Filhos herdam o sofrimento dos pais

Janeiro 17, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo Lifestyle de 4 de janeiro de 2019.

Uma investigação fascinante e surpreendente recuou ao século XIX para perceber o efeito dos traumas e do sofrimento nos descendentes de quem os viveu.

Quem disse que a herança genética se restringe à cor de olhos ou a doenças cardíacas e afins? Uma complexa investigação com descendentes de prisioneiros da Guerra de Secessão, que devastou e dividiu ao meio os EUA no século XIX, vem mostrar que, de alguma forma, a dor fica registada na genética da família.

Durante anos, estudos feitos com animais mostraram que certos fatores ambientais provocam mudanças na informação genética transmitida de uma geração para outra. É como se deixassem marcas que anulam ou insuflam genes, mas sem alterar o ADN. Deste modo, ficou provado que o açúcar ingerido pelos pais pode contribuir para a obesidade dos descendentes ou que a dieta pobre dos avós é capaz de influenciar a saúde dos futuros netos. “Apesar do forte impacto que poderia ter sobre a ciência e a saúde, pouco se sabe sobre esses mecanismos epigenéticos em humanos, e investigar mais implica fazer experiências que a ética condena”, avança um artigo do El País.

É por isso que o referido estudo – que envolveu a análise de perto de 200 mil soldados das forças do Norte nas prisões do Sul durante a guerra civil americana – é tão especial. Os seus autores, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), investigaram a fundo o que aconteceu a esses prisioneiros de guerra depois de deixarem o cativeiro. Graças aos arquivos militares, perceberam se eram ou não casados, onde moravam ou quantos filhos tinham. Também conseguiram saber quando é que os ex-prisioneiros morreram, bem como as suas mulheres e descendentes. E, após essa análise profunda, concluíram que os que haviam passado por lugares terríveis da Guerra da Secessão, como o campo de prisioneiros de Andersonville, na Georgia, tinham vivido menos tempo do que outros veteranos de guerra. “Naquele campo, a fome transformou os homens em cadáveres ambulantes, bem como a proliferação de doenças como o escorbuto, a diarreia e o stress psicológico”, relata a principal autora do estudo, Dora Costa.

Foi possível estudar o DNA de 6500 veteranos de guerra e dos seus 20 mil filhos. Por outro lado, os investigadores analisaram vários fatores, como a situação sócio-económica, a origem, a data de alistamento, o estado de saúde antes da guerra, e compararam a longevidade dos filhos de veteranos que eram prisioneiros com a dos que não eram, percebendo que, nas mesmas circunstâncias e com a mesma idade, os primeiros tinham duas vezes mais hipóteses de morrer. Mas há outros dados que reforçam a tese da base epigenética: dentro da mesma família, as crianças que um prisioneiro de guerra tinha depois de sobreviver ao cativeiro eram até 2,2 vezes mais propensas a morrer cedo do que os seus irmãos mais velhos.

Até agora, as poucas experiências sociais que permitiram estudar a transmissão intergeracional do trauma em humanos tinham sido protagonizadas por crianças. Nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, o norte da Holanda, ainda dominada pelos nazis, foi alvo de uma epidemia de fome. A ausência de alimentos afetou a fertilidade das mulheres, mas o pior veio a seguir: os filhos de mulheres grávidas durante esses meses infernais nasceram com uma média de 300 gramas a menos. Como adultos, a exposição pré-natal à fome reduziu o tamanho do corpo e aumentou a incidência de diabetes e esquizofrenia.

Tais efeitos podem manifestar-se até à terceira geração. Em 2017, um trabalho com uma amostra de 800 mil crianças suecas provou que o trauma de perder um pai ou uma mãe deixa uma marca que os filhos dos órfãos herdam. Os investigadores perceberam que as crianças que ficavam órfãs nos anos anteriores à adolescência tendiam a ter filhos prematuros e com menos peso do que aquelas que não tinham perdido os pais. “É pouco antes da puberdade, nesse período de crescimento lento, que os testículos começam a formar-se e a espermiogénese é programada; trata-se de um momento psicologicamente formativo e, com este estudo, compreendemos que enfrentar um trauma psicológico, como a morte de um pai, pode afetar o nascimento e a saúde dos futuros descendentes”, explicou a coautora deste estudo, Kristiina Rajaleid.

