Morte de bebés pode estar associada a músculos respiratórios

Abril 19, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Sábado

Notícia e foto da http://www.sabado.pt/ de 3 de abril de 2018.

por Diogo Camilo com Leonor Riso

Estudo do University College de Londres com quase 300 bebés vítimas de morte súbita, mostrou mutações nocivas em músculos respiratórios.

A medicina e a ciência têm um papel fulcral na prevenção de doenças e, a cada dia, há novas descobertas que tornam o mundo mais seguro. Agora, um estudo feito por cientistas e médicos britânicos poderá explicar a morte súbita de bebés com menos de um ano.

investigação conduzida pelo Centro de Doenças Neuromusculares do University College London colocou o seu foco no seu falecimento de lactentes – bebés entre os períodos de recém-nascido e pré-escolar – com anomalias genéticas nos músculos respiratórios.

Até à data, a maior parte do esforço científico estava fixada nos problemas cardíacos, mas as respostas deste estudo convidam agora a ciência a debruçarar-se sobre os genes que intervêm na respiração – um caminho que até agora ainda não tinha sido feito.

Nos países mais desenvolvidos, a síndrome da morte súbita do lactente (SMSL) é a principal causa de morte em menores de um ano. Apesar de serem conhecidos factores de risco como a posição de dormir, o tabagismo dos pais ou o calor, desconhecem-se as causas específicas destas mortes.

Os investigadores britânicos decidiram estudar os músculos respiratórios, assim como o diafragma e os músculos intercostais, que facilitam o trabalho dos pulmões. Foram identificados milhares de variantes genéticas presentes nos mortos por SMSL, após observados os genes que intervêm no desenvolvimento cardíaco.

A análise, publicada no jornal científico The Lancet, mostra que entre os bebés falecidos por morte súbita há uma grande proporção de variantes nos genes que codificam o desenvolvimento e funcionamento destes músculos.

O professor do University College London e co-autor deste artigo, Michael Hanna assegurou em entrevista ao El País que o estudo “é o primeiro a relacionar uma causa genética da debilitação dos músculos respiratórios com o SMSL” e sugere que “os genes que controlam o seu funcionamento podem ter um papel importante nesta doença.”

Num duplo estudo clínico, com observações primeiro no Reino Unido e, posteriormente, nos EUA, Hanna e os seus colegas examinaram, no total, o exoma – a parte codificante do genoma- de 278 bebés lactentes que morreram de SMSL. Aí, fixaram-se em concreto no gene SCN4A, que tem um papel importante no desenvolvimento das células musculares, em particular dos pulmões.

Na população em geral, perturbações associadas a este gene incluem vários transtornos de carácter genético como paragens temporárias da respiração ou miopatias. Por sorte, patologias como esta são bastante raras, tendo envolvido apenas 1,4% dos casos estudados.

Para Hanna, o trabalho futuro passa por estudar outros genes e canais de iões causadores de SMSL. Segundo o cientista, haverá “pelo menos 100 genes relacionados com os canais de iões musculares”.

 

 

A adolescência pode ir até aos 24 anos? Os cientistas dizem que sim

Março 24, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Maria Gralheiro

texto do http://observador.pt/ de 5 de março de 2018.

Rita Porto

Marcar o início e o fim da adolescência tem sido um desafio, mas há quem aponte para uma fase que vai dos 10 aos 24 anos. Alimentação, desenvolvimento cerebral e mudanças sociais são as causas.

“Não consigo imaginar um período do desenvolvimento mais desafiante. Sempre que dou uma palestra e pergunto ao público se alguém quer voltar a passar pela adolescência, ninguém quer.”

J. Casey, neurocientista da Universidade de Yale (“Self, Drugs and Self-Control”, Revista Nature)

É a época do crescimento em altura, mas também do aparecimento das borbulhas. Das emoções assolapadas e das desilusões desmedidas. Dos BFF (Best Friends Forever, ou Melhores Amigos Para Sempre) e da zanga constante com os pais. É o tempo do só se vive uma vez e da constante procura de respostas. Da vontade de explorar o mundo, tendo como pano de fundo a insegurança e as dúvidas.

A adolescência está a anos luz de ser uma época fácil na vida dos seres humanos, mas todos, feliz ou infelizmente, passam por ela. É inevitável, mas não dura para sempre. Eventualmente chega ao fim. É capaz é de demorar mais tempo do que o desejado. 14 anos parece-lhe muito? Não é o que pensam os investigadores australianos que defendem que a adolescência é um período compreendido entre os 10 e os 24 anos.

Há várias décadas que se tenta balizar esta fase marcada pelo fim da infância e pela entrada na vida adulta, mas não tem sido tarefa fácil. Este foi o tema de um dos artigos publicado numa edição da revista Nature totalmente dedicada à complexidade da adolescência.

“É muito difícil delimitar-se algo que, no fundo, é uma transformação. Pôr limites é tornar redutora a complexidade humana e a complexidade do desenvolvimento”, diz a psicóloga Patrícia Câmara ao Observador. “Pode servir como baliza para a organização do pensamento, mas não para limitá-lo.”

Definir uma idade para quê?

A verdade é que impôr uma idade-limite na adolescência não é uma ciência exata. Para Bernardo Barahona, psiquiatra e investigador na área da neuropsiquiatria na Fundação Champalimaud, a definição dos limites de idade “depende do objetivo da definição”. Pode ter-se em conta a “maturação do aparelho reprodutor” e o fim desta maturação. Ou usar “um critério baseado em fenómenos fisiológicos” e de “maturação do sistema nervoso central”, que tem por base os desenvolvimentos a nível cerebral.

Pode ainda definir-se do ponto de vista social: um “período” em que se permite ao adolescente ter “comportamentos diferentes”, mas em que também “se exige mais” do jovem até se chegar a um ponto de “total autonomia” em que ele “sai de casa para construir a sua própria família”. A adolescência é também um período da vida em que há “uma janela de oportunidade para aparecerem problemas de saúde mental” como a ansiedade e a depressão.

Stanley Hall, psicólogo norte-americano e autor da obra “Adolescence: Its Psychology and Its Relation to Physiology, Anthropology, Sociology, Sex, Crime, Religion, and Education”, definiu, em 1904, que a adolescência começava aos 14 anos e terminava aos 24. Uma época de turbulência por culpa dos “mass media” e das “atividades imorais” como a dança e o alcoolismo. Mais tarde, no início dos anos 70, um detalhado estudo elaborado pelo pediatra James Tanner sobre o desenvolvimento físico das crianças até à idade adulta definiu que a puberdade começava aos 11 anospara as raparigas, nos rapazes cerca de seis meses mais tarde, e terminava para ambos os sexos pelos 15 anos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, considerou que a adolescência começava aos 10 e terminava aos 19 anos. Já no mês passado, foi publicado na revista Lancet Child & Adolescent um estudo de uma equipa de investigadores da Austrália que considera que, tendo em conta o desenvolvimento dos adolescentes nos dias que correm, esta fase deve ser considerada dos 10 anos aos 24 anos.

