Atrofia Muscular Espinhal. O que pode a ciência fazer pelas crianças como a Matilde?

Julho 2, 2019 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 28 de junho de 2019.

Por Sara Beatriz Monteiro

Matilde tem dois meses e meio e uma doença rara: atrofia muscular espinhal do tipo 1. A esperança da família é que o medicamento mais caro do mundo possa prolongar a vida da bebé. Os pais já contactaram a farmacêutica e há a possibilidade de trazerem o medicamento para Portugal.

Os sinais surgiram poucos dias depois de nascer. Matilde não tinha força nos braços, não abria as mãos, tinha dificuldades em respirar e em engolir. Como o peso aumentava normalmente, os médicos diziam que era normal, que “os bebés não são todos iguais”. Os sintomas continuaram e, um mês e meio depois do nascimento, o diagnóstico chegou: atrofia muscular espinhal do tipo 1.

A família tinha agora nos braços a tarefa de lidar com uma doença genética, que evolui de forma galopante e, em muitos casos, fatal. Disseram-lhes que existia em Portugal um medicamento, aprovado há pouco mais de um ano, que melhorava a qualidade de vida dos doentes sem curar a doença: o Nusinersen.

“Em Portugal, existe um tratamento que foi aprovado no ano passado, que é o Spinraza (nome comercial do Nusinersen), que atrasa a progressão da doença. Dá melhorias motoras e confere também melhorias respiratórias”, começa por contar à TSF a mãe de Matilde, Carla Martins.

Matilde deve começar o tratamento dentro de poucas semanas, mas a mãe sabe que a filha não terá uma vida igual às das outras crianças: “Ela vai precisar de máquina para respirar, nunca vai andar, nunca se vai sentar e vai precisar de um aparelho para ajudá-la a tossir. É essa a qualidade de vida que esta medicação dá à minha filha.”

Pais tentam trazer o medicamento mais caro do mundo para Portugal

A esperança dos pais de Matilde tem um nome difícil de pronunciar: Zolgensma. É o medicamento mais caro do mundo, custa 1,9 milhões de euros, e foi aprovado há pouco mais de um mês nos Estados Unidos da América. Ao contrário do Nusinersen que apenas melhora o funcionamento do gene defeituoso, o Zolgensma repõe o gene e promete dar mais qualidade de vida, explica o neurologista pediátrico José Pedro Vieira.

“Os resultados que já se obtiveram com o Nusinersen em bebés já sintomáticos mostra uma melhoria e uma não progressão da doença. Com o Zolgensma, os resultados são de certo modo semelhantes, sendo que a melhoria parece mais importante do que aquela que se obtém com Nusinersen.”

Depois do choque inicial, os pais decidiram angariar donativos para trazer o medicamento para Portugal. Através da página Matilde, uma bebé especial conseguiram angariar até agora quase 400 mil euros.

“A informação que obtivemos do Infarmed e da Novartis [a farmacêutica que comercializa o Zolgensma] é recente e o que nos foi informado foi que existe a possibilidade de a medicação poder vir para a Europa, através de um médico. Isto é, um médico fazer essa requisição, mas não nos garantiram nada e também não nos falaram em valores. Falaram apenas que existia essa possibilidade.”

O Zolgensma cura a atrofia muscular espinhal?

O presidente da Associação Portuguesa de Neuromusculares, Joaquim Brites, saúda a onda de solidariedade, mas defende que o Zolgensma não pode ainda ser considerado uma cura para a doença.

“Neste momento, é uma esperança para um tratamento mais efetivo, mas nada indica que seja uma cura definitiva. Participaram nesses ensaios clínicos 24 doentes nos EUA, entre todos os vários estados, e desses 24 só 15 apresentam um sinal de melhoria significativo”.

Joaquim Brites lembra que “existem à volta de dez doentes diagnosticados em Portugal” com o mesmo grau da doença a serem tratados com o Nusinersen: “É um tratamento administrado em ambiente cirúrgico. São várias ampolas em que o principal objetivo é atenuar os efeitos da doença. Não se trata de uma cura, porque não vai reparar a célula, mas vai atenuar os efeitos e até ver os efeitos têm sido muito bons.”