O estudo dos prisioneiros de guerra norte-americanos deixa, todavia, por explicar, um detalhe curioso: o trauma desses anos terríveis só foi herdado pelos filhos – mas não pelas filhas – dos combatentes. Nem os autores do estudo, nem os especialistas consultados, conseguem explicar essa discriminação por sexo.

 

 

Workshop “Trauma em crianças e adolescentes” 22 setembro em Coimbra

Setembro 6, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O Centro de Trauma do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES-UC) vai realizar no próximo dia 22 de setembro, no CES Coimbra (Colégio S. Jerónimo, Polo I da UC), um workshop subordinado ao tema “Trauma em crianças e adolescentes”.

Mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/541925533301477/

Cyberbullying traumatiza tanto quanto estupro, revela pesquisa

Setembro 19, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.gazetaonline.com.br/ de 30 de agosto de 2017.

Vítimas da violência digital também são mais suscetíveis à depressão, ansiedade e síndrome do pânico.

É melhor começarmos a pensar em deixar as trocas de farpas de lado nos tribunais das redes sociais. Isso porque, lá, na terra de ninguém, todos assumem a postura de juízes e emitem opiniões sem pensar no quanto essas agressões podem atingir quem as lê. Uma pesquisa realizada na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, revela que 19% dos que sofrem esse tipo de violência na internet desenvolvem depressão. O mesmo estudo, realizado com 480 jovens que estão matriculados em algum curso superior, aponta que um ataque virtual pode traumatizar tanto quanto um abuso sexual.

A psicóloga Sara Casteluber esclarece que, embora a pesquisa apresente dados reais e traga resultados verdadeiros, os tipos de trauma que o cyberbullying e o abuso sexual geram não podem ser comparados friamente. Assim como, de acordo com ela, a idade tem que ser levada em conta na hora da análise. “Um adulto tem muito mais maturidade para lidar com essas situações do que crianças, e o que isso vai gerar na cabeça de cada um é, respectivamente, diferente”, diz.

Para ela, o fato em si dificilmente poderá ser evitado, já que a tecnologia atualmente é algo inerente ao ser humano. No entanto, existem atitudes que podem educar o jovem a lidar com essa violência. “Os pais precisam estar atentos quanto ao que os filhos estão tendo acesso. E também porque se ninguém ficar sabendo, essa criança pode se retrair e sofrer sozinha, o que é pior ainda”, pondera.

Sara destaca que, inclusive, esse é um comportamento típico de quem sofre cyberbullying. “Qualquer agressão vai fazer o sujeito ficar mais quieto, calado, andando de cabeça baixa. Isso precisa ser observado para que seja feita uma intervenção”, justifica, alegando que esse é – também – um comportamento que pode anteceder um quadro de depressão.

LEI

Segundo Sara, para a vítima é confortante saber que a lei age de forma a protegê-la. É que, como explica a especialista, quem sofre com crimes virtuais pode se sentir amparado pela Justiça, sabendo que há ferramentas que possam ajudá-lo a ter os danos reparados legalmente.

O advogado criminalista Cássio Rebouças destaca que cyberbullying não é um termo jurídico, por isso, não há uma definição. A internet, segundo ele, passou a ser usada como meio para emitir acusações infundadas e crimes contra a honra que, aí sim, são levadas à Justiça. Para ele, as alfinetadas, em contrapartida, nem sempre rendem um processo judicial.

Cássio explica que é complicado dizer que as famosas indiretas são um crime. “Existem diversos níveis de mensagens que podem ser emitidas, mas a maioria dessas alfinetadas não é considerada crime”, afirma. Ele, que já defendeu e acusou envolvidos em crimes virtuais, avalia que o fato de esses crimes serem praticados no meio virtual gera dificuldade na identificação do autor da mensagem.

“A identificação do perfil tanto pode ajudar como atrapalhar. Se estivermos falando de um perfil falso, por exemplo, a polícia vai ter que mapear o computador, para chegar a um endereço, para, então, chegar a uma possível suspeita”, detalha.