Alimentação influencia início da puberdade

De acordo com o artigo da Nature, os dados mais recentes dão conta de que o início da puberdade — que define a entrada na adolescência — se regista mais cedo, em particular em países como os Estados Unidos e a China. E aquilo que se definia como a entrada na idade adulta — e o fim da adolescência — é feito já na casa dos 20, devido às recentes descobertas ligadas ao desenvolvimento cerebral e às mudanças a nível social.

O facto de a puberdade começar cada vez mais cedo — em particular nas raparigas — está, em alguns países, ligado ao excesso de peso e à obesidade nas crianças. Quando Tanner fez o seu estudo numa casa de acolhimento de crianças em Londres, entre 1949 e 1971, a alimentação era escassa e à base de batata e pouca carne. O próprio investigador considerou que uma melhoria na nutrição podia levar a um aparecimento mais precoce da menstruação, por exemplo.

Sara Monteiro, especialista em psicologia clínica e da saúde e em psicologia da educação, sublinha ao Observador o “papel importante da nutrição” e do “acesso à alimentação” na “forma como o corpo se desenvolve” na fase inicial da adolescência.

O que acontece é que tem havido um decréscimo na idade em que a puberdade se inicia. Há meninas com 8, 9 e 10 anos que estão de forma notória na puberdade, com o desenvolvimento mamário e a menstruação em alguns casos”, afirma a investigadora do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde.

O pediatra Frank Biro, especialista em medicina da adolescência no Cincinnati Children’s Hospital (EUA), faz a mesma análise, mas deixa uma pergunta: “Será que elas já são adolescentes?”. Vários estudos demonstram que algumas jovens que entraram mais cedo na puberdade apresentam comportamentos de risco típicos dos adolescentes. Revelaram também, através de exames feitos aos cérebros dos jovens, que o desenvolvimento das amígdalas cerebelosas, zona do cérebro ligada ao processamento das emoções, é influenciado tanto pela idade como pelo início da puberdade, lê-se no artigo da Nature.

A psicóloga Patrícia Câmara propõe um olhar mais social para o início mais precoce da adolescência. “Parece-me que existe maior quantidade de informação e acesso a conteúdos que habitualmente não estavam acessíveis tão cedo — pelo menos não para a maioria dos miúdos — o que acelera, talvez, o início desta etapa de transição entre a infância e a vida adulta. Por outro lado, isso permite que a transição seja menos abrupta, que a entrada na adolescência seja mais progressiva e menos assustadora.”

Fim da adolescência: uma construção social?

Determinar o fim da adolescência, que é marcado pela entrada na idade adulta, é mais complexo, já que não há indicadores físicos como há para o início da adolescência. “Não temos uma definição física equivalente para o fim da adolescência. Não há uma definição clara, porque combina fatores de desenvolvimento físico e social”, refere John Coleman, psicólogo na Universidade de Oxford (Reino Unido), à Nature.

Sarah-Jayne Blakemore, neurocientista da University College London, vai mais longe, ao considerar que o fim da adolescência não passa de uma construção social, variável de cultura para cultura.

A verdade é que, atualmente, a entrada na vida adulta faz-se cada vez mais tarde devido a “alterações demográficas”: “Os marcadores sociais típicos da entrada na vida adulta não existem atualmente”, defende a psicóloga Sara Monteiro, sublinhando que o timing do casamento e da parentalidade se alterou, houve um alargamento da escolaridade obrigatória (além de os jovens ficarem a estudar até mais tarde), e há uma maior dificuldade no acesso ao mercado de trabalho e no acesso à habitação própria.

“Há algumas décadas, as pessoas tinham logo emprego quando terminavam os cursos — e as que não estudavam, também tinham os seus empregos. A partir daí, passavam para desafios como casamento e filhos. A vida de quase todos nós acontecia desta forma e hoje em dia não acontece. Existe uma enorme variabilidade demográfica”, afirma a docente da Universidade de Aveiro.

Atualmente, continua a investigadora do CINTESIS, as pessoas “com 30 e 40 anos não têm empregos estáveis”, não casaram ou não têm relacionamentos amorosos duradouros e “muito menos” têm filhos. “Mesmo as mulheres que quisessem ser mães aos 22 anos, não podem fazê-lo nas mesmas condições que as mães e as avós fizeram. Não têm estabilidade profissional, autonomia habitacional. Até podem ter estabilidade afetiva, mas têm uma maior dificuldade na estabilidade económica.”

Patrícia Câmara destaca ainda o facto de as pessoas, hoje em dia, viverem mais anos, o que permite aos adolescentes “consolidarem” questões identitárias, financeiras e profissionais. “O aumento da longevidade permite o prolongamento das etapas de vida. Não sei se é a barreira final da adolescência que se estendeu, se é a possibilidade de se adquirir mais ferramentas de vida ‘com as costas aquecidas’ que se expandiu.”

Ainda assim, acrescenta a especialista, pode servir para “perpetuar uma situação de autocentração e de dependência [dos pais]”, isto é, de o adolescente perpetuar de forma indefinida o salto para a vida adulta. “Aí estaremos a falar de uma adolescência ou início de vida adulta não com ‘as costas aquecidas’, mas sim ‘com as costas quentes’, o que é bem diferente e tem mais a ver com a dinâmica que se estabelece do que com as alterações do ‘novo mundo’”.

O apuramento da “máquina”

O avanço da ciência permitiu perceber que o cérebro continua a desenvolver-se até mais tarde do que se imaginava. Bernardo Barahona explica que a maturação do cérebro começa a partir dos 10/11 anos, altura em que se dá início a um processo através do qual “as ligações entre os neurónios vão sendo purificadas”, isto é, “são reforçadas as relevantes e aquelas associadas à aprendizagem, e são eliminadas as redundantes”.

A máquina vai ficando mais afinada de maneira a produzir sinais de informação mais limpos de ruído. Isto decorre durante a adolescência e fica concluído na idade adulta”, diz o psiquiatra.

“O desenvolvimento do cérebro vai dos 12/13 anos até aos 25/26 anos nas mulheres e 28/30 anos nos homens, mas não podemos considerar a adolescência esse período todo”, defende Teresa Summavielle, neurocientista e investigadora no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto.

