Mães idosas já ligam para a APAV para tentarem evitar agressões dos filhos

Dezembro 10, 2018 às 11:35 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do site Delas

O número de mulheres assassinadas em Portugal, em 2018, voltou a aumentar. Ainda novembro não acabou e já são 24 as que perderam a vida. Destas, oito (mais três do em quem 2017) eram mães e deram à luz o seu próprio algoz. Dados que chegam do Observatório de Mulheres Assassinadas, elaborado pela União de Mulheres Alternativa e Resposta.

E se as mais velhas que sucumbem ante a violência dos seus filhos são em menor dimensão do que as que morrem às mãos dos companheiros, certo é que o número de queixas relativas aos idosos crescem e partem de mulheres que estão a viver todos estes dramas em silêncio ao contrário do que é habitual. Quem o relata é a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), a propósito do dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, que se assinala este domingo, 25 de novembro.

“Os números que nos vão chegando, relativamente à violência contra idosos, sobretudo mulheres, indicam uma cifra negra enormíssima. A maioria das mães e dos pais não querem denunciar este tipo de violência, nem apresentar queixa contra os filhos”, refere Daniel Cotrim.

E, sendo pessoas mais velhas e eventualmente menos expeditas a procurarem ajuda, quando o fazem, o psicólogo da APAV revela que tal acontece num esquema invertido: “As vítimas procuraram as organizações ao contrário, perguntam como é que as entidades podem ajudar o filho ou filha agressor ou agressora; como ajudar a mudar comportamentos”, revela. Os dados são claros: falamos sobretudo de mulheres idosas, cujo número tem aumentado, em grande parte dependentes e em que os autores do crime são quase 70% do sexo masculino, e uma maioria que está, geralmente, desempregada.

Cuidadoras em desespero ligam para a APAV para evitar uma loucura

Mas este é apenas um lado da história. Há outro que começa a emergir e para o qual não há números. Existe apenas, reconhece Cotrim, uma “sensibilidade empírica”: “Muitas vezes, os próprios cuidadores informais estão em situação de stress e completo burn out e, não raras vezes, recebemos telefonemas na APAV de mulheres que já não aguentam mais. Há cuidadoras que nos ligam porque sentem que estão no limite de cometer uma asneira”, denuncia.

Realidades que, mais tarde ou mais cedo, podem vir a revelar-se um verdadeiro horror já que o envelhecimento e o número de cuidadores informais continua a aumentar. “Os filhos sentem que são, de alguma forma, intocáveis porque não vão ser denunciados pelos pais”, avisa Cotrim.

Mais informações no link:

Violência Doméstica | Violência Filioparental 2013-2017

Mais de 3300 pais recorreram à APAV por serem vítimas de violência dos filhos

Novembro 22, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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DRO Daniel Rocha

Notícia do Público de 15 de novembro de 2018.

Segundo dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, em grande parte dos casos a vítima era mulher e com mais de 65 anos.

Lusa

Mais de 3300 pais ou mães precisaram da ajuda da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) nos últimos cinco anos por terem sofrido agressões por parte dos filhos, entre casos de violação ou tentativa de homicídio.

Segundo dados divulgados esta quinta-feira pela APAV, entre 2013 e 2017, 3369 pessoas pediram ajuda à associação por serem vítimas de violência doméstica por parte dos filhos, registando-se 3387 processos de apoio e 7076 factos criminosos.

Só no ano passado, a APAV recebeu 765 pedidos de ajuda, menos 62 casos do que em 2016, mas mais 208 do que em 2013, o que representa um aumento de 37% em cinco anos. Entre 2013 e 2017, em 2752 casos a vítima era mulher, na maior parte com mais de 65 anos (44,6%), viúva (28,2%), e a viver num tipo de familiar nuclear com filhos (30,5%).

No total dos 7076 crimes registados, 2805 (39,6%) tinham a ver com maus tratos psíquicos, mas houve também 1763 casos de maus tratos físicos, além de 1130 casos de ameaça ou coacção ou 688 de injúrias ou difamação. Entre os números menos expressivos, há registo de 179 casos de roubo, mas também três casos de violação ou três tentativas de homicídio.

“Tendo em conta o tipo de problemáticas existentes, prevalece o tipo de vitimação continuada em cerca de 80% das situações, com uma duração média entre os dois e os seis anos (13,2%)”, refere a APAV, que destaca, por outro lado, que na maior parte dos casos (55,2%) as agressões ocorrem dentro da residência comum, apesar de o número de queixas/denúncias representar apenas 27,3% face ao total de autores de crimes assinalados.

