Observatório Crianças e Direito(s) – 16 de outubro em Lisboa

Outubro 12, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.eventbrite.com/e/registo-observatorio-criancas-e-direitos-49983284349

Namorados acham normal proibir, perseguir e abusar

Fevereiro 14, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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A UMAR apresenta hoje, Dia dos Namorados, estudo que revela aumento da legitimação da violência durante o namoro
| (LEONARDO NEGRÃO / GLOBAL IMAGENS

Notícia do https://www.dn.pt/ de 14 de fevereiro de 2018.

Céu Neves

O que fazem os namorados de hoje? Maioria já foi vítima de violência e há cada vez mais quem legitime estes comportamentos. Rapazes aceitam mais a violência do que raparigas

Se um proíbe o uso da saia, o outro entra no Facebook sem autorização do próprio, e há também quem pressione para fazer sexo. Estes são alguns dos comportamentos aceites por grande parte dos jovens portugueses. Namoram ou namoraram e a maioria já foi vítima de violência, segundo o estudo nacional sobre violência no namoro que será apresentado hoje, no Dia dos Namorados. O inquérito é realizado pelo segundo ano e as coisas não melhoraram, antes pioraram.

“Tanto a vitimação como a legitimação aumentaram e isso é preocupante”, sublinha Margarida Teixeira, uma das investigadoras do estudo “Violência no Namoro”, da União das Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), coordenado por Maria José Magalhães. Conclusões a debater entre as associações e com a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro, que nesta manhã estará na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Porto, onde o trabalho será divulgado. Os jovens foram inquiridos no final de 2017 e início de 2018, sendo os resultados comparados com os de 2017.

“O que está a falhar é a prevenção, existem campanhas e ações de sensibilização em algumas escolas mas não é em todas e não atinge todas as idades. A prevenção tem de ser contínua e começar no jardim-de-infância”, defende Margarida Teixeira. Dá como exemplo a disciplina de Formação Cívica, onde estas questões têm sido abordadas, que apenas existe no ensino básico e não é em todos os estabelecimentos. “Privilegiam-se as disciplinas formais em detrimento da formação do indivíduo, quando devia ser uma parte importante do ensino. Além de que estes temas podem ser abordados nas várias disciplinas”, critica a investigadora.

Fonte: UMAR

Foram entrevistados 4652 jovens entre os 12 e os 18 anos, que tiveram ou estão numa relação de intimidade. A maioria (56%) sofreu atos de vitimação que, segundo a UMAR, configuram violência. E 68,5% “aceitam como natural pelo menos uma das formas de violência na intimidade”. E dos inquiridos 76,9% tiveram a experiência de pelo menos uma forma de violência.

Margarida Teixeira não encontrou diferenças no entendimento destes jovens a nível regional ou social – “a violência é transversal a regiões e estratos sociais” -, já os rapazes tendem a legitimar mais as agressões do que as raparigas. Esta diferença é mais significativa a nível da violência sexual, com 34% do sexo masculino a concordar com o pressionar para beijar em frente dos outros (mais frequente) ou para ter sexo, contra 16% do sexo feminino. “Falámos com adolescentes com 12 e 13 anos que tinham sofrido este tipo de violência e surpreendeu-nos como legitimam estes comportamentos, também porque esta questão não é muito falada”, reconhece Margarida Teixeira.

A violência psicológica, o insulto e a humilhação é o mais habitual (de rapazes para raparigas); seguindo-se a perseguição (mais por elas); a utilização das redes sociais, a entrada sem autorização da vítima ou partilha online da vida íntima ; e o controlo, sobretudo proibir a fala com os amigos ou o uso de determinada roupa.

A nível da legitimação daqueles comportamentos, os jovens aceitam mais facilmente o controlo, a perseguição, a violência sexual e abusos nas redes sociais. A proibição de vestir determinadas peças de roupa é legitimada por 40% dos/as jovens. “A violência nas redes sociais, enquanto dimensão (relativamente) nova nas relações de intimidade, mostra resultados alarmantes, tanto na legitimação (24%) como na vitimação (12%)”, sublinham as autoras do estudo.

Outra questão é a facilidade com que o/a namorado/a aceita ser perseguido pelo outro, embora seja criminalizado. “Estes comportamentos têm vindo a ser romantizados, tanto proibir como controlar são muitas vezes entendidos como atos de amor, é uma questão cultural e que temos de trabalhar”, explica Margarida Teixeira.