O advogado acredita que o Judiciário tem ficado mais abarrotado e recebido mais processos envolvendo crimes virtuais. É que, para ele, as pessoas têm usado mais o meio digital para fazer acusações e emitir opiniões que podem prejudicar uma outra pessoa e a população, por sua vez, está levando essas publicações mais a sério. “O que muda é que, praticado numa rede social, por exemplo, um printscreen já é uma prova que pode ser apresentada em juízo”, finaliza.

(Texto com a colaboração de Daniela Aquino).

mais informações sobre o estudo nesta notícia:

Wounds from childhood bullying may persist into college years, study finds

 

 

 

Como superar um trauma de infância?

Junho 7, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Traumas normalmente estão sempre associados ao mal-estar por uma experiência percebida como “péssima”, sentida como negativa, vivenciado como dor física ou emocional ou sensação de grande e forte susto. Nem sempre a realidade é igual à interpretação dada por cada um e por isso, mais do que o fato em si, o que determinar o trauma é como a pessoa foi capaz de lidar com essa vivência, como associou e registou essa memória ruim.

O mais falado e que que parece o mais famoso dos traumas é o chamado “trauma de infância”, justamente, pela imaturidade e fragilidade emocional e física da idade. As crianças, normalmente, não têm uma estrutura já formada para lidar com o impacto de algo pesado, doloroso ou profundamente negativo.

Como uma experiência pode se tornar um trauma de infância?

O trauma emocional é a consequência de algum tipo de mal-estar, dano ou lesão emocional proveniente de algum tipo de situação, fato ou acontecimento vivido. Aquilo que foi vivido e concebido como negativo tem impacto direto nas emoções de:

  • Medo
  • Insegurança
  • Fragilidade.

Isso tudo acaba gerando grande estresse e como consequência uma grande exacerbação do sistema interno de autoproteção (fuga ou ataque). O cérebro passa a trabalhar em alerta o que gera profundo desgaste e problemas gerais, tais como: aumento significativo de ansiedade e/ou sintomas de depressão.

Os fatos que mais marcaram e seguem como de maior problema em casos de traumas de infância, e em outras épocas também, são:

  • Violência
  • Maus-tratos
  • Doenças
  • Perdas de pessoas próximas
  • Abandono
  • Mudanças significativas de maneira de viver a vida.

Situações assim podem ser traumáticas para qualquer um em qualquer idade. Na infância, esse tipo de experiência negativa pode mesmo ser algo ainda maior, mais sério e marcante. Com isso, aquilo vivido há anos atrás de forma traumática poderá ter desdobramentos mais importantes ao longo da vida.
Todo evento se torna um trauma de infância?

Nem sempre! Há quem tenha vivido algo negativo mais foi capaz de se superar e seguir em frente. É muito difícil imaginar uma vida “blindada” e sem problemas. O mais comum é conseguir ser resiliente e ser capaz de superar o passado com foco no presente e objetivos maiores para o futuro.

Por outro lado, quem viveu um terrível trauma na infância pode não se lembrar dele – existe um mecanismo de proteção interno de negação, não aceitar que algo aconteceu, e com isso, o “esquecimento” -, como habitualmente as crianças não registram vários fatos da infância, nem positivos, nem negativos. Mas esse tipo de situação é pouco comum, no sentido que normalmente os pais, escolas ou responsáveis estão por perto e estão atentos e costumam ter algumas referências sobre a vida dessa criança.

Como os traumas de infância são tratados?

Existem tratamentos específicos para cura e resgate de memórias adormecidas, porém, há um “romantismo” e uma distorção de como a mente humana realmente funciona. É errado achar a cura é algo passivo. Fantasia-se muito que que há um ponto ?escuro? no passado de alguém e que através de técnicas como hipnose (essa técnica é ótima, mas há um mito de como deve ser usada), por exemplo, o acesso a esse passado vai acontecer quase que por si só e isso seria já a cura efetiva e zero de trabalho ou ação desse paciente para o bem-estar duradouro.

Quando há um problema na infância, como um trauma, podemos pensar em alguns pontos:

  • O fato em si, o que houve
  • Como a pessoa foi capaz de lidar com esse problema, se ela foi capaz de superar e de seguir em frente
  • Quais escolhas ela fez algo longo da vida
  • Se as ações posteriores foram de cura e bem estar ou opções que pioram gritantemente o problema inicial.