A visão de Joaquim Brites é partilhada pelo neurologista pediátrico José Pedro Vieira. O especialista acredita que “não é razoável colocar uma expectativa exagerada nesta intervenção”.

“Apesar de haver resultados aparentemente melhores com o Zolgensma, a restituição do estado normal não aconteceu em todos os casos, nem nada que se pareça. Houve sim uma melhoria, mas uma cura, no sentido de o bebé voltar ao estado normal, não aconteceu uniformemente. Não foi a regra, antes pelo contrário. Foi mais a exceção do que a regra”, sublinha José Pedro Vieira.

No mesmo plano, o neurologista lembra que a doença progride rapidamente e que, caso esteja numa fase muito avançada, o Zolgensma pode não fazer efeito: “Há a questão da acessibilidade. Enquanto uma das intervenções [o Nusinersen] é rapidamente acessível, a outra intervenção [o Zolgensma] ainda não sei como é que se irá processar. Esta doença é uma doença com progressão suficientemente rápida para não haver lugar a muitas indecisões e a muito protelamento.”

Apesar de não existir ainda uma cura, José Pedro Vieira acredita que a ciência vai fazer com que cada vez menos crianças sofram com a doença: “Há um interesse enorme em todo o mundo em fazer um diagnóstico pré-sintomático, ou seja, fazer um rastreio neonatal e identificar todas as pessoas portadoras de anomalia, destinadas a ter a doença, e tratá-las antes de terem a doença”.

Os pais de Matilde mantêm a esperança e lutam contra a doença enquanto lutam contra o tempo. Correm contra o avançar dos dias para dar anos de vida à filha e a todas as crianças que sofrem da mesma doença, garante Carla Martins: “A verdade é que nós queremos e estamos a fazer de tudo para obter esse tratamento e quem sabe conseguirmos abrir a porta para outras crianças em Portugal”.

Quem sente atracção por crianças vai ter ajuda para evitar cometer crimes

Junho 27, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 11 de junho de 2019.

Programa criado pelo Instituto de Sexologia da Charité – Universidade de Medicina de Berlim será replicado em Portugal no próximo ano.

Ana Cristina Pereira

A informação é avançada por Ricardo Barroso, professor auxiliar da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e membro do Laboratório de Investigação em Sexualidade Humana da Universidade do Porto. No próximo ano, vai avançar em Portugal um programa destinado a ajudar pedófilos a controlar os seus ímpetos.

O programa foi criado pela equipa de Klaus M. Beier, director do Instituto de Sexologia da Charité – Universidade de Medicina de Berlim. Existe em mais de uma dezena de cidades da Alemanha. Não se destina a condenados por crimes sexuais. Destina-se a pessoas que sofrem de pedofilia (atracção por crianças pré-púberes) ou hebefilia (atracção por púberes ou recém-púberes) e que desejam ajuda para controlar impulsos, para nunca passarem à prática.

Ricardo Barroso estuda jovens agressores sexuais, comportamentos de agressão e delinquência juvenil. Parece-lhe que o combate a este tipo de crimes não se pode ficar pela condenação de quem os pratica, exige prevenção.

“O manual de intervenção técnica já foi traduzido para português”, declara Ricardo Barroso. “Todo o processo de intervenção está a ser planeado.” Segundo afirma, a equipa alemã tem acompanhado e até comparticipado esse processo. “Vai haver uma candidatura conjunta a fundos comunitários”, sublinha ainda. Haverá uma linha telefónica e uma pequena equipa, com um psiquiatra e um psicólogo no Porto e um psiquiatra e dois psicólogos em Lisboa

A equipa de Klaus M. Beier criou uma ferramenta de auto-ajuda para quem sente atracção por menores de idade e não tem acesso a terapia presencial. Essa ferramenta é acessível pela Internet. Está em alemão e em inglês e, por isso, está a chegar a pessoas que se encontram em diversas partes do mundo.

Klaus M. Beier já tinha dito que haveria de existir noutras línguas, incluindo português. Ricardo Barroso diz que a tradução já está feita e que em breve, ainda este ano, possivelmente antes do Verão, ficará disponível para pessoas de Portugal, do Brasil, dos países africanos de língua portuguesa e de outros falantes de português. Funcionará com uma equipa sediada em Portugal. As pessoas podem manter o anonimato ao contactar o projecto e manifestar interesse

 

Unaids: apenas metade dos bebés expostos ao HIV são testados

Abril 8, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 26 de março de 2019.

