Vaticano tem que aumentar medidas para acabar com abuso sexual contra crianças

Dezembro 27, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 19 de dezembro de 2019.

Em comunicado, relatora especial sobre venda e exploração sexual de crianças reagiu à decisão do papa Francisco de abolir segredo pontifício para abusos cometidos por clérigos.

O Vaticano deve tomar todas as providências necessárias para acabar com o abuso sexual de crianças. Além disso, a Igreja Católica Apostólica Romana também deve assegurar que os casos serão prontamente investigados e os responsáveis levados à justiça.

A declaração é parte de um comunicado da relatora especial* sobre venda e exploração de crianças.

Transparência

Maud de Boer-Buquicchio disse que a decisão do papa Francisco de abolir o segredo pontifício para abusos cometidos por clérigos é só o primeiro passo para acabar com esses “crimes abomináveis”.

O segredo impedia as vítimas de obterem justiça e reparações. Para ela, a partir de agora, as vítimas de abuso sexual não terão mais que viver com a agonia da impunidade. A relatora afirma que após o alcance dessa transparência é hora de cobrar responsabilidade penal e civil dos autores.

Dentre as medidas, Boer-Buquicchio sugere denúncias obrigatórias para todos os clérigos e funcionários do Vaticano que tenham conhecimento de casos de abuso.

Supervisão

A relatora especial diz que a igreja tem que exigir tolerância zero para abusos sexuais a crianças em todas as instituições sob sua supervisão. Assegurando inclusive que os responsáveis pelos abusos sejam demitidos imediatamente.

A especialista afirmou que apesar de alguns casos terem sido descobertos e denunciados, a continuação dos abusos de crianças permanece “profundamente preocupante”.

De Boer-Buquicchio diz que todas as vítimas merecem reparação e cuidados com base nos danos sofridos, e no impacto sobre a vida dos sobreviventes e de suas comunidades.

Durante várias décadas o flagelo do abuso a crianças foi inteiramente ignorado, negados ou remarcados como um pecado que poderia ser perdoado.

Dentre as medidas, a relatora quer que a igreja ofereça aconselhamento e apoio social com urgência a quem sofre o abuso por parte dos clérigos e funcionários do Vaticano.

Já os governos também devem complementar essas ações com educação e serviços sociais assegurando o papel que têm de proteger as crianças.

A relatora afirmou que o fardo de denunciar esses crimes não pode ser somente das vítimas, e que o mundo espera que os países e a Igreja Católica possam cumprir seu dever de acabar com esta situação. Para a especialista em direitos humanos, é hora das ações seguirem as palavras.

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo trabalho prestado.

Comunicado original:

Vatican must step up measures to end child abuse after Pope’s secrecy ruling, says UN expert

ONU acusa Vaticano de ocultar abusos sexuais de crianças

Janeiro 17, 2014 às 4:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 17 de janeiro de 2014.

Rodrigo Cabrita

Rodrigo Cabrita

Por Joana Azevedo Viana

Pela primeira vez, as Nações Unidas confrontaram a Igreja Católica com acusações de pedofilia, numa audiência em Genebra

O Vaticano está a ser confrontado publicamente pela primeira vez por uma instância internacional para que responda sobre a “ocultação sistemática” de abusos sexuais de menores por membros da Igreja Católica.

Numa audiência ontem em Genebra, levada a cabo por um painel de investigação das Nações Unidas, os membros da organização apresentaram uma série de duras questões ao representante do Vaticano sobre a razão por que não foram divulgados mais dados sobre os abusos e mais informações sobre o que a Igreja pretende fazer para prevenir estes casos no futuro.

No mês passado, o Vaticano tinha recusado aceder a um pedido em que o Comité da ONU para os Direitos da Criança (CRC) exigia mais dados sobre os abusos cometidos por padres e outros clérigos católicos, alegando que só tornaria essas informações públicas se outro país as requeresse como parte de investigações judiciais específicas.

Também em Dezembro, o papa Francisco anunciou que o Vaticano ia criar um comité de inquérito interno para lutar contra o abuso sexual infantil dentro da Igreja Católica.

De acordo com o jornalista da BBC em Genebra, um dos membros do comité da ONU deixou claro que “as coisas têm de ser feitas de forma diferente”. O arcebispo Silvano Tomasi, actual observador permanente do Vaticano junto das Nações Unidas, sublinhou que os crimes em questão “não podem nunca ser justificados” e que cada criança merece ser “inviolável”.

O Vaticano, que tem estatuto de país, é desde 1990 signatário da Convenção da ONU sobre os Direitos das Crianças, um instrumento legal criado para garantir a protecção dos direitos infantis. Contudo, depois da divulgação do primeiro relatório de implementação, em 1994, a Igreja Católica deixou de submeter relatórios sobre o assunto até 2012, quando começaram a surgir as primeiras denúncias por vítimas de abusos na Europa e noutros países.

Na quinta-feira passada, o papa Francisco disse, na sua homilia, que o escândalo dos abusos sexuais sobre crianças é “a vergonha da Igreja”. “Há tantos escândalos que não quero referi-los individualmente, já todos ouviram falar deles”, acrescentou perante centenas de fiéis.

Ontem, na primeira audiência levada a cabo pelo CRC, Tomasi garantiu, em resposta à pergunta “A Igreja Católica acredita que a pedofilia é algo que pode ultrapassar com sucesso?”, que “prevenir o abuso de menores é uma preocupação imediata e real” do Vaticano.

Quanto ao julgamento de acusados, o embaixador da Igreja na ONU disse que os padres “não são funcionários do Vaticano mas cidadãos dos seus países, sendo por isso abrangidos pela jurisdição destes”. Questionado sobre se o Vaticano pretende entregar às autoridades o arcebispo Jozef Wesolowski, enviado papal polaco na República Dominicana convocado em Setembro após ser acusado de abuso sexual de menores, Tomasi disse que este “está a ser investigado pelos procuradores do Vaticano”.

 


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