aqui alguns dos sintomas que, segundo a American Addiction Centers, são comuns em pessoas que sofrem deste distúrbio:

Estilo de vida sedentário – Passar horas em frente a um ecrã pode ter efeitos perigosos no corpo e mente de um jovem. Este cenário pode agravar-se quando a pessoa em causa não pratica desporto, podendo aumentar desmedidamente o peso e acentuar uma má postura, ou em casos mais graves, desenvolver doenças como Diabetes tipo 2.

Ausência de interação social – Embora nalguns videojogos os jogadores interajam uns com os outros, os jogos não devem substituir outras formas de socialização (não virtuais) na vida das crianças. A aprendizagem de ferramentas de comunicação em contextos reais é fundamental no desenvolvimento dos mais jovens e não deve ser substituída por experiências de gaming.

Problemas de concentração – A ação e movimentos rápidos nalguns videojogos é considerada, por alguns especialistas na área, como uma das causas para falta de concentração nalguns jogadores. Associam ainda o tempo investido em videojogos à falta de interesse na leitura, que requer uma atenção prolongada.

Evitar tarefas associadas ao desenvolvimento – Este sintoma pode surgir na adolescência, quando os jovens utilizam os videojogos como um escape para os problemas da sua vida, evitando situações que os obriguem a crescer emocionalmente.

Comportamentos violentos – Algumas crianças e adolescentes que passam muito tempo a jogar videojogos de combate ou violentos, podem estar mais propensos a apresentar alguns sinais de agressividade do que outros que não jogam. A American Addiction Centers aconselha os pais a terem um mecanismo de vigilância semelhante ao que usam para impedir as crianças de ver filmes violentos.

Convulsões e lesões de stress – De acordo com um artigo publicado no British Medical Journal, os videojogos podem aumentar os riscos em jogadores com epilepsia, devido à intensidade das luzes, cores e gráficos. Um comportamento compulsivo com videojogos pode ainda levar a pequenas lesões relacionadas com o stress, nomeadamente nas mãos e pulsos.

 

 

 

Miúdos com raiva de gente grande

Março 14, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo da Visão Solidária de 5 de março de 2014.

luís barra

 O retrato oficial é de um país com escolas tranquilas mas, aqui e ali, contam-se histórias de agressões entre jovens com graus de violência que impressionam

Teresa Campos*

Almeirim, 23 de janeiro: um aluno do 1.º ciclo do Centro Escolar dos Charcos foi suspenso por pontapear um colega de 10 anos. Estavam a jogar “futebol humano”.

A criança agredida foi assistida pelos bombeiros e, depois, levada para o hospital.

Queijas, 30 de janeiro: trinta estudantes da Escola Básica Professor Noronha Feio são identificados pela polícia por desentendimentos e tentativa de agressão a outro aluno.

Vila Nova de Gaia, 31 de janeiro: na cantina da Escola Secundária Inês de Castro, dois miúdos envolveram-se numa luta. Um deles partiu o braço, uma colega desmaiou. Duas ambulâncias foram chamadas à escola.

Uns dias antes, a 20 de janeiro, fora a vez de António, 12 anos, sentir a agressividade que vai sendo notícia, com cada vez mais frequência. Aluno da EB 2, 3 Delfim Santos, em Benfica, tagarelava com o colega do lado.

Rafael, dois chumbos no currículo, sentado na secretária de trás, manda-o calar, ordem sublinhada com uns carolos. António pede-lhe que pare e a aula prossegue, até ao fim da tarde. Quando saem, António insiste com o outro para deixar de o importunar. Em minutos, está no chão do pátio, enquanto Rafael o esmurra na cara e depois sai da escola.