Segundo agência da ONU, quanto mais cedo for feito o teste mais eficazes são os tratamentos; testes adequados são escassos em países de baixo e médio rendimento; mortalidade entre os bebés não tratados é maior nos primeiros três meses de vida.

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, Unaids, alerta que somente metade dos recém-nascidos expostos ao HIV são testados.

Para o Unaids é necessário aumentar o número de testes uma vez que quanto mais cedo o vírus for detetado, melhores são os resultados do tratamento.

Resultados

Em nota, a agência explica que diagnosticar crianças menores de 18 meses de idade requer testes virológicos, que detetam o vírus. O teste sorológico, que testa o anticorpo do HIV, só pode ser usado apenas em crianças maiores de 18 meses e adultos.

No entanto, os testes virológicos não estão disponíveis na maioria dos países de baixo e médio rendimento e, quando disponíveis, são caros e demorados, envolvendo várias consultas clínicas para as mães e os bebés.

O Unaids estima que, a nível mundial, apenas metade dos bebés que são expostos ao HIV durante a gravidez da mãe são testados antes das oito semanas de idade.

O teste precoce é fundamental uma vez que a mortalidade entre os bebés não tratados é maior nos primeiros três meses de vida. Por isso, para o Unaids o diagnóstico imediato e o inicio do tratamento “são cruciais.”

Evolução

No ano passado, o Unaids divulgou um relatório alertando para o aumento de novas infecções de HIV em 50 países.*

A meta do Unaids é chegar a 2020 com menos de 500 mil mortes relacionadas à Aids. O tratamento universal é outro objetivo da agência. No ano passado, cerca de 60% dos soropositivos recebiam os antirretrovirais, o total de pessoas com HIV é de 36,9 milhões.

Uma das preocupações do Unaids é com o oeste e centro da África, onde apenas 26% das crianças com HIV e apenas quatro em cada 10 adultos recebem o tratamento.

 

Número de agressores sexuais em tratamento imposto está a aumentar – Dulce Rocha, Presidente do Instituto de Apoio à Criança, critica a lei por ser muito branda

Abril 21, 2018 às 5:09 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 6 de abril de 2018.

A notícia contém declarações da Dra. Dulce Rocha, Presidente do IAC.

El videojuego que podría ayudar a niños con TDAH

Dezembro 16, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site https://www.psyciencia.com/ de 6 de dezembro de 2017.

Por Rita Arosemena P.

Para los amantes de los videojuegos, siempre es una buena noticia leer los beneficios que ofrece este pasatiempo a las personas, en especial cuando un gran número de estudios previos se ha centrado en las contraindicaciones de los juegos de vídeo y sus posibles implicaciones en la conducta violenta.

No obstante, de acuerdo con una publicación realizada por STAT News, no todo es color negro cuando hablamos de videojuegos y, de hecho, pudiera ser que este sea un recurso sumamente útil para el tratamiento de niños en condiciones especiales como el TDAH.

Akili Interactive Labs informó el pasado lunes que su último estudio de un juego de video diseñado para tratar a niños con TDAH cumplió su objetivo principal, un gran paso en la búsqueda de esta compañía para obtener la aprobación de lo que se espera sea el primer videojuego de prescripción clínica. El juego en cuestión pertenece al género de acción e incita a los niños a ejercitar la atención y el control inhibitorio.

El primer juego de prescripción médica

En un estudio de 348 niños entre las edades de 8 y 12 años diagnosticados con TDAH, se encontró que aquellos que jugaron el videojuego de Akili en una tableta durante cuatro semanas vieron mejoras estadísticamente significativas en métricas de atención y control inhibitorio, en comparación con los niños que utilizaron un videojuego de acción diferente diseñado como un placebo.

El juego de Akili consiste en una aventura a través de un río de lava fundida que conduce a los participantes a un país de las maravillas invernal, recompensándolos con estrellas y puntos a medida que completan tareas. Según la compañía, el secreto del videojuego se encuentra en un diseño con base en un sistema de entrega de algoritmos específicos que actúan como un dispositivo médico para activar ciertas redes neuronales.

