Uso excessivo da internet pode causar depressão e comportamentos neuróticos

Março 2, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do https://lifestyle.sapo.pt/ de 14 de fevereiro de 2018.

Nuno Noronha

Estudo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) alerta para perturbações patológicas decorrentes do uso da internet, como a ansiedade, depressão e sensibilidade interpessoal.

As dependências no uso da Internet, associadas a sintomatologias psicopatológicas, foram alvo de um estudo realizado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), cujos resultados acentuam as preocupações, em especial ao nível dos jovens. O estudo, intitulado “Adição à Internet: Relação com a Sintomatologia Psicopatológica e a Personalidade”, foi desenvolvido pelo psicólogo Luís Afonso Ferreira, no âmbito do mestrado em Psicologia Clínica, com orientação de Otília Fernandes e Inês Relva, docentes e investigadoras desta área do conhecimento.

A investigação, que teve como amostra 418 indivíduos de todo o país, sendo 166 do sexo masculino e 252 do sexo feminino, realçou a adição à internet e o seu uso excessivo e desregrado como “fator precipitante para o desenvolvimento de sintomatologia patológica” ao nível da depressão, ansiedade, hostilidade e sensibilidade interpessoal.

Ao mesmo tempo, alertou para a necessidade de “maior atenção por parte dos profissionais de saúde quanto aos hábitos desenvolvidos online e da perceção que o próprio indivíduo tem do seu grau de adição”.

Neuroticismo elevado e baixa conscienciosidade

Acerca da personalidade demonstrou-se também que “o neuroticismo elevado, caracterizado pela instabilidade emocional, e a baixa conscienciosidade, caracterizada pela falta de organização, disciplina e regras, evidenciam-se como fortes preditores da adição à Internet”.

Mostrou ainda o estudo que determinadas atividades, nomeadamente os videojogos e as redes sociais, têm forte relação com a problemática, enquanto “atividades ligadas a recompensas imediatas e mecanismos de imersão, fantasia, socialização, competição e reconhecimento social, entre outros fatores que poderão servir como “isco” a indivíduos predispostos ao desenvolvimento de uma adição”.

Otília Fernandes, psicóloga clínica e uma das investigadoras responsáveis pelo estudo, encara os resultados como sinais de alerta em especial para os mais novos, que vivem colados aos smartphones e jogos. “O comportamento abusivo, qualquer que seja, e sobretudo na adolescência, que é um lugar de todos os perigos porque a identidade está ainda em busca de um caminho, deve ser considerado um sinal, um sintoma de que algo não está a correr bem”, justifica a investigadora.

“Basta muitas vezes – lembra também – um olhar atento e compreensivo e de disponibilidade para o jovem não se sentir só e poder falar do que o atormenta. Não é fácil, mas é possível, se tivermos em conta que qualquer dependência é sempre uma máscara, que, como tal, esconde e revela, bastando muitas vezes a nossa disponibilidade para estarmos com o jovem. Partilhar um problema já é meio problema resolvido. Só restringir o uso não basta. Há muitas pessoas que advogam políticas de restrição sem terem o cuidado de acompanhar isso com políticas de compreensão, o que é profundamente errado.”

 

 

Se pudessem escolher, as crianças iriam a pé para a escola

Janeiro 18, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 9 de janeiro de 2018.

 

“As cidades não estão pensadas para elas”, diz a autora de estudo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Samuel Silva

O cenário poderia ser diferente se as crianças decidissem, concluiu Andreia Ramos. Foi perguntado aos participantes qual o meio de transporte que utilizariam na deslocação casa-escola-casa se pudessem escolher. Oito em cada dez disseram preferir fazer o percurso por meios não motorizados.

As crianças evidenciaram uma “grande vontade de terem uma determinada autonomia” nas deslocações de que actualmente não dispõem, diz Andreia Ramos, em declarações ao PÚBLICO.

Na resposta ao questionário que foi aplicado aos estudantes, estes explicam ainda que não se sentem seguros nas deslocações sem supervisão de adultos, apontando como principais motivos aspectos relacionados com o espaço físico como o trânsito excessivo ou o reduzido número de passeios e passadeiras. Só depois destes aparecem nas respostas dos alunos questões relacionadas com a segurança pessoal, como o medo de serem assaltados ou de se perderem.

