Crianças aprendem a lidar com dinheiro e isso faz bem às famílias

Dezembro 20, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Adriano Miranda

Notícia do https://www.publico.pt/ de 9 de dezembro de 2017.

Estudo da Universidade do Porto mostra que projecto de Educação Financeira que a Fundação António Cupertino de Miranda leva a 300 turmas do Norte do país lhes permite perceber quando os pais dizem que não a um pedido.

Samuel Silva

No quadro da sala de aula, Tiago Barros desenha duas colunas. De um lado escreve “Necessidades”, do outro “Desejos”. Pede aos alunos que o ajudem a completar a lista: uma máquina de lavar roupa vai para a primeira coluna, um tablet para a segunda. “E um desejo que me apeteça agora mesmo?”, questiona o professor da Escola Básica de S. Martinho do Campo, em Santo Tirso. Todos os alunos levantam o dedo prontamente. “Chocolate”, atira uma rapariga.

A aula é do 1.º ciclo mas o tema que os alunos debatem com o professor não consta do programa oficial. As “necessidades e desejos” são um dos conteúdos do projecto No poupar estar o ganho, com o qual a Fundação António Cupertino de Miranda (FACM) tem levado a Educação Financeira a dezenas de escolas em todo o Litoral Norte do país.

Na aula, o professor Tiago Barros associa “desejo” ao conceito de “coisas supérfluas” que tinha explorado na semana anterior. “Nem todos os desejos são coisas supérfluas, mas é nestes desejos que estão as coisas supérfluas”, explica. As crianças acenam, sinal que parece indicar que entenderam.

O “problema é quando os pais não dão”

Mas no início do ano lectivo estavam longe de ter o mesmo à-vontade para entender questões como esta. “Eles chegam aqui com a noção de que podem comprar tudo aquilo que quiserem”, explica o docente, que há dois anos dá aulas na escola de Santo Tirso. “Normalmente, eles pedem e os pais dão”. O “problema”, diz, “é quando os pais não dão”.

Aulas como esta “ajudam os alunos a pôr em perspectiva o uso do dinheiro”, contextualiza o professor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), Rui Serôdio, que coordenou um estudo sobre os impactos do programa de Educação Financeira da FACM. “Quando entendem, as crianças atribuem um sentimento de justiça aos pais quando estes lhes dizem que não”, prossegue o especialista.

Uma das principais conclusões da avaliação dos impactos de No poupar está o ganho feita pela FPCEUP é que este projecto ajuda a “promover relações familiares mais empáticas”. “O dinheiro é um factor quase central na vida familiar e isso tem implicações na relação dos pais com as crianças”, acrescenta Rui Serôdio.

A medição de impacto social feita pela FPCEUP envolveu 2300 crianças, tendo sido constituído um grupo experimental e um grupo de controlo (grupo equivalente de crianças que não foram abrangidas pelo programa de Educação Financeira).

O estudo revela mais dois efeitos positivos do programa. Por um lado, as crianças que dele participaram tornaram-se mais capazes de identificar decisões adequadas em diferentes dilemas comuns na gestão quotidiana dos recursos financeiros. Por exemplo, abdicar da aquisição de um bem porque este é mais desejado do que necessário ou é de duração efémera.

Por outro, os pais – que também foram inquiridos – revelam ter percebido alterações no comportamento dos seus filhos. Após passarem pelo projecto de literacia financeira, as crianças mostram-se mais conscientes, preparadas, motivadas e curiosas relativamente à gestão quotidiana do dinheiro da família.

No poupar está o ganho tem por base um outro trabalho de investigação lançado pela FACM em 2008/2009, então em parceria com a Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O objectivo era perceber as necessidades das escolas vizinhas da fundação sediada na Avenida da Boavista, no Porto. Viva-se então o período inicial da crise e a conclusão foi clara: não havia dinheiro e as pessoas não sabiam como lidar com isso.

Em 2010, o primeiro Inquérito à Literacia Financeira do Banco de Portugal chegou às mesmas conclusões e sublinhou a necessidade sentida pela fundação de avançar com um projecto de Educação Financeira, que foi lançado, ainda nesse ano, num primeiro grupo de seis escolas.