Para a neurocientista, a adolescência é a fase do desenvolvimento “em que há um desequilíbrio entre a maturação da parte racional [do cérebro] e a parte emocional”. O cortex pré-frontal, responsável pelo controlo dos impulsos, pelo controlo das emoções, pela capacidade de planear e pelo adiamento da gratificação, é a última fase do cérebro a ganhar maturidade.

“O lado emocional amadurece mais rapidamente que o racional e isso provoca, num período entre os 16 e os 18 anos, um desequilíbrio em que o comportamento é mais emocional do que racional. Por volta dos 19/20 anos, deve estar terminado e entramos no jovem adulto. Não quer dizer que o cérebro não continue a maturar até mais tarde, mas já não há este desequilíbrio”, adianta Teresa Summavielle.

“O adolescente acaba por ser adolescente biologicamente até mais tarde do que os 17, 18 anos”, acrescenta a psicóloga Sara Monteiro, professora auxiliar convidada da Universidade de Aveiro.

Sim, eles correm riscos. E ainda bem

Bernardo Barahona, docente na Nova Medical School, explica ainda que é o facto de a parte racional do cérebro amadurecer mais lentamente — atingindo um ponto de maturação já depois do 20 anos — do que a que está ligada às emoções que leva os adolescentes a ter comportamentos de maior risco.

Os circuitos neurais e a ligação às emoções amadurecem primeiro. Há um súbito desenvolvimento das emoções e da preocupação com as próprias emoções e com as dos outros. A zanga, o amor, a raiva são mais intensos, a autoestima é muito mais frágil, o impulso de prazer é muito mais difícil de controlar. O adolescente quer a coisa agora, não há travão.”

“Acaba por provocar uma dificuldade na avaliação do risco e como fazem essa avaliação menos cuidada, têm mais problemas”, acrescenta Teresa Summavielle.

Um artigo da Nature, intitulado “Sexo, Drogas e Auto-Controlo”, refere precisamente que os neurocientistas compararam o cérebro de um adolescente ao de um carro com um excelente acelerador, mas com travões defeituosos.

É um facto que os adolescentes correm mais riscos que os adultos. A mortalidade nos jovens entre os 15 e os 19 anos é 35% superior àqueles que têm entre 10 e 14 anos. A maior causa de morte nos adolescentes são os acidentes de viação, mas a automutilação e outras formas de violência também se destacam no ranking.

A influência dos pares no comportamento de risco é igualmente destacada neste artigo. Um estudo de 2009 pôs adolescentes a jogar um jogo, em que lhes era dito que tinham de conduzir um carro que tinha de passar por 20 semáforos em apenas seis minutos. Quando jogavam sozinhos, corriam os mesmo riscos que um adulto — passar um sinal vermelho, por exemplo, arriscando-se a chocar contra um outro carro. Contudo, quando eram informados de que os amigos estavam a assistir, corriam muitos mais riscos. E quando lhes era dito que estavam a ser observados pela mãe tinham o comportamento inverso: arriscavam menos.

Estes dois factores de influência no comportamento dos adolescentes ativaram também áreas distintas no cérebro: quando lhes era dito que estavam os amigos a assistir, a área do cérebro ligada à recompensa era ativada, enquanto que a presença da mãe ativava a área do cortex pré-frontal (ligada ao controlo).

Mas nem todos se comportam desta maneira, sublinha Teresa Summavielle. “Os adolescentes correm mais riscos quando sabem que os amigos estão a ver, e alguns adolescentes, sobretudos os mais provocativos, escolhem fazer aquilo que vai contra o que os pais desejam, mas não todos.”

Estudar o funcionamento do cérebro de um adolescente, e de que forma isso influencia o seu comportamento de risco, pode ajudar na criação de normas e leis relacionadas com a condução nos jovens e as punições aplicadas àqueles que praticam crimes violentos — isso já está a acontecer nos Estados Unidos, com os investigadores a partilharem informações com o sistema de Justiça.

Para Teresa Summavielle, uma vez que é “claro que o período de reformatação cerebral se prolonga até bastante mais tarde que os 18 anos”, isto deveria ser tido em conta “nas políticas de apoio à adolescência”. “Continuamos a ter os adolescentes que estão ao cuidado do Estado a serem ‘expulsos’ do sistema quando completam 18 anos, o que é claramente demasiado cedo.

A Nova Zelândia, por exemplo, fez uma revisão na política de proteção das crianças no ano passado. Relatórios davam conta de que os adolescentes não estavam a lidar bem com o facto de deixarem de se tornar independentes a partir dos 18 anos, por isso o governo neo-zelandês decidiu prolongar o apoio estatal entre os 18 e os 25 anos.

Este desenvolvimento mais tardio do cortex pré-frontal também influencia a forma como “valorizam a recompensa” e o que estão “dispostos a fazer” para obtê-la, explica a neurocientista. “Aquilo que para um adulto não é atrativo, para eles é muito atrativo. O risco que estão dispostos a correr para ter determinada recompensa é muito mais elevado do que um adulto.” A forma como lidam com a decepção também é muito própria desta idade. “Quando têm expectativa de determinada recompensa, a decepção é muito mais intensa do que nos adultos. Têm reações mais violentas, menos pensadas. É uma coisa que se vê muito na sala de aula.”

A falta de noção dos riscos leva também os adolescentes a terem comportamentos que podem pôr em causa a sua saúde na vida adulta, como o consumo de álcool, tabaco, drogas e até um estilo de vida mais sedentário. Mas nem todos os riscos são negativos: os adolescentes consideram que defender um amigo ou convidar alguém para sair é um risco, mas positivo — um risco social. Aliás, o artigo refere que aquilo que, a nível cerebral, estimula o jovem a correr riscos mais negativos para a sua saúde também os impulsiona para os riscos positivos.

Ainda assim, os especialistas sublinham a importância destes comportamentos para o desenvolvimento dos adolescentes. “Eu não diria que queremos que as pessoas deixem de correr riscos. Muitos deles fazem com que eles se tornem adultos em situações seguras”, considera B. J. Casey, neurocientista da Universidade de Yale.  Teresa Summavielle faz a mesma ressalva. “Os adolescentes que não correm riscos provavelmente não vão ser adultos saudáveis. O importante está mesmo nas ferramentas de que estão munidos para poder fazer uma correcta avaliação do risco. Esse é um dos papéis dos adultos, dar-lhes essas ferramentas.”

“Terreno fértil” para conceitos como igualdade de género

A adolescência, em particular entre os 10 e os 14 anos, é também a altura ideal para começar a introduzir conceitos e normas ligados à igualdade de género, graças às várias mudanças pelas quais o cérebro passa durante esta fase da vida. Um outro artigo publicado pela Natureexplica que entre os 9 e os 12 anos, os jovens começam a ter um pensamento mais abstrato, algo que não acontecia quando eram crianças — o pensamento era mais concreto — além de se dar início ao desenvolvimento do cortex pré-frontal.