“Prioridade ao peão”

Estes dados permitem a Andreia Ramos concluir que o escasso uso de meios de transporte não motorizados nas deslocações entre casa e escola tem esta explicação: as cidades “não são pensadas para as crianças”.

“As cidades são projectadas pensando no transporte motorizado. Têm poucas preocupações com os acessos pedonais e são muitas vezes demasiado dispersas”, explica a arquitecta paisagista.

No estudo de Andreia Ramos foram inquiridos 191 estudantes do Agrupamento de Escolas de Rio Tinto, no concelho de Gondomar, dos 1.º e 2.º ciclos — ou seja, crianças entre os 6 e os 11 anos. De modo a evitar que o cansaço ou a falta de atenção afectassem as respostas dos participantes, a investigadora aplicou o questionário por meio de jogos didácticos e visitas de estudo.

“Quando andávamos com eles na rua, eles ficavam maravilhados. Tinham liberdade e não estavam acostumados”, conta a arquitecta paisagista, que trabalha agora no Instituto A Criança na Cidade, com sede em Vila Nova de Gaia. “As crianças parecem conceber a rua como o espaço do automóvel, e, por isso, considera-se urgente recentrar a rua nos peões e especificamente nas crianças, para os casos dos percursos casa-escola.”

Andreia Ramos recomenda, assim, uma maior atenção ao conceito de zonas de coexistência, o que pressupõe a partilha dos espaços urbanos por diferentes utilizadores e tipos de meios de transporte, passando a ser dada “prioridade ao peão” e a outros modos de deslocação não motorizados nos percursos casa-escola.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Mobilidade e interação social da criança na cidade

 

 

“Os nossos filhos não podem andar com o mundo às costas”

Março 1, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educare.pt/ de 9 de fevereiro de 2017.

A tese de mestrado citada no texto é a seguinte:

Transporte de cargas em populações jovens : implicações posturais decorrentes da utilização de sacos escolares

snews

Petição sobre o excesso de peso das mochilas escolares já tem mais de 38 mil assinaturas. Signatários pedem legislação nesta matéria, balanças digitais nas salas de aulas, cacifos para todos os alunos, livros mais finos e conteúdos concisos. Editores escolares estão disponíveis para colaborar.

Sara R. Oliveira

O peso excessivo das mochilas que as crianças levam para a escola é uma situação que preocupa muita gente. E não é de agora. Neste momento, há uma petição pública dirigida à Assembleia da República para que se pare e se pense no assunto. Pede-se a intervenção do Parlamento para que, com urgência, haja legislação sobre esta matéria. “É consensual entre os especialistas de todo o mundo que as mochilas escolares não devem ultrapassar 10% do peso de quem as transporta. E porquê? Porque as crianças que transportam regularmente peso excessivo às costas são as que têm mais probabilidade de desenvolver deformações ao nível dos ossos e dos músculos. Quanto mais pesada for a mochila, maior probabilidade de problemas de saúde terá”, lê-se na petição que tem mais de 38 mil assinaturas e, por isso, pode ser discutida pelos deputados.

“Os nossos filhos não podem andar com o mundo às costas” é o mote do texto que defende várias mudanças para “resolver este grave problema de saúde pública”. Pede-se às escolas que pesem as mochilas das crianças semanalmente, para “avaliarem se os pais estão conscientes desta problemática e se fazem a sua parte no sentido de minimizar o peso que os filhos carregam”. Pede-se que cada sala de aula tenha uma balança digital. Escolas públicas e privadas devem disponibilizar cacifos para que todos os alunos consigam deixar alguns livros e cadernos na escola, de modo a aliviar o peso das mochilas.

Os signatários pedem uma legislação definitiva que torne claro, e obrigatório, que o peso das mochilas escolares não deve ultrapassar os 10% do peso corporal das crianças, como sugerido por associações europeias e americanas, entre elas a Organização Mundial da Saúde. E havendo a opção de os alunos utilizarem o suporte digital, segundo o critério de cada escola, pede-se às editoras responsáveis pela produção de manuais escolares que criem livros “com papel mais fino, de gramagem menor, ou divididos em fascículos retiráveis segundo os três períodos do ano”. E, além disso, que os conteúdos dos manuais sejam “o mais concisos e sintéticos possível”, para ficarem com menos peso e volume.