Amparado por colegas, António pede ajuda mas a empregada do pavilhão desdramatiza o caso. Na direção, informam-no de que não há ninguém com quem falar. O miúdo vai para casa, sozinho. “Como não deitou sangue, ninguém se assustou”, conta a mãe, Ana Paula Homem, 50 anos, revoltada com tamanha violência entre meninos tão novos: “Nunca pensei que o meu filho chegasse a casa com o nariz partido por murros.” Depois de muitos protestos, o agressor foi suspenso uma semana.

Números contraditórios

O ano começou com este tipo de registos mas, dizem as estatísticas oficiais, são casos fora da norma. Segundo o programa Escola Segura, apresentado há um mês pelo Ministério da Educação, só 5% dos estabelecimentos de ensino registaram, no ano anterior, ocorrências deste género, menos mil, no entanto, do que em 2012 1 446 versus 2 218.

Os diretores das escolas acima citadas são os primeiros a desvalorizá-las: “Foi um caso isolado, pode ter havido um encontrão aqui e outro ali, mas foi mera indisciplina”, refuta José Carreira, diretor do agrupamento de Almeirim. “São situações empoladas”, concorda Alberto Machado, responsável das escolas de Queijas. O diretor da Secundária de Gaia vai mais longe: “As ambulâncias foram lá, porque temos a sorte de estar perto.” Os pais têm a mesma opinião. “A violência dentro da escola é pontual”, insiste Jorge Ascenção, o presidente da CONFAP. Mas a dúvida instalou-se mal a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas assumiu que nem todas as situações são reportadas à plataforma oficial. “É um sistema burocrático, demora mais preencher papéis que resolver o problema”, justifica Filinto Lima, vice-presidente. Duas semanas depois, dados divulgados pela Procuradoria-Geral da República, sobre o distrito judicial de Lisboa, iam no mesmo sentido: a violência na comunidade escolar, entre jovens com mais de 16 anos, aumentou 21,6 por cento.

É uma guerra de números que parece não ter fim: segundo o barómetro da Associação dos Empresários pela Inclusão Social, que auscultou 23 mil alunos de estabelecimentos com 3.º ciclo, mais de 60% reconheceram que há violência na sua escola. O que pode traduzir uma tendência, receia Margarida Gaspar de Matos, responsável pelos dados nacionais dos estudos da Organização Mundial de Saúde sobre o estilo de vida dos adolescentes: “A violência diminuiu entre 2002 e 2012, mas, com a crise, essa situação pode ter-se invertido.” Para João Sebastião, sociólogo e investigador que, até final de 2012, coordenava o Observatório da Segurança Escolar, a descida dos números da Escola Segura pode ser explicada por um sem-número de razões. “Não sabemos realmente o que se passa”, receia o especialista, crítico de uma escola que alargou a idade da escolaridade obrigatória mas acabou com o módulo de educação cívica e reduziu o número de auxiliares de ação educativa.

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Simpósio Mil Razões “Violência e o ciclo de vida”

Outubro 25, 2013 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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viol

vioprog

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Uma portuguesa na ONU contra a violência infantil

Dezembro 7, 2012 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 5 de Dezembro de 2012.

marta

Lusa

Organização das Nações Unidas prepara extensão de mandato de Marta Santos Pais como representante para a violência infantil.

A Assembleia Geral da ONU recomendou por unanimidade ao secretário-geral, Ban Ki-moon, a extensão até 2015 do mandato da portuguesa Marta Santos Pais como Representante Especial para a Violência Contra Crianças.

A recomendação consta de uma resolução sobre a protecção dos direitos das crianças aprovada por consenso pelo comité da Assembleia-Geral para Assuntos Sociais, Humanitários e Culturais, segundo informação divulgada nesta quarta-feira pelo gabinete de Santos Pais.

A representante de Ban Ki-moon reagiu à aprovação manifestando o seu “forte empenho para continuar com o trabalho de advocacia global no sentido de acabar com a invisibilidade e impunidade em torno de incidentes contra crianças em todas as regiões”.

