Distribuição de preservativos nas escolas aumentou 57% em 2016

Fevereiro 17, 2017 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 13 de fevereiro de 2017.

PRESERVATIVOS  DISTRIBUIÇÃO NAS ESCOLAS AUMENTOU 57% EM 2016

RUTE COELHO

Dia Mundial. O Programa Nacional para a Infeção VIH/Sida aumentou em 57% a entrega de contracetivos no ensino público no ano passado.

A oferta de preservativos nas escolas públicas portuguesas teve uma subida.de 57% em 2016, segundo dados oficiais do Programa Nacional para a Infeção VIH / Sida e Tuberculose (PNIVHTB) avançados ao DN. Hoje assinala-se o Dia Internacional do Preservativo, com uma tónica cada vez maior na prevenção.

Em 70% das escolas secundárias do ensino público e em 30% das universidades do Estado foram distribuídos 124 790 preservativos masculinos e femininos em 2016. O PNIVHTB, da Direção-Geral da Saúde, aumentou em 57% a entrega de contracetivos nas escolas em relação aos valores de 2015, ano em que foram distribuídos um total de 79 203 preservativos masculinos e femininos, segundo contas feitas pelo DN aos dados oficiais. Maria Eugénia Saraiva, presidente da Liga Portuguesa contra a Sida, explicou que “algumas das estruturas apoiadas pela Direção-Geral da Saúde, nomeadamente unidades de saúde e escolas, também solicitam preservativos às associações comunitárias, e por isso o número de preservativos rececionados por estes organismos é maior do que o assinalado”.

Depois de sucessivas críticas do Grupo de Ativistas em Tratamento (GAT) a um “racionamento de preservativos” por parte do PNTVHTB, tendo chegado a frisar, em agosto de 2016, que “o material de prevenção tem sido cada vez mais insuficiente para as necessidades”, o programa melhorou a situação, pelo menos nos estabelecimentos públicos de educação. Pela primeira vez nos últimos três anos foram também distribuídos preservativos, num total de 11995, em escolas do ensino privado: dos níveis básico e pós-secundário, de educação e formação de adultos, cursos profissionais e vocacionais. Nas escolas, a responsabilidade da distribuição recai sobre o Gabinete de Informação e Apoio ao Aluno, “em articulação com as unidades de saúde”, referiu o gabinete do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

Esse apoio partilhado ao aluno “poderá passar pelo encaminhamento dos jovens para a consulta de planeamento familiar, o que permitirá uma resposta integrada e abrangente”. O ministério garante que não está prevista a distribuição gratuita de preservativos em meio escolar.

Já a distribuição de preservativos nas unidades públicas de saúde diminuiu, tendo passado de 1,5 milhões em 2015 para 1,3 milhões em 2016. “Em alguns casos, devido a constrangimentos de materiais, foram fornecidas quantidades inferiores às solicitadas”, admitiu Isabel Aldir, diretorado Programa Nacional para a Infeção VIH/Sida e Tuberculose, ressalvando que não ficou comprometida a entrega continuada. Em 2016 “foi sugerido às entidades registadas na plataforma informática para acesso a materiais preventivos que as quantidades pedidas fossem de acordo com um plano de distribuição a três meses, assegurando-se materiais para todas as instituições que no-los solicitam”, concluiu Isabel Aldir.

“Educação Sexual é, infelizmente, política”

CRÍTICAS O psiquiatra critica “desinvestimento” dos governos PSD-CDS. liga contra a Sida lamenta haver escolas sem educação sexual.

O psiquiatra Daniel Sampaio, que coordenou o grupo de trabalho que esteve na origem da atual Lei de Educação Sexual (de 2009), afirma que “infelizmente, a Educação Sexual é uma questão política” e critica “o desinvestimento que houve nos governos PSD-CDS na área da educação para a saúde”. Confrontado com a maior distribuição de preservativos nas escolas em 2016, o psiquiatra assinalou o facto como positivo, mas insistiu que “é preciso voltar a ter uma perspetiva de educação para a saúde”. A lei de 2009, lembra, “não abrangia apenas a educação sexual mas a alimentação, a atividade física, a prevenção do álcool e das drogas e a violência”.

Daniel Sampaio vê um caminho difícil pela frente. “Neste ano foi divulgado o Referencial da Educação para a Saúde, que já suscitou polémica por preverá educação sexual no pré-escolar.”

Maria Eugenia Saraiva, presidente da Liga Portuguesa contra a Sida (LPCS), assinala que “uma das grandes preocupações da Liga é ainda existirem escolas que não garantem e nem promovem efetivamente a Educação Sexual”. A Liga “concorda com o Referencial de Educação para a Saúde, que admite a existência de Educação Sexual no pré-escolar e que visa a adoção de estilos de vida saudáveis e desenvolvimento de competências sociais e emocionais, sempre adequando a informação às diferentes faixas etárias”.

Maria Eugenia Saraiva defende que se vá mais além do que a simples distribuição de preservativos nas escolas. “Os nossos jovens merecem que exista uma articulação entre os ministérios da Educação e da Saúde e que a Educação Sexual não seja pontual ou ocasional e seja efetiva.”