“É nesta idade que começa a reformatação na forma como os neurónios comunicam uns com os outros”, explica Teresa Summavielle, tal como já tinha dito Bernardo Barahona: fazem-se muitas ligações entre os neurónios, sendo que algumas são reforçadas e outras eliminadas.

Durante a adolescência, assiste-se a um fortalecimento do raciocínio e a um desenvolvimento da criatividade. Os jovens começam a pensar sozinhos e a ter opiniões e crenças próprias. É esse pensamento crítico que se forma nesta fase da vida que permite ao jovem pôr em causa normas de género desiguais, refere o artigo da Nature, que destaca a importância de os adolescentes participarem em discussões sobre a temática da igualdade de género.

Para Teresa Summavielle, os 12 anos são “seguramente” uma boa idade para “‘semear’ valores que permitam um desenvolvimento mais equilibrado, como os que estão associados à interiorização da igualdade entre géneros”. “Aos 10 anos depende muito de criança para criança”, afirma a investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto.

Este tipo de conceitos implicam um arcabouço intelectual que não existe numa criança de sete anos, por exemplo. Eles têm dificuldade em entender coisas abstratas, precisam de referências claras e um bocadinho estereotipadas”, afirma o psiquiatra Bernardo Barahona. “Só na entrada da adolescência é que há maturidade para entender. Além de que é uma fase que se caracteriza por uma enorme curiosidade, pelo pôr em causa as coisas. É um terreno fértil para mudar mentalidades.”

Patrícia Câmara, contudo, não acredita que “haja uma idade propícia para se falar sobre estes temas”. “Efectivamente a plasticidade neuronal da adolescência e as novas competências psiconeuroimunológicas da pré-puberdade e puberdade facilitam a desconstrução de conceitos e viabilizam a discussão reflexiva dos papéis de género. Faz sentido conversar de um ponto de vista crítico que permite pôr em causa estas temáticas, mas não poria a tónica nesta idade. A possibilidade está lá desde sempre, há um processamento inconsciente das coisas”, afirma a psicóloga.

A promoção da igualdade de género, contudo, deve ser promovida desde a infância. O que deve ocorrer na adolescência é uma intensificação destas ideias. A verdade é que esta diferenciação entre o género masculino e feminino começa desde cedo e não tem um fundamento apenas biológico. Prova disso são as causas de mortalidade infantil. Se, em 2016, as causas mais comuns para as crianças entre os cinco e os nove anos eram as mesmas — infeções respiratórias e doenças diarreicas –, isso começa a mudar a partir do início da adolescência. As causas de morte nas raparigas mantêm-se entre os 10 e os 14 anos, mas nos rapazes elas passam a ser acidentes de viação e afogamento. Ainda na adolescência, entre os 15 e os 19 anos, as patologias associadas à maternidade e o auto-flagelo passam as ser as maiores causas de morte nas raparigas e nos rapazes são, mais uma vez, os acidentes na estrada e a violência interpessoal.

A psicóloga Sara Monteiro também sublinha que “todos os estudos” indicam que a prevenção de comportamentos de risco em relação, por exemplo, ao álcool e à violência no namoro “deve ser feito muito precocemente”, mas antes da adolescência é “difícil” porque “não têm esses conceitos”. Ainda assim,  a professora da Universidade de Aveiro acredita que isto pode ser feito “de forma indireta”. “Ainda hoje há muito a separação de brincadeira: são os meninos que brincam com bolas e as meninas com bonecas”.

Este trabalho na forma como se vê o género pode ser feito através da “formação parental” e ao nível das escolas e da comunicação social. “Estas questões de género são promovidas de forma muito subtil e, por vezes, são difíceis de alterar porque estão enraizadas nos pais, nos professores e na forma como atuam”, refere Sara Monteiro. “Para promover essa mudança, a intervenção terá de ser feita em vários níveis e em simultâneo. Queremos atuar nestes pré-adolescentes que ainda estão permeáveis à aprendizagem, que ainda não têm ideias pré-formadas.”

A formação dos pais é particularmente importante nesta questão, uma vez que transmitem estas ideias de género, seja através de uma comunicação explícita, seja através de comportamentos que os próprios pais adotam em casa, lê-se no artigo da Nature. “Se uma criança crescer num ambiente em que não há co-responsabilização das tarefas domésticas, na responsabilidade dos filhos e assistir a isto todos os dias, continua a haver uma perpetuação neste papel de género”, defende a psicóloga.

Os pares, por sua vez, também desempenham um papel essencial, já que é através destes relacionamentos que os adolescentes moldam a forma como vêem o mundo e reconhecem, não só os seus papéis enquanto rapaz e rapariga, mas também as expectativas da sociedade em relação a eles. A relação entre pares tem um lado negativo e positivo: pode exercer alguma pressão social, mas é também fonte de apoio social e emocional.

No que toca aos média e às escolas, ambos por norma dão mais destaque aos homens e tendem a caracterizá-los como mais prestigiados do que as mulheres, que costumam ficar relegadas para papéis secundários, dependentes dos homens e ligadas a tarefas domésticas. “Há uma sexualização do corpo feminino constante e de forma muito notória, o que contribui para que as crianças e as meninas cresçam muito julgadas pelas questões de aparência física, o que é uma questão fundamental quando se fala na questão de género.”

“A igualdade de género (respeito pela diferença entre aquilo que ainda é atribuído aos géneros), no fundo, a possibilidade de não se coarctar uma parte da experiência da vida apenas pela atribuição biológica do sexo, está na verdadeira paridade, na igualdade de possibilidades e não na anulação das diferenças individuais. O terreno biológico não deve ser impeditivo do acesso a qualquer tipo de desempenho”, conclui Patrícia Câmara.

ilustração de Maria Gralheiro.

 

 

 

Até quando dura a adolescência? Aos 24, dizem cientistas

Fevereiro 18, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 19 de janeiro de 2018.

Apesar de a puberdade acontecer cada vez mais cedo, o início da vida adulta está a ser cada vez mais adiado

“Um miúdo de 25 anos”. “Um jovem de 35”. Expressões como estas ouvem-se frequentemente e dão conta da ideia generalizada de que o início da vida adulta acontece cada vez mais tarde. Mas agora um grupo de cientistas defende que a idade que define o início e o fim da adolescência deve ser alterada de forma a abranger as pessoas entre os 10 e os 24 anos.