Relativamente ao autor dos crimes, os dados da APAV mostram que em 68,6% dos casos são do sexo masculino e com idades entre os 36 e os 45 anos (17,7%), já que na maior parte das situações (1255) não se conseguiu saber a idade do autor do crime. A APAV ressalva ainda que, no total dos anos, o número de agressores (3579) foi superior ao de vítimas.

Vergonha favorece secretismo

Em comunicado, a associação de apoio à vítima explica que estes actos se inserem dentro da violência filioparental, que se caracteriza por “actos violentos e intencionais de filhos em relação aos pais” e que envolvem ameaça, intimidação e domínio para a obtenção de controlo e poder.

“A vergonha e a manutenção do mito da harmonia familiar favorecem o secretismo em torno do problema, o que tem contribuído para uma intervenção menos desenvolvida neste campo do que noutros tipos de violência intrafamiliar (como o abuso/negligência dos filhos ou a violência entre parceiros íntimos)”, diz a APAV. Por outro lado, salienta que este tipo de violência “não é um problema individual ou uma questão restrita ao contexto familiar”, tratando-se antes de “problema social, de justiça e de saúde pública”, o que tem levado a associação “a alertar a sociedade portuguesa para esta realidade, ainda obscura, da violência doméstica praticada pelos filhos contra os pais”.

“A violência doméstica, também na forma da violência filioparental, é um crime público que não pode ser remetido ao silêncio”, defende.

mais informações no documento:

Estatísticas APAV: Crimes de Violência Doméstica | Violência Filioparental 2013-2017

 

 

Violência. Todos os dias há um filho que agride os pais

Janeiro 29, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do http://ionline.sapo.pt/ de 19 de janeiro de 2017.

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Dados revelados pela Associação de Apoio à Vítima.

Em média, todos os dias existe um pai ou uma mãe que é agredido pelo filho. Estes são os dados revelados pela Associação de Apoio à Vítima (APAV), que, entre 2013 e 2015, registou 1777 casos.

Estes números mostram que, em média, houve mais de 592 casos por ano – mais de um caso por dia.

A APAV explicou ainda que mais de 83% das vítimas são mulheres e 49% são pessoas com 65 anos ou mais. Em mais de 65% dos casos, o o autor das agressões é do sexo masculino – destes, a maioria (93%) tem entre os 36 e os 45 anos. 26 % dos agressores são solteiros e 31,5 % estão desempregados.

mais informações na notícia da APAV:

Estatísticas APAV: Violência Doméstica | Violência Filioparental 2013-2015

Há mais pessoas a pedir ajuda por sofrerem agressões dos filhos

Março 31, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Público de 28 de março de 2016.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Relatório Anual 2015 : Estatísticas APAV

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Andreia Sanches

Relatório de 2015 da APAV é divulgado nesta terça-feira. Mostra que, por dia, quase três pessoas com 65 ou mais anos, três crianças e jovens e 14 mulheres são vítimas de crime ou de outra forma de violência.

Não é um fenómeno novo, mas no ano passado a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) lidou com mais casos de pessoas que tinham sido — ou eram ainda — alvo de alguma forma de agressão por parte dos filhos: 819, ou seja, mais de duas vítimas por dia.

Aliás, se tivermos em conta todas as relações de consanguinidade (avós, filhos, netos, pais/mães, irmãs/irmãos e outros familiares próximos), contabilizam-se perto de 2300 casos. É qualquer coisa como um quarto de todos os acompanhados pela associação, lê-se no relatório anual da APAV, referente a 2015, que será divulgado nesta terça-feira.

A face mais visível do trabalho da APAV é a violência conjugal — e percebe-se porquê: a violência nas chamadas “relações de intimidade” (envolvendo companheiros, maridos e mulheres, ex-maridos e ex-mulheres, namorados, actuais e antigos) representou 58,4% das situações com as quais a associação lidou. Mas também há cada vez mais relatos em que os filhos são apontados como agressores: 687 em 2013; 706 em 2014 e, como já se viu, 819 em 2015. Aliás, as situações em que os pais são agressores (1104) baixaram ligeiramente (7%), enquanto o número de agressores filhos subiu (16%).

João Lázaro, da direcção da APAV, admite que o grande factor que explica isto é a crescente sensibilização das pessoas — as campanhas a alertar para a violência contra os mais velhos, nomeadamente por parte de filhos e outros parentes próximos, estarão a surtir algum efeito e há mais gente a procurar apoio.