“Todos temos que saber muito mais sobre a forma como lidamos com o dinheiro. Os próprios produtos financeiros ficaram muito complexos”, contextualiza a presidente da fundação, Maria Amélia Cupertino de Miranda. Para que isso aconteça é necessário “desenvolver competências, atitudes e comportamentos” que levem a uma “tomada de decisão informada e correcta”. E isso faz-se “de pequenino”, defende.

Projecto envolve 6000 alunos

Desde o seu lançamento, o projecto não tem parado de crescer. Em 2015, uma parceria com a Área Metropolitana do Porto colocou-o em todos os concelhos da região, aos quais se juntaram, neste ano lectivo, as Comunidades Intermunicipais do Tâmega, Cávado, Ave e Alto Minho. Ao todo são 6000 estudantes de 300 turmas em 35 municípios diferentes.

Na escola de Santo Tirso, não há nenhum pedaço da sala do professor Tiago Barros que não esteja colorido, seja pela decoração – há flores e borboletas feitas de papel autocolante colados nos vidros das janelas – ou pelos trabalhos das crianças. Presos no tecto, há pequenos aviões feitos de garrafas de plástico; uma série de vários desenhos à volta da mesma árvore num dos cantos da sala e muitos cartazes feitos pelas mãos daqueles 18 alunos.

À frente deles e atrás do professor, uma grande bandeira ocupa toda a parede do lado direito do quadro da sala. Desenhado nela está um super-herói que foi inventado ali mesmo em S. Martinho do Campo. É o Super Tostão.

A figura criada pelos alunos tem a missão de ajudar as famílias em questões financeiras. É a personagem central de um livro, lançado no ano passado pela turma de Tiago Barros, que foi o seu projecto transversal para o No poupar está o ganho. O trabalho dos alunos de S. Martinho do Campo valeu-lhes o Prémio Excelência atribuído pela FACM para premiar os melhores projectos anuais.

O professor decidiu partir de um apanhado de provérbios e ditos populares sobre dinheiro feito pelos alunos. No livro constam ainda adivinhas, trava-línguas e canções, cujas letras foram escritas pelos estudantes, bem como um abecedário de termos financeiros.

O projecto transversal de onde saiu o Super Tostão é o grande instrumento agregador do trabalho feito ao longo do ano, em cada turma, no âmbito deste programa de formação financeira. Depois há desafios semanais – que a FACM envia às escolas – para serem resolvidos e vários materiais que são colocados numa plataforma e-learning do No poupar está o ganho que podem ser usados pelos docentes participantes.

Uma equipa da Faculdade de Economia do Porto apoia a concepção e validação de todos os conteúdos. A peça central do trabalho é um caderno de trabalho distribuído a todos os alunos, onde constam todos os conteúdos que devem ser trabalhados no âmbito do programa. As matérias incluem “Necessidades e Desejos”, “Planeamento e Gestão do Orçamento Familiar”, “Produtos Financeiros” ou “Ética nas instituições financeiras”. Além disso, a fundação envia, todos os meses, a cada uma das turmas envolvidas, um desafio que deve ser respondido em contexto de sala de aula.

Depois, cabe aos professores encontrarem tempo para trabalharem estas matérias. No 1.º ciclo, a Educação Financeira é trabalhada transversalmente nas aulas. Questões sobre orçamento familiar podem aparecer nos tempos lectivos reservados à Matemática; provérbios populares ou canções podem ser trabalhados nas horas do Português. E depois há uma hora semanal reservada para Cidadania e Desenvolvimento que pode ser canalizada para trabalhar neste projecto. É o que faz Tiago Barros na escola de Santo Tirso.

Formação financeira em todas as escolas

Será precisamente no âmbito da área curricular de Cidadania e Desenvolvimento que o Ministério da Educação pretende, a partir do próximo ano, leccionar a formação financeira em todas as escolas. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado da Educação, João Costa, que adiantava que estava em preparação a formação de professores para estes novos conteúdos.