Num texto publicado na revista The Lancet, estes investigadores consideram que definir um adolescente como uma pessoa que tem uma idade situada entre os 10 e os 24 (e não entre os 10 e os 18, como se considera atualmente) corresponde mais ao crescimento dos indivíduos e ao entendimento generalizado acerca desta fase da vida e iria permitir uma aplicação da lei de forma mais adequada.

A puberdade começa cada vez mais cedo, graças às melhorias registadas ao nível da alimentação, saúde e condições de vida, mas os indivíduos iniciam uma vida adulta cada vez mais tarde. Analistas alertam para o perigo de infantilizar os jovens, mas o assumir de responsabilidades profissionais ou familiares (casamento e paternidade) acontece numa fase mais adiantada da vida.

Segundo dados da Pordata, as mulheres em Portugal casam-se agora (2016), em média, aos 31 anos, e os homens aos 32,8. Em 1961, eles casavam-se aos 26,9 e elas aos 24,8. Também a idade para ter o primeiro filho foi adiada: passou dos 27,1 em 1990, para os 31,9 em 2016.

Além destes factores socias, os cientistas apontam razões biológicas para o adiamento oficail do início da vida adulta: o corpo, mais precisamente o cérebro, continua a desenvolver-se para lá dos 20 anos, a trabalhjar de forma mais rápida e eficiente.

 

 

Jovens obesos ultrapassarão os mal nutridos em 2022

Outubro 11, 2017 às 7:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 11 de outubro de 2017.

Actividade física regular é uma das formas de combater a obesidade

Filomena Naves

Estudo prevê população infantil global maioritariamente obesa dentro de quatro anos. Para a OMS trata-se de “uma crise de saúde global”, a exigir políticas dirigidas ao problema

Hoje há dez vezes mais crianças e adolescentes obesos em todo o mundo do que há 40 anos e se a tendência de crescimento das últimas décadas se mantiver, em 2022, ou seja, dentro de apenas quatro anos, o número de jovens obesos tornar-se-á pela primeira vez superior ao dos que não têm peso suficiente por mal nutrição. A previsão é de um estudo do Imperial College de Londres e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que foi publicado ontem, véspera do Dia Mundial da Obesidade que hoje se assinala, na revista The Lancet.

O trabalho, que passou em revista e coligiu ao longo de quatro décadas, entre 1975 e 2016, os dados do peso, altura e índice de massa corporal de mais de 130 milhões de pessoas com mais de cinco anos – 31,5 milhões entre os 5 e os 19 anos, e 97,4 milhões com mais de 20 anos -, é o maior estudo epidemiológico alguma vez realizado, segundo os seus autores, e mostra que a tendência para aumento de número de jovens obesos ganhou maior velocidade desde 2000. Em 1975, um por cento das crianças e jovens a nível mundial tinham peso em excesso, ao passo que em 2016 esse percentagem já chegava aos 8%.

“Esta tendência preocupante, que está igualmente em curso em países de médios e baixos recursos, reflete o impacto do marketing alimentar e das políticas que tornam os alimentos saudáveis e nutritivos demasiado caros para as famílias e as comunidades pobres”, afirma Majid Ezzati, da Escola de Saúde Pública do Imperial College, que coordenou a investigação. Por isso, sublinha o especialista, “esta é uma geração de crianças e adolescentes ao mesmo tempo obesos e mal nutridos”, pelo que alerta para a urgência de se “encontrarem formas de tornar acessíveis a estas famílias e comunidades, incluindo nas escolas, os alimentos saudáveis e nutritivos, especialmente nas comunidades pobres”. Outra medida essencial para combater o problema “é criar leis e taxas para proteger os mais novos de alimentos pouco saudáveis”, diz o coordenador do estudo.

Em 2016, último ano a que se reporta a avaliação, o número de crianças e adolescentes no mundo com peso insuficiente por deficiências alimentares era superior ao dos obesos e com excesso de peso (192 milhões no primeiro caso, 112 milhões no segundo), mas com a atual tendência de crescimento da população obesa a manter-se, nomeadamente nos países do Leste da Ásia, da América Latina e da Caraíbas, esses valores vão inverter-se no espaço dos próximos quatro, asseguram os autores do estudo.

“Esta é uma crise de saúde global”, garante Fiona Bull, que coordena na OMS o programa de vigilância e prevenção de doenças de notificação não obrigatória, notando que a situação “se agravará nos próximos anos, se não se tomarem medidas drásticas”.

A OMS já iniciou o combate contra a obesidade infantil, com a recomendação de políticas nesse sentido, e um plano cujas orientações serão hoje publicadas. Promover a redução drástica do consumo dos alimentos baratos e ultraprocessados e altos teores de calorias e gorduras, e favorecer a atividade física e os desportos são duas dessas orientações.

News release da WHO, gráficos e estudo mencionado na notícia:

Tenfold increase in childhood and adolescent obesity in four decades: new study by Imperial College London and WHO

O mundo está a falhar na redução da obesidade infantil e consumo de álcool

Setembro 22, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 22 de setembro de 2016.

Mais informações na notícia do IHME:

Nations face challenges with overweight children and adult drinking, however many countries see progress in reducing maternal and child deaths

dr

Andrea Cunha Freitas

Estudo Global Burden of Disease 2015 avaliou em 188 países o cumprimento das medidas na saúde que constam nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. Portugal não está mal mas precisa de reduzir os casos de VIH/Sida e atacar a obesidade infantil.

Os principais desafios dos países que querem cumprir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em 2030 estão na redução do excesso de peso e obesidade infantil e do consumo de álcool pelos adultos. Esta é uma das principais conclusões do estudo, publicado ontem na revista The Lancet, que avaliou o desempenho de 188 países em 33 indicadores relacionados com a saúde. Portugal não está mal na fotografia, ocupando o destacado 22.º lugar; porém, os autores do relatório não escondem a preocupação com a incidência de novos casos de infecção pelo VIH, que continua a ser das mais elevadas da Europa.

Em traços gerais, a cobertura e acesso aos cuidados de saúde e planeamento familiar aumentou, a mortalidade infantil registada em menores de cinco anos diminuiu e a mortalidade materna também. Ainda assim, o progresso nos 188 países é desigual. “A proporção de países que cumpriram objectivos concretos varia imenso. Mais de 60% dos 188 países estudados apresenta taxas de mortalidade infantil abaixo das 70 mortes por 100 mil nascimentos, atingindo a meta dos ODS, definidos em Setembro de 2015 pelas Nações Unidas. Em contraste, nenhuma nação conseguiu alcançar o objectivo de reduzir o excesso de peso infantil, ou eliminar totalmente doenças infecciosas como o VIH e a tuberculose”, assinala o comunicado de imprensa sobre o estudo.