Os editores escolares estão solidários com esta preocupação, disponíveis para colaborarem na definição de soluções, empenhados em “minimizar ao máximo as consequências negativas no presente e no futuro dos alunos portugueses”. “Os editores escolares estão muito atentos ao problema e têm investido bastante na procura das melhores soluções no que diz respeito aos manuais”, adianta, em comunicado, a APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros.

Já há trabalho feito. “Ao longo dos últimos anos, os editores escolares tomaram algumas medidas como a divisão de alguns dos seus manuais em dois ou três volumes, pese embora isso constitua um acréscimo adicional nos custos de produção que não se reflete no preço final dos livros escolares”. “Os editores têm investido também noutras soluções para além da criação de volumes, tais como o tipo de papel, utilizando papeis mais leves, sem nunca afetar a qualidade dos manuais e a sua utilização plena, nomeadamente, no que concerne à leitura”, acrescenta a APEL no comunicado.

Gramagem e soluções informáticas

“Sendo um dos objetivos da Direção-Geral da Saúde e do Ministério da Saúde a promoção da saúde e a prevenção de doenças, esta deverá ser uma área de investimento, para garantir que as crianças de hoje sejam os adultos/profissionais de amanhã, e contribuam para a sustentabilidade económica do país”, lê-se na petição dirigida à Assembleia da República. O ator e encenador José Wallenstein é o primeiro signatário desta petição subscrita pela Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) e várias organizações médicas, como a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral.

Há várias perguntas na petição. Quantos mais estudos precisam de ser feitos? Quantas mais evidências científicas serão necessárias? Quantos mais problemas de saúde as crianças têm de desenvolver? Quantas mais campanhas terão de ser implementadas? Quantos mais planos ficarão no papel? Diretores de escolas e pais foram ouvidos nesta questão e defendem uma aposta nos livros digitais e aumento do número de cacifos nas escolas. “Todos os dias recebo os meus alunos à entrada da aula e, por vezes, pego nas mochilas e são pesos descomunais, sobretudo ao nível dos mais pequenos, que têm medo de ter falta de material. Acho que devemos ter cuidado com a saúde dos nossos alunos”, refere Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP), em declarações à Lusa. A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) defende o suporte digital, cacifos para os alunos guardarem material e um modelo de trabalho que tenha em consideração o peso excessivo nas mochilas.

Antes das perguntas, apresentam-se estudos e respetivas conclusões nessa petição. Em 2003, mais de metade das crianças do 5.º e 6.º anos de escolaridade, 53% mais precisamente, transportavam peso a mais nas mochilas. E 61% dos alunos com 10 anos de idade transportavam cargas excessivas, tal como 44% dos estudantes com 12 anos. Estas foram as conclusões de um estudo da DECO e da revista Proteste em que foram pesadas 360 crianças e respetivas mochilas em 14 escolas públicas e privadas do país. “A pior das situações, refere aquela revista, foi verificada para uma criança de 11 anos, com 32 kg, que transportava uma mochila de 10! O ideal seria que esta criança não carregasse mais de 3,2 kg”, exemplifica-se na petição. “Independentemente da idade dos alunos, o estudo acrescentou que a percentagem de mochilas com peso a mais era maior nas escolas privadas do que nas públicas”.

Depois das conclusões do estudo, pediram-se intervenções. Apelou-se ao então Ministério da Educação, às escolas e às editoras, que unissem esforços para se chegar a um acordo quanto à gramagem do papel utilizado nos livros escolares e sobre a distribuição do programa dos vários manuais em CD-ROM, ou utilizando outras soluções informáticas. Apelou-se às escolas para que distribuíssem mais aulas por semana de forma a evitar a sobrecarga entre os alunos. E apelou-se aos pais para que verificassem, juntamente com os filhos, se as mochilas não teriam objetos desnecessários, e que as ensinassem a arrumá-las de maneira mais conveniente.

Dores nas costas

Em 2009, uma tese de mestrado realizada no âmbito do curso de Engenharia Humana, na Universidade do Minho, revelava que quase dois terços dos alunos se queixavam de dores por causa do peso que carregavam. O trabalho intitulado “Transporte de cargas em populações jovens: implicações posturais decorrentes da utilização de sacos escolares” demonstrou que a maioria dos alunos envolvidos na pesquisa tinha alterações posturais relacionadas com a carga excessiva do material escolar. Foi avaliada a incidência de desvios posturais em estudantes dos 6 aos 19 anos, 54 rapazes e 46 raparigas, em escolas públicas e privadas, envolvendo uma amostra de 136 alunos de vários ciclos de ensino. Nesta investigação, verificou-se, por exemplo, que a hiperlordose lombar afetava 69% dos estudantes, a antepulsão dos ombros 59% e a projeção anterior do pescoço 49%, motivando queixas de dor.

