Guia de sobrevivência para viagens com crianças

Agosto 2, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Destak de 1 de Agosto de 2013.

O calendário confirma o que o corpo há muito pede: as férias chegaram. Mas se tem filhos e se é sossego que pretende, o melhor mesmo é começar a fazer alguns planos para conseguir que a viagem que o separa do merecido descanso nada menos seja do que um mar de rosas. De carro ou avião, aceite alguns conselhos para afastar as dores de cabeça. E evitar o desespero.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

Cruzar os ares sem dores de cabeça

Se a aventura das férias começa com uma viagem de avião, o melhor mesmo é procurar fazê-la durante a noite, para garantir o sono dos passageiros de palmo e meio. Agradecem os pais, que podem viajar mais descansados, e os restantes passageiros.

De mochila às costas
A preparação é sempre a chave de um bom resultado, mas mais ainda se viajar com crianças de colo. Nestes casos, o melhor mesmo é ter tudo aquilo que pode vir a precisar (fraldas, toalhitas, água, leite, etc) organizado e à mão, na bagagem de mão que deve ser, de preferência, em forma de mochila. Porquê? Porque deixa as mãos livres para responder a todas as necessidades e solicitações que quem tem filhos pequenos sabe que são companhia constante.

Pastilhas e rebuçados
Para evitar o choro e birras na altura de levantar voo ou na aterragem, fruto da mudança de pressão, a receita é igual para adultos ou crianças: mastigar uma pastilha elástica ou chupar um rebuçado.

Afastar o tédio
No caso das crianças mais velhas, o tédio pode ser um dos grandes inimigos das viagens. Há, pois, que estar preparado com ofertas de entretenimento, seja em forma de livros para pintar, DVDs, jogos portáteis ou surpresas. Nada melhor do que arranjar uma série de novidades (pequenos brinquedos, livros novos, etc) e ir presenteando a criança, mantendo-a distraída durante algum tempo.

Antes da partida:
– Para evitar surpresas, sobretudo as desagradáveis, antes da partida há que falar com a criança e explicar o que se avizinha, aconselha a ANA Aeroportos de Portugal. Tornar a viagem emocionante, comparando-a com uma aventura, ajuda os mais pequenos, sobretudo aqueles que nunca viajaram de avião.
– Consulte o pediatra. Nada pior do que uma viagem com uma criança doente. E, dependendo do destino, pode mesmo vir a ser necessária a administração de vacinas.
– Para evitar desidratação, a ingestão de líquidos é fundamental. Por isso, não se esqueça das bebidas, sobretudo água, chás ou sumos de fruta. Evite as bebidas gaseificadas e
informe-se das ofertas da companhia aérea para as crianças, sobretudo no que diz respeito às refeições, que devem ser solicitadas com antecedência, ou ainda à oferta de berços (voos de longo curso), cadeiras para bebés e kits de higiene com fraldas.
– Na hora de reservar os lugares, lembre-se que as crianças gostam mais de viajar junto à janela, devendo os pais ocupar o lugar do corredor. Menores de 15 anos não estão autorizadas a viajar perto da saída de emergência.
– Os menores de 18 anos devem ter sempre consigo um documento de identificação (Cartão do Cidadão ou Passaporte) e o cartão de embarque.

– Vista a criança com várias camadas de roupa, para que se possa adaptar às diferenças de temperatura no avião e, mais tarde, no destino. Não se esqueça dos medicamentos, se for caso disso.
– Chegue cedo, para evitar atrasos e imprevistos.

Fazer-se à estrada sem dramas

«Falta muito para chegar?». A pergunta, que tende a saltar do banco de trás várias vezes durante uma viagem, seja esta longa ou curta, é difícil de impedir. Mas há formas de evitar que se repita por entre prantos. Comece pelo sol, que pode ser um problema. Por isso, antes da partida, o melhor é investir na compra de uma tela ou cortina para colocar na janela, evitando o incómodo dos raios nos olhos.

Stop: é hora de parar
Tente parar várias vezes durante a viagem, que ajuda a afastar o tédio, procurando não viajar mais do que duas horas seguidas. E se conseguir parar em locais com animação e divertimento, pode tornar a própria viagem uma aventura. Se não conhece a zona, faça uma pesquisa antes da partida para conhecer o que têm para oferecer as cidades que se cruzam no caminho até ao destino.

Carregador de viagem
Se levar uma consola de jogos ou um leitor de DVDs portátil, certifique-se que leva também o carregador do carro. Pior do que ficar sem bateria a meio da viagem, é não ter forma de carregar o aparelho.

Essencial na mala
– Água, de preferência numa bolsa térmica, para evitar que fique quente.
– Lenços ou fraldas de pano para limpar a boca, as mãos ou qualquer outra parte do corpo.
– Um lanche de emergência. Nunca se sabe quando a criança vai ter fome. Não se esqueça da colher.
– Um saco de plástico extra, que podem sempre dar jeito (quando mais não seja para guardar uma fralda ou roupa suja).