No trabalho, incluído no projecto Global Burden of Disease 2015, que contou com a colaboração de investigadores dos vários países, o cumprimento das metas dos ODS na área da saúde foi avaliado de forma geral num índice. Os 188 países foram classificados (de 0 a 100) para mostrar os que estão mais perto de cumprir os objectivos. Assim, a Islândia surge no topo da tabela com um resultado de 85 e no final do ranking está a República Centro-Africana, com 20. Os EUA conseguiram uma pontuação de 75 no índice ODS, logo atrás da Eslovénia, Grécia e Japão, todos com 76. E Portugal? Surpresa: “Portugal ocupa um destacado 22.º lugar entre os 188 países (ou territórios) incluídos no estudo, com um índice ODS relacionado com a saúde de 78”, confirma José das Neves, investigador do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (I3S, no Porto) que colaborou neste estudo reunindo e tratando os dados nacionais. Para melhor avaliar o progresso, o investigador lembra o desempenho que Portugal teve há 15 anos: em 2000, ocupávamos o 31.º lugar, com um índice ODS de 68.

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“Portugal está no pelotão da frente no que diz respeito ao cumprimento dos indicadores de saúde dos ODS e, claramente, numa posição superior àquela que seria de esperar para um país com o nosso índice de desenvolvimento sócio-demográfico”, resume José das Neves.

Apesar dos bons resultados gerais e destacando-se pela positiva em indicadores relacionados com a saúde infantil, supressão de défices nutricionais ou cobertura universal dos cuidados de saúde, Portugal enfrenta alguns desafios. “Os casos mais preocupantes são aqueles do VIH

Sida (índice SDG=37) e do excesso de peso/obesidade infantil (índice SDG=40). Estas duas áreas necessitam, claramente, de um maior investimento, sobretudo no que se refere à prevenção”, considera o investigador, que também participou na elaboração do relatório do grupo especificamente sobre o VIH no mundo desde 1980 até 2015, que foi divulgado no final do mês de Julho. Assim, na opinião de José das Neves, os resultados mostram “de forma inequívoca a evolução do nosso país” nestes indicadores durante os últimos anos, mas também provam que há ainda “importantes esforços a ser desenvolvidos, nomeadamente na área da prevenção”.

Regressando ao cenário mundial, o estudo nota que entre 2000 e 2015 o progresso registado em todos os países e indicadores avaliados foi na ordem dos 7,9 pontos do índice. As áreas que mais evoluíram dizem respeito à mortalidade infantil antes dos cinco anos, contracepção e cobertura universal dos cuidados de saúde. De resto, nota o estudo, registaram-se melhorias “moderadas” no campo das infecções VIH e incidência da tuberculose, alterações “minimais” na hepatite B e o excesso de peso infantil “piorou consideravelmente” nos países mais desenvolvidos.

Há alguns resultados que se destacam, como, por exemplo, a evolução no Quénia no acesso a cuidados de saúde essenciais, que passou de 32% da população em 2000 para 70% em 2015. No Brasil, outro exemplo, morriam cerca de 31 crianças com menos de cinco anos por mil nascimentos em 2000 e passados 15 anos o número baixou para 17 crianças.

A conclusão dos peritos é fácil de adivinhar: para que o mundo consiga atingir as ambiciosas metas definidas nos ODS em 2030, é preciso manter os ganhos obtidos e, em alguns casos, tomar medidas para acelerar os progressos e, por outro lado, mobilizar recursos adicionais para reparar e reverter os maus resultados em alguns indicadores. “Temos exemplos concretos de países que estão a progredir de forma significativa em vários indicadores dos ODS relacionados com a saúde”, refere Stephen Lim, professor de Saúde Global no Instituto para a Métrica e Avaliação da Saúde (IHME, na sigla em inglês), da Universidade de Washington (EUA) e principal autor do estudo. No comunicado de imprensa, o especialista adianta ainda que “agora precisamos de olhar para os países que registaram um forte progresso e perceber o que estão a fazer bem e como podemos aplicar isso noutros territórios”.

 

 

Los antidepresivos no son la opción adecuada para el tratamiento de la depresión en niños y adolescentes

Julho 27, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.infocop.es/ de 1 de julho de 2016.

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Infocop

El trastorno depresivo mayor tiene una prevalencia estimada del 2-8% en niños de 6 a 12 años, y del 5-6% en adolescentes de 13 a 18 años. En comparación con los adultos, el trastorno depresivo mayor en niños y adolescentes está todavía infradiagnosticado e infratratado, posiblemente porque tienden a presentar síntomas menos comunes como irritabilidad, conductas agresivas y rechazo a la escuela.

A pesar de que los tratamientos psicológicos se consideran el tratamiento de elección en muchas guías clínicas basadas en la evidencia, y de las advertencias de la FDA desde 2004 sobre el aumento del riesgo de suicidio que producen los antidepresivos en esta población, el tratamiento farmacológico sigue siendo el más prescrito para jóvenes deprimidos.

Con motivo del debate que genera el uso de psicofármacos en menores, y en su caso, qué tipo de medicamento de administra, un equipo de investigadores ha publicado un estudio cuyo objetivo ha sido comparar la eficacia de un grupo de antidepresivos y la tolerancia a estos, con el efecto de un tratamiento placebo, en menores con trastorno depresivo mayor.

Este interesante trabajo es el meta-análisis más completo publicado hasta la fecha, sobre los tratamientos farmacológicos para niños y adolescentes con depresión, que recopila los estudios publicados sobre este asunto con el fin de analizar la evidencia de los ensayos encontrados.

La búsqueda se hizo utilizando los principales buscadores científicos, así como las páginas Webs de las agencias reguladoras y los registros internacionales. Se eligieron los estudios cuyos resultados se centrasen en la eficacia (el cambio en los síntomas depresivos) y la tolerancia (interrupciones del tratamiento debidas a eventos adversos). Y fueron excluidos estudios con deficiencias metodológicas como tratamientos de menos de 4 semanas o tamaño de la muestra menor a 10 pacientes. En total se eligieron 34 ensayos, incluyendo una muestra total de 5260 participantes y 14 tratamientos antidepresivos diferentes.

Según los resultados de eficacia sólo la fluoxetina obtuvo diferencias significativas con respecto al placebo, con un tamaño del efecto mediano. En cuanto a la tolerancia, la fluoxetina también obtuvo mejores resultados que otros antidepresivos, presentando la mayoría de ellos síntomas adversos  que obligaron a interrumpir el tratamiento.

Teniendo en cuenta el balance riesgo-beneficio, este trabajo concluye que los antidepresivos no son una opción adecuada para el tratamiento de la depresión mayor en niños y adolescentes. Siendo la fluoxetina la opción menos mala en el caso de que se prescriba algún antidepresivo.