Em 2015, os casos de infeção por VIH nas faixas etárias dos 15 aos 19 anos foram 17, dos 20 aos 24 anos foram 120 e dos 25 aos 29 anos foram 147. Gonçalo Lobo, presidente da Associação Abraço, critica a “falta de articulação entre os diferentes ministérios nesta matéria”. O facto de “haver o dobro dos preservativos nas escolas não nos garante que tenham sido distribuídos nos estabelecimentos de ensino onde há maior necessidade”.

 

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Projecções apontam para um aumento de perto de 60 por cento de novas infecções por VIH entre adolescentes até 2030 se os progressos estagnarem

Dezembro 8, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Comunicado de imprensa da http://www.unicef.pt/ de 1 de dezembro de 2016.

aids

 

Projecções apontam para um aumento de perto de 60 por cento de novas infecções por VIH entre adolescentes até 2030 se os progressos estagnarem

São necessárias medidas urgentes para melhorar a prevenção e o tratamento para os jovens

NOVA IORQUE/JOANESBURGO, 1 de Dezembro de 2016 – As projecções apontam para que as novas infecções por VIH entre os adolescentes aumentem de 250.000 em 2015 para quase 400.000 anualmente até 2030 se os progressos para chegar aos adolescentes estagnarem, segundo um novo relatório lançado hoje pela UNICEF.

“O mundo fez progressos enormes para pôr fim à SIDA, mas a luta está longe do fim – especialmente para as crianças e adolescentes,” afirmou o Director Executivo da UNICEF Anthony Lake. “A cada dois minutos, mais um adolescente – muito provavelmente uma rapariga – será infectado pelo VIH. Se quisermos acabar com a SIDA, temos de recuperar o sentido de urgência que este problema merece – e redobrar esforços para chegar a todas as crianças e a todos os adolescentes.”

A SIDA continua a ser uma das principais causas de morte entre os adolescentes, tendo custado a vida de 41.000 crianças e jovens entre os 10 e os 19 anos em 2015, segundo o 7º Relatório sobre as Crianças e a SIDA: Para Todas as Crianças – o fim da SIDA.

Consulte aqui o Sumário Executivo do relatório ‘For Every Child, End AIDS’ [em inglês]

O relatório propõe estratégias para acelerar os progressos na prevenção do VIH entre os adolescentes e o tratamento dos que estão infectados. As estratégias incluem:

  • Investimento em inovação, incluindo em soluções desenvolvidas localmente.
  •  Reforço da recolha de dados.
  •  Pôr fim à discriminação de género, incluindo a violência com base no género e o combate ao estigma.
  •  Dar prioridade a medidas para responder às vulnerabilidades dos adolescentes, desenvolvendo esforços de prevenção que incluam a profilaxia pré-exposição, subsídios em dinheiro e educação sexual abrangente.

Em 2015 ao nível global, perto de 2 milhões de adolescentes entre os 10 e os 19 anos viviam com VIH. Na África subsariana, a região mais afectada pelo vírus, três em cada quatro novas infecções em adolescentes dos 15 aos 19 anos eram em raparigas.

Outras conclusões incluídas no relatório:

  • Foram feitos progressos notáveis na prevenção da transmissão do VIH de mãe-para-filho. Globalmente 1.6 milhões de novas infecções em crianças foram evitadas entre 2000 e 2015.
  •  Em 2015 registaram-se 1.1 milhões de novas infecções em crianças, adolescentes e mulheres.
  •  As crianças entre os 0 e os 4 anos que vivem com VIH correm maior risco de morte relacionada com a SIDA, comparativamente a todos os outros grupos etários, e são frequentemente diagnosticadas e tratadas demasiado tarde. Apenas metade dos bebés filhos de mães infectadas pelo vírus fazem o teste do VIH nos primeiros dois meses de vida, e a idade média em que se inicia o tratamento em crianças infectadas por transmissão vertical na África subsariana é de quase quatro anos.

 

Não obstante os progressos alcançados na prevenção de novas infecções e na redução do número de mortes, o financiamento para a resposta à SIDA diminuiu desde 2014, afirmou a UNICEF.

Mais informação e relatório disponível em: http://www.childrenandaids.org

 

 

Cuba é o primeiro país a eliminar transmissão de VIH e sífilis de mãe para filho

Julho 3, 2015 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 1 de julho de 2015.

Notícia da OMS:

WHO validates elimination of mother-to-child transmission of HIV and syphilis in Cuba

Reuters

A Organização Mundial de Saúde declarou oficialmente Cuba o primeiro país do mundo a eliminar a transmissão do vírus da sida e da sífilis de mãe para filho

Com LUSA

“Eliminar a transmissão de um vírus é um dos maiores feitos em matéria de saúde pública”, afirmou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, num comunicado.

“É uma grande vitória na nossa longa luta contra o vírus de imunodeficiência humana (VIH) e as infeções transmitidas sexualmente, assim como um passo importante para conseguirmos uma geração sem sida”, acrescentou.

O êxito alcançado por Cuba “mostra que um acesso universal a cuidados médicos é possível e é, na verdade, a chave do êxito contra desafios tão grandes como a sida”, destacou por seu lado a diretora da Organização Pan-americana de Saúde (OPS), Carissa Etiènne, em conferência de imprensa.