“As crianças são os profissionais de amanhã. As crianças que transportam hoje mochilas muito pesadas começam cedo a ter problemas de coluna, sendo alguns dos mais conhecidos a hiperlordose lombar, a hipercifose torácica, a escoliose, as hérnias discais, entre outras ocorrências”. A petição deixa um aviso: “As crianças de hoje, adultos de amanhã, representarão gastos ao Estado, tanto no que respeita a consultas médicas e/ou de especialidade, que poderão prolongar-se por vários anos, como no que concerne a baixas médicas e abstenção profissional”.

Segundo a petição, há outras pesquisas que indicam que 80% das crianças, dos 8 aos 10 anos, já se queixaram de dores nas costas. O texto lembra ainda a campanha “Olhe pelas suas Costas”, criada em 2013, pela Sociedade Portuguesa de Coluna Vertebral, com apoio científico de associações de doentes e sociedades médicas. Um estudo, realizado no âmbito dessa campanha, indicava que 28,4% dos portugueses sentem que a sua atividade profissional já foi prejudicada ou comprometida, de alguma forma, pelo facto de terem dores nas costas e que mais de 400 mil portugueses faltam ao trabalho, por ano, precisamente por este motivo.

 

 

Crianças com insuficiência de iodo possuem défice cognitivo

Julho 29, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Açoriano Oriental de 4 de julho de 2016.

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Crianças e jovens dormem cada vez menos

Fevereiro 12, 2016 às 9:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.nos.uminho.pt de 26 de janeiro de 2016.

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Catarina Dias

Estudo do CIEC conclui que 72% dos menores dormem de 7 a 9 horas diárias durante a semana, “o que é pouco”, diz Olinda Oliveira. Foram inquiridos 502 alunos, com idades entre os 9 e 17 anos.

Um estudo da Universidade do Minho revela que 72% dos menores dormem de 7 a 9 horas diárias durante a semana, “o que nem sempre é suficiente” para assegurar o seu bem-estar físico e psicológico. Associados a noites “mal dormidas” estão sintomas como mudança de humor, desmotivação, ansiedade, falta de concentração ou ainda, em casos extremos, problemas de comportamento, obesidade e menor resistência a doenças, diz Olinda Oliveira, autora deste trabalho. A presença de aparelhos multimédia no quarto parece ser um dos fatores que mais retarda a hora de deitar.

A investigação incluiu uma amostra de meio milhar de alunos, com idades compreendidas entre os 9 e 17 anos. Pretendeu averiguar a quantidade e a qualidade de sono dos alunos em função do meio de residência, sexo e ano de escolaridade, identificar fatores externos com impacto na redução progressiva das horas de repouso, bem como avaliar de que forma a qualidade do sono interfere na saúde física e emocional, nos comportamentos e na aprendizagem dos envolvidos.

Os resultados comprovam o que se passa na generalidade dos países do Ocidente: a tendência em dormir menos de 9 horas por noite aumenta à medida que se avança nos anos de escolaridade. “Esta mudança nos hábitos e padrões do sono pode ter efeitos negativos nos processos de desenvolvimento, no progresso psicossocial e na performance académica dos jovens”, realça a investigadora, que teve a orientação de Zélia Anastácio, do Instituto de Educação. A culpa é também dos aparelhos eletrónicos A tese de mestrado mostra ainda que mais de metade dos estudantes admite sentir, “às vezes”, distração. E há outros sintomas que, mesmo não sendo manifestados pela maioria dos 502 inquiridos, surgem com alguma frequência, tais como mudanças de humor (198), ansiedade (195), bocejo constante (185), agitação (166), desmotivação (160), olheiras (141), irritabilidade (129), pequenos acidentes (118), muita tristeza (114) e fadiga muscular (100). Da amostra integral, 12% confessou ter adormecido pelo menos uma vez nas aulas.