A violência física é a que menos vitima os inquiridos, e é também a menos legitimada. Mas, comparativamente a 2017, houve um aumento do número daqueles que desvalorizam as agressões físicas.

 

 

Para um em cada quatro jovens a violência sexual é “natural” no namoro

Fevereiro 14, 2018 às 5:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 14 de fevereiro de 2018.

Estudo que é apresentado nesta quarta-feira pela UMAR inquiriu mais de 4000 jovens, com uma média de idades de 15 anos. Há mais a relatarem violência no namoro e mais a legitimarem-na.

Têm 15 anos em média. Rapazes e raparigas. Para muitos (40%), se alguém impede o namorado ou a namorada de se vestir de determinada forma, isso não é violência. Se numa discussão entre os dois há insultos, isso não é violência (25%). E também não o é uma agressão corporal se dela não resulta uma ferida ou uma marca (8%). Já a violência sexual — forçar beijos em público, pressionar ou coagir para ter relações sexuais, por exemplo — é legitimada por um quarto dos 4000 inquiridos num estudo da UMAR, União de Mulheres Alternativa e Resposta, que é apresentado nesta quarta-feira, no Porto. Ou seja, é considerada “natural”.

Isto é o que muitos jovens acham de diferentes situações que lhes são apresentadas em teoria. Na prática, se atendermos apenas aos cerca de 3000 da amostra que dizem já ter tido “uma relação de intimidade”, mais de metade (56%) relata actos que configuram, de alguma forma, violência no namoro.

No Dia dos Namorados, que se assinala nesta quarta-feira, são apresentados, em diferentes pontos do país, dados e estudos sobre a violência entre namorados. Alguns já foram antecipados pelo PÚBLICO na edição desta terça-feira — caso do balanço do Observatório da Violência no Namoro, da Associação Plano i, que recebeu 128 denúncias desde Abril do ano passado até Janeiro deste ano, de jovens universitários, sobretudo raparigas, tendo uma em cada dez vítimas relatado que foi ameaçada de morte por namorados ou ex-namorados.

Já este estudo, sobre rapazes e raparigas que têm em média 15 anos, põe o foco num grupo bem mais jovem. É da responsabilidade da UMAR, no âmbito do Projecto Art’Themis, que tem entre as suas preocupações a prevenção da violência. Envolveu 4652 jovens de Portugal continental e arquipélago da Madeira. O que revela é “preocupante”, por vezes “alarmante”, palavras usadas mais do que uma vez na síntese do trabalho.

Nas redes sociais

Uma em cada dez vítimas de violência no namoro sofreu ameaças de morte

Os dois terços de jovens em 4652 inquiridos que declaram já ter tido um “relacionamento amoroso” e que podem falar da sua experiência pessoal dizem isto: 18% relatam ter sido alvo por parte do parceiro de situações que se enquadram na violência psicológica; 11% reportam situações de “controlo” (proibição de falar com certos amigos ou amigas, ou de vestir algum tipo de roupa, por exemplo); 6% declaram ter sido alvo de violência física.

E, “apesar de, neste estudo, participarem pessoas com idades muito jovens, a prevalência média de violência sexual é de 7%”, prossegue a equipa coordenada por Maria José Magalhães. O comportamento mais habitual nesta forma de violência é o pressionar a vítima para beijar o companheiro ou a companheira à frente de outras pessoas (8%). “Numa percentagem preocupante”, 5% dos jovens referem já ter sido pressionados pelo companheiro para ter relações sexuais.

“Os resultados obtidos sobre a vitimação através das redes sociais são também alarmantes”, continua o resumo da UMAR. “Uma vez que 12% dos/as inquiridos/as revelam ter sido vítimas desta nova forma de violência no relacionamento. Dentro da violência através das redes sociais, o comportamento mais frequente é entrar no Facebook ou outra rede social, sem autorização da vítima (20%). Foram também colocadas questões sobre a partilha online de conteúdos íntimos sem autorização, e 4% dos/as jovens (sem diferenças significativas quanto ao sexo) afirmam ter sofrido esta forma de violência).”

Eles legitimam mais

Em suma, a primeira conclusão deste estudo é que dos jovens que já tiveram uma relação de intimidade, 56% sofreram actos de vitimação que configuram a violência no namoro. A segunda conclusão é que “68,5% do total de jovens aceitam como natural pelo menos uma das formas de violência na intimidade”, física, psicológica, sexual, nas redes sociais… “Esta normalização das situações descritas reproduz a legitimação social da violência nas relações de intimidade”, sendo que esta “naturalização da violência” é ainda mais frequente nos jovens e nas jovens que identificaram ter sofrido actos de vitimação (76,9%).