A eliminação da transmissão do VIH de mãe para filho “prova que é possível pôr fim à pandemia da sida e esperamos que Cuba seja, entre vários outros países, o primeiro a conseguir eliminar esta epidemia entre as crianças”, disse o diretor-geral da ONU sida, Michel Sidibé.

Segundo a OMS, em todo o mundo, cerca de 1,4 milhões de mulheres infetadas com o VIH engravidam a cada ano, na maioria em países em desenvolvimento, especialmente na África subsaariana.

Sem tratamentos antirretrovirais, há um risco de 15% a 45% de transmitirem o vírus ao bebé durante a gravidez, o parto ou a amamentação.

Em contrapartida, esse risco é praticamente eliminado, caindo para um pouco mais de 1%, se a mãe for tratada com antirretrovirais durante a gravidez e o bebé receber o mesmo tipo de tratamento a partir do nascimento.

O número de bebés que nascem seropositivos no mundo baixou para metade entre 2009 e 2013, passando de 400.000 para 240.000 por ano.

Os Estados membros da OMS comprometeram-se em 2010 a eliminar a transmissão do VIH de mãe para filho até 2020.

No caso da sífilis, quase um milhão de mulheres grávidas são infetadas em cada ano, o que pode causar morte fetal, morte perinatal ou infeções neonatais graves.

Para o evitar, basta que a grávida seja diagnosticada e tratada com penicilina.

Para o reconhecimento oficial da OMS, o número de nascimentos de bebés infetados com o VIH tem de ser inferior a 2 por cada 100 bebés nascidos de mães seropositivas e, no caso da sífilis, igual a 1 caso para cada 2.000 nascimentos.

 

Adopção. João tinha uma mãe mas foi devolvido assim que a irmã nasceu

Agosto 1, 2014 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do i de 26 de julho de 2014.

Getty Images com pós produção sérgio mateus

Depois retirado à família biológica em 2004, João esperou cinco anos até ser adoptado. A mãe que quis ficar com aquela criança – portadora de VIH – devolveu-a ao Estado há um ano

Ao fim de um ano, João ainda pede para ligar à mãe, mas quase sempre a chamada acaba no voicemail: “Deve estar a trabalhar”. Tem 11 anos e imagina todos os dias o momento em que voltará para casa. Custa-lhe estar de novo numa instituição. A mãe adoptiva devolveu-o ao Estado no último ano. Diz que tinha em casa uma criança violenta. Mas na cabeça de João a culpa da separação é do excesso trabalho.

Usa a desculpa para justificar todas as falhas: quando o carro não para à porta sábado de manhã, para a visita prometida; quando quer dizer aos adultos da “nova casa” que, apesar do seu metro e trinta e dos seus 32 quilos, há quem o defenda; e até quando passa mais de um mês sem a ouvir. Vive convencido – porque desconhece a decisão do Ministério Público de entregar a sua guarda à instituição – que um dia a mãe que lhe dava o xarope e os quase vinte comprimidos que lhe controlam o VIH o virá buscar de vez.

Há noites em que não consegue disfarçar e a raiva entra a custo no pequeno quarto da vivenda dos arredores de Lisboa onde foi colocado. “Muda tão rapidamente, a cara dele passa de uma expressão zangada para um olhar de ódio tão profundo. Vem de dentro”, conta Lídia, uma das responsáveis da instituição. Mas João volta ao normal com a mesma ligeireza e nunca nos últimos meses o ódio – misturado com saudade – se tornou violento: “Tem as suas guerras, mas não podemos dizer que seja agressivo, bem pelo contrário”.

João não sabe ao certo os porquês desta história de adultos que é a sua vida e nem tão pouco se lembra de como se adaptou à instituição onde esteve quando foi retirado à família biológica, em 2004. Mas com um ano e meio e sem a referência da mãe ideal presente terá sido mais fácil.

O fim dos problemas Em 2009 uma voluntária de um casa de acolhimento de crianças decidiu iniciar um longo processo de adopção singular de uma criança com seis anos que ainda mantinha algum contacto com a sua família. Até aí, os mais próximos visitavam-no com pouca regularidade, devido às dificuldades económicas e aos problemas sociais. A saída da instituição fez a criança esquecer por completo a família biológica. Para trás ficaram os problemas de alcoolismo, as discussões constantes e as condições precárias em que chegou a viver. Ficou também – pensou ele durante anos – fechada a sete chaves a experiência de não ter mãe e de ser apenas mais um entre muitos meninos.

A tia, como lhe chamava na casa de acolhimento, passou a ser a nova mãe e com isso João ganhou uma avó e toda uma família com condições económicas e uma vida desafogada. Uma realidade muito diferente daquela que tinha vivido até então, porque “era uma criança que tinha crescido sem afecto”, explica fonte que conhece o caso.

Mas poucos anos depois de João entrar para a família, houve dois novos elementos que chegaram de rompante lá a casa. A mãe começou um namoro e logo de seguida nasce uma menina dessa relação. A “mana”, agora com dois anos, ainda faz os olhos castanhos de João ganharem outra vida quando o vai visitar à instituição.

