Adolescentes com menos relações sociais: neurocientistas falam em “risco”, mas admitem benefícios das tecnologias

Julho 9, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia do Público de 15 de junho de 2020

O confinamento nos adolescentes pode representar danos a longo prazo em termos de saúde mental, sugere um estudo publicado na revista The Lancet Child & Adolescent Health.

Não existem estudos em humanos que possam comprovar aquilo que com animais se identificou: que o isolamento social em determinados períodos da vida, nomeadamente na adolescência, tem “efeitos substanciais” no “desenvolvimento estrutural do cérebro e nos comportamentos associados a problemas de saúde mental”. Porém, uma equipa de neurocientistas alerta para a necessidade de se estar atento: “Os adolescentes encontram-se num período único das suas vidas em que o ambiente social é importante para funções cruciais no desenvolvimento do cérebro, na construção do autoconceito e na saúde mental”.

“A adolescência”, explicam num estudo publicado na revista The Lancet Child & Adolescent Health, “pode ser considerada um período sensível para o desenvolvimento social, parcialmente dependente do desenvolvimento do cérebro social: a rede de áreas cerebrais (…) que nos permite compreender os outros”. Além disso, é nesta fase da vida que o ser humano revela maior “vulnerabilidade a problemas de saúde mental”.

A temática tem ocupado vários especialistas e meros observadores: há os que alertam para os perigos do confinamento, que em Portugal obrigou a grande maioria dos adolescentes a abandonarem as escolas, trocando-as pelo ensino à distância (e sem retorno, até ao 11.º, pelo menos até ao próximo ano lectivo, que deverá arrancar entre Setembro e Outubro), e a manterem-se longe de quaisquer contactos sociais até dia 1 de Junho, quando foi decretado o fim do dever cívico de recolhimento. Mas também os que defendem que neste modelo os adolescentes ganharam tempo e perderam ansiedade.

Sobre este último aspecto, as investigadoras ressalvam que “o distanciamento físico pode não afectar todos os adolescentes da mesma forma”. “Os adolescentes que vivem com famílias funcionais e com relações positivas com os pais ou cuidadores e irmãos podem ser menos afectados do que aqueles que não têm relações familiares positivas ou que vivem sozinhos.”

No entanto, no que ao desenvolvimento do cérebro diz respeito e independentemente do contexto social, a adolescência é percepcionada pelas neurociências como um momento em que são necessários “estímulos sociais” e uma “maior interacção entre pares”, explicam as autoras — Amy Orben, que estuda como as tecnologias digitais afectam o bem-estar psicológico e a saúde mental dos adolescentes; Livia Tomova, investigadora no MIT; e Sarah-Jayne Blakemore, professora de neurociência cognitiva e co-directora do programa de doutoramento em neurociência da University College de Londres.

“Estudos em humanos”, lê-se no documento, “têm demonstrado a importância da aceitação e da influência dos pares na adolescência”. Já “a investigação animal mostrou que a privação social e o isolamento têm efeitos únicos no cérebro e no comportamento na adolescência, em comparação com outras fases da vida”.

E, ainda que admitam que “a diminuição do contacto pessoal entre adolescentes pode ser menos prejudicial devido ao acesso generalizado a formas digitais de interacção social”, a equipa exorta “os responsáveis políticos” para que pensem “urgentemente o distanciamento físico dos adolescentes”. “A abertura das escolas e outros ambientes sociais deveria ser uma prioridade logo que as medidas de distanciamento físico possam ser atenuadas.”

Além disso, referem, “é necessário fornecer mais informações sobre os potenciais méritos (e danos) da ligação digital e os governos devem abordar a fractura digital apoiando o acesso à ligação digital nas famílias, independentemente do rendimento ou da localização”.

Mais de 80% dos estudantes adolescentes não praticam atividades físicas suficientes, diz OMS

Novembro 30, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Banco Mundial/Charlotte Kesl
Estudo nota que se tendências apresentadas continuarem, a meta global de uma redução relativa de 15% na atividade física insuficiente até 2030, não será alcançada.

Notícia da ONU News de 21 de novembro de 2019.