Desde luego, hablamos de una categoría de videojuegos completamente distinta a las convencionales que, de ser aprobada por las autoridades médicas, significaría un gran avance en el tratamiento de condiciones clínicas tanto en niños como en adultos. En esto, Akili viene construyendo un portafolio de trabajo importante que puede traer grandes beneficios para la salud mental y el bienestar de millones de personas, tal y como lo fue hace un año su proyecto de un videojuego como herramienta de detección del Alzheimer. 

En el estudio de Akili, solo 11 de los participantes informaron eventos adversos como dolor de cabeza y frustración, sin embargo, estos fueron mucho más leves que los efectos secundarios habituales asociados con los medicamentos utilizados a menudo para tratar el TDAH.

“Apuntamos directamente a las vías neurológicas clave”

De acuerdo con Martucci, la compañía está apuntando de forma directa a las vías neurológicas que controlan la atención y la impulsividad, por lo que esperan recibir el apoyo de FDA (U.S. Food and Drug Administration) para que este proyecto pueda concretarse como una herramienta novedosa para el tratamiento del TDAH.

No obstante, siguen habiendo preguntas que tendrán que ser bien explicadas por Akili para recibir este respaldo. Por ejemplo, los padres y médicos que sirvieron de observadores durante el estudio percibieron subjetivamente el mismo grado de mejoría en el comportamiento de los niños que estuvieran jugando el videojuego placebo Vs. el juego terapéutico.

Además, queda pendiente el tema de los médicos y las aseguradoras que podrían querer aceptar el innovador método de Akili en comparación con las técnicas de uso tradicional, a pesar de que la FDA aprobó recientemente otros métodos futuristas, como la primera píldora que puede alertar a su médico cuando la traga y la primera aplicación móvil para ayudar a los pacientes a controlar ciertos trastornos por consumo de sustancias.

Fuente: Scientific America; STAT News

 

 

 

Esquizofrenia na criança e no adolescente

Outubro 15, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 28 de setembro de 2017.

A esquizofrenia é uma doença mental crónica, incurável, que limita o doente ao nível escolar, profissional e das relações afectivas e sociais. O diagnóstico surge, frequentemente, no final da juventude ou da adolescência. Nos homens inicia-se, maioritariamente, entre os 15 e os 25 anos e nas mulheres entre os 25 e os 30 anos. No geral, permanece durante toda a vida, alternando períodos de melhoria com recaídas.

As causas da esquizofrenia ainda não são totalmente conhecidas. Porém, sabe-se que intervém alguns factores biológicos:

– Genes: se um dos progenitores for esquizofrénico, há uma probabilidade, de 10 a 15% de os filhos também virem a sê-lo. Se os dois progenitores tiverem a doença, o risco aumenta para 40%. Sendo os filhos gémeos, a probabilidade é de 10% para os falsos e 50% para os verdadeiros;

– Estado de saúde da mãe durante a gravidez e parto: desnutrição, infeções virais e complicações durante o parto;

– Desenvolvimento neurológico com alterações: os doentes apresentam alterações anatómicas nalgumas zonas do sistema nervoso;

– Alterações nos neurotransmissores que actuam ao nível das emoções;

– Acontecimentos de vida causadores de stress;

– Vicio de álcool ou drogas.

Sinais de alerta

Os primeiros sinais de alerta são a irritabilidade, o medo, as dificuldades de raciocínio, os sentimentos de estranheza às experiências diferentes do habitual, perturbações ao nível do pensamento, as alucinações (auditivas, visuais, cinestésicas), os delírios, o discurso confuso, pobre e incoerente, comportamento invulgar e desordenado, reduzida expressão das emoções, de menores apetências sociais, da tendência para o isolamento. A doença pode manifestar-se bruscamente, em dias ou semanas, ou pode ser gradualmente evolutiva. Neste último caso é mais problemática, porque como começou por passar despercebida, o doente não recorreu logo de início ao tratamento.

A depressão é um problema frequente dos esquizofrénicos, mas não está definida como característica desta doença. Contudo, quando existe está associada a um pior prognóstico. Considera-se que a depressão surge como reação às consequências da esquizofrenia e leva cerca de 10% destes pacientes ao suicídio.