O momento de felicidade para a família coincide com o regresso dos problemas à vida de João. Na altura com 9 anos, deixa de ser o centro das atenções e passa a ser o menino violento. Primeiro porque, segundo a descrição que serviu de base ao seu regresso à instituição, terá maltratado o cão da avó e depois porque, numa outra situação, terá tentado sufocar a irmã mais nova. O Ministério Público não teve dúvidas em aceitar o requerimento da mãe adoptiva e voltou a por João à guarda do Estado.

Quinta vida O regresso ao passado começou da pior maneira. João acabara de entrar para o 2.º ciclo e pela frente deixara de ter apenas uma professora. Eram muitos, tantos quantas as disciplinas. A pressão de voltar a ficar sem família fê-lo baixar os braços e acabou por ter as negativas suficientes para chumbar. “Esse foi um dos reflexos de que não tem tido tempo para se construir como pessoa”, diz Josefa uma das educadoras que nos últimos tempos se cruzou com a criança.

Na instituição de acolhimento temporário para onde foi logo encaminhado, a mãe adoptiva – que dificilmente perderá o estatuto legal – tinha várias barreiras para o contactar. Os telefonemas não podiam ser feitos a qualquer hora e as visitas tinham de ser previamente marcadas.

O que levou esta criança, porém, a cair nas mãos da Segurança Social não era um problema temporário e rapidamente surgiu a necessidade de transferi-la para um centro de acolhimento com outras características. Novamente, João é obrigado a mudar de escola, de amigos, de brinquedos. De vida: pela quinta vez em 10 anos.

Há já vários meses que chegou à vivenda onde hoje vive com rapazes e raparigas dos 10 aos 18 anos. E ainda está a tentar estabelecer amizades. João observa muito antes de falar, de dar um primeiro passo. “É reservado, às vezes parece que está apático mas está assimilar tudo antes de responder, de reagir”, explica Lídia. A sua racionalidade nem sempre é bem entendida pelos colegas, que como a maioria das crianças, reagem às emoções sem pensar duas vezes.

Nas aulas, estes últimos meses de estabilização pessoal já se notam. João teve apenas duas negativas e por isso conseguiu sem grandes dificuldades passar para o 6.º ano. A relação com a mãe, contudo continua a perturba-lo. Às vezes – sobretudo quando se aproxima a data de uma visita – basta ser obrigado a fazer os trabalhos de casa ou a tomar um banho para explodir: “Em minha casa…”. Ao fim de vários meses com a guarda desta criança, os responsáveis pela instituição têm muitas dúvidas de que João seja o menino violento que punha em risco a segurança de animais ou da irmã, como está descrito na fundamentação da sua reinstitucionalização. Joaquim está aliás convencido de que o principal motivo “é a ausência de afecto para com o João por parte família adoptante”. E assegura que, “tendo em conta o comportamento actual”, a descrição feita no pedido de reinstitucionalização foi “empolada”.

“Será que alguma vez maltratou o cão da avó?”, questiona a advogada Rita Sassetti, adiantando que o Ministério Público tem obrigação de verificar as descrições dadas neste tipo de requerimento com toda atenção até porque num tribunal de família, o procurador tem de defender o interesse da criança. A jurista considera ainda que “anormal seria se não sentisse raiva”.

Um álbum vazio João acorda sempre cedo – por obrigação –, salta do beliche, desce as escadas e vai à cozinha onde toma um xarope e os oitos comprimidos ao pequeno-almoço. Desde muito novo tem noção de que não pode falhar e de que também não podem falhar com ele. Mas, nem por isso, a cozinha é lugar de obrigações. Longe disso. É a melhor divisão da nova casa.

E nem é que o seu corpo franzino – que aparenta ter oito anos – seja de muito alimento, mas sempre foi “maluco por doces”. Vinga-se naquilo que mais gosta, apesar de quase nunca ter fome. “Também, com a quantidade de medicamentos que toma para o VIH…”, soltam os que acompanham o seu caso.

Estes adultos que agora têm nas mãos o futuro de João dão-lhe, como aos restantes, uma pequena semanada, mas ele nunca investe esse dinheiro em brinquedos como os outros. “Prefere sempre comprar guloseimas”, conta Lídia.

Muito pouco do que agora tem é dado pela mãe. Até a roupa é quase toda oferecida pela instituição, porque a maioria da que trouxe da sua casa já não lhe serve e as poucas vezes que vai de visita o roupeiro não é renovado. Para os seus amigos mais próximos a vida dele é normal. Tão normal quanto as deles, que nem sabem o que é ter uma família. Mas para João a sua vida é diferente e oscila entre a felicidade do que já viveu e a ausência da pessoa de que mais gosta. “Tenho tantas saudades”, solta de vez em quando.

E é uma ausência tão grande que nem nunca teve direito a uma fotografia para expor na nova casa. “Essa falta do passado e de referências presentes causa-lhe raiva e, aí sim, ele acaba por ter um comportamento mais violento: rasga as fotografias que os colegas têm da família ou corta fios das colunas quando alguns ouvem música”, diz a educadora que desde o início soube travar aos excessos de João.

