Querido ecrã, precisamos de dar um tempo

Fevereiro 26, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Life & Style / Público de 12 de Fevereiro de 2014.

michael kooren  reuters

Por Hugo Pereira, fisiologista do exercício

Quanto menor e mais tardia for a exposição de crianças aos estímulos de computadores, tablets e smartphones, maiores os ganhos de saúde.

Um pouco por todo o mundo tem-se assistido a um enorme aumento do tempo que as crianças passam em frente a um ecrã – computador, televisão, consolas ou smartphones e tablets. Este é, para eles, o seu passatempo favorito. Contudo, é possível que este novo padrão esteja relacionado com o aumento do peso, pela sua relação com outros comportamentos menos saudáveis, como a alimentação desregulada, padrão irregular de sono e a diminuição da actividade física.

De acordo com uma revisão de estudos, existe uma relação directa entre o “tempo de ecrã” e o risco de desenvolver diabetes de tipo 2, doença cardiovascular e com o risco de morte por qualquer causa em adultos. A associação entre o “tempo de ecrã” e os factores de risco aponta para valores superiores a duas horas por dia como sendo problemáticos. Nas crianças, o “tempo de ecrã” parece estar associado à gordura abdominal, ao índice de massa corporal e a outros factores de risco, independentemente da actividade física, apresentando relação directa com problemas de atenção. Segundo esta fonte, as entidades europeias devem considerar o “tempo de ecrã” como um comportamento separado do restante tempo sedentário.

Quanto menos e mais tarde a criança for exposta a estes estímulos, maiores os ganhos de saúde. Há alguma evidência de que o “tempo de ecrã” possa ser reduzido através de medidas simples e sistemáticas de ruptura com os padrões estabelecidos e, sobretudo, através da consciência parental.

De acordo com uma alargada revisão da literatura publicada já este ano, é relativamente difícil alterar uma actividade habitual pela imposição. Porém, é possível reduzir o “tempo de ecrã” se forem utilizadas estratégias que possibilitem o envolvimento da família como modelo de actuação que atrai a criança para longe do ecrã ou simplesmente lhe proporciona a oportunidade de escolher conscientemente como quer gastar o seu tempo livre.

Nesta linha, o Departamento de Saúde Norte-Americano estabeleceu a redução da exposição aos ecrãs como uma das prioridades do seu plano de saúde a dez anos. Advogam que crianças até aos dois anos de idade não devem ter contacto com ecrãs e que os adolescentes permaneçam até ao máximo de duas horas por dia neste tipo de actividade.

Pensando numa alternativa positiva, podemos considerar os jogos de vídeo activos como opção à actividade puramente sedentária, já que representam ligeiros aumentos da actividade física. Porém, a estratégia global pode e deve estender-se a outras actividades sem ecrã e que idealmente envolvam toda a família. Talvez as brincadeiras de trepar às árvores e corridas de apanhada de outros tempos possam ser recuperadas ou, simplesmente, tenha chegado a altura dos pais aprenderem a andar de skate com os seus filhos.

Fisiologista do exercício e Personal Trainer
Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa
hpereira@fmh.utl.pt

 

Sabem mexer num iPad, mas não seguram um lápis

Dezembro 20, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da TVI24 de 2 de Dezembro de 2013.

Mais informação no artigo:

survey finds majority of people disagree with iPads in nurseries

As crianças de hoje não conseguem levar a cabo pequenos exercícios de motricidade fina

Por: tvi24 / CF

As novas gerações ganham prematuramente contacto com os chamados «touch screens», mas não conseguem segurar num lápis. Podem não saber andar ou falar, mas os aparelhos que funcionam através do toque não constituem um segredo ou um bicho-de-sete-cabeças. Parece magia, mas eles dominam os smartphones e companhia com a mesma perícia dos adultos e até inveja para as gerações mais velhas.