Patologias similares à esquizofrenia são a doença bipolar, a perturbação de personalidade borderline, o autismo, algumas lesões cerebrais e doenças neurológicas, metabólicas ou infecciosas. Para além do consumo de drogas ilegais, alguns medicamentos e intoxicações por metais pesados podem também ter efeitos semelhantes aos da esquizofrenia. Então, o primeiro passo para identificar a doença será analisar a história clínica (doenças e medicação) do doente, antecedentes familiares e dados do período fetal, consumo abusivo de álcool e drogas, exame físico e avaliação neuropsicológica, funcionamento renal, fígado e tiroide.

Comparativamente a alguns casos de autismo, na esquizofrenia – que implica um limiar de organização mental superior – não se verifica uma evolução positiva. Muitos autistas têm dificuldade em chegar a um sentimento de consciência central; os esquizofrénicos perdem esse sentimento de consciência central.

Nas idades mais jovens há maior tendência a confundir a fantasia própria da idade, com o delírio, causando alguma dificuldade ao diagnóstico. Daí a importância de não “atacarmos” o delírio, mas entendermos as inspirações e o nível cultural de retaguarda, por exemplo. Independentemente, o doente pode apresentar nível intelectual superior.

Outro alerta aos pais prende-se com o facto de uma percentagem significativa dos pacientes esquizofrénicos serem abusados sexualmente.

Tratamento

A eficácia do tratamento da esquizofrenia depende do tempo decorrido entre o aparecimento das alucinações ou delírios e o início da medicação (é preciso ter em conta que os medicamentos podem demorar 4 a 9 semanas a produzir efeito). As terapias psicossociais podem ser úteis, como complemento dos medicamentos, sobretudo para doentes com sintomas psicóticos controlados. Aqui o objectivo é ajudar o doente a relacionar-se com os outros e a controlar o stress. Aliás, todas as medidas que contribuam para reduzir o stress como a prática de desporto, podem ajudar no controlo da doença. E o apoio dos professores na integração destas crianças também é extraordinário.

Todavia, a importância da colaboração da família directa, pais ou outros cuidadores, é fundamental. Porque a criança ou jovem vive no seio de uma família, logo, teremos de intervir, também, a esse nível. Mesmo (ou sobretudo) quando antes idealizamos a infância das nossas crianças. Como defende Coimbra de Matos, não se pode fazer psicoterapia sem se fazer história. Efectivamente, há sempre uma força transgeracional, recente, familiar.

imagem@wykop

Alice Patricio

Alice Patrício, 50 anos, procuro diversificar a minha área de interesses o mais possível, prezo a liberdade, gosto de viajar…

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Hiperatividade

Julho 31, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto publicado no Jornal da Região – Cascais no dia 13 de julho de 2017.

Médico de Família

Hiperatividade

A hiperatividade, corretamente designada de perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA), é uma perturbação do comportamento com base neurológica que afeta cerca de 5% da população em idade escolar e 2,5% de adolescentes e adultos. É um dos problemas de saúde mais investigados, pela sua frequência e impacto ao longo da vida.

Carateriza-se por uma dificuldade em regular a atenção, controlar os impulsos e gerir conflitos bem como, em alguns casos, uma atividade motora excessiva em relação ao esperado para a idade.

Na origem deste problema está uma incapacidade de ativar corretamente as funções cerebrais que permitem o planeamento e organização de tarefas, a gestão do tempo e a memória de trabalho.

Ao contrário do mediatizado, não é a hiperatividade que mais limita a pessoa. É a desatenção, que ao manifestar-se nos diferentes contextos da vida (casa, escola, trabalho), prejudica de forma significativa o funcionamento académico, familiar, laboral e social. A irrequietude não é habitualmente problemática para o próprio, embora seja o lado mais visível e perturbador para quem convive com estas pessoas.

O diagnóstico da PHDA é clínico, baseado na identificação dos sintomas presentes de forma mantida em diferentes situações e ambientes, e na dimensão do seu impacto na qualidade de vida. Não existe nenhum teste sanguíneo ou exame de imagem que seja útil no diagnóstico. É por isso crítico conhecer bem a história de cada criança ou adolescente e do seu contexto envolvente.

Neste processo, pode ser necessária uma avaliação psicológica ou psicopedagógica, com testes que avaliam, além da atenção, outras dificuldades que possam contribuir para as queixas. Podem ser utilizados questionários que registam comportamentos típicos (usualmente preenchidos pelos pais e professores).