“Corre o dia todo atrás de mim, mas sabe que não pode fazer disparates quando eu estou, o que mostra que os comportamentos agressivos dele podem ser controlados se os adultos souberem lidar com ele. O João apenas nos quer testar, como qualquer criança”. Com os da sua idade, tudo é diferente: consegue por vezes “manipulá-los” e fazer com que fiquem de castigo por problemas que ele arranja.

A doença Ter VIH não tem qualquer problema: a vida de João é quase igual à de todos os outros. Joga à bola, várias horas por dia, perde-se na Playstation e também já foi apanhado pela febre das pulseiras de elástico. É por baixo da pala do boné que usa sempre – esse sim ainda vem de casa – que esconde muitas vezes um olhar de preocupações, de dúvidas. A criança que pede a todo o momento atenção aos funcionários com quem se dá melhor, pouco fala sobre as outras vidas ou sobre os raros encontros com a mãe. Tenta, enquanto consegue, guardar tudo.

O que tem de evitar – mais que os outros – são as lutas ou as acrobacias mais arriscadas. João tem noção de que ninguém pode tocar no seu sangue, sobretudo agora que está numa instituição onde é o único com VIH. Mas às vezes acontece. Pára imediatamente, vai chamar um adulto e lembra-o logo a regra básica: “Não te esqueças de por as luvas!”

Desde sempre que ouviu esta frase e há dias em que sugere mesmo que deve ser ele a por o penso para que evitar qualquer risco. Os colegas entendem. Mesmo os adversários de luta.

A doença de João está controlada e nunca foi difícil aos colegas perceber que o sangue dele é especial. Na última formação que foi dada para aprender a lidar com o VIH, João foi o mais curioso. Ele que sabe como ninguém os cuidados que precisa ter no dia-a-dia, não parou de fazer perguntas. Interrompia a cada momento para aprender um pouco mais sobre si.

A falta de preparação da actual da casa de acolhimento de João para lidar com crianças portadoras desta doença foi mais um dos obstáculos que teve de enfrentar quando lá chegou. Mas depressa lhes ensinou o básico.

Ainda assim, para que possa ter uma vida igual à dos seus amigos, João precisa de um acompanhamento médico constante. Pelo menos uma vez por mês tem de ir ao médico para verificar se a medicação está adequada ou se é preciso fazer algum ajuste. A mãe comprometeu-se a pagar essa despesa e tem cumprido sempre. Faz questão que o “filho” seja visto pelo médico privado que sempre o acompanhou e recusa que João seja controlado por médicos do Serviço Nacional de Saúde.

A doença de João é mais uma dos cordões umbilicais que o mantém ligados à mãe. O facto de essa responsabilidade ser assumida é uma entrave a por fim a esta adopção. Para fontes ligadas ao processo da criança, a mãe quer continuar a manter este laço apesar de não a reconhecer como família: “Os miúdos têm famílias idealizadas, mas eles também têm de ser idealizados pelas famílias. Neste caso só existe a primeira parte…”

Jogo do toca e foge A mãe liga-lhe quase sempre à noite depois de as responsáveis da instituição saírem, tenta evitar o confronto. É nesta espécie de conversas escondidas que surgem as promessas e as expectativas que acabam quase sempre da mesma maneira: com o João a tomar os oito comprimidos e o xarope do jantar e a adormecer no seu beliche.

E mesmo nas poucas vezes que o vem buscar para umas pequenas férias volta a entregá-lo durante o fim-de-semana, quando só lá está um funcionário a tomar conta de todas as crianças. É por isso que actualmente é considerada uma mãe adoptiva social ausente: não tem a guarda, mas não abdica de alguns vínculos.

Ainda este Verão já o foi buscar para umas pequenas férias. Para João, aquela semana passou a correr, tão rápido que nem houve tempo para que ele entrasse nas fotos de família que foram tiradas. “Tiramos várias, mas eu não fiquei em nenhuma”, contou.

Só que, por cada momento que se alimenta a esperança de João, cria-se uma entrave ao seu desenvolvimento. “Pergunto-me quais as consequências psicológicas para esta criança”, atira Rita Sassetti, que trabalha o direito da família e acompanha processos de adopção. A jurista diz mesmo que os contornos desta história só trazem interrogações sobre a forma como se lida com a adopção: “Para todos os efeitos não se pode chamar mãe adoptiva a quem só paga uma consulta e vai de vez em quando buscar o filho à instituição para passear. E não percebo como é que o Ministério Público vai nestas conversas”.

Até aos 18 anos? Talvez… A grande questão que se coloca actualmente é: João pode ser novamente adoptado e tentar aos 11 anos reconstruir uma vida que lhe tem sido negada? Pode enfim chamar mãe a alguém para sempre? A resposta é simples: por enquanto não, porque para efeitos legais tem uma família adoptiva.

Segundo a instituição, o comportamento de João está a ser avaliado ao pormenor para que se possam tirar conclusões mais precisas sobre a instabilidade que a mãe adoptiva representa para a sua vida. A instituição admite mesmo por fim à questão, mas diz que ainda não é a altura para isso. “Pode haver um parecer, mas teria de haver fundamentação para pedir que esta adopção seja declarada sem efeito”, explicam, adiantado que para isso é preciso esperar mais algum tempo. Até lá, João apenas poderá ter uma família amiga que o acolha de vez em quando. É o que diz a lei.