A terceira conclusão é que quando se comparam estes dados com os de um estudo semelhante divulgado em 2017, pela UMAR, a situação piorou em várias dimensões analisadas, tanto em termos de legitimação da violência como de vitimação. A percentagem de vítimas de violência sexual passou de 24% para 25%. A proporção dos que foram alvo de perseguição passou de 25% para 26%. As vítimas de violência física eram 6% e são agora 8%….

“Pode também concluir-se que a naturalização da violência é maior nos rapazes em todas as formas de violência estudadas”, sobretudo no que diz respeito à violência sexual, prossegue a síntese. Por exemplo: enquanto 6% das jovens raparigas não identifica a pressão para ter relações sexuais como um comportamento violento, a percentagem sobe para os 22% no caso dos rapazes. “É mais de 3 vezes superior.”

Perante estes resultados, diz a equipa da UMAR, “permanece a necessidade e urgência de uma intervenção com os/as jovens, o mais precoce e continuadamente possível, no sentido de prevenir a violência sob todas as formas”.

Mais: “É pertinente referir que não podem desvalorizar-se quaisquer formas de violência, já que estas têm repercussões a vários níveis para os/as jovens; e que desconstruir a normalização/legitimação destes comportamentos será minimizar a probabilidade dos jovens se manterem em relações violentas”.

Por isso, estes resultados devem ser analisados por educadores, professores, pais, mães e sociedade em geral, “particularmente porque indicam o panorama real da situação portuguesa no que à violência no namoro diz respeito mostrando a enorme necessidade de prevenção primária a este nível”.

 

 

Violência no namoro atinge 56% dos jovens

Fevereiro 14, 2018 às 3:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Na maioria (92%) das denúncias, as vítimas são do sexo feminino
Foto: Arquivo/Global Imagens

Notícia do https://www.jn.pt/ de 14 de fevereiro de 2018.

Ana Gaspar

Dois estudos revelam realidade preocupante, que exige uma intervenção cada vez mais precoce. Aumento de denúncias pode não significar crescimento do fenómeno.

Mais de metade dos jovens com um relacionamento amoroso (passado ou atual) já tinham sido alvo de pelo menos um ato de violência no namoro, quando responderam ao inquérito levado a cabo pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), cujos resultados são divulgados esta quarta-feira, a propósito do Dia dos Namorados.

De um universo de 3163 jovens (com a média de idades de 15 anos), 1773 (56%) foram vítimas de violência, sendo que 18% foram casos de violência psicológica, 16% de perseguições, 12% de violência através das redes sociais, 11% de situações de controlo, 7% de violência sexual e 6% de agressão física por parte de um(a) companheiro(a), lê-se nos dados a que o JN teve acesso.

A violência no namoro é um problema sério, quer entre os mais novos quer na idade adulta, e hoje, no Dia dos Namorados, são apresentados dois estudos. Além da investigação da UMAR, são também revelados os dados do Observatório da Violência no Namoro, que recebeu 128 denúncias em menos de um ano.

Mais de 500 participações à GNR

Desde 2013 que o Código Penal, no artigo 152.º – relativo ao crime de violência doméstica – tem uma alínea respeitante às relações de namoro. Facto que torna mais fácil a sua penalização, uma vez que a violência doméstica é um crime público e, por isso, não precisa de ser denunciado pela vítima.

No ano passado, a GNR recebeu 560 participações (menos 116 do que em 2016) e destas 238 foram relativas a maus-tratos físicos ou psíquicos entre namorados e 322 entre ex-namorados. Os números facultados ao JN, que não discriminam as idades das vítimas, mostram ainda que 2016 foi o ano com maior número de participações desde 2014 (ano em que se registaram 568) e que, dos quatro anos apreciados, 2017 foi aquele em que se verificou o menor o número de denúncias.

Na violência psicológica, os insultos foram os atos mais relatados pelos inquiridos da UMAR, seguindo-se o ato de humilhar as vítimas (15%) e as ameaças (11%), revelou Ana Teresa Dias, uma das autoras do estudo.