No obstante, según los autores del estudio, estas conclusiones hay que tomarlas con cautela, debido a que muchos estudios de los seleccionados (el 65%) estaban financiados por los propios laboratorios del medicamento, por lo que tenían altas probabilidades de estar sesgados y sobreestimar la eficacia de los resultados. Además, no pudieron acceder a los datos brutos de los estudios, con argumentos sobre la propiedad intelectual o la privacidad de los pacientes; lo que les impidió analizar los datos de forma neutral.

Por esta razón, los efectos positivos derivados del uso de antidepresivos, incluidos los de la fluoxetina, pueden estar incluso sobrevalorados; de la misma manera que consideran que los riesgos del consumo de determinados antidepresivos pueden ser mayores en la población real de lo que se ha observado hasta ahora en los ensayos clínicos.

De estos resultados se derivan algunas conclusiones a tener en cuenta:

  • Es de suma importancia el acceso a los datos de los estudios publicados, asi como la publicación de todos los estudios, obtengan resultados positivos o no.
  • El hecho de que en la mayoría de los países no estén disponibles los tratamientos psicológicos recomendados por su eficacia, no justifica la prescripción de los psicofármacos como única alternativa, ya que se ha demostrado que no son mejores que la ausencia de tratamiento.

Parece inexplicable que a pesar de haberse demostrado que la ecuación riesgo-beneficio del uso de antidepresivos en niños y adolescentes no compensa por su escasa eficacia y sus importantes efectos secundarios, y a pesar de las advertencias de la FDA sobre la peligrosidad de su uso, la prescripción de antidepresivos en esta población sigue aumentando de forma vertiginosa durante los últimos años (ver el artículo: La prescripción de antidepresivos a niños y adolescentes sigue aumentando a pesar de no estar recomendada).

Referencia:

Cipriani, A.; Zhou, X.; Del Giovane, C, et al. (2016). Comparative efficacy and tolerability of antidepressants for major depressive disorder in children and adolescents: a network meta-analysis. The Lancet. Published Online. http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(16)30385-3

 

Maioria dos antidepressivos não funciona em crianças e adolescentes

Junho 22, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://lifestyle.sapo.pt  de 9 de junho de 2016.

AFP

A maioria dos remédios antidepressivos é ineficaz em crianças e adolescentes que sofrem de depressão grave, podendo ser, eventualmente, até perigosos, aponta um estudo publicado esta quinta-feira no jornal médico britânico The Lancet

Realizado por um grupo internacional de investigadores, o estudo revê 34 testes em mais de 5.000 crianças e adolescentes, com idades entre os 9 e os 18 anos, envolvendo 14 medicamentos antidepressivos.

Apenas um destes medicamentos, a fluoxetina – comercializada principalmente como Prozac -, mostrou-se mais eficaz do que um placebo para tratar os sintomas de uma depressão.

A fluoxetina também é mais bem tolerada do que os demais antidepressivos, escreve o mesmo estudo.

No sentido contrário, a nortriptilina foi considerada a menos eficaz dos 14 antidepressivos estudados, e a imipramina, a menos tolerada. Já a venlafaxina está associada a um risco crescente de pensamentos suicidas.

Os investigadores reconhecem, porém, que a verdadeira eficácia e os riscos de efeitos secundários indesejáveis graves desses medicamentos continuam a ser campo desconhecido, devido à fragilidade dos testes clínicos existentes.

É o caso, sobretudo, dos pensamentos e comportamentos suicidas associados aos fármacos antidepressivos. Num comentário agregado ao estudo, o cientista australiano Jon Jureidini destaca que, no que diz respeito à paroxetina, estes atingem 10% dos doentes, numa nova análise de dados, contra os 3% de estudos já publicados.

Segundo estimativas citadas pelo estudo, 2,8% das crianças entre os 6 e os 12 anos e 5,6% dos adolescentes sofrem de problemas depressivos graves nos países desenvolvidos. Esse número pode estar subestimado, alerta no entanto o mesmo estudo.

Esses sintomas são diferentes dos observados nos adultos e incluem, em especial, irritabilidade, falta de vontade de ir à escola ou comportamento agressivo.

Em relação aos antidepressivos – que também podem causar, além das ideias suicidas, dores de cabeça, náuseas e insónias -, a sua prescrição continua a aumentar, ainda que a maioria dos países ocidentais recomende, a partir de agora, que sejam reservados às depressões mais graves e após o fracasso da psicoterapia.

“Os antidepressivos não parecem oferecer um benefício claro nas crianças e nos adolescentes”, concluem os autores do estudo, que acrescentam que “a fluoxetina é, provavelmente, a melhor opção quando o tratamento medicamentoso é indicado”.

Vários especialistas comemoraram os resultados do estudo, que fortalecem as recomendações de países como França ou Reino Unido, no que diz respeito à prescrição de antidepressivos a crianças e adolescentes.

O primeiro tratamento das depressões em ambos os grupos deve continuar a ser “a abordagem psicológica, ou relacional”, que é “mais eficaz no longo prazo”, disse à agência de notícias France Presse o vice-presidente da Sociedade Francesa de Psiquiatria da Criança e do Adolescente, Daniel Marcelli, que participou na elaboração das recomendações de França.

“Estamos de acordo com as conclusões dos autores, que consideram que os antidepressivos devem ser utilizados de forma sensata e controlada de perto”, declarou a psiquiatra britânica, Bernadka Dubicka.

 

 

Todos os dias, 7.200 bebês nascem mortos no mundo

Janeiro 20, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.swissinfo.ch/por/ de 19 de janeiro de 2016.

mais informações no site da The Lancet dedicado ao tema:

https://thebestscienceforbetterlives.com/stillbirth/smash-the-taboos/

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 AFP

Cerca de 2,6 milhões de recém-nascidos sem vida foram registrados no ano passado em todo o mundo, o que representa cerca de 7.200 natimortos por dia – uma queda de 2% ao ano entre 2000 e 2015, segundo estudos publicados nesta terça-feira.

“Entre os 2,6 milhões de natimortos (ao longo do último trimestre de gestação ou após 28 semanas de gravidez), a metade ocorre durante o parto”, ressaltou a revista médica britânica The Lancet, que apresenta as conclusões de cinco estudos conduzidos por mais de 200 especialistas em 43 países.

“A ideia que uma criança, viva no início do trabalho, morra ao longo das horas seguintes por razões completamente evitáveis deveria ser considerada como um escândalo em matéria de saúde”, estima Richard Horton, editor-chefe da The Lancet.