Além de recomendar a extensão do mandato por três anos, a resolução defende que as actividades da representante sejam financiadas directamente pelo orçamento da ONU a partir de 2014-2015, para “um desempenho eficaz e sustentabilidade das actividades nucleares do mandato”. Até agora, as actividades da representante especial têm sido financiadas por países contribuidores, como Espanha, Itália ou Portugal.

A resolução teve mais de 90 patrocinadores, entre eles Angola, Brasil, Dinamarca, Finlândia, França Alemanha, Japão, Moçambique, Portugal, Suécia e Reino Unido.

Nomeada representante especial de Ban Ki-moon em Maio de 2009, Marta Santos Pais esteve ligada à UNICEF desde 1997, primeiro como directora de Avaliação, Políticas e Planeamento e mais tarde como directora do Centro de Investigação Innocenti.

Autora de diversas publicações sobre Direitos Humanos e da Criança, foi também membro da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança (1989) e participou na elaboração dos protocolos internacionais sobre o tema.

 

A televisão pode motivar a prática da violência

Novembro 18, 2011 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Notícias TV de 28 de Outubro de 2011.

 Quatro especialistas em comportamentos infantis afirmam que a TV influencia a atitude das crianças. Imagens como o cadáver de Kadhafi ou o rapaz a andar de skate na estrada podem levar à violência infantil.

De que forma é que a televisão pode influenciar o comportamento das crianças? Na semana em que os meios de comunicação noticiaram o suicídio de uma criança de 10 anos, alegadamente por ter sido vítima de pressões e bullying por parte dos colegas da escola, a NTV ouviu alguns especialistas. “Gosto muito que a comunicação social divulgue este tipo de circunstâncias, para termos conhecimento, mas confesso que fiquei surpreendido quando vi, na terça-feira, uma reportagem da RTP a partir da escola onde estudava essa criança. A divulgação pouco cuidadosa pode deslumbrar. Se a criança estiver na corda bamba, pode ajudá-la a ser violenta por causa do mediatismo”, explicou o pedopsiquiatra Eduardo Sá.

Da mesma opinião é o colega de profissão Mário Cordeiro, que acredita que a televisão tem alguma influência nas atitudes das crianças e adolescentes. “Realmente a televisão, a Internet, os ecrãs em geral, têm influência na vida diária deles. Há modelos que passam na televisão que as pessoas tendem a imitar. Se assim não fosse, não havia publicidade como a conhecemos. Por exemplo, se aparece uma cena num filme ou numa série, ou o que for, que mostre uma cena de pancada, tem de se mostrar a cara da vítima a sangrar, um carro da polícia a chegar, algo que mostre a consequência daquele acto para que a criança fique do lado da vítima”, alertou o pedopsiquiatra. Eduardo Sá vai mais longe e dá como exemplo as imagens que passaram em todo o mundo do cadáver de Kadhafi. “Fizeram da violência uma festa sem explicar o que se passa. Não se pode permitir que se mostre este tipo de imagem, um cadáver como troféu. A criança e adolescente não entendem. E estamos a dizer-lhes que afinal pode praticar-se o crime e a violência salvo raras excepções, mas não se explica em que contexto.” Contudo, Eduardo Sá alerta: “É evidente que uma criança não se suicida apenas porque estava a ser vítima de bullying, naturalmente que está inserida numa mistura ou de problemas familiares e na escola… Não é a televisão que converte as crianças em miúdos maus. Mas pode influenciar. Lembro-me de que Bugs Bunny não era o desenho animado mais cavalheiro… isto não é um problema de hoje.”