No entanto, ganham-se umas batalhas e perdem-se outras. Uma especialista em literacia chegou à conclusão de que a «geração iPad» não consegue executar tarefas básicas relacionadas com a motricidade fina, como sejam o pegar num lápis ou numa caneta para escrever.

Sue Palmer, citada pelo «Daily Mail», não concorda com a revisão dos objetivos para o pré-escolar e para o básico – as crianças devem saber reconhecer a tecnologia-, argumentando que as «crianças até aos sete anos devem ter vidas reais, num espaço real e num tempo real, ou seja, precisam de ter experiência tridimensionais».

A «intoxicação» com nova tecnologia, que faz com que alguns infantários invistam em iPads para bebés, faz com que haja crianças hoje em dia com dificuldades em aprender a ler e a escrever.

A investigadora explica que as crianças não conseguem focar-se em algo que leva mais tempo a aprender, em comparação com a gratificação quase instantânea que o sistema informático lhes oferece.

A associação britânica de infantários (Daynurseries.co.uk) chama a atenção ainda para outros problemas, nomeadamente, o problema da sedentarização das crianças. «Expor crianças tão novas à tecnologia pode ser perigoso», alertam os especialistas, considerando que não há estudos exaustivos sobre o efeito da tecnologia nos bebés e apesar das diretivas governamentais irem nesse sentido. Pressionados, muitos infantários já gastaram milhares em tecnologia de ponta.

O vídeo mostra como funciona uma escola «Steve Jobs», o fundador da Apple.

 

Crianças tecnológicas. Tablets estão a chegar às salas de aulas

Setembro 9, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 31 de Agosto de 2013.

Por Marta F. Reis

O i esteve num colégio que arranca este ano com tablets no primeiro ciclo. E numa sala de pré-escolar onde as novas tecnologias não deixam ninguém atrapalhado

“Acho que acabei de descobrir uma coisa que nem sei bem o que é.” Guilherme, de sete anos, navega pelo Espaço numa aplicação no iPad. No ecrã, um pedregulho com poeira à volta. Toca num painel para saber a resposta. “Ah, é um comets”, diz. A aplicação está em inglês, mas isso não atrapalha a experiência na sala de aula, um exemplo das muitas que vão ter no próximo ano lectivo. Agora é uma nave espacial, apontamos. “É um satélite”, corrige.

As aulas começam dia 9 no Colégio da Fonte Velha, em Sintra, um dos três do mesmo grupo educativo que este ano arranca com uma parceria com a Apple, que vai reforçar o uso de novas tecnologias na sala de aula. Guilherme e outros colegas do primeiro ciclo mostram as aplicações que já têm instaladas. Mapas-múndi onde podem navegar por diferentes eras geológicas ou conhecer culturas distantes, aplicações com exercícios de matemática ou instrumentos musicais são alguns dos exemplos que sacam em menos de nada, cada um a querer mostrar que tem mais aplicações do que o outro. Mariana conta que nas férias a mãe já a ensinou a tocar os parabéns e o pau ao gato no xilofone do tablet. E alguma vez viste um xilofone a sério, perguntamos. “Tenho um em casa, mas não dá tanto jeito.”

A empresa que lançou o tablet há três anos tem vários projectos destes espalhados pelo mundo e em Março lançou o desafio às escolas nacionais. O grupo educativo com oferta de pré-escolar e primeiro ciclo em Sintra, e que este ano arranca com um colégio que terá todos os ciclos em Braga, foi o primeiro a agarrar o desafio e começa este ano a usar tablets. No pré-escolar, estarão nas salas para apoio aos educadores. A partir do primeiro ciclo, cada aluno terá o seu. A maioria já os usava em casa, para brincar. Vasco, de sete anos, diz ter começado aos três, a jogar “Subways Surfs.” Todos sabem de que é que ele está a falar, menos as jornalistas. “Agora é para brincar e para aprender”, resume Vasco. “Vamos aprender mais.”