Os dados reforçam “a necessidade e urgência de uma intervenção com os/as jovens, o mais precoce e continuadamente possível, no sentido de prevenir a violência sob todas as formas”, lê-se nas recomendações do documento. Mas não significa que a violência tenha aumentado. “Pode significar que há mais jovens que se identificam como tendo sofrido comportamentos de violência.”

Represálias travam denúncias

Numa faixa etária superior (a média é 24 anos), o Observatório da Violência no Namoro recebeu, desde abril de 2017 (quando foi criado) até este mês, 128 denúncias de atos violentos (34 já em 2018), sendo a violência psicológica a mais predominante (116 relatos, o que corresponde a 90,6% do total).

Sofia Neves, uma das responsáveis do projeto lançado pela Associação Plano i, em parceria com o Instituto Universitário da Maia/Maiêutica, apontou como “dado mais preocupante” o número muito reduzido destas vítimas que apresentaram queixa às autoridades. Foram apenas 15 (11,7%). O motivo, explicou a investigadora, prende-se com as ameaças de represálias feitas pelos agressores, quer contra as vítimas quer contra as pessoas que lhes são próximas.

 

 

 

Meros “observadores”? Reconhecer a violência sexual desde a escola

Maio 31, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 22 de maio de 2017.

Uma adolescente ouve um comentário obsceno de um colega por causa da mini-saia. O director de turma diz-lhe que deve ter percebido mal, ou que o colega não percebeu que ficou chateada. E talvez devesse vestir-se de forma mais discreta. Situações semelhantes a esta acontecem no quotidiano das escolas portuguesas. Alunos, professores e funcionários têm dificuldade em lidar com casos de assédio sexual em contexto escolar — e a culpa recai muitas vezes sobre as próprias vítimas.

“É preciso que a direcção da escola não coloque em igualdade de circunstância o comportamento da vítima e o do agressor”, alerta Maria José Magalhães, docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto e presidente UMAR — União de Mulheres Alternativa e Resposta. “Se alguém vai fazer queixinhas, então… Será que está a dizer a verdade? Suspeita-se das vítimas e das pessoas que vão apresentar a situação que viram. É uma cultura que temos que mudar.”

Maria José Magalhães lidera o Bystanders: desenvolver respostas ao assédio sexual, um projecto europeu que procura caminhos para aumentar a consciência e trabalhar as possíveis respostas a estes casos nas escolas. O Bystanders (“observadores”, em tradução livre) foca-se no assédio sexual — a atenção sexual indesejada, física ou verbal, online ou offline — em contexto escolar. “Quando um jovem vê uma colega a ser vítima de assédio, tem primeiro que saber identificar que é assédio, saber que é violência. Depois, se é uma situação em que pode intervir, [fazê-lo] tendo em conta a segurança da vítima e a sua própria segurança”, descreve Maria José Magalhães.

Os jovens têm dificuldade em identificar este tipo de violência? “Sim e não”, refere Tatiana Mendes, técnica da UMAR no projecto Art’hemis+, que actua em cerca de 25 escolas de Braga, Porto, Coimbra e Lisboa. “Apesar de reconhecerem as situações de assédio sexual, as raparigas, que vivem isto de forma rotineira e desde cedo, também as naturalizam”, explica ao PÚBLICO.

O problema, lamenta, é que “não há um reconhecimento social desta violência”. “Compreende-se que as mulheres não denunciem, porque isso implica por vezes consequências muito piores para elas do que se mantiverem a situação em segredo”, prossegue.

O projecto Art’hemis trabalha há mais de dois anos com comunidades escolares, do jardim de infância ao ensino secundário, para prevenir a violência de género. “O processo de socialização vai acontecendo desde cedo, com modelos diferentes associados a homens e mulheres, por exemplo, de agressividade e submissão. Daí ser importante actuarmos o mais precocemente possível.”

 

 

 

Insultar a namorada é violência? Não, respondem 30% dos rapazes

Fevereiro 19, 2017 às 10:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 15 de fevereiro de 2017.

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Insultar, proibir, ameaçar e perseguir não é percepcionado como violência numa relação de namoro para uma “assustadora” percentagem de jovens, diz secretária de Estado.

Natália Faria

Proibir uma namorada de sair sozinha é violência? E impedir o outro de estar com um amigo de que não se gosta? E vetar uma determinada peça de roupa que o parceiro quer usar, pode ser considerado um comportamento violento? Não, não e não, responderam 32%, 31% e 41% dos 5500 jovens inquiridos num estudo sobre violência no namoro, divulgado nesta terça-feira pela organização não-governamental UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta.