O tratamento da PHDA inclui sempre estratégias não farmacológicas definidas caso a caso (intervenção pedagógica, psicológica, apoio e treino parental). A medicação é essencial nas situações mais graves, com grande repercussão no desempenho e auto-estima, sobretudo a partir da idade escolar. O psicoestimulante metilfenidato é o fármaco de 1ª escolha no tratamento da PHDA, com ação positiva nas capacidades de atenção e cognitivas,e consequente redução dos sintomas de hiperatividade e impulsividade. É utilizado de forma regular há mais de meio século a nível internacional, é eficaz e seguro e não é, ao contrário do difundido, um calmante.

A decisão de se iniciar medicação é tomada caso a caso e os pais são sempre envolvidos nessa decisão. As crianças e adolescentes medicados devem ser avaliados regularmente em consultas especializadas (Pedopsiquiatria, Neuropediatria, Pediatria do Desenvolvimento) porque a continuidade do tratamento depende dos ganhos obtidos e eventuais efeitos secundários.

Drª Catarina Figueiredo

Pediatra do Desenvolvimento,

Departamento da Criança

Hospital de Cascais

 

A esquizofrenia na infância: Como detectar a esquizofrenia nas crianças

Junho 11, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.psicologiasdobrasil.com.br/de 30 de maio de 2017.

Como detectar a esquizofrenia em crianças.

A esquizofrenia é uma enfermidade médica que causa pensamentos e sentimentos estranhos e um comportamento pouco usual. É uma enfermidade psiquiátrica pouco comum em crianças, e é muito difícil ser reconhecida em suas primeiras etapas. O comportamento de crianças e adolescentes com esquizofrenia pode diferir dos adultos com a mesma enfermidade.

É uma desordem cerebral que deteriora a capacidade das pessoas para pensar, dominar suas emoções, tomar decisões e relacionar-se com os demais. É uma enfermidade crônica e complexa que não afeta por igual a quem sofre dela.

Estimativas da esquizofrenia

A esquizofrenia é uma enfermidade mental que afeta menos de 1% da população mundial, com independência de raças, civilizações e culturas. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), afeta uns 52 milhões de pessoas em todo o mundo.

No Brasil, estima-se que 1,8 milhão de pessoas são afetadas por esta doença.

Como detectar a esquizofrenia nas crianças?

As esquizofrenias que aparecem antes dos 5 anos, têm traços extremamente comuns ao autismo, e somente com uma evolução posterior, com o aparecimento de sintomas psicóticos, propriamente ditos, permitirá um diagnóstico certo. Antes dos 3 anos, o diagnóstico diferencial é muito improvável.

É praticamente impossível distinguir uma esquizofrenia de um autismo. Somente ficará esclarecido com o passar do tempo. A partir dos 5 anos o diagnóstico diferencial vai-se esclarecendo com a presença de sintomas psicóticos (alucinações, delírios) na esquizofrenia.

Mas pode-se notar alguns sinais de alerta nas crianças com esquizofrenia. O comportamento de uma criança pode mudar lentamente com o passar do tempo. Por exemplo, as crianças que desfrutavam, relacionando-se com outros, podem começar a ficar tímidas e retraídas, com se vivessem em seu próprio mundo. Às vezes começam a falar de medos e ideias estranhas. Podem começar a ficar obstinados pelos pais e a dizer coisas que não fazem muito sentido. Os professores podem ser os primeiros a perceberem esses problemas.

A esquizofrenia é hereditária?

Se na família houve outros antecedentes familiares de esquizofrenia, pode ser hereditária, mas numa porcentagem relativamente baixa (não supera os 25% de possibilidades), mas se a esquizofrenia desencadeou por fatores de estresse ambiental, ou por outras causas que não são genéticas, não há razão para herdá-la.

O que se deve fazer?

As crianças com esses problemas e sintomas devem passar por uma avaliação integral. Geralmente, essas crianças necessitam de um plano de tratamento que envolva outros profissionais. Uma combinação de medicamentos e terapia individual, terapia familiar e programas especializados (escolas, atividades, etc.) são frequentemente necessários. Os medicamentos psiquiátricos podem ser úteis para tratar de muitos dos sintomas e problemas identificados. Estes medicamentos requerem a supervisão cuidadosa de um psiquiatra de crianças e adolescentes.