Sofia Homem Cristo, directora curricular, chama-lhe o início da desmaterialização do ensino. Podiam ter optado por um formato radical, onde se eliminaria manuais escolares ou cadernos, mas entenderam que ainda não é altura. “Talvez daqui a dez anos”, diz. Para isso, defende, é preciso isto generalizar-se a todas as escolas, é preciso uma mudança maior no ensino, para uma aprendizagem mais activa. “Começámos a fazer esse trabalho nos colégios. Além dos currículos normais, incentivamos a investigação e trabalho em grupo desde o pré-escolar”, diz. Nas salas de aula, as carteiras não estão viradas para o quadro, mas em grupos. Apesar de dizer estarem já num paradigma diferente, onde cada sugestão dos alunos pode tornar-se matéria de ensino – há dois anos um ataque de soluços levou a sala dos 4 anos a estudar o sistema nervoso central – optaram por ir com calma. Materiais convencionais e avançados vão assim conviver em todas as disciplinas, mesmo em educação musical. Quer dizer que os alunos vão deixar de tocar piano a sério? “Não, mas por vezes vão poder tocar todos ao mesmo tempo, algo que até aqui não era possível. Vão poder experimentar outros instrumentos que não temos fisicamente, como bateria ou guitarra eléctrica. Vem aumentar as experiências e o potencial de aprendizagem”, defende a responsável.

Nesta revolução, há outros elementos que podem causar estranheza. Sofia conta que vão poder usar uma aplicação que serve de microscópio e ampliar animais 20 mil vezes. E deixam de usar o microscópio real, insistimos, ou de dissecar uma rã? “Se calhar as crianças não precisam de manter um animal para ter essa experiência. Podemos ir para a serra de Sintra e aumentar animais e plantas vivos. Ganhamos mais do que perdemos.” Perdem o herbário em papel, por exemplo. Em vésperas de o programa arrancar a sério, não há espaço para nostalgia? “Esta é a tendência. Houve dúvidas e medos dos pais, até sobre se os filhos conseguiam adaptar-se. Por isso começámos a trabalhar em Maio, para que todos soubessem utilizar os aparelhos e para que fossem eles a instalar as aplicações que os filhos vão usar. A nostalgia não nos vai dar de comer daqui a 20 anos. Eles têm de dominar as tecnologias, têm de saber falar um bom inglês. O ensino tem de se ir adaptando.”

Entre os sinais de mudança, há estudos, ideias, mas poucas respostas. Ainda esta semana, resultados da participação portuguesa no projecto EU Kids Online, revelaram que as crianças até aos oito anos usam cada vez mais internet. “Ainda não estão estudados os seus aspectos positivos e negativos”, concluíram os autores.

Nos Estados Unidos, peso pesado da indústria das aplicações, a desmaterialização do ensino vai mais avançada. Amy Jordan liderou entre 1996 e 2013 o departamento de media e desenvolvimento de crianças da Universidade da Pensilvânia, um dos pólos académicos mais especializados no tema.

Ao i, resume o que se pensa sobre esta geração tão cedo habituada a ecrãs tácteis, aplicações e internet. “Como qualquer tecnologia, os efeitos dependem de como é usada. As crianças que têm acesso a aparelhos de ecrã táctil podem usá-los para aprender e explorar o mundo, sobretudo se houver um pai ou professor a guiá-los”, diz. “Mas se as crianças não tiverem espaço para ficarem aborrecidas, então estes aparelhos podem tirar-lhes a capacidade de ser criativos na forma como utilizam o seu tempo para brincar. Há também preocupações com o acesso a conteúdos pouco apropriados ou que no futuro estas crianças tenham mais dificuldade em concentrar-se em tarefas difíceis.”