Teresa Paixão, responsável pela programação infantil na RTP2, garante que não se recorda de nenhum programa em emissão actualmente que potencie a violência infantil. “Acompanho bastante os canais e posso dizer, com toda a certeza, que nunca vi nenhum canal de televisão que estimulasse os meninos a praticarem bullying. Agora, há outra coisa, nós compramos programas que são contra esses comportamentos violentos. A série diz que é feio espicaçar as pessoas, gozar, mas a abordagem que é feita pode ter o efeito contrário. E isso é perigoso e pode virar-se contra nós”, admite a programadora de televisão, deixando escapar: “A televisão pode influenciar as crianças em todos os comportamentos, sejam eles bons ou maus. Mas a televisão não é a única coisa que as pessoas vêem. Antes de existir televisão, as crianças já se espancavam. Antigamente eram chamados para fazer duelos. Tudo tem que ver com a educação. Agora tem é outro nome e é mais noticiado…”

Numa coisa os três especialistas estão de acordo. A série Morangos com Açúcar (TVI) “muitas vezes tem o problema da abordagem”. “Eles até tratam temas que não são abordados na televisão pública, porque nós não arriscamos, mas tenho a sensação de que estão cada vez pior, já foi mais bem feito”, afirma Teresa Paixão à Notícias TV.

Para Cristina Pontes, investigadora de televisão e comportamentos infantis, o assunto é muito complexo e “é mais do que um sim ou não”. Mas admite que mostrar imagens violentas pode causar o efeito de imitação. “As crianças de bullying fazem parte de relações. Não é novo e não começou na televisão. Em muitos casos, os agressores também foram vítimas. Claro que os media não ficam de fora. As crianças não são todas iguais e os conteúdos são vistos de maneiras diferentes. O efeito de um jornal não é o mesmo de um desenho animado. Pode ter o efeito de imitação para quem está mais fragilizado. Tudo depende de como é motivado, como foi noticiado. Mas isso não é uma inevitabilidade”, diz.

Mário Cordeiro dá outro exemplo de como a televisão pode influenciar negativamente a atitude dos mais novos. “As imagens do rapaz que andou de skate na estrada que no fim terminava com ele a cair e que o celebrizou com a frase ‘O medo a mim é uma coisa que não me assiste’. Devia ter aparecido a polícia, devia haver uma chamada de atenção que isto não se faz. Ele foi tido como herói quando colocou a vida dele e a dos outros em risco. E ainda por cima passou para a publicidade (Meo). É preciso uma base para que a violência no ecrã faça efeito.”

Os dois pedopsiquiatras insistem que o problema-base da violência é uma questão genética e decorre também da situação familiar. “Existe violência familiar, violência doméstica, as crianças podem ser reprimidas em casa e transportar tudo isso para a escola. Elas muitas vezes deviam ser protegidas dos próprios pais”, afirma Eduardo Sá.

Mário Cordeiro condena a televisão babysiter e alerta para a importância de os pais se sentarem a ver televisão ao lado os filhos para lhes explicar o que estão a ver. “Muitas vezes, para não se chatearem, ligam o televisor para que os filhos se divirtam. Tem de haver uma explicação do que é certo. E há outro problema: o jogos que se compram e que põem uma criança a matar pessoas apenas para ganhar pontos. Não se entende este estímulo a comportamentos inqualificáveis”, conclui.

Pico da violência infantil acontece na pré-primária

Julho 13, 2011 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 30 de Junho de 2011.

Curso de Formação Pós Graduação “Violência em Crianças: uma abordagem sistémica e pedagógica”

Janeiro 18, 2011 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Agressividade pré-adolescente a crescer

Dezembro 21, 2010 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo da Pais & Filhos de 9 de Dezembro de 2010.

Fotografia Pais & Filhos

Fotografia Pais & Filhos

O coordenador da unidade de pedopsiquiatria do Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, onde são acompanhados mil doentes por ano, considera que «hoje as crianças têm mais comportamentos agressivos e reflectem o ambiente de crise vivido pelas famílias». Em entrevista à Agência Lusa, Pedro Pires afirmou que a unidade, criada em 2003, tem recebido mais doentes nos últimos anos e assistido a algumas alterações dos casos que ali chegam.