“A área de literacia financeira está prevista como obrigatória para todos os ciclos, sendo a gestão dos tempos concretos responsabilidade de cada escola”, informa o Ministério da Educação.

A nova área de Cidadania e Desenvolvimento vai ter tempo lectivo atribuído dos 2.º e 3.º ciclos. No 1.º ciclo e no ensino secundário será desenvolvida de forma transversal. Esta área curricular está já em desenvolvimento nas 235 escolas que integram o projecto-piloto de flexibilidade curricular, que começou a ser implementado este ano e será generalizada quando a autonomia for estendida às restantes escolas.

 

mais informações no link:

http://www.facm.pt/facm/facm/pt/servico-educacao/educacao-financeira

 

 

Professores pouco preparados para necessidades de alunos adotados

Agosto 26, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Açoriano Oriental de 17 de agosto de 2016.

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Mais de 50% das creches e escolas do Porto e Bragança têm níveis elevados de CO2

Setembro 27, 2015 às 10:22 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 23 de setembro de 2015.

Shutterstock

Mais de 50% das salas de creches, jardins-de-infância e escolas primárias do Porto e Bragança têm níveis de concentração de dióxido de carbono acima dos limiares legislados, aumentando a probabilidade dos bebés e crianças contraírem asma.

Durante os últimos três anos, foi realizada uma investigação científica pela Universidade do Porto em 58 salas de 25 creches, jardins-de-infância e escolas primárias da Área Metropolitana do Porto e do distrito de Bragança, demonstrando que “mais de 50% das salas destinadas a bebés e crianças estão com concentrações de dióxido de carbono (C02) acima dos limiares legislados em Portugal”, revelou hoje à Lusa Sofia Sousa.

Sofia Sousa, professora e investigadora na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), doutorada em engenharia do Ambiente, adiantou ainda que 84% das salas avaliadas registaram níveis de partículas finas (poeiras) acima da legislação recomendada pela Organização Mundial da Saúde.

As concentrações de radão (gás radioativo natural, poluente cancerígeno) encontradas estiveram também muitas vezes acima dos limiares legislados, especialmente no distrito de Bragança, revela o estudo, embora não se possa deduzir que as concentrações do radão vão provocar cancro, observou a investigadora.

Os dados recolhidos são “preocupantes, mas não alarmantes”, considera a investigadora, explicando que uma medida simples e económica, como o arejamento do ar, pode diminuir consideravelmente os níveis de concentração destes poluentes e contribuir para que diminua a probabilidade de as crianças contraírem asma.

A inalação de um ar com os elevados níveis de concentração de CO2 e partículas finas “pode aumentar a probabilidade do desenvolvimento de asma infantil”, indica a investigação.

“Quanto mais se arejar os espaços, melhor”, considera a investigadora, reconhecendo que há edifícios mais modernos em que o simples arejamento do ar se transforma numa tarefa complicada devido à sua construção.

A investigação demonstra que as fontes interiores foram as principais causas das elevadas concentrações encontradas, nomeadamente ventilação inadequada, ocupação excessiva e atividades de limpeza desadequadas.

A equipa que realizou o estudo transmitiu os resultados específicos a cada uma das instituições envolvidas, construindo em conjunto algumas ações de mitigação, bem como comunicou aos encarregados de educação das crianças envolvidas no estudo os resultados dos testes médicos efetuados.

A Lusa, a investigadora admitiu que as instituições se “mostraram preocupadas em alterar as situações”.

Lusa/SOL

notícia da Universidade do Porto no link:

http://noticias.up.pt/u-porto-lanca-estudo-sobre-a-qualidade-do-ar-dos-infantarios-e-escolas/

 

Crianças. Cerca de 30% têm desordens motoras

Outubro 10, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Metro de 19 de Setembro de 2013.

Notícia mais desenvolvida no site da Guimarães 2013 Cidade Europeia do Desporto

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Cientistas portugueses criam jogo para ajudar crianças autistas (vídeo)

Junho 14, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 9 de Junho de 2013.