Com uma média etária de 15 anos, os jovens inquiridos neste estudo deixaram claro, para a secretária de Estado da Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, que “há uma cultura de violência na sociedade que tem de ser combatida”.

Porque “ninguém acorda um dia transformado em agressor ou vítima”, a secretária de Estado insistiu na ideia de que a chave está na prevenção. “Só assim conseguiremos mais tarde não ter números tão assustadores em termos de homicídios conjugais e não andarmos sempre a correr atrás do prejuízo em termos de violência doméstica”, enunciou.

As elevadas percentagens de jovens que encaixam como “normais” comportamentos violentos entre namorados são, ainda na óptica de Catarina Marcelino, “assustadoras”. Na pormenorização dos dados sobre a legitimação da violência, conclui-se que 14% dos jovens não reconhecem como actos de violência num contexto de namoro várias atitudes que são na verdade violência psicológica (o insulto numa discussão, a ameaça, a humilhação, o rebaixar do outro). O acto mais legitimado é mesmo o insulto, com 30% dos rapazes inquiridos a classificarem este comportamento como normal, contra 18% das raparigas que consideraram o mesmo. Já as ameaças são legitimadas por 12% dos rapazes e apenas 6% das raparigas.

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Igualmente preocupante é que o controlo do outro numa relação também é tido como manifestação de amor numa relação entre dois jovens, na opinião de 28% dos inquiridos (2558 rapazes e 2965 raparigas). Dentro desta categoria, 32% dos inquiridos classificaram como normal que um rapaz ou uma rapariga proíbam o namorado ou namorada de sair sem eles. Quanto à proibição do outro vestir determinada peça de roupa, 41% sustentaram que tal não configura um comportamento violento.

Pornografia de vingança

A violência nas redes sociais foi pela primeira vez estudada neste inquérito da UMAR e as conclusões também não são muito animadoras. É que 24% dos jovens não consideram as situações e controlo e abuso nas redes sociais como violência. Exemplos? Partilhar mensagens ou fotos do namorado sem o respectivo consentimento é tido como normal por 15% dos inquiridos. Isto mostra, por si só, “uma grande vulnerabilidade à violência no namoro online e a uma possível exposição a comportamentos de pornografia de vingança”, alertam as autoras do estudo, depois de terem sublinhado que a informação colocada nas redes é “persistente” e pode ser replicada sem qualquer tipo de controlo.

Nas diferenças entre os géneros, o estudo especifica que os rapazes são mais propensos a considerar que partilhar conteúdos íntimos sem autorização não constitui violência: 20% dos rapazes responderam assim, contra apenas 10% das raparigas. Do mesmo modo, o insulto verbal online não é percepcionado como violência para 16% dos jovens.

Quanto à violência sexual nas relações de namoro, o retrato traça-se em poucas linhas: 36% dos jovens consideram legítima a pressão para beijar à frente dos amigos (47% dos que o defendem são rapazes e 27% raparigas) e 13% vão ainda mais longe ao apontar como legitima a pressão sobre o outro para ter relações sexuais.

Por outro lado, a perseguição, durante ou logo após o namoro, também é tida como demonstração de amor, sobretudo entre os rapazes (33%). Já esbofetear e empurrar o outro sem deixar marca é normal para uma imensa minoria dos inquiridos: 9% dos rapazes e 4% das raparigas não reconhecem tais comportamentos como actos de violência.

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Nas perguntas sobre vitimação, cuja amostra se reduziu para os 3471 inquiridos (ou seja, aqueles que estavam ou já tinham estado numa relação de namoro), 19% responderam que já tinham vivenciado situações de violência psicológica, 15% tinham sido alvo de perseguição e 11% disseram-se vítimas de violência nas redes sociais. Este último é um número “alarmante” para as autoras do estudo. Que sublinha ainda um dado curioso: há mais rapazes a dizerem-se vítimas deste tipo de violência (12%) do que raparigas (11%). Quanto à proibição de estar ou de falar com alguém, 24% das raparigas afirmaram já terem sido controladas a esse nível.

As percentagens dos jovens que se disseram vítimas de algum tipo de violência aumentaram comparativamente com o ano anterior, no que aos diferentes tipos de violência diz respeito. Mas não é certo que a violência entre os jovens tenha aumentado. A amostra foi maior e, por outro lado, pode ter-se apurado entre os jovens a percepção do que é violento numa relação a dois.