Hoje, explicou, «esbateu-se um pouco o pico que havia nos seis, sete anos – a coincidir com a entrada na escola primária – e temos muito mais casos na adolescência e na pré-adolescência, pelos dez, 11 anos – a coincidir com a entrada no 5.º ano». Para além disso, acrescentou, «existia há uns anos um equilíbrio entre dois tipos de sintomas: internalização – ou depressão – e os sintomas mais agidos – ou violentos. Hoje os últimos aumentaram substancialmente, as crianças têm mais comportamentos agressivos».

O médico diz que este aumento pode dever-se sobretudo a dois factores: a questão laboral dos pais e a questão da figura masculina. No primeiro caso, disse, «assistimos a situações em que as crianças ficam desprotegidas porque os pais trabalham muitas vezes longe, com horários alargados, e elas passam muito pouco tempo com eles; passam muito tempo em várias estruturas: na escola, no ATL, em amas». Ou, acrescentou, «há desemprego na família, um factor de desequilíbrio no núcleo familiar e por isso um factor de risco muito importante na psicopatologia das crianças».

Para além disso, disse ainda, «há cada vez mais casos de famílias onde se verifica a ausência da figura masculina – a que impõe limites, regras – quer porque a figura paterna ou não está presente ou está presente com um papel pouco activo na vida da criança ou do adolescente». Este facto, explicou, «tem um impacto muito grande, sobretudo nos rapazes, que são o doente tipo do nosso serviço: rapaz, cerca de dez anos, alterações de comportamento e parte de uma família disfuncional».

50 por cento das crianças e adolescentes que procuram este serviço pertencem a uma família nuclear – pai, mãe e mais do que um filho -, 57 por cento são da classe média e 28 por cento da classe média baixa.

As crianças e a televisão: riscos

Outubro 20, 2010 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo publicado no Portal Educare no dia 6 de Outubro de 2010.

Serviço de Pediatria do Hospital de Braga

As crianças com menos de 8 anos, têm muitas dificuldades em entender que a publicidade é uma forma de vender um produto, tornando-se assim impossível ver qualquer defeito no objecto anunciado. Os riscos de ver muita televisão são bem conhecidos e estudados.

Violência
A violência na televisão surge como uma ameaça ao seu filho de duas formas diferentes. Em primeiro lugar, embora os pais queiram transmitir aos filhos que a violência e a agressividade não são o melhor caminho para a resolução de problemas, muitas vezes a televisão apresenta-a sob o ponto de vista dos “bons”, dos heróis que simplesmente fazem justiça e dão aos “maus” aquilo que eles merecem, transmitindo a ideia errónea de que, dependendo de quem a pratica e das suas intenções, a agressividade é um acto justificado. Por outro lado, ver cenas de violência pode assustar a criança, de formas variadas dependendo da sua idade. Dos 2 aos 7 anos, a criança fica particularmente assustada com cenas que apresentam figuras grotescas como bruxas e monstros, pois nesta fase tem ainda alguma dificuldade em distinguir a fantasia e a realidade. Mais tarde, dos 8 aos 12 anos os medos associam-se a cenários de desastres naturais, guerras ou situações em que as crianças são vítimas, quer estas sejam apresentadas em ficção, nas notícias ou em reality-shows.

Comportamentos de risco

Quem vê televisão sabe que quer em séries de ficção, filmes ou anúncios, comportamentos de risco como o consumo de álcool, drogas ou tabaco são apresentados como sendo cool e normal, não apresentando muitas vezes as reais consequências destes hábitos. Da mesma forma, a actividade sexual é muitas vezes banalizada e descontextualizada, não se dando qualquer importância ao perigo de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez na adolescência e outras doenças problemáticas que daí poderão advir.