A brincar se passa o tempo
Inventar brincadeiras para passar o tempo é também uma forma de afastar as birras. Contar histórias ou criar jogos, como aquele em que o vencedor é aquele que primeiro contar dez carros da mesma cor ou, melhor ainda, o jogo do silêncio, em que ganha quem ficar mais quieto durante mais tempo.

 

Viajar com crianças: aspetos gerais

Agosto 16, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo publicado no portal Educare no dia 8 de Agosto de 2012.

Serviço de Pediatria do Hospital de Braga

A preparação da viagem, no que se refere aos cuidados de saúde, deve iniciar-se algumas semanas antes da partida, e devem manter-se durante e após a estadia.

A oportunidade de viajar aumentou de forma significativa, as motivações são várias e incluem umas simples férias à necessidade de emigração. Os países de língua portuguesa são muito procurados, o que levou ao aumento da estadia em regiões tropicais, as quais têm alguns aspetos próprios que deve ter em conta.

A preparação da viagem, no que se refere aos cuidados de saúde, deve iniciar-se algumas semanas antes da partida, e devem manter-se durante e após a estadia.

• Procure conhecer bem o destino: temperatura local, risco de algumas doenças, criminalidade, animais comuns, acesso a ajuda médica e farmacêutica de qualidade, contacto da embaixada, etc.
• Deve levar sempre consigo o boletim de saúde infantil e juvenil, o boletim de vacinas atualizado e o certificado de vacinação internacional, se necessário.
• A criança deve andar sempre identificada e com número de contacto no bolso, e deve ser ensinada de como proceder no caso de se perder.
• Não se deve esquecer que as mudanças de horário, de atividades, de ambiente podem ser um fator de stresse para a criança. O contacto com brinquedos familiares pode ajudar.

Consulta pré-viagem:
• É aconselhável consultar, 4 a 8 semanas antes de viajar, o seu médico de família ou pediatra.
• A criança deve ter as vacinas atualizadas. Em estadias prolongadas ou para áreas de alto risco para uma ou várias doenças, pode ser necessário antecipar a toma de algumas vacinas. Existem vacinas obrigatórias em alguns países que não fazem parte do plano nacional de vacinação, como por exemplo, a da febre amarela (pode ser dada a partir dos 9 meses de idade, sempre pelo menos 10 dias antes da partida, e necessita de reforço de 10 em 10 anos). Existem outras, não obrigatórias, mas podem estar aconselhadas para certos destinos (hepatite A, meningocócica, raiva, febre tifoide, etc.).
• Crianças com problemas médicos particulares (asma, diabetes, insuficiência renal crónica, etc.) devem ter sempre consigo “informação médica pessoal” pormenorizada.
• Em conjunto com o seu médico poderá também preparar uma farmácia de viagem [pastilhas desinfetantes de água, repelente, protetor solar, pensos rápidos, Betadine®, ligaduras, termómetro, analgésicos/anti-inflamatórios (paracetamol/ibuprofeno), soluções de re-hidratação oral (ex.: Miltina®, Bioralsuero®,etc), antialérgico (Aerius®,Fenistil®, etc.), entre outros]. Se a criança fizer medicação habitual deve levar em quantidade superior ao tempo de viagem.

Nas regiões tropicais, existem muitas doenças, algumas graves, transmitidas por insetos.
Prevenção da picada de inseto:
• Deve manter sempre o ar condicionado ligado e portas e janelas fechadas.
• Carrinhos dos bebés protegidos com redes mosquiteiras.
• Usar roupas claras e justas, chapéu e sapatos fechados.
• As roupas e as redes mosquiteiras podem ser impregnadas de repelente (permitina, permanece eficaz após várias lavagens).

• Existem alguns repelentes que podem e devem ser aplicados nas áreas da pele expostas (alguns aconselhados: Autan® vaporizador, Pré-butix® vaporizador e Tabard® stick). Uma aplicação dura 4-8 horas.
• Deve evitar repelentes com concentrações superiores a 30% de DEET.
• Nenhum repelente deve ser usado em crianças com menos de 2 meses de idade. Os de óleo de eucalipto de limão só estão recomendados depois dos 3 anos.
• Os repelentes não podem ser aplicados sobre pele irritada ou com feridas, nem nas mãos, olhos e boca. Quando regressar a casa deve lavar a pele com água e sabão.
• Os perfumes podem atrair os insetos.
• Não são aconselhados os repelentes com protetor solar associados num só frasco, devendo ser aplicados separadamente, primeiro o protetor solar e depois o repelente.

Consulta médica pós-viagem quando:
• Estadia prolongada (sobretudo se em meio rural).
• Algum problema de saúde registado durante a estadia.
• Febre inexplicável no primeiro mês após a viagem, acompanhada ou não de outros sintomas (arrepios, suores, diarreia persistente, etc.). Deve sempre avisar o médico que viajou recentemente.

Boa viagem!

Daniela Ribeiro, sob orientação da Dr.ª Isabel Cunha, Pediatra do Hospital de Braga


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