Bullying sobe 45%
Todos os anos, a APAV — uma instituição particular de solidariedade social, sem fins lucrativos — faz um relatório com o balanço da sua actividade, que se centra muito, mas não só, no apoio directo a quem é vítima de qualquer tipo de crime. Os números globais de 2015 são estes: foram apoiadas 9612 vítimas directas e contabilizados um total de 23.326 crimes (uma vítima pode ser ou ter sido alvo de vários crimes) ou outras formas de violência (o bullying, por exemplo, não está tipificado 1040091enquanto crime, mas é uma forma de violência).

 Algumas médias calculadas no relatório: por dia, quase três pessoas com 65 ou mais anos, três crianças e jovens e mais de 14 mulheres, entre os 18 e os 64 anos, são vítimas de crime ou outra forma de violência. Isto tendo em conta apenas o número das que procuraram apoio na associação. Homens, são uma média de 2,1 por dia.

“De 2013 para 2015, registou-se um aumento superior a 8% no número de processos, crimes e outras formas de violência e vítimas”, prossegue o documento.

Alguns tipos de violência ganharam terreno: a chamada violência doméstica, de longe a mais frequente, subiu 10,6%, num ano. São quase 19 mil os crimes contabilizados. Os casos de stalking (445) subiram 30,5% — as vítimas de “assédio persistente”, o termo português mais comum para stalking, são em geral mulheres, têm à volta dos 40 anos e um diploma superior. E os relatos de bullying (134) cresceram ainda mais: 46%. O perfil da vítima de bullying desenhado pela APAV é este: uma idade média de 18 anos, com predomínio das raparigas (52% dos casos), que apontam um colega de escola (em 60% dos casos) como autor das agressões.

Já os crimes de violação baixaram 38% (de 139 para 86) e os de abuso sexual de crianças sofreram pouca oscilação (de 106 para 102).

Relações gay
O relatório de 2015 contém algumas novidades. Uma delas é traçar, pela primeira vez, o perfil das vítimas de violência doméstica em casais de pessoas do mesmo sexo. A APAV atendeu 131 casos deste tipo — 57 vítimas-homens e 74 vítimas-mulheres.

O perfil dos homens que foram vítimas numa relação gay e que recorreram à associação é este: tem, em média, 46 anos (é um pouco mais jovem do que os 388 homens-vítimas em relações heterossexuais); em 36% dos casos tem o ensino superior; em 41% dos casos é casado ou vive em união de facto e uma minoria (38%) está inserido numa família nuclear com filhos (o que não se passa nas relações heterossexuais, onde a maioria relata viver em agregados com filhos).

Quanto à mulher que é vítima numa relação gay tem, em média, 44 anos (um pouco mais velha do que a média das mulheres-vítimas em relações heterossexuais), em 52% dos casos é casada, seis em cada dez estão inseridas num agregado com filhos, 42% têm o ensino superior.

“A violência assume formas muito diversas e tem actores muito diversos”, explica João Lázaro. Os perfis das vítimas mostram isso mesmo. Atente-se, ainda, a mais dois tipos de vítimas muito distintos: as crianças acompanhadas são em geral do sexo feminino (54,6%) e têm uma idade média de 9,9 anos; os idosos são também, na sua maioria (80,5%), mulheres, têm em média 75,4 anos e quase sempre (mais de 90%) estão reformados.

Muitas vítimas contactam a APAV apenas uma vez, para pedir informações. O telefone é escolhido em 60% dos casos (a linha de apoio 116 006 funciona gratuitamente das 9h da manhã às sete da tarde). Mas muitas são acompanhadas ao longo do tempo (ver texto “O caso mais antigo que Maria acompanha é de um miúdo com 13 anos“), nomeadamente para receber o apoio de um psicólogo habilitado. A associação fez um total de 34.372 atendimentos em 2015.

De resto, na maior parte das vezes o que as pessoas têm para relatar são casos de violência continuada (75%). E, no entanto, apenas 39% das vítimas declararam ter apresentado queixa às autoridades — uma percentagem que se mantém baixa, tal como no ano passado.

 

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Filhos tiranos que maltratam os pais são já uma “pandemia”

Fevereiro 17, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 2 de fevereiro de 2016.

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Lusa

Denúncia é do psicólogo espanhol Javier Urra, que publica agora em PortugalO Pequeno Ditador Cresceu”

O psicólogo espanhol Javier Urra afirma que há uma pandemia de violência filial em países como Portugal e Espanha, onde crescem os casos de mães e pais maltratados pelos filhos, que sabem “como é fácil ser-se tirano”.