 

 

 

 

Partilhar fotos íntimas ou insultar? Normal

Fevereiro 14, 2017 às 1:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/de 13 de fevereiro de 2017.

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DN/Lusa

Um em cada quatro jovens acha normal partilhar fotos íntimas ou insultar nas redes sociais

Um em cada quatro jovens considera normal partilhar fotografias íntimas ou insultar alguém através das redes sociais, de acordo com um estudo da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, a ser divulgado na terça-feira.

O estudo sobre violência no namoro “apresenta dados preocupantes”, dos quais a UMAR, num comunicado hoje divulgado, destaca que 24% dos jovens inquiridos “considera normal partilhar fotos íntimas ou insultar através das redes sociais” e 14% “legitima a violência psicológica”.

Dos cerca de 5.500 jovens inquiridos no estudo, 19% “já foi vítima de violência psicológica”.

O mais recente estudo da UMAR sobre Violência no Namoro é apresentado na terça-feira, Dia dos Namorados, em Lisboa, numa conferência de imprensa que contará com a presença da secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino.

 

 

 

Estudo mostra que 7% dos jovens foram vítimas de violência no namoro

Março 22, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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snews

Um inquérito realizado a 2500 jovens, entre os 12 e os 18 anos, mostra como é consentida a violência no namoro e lança o debate sobre as questões de género em casa e na escola.

Abordar as questões de género em casa e na escola é mais importante do que pode parecer. “Ainda estamos inseridos numa sociedade que entende que o homem tem mais poder do que a mulher”, argumenta a criminóloga Ana Guerreiro, da UMAR, a propósito do mais recente inquérito sobre violência no namoro realizado junto de 2500 jovens entre os 12 e os 18 anos.

O estudo revela que entre os jovens que já namoraram, 7% admitem ter sido vítimas de algum tipo de violência física ou psicológica por parte do companheiro ou da companheira. No que diz respeito à violência sexual, 4,5% foram pressionados para terem relações sexuais ou para beijarem em público.

“O facto de haver uma pressão para beijar à frente de outra pessoa tem subjacente uma ideia de mostrar aos outros que aquela pessoa é minha. É um sentimento de posse e, por isso, insere-se na violência sexual”, explica ao EDUCARE.PT Ana Guerreiro.

Além da prevalência da violência no namoro, o estudo desenvolvido ao longo de quatro meses pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) aborda também a questão da legitimação. Os investigadores quiseram perceber como os jovens encaravam um conjunto de comportamentos associados à violência. Entre os 2500 inquiridos, uma média de 22% dos jovens consideram normal os comportamentos violentos (todos os tipos). “O que é muito!”, constata Ana Guerreiro.

“Realmente alarmante”, considera a investigadora, é a percentagem de 23% de jovens que consideram normal a violência sexual, que engloba o beijo público à força e a pressão para o sexo. Já 9% dos inquiridos de ambos os sexos não consideram violentos comportamentos como dar pontapés, empurrões, agarrar num braço e fazer pressão para que responda. No entanto, “a violência física não tem necessariamente de deixar marcas”, esclarece a investigadora.

A violência psicológica pode não causar nódoas negras, mas deixa marcas. Ainda assim, 24,3% consideram normal entre namorados comportamentos como: chamar nomes e humilhar, controlar o telemóvel (para ver, por exemplo, as mensagens enviadas ou recebidas), controlar as redes sociais, controlar a roupa que vai vestir ou proibir de utilizar determinado tipo de roupa, controlar com quem sai ou fala e as próprias proibições de falar ou de estar com alguém.

Entre rapazes e raparigas
Desagregando os dados por sexos, Ana Guerreiro fala numa “diferença alarmante” nas respostas dadas. Quase um terço dos rapazes (32,5%) acham legítimo exercer violência sexual sobre as namoradas. Por outro lado, 14,5% das raparigas não reconhecem como violência o ato de serem forçadas a darem um beijo ou pressionadas para o sexo.
Mais do dobro dos rapazes, em relação às raparigas, legitimam comportamentos que se inserem nas categorias de violência física e sexual. Outros dados mostram ainda que 16% dos rapazes consideram normal forçar o/a companheiro/a a ter relações sexuais.