Estudo da Organização Mundial da Saúde, OMS, recomenda pelo menos uma hora de exercícios físicos por dia; especialistas afirmam que tempo gasto com aparelhos eletrônicos como celular e computadores influencia no sedentarismo.

A Organização Mundial da Saúde realizou o primeiro estudo sobre a falta de atividades físicas entre adolescentes. O levantamento analisou a situação de crianças e adolescentes entre 11 a 17 anos.

A pesquisa publicada neste 21 de novembro conclui que mais de 80% dos adolescentes, que frequentam escolas em todo o mundo, não cumpriram as recomendações atuais de pelo menos uma hora de atividade física por dia.

Alerta

Os autores do estudo afirmam que os níveis de atividade física insuficiente em adolescentes continuam extremamente altos, comprometendo sua saúde atual e futura. Em conversa com a ONU News, de Moscou, o diretor do Escritório Europeu da OMS de Prevenção e Tratamento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis disse que o fato de o problema afetar quatro em cada cinco adolescentes é “bastante assustador”.

João Rodrigues alerta que a falta de atividades físicas entre as crianças e os jovens geram problemas tanto físicos como mentais.

“A atividade física é muito importante porque realmente promove a saúde mental. Existem estudos que dizem que adolescentes que são mais ativos têm melhores resultados escolares, mas também têm, níveis de relação social e saúde mental naturalmente melhores. No fundo, a atividade física protege e promove a saúde mental. A atividade física também serve para lidar com e a prevenir o excesso de peso e obesidade. Os adolescentes e as crianças que são mais ativos têm menos risco de ter obviamente excesso de peso e obesidade.”

Rodrigues acrescentou que além da obesidade, atividades físicas também evitam problemas cardiovasculares, câncer e outros, e que é essencial que crianças e jovens pratiquem atividades físicas pelo menos uma hora por dia, para serem considerados ativos.

Gênero

Os resultados apresentados pela pesquisa são piores para meninas do que meninos, com 85% e 78%, respectivamente. O estudo, que é baseado em dados relatados por 1,6 milhão de estudantes da faixa etária, registrou essa tendência de diferença entre os gêneros em todos os 146 países analisados entre 2001 e 2016, exceto em Tonga, Samoa, Afeganistão e Zâmbia.

A maioria dos países, 107 de 146, viu essa diferença de gênero aumentar entre 2001 e 2016.

Em 2016, as Filipinas foram o país com maior prevalência de falta de atividade entre meninos, com 93%, enquanto a Coréia do Sul apresentou níveis mais altos entre meninas, com 97%, e ambos os sexos combinados, 94%. Bangladesh registrou a menor prevalência de atividade física entre meninos e meninas com 63% e 69%.

Lusófonos

O Brasil é um dos citados. No país, em 2001, a prevalência de falta de atividades físicas dos adolescentes era de 84,6%. E em 2016, o índice teve um pequeno progresso passando para 83,6%.

Em Moçambique, no mesmo período, os resultados desceram de 84,6% para 83,6% e no Timor-Leste, o índice subiu pouco: de 89% para 89,4%.

Sociabilização

O estudo também indica que existem sinais de que a atividade física tem um impacto positivo no desenvolvimento cognitivo e na sociabilização. Fora isso, muitos desses benefícios continuam na idade adulta.

Rodrigues enfatiza que é essencial que crianças e jovens, desde muito cedo, se envolvam em atividades esportivas e de caráter recreativo, como caminhadas e ciclismo. Ele também citou recomendações recentes da OMS de que crianças devem ter tempo limitado na frente das telas de aparelhos como computadores e telefones celulares.

“Nós sabemos que um dos elementos que podem contribuir aos níveis de sedentarismo são as horas que as crianças e os jovens passam em frente às telas e aos computadores. É muito importante reduzir ou limitar, não cortar, naturalmente, é importante que as crianças e jovens possam usar os benefícios da internet etc, dentro de determinados limites. Mas é importante reduzir o tempo porque os dados indicam que é muito visível que as crianças e jovens passam mais tempo do que o aceitável por dia nessas atividades sedentárias.”