Outra hipótese é esta espera ser tão longa que acabe com o processo de autonomia, quando João fizer 18 anos. Isto, porque se se optar por aguardar que João e a família reúnam as condições para que voltem a viver no mesmo espaço o mais provável é que daqui a sete anos esteja tudo na mesma. Aí a única alternativa é a instrução de um processo com vista à sua autonomização. Só que João já está farto de esperar. Quando pede alguma coisa e lhe dizem para aguardar uns minutos olha para o relógio e cobra: “Já passaram!”

Todos os nomes usados nesta reportagem são fictícios, à excepção do da advogada Rita Sassetti

 

 

Acidentes e VIH no topo das causas de morte de 1,3 milhões de adolescentes

Maio 20, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 14 de maio de 2014.

o relatório mencionado na notícia é o seguinte:

Health for the world’s adolescents

adriano miranda

Lusa

Relatório da OMS analisou causas de morte em 2012. Mortalidade caiu 12% desde 2000, um número que é considerado “modesto”.

Cerca de 1,3 milhões de adolescentes morreram em 2012, revela um relatório da OMS, que aponta os acidentes rodoviários como a primeira causa de morte e o VIH como a segunda, estando ainda assim a crescer.

O relatório “Saúde para os adolescentes do mundo” é publicado nesta quarta-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que estima que uma em cada cinco pessoas no mundo seja adolescente, ou seja, há 1,2 mil milhões de pessoas de entre 10 e 19 anos.

Embora a maioria dos adolescentes seja saudável, a OMS alerta que ainda há números significativos de mortes e doenças naquela faixa etária. Só em 2012, revela a organização, morreram 1,3 milhões de adolescentes em todo o mundo, menos do que os 1,5 milhões de 2000.

A taxa de mortalidade naquela faixa etária caiu de 126 para 111 em cada 100.000 entre 2000 e 2012, uma “queda modesta” de 12% que continua a tendência dos últimos 50 anos, conclui a OMS. No relatório, a OMS revela que os acidentes rodoviários são a principal causa de morte a nível global, assim como a segunda causa de ferimentos e deficiência. Os rapazes são particularmente afectados pelos acidentes na estrada, com uma taxa de mortalidade três vezes mais elevada do que as raparigas.

O VIH, que não aparecia entre as causas de mortes adolescentes em 2000, tornou-se agora a segunda mais frequente. A OMS estima que a mortalidade adolescente associada a esta doença esteja mesmo a aumentar nesta faixa etária, ao contrário do que acontece em todas as outras. Isto pode reflectir as melhorias nos cuidados de saúde junto das crianças seropositivas, o que faria aumentar aquelas que chegam vivas à adolescência, admite a OMS. No entanto, nesta faixa etária os doentes não estão a receber o tratamento e os cuidados necessários para sobreviver e evitar a transmissão.

Doenças mentais com grande peso

No relatório, a OMS destaca ainda o “peso elevado” das doenças mentais na saúde dos adolescentes. Globalmente, escreve a organização, a depressão é a principal causa de doença e deficiência nesta faixa etária e o suicídio é a terceira causa de morte. “Alguns estudos mostram que metade das pessoas que desenvolvem problemas mentais tem os primeiros sintomas até aos 14 anos. Se os adolescentes com problemas mentais receberem os cuidados de que precisam, isso pode prevenir mortes e evitar o sofrimento ao longo da vida”, concluem os autores do relatório.

A OMS destaca também uma “redução significativa” das mortes por complicações na gravidez e parto entre as adolescentes desde 2002, particularmente nas regiões onde a taxa de mortalidade materna é mais alta: Sudeste asiático (57%), Mediterrâneo Oriental (50%) e África (37%). Apesar disso, a mortalidade materna ainda é a segunda causa de morte entre as raparigas dos 15 aos 19 a nível global, apenas ultrapassada pelo suicídio.

Novos dados recolhidos pela OMS sobre a saúde dos adolescentes concluem que menos de um em cada quatro faz exercício suficiente – a organização recomenda pelo menos uma hora de exercício moderado a vigoroso por dia, e em alguns países um em cada três é obeso. Por outro lado, há algumas tendências positivas, como a redução das taxas de tabagismo nos adolescentes mais jovens em países de alto rendimento e em alguns de baixo e médio rendimento.

A OMS recorda que a adolescência é um período importante para criar as fundações de uma vida saudável, recordando que muitos dos comportamentos que propiciam as principais doenças não transmissíveis começam ou reforçam-se nesta altura. “Se não forem abordados, os problemas de saúde e comportamentos que começam na adolescência – como o consumo de tabaco e álcool, os padrões alimentares e de exercício – têm um sério impacto na saúde e desenvolvimento dos adolescentes de hoje e potencialmente efeitos devastadores na sua saúde como adultos amanhã”, diz a principal autora do relatório, Jane Ferguson.