Os maiores problemas costumam estar no presente e na forma com as pessoas lidam com suas vidas. É claro, sem dúvida alguma, que traumas merecem atenção e tratamento. Eu mesma sou especialistas em várias técnicas de cura de traumas, pois acredito mesmo no poder de cura nesse modelo. Porém, vejo com grande preocupação a simplificação do processo, como se o passado fosse maior do que as escolhas no presente. Vejo constantemente pessoas no meu consultório perdidas na ideias de superar o passado sem nem olhar o que estão fazendo no presente, as consequências de suas escolhas e ações ou mesmo que tipo de objetivos vão criar para o futuro.

Podemos compreender que a cura é maior que o trauma passado. A cura vai além do que já foi. É também a estruturação do presente e futuro. É um trabalho de fortalecimento e desenvolvimento de habilidades e emoções. A vida pode ser leve e plena. Estruture suas ideias para cura. Sucesso naquilo que busca e até breve.

Por Adriana de Araujo para o site psicologiasdobrasil.com.br

Congresso Associação Novo Futuro “Construir Futuros, Recriando Caminhos”

Julho 28, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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congresso

mais informações:

https://www.facebook.com/139225682803889/photos/a.142478282478629.27752.139225682803889/715664275160024/?type=1&theater

 https://docs.google.com/forms/d/1IlElosY_fGZBrirE2V4yom0Vw_eoIqFEpy9KYZEoU-4/viewform?c=0&w=1

 

 

 

‘Memories’ pass between generations

Dezembro 17, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da BBC News de 1 de Dezembro de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Parental olfactory experience influences behavior and neural structure in subsequent generations

SPL

By James Gallagher

Behaviour can be affected by events in previous generations which have been passed on through a form of genetic memory, animal studies suggest.

Experiments showed that a traumatic event could affect the DNA in sperm and alter the brains and behaviour of subsequent generations. A Nature Neuroscience study shows mice trained to avoid a smell passed their aversion on to their “grandchildren”.

Experts said the results were important for phobia and anxiety research.

The animals were trained to fear a smell similar to cherry blossom.

The team at the Emory University School of Medicine, in the US, then looked at what was happening inside the sperm.

They showed a section of DNA responsible for sensitivity to the cherry blossom scent was made more active in the mice’s sperm.

Both the mice’s offspring, and their offspring, were “extremely sensitive” to cherry blossom and would avoid the scent, despite never having experiencing it in their lives.

Changes in brain structure were also found.

“The experiences of a parent, even before conceiving, markedly influence both structure and function in the nervous system of subsequent generations,” the report concluded.

Family affair

The findings provide evidence of “transgenerational epigenetic inheritance” – that the environment can affect an individual’s genetics, which can in turn be passed on.

One of the researchers Dr Brian Dias told the BBC: “This might be one mechanism that descendants show imprints of their ancestor.

“There is absolutely no doubt that what happens to the sperm and egg will affect subsequent generations.”

Prof Marcus Pembrey, from University College London, said the findings were “highly relevant to phobias, anxiety and post-traumatic stress disorders” and provided “compelling evidence” that a form of memory could be passed between generations.

He commented: “It is high time public health researchers took human transgenerational responses seriously.

“I suspect we will not understand the rise in neuropsychiatric disorders or obesity, diabetes and metabolic disruptions generally without taking a multigenerational approach.”

In the smell-aversion study, is it thought that either some of the odour ends up in the bloodstream which affected sperm production or that a signal from the brain was sent to the sperm to alter DNA.