Ouvir a reportagem Aqui

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O jogo visa ser uma ferramenta terapêutica para ensinar crianças autistas a reconhecer as emoções transmitidas pelas expressões faciais de um modo divertido e sem indução de stress.

O jogo de vídeo, chamado LIFEisGAME, foi desenvolvido com base em nova tecnologia a três dimensões e pretende ajudar as crianças com autismo a reconhecer emoções (ver vídeo de demonstração).

Em declarações à TSF, Verónica Orvalho, especialista argentina radicada em Portugal que lidera a equipa de investigadores da Universidade do Porto, explica que a ideia é que as crianças consigam aprender de um modo divertido e sem indução de stress a reconhecer as emoções transmitidas pelas expressões faciais.

O projeto da equipa multidisciplinar de investigadores em Ciências de Computadores e Ciências da Saúde da Universidade do Porto demorou três anos a ser desenvolvido.

Contou com o contributo de especialistas da Faculdade de Psicologia e de associações como a Criar, que ajudaram a equipa de investigadores a desenvolver esta tecnologia.

O protótipo do novo jogo representa um investimento superior a 230 mil euros, foi apoiado por várias instituições desde a Universidade do Porto, mas também pela Universidade do Texas e da Microsoft.

O jogo de vídeo conta já com 170 interessados em conhecer esta nova ferramenta de trabalho, que vai ser apresentada na próxima terça-feira no auditório da Faculdade de Ciências do Porto.

 

Escolas públicas preparam melhor os alunos para terem sucesso no superior

Janeiro 24, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 18 de Janeiro de 2013.

Natália Faria

Universidade do Porto analisou os resultados de 2226 alunos que concluíram pelo menos 75% das cadeiras ao fim de três anos e concluiu que os provenientes das privadas têm piores resultados

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As escolas privadas preparam melhor os alunos para os exames, mas não para terem um bom desempenho na universidade. A Universidade do Porto (UP) analisou o percurso académico de 4280 estudantes admitidos no ano lectivo 2008/09 e concluiu que, entre os 2226 que concluíram pelo menos 75% das cadeiras dos três primeiros anos, os estudantes que provinham de escolas públicas apresentavam melhores resultados académicos do que os provenientes das privadas.

“As escolas privadas têm grande capacidade para preparar os alunos para entrar, mas o que se verificou é que, passados três anos, estes alunos mostraram estar mais mal preparados para a universidade do que os que vieram da escola pública”, adiantou ao PÚBLICO José Sarsfield Cabral, pró-reitor da UP para a área da melhoria contínua. Esta constatação baseia-se no facto de estes últimos estarem mais representados no grupo dos 10% melhores daquele ano lectivo.

Exemplos? A secundária Garcia de Orta, uma escola pública do Porto, que naquele ano lectivo “colocou” 114 alunos em diferentes faculdades da UP, tinha, ao fim de três anos, 14 desses alunos (12%) entre os 10% melhores do ano. Já o Externato Ribadouro, também do Porto mas privado, colocou 154 alunos na UP, muitos dos quais em Medicina, mas, no fim do terceiro ano, apenas cinco integravam o grupo dos melhores (3%). A Garcia de Orta vinha colocada em 6.º no ranking das secundárias desse ano, enquanto o Externato Ribadouro beneficiava de um confortável 3.º lugar.

Do Colégio do Rosário, que tem surgido nos três primeiros lugares dos rankings, transitaram 56 alunos para a UP. Três anos depois, apenas três se incluíam entre os 10% com melhor desempenho académico. Do mesmo modo, o Colégio Luso-Francês, com 39 alunos admitidos, tinha apenas dois no top 10. (Neste estudo, a Universidade do Porto utilizou os critérios dos rankings do PÚBLICO, adaptando-os ao universo das escolas secundárias citadas neste trabalho da UP).

Em termos globais, por cada 100 estudantes provenientes das escolas públicas que concluíram pelo menos 75% das cadeiras dos três anos, havia 10,69 no grupo dos melhores. No caso das escolas privadas, esse número era de 7,98.