Obesidade

Bem conhecida e comprovada é a ligação entre a televisão excessiva e a obesidade infantil, esta última constituindo já um grave e preocupante problema de saúde pública. As razões desta associação são óbvias: por um lado, se uma criança passa grande parte do seu tempo a ver televisão (actividade que não exige grande dispêndio de energia), passa menos tempo a realizar actividades menos sedentárias como jogar à bola, ou às escondidas, que exigem que corra ou se movimente, tornando-o mais susceptível ao aumento de peso. Por outro lado, a criança é bombardeada constantemente com anúncios de alimentos “fáceis”, apelativos e altamente energéticos como os snacks, hambúrgueres, chocolates, gomas, batatas fritas e bebidas gaseificadas, que ainda por cima associam muitas vezes a oferta de brindes (dos heróis da TV mais conhecidos), tornando-as absolutamente irresistíveis para qualquer criança. Esta combinação de sedentarismo com alimentos de elevado teor calórico é uma das grandes responsáveis pela epidemia do século XXI como já é apelidada a obesidade!

Alteração dos padrões de sono

O risco de vermos alterados os padrões de sono das nossas crianças pelo facto de verem muita televisão apresenta-se sob duas formas: a primeira, e decerto bem presente no dia-a-dia de muitas famílias reside na dificuldade que muitos pais têm em arrancar os filhos da frente do ecrã na hora de deitar. Cada vez mais programas com conteúdos apelativos para os mais jovens passam a horas tardias, fazendo com que muitas vezes o sono seja preterido em detrimento deste ou daquele programa. Deste modo a criança deita-se mais tarde, mantendo a hora de levantar, ficando privada do sono tão essencial para o seu normal desenvolvimento e rendimento escolar. A outra forma da afectação do sono prende-se com o conteúdo dos programas a que a criança assiste. Nos mais novos, figuras agressivas (monstros, bruxas, etc.) geram medos e angústias que podem perturbar o sono causando insónia ou terrores nocturnos. Nas crianças mais velhas, que assistem frequentemente aos noticiários, pode levar a uma certa ansiedade e medo de acontecimentos muitas vezes aí reportados como crimes violentos, guerras ou catástrofes naturais.

Publicidade

A publicidade é um dos grandes perigos da televisão, não só por influenciar aspectos como a obesidade e os comportamentos de risco, como pela ansiedade que pode causar na criança que quer ter determinado produto altamente publicitado. Isto pode constituir um grave problema para os pais na medida em que o filho simplesmente exige o objecto anunciado, causando muitas vezes rivalidades e disparidades entre os pares (os amiguinhos que têm e os que não têm). As crianças com menos de 8 anos têm muitas dificuldades em entender que a publicidade é uma forma de vender um produto, tornando-se assim impossível ver qualquer defeito no objecto anunciado, tornando-o ainda mais apelativo.

Por fim, alguns conselhos para os pais que querem tornar a televisão uma actividade mais segura para os seus filhos:

– Retire a televisão do quarto das crianças e coloque brinquedos, jogos e outras alternativas apetecíveis na divisão onde esta se encontra.

– Desligue-a na hora da refeição, privilegiando assim um momento de convívio em família.

– Seleccione os programas mais adequados de acordo com a idade da criança, e idealmente, veja-o com o seu filho – isso proporcionar-lhe-á uma forma de filtrar conteúdos, bem como ir explicando e educando à medida que o programa decorre.

– Discuta as suas preocupações com outros pais e professores, assim poderá evitar que o seu filho seja o único que não vê este ou aquele programa, sentindo-se de certa forma diferente.

– Veja também poucas horas de televisão: além de dar o exemplo, é mais tempo que poderá passar com o seu filho a praticar desporto, ler ou simplesmente brincar…

Joana Dias com a colaboração de Augusta Gonçalves, pediatra do Hospital São Marcos em Braga

Acção de Sensibilização “Violência Infantil”

Abril 7, 2010 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Associação Portuguesa de Solidariedade e Desenvolvimento vai organizar no dia 8 de Abril de 2010 a Acção de Sensibilização “Violência Infantil” , das 10:00h às 13:00h,
no âmbito do Projecto VIPP, no Bairro do Alto dos Barronhos-Carnaxide.



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