Ação – Intervenção na Crise em Diferentes Contextos : relações interpessoais, família, escola e comunidade

Setembro 20, 2013 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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crise

Mais informações aqui

Objectivos 

Sensibilizar para o trauma psicológico (experiência de eventos traumáticos) e conhecer conceitos fundamentais para  a pratica da intervenção na crise e da intervenção psicossocial em emergência e catástrofe

Compreender a importância da avaliação de um incidente e do seu planeamento estratégico

lntervir num grupo após uma situação de crise e integrar uma equipa CISM – gestão de stress de um incidente critico

Competências 

Saber praticar intervenções na crise para grupos

Programa 

Stress geral, cumulativo, de um incidente critico e PTSD

Fundamentos da Critical Incident Stress Management (CISM)

Populações em  risco:  serviços de  emergência, militares  e outros

Diferentes técnicasde   intervenção:  Desmobilização/RITS, Briefings de Gestão na Crise (CMB}, Defusing/ISGS, Critical Incident Stress Debriefing CISD/PEGS, sCMB

Familiarização com riscos de resultados adversos associados a intervenção na crise e como reduzir esses riscos

Prática de intervenções na crise para grupos, através de role­ plays

 

Curso Prático de Avaliação e Intervenção em Situações de Trauma

Setembro 20, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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trauma

Mais informações Aqui

Data limite de inscrição:

28 de Setembro de 2013

– See more at: http://www.inspsic.pt/pt_PT/curso/12/#sthash.tSs250pL.dpuf

Data limite de inscrição : 28 de Setembro de 2013

Introdução:

Este curso de formação breve visa a prática profissional no âmbito do trauma muito específico da psicoterapia, estando especialmente desenhada para profissionais credenciados com habilitação prévia para este tipo de intervenção clínica (Curso Superior em Psicologia).

 Objectivos:

Compreender o impacto das experiências de trauma no desenvolvimento humano

Desenvolver competências de avaliação e diagnóstico em vítimas de trauma, nomeadamente em crianças, adolescentes e adultos

Desenvolver competências de intervenção em vítimas de trauma, nomeadamente em crianças, adolescentes e adultos.

Ciclo de Conferências Riscos (d)e Trauma – Trauma stories – the hidden side of the interview

Novembro 19, 2012 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação, Uncategorized | Deixe um comentário
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Ciclo de Conferências Riscos (d)e Trauma

O Centro de Trauma do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, no âmbito das suas actividades propõe-se realizar um ciclo de conferências proferidas por individualidades de reconhecido mérito, e subordinado aos vastos temas da Prevenção e Intervenção no Trauma Psicológico.
O propósito deste Ciclo assenta no desejo de estimular a discussão e a partilha de conhecimento entre aqueles que intervêm nas áreas da crise, desastre ou catástrofe, reflectindo conjuntamente e congregando leituras interdisciplinares.

Trauma stories – the hidden side of the interview

Gavin Rees (Diretor do Dart Centre Europe | Escola Superior de Jornalismo da Universidade de Columbia/Nova Iorque)

21 de novembro de 2012, 15h00, Auditório do Centro de Informação Urbana de Lisboa, Picoas Plaza, Rua do Viriato, 13 | Lisboa

Resumo

Trauma is news. For a society to function people need to know about the worst things that can befall individuals and their communities. But no area of news coverage arouses greater ambivalence. We may find ourselves gripped by the news, while simultaneously wishing that we had never seen it. What does it take for journalists to navigate this minefield? Portraying the lives of people who have been adversely exposed to traumatic events, such as sexual violence, street crime, armed conflict or other forms of human tragedy, requires research, knowledge and sensitivity – and in some cases genuine personal courage.
Gavin Rees, the Director of Dart Centre Europe, will talk about why trauma awareness for journalists matters and, in particular, will look at the hidden aspects of trauma interviewing that rarely get talked about.
Nota biográfica

Gavin Rees, jornalista e realizador, é diretor do Dart Centre Europe, um projeto da Escola Superior de Jornalismo da Universidade Columbia em Nova Iorque dedicado à promoção de abordagens éticas e inovadoras na cobertura jornalística do trauma e da violência. Gavin Rees é responsável pela implementação na Europa do trabalho do Dart Centre, atuando nessa qualidade como consultor em organizações noticiosas, ONG e escolas de jornalismo para a consciencialização sobre o trauma. Embora a sua carreira tenha iniciado como investigador político, trabalhou durante vários anos para uma grande variedade de meios de comunicação social. Durante cerca de quinze anos produziu notícias nas áreas económica e política para a Financial Times Television, CNBC e notícias internacionais para grupos japoneses. Participou também na produção de filmes e documentários para a BBC e o Channel 4, entre outros.