Entre os fatores externos que mais retardam a hora de deitar está a existência de aparelhos multimédia no quarto. Mais de sete em cada dez inquiridos afirmaram ter televisão no quarto, seguindo-se do computador, aparelho de música e internet (55,8%). “A necessidade cada vez maior de privacidade por parte das crianças e dos adolescentes leva os pais a colocarem uma panóplia de aparelhos nos quartos dos filhos, propiciando hábitos de sono pouco saudáveis”, justifica Olinda Oliveira. A Fundação Nacional do Sono dos EUA vai ainda mais longe ao afirmar que os alunos com quatro ou mais itens eletrónicos nos quartos têm quase o dobro da probabilidade de adormecer na escola e/ou enquanto fazem os trabalhos de casa.

Meio rural favorece qualidade do sono

O local de residência parece igualmente influenciar a qualidade do sono dos mais jovens. Os que habitam em meios rurais tendem a ter períodos de sono mais tranquilos e deitam-se mais cedo durante a semana (21h00-22h00) e ao fim de semana (23h00-24h00). “As profissões praticadas pelos pais do meio urbano nem sempre implicam horários fixos de trabalho, o que atrasa a hora do jantar e, consequentemente, de deitar, afetando negativamente toda a unidade familiar”, esclarece.

Foram ainda identificadas diferenças significativas nos hábitos de sono, segundo o sexo dos inquiridos (249 do sexo feminino e 253 do sexo masculino). Durante a semana, as raparigas acordam mais cedo do que os rapazes, invertendo-se a tendência ao fim de semana. Estas discrepâncias vêm confirmar o que já é defendido noutros estudos internacionais: “Por norma, as mulheres têm ao longo da vida maior incidência de problemas de sono, como insónias e pesadelos”, sublinha a investigadora Olinda Oliveira. O seu trabalho foi também alvo de publicação pela Elsevier e pela Asociación Nacional de Psicología y Educación.

 

 

 

Menores confessam ter-se encontrado com estranhos do Facebook

Outubro 23, 2014 às 10:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 22 de outubro de 2014.

jornal noticias

DINA MARGATO

Ana Leite Costa foi ao terreno tentar perceber como se relacionam os adolescentes com as redes sociais e descobriu que 18,6% dos inquiridos – média de 12,4 anos – já se encontraram presencialmente com desconhecidos.

A questão era esta: “Alguma vez te encontraste com alguém que só conhecias das redes sociais?”. O Facebook é a rede social mais utilizada (78,9%), e o contacto surgiu do nada ou de amigo de amigo, subindo à medida que aumenta a idade: 5,1% para 10 anos e 40,9% para maiores de 16.

Apesar de se poder estar a falar de encontros com pares, “este é um dado um pouco preocupante pela componente de risco que pode acarretar”, refere Ana Leite Costa, autora da tese de mestrado “Redes sociais na Internet: o que fazem as crianças e jovens e o que pensam os encarregados de educação” focada nos estudantes do 2.° e 3.º ciclos do Agrupamento de Escolas de Monte da Ola, Viana do Castelo.

A professora de Matemática não esperava um valor tão alto para o encontro com estranhos. “Com tanta ferramenta que existe para acompanhar os filhos nas redes sociais, parece que os pais sabem pouco do que eles ali fazem. Mas também reconheço que lhes falta tempo para estar ao lado dos filhos quando estão ao computador”.

O valor dos 18,6% corresponde a cerca de 88 adolescentes dos 471 analisados. Um número que pode pecar por defeito. Extrapolando para a realidade nacional, poderia aumentar, considera a professora que fez esta pesquisa para a Universidade do Minho. “Em meios urbanos, os miúdos têm mais acesso à Internet e têm smartphones”. Segundo o estudo, 6,6% dos encarregados de educação reconhecem ter havido encontro dos filhos com alguém contactado previamente através das redes sociais. 82,4% estão convencidos de que isso nunca aconteceu e 11% não sabem. Outra conclusão em destaque é que 55,1% dos adolescentes criaram conta antes ou aos 10 anos. O Facebook estabelece a idade mínima de 13 anos.

Do que fui percebendo, “estes miúdos vão sobretudo atrás de amigos; julgo que haverá muita ingenuidade. Qualquer adulto consegue passar por criança e pode ludibriar um adolescente”.

Por saber está a metodologia: como combinam? “Importará caracterizar as condições em que ocorreram, com que tipo de pessoas, com que motivações e consequências”.