Formas de esquizofrenia

Nem todas as esquizofrenias são iguais, nem evoluem da mesma maneira. Uma vez realizado o diagnóstico, os profissionais as dividem em quatro:

– PARANÓIDE: É a mais frequente. Caracteriza-se por um predomínio dos delírios sobre o resto dos sintomas, em particular, delírios relativos a perseguição ou suposto dano de outras pessoas ou instituições para o paciente. O doente está desconfiado, inclusive irritado, evita a companhia, olha de relance e com frequência não come. Quando é questionado, dá respostas evasivas. Podem acontecer alucinações, o que gera muita angústia e temor.

– CATATÔNICA: É muito mais rara que a forma anterior, e se caracteriza por alterações motoras, seja por uma imobilidade persistente e sem motivo aparente ou agitação. Um sintoma tipico é a chamada obediência automática, segundo a qual o paciente obedece cegamente todas as ordens simples que recebe.

– HEBEFRÊNICA: É menos frequente, e ainda que também podem dar-se a idéias falsas ou delirantes, o fundamental pode aparecer ants que a paranóide e é muito mais grave, com pior resposta à medicação e evolução mais lenta e negativa.

– INDIFERENCIADA: Este diagnóstico se aplica àqueles casos que sendo verdadeiras esquizofrenias não reúnem as condições de nenhuma das formas anteriores. Pode-se utilizar como uma “gaveta de alfaiate” em que se inclui aqueles pacientes impossíveis de serem definidos.

Tratamento da esquizofrenia

O tratamento dos processos esquizofrênicos podem ficar reservados para o psiquiatra. Requer o emprego de medicamentos difíceis de empregar, tanto pela limitação dos seus efeitos como pela quantidade de reações adversas que podem provocar. Em geral, os sintomas psicóticos antes citados, correspondem a dois grandes grupos:

– Sintomas “positivos”, ou produtivos. Refere-se a condutas ou modos de pensamento que aparecem na crise psicótica, em forma auditiva (novas condutas se somam às existentes). São os delírios e as alucinações, fundamentalmente. Neste caso, a palavra “positivo” não tem conotações favoráveis; significa simplesmente que “algo se soma ou se acrescenta”, e esse “algo” (delírios, alucinações) não é, em absoluto, nada bom.

– Sintomas “negativos”, ou próprios da deterioração: diminuição das capacidades com o aparecimento de sinais de fraqueza e debilidade. Distúrbios psíquicos, perda de ânimo afetivo, dificuldade nas relações interpessoais, incapacidade para trabalhar, etc. São ao principais sintomas negativos. Pois bem, os tratamentos básicos antipsicóticos (neurolépticos, eletrochoque) podem atuar mais ou menos sobre os “sintomas positivos”. Mas não temos nada que atue de forma brilhante sobre os “negativos”. Somente o emprego de alguns neurolépticos concretos ou de antidepressivos, a doses baixas, pode ser de alguma ajuda. Seu manejo exige muitíssimo cuidado, pois podem reativar uma fase aguda da esquizofrenia. O eletrochoque se reserva para os casos de baixa resposta aos neurolépticos, ou para quadros muito desorganizados com riscos físicos para o paciente (condutas auto-agressivas, por exemplo). Sua utilidade é na fase ativa, e somente para os sintomas “positivos”.

Imagem de capa: Shutterstock/pictoplay

Fontes:

– American Academy of Child and Adolescent Psychiatry (AACAP)

Guia Infantil

 

 

 

 

Acupuntura reduz dor crónica em crianças

Janeiro 31, 2016 às 8:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Noticia do site http://www.pipop.info de 18 de janeiro de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

The Use of Acupuncture for Pain Management in Pediatric Patients: A Single-Arm Feasibility Study

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Fonte: Medical News Today
Um grupo de pesquisadores norte-americanos acredita que a acupuntura pode ser usada como um tratamento complementar eficaz e seguro para ajudar a reduzir a dor crónica nas crianças.

As conclusões surgem de uma pesquisa que avaliou os efeitos desta terapia no tratamento da dor crónica em 55 crianças e adolescentes, que tinham entre 7 e 20 anos de idade. Cada criança e/ou adolescente realizou oito sessões de acupuntura, cada uma com uma duração de 30 minutos.