“Aprender a ser um pequeno ditador é muito fácil, é muito cómodo. É muito fácil ser tirano se temos alguém que aceita ser escravo”, resume em entrevista à agência Lusa o psicólogo e terapeuta espanhol, que lançou agora o livro O Pequeno Ditador Cresceu, uma espécie de sequela da obra O Pequeno Ditador, que desde 2007 vendeu 33 mil exemplares em Portugal e que vai já na 18.ª edição.

Só em Espanha, as denúncias por maltratos de filhos contra pais passaram de cerca de 2.300 em 2007 para quase 5.000 em 2014.

“Estamos perante uma pandemia de violência filial”, assume Javier Urra no seu novo livro, sublinhando que há cada vez mais famílias que convivem com a realidade do mau trato ou violência por parte dos filhos.

São ameaças, agressões ou insultos. A agressão começa “em crianças muito pequenas”, que insultam ou estragam coisas. Depois ameaçam e, de seguida, passam ao mau trato verbal/ emocional e, nalguns casos, atingem a violência física.

Em 10 anos, desde a publicação do livro O Pequeno Ditador, Urra insiste que, mesmo que a realidade não tenha piorado, não melhorou certamente.

“Os pais deixam-se chantagear. Em Portugal e em Espanha, temos poucos filhos, mas temos muitos que se revoltam contra os seus pais e até contra os seus avós”, afirmou à Lusa.

Segundo as estimativas recolhidas pela equipa de Javier Urra, 65% dos agressores são rapazes e 35% são raparigas. As mães são, maioritariamente, as vítimas.

“Sendo quase sempre as mães, a violência de género pode incrementar. Se um rapaz agride a mãe, é provável que amanhã agrida a sua companheira”, julga o autor, que foi o primeiro Provedor de Menores em Espanha.

Javier Urra não tem dúvidas de que há mais violência de pais contra filhos do que o contrário, mas ainda assim sabe que são cada vez mais as famílias que convivem com a realidade da violência filio-parental, impensável há uns anos, e muito silenciada, por vergonha e sensação de culpa.

“Estou há anos a tentar ser porta-voz daqueles que gritam em silêncio, contando a sua dramática situação, assegurando que nem sempre são culpados”, escreve o autor no novo livro, sublinhando a situação de desespero pela qual passam os pais quando chegam a ter de denunciar os seus filhos, incluindo à justiça.

Passou-se de uma sociedade em que as crianças não tinham direitos e inverteu-se completamente o padrão: “as crianças sentem-se reis, tiranos, ditadores. Tudo gira à sua volta”.

Prova de que os filhos violentos estão a aumentar é a afluência no centro de tratamento dirigido por Javier Urra, a algumas dezenas de quilómetros de Madrid, onde acorrem uma média de 100 crianças por ano, apesar de um mês de tratamento ficar acima dos quatro mil euros – mais de mil euros suportados pelos educadores e o resto com apoio do Ministério da Saúde espanhol.

Em quatro anos, pelo programa de tratamento deste psicólogo já passaram perto de 370 crianças ou jovens, a maioria com 16, 17 e 18 anos. Três em cada quatro casos são recuperáveis, com Javier Urra a admitir que recebe geralmente os jovens que cometem delitos mais graves ou cuja relação com os pais é quase de fim de linha.

Durante cerca de um ano, estes jovens permanecem no centro de Urra, a 70 quilómetros de Madrid – que já foi procurado por duas famílias portuguesas -, onde os pais devem comparecer umas três vezes por mês: uma para terapia individual, outra para terapia de casal e uma terceira para terapia em grupos de pais. Acresce ainda uma reunião mensal com os filhos.

“Nos primeiros 15 dias, pais e filhos nem sequer podem falar por telefone. E durante quase um ano estão separados. Há que separar, o ambiente em volta está muito contaminado. As crianças ficam em permanência; há escola, sim, mas dentro do ‘campus'”, escreve o terapeuta, referindo-se ao centro onde trabalha mais de uma centena de pessoas.

Não é um sítio fechado, um encerramento, mas a criança deve estar absolutamente circunscrita e limitada, defende Javier Urra, que não esconde a ambição de abrir um centro congénere em Portugal.

No entanto, este desejo só seria possível com apoio ministerial, uma vez que o tratamento, como o próprio reconhece, “custa muitíssimo dinheiro” para ser suportado integralmente pelas famílias.

 

 

 


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