O seu interesse pelas narrativas traumáticas nasceu das entrevistas que realizou a sobreviventes do ataque nuclear a Hiroshima, no âmbito de um documentário para a BBC, premiado com um Emmy em 2006. Atualmente é investigador visitante da Universidade Bournemouth, onde desenvolve investigação sobre a narrativa jornalística sobre a violência, e é membro da direção da European Society of Traumatic Stress Studies.

Pode uma criança de quatro anos testemunhar o homicídio do pai e “sobreviver” ao que viu?

Fevereiro 18, 2011 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 8 de Fevereiro de 2011.

Foto de Daniel Rocha

Foto de Daniel Rocha

 

Por Paula Torres de Carvalho

Acompanhamento das crianças que viveram experiências violentas é determinante para que elas as “arrumem” internamente.

Uma criança de quatro anos viu o avô matar o pai com cinco tiros no jardim onde brincava, no passado sábado, em Oliveira do Hospital. Como “sobreviverá” a este acontecimento? O que fará das guerras e discussões que presenciou nos primeiros anos da sua vida? O que acontece às crianças que assistem à separação dos pais entre desavenças e insultos e são usadas como “arma de arremesso” de um contra o outro?

“Depende do que acontece a seguir”, diz José Luís Pais Ribeiro, psicoterapeuta e professor de Psicologia da Universidade do Porto. O homicídio foi “um incidente-limite”, nota. Tudo dependerá agora da forma como a criança “for reconstruindo a história, como a for elaborando e integrando”.

Pais Ribeiro explica que “todos os acontecimentos são passageiros desde que não sejam acarinhados” e que o ambiente que vai rodear a criança e as relações que vai ter, “tudo vai contar para a maneira como ela vai encaixar” o que aconteceu. A sua “capacidade de resiliência” (processo de resistir a situações adversas sem ficar traumatizado) é determinante, considera.

A ultrapassagem dos episódios violentos na vida de uma criança depende da “qualidade do acompanhamento que cada uma terá depois”, afirma Emílio Salgueiro, médico pedopsiquiatra e psicanalista.

O divórcio e a separação entre os pais “é sempre uma violência para a criança”, mesmo que corra de uma forma dita “civilizada”, nota Salgueiro. As discussões, desavenças e tentativas de manipulação da criança por um dos pais contra o outro, a forma como um deles denigre constantemente a imagem do outro perante o filho, levam muitas vezes à “desorientação e à depressão, provocam insegurança e desconfiança” e fazem com que as crianças “aprendam a usar estratégias para lidar com cada um dos pais”, diz Salgueiro.

O facto de terem como modelos um pai e uma mãe zangados também deve ser considerado, não sendo de excluir a hipótese de a criança vir a reproduzir esses comportamentos, segundo “mecanismos de transmissão transgeracional”, nota Emílio Salgueiro. O “traumatismo pode ser, no entanto, reabsorvido” se a criança for “bem apoiada”, diz.

Litígios aumentam

“Todos temos capacidade para esquecer as coisas desagradáveis”, nota Pais Ribeiro. “O aparelho psicológico elabora e arruma as coisas para nos protegermos.” Não é possível, por isso, afirmar que há um efeito claro dos acontecimentos violentos, já que “o impacto não é do mesmo tipo”. Nalgumas crianças, pode “não ter efeito nenhum”, noutras pode ter “efeitos perversos”, noutras ainda “pode ter um efeito dramático”. Mas se isso se observa “nunca é por causa de um único episódio”, mas do que acontece a seguir – por exemplo, se o que sucedeu é transformado e apontado como um estigma.

Dados do Instituto Nacional de Estatística referem um crescimento anual de separações na ordem dos três por cento, fazendo prever um aumento de litígios em tribunal no que respeita à regulação do poder paternal das crianças. E o que se observa é que continua a ser “muito pouco o que se faz em benefício dos filhos e do interesse da criança”, como diz Emílio Salgueiro.

“Os tribunais de família vão ter cada vez mais que fazer no futuro”, prevê, salientando a necessidade de respeitar o “tempo da criança” e resolver o problema das “demoras” nas decisões, que tantas vezes deveriam ser tomadas em dias e acabam por ser adiadas durante meses.


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