Os cientistas da Universidade Rush, liderados pelo oncologista pediátrico Paul Kent, reforçam que todos os doentes pediátricos relataram uma redução significativa e progressiva da dor no decorrer do tratamento, bem como apresentaram menor incidência de problemas de saúde a vários níveis: emocional, social e educacional.

Num artigo publicado na revista Alternative and Complementary Therapies, a equipa indicou ainda que os efeitos relatados pelas crianças e pelos próprios pais eram mais significativos no início do tratamento e durante as sessões.

Paul Kent sublinha que “a acupuntura oferece uma alternativa importante para o tratamento da dor crónica” e reforça que os efeitos são particularmente relevantes no caso de “pacientes que podem ter de lidar com a dor na maior parte da sua vida, incluindo aqueles que têm anemia falciforme e sequelas de cancro. Além disso, a acupuntura ajuda no combate à ansiedade e depressão”.

 

 

1.1 milhões de infecções por VIH em crianças evitadas desde 2005, diz a UNICEF

Dezembro 1, 2014 às 2:14 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Comunicado de imprensa da Unicef de 28 de novembro de 2014.

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NOVA IORQUE/LISBOA, 28 de Novembro de 2014 – Um número estimado em 1.1 milhões de infecções por VIH entre crianças menores de 15 anos foi evitado, dada a diminuição de casos novos em mais de 50 por cento, entre 2005 e 2013, segundo dados revelados hoje pela UNICEF, antecipando o Dia Mundial da SIDA.

Este extraordinário progresso é resultado do aumento do acesso de milhões de mulheres grávidas que vivem com o VIH a serviços de Prevenção da Transmissão de Mãe para Filho (prevention of mother to child transmission – PMTCT). Estes incluem o tratamento do VIH durante toda a vida, que reduz significativamente a transmissão do vírus aos bebés e mantém as suas mães vivas e em boas condições.

“Se conseguimos evitar 1.1 milhões de novas infecções por VIH em crianças, podemos proteger todas as crianças do VIH – mas apenas se conseguirmos chegar a todas as crianças,” afirmou Anthony Lake, Director Executivo da UNICEF. “Temos de acabar com as desigualdades, e fazer mais para chegar a todas as mães, todos os recém-nascidos, todas as crianças e todos os adolescentes com programas de prevenção e tratamento de VIH que podem salvar e melhorar as suas vidas.”

Os declínios mais acentuados ocorreram entre 2009 e 2013 em oito países africanos: Malawi (67%); Etiópia (57%); Zimbabwe (57%); Botswana (57%); Namíbia (57%); Moçambique (57%); África do Sul (52%) e Gana (50%).

Mas o objectivo global de reduzir as novas infecções por VIH em 90 por cento entre 2009 e 2015 continua fora do alcance. Apenas 67 por cento das mulheres grávidas que vivem com VIH em todos os países de baixo e médio rendimento receberam os medicamentos anti-retrovirais mais eficazes de Prevenção da Transmissão de Mãe para Filho em 2013.

As disparidades no acesso a tratamento são um entrave ao progresso. Ente as pessoas que vivem com VIH em países de baixo e médio rendimento, os adultos têm muito maior probabilidade de aceder a terapia anti-retroviral (TAR) do que as crianças. Em 2013, 37 por cento dos adultos maiores de 15 anos receberam tratamento, percentagem que nas crianças (entre os 0 e os 14 anos), foi de apenas 23 por cento, ou seja, menos de 1 em cada 4.

As tendências de mortalidade devida à SIDA nos adolescentes também são motivo de preocupação. Enquanto em todos os outros grupos etários se verificou um declínio de quase 40 por cento das mortes relacionadas com a SIDA entre 2005 e 2013, os adolescentes (10-19 anos) são o único grupo no qual as mortes relacionadas com a SIDA não estão a baixar.

A ‘Actualização Estatística sobre Crianças, Adolescentes e a SIDA’ da UNICEF (Statistical Update on Children, Adolescents and AIDS) é a mais recente análise de dados globais sobre crianças e adolescentes desde o nascimento até aos 19 anos de idade.

Mais informação:  http://childrenandaids.org

 

 

 

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