Há sinais de novas formas de exploração infantil em Portugal

Junho 28, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia da Rádio Renascença de 12 de junho de 2018.

Isabel Pacheco

O fenómeno do trabalho infantil em Portugal está em queda, mas há uma nova realidade à espreita, que passa pela exploração de crianças migrantes. Alerta parte de especialista da Universidade do Minho, neste Dia Mundial de Luta Contra o Trabalho Infantil.

Há sinais de novas formas de exploração infantil em Portugal. O alerta é deixado neste Dia Mundial de Luta Contra o Trabalho Infantil por um especialista do Instituto da Criança da Universidade do Minho (UMinho).

“As organizações internacionais reportam Portugal como um dos países em que o fenómeno de migrações pode estar associado à exploração de crianças, designadamente aquilo que são as piores formas, que consistem na exploração sexual ou no envolvimento dessas crianças em redes criminosas”, alerta, em declarações à Renascença, o investigador Manuel Sarmento.

As dimensões do fenómeno ainda não são conhecidas com rigor, mas não há dúvidas de que são necessárias “respostas”, avisa o especialista da UMinho, para quem esta “é a altura de se criar um grupo de missão” para a proteção dessas crianças migrantes.

“Suponho que o problema se vai intensificar justamente pelas políticas que se verificam em certos países, como é o exemplo de Itália, que começa a fechar fronteiras. Não havendo acolhimento nesses países, a fuga vai para outros mais acolhedores, como Portugal, e é importante que estejamos preparados para isso. Temos de estar mais atentos”, remata Manuel Sarmento.

Números “residuais” que não deixam de preocupar

Os dados oficiais mostram que o trabalho em Portugal é um fenómeno em queda. Os números das comissões de proteção de crianças e jovens e da Autoridade para as Condições do Trabalho apontam, em 2017, para 15 casos de exploração de menores em Portugal, um valor “residual” , diz Fátima Pinto, da Confederação Nacional de Ação Sobre o Trabalho Infantil (CNASTI), quando comparado com as cifras da década de 80 do século passado: 40 mil crianças.

Os números de hoje não deixam, contudo, de preocupar a CNASTI, sobretudo, os que se verificam no “meio artístico” e no “desporto de alta competição”.

“O trabalho infantil no meio artístico é muito bem aceite, mas tem situações de grande exploração porque as crianças trabalham muito mais horas que deviam. Há situações também de exploração no desporto”, diz Fátima Pinto.

“Por mais agradável que o trabalho possa parecer, há sempre o lado da criança que precisa de ser salvaguardado. Entre a economia e a fama, a criança tem de ficar em primeiro lugar “, adverte.

O trabalho infantil, explica a responsável da CNASTI, é “uma realidade dinâmica” à qual nem a escolaridade obrigatória nem a legislação conseguiu, até agora, colocar um ponto final definitivo.

 

InfoCEDI n.º 48 Sobre Trabalho de Crianças no Mundo do Espetáculo

Novembro 13, 2013 às 6:00 am | Publicado em CEDI, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

infocedi

Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 48. Esta é uma compilação abrangente e actualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre Trabalho de Crianças no Mundo do Espetáculo.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line e pode aceder a eles directamente do InfoCEDI, Aqui

Brasil indigna-se contra publicidade com menina de três anos em poses ‘erotizadas’

Outubro 22, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia da Visão de 17 de Outubro de 2013.

ero ero2

Uma marca brasileira que vende malas e sapatos lançou no sábado passado uma campanha em que uma criança de três anos surge em poses que uma avalanche de comentários no Facebook classifica como “erotizadas”. A mãe da “modelo” não compreende a “tempestade num copo de água”

A empresa fala em “interpretação distorcida” do conteúdo da campanha, mas o organismo que regula a publicidade no Brasil aceitou as largas dezenas de queixas recebidas e abriu um processo contra a marca.

Em causa estão fotografias de uma menina de três anos, apenas em roupa interior e acessórios de senhora, em poses de modelo adulta.

Além das centenas de comentários negativos que as imagens receberam no Facebook, vários publicitários juntaram as suas vozes ao coro de críticas, evocando a legislação do setor, que diz que “crianças e adolescentes não deverão figurar como modelos publicitários em anúncios que promovam o consumo de quaisquer bens e serviços incompatíveis com a sua condição”.

“É uma campanha extremamente de mau gosto e desrespeitosa em relação às crianças”, condena Inês Vitorino, que lidera um grupo de investigação sobre a relação das crianças com os meios de comunicação, da Universidade Federal do Ceará. “A marca é para o consumo de adultos e coloca a criança extremamente erotizada, numa situação absolutamente desnecessária”, sublinha.

A mãe da menina já veio a público afirmar que tudo não passa de uma “tempestade num copo de água” e que não vê qualquer aspeto negativo na campanha.


Entries e comentários feeds.