A conclusão não surpreende a criminóloga: “As raparigas sempre foram educadas para uma submissão, os rapazes para o controlo e se sempre foram educados assim vão reproduzir esses comportamentos que lhes chegam de cima.”
O estudo contou com inquiridos que frequentam escolas do Grande Porto, Braga e Coimbra e foi desenvolvido no âmbito do projeto Artways – Políticas Educativas e de Formação contra a Violência e Delinquência Juvenil.

A média de idades dos grupos inquiridos ronda os 14 anos. Razão pela qual Ana Guerreiro considera os números “preocupantes”. Lembrando que a UMAR faz estudos sobre violência de namoro desde 2009, a criminóloga salienta que em relação ao ano anterior, os dados mostram poucas mudanças ao nível da vitimação.

Na violência sexual há uma subida de 0,5%. No entanto, “tal não significa um maior número de casos de violência”, diz Ana Guerreiro. “Pode ser resultado de reconhecimento de que ela existe, ou seja, antes os jovens não reconheciam aquele comportamento como violência e agora passam a reconhecer. O que pode ser fruto do trabalho que a UMAR tem feito nas escolas.”

A associação sem fins lucrativos trabalha há 12 anos na prevenção primária da violência nas escolas. Especialistas nas questões de género atuam ao nível da prevenção usando metodologias artísticas. “Privilegiamos o trabalho contínuo e sistemático”, explica Ana Guerreiro, acrescentando que o objetivo “é colocar os jovens a refletir sobre determinado tema e promover comportamentos saudáveis e pró-sociais.”

Ter técnicos exteriores ao ambiente escolar a abordar as questões de género é vantajoso para alunos e docentes, garante Ana Guerreiro: “Não só chama mais a atenção aos jovens como tira alguma carga aos professores que além de terem o currículo para lecionar, muitas vezes, não têm formação, nem se sentem à vontade para falar destes temas.”

O projeto da UMAR nas escolas está pensado para intervir ao longo de três anos com a mesma turma. “O primeiro ano serve para conhecer a turma e sensibilizar para o tema, no segundo há um trabalho de consciencialização e no terceiro de conscientização, em que as temáticas começam a fazer parte do dia a dia dos jovens.” Apesar do trabalho estar a ser bem acolhido, segundo Ana Guerreiro, muitos pedidos das escolas ficam sem resposta por falta de recursos. “O ideal seria que se implementasse um programa nacional”, conclui.

 

Andreia Lobo para EDUCARE.PT em 8 de Março de 2016

 

Um em cada seis jovens acha normal forçar relações sexuais

Fevereiro 12, 2016 às 4:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de fevereiro de 2016.

mais informações no Estudo da UMAR:

http://www.umarfeminismos.org/images/stories/noticias/Estudo_V.Namoro2016_UMAR.pdf

paulo pimenta

A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) está preocupada com o facto de 22% dos jovens aceitarem as manifestações de vários tipos de violência registadas em relações de intimidade. As activistas da UMAR inquiriram 2500 jovens, com idades entre os 12 e os 18 anos, e os resultados que obtiveram demonstram quadros comportamentais e ideias que consideram inquietantes.

O estudo apresentado pela UMAR nesta sexta-feira, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, distingue três tipos de violência: psicológica; física; e sexual. No que à violência sexual diz respeito, 32,5% dos rapazes (em oposição a 14,5% das raparigas) acham normal que se force as relações sexuais – uma média de 16%, considerando todos os inquiridos.

O quadro da violência sexual não inclui apenas as relações sexuais forçadas, nele cabendo também uma série de comportamentos sexuais definidos como violentos que 23% dos inquiridos consideraram legítimos. Ainda que quase um quarto dos jovens portugueses aceitem a “normalidade” deste tipo de agressão, só 4,5% assumem terem sido vítima desses comportamentos.

A violência psicológica é encarada como aceitável por quase um quarto dos jovens portugueses, e 8,5% consideram já ter sido vítima dela.

Já a violência física é menos tolerada pelos jovens, sendo ainda considerada legítima por 9% dos inquiridos e com 5% destes a assumirem terem sido alvo de agressões.

O estudo da UMAR enquadra-se num programa de prevenção da violência, e não se resumiu à realização de inquéritos e desenvolvimento do estudo apresentado. As activistas levaram a cabo acções de sensibilização para a necessidade de prevenir a violência junto dos jovens e foi durante essas acções que detectaram “quão enraizadas estão as ideias de poder e controlo”, frisou Ana Guerreiro ao PÚBLICO. “É difícil analisar estes números, e mais ainda ter os jovens à frente e constatar estes comportamentos”.