Nos EUA, há uma recomendação oficial: gadgets não devem ser usados por crianças com menos de dois anos. Amy Jordan concorda. “A Associação Americana de Pediatria fez essa recomendação com base em décadas de investigação sobre a forma como as crianças precisam de interagir fisicamente com o ambiente que as rodeia e de ter feedback de pessoas reais para se desenvolverem.” A partir daí, defende que a integração deve ser progressiva. “Uma das coisas interessantes acerca das novas tecnologias é que mudaram tanta coisa na forma como vivemos mas não mudaram ainda a educação. Devemos reconhecer que já têm um papel significativo na vida das crianças e que estes aparelhos podem ser aproveitados para tornar a aprendizagem mais cativante.” Só quem nunca viu uma criança de três anos pegar num tablet é que duvida da naturalidade com que dominam a máquina.

Estamos na sala do pré-escolar do colégio O Barco do Mimo, dos três aos cinco. Gabriel, de três, aprende em segundos a vencer o jogo que levamos no tablet, que implica fazer a personagem deslizar por túneis e prender-se a lianas para ganhar moedas. Se no colégio de Sintra este tipo de gratificações dos jogos vão servir para aumentar o interesse em matérias curriculares, com aplicações que dão bónus por bom raciocínio matemático ou uma redacção bem feita, ali são, por agora, uma experiência lúdica. Mas a tecnologia está presente como ferramenta de ensino, conta Vanessa Marques, educadora de infância de 38 anos. Na sala, há um portátil para comunicar com os pais mas também para pesquisar temas que vão surgindo. “Dantes muitas vezes não podíamos dar uma resposta imediata. Agora há uma trovoada ou um deles diz que no fim-de-semana esteve numa duna e podemos dar logo resposta à curiosidade, com imagens e sons.”

Mostramos o iPad e perguntamos o que é. “Um tablet”, respondem em uníssono. E serve para quê? “Para brincar.” Seguem–se os jogos preferidos. Inês, de cinco anos, gosta de vestir bonecas no telemóvel do pai. Catarina, de três, gosta de pintar animais. Mais do que nos livros? “Sim”, arrancamos, porque há mais desenhos e mais cores. Miguel, de quatros anos, dispara que só gosta de jogos de guerra. “Só jogo com o meu pai e matamos os maus.” Outra aplicação popular dá para cortar melancias. “É o ninja da fruta”, diz Vanessa, que domina o assunto. Tem uma filha de dois anos que, na hora de dormir, pede a chucha, o iPad e o leite. “Usamos para ler histórias”, diz a educadora, que agora lê menos vezes as histórias em livro, outra tendência partilhado pelas crianças na sala. “Pede para ver a mesma história uma vez, duas vezes e às vezes negociamos a terceira. Depois digo que o iPad vai dormir e ela responde logo que ele não faz óó. Mas adormece mais rápido do que dantes.”

Se o que mudará mesmo ainda está a ser estudado, Vanessa vai recolhendo sinais. “O recurso à internet para explicar o que os rodeia faz com que tenham mais cedo contacto com o mundo real quando dantes usávamos bonecos. Como as aplicações e os jogos não simplificam a linguagem, podem começar a falar mais tarde mas usam menos linguagem de bebé”, conta. São cada vez mais exigentes com as perguntas e sente-se que a famosa idade dos porquês começa mais cedo. E com a ajuda da internet na sala, sabem mais. “Com a idade deles não sabia que havia flores que comiam moscas ou o que era um icebergue. Noto que os que têm menos contacto com tecnologias conseguem concentrar-se mais tempo em actividades manuais. Por outro lado, o uso parece desenvolver um raciocínio mais rápido. ”

Certo é que de tablet ou telefone na mão, a conversa flui menos. “Pode ser o efeito novidade, mas ficam imersos”, diz Vanessa. Na sala do primeiro ciclo em Sintra, a experiência é a mesma. Num inquérito que fazemos junto de 18 pais, essa é das preocupações mais consensuais: que os miúdos se viciem. Mas a maioria entende que os efeitos no desenvolvimento cognitivo são sobretudo positivos, ainda que o lado social possa sofrer. No que estão diferentes? Das características que pomos à discussão – se estão mais criativos, concentrados, sociáveis, perspicazes, hiperactivos, sedentários, espertos ou birrentos – as que colhem mais consenso são a criatividade, a perspicácia e o sedentarismo. Certo é que quando estes pais eram pequenos, eram uma raridade os pais preocupados com a tecnologia. E agora todos têm de pensar nisso. Vanessa Faria Lopes, de 38 anos, é mãe de dois alunos que este ano terão tablets na sala. O maior receio? “A velocidade a que eles vão evoluir e se vamos ser capazes de acompanhar”, diz.