O relatório sublinha por isso a necessidade de mais países seguirem o exemplo de Estados como a Índia, cuja estratégia para a saúde dos adolescentes aborda um vasto espectro de questões, como a saúde mental, a nutrição, o consumo de substâncias, a violência, as doenças não transmissíveis e a saúde sexual e reprodutiva.

 

 

Alunos discriminados por terem VIH/sida

Dezembro 6, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Correio da Manhã de 4 de Dezembro de 2013.

sida

 

Children and AIDS: Sixth Stocking Report, 2013 – Novo relatório da Unicef

Dezembro 2, 2013 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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unicef

Descarregar o relatório aqui mais recursos aqui

NEW YORK, 29 November 2013 – A new report released today by UNICEF shows great progress has been made to prevent mother-to-child transmission of HIV, with more than 850,000 new childhood infections averted between 2005 and 2012 in low- and middle-income countries.

However, the new 2013 Stocktaking Report on Children and AIDS raises the alarm on adolescents, citing the need for increased global and national efforts to address HIV and AIDS among this vulnerable age group.

AIDS-related deaths amongst adolescents between the ages of 10 and 19 increased by 50 per cent between 2005 and 2012, rising from 71,000 to 110,000, in stark contrast to progress made in preventing mother-to-child transmission. There were approximately 2.1 million adolescents living with HIV in 2012.

With additional funding and increased investment in innovation, many of the challenges could be overcome, the report says.

A new analysis featured in the report shows that by increasing investment in high-impact interventions to about US$5.5 billion by 2014, 2 million adolescents, particularly girls, could avoid becoming infected by 2020. Investments in 2010 were US$3.8 billion.

“If high-impact interventions are scaled up using an integrated approach, we can halve the number of new infections among adolescents by 2020,” said UNICEF Executive Director Anthony Lake. “It’s a matter of reaching the most vulnerable adolescents with effective programmes – urgently.”

High-impact interventions include condoms, antiretroviral treatment, prevention of mother-to-child transmission, voluntary medical male circumcision, communications for behaviour change, and targeted approaches for at-risk and marginalized populations. This is in addition to investments in other sectors such as education, social protection and welfare, and strengthening health systems.

In contrast to adolescents, progress has been impressive in the area of preventing new HIV infections among infants. Some 260,000 children were newly infected with HIV in 2012, compared to 540,000 in 2005.

“This report reminds us that an AIDS-free generation is one in which all children are born free of HIV and remain so––from birth and throughout their lives––and it means access to treatment for all children living with HIV,” said Michel Sidibe, Executive Director of UNAIDS. “It also reminds us that women’s health and well-being should be at the centre of the AIDS response. I have no doubt that we will achieve these goals.”

Mais de dois milhões de adolescentes vivem com VIH/Sida

Novembro 29, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Açoriano Oriental de 25 de Novembro de 2013.

Mais de dois milhões de adolescentes vivem com VIH e o número de mortes associadas à infeção naquela faixa etária aumentou 50% em sete anos, enquanto diminuía 30% na população em geral, informou hoje a OMS.
Num documento hoje divulgado, em que apresenta pela primeira vez recomendações sobre o VIH direcionadas aos adolescentes, a Organização Mundial de Saúde (OMS) escreve que a população entre 10 e 19 anos tem sido prejudicada pela falta de uma atenção específica no tratamento e prevenção do VIH/Sida.

Esta “falta de um apoio efetivo e aceitável” para os adolescentes resultou num aumento de 50% no número de mortes associadas à sida naquela faixa etária entre 2005 e 2012, período no qual o número de mortes na população em geral diminuiu 30%.

Este aumento deve-se, em primeiro lugar, à fraca prioridade dada aos adolescentes nos planos nacionais de prevenção do VIH, à provisão desadequada de testes acessíveis e à falta de apoio aos adolescentes para que adiram aos tratamentos antirretrovirais, escreve a OMS.

Nas vésperas do Dia Mundial de luta contra a sida, que se assinala a 01 de dezembro, a OMS recorda que todos os adolescentes são vulneráveis ao VIH devido às transições físicas e emocionais e aos comportamentos menos avessos ao risco típicos deste período.

“Os adolescentes precisam de serviços de saúde e apoio desenhados para as suas necessidades. Têm menos probabilidades do que os adultos de serem testados ao VIH e muitas vezes precisam de mais apoio do que os adultos para se manterem nos cuidados de saúde e para continuarem os tratamentos”, diz o diretor do departamento de VIH/Sida da OMS, Gottfried Hirnschall, citado num comunicado da organização.

A vulnerabilidade dos adolescentes ao vírus é particularmente óbvia em zonas com epidemias generalizadas de VIH, como na África Subsaariana.

Cerca de um sétimo de todas as novas infeções por VIH acontecem na adolescência, alerta o chefe do programa de VIH da Unicef, Craig McClure, sublinhando que se não forem eliminadas as barreiras ao diagnóstico e ao tratamento – leis duras, desigualdades, estigma e discriminação que impedem o acesso a serviços como a prevenção, o diagnóstico e o tratamento – “o sonho de uma geração livre de sida nunca se realizará”.