Apesar dos progressos realizados, a queda registrada entre 2000 e 2015 foi mais lenta do que a da taxa de mortalidade materna (3% ao ano) ou de crianças menores de cinco anos (4,5%), notam o professor Joy Lawn e seus colegas da Escola de Medicina Tropical e de Higiene de Londres.

Com base em dados recolhidos em 18 países, as anomalias congênitas explicam apenas 7,4% dos natimortos.

Os pesquisadores observam que muitas patologias envolvidas nas mortes de bebês durante o nascimento poderiam ser tratadas, como infecções maternas (como a malária e a sífilis, responsáveis por 8% e 7,7% dos natimortos, respectivamente).

Fatores relacionados ao estilo de vida ou dieta (obesidade, tabagismo), doenças não infecciosas como diabetes, cânceres ou problemas cardiovasculares são responsáveis ​​por essas mortes em cerca de 10% dos casos cada. A idade das mães com mais de 35 anos intervém em 6,7 % dos casos.

A pré-eclâmpsia e a eclâmpsia (pressão sanguínea anormalmente alta durante a gravidez) contribuem para 4,7% dos natimortos e a gravidez prolongada (após a data do termo) para 14% dos casos.

A esmagadora maioria (98%) dos natimortos são também identificadas nos países de baixa e média renda.

“Os países da África sub-saariana têm a taxa mais elevada e são os que registram a diminuição mais lenta”, comenta o professor Joy Lawn.

Nos países ricos, uma mulher que vive em condições sócio-econômicas precárias tem duas vezes mais riscos de dar à luz um natimorto do que uma mulher com situação financeira confortável.

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The Lancet: Portugal é um dos 11 países com menor taxa de nados-mortos em 2015

Janeiro 20, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jornaldenegocios.pt de 18 de janeiro de 2016.

mais informações no site da The Lancet dedicado ao tema:

https://thebestscienceforbetterlives.com/stillbirth/smash-the-taboos/

Reuters

Portugal é um dos 11 países, de um total de 186, com uma menor taxa de nados-mortos em 2015, revela um estudo publicado na revista científica britânica The Lancet.

De acordo com o estudo, a taxa estimada para Portugal, em 2015, é de 2,2 nados-mortos por mil nascimentos, tal como a da Noruega.

Os autores consideraram como nados-mortos os bebés que nasceram sem vida após 28 semanas de gestação.

Entre os 11 países com taxas de nados-mortos mais baixas figuram ainda Islândia (que lidera com 1,3 nados-mortos por mil nascimentos), Dinamarca (1,7), Finlândia e Holanda (1,8), Croácia (2,0), Japão e Coreia do Sul (2,1), Nova Zelândia e Polónia (2,3).

Portugal surge à frente de países como Suécia e Suíça (2,8 nados-mortos por mil nascimentos), Reino Unido (2,9) e Estados Unidos (3,0).

No ‘top 10’ dos países com taxas de nados-mortos mais altas incluem-se Paquistão (que lidera com 43,1 nados-mortos por mil nascimentos), Nigéria (42,9), Chade (39,9), Níger (36,7), Guiné-Bissau (36,7), Somália (35,5), Djibuti (34,6), República Centro-Africana (34,4), Togo (34,2) e Mali (32,5).

O mesmo estudo assinala que os três países que conseguiram mais reduzir, em média, por ano, a taxa de nados-mortos, entre 2000 e 2015, foram Holanda (6,8%), China (4,6%) e Polónia (4,5%). Portugal ocupa, neste parâmetro, a décima posição (3,5%), entre 159 países.

Para o cálculo da taxa de redução anual de nados-mortos, os autores do trabalho publicado na The Lancet tiveram em conta 159 países, e não os 186 iniciais, uma vez que foram excluídos os países com menos de dez mil nascimentos por ano.

O estudo salienta que, em 2015, cerca de 2,6 milhões de bebés que nasceram, nos países analisados, eram nados-mortos, uma média de 7.200 por dia, apesar dos esforços de redução generalizada da taxa de nados-mortos desde 2000.

Segundo os autores, a diminuição da taxa de nados-mortos não acompanha, porém, o ritmo da queda da mortalidade materna e infantil.

O trabalho, conduzido por especialistas de mais de uma centena de organizações em 43 países, calcula que metade do número de nados-mortos surgiu durante o parto e seria evitável se tivessem sido prestados cuidados de saúde de alta qualidade durante o nascimento e numa fase precoce da gravidez de alto risco.

Os peritos alertam para o facto de o nascimento de bebés sem vida, após 28 semanas de gestação, continuar a ser um problema nos países desenvolvidos, apesar de 98% dos casos acontecerem em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento.

 

 

Portugal terceiro país com mais raparigas obesas

Junho 3, 2014 às 12:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 29 de maio de 2014.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Global, regional, and national prevalence of overweight and obesity in children and adults during 1980–2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013

Fotografia © Paulo Spranger - Global Imagens

Portugal é o terceiro país da europa ocidental com maior percentagem de raparigas obesas e com excesso de peso, problema que afeta 27,1% das jovens portuguesas, revela um estudo hoje publicado pela revista Lancet.

O estudo conclui que o número mundial de pessoas obesas e com excesso de peso aumentou de 857 milhões em 1980 para 2,1 mil milhões em 2013 e o problema continua a aumentar.

Nos últimos 33 anos, escrevem os investigadores, a taxa de adultos obesos e com excesso de peso aumentou 28%, enquanto a das crianças subiu 47%.

Na Europa Ocidental, revelam os dados agora publicados, referentes a 2013, a obesidade e o excesso de peso afetam em média 24,2% dos rapazes até aos 20 anos, 22% das raparigas, 61,3% dos homens e 47,6% das mulheres.

Quando se considera apenas a obesidade (índice de massa corporal igual ou superior a 30 quilos por metro quadrado), as taxas são de 7,2% para os rapazes, 6,4% para as raparigas, 20,5% para os homens e 21% para as mulheres.

Em Portugal, todas as taxas estão acima da média regional: o excesso de peso afeta 28,7% dos rapazes, 27,1% das raparigas, 63,8% dos homens e 54,6% das mulheres, enquanto a obesidade atinge 8,9% dos rapazes, 10,6% das raparigas, 20,9% dos homens e 23,4% das mulheres.

Estes dados colocam Portugal como o terceiro país da região com mais raparigas com excesso de peso e o terceiro com mais meninas obesas.

Portugal é ainda o quarto com mais mulheres com excesso de peso e o sexto com mais rapazes com peso a mais.

A nível da Europa Ocidental, a obesidade nos rapazes varia entre 14% em Israel e 4% na Holanda e na Suécia; enquanto nas raparigas varia entre os 13% do Luxemburgo e 4% na Holanda, Noruega e Suécia.

 

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