O documento (que surge como um alerta contra o facilitismo na utilização dos rankings e que procura rebater a ideia de falência do ensino público) sublinha que o melhor desempenho dos estudantes das escolas públicas é ainda “mais relevante pelo facto de as escolas privadas de maior prestígio fazerem uma selecção social dos seus estudantes”.

“O desempenho dos estudantes no superior requer habilidades e capacidades que não são aquelas que decorrem de o aluno saber muito bem a matéria dos exames. Temos alunos que vieram de escolas de província, e que tiveram que resistir a muita coisa e superar muitas dificuldades para chegar ao superior, e que se tornaram alunos excelentes; provavelmente porque já vinham apetrechados com qualidades que um aluno demasiado protegido não tem”, admite Sarsfield Cabral. “Os alunos das privadas saem-se pior porque estarão habituados a ser mais acompanhado e, quando passam para a universidade, onde são considerados adultos, perdem esse tipo de aconchego”, concorda Alberto Amaral, do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior e ex-reitor da UP.

Este estudo (o primeiro do género e que foi repetido no ano lectivo seguinte, sendo que estes últimos resultados deverão ser conhecidos dentro de dois meses) partiu de uma amostra inicial de 4280 alunos. Destes, 954 abandonaram os estudos, 83 tinham-se recandidatado a outros cursos, 131 tinham concluído menos de 45 dos 180 créditos do curso, 303 tinham completado entre 45 e 90 créditos, 583 entre 90 e 135 créditos e apenas 2226 tinham completado mais de 135 créditos, ou seja, o equivalente a 75% das cadeiras do curso. Foi no desempenho académico destes últimos que a análise se baseou. Entre as conclusões possíveis, destaca-se a de que os alunos que recorrem às bolsas — e beneficiam delas — têm desempenhos comparáveis aos que não precisam do apoio social. Ao contrário, os que se candidatam e vêem negado aquele apoio tendem a sair-se pior, o que “evidencia bem a importância da Acção Social”, segundo Sarsfield Cabral.

Para o pró-reitor, resulta claro que as universidades deveriam estar a equacionar formas alternativas ou complementares de selecção dos seus alunos. “Dos 340 alunos que naquele ano entraram nos dois cursos de Medicina da UP, todos com notas elevadíssimas e separadas por centésimas, havia, um ano depois, quem tirasse 20 e quem nem aos 10 conseguisse chegar. Isto torna muito claro que a nota de entrada do aluno não permite perceber qual vai ser o seu desempenho, o que nos leva a questionar se o critério de selecção dos alunos não estará a deixar de fora alunos que podem vir a revelar-se excelentes”, questiona.

Sarsfield defende assim que as universidades devem estudar métodos alternativos de selecção dos alunos. “Há de certeza outras variáveis que merecem ser consideradas. As universidades têm de começar a olhar para o exemplo das universidades estrangeiras e pensar em soluções”.

Cerca de 22% dos alunos abandonaram UP

 CRUP vai analisar motivos da “fuga” dos alunos

Dos 4280 alunos que entraram na Universidade do Porto (UP) em 2008/09, 954 (22%) tinham abandonado os estudos ao fim de três anos. A maior parte (748) deixou universidade logo no final do 1.º ano. São percentagens “elevadas e preocupantes”, segundo o documento que mostra que a  “fuga” é superior nos estudantes mais velhos. Na Faculdade de Medicina Dentária da UP, 53,1% dos alunos tinham abandonado o curso logo no primeiro ano. A conclusão preocupa Sarsfield Cabral, também porque “não contempla ainda o efeito crise”. “Os alunos têm muita dificuldade em entrar, sobretudo na UP, que é requisitadíssima, e depois desaparecem. É uma grande perda”. Porque o problema está longe de ser exclusivo da UP, o Conselho de Reitores da Universidade Portuguesa anunciou, anteontem, a constituição de um grupo de trabalho para analisar os motivos que levam à “fuga” dos estudantes.


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