As agressões entre namorados, e também entre ex-namorados, só foram incluídas no âmbito do crime de violência doméstica, previsto no Código Penal, em Fevereiro de 2013. A Polícia de Segurança Pública recebeu em 2015 mais queixas por violência no namoro do que por violência entre cônjuges, mas 77% dos inquéritos abertos pelo Ministério Público por este tipo de crime são arquivados, na maioria das vezes por falta de provas. O relatório anual do Ministério da Administração Interna descreve o destino dos poucos casos que conseguem chegar às salas dos tribunais: “De um total de 2954 sentenças transitadas em julgado entre 2012 e 2014, cerca de 58% resultaram em condenação e cerca de 42% em absolvição. Na maioria das condenações (96%) a pena de prisão foi suspensa”.

Para Maria José Magalhães, presidente da UMAR, tudo isto é produto de uma cultura que “está na base do femicídio, da violência doméstica, da falta de respeito pelos direitos humanos em geral”. Na última década, morreram 398 mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal.

 

 

 

Violência exercida no namoro é sobretudo de índole psicológica

Junho 7, 2015 às 2:06 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 2 de junho de 2015.

Shutterstock

Um estudo realizado em 32 escolas do distrito do Porto, envolvendo 456 jovens, com idade média de 13 anos, revelou que a maior parte da violência exercida nas relações de intimidade é de índole psicológica.

O trabalho insere-se no projeto Artways — Políticas Educativas e de Formação contra a Violência e Delinquência Juvenil, da UMAR — União de Mulheres Alternativa e Resposta, financiado pelo Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu e gerido pela Fundação Calouste Gulbenkian. 

“Ao nível da legitimação, mostra-se alarmante o facto de 27% dos inquiridos considerarem normal a violência psicológica e 13% considerarem normal a violência física. Isto é muito preocupante porque estamos a falar de uma idade que vai desde 11 até aos 18 anos”, afirmou Maria José Magalhães, presidente da UMAR.

De acordo com os dados 7% dos inquiridos já sofreram de abuso físico e 2% admitiu já ter sido forçado a ter relações sexuais.

“Mais de 40% dos rapazes inquiridos consideram que é legítimo pressionar para beijar e 31% considera natural pressionar para ter relações sexuais”, sublinhou Maria José Magalhães.

Segundo a responsável, “26% dos rapazes acha normal proibir a sua companheira de sair com outros amigos. Entre as raparigas a percentagem é de 11%, o que também é relevante. Ou seja, estes jovens acham que porque se namora pode-se forçar a outra pessoa a fazer o que não quer”.

“Também os rapazes estão em maior número a considerar como naturais a violência física, assim como as ameaças, a humilhação e a proibição de vestir peças de roupa. Mas, neste último aspeto, as raparigas também estão representadas, 30% considerou normal controlar a forma de vestir dos outros”, acrescentou.

No que toca ao comportamento que os jovens assumiram depois do episódio violento, 8% diz não ter dado importância e 12% diz acabar por perdoar o agressor. Apenas 4% referiu ter recorrido a outras pessoas para pedir ajuda.

São dados, que segundo a presidente da UMAR, demonstram “a importância de uma intervenção junto dos jovens no sentido de desconstruir a ideia de que o namorado(a) é da sua posse e que faz com aquela pessoa o que quiser, porque ela é sua”.

“Noções de respeito pela privacidade, de respeito no aspeto físico, psicológico e social da outra pessoa são coisas que não estão a ser ensinadas aos jovens. E esta cultura de que o amor é cego, de que o amor significa posse, de que a paixão é irracional e de que as pessoas podem fazer o que quiserem com o outro é, para nós, a cultura de base do femicídio, da violência doméstica, da falta de respeito pelos direitos humanos em geral”, sublinhou.

No âmbito deste projeto, está também a ser realizado um trabalho com jovens que pelo seu comportamento são considerados “eventuais futuros agressores”.

“O nosso trabalho de prevenção da delinquência junto de eventuais futuros perpetradores de violência é feito muito devagar, mas tentando que elas e eles sejam mais ativos nessa prevenção”, disse, referindo que há casos que têm sido sinalizados às comissões de proteção de crianças e jovens e a centros de atendimento a vítimas de violência doméstica, “com muito cuidado, com muita confidencialidade e com muito apoio”.

Lusa/SOL

 

 

 

 

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