Ao longo da próxima década, alerta a organização, as crianças que hoje vivem com VIH vão tornar-se adolescentes e, enquanto algumas estão já diagnosticadas e a receber tratamento, outras não foram diagnosticadas e/ou não estão a ser tratadas.

Na África Subsaariana, por exemplo, estima-se que apenas 10% dos rapazes e 15% das raparigas dos 15 aos 24 anos saibam se estão infetados com o VIH, alerta a OMS.

A organização recomenda aos governos que revejam as suas leis para facilitar que os adolescentes possam ser testados ao VIH sem precisarem do consentimento dos pais e sugere algumas formas de melhorar a qualidade do apoio aos adolescentes nos serviços de saúde.

“Os jovens precisam de ser mais bem equipados para gerirem a sua infeção por VIH e para tomarem controlo da sua saúde”, diz Elizabeth Mason, diretora do departamento de saúde materna, neonatal, infantil e adolescente da OMS.

“Vimos por exemplo no Zimbabué que, ao desenvolver serviços amigos dos adolescentes, é possível obter bons resultados entre os adolescentes. Apelamos a outros que se inspirem nestes exemplos”, acrescenta

 

Reunião do Grupo de Trabalho sobre infeção VIH na criança

Setembro 7, 2012 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações Aqui

Adolescentes. 70 milhões excluídos da escola e 80 milhões sem trabalho

Fevereiro 25, 2011 às 4:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do i de 25 de Fevereiro de 2011.

Relatório da UNICEF mencionado na notícia é o seguinte:

THE STATE OF THE WORLD’S CHILDREN 2011 – Descarregar o relatório Aqui

Fotografia Getty

Fotografia Getty

Unicef apresenta hoje o relatório anual e pela primeira vez aborda a situação dos adolescentes que ficaram em segundo plano face às crianças.

Há mais de 70 milhões de adolescentes no mundo que deviam frequentar o ensino secundário, mas estão excluídos da escola. Mais de 20% desta população sofre de algum problema mental ou comportamental e a depressão é a doença mais recorrente. Todos os anos são mais de 70 mil os rapazes e as raparigas que se suicidam. Há ainda 70 milhões de raparigas e mulheres entre os 15 e os 49 anos que já foram submetidas à mutilação genital, a maioria no início da puberdade. São só alguns números que vão ser hoje revelados em Lisboa pela Unicef e que constam no seu relatório “Situação Mundial da Infância 2011”, que este ano tem como tema “Adolescência: Uma Idade de Oportunidades”.

Contrariar a exploração infantil ou promover os direitos das crianças são batalhas que têm vindo a ganhar terreno em todo o mundo – nas últimas duas décadas, a taxa de mortalidade infantil desceu 33% entre as crianças com menos de cinco anos. Só que este não deve ser o único objectivo dos países que tentam quebrar os ciclos de pobreza. É preciso investir a mesma vontade e os mesmos recursos nos adolescentes, que têm ficado em segundo plano, alerta a Unicef.

O relatório “Situação Mundial da Infância” debruça-se pela primeira vez “com maior profundidade” sobre os jovens entre os 10 e os 19 anos, idade que corresponde à adolescência, de acordo com a definição da ONU. Até ao ano passado as crianças foram o centro da atenção da Unicef, que vem agora alertar para a urgência de se investir nos 1,2 milhões de adolescentes para fazer recuar a pobreza e diminuir os riscos que enfrentam. Basta recordar que “50% das perturbações mentais acontecem antes dos 14 anos”, sublinha o relatório. O fenómeno tem vindo a aumentar nas últimas três décadas e a Unicef atribui à quebra de laços familiares, ao desemprego e às ambições profissionais e emocionais que acabam por não se concretizar.

O desemprego é o grande obstáculo que esta faixa etária enfrenta. Com 81 milhões de jovens sem trabalho no mundo, o fenómeno terá tendência a acentuar-se com um mercado de trabalho cada vez mais tecnológico e uma parte da população sem acesso ao ensino médio ou superior. É por isso que a Unicef insiste na promoção de programas de formação e ainda na melhoria de políticas e na aprovação de leis que protejam os direitos dos jovens. “Prevê-se que a gravidade venha a acentuar-se no decurso da próxima década”, lê-se no relatório.

Os países em desenvolvimento são os que têm maiores dificuldades em assegurar as condições básicas e 88% dos rapazes e raparigas vivem nessa parte do planeta. Mais de metade desta população está no continente asiático. Tanto o Sul da Ásia como a Ásia Oriental e o Pacífico acolhem 990 milhões habitantes entre os 10 e os 19 anos.

O sexo feminino é particularmente vulnerável. Nos países em desenvolvimento (excluindo a China), entre as raparigas pobres a probabilidade de se casarem antes dos 18 anos é três vezes maior que entre as adolescentes nascidas nas famílias de classe média dos países mais ricos.

Uma em cada cinco adolescentes entre os 15 e os 19 anos nos países pobres está casada ou vive em união. Em África, 25% das mulheres entre os 20 e os 24 anos tiveram o primeiro filho antes dos 18 anos. Os dados disponíveis em 14 países em desenvolvimento sugerem que elas correm maiores riscos nutricionais do que eles. A anemia é a doença mais comum.

 

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