Redução

A pesquisa nota que se as tendências apresentadas continuarem, a meta global de uma redução relativa de 15% na atividade física insuficiente, o que levaria a uma prevalência global de menos de 70% até 2030, não será alcançada. Esta meta foi acordada por todos os países na Assembleia Mundial da Saúde no ano passado.

Rodrigues diz que para mudar essas tendências, é importante trabalhar com um conjunto de fatores, onde a participação dos pais é essencial.

“O mais importante é que os pais também sejam ativos fisicamente. Crianças e jovens de pais ativos, seguramente, serão mais ativos também. Então, a primeira coisa é o exemplo, outra é não deixar as crianças ficarem tanto tempo nessas atividades sedentárias e realmente impor um limite diário de número de horas que podem fazer essas atividades, como o uso dos seus smartphones, e de computadores. Ao mesmo tempo, também, colaborar com a escola. Porque a escola é realmente um dos ambientes mais importantes para promover a atividade física. Envolvendo os pais com a escola, de uma forma interativa e compreensiva, é muito importante, porque naturalmente os pais sozinhos não podem fazer tudo.”

Outras recomendações do estudo incluem a promoção pelos líderes nacionais, regionais e locais da importância da atividade física para a saúde e o bem-estar de todas as pessoas, incluindo adolescentes.

Recomendações:

  • Ampliar, urgentemente, políticas e programas eficazes conhecidos para aumentar a atividade física em adolescentes;
  •  Promover ações multisetoriais para oferecer oportunidades aos jovens de serem ativos, envolvendo educação, planejamento urbano, segurança viária e outros.

 

Mais informações na notícia da World Health Organization:

New WHO-led study says majority of adolescents worldwide are not sufficiently physically active, putting their current and future health at risk

Artigo da The Lancet Child & Adolescent Health:

Global trends in insufficient physical activity among adolescents: a pooled analysis of 298 population-based surveys with 1·6 million participants

Estudo. Facebook e Instagram estão a prejudicar a saúde mental das crianças

Setembro 9, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Notícia e imagem do MAGG de 14 de agosto de 2019.

por Mariana Leão Costa

O estudo conclui que 51% das raparigas e 43% dos rapazes afirmam ligar-se às redes sociais mais de três vezes por dia.

No imediato, as redes sociais servem propósitos nobres como manter as pessoas ligadas e em permanente contacto. Mas nem sempre estes propósitos são assim tão altruístas. Os exemplos são muitos mas recordamos, por exemplo, o caso da mulher espanhola que, em maio deste ano, se suicidou por ver um vídeo seu de cariz sexual a ser partilhado nas redes sociais.

Agora, um novo estudo britânico publicado a 13 de agosto vem lembrar quais os impactos que as redes sociais podem ter na saúde mental das crianças. Segundo a investigação, estas plataformas expõem os adolescentes ao cyberbullying, retira-lhes horas de sono e ainda os leva a não fazer exercício físico.

O estudo foi realizado com uma amostra de mais de 12 mil crianças com idades entre os 13 e os 16 anos. Foi-lhes perguntado quantas vezes abriam as redes sociais por dia, mas não quanto tempo ficavam em cada uma delas. 51% das raparigas e 43% dos rapazes afirmaram ligar-se às redes sociais três vezes por dia.

Os investigadores concluíram que abrir o Facebook, o Whatsapp ou o Instagram semanalmente, aumenta o risco em 20% de as crianças sofrerem de distúrbios psicológicos. Aqueles que se ligavam mais de três vezes por dia tinham uma saúde mental mais pobre do que os outros que registavam valores mais baixos.

O estudo sugere ainda que as raparigas estão mais sujeitas a estes problemas do que os rapazes. “Os danos da saúde mental relacionados com a frequente exposição às redes sociais nas raparigas podem relacionar-se com a exposição ao cyberbullying e à falta de sono e exercício físico”, pode ler-se no estudo.

“As intervenções que promovam a saúde mental devem incluir esforços para prevenir ou aumentar a resiliência ao cyberbullying e assegurar um sono e exercício físico adequado nos jovens”, aconselham os investigadores


Entries e comentários feeds.