 

 

Webinar Geração Touchscreen: Crianças, Tablets & Smartphones

Setembro 4, 2013 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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tito

Mais informações Aqui

Destinada a pais, encarregados de educação e educadores de jardins de infância, esta apresentação aborda o tema da utilização de dispositivos sensíveis ao toque (touchscreen) tais como tablets (iPad, Android, etc.) e smartphones (iPhone, Android, etc.) na primeira infância. Sem esquecer os benefícios, sobretudo no domínio da aprendizagem e do entretenimento, esta apresentação aborda também os riscos e as soluções para minimizar os riscos da utilização de dispositivos touchscreen por crianças, no domínio da segurança, saúde e bem estar.

Disporemos ainda de uma oportunidade única para colocar perguntas, esclarecer dúvidas e partilhar experiências sobre o assunto.

Orador: Tito De Morais, Fundador do Projecto MiudosSegurosNa.Net

Mais informações e inscrições: http://www.anymeeting.com/PIID=E958DC8387493C

Aumento “substancial” de crianças até aos 8 anos a usar a Internet

Agosto 30, 2013 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 29 de Agosto de 2013.

O relatório mencionado na notícia pode ser consultado na Press Release  do EU Kids Online III Portugal de 29 de Agosto de 2013:

Privacidade de crianças pode estar a ser posta em causa pelos pais

Nos últimos cinco anos houve um “aumento substancial” no uso da Internet por crianças até aos 8 anos, segundo um relatório internacional divulgado, esta quinta-feira, e que alerta para um aumento na exposição a riscos nesta faixa etária.

Os investigadores do projeto EU Kids Online, que conta com participação portuguesa, salientam que há cada vez mais crianças até aos seis anos a usarem aparelhos ligados à Internet, como “tablets” ou “smartphones”.

“Houve um aumento substancial do uso da internet por crianças até aos 8 anos. Mas ainda não estão estudados os seus aspetos positivos e negativos”, refere o relatório.

A coordenadora do projeto EU Kids Online em Portugal, a investigadora Cristina Ponte, lembra que tem sido investigada a utilização da Internet por crianças e jovens entre os 9 e 16 anos, mas que falta informação sobre os comportamentos das crianças com idades inferiores.

“As crianças começam a usar a internet cada vez mais cedo e a falta de competências técnicas, críticas e sociais das crianças mais novas pode fazer aumentar o risco”, refere a professora da Universidade Nova de Lisboa numa nota a propósito do estudo, divulgado esta quinta-feira.

Pegada digital

A pesquisa internacional não conseguiu concluir que as crianças com menos de 9 anos tenham capacidade para se envolver com a internet de uma forma segura e benéfica, sobretudo no que respeita à “socialização digital”.

Os investigadores alertam ainda para a exposição das crianças ao risco pela mão dos próprios pais, avisando que deve haver mais cuidado dos educadores com a imagem dos filhos na internet.

Uma das maiores preocupações está relacionada com fotografias e vídeos dos filhos, colocados pelos pais na internet e o possível efeito que essas publicações podem ter na pegada digital das crianças.

“Alguns pais estão a criar nos seus filhos pegadas digitais em sites de redes sociais que podem alterar políticas de privacidade sem autorização dos utilizadores individuais”, alertam os peritos.

Nas recomendações, o relatório internacional sugere que se criem orientações realistas para pais e encarregados de educação sobre o envolvimento de crianças mais novas com as tecnologias digitais e a internet, dirigidas para grupos etários específicos (dos 0 aos 2 anos, entre os 3-4 anos e dos 5-8 anos).

 

 


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