Por sexo, é maior o número de rapazes a encontrar-se com desconhecidos (22,3%) contra 14,5% de raparigas. Em alguns pontos-chave, como a exposição de dados pessoais, as raparigas revelam ser mais cuidadosas.

Cerca de 20% confessam que os pais não concordariam com tudo o que fazem na rede social. Outra conclusão que preocupa a professora é que um quarto dos jovens retira tempo ao estudo para espreitar o Facebook.

 

 

Adolescentes ‘não são capazes’ de poupar

Julho 27, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 15 de julho de 2014.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Literacia financeira: estudo aplicado aos alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico e Secundário

Os alunos do 3.º ciclo e do secundário “não são capazes de gerir as suas finanças, não possuem hábitos de poupança, nem estão familiarizados com a linguagem financeira”, conclui um estudo da Universidade Portucalense (UPT), hoje divulgado.

Em comunicado, a UPT afirma que o estudo, que analisou 136 alunos do 3.º ciclo e do secundário, no ano lectivo de 2012/2013, conclui que “os adolescentes são incapazes de gerir as duas finanças pessoais”.

Eugénia Ribeiro, autora deste estudo, defende que, “para se criar uma educação financeira eficaz, é necessário aproximar os pais da escola, pois são eles que transmitem aos jovens os valores e hábitos de compra que começam em casa, e é preciso que o papel da escola passe por disponibilizar conceitos, como custos, poupança, características de um bom empreendedor, entre outros”.

Para Eugénia Ribeiro, é necessário “investir neste tipo de educação, não só nos currículos escolares mas também nas rotinas familiares”.

O estudo foi realizado através de inquéritos, sendo a amostra constituída por 55% de estudantes raparigas.

Dos 136 alunos inquiridos, 17,6% pertenciam ao 7.º ano de escolaridade, 14,7% ao 8.º ano, 17,6% ao 9.º, 13,2% ao 10.º ano, 19,9% ao 11.º e 16,9% ao 12.º ano.

A autora do estudo entende ainda que os adolescentes têm de ser “formados para as questões económicas e financeiras, de forma a adquirirem uma relação saudável com o dinheiro, competências para poupar e planear as suas despesas, tomar decisões e fazer escolhas financeiras, sem grandes oscilações económicas ao longo das suas vidas”.

“Para que a educação vá em frente”, conclui, “é preciso torná-la obrigatória e a forma mais segura de garantir esse conhecimento seja transmitido é a sua inclusão no currículo escolar”.

Lusa/SOL

 

 

Estudo diz que crianças vítimas de abuso podem sofrer processos de vitimação secundária

Julho 25, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Porto Canal de 18 de julho de 2014.

Agência Lusa

Guarda, 18 jul (Lusa) – As crianças vítimas de abuso sexual podem sofrer “processos de vitimação secundária” se as práticas judiciárias “não tiverem em conta as suas características e necessidades específicas”, alerta um estudo sobre a caracterização das vítimas.

O estudo, da autoria de Ana Cristina Sequeira, surge no âmbito de uma tese de mestrado na área da Psicologia do Comportamento Desviante e da Justiça.

A jovem de 23 anos, da Guarda, defendeu, na quarta-feira, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, a tese de mestrado subordinada ao tema “A audição da criança vítima de abuso sexual no sistema judicial português – as práticas atuais e as modificações necessárias, na perspetiva de magistrados e psicólogos forenses”.

Ana Cristina Sequeira refere que “o abuso sexual de menores é um dos crimes que mais frequentemente conduz as crianças ao contacto com o Sistema de Justiça, contexto no qual a criança poderá sofrer processos de vitimação secundária, se as práticas judiciárias não tiverem em conta as suas características e necessidades específicas”.

A autora do estudo disse hoje à agência Lusa que um dos procedimentos em que “esta vitimação secundária mais tende a acontecer é a inquirição/audição de crianças, em particular, em sede de julgamento”.

No estudo, analisou as práticas judiciais vigentes na inquirição da criança vítima de abuso sexual em Portugal, as suas potencialidades e limitações, “na perspetiva de magistrados e psicólogos forenses” e apercebeu-se do “esforço realizado no sentido de uma atuação mais adaptada e de uma articulação interprofissional mais eficaz”.

“Apesar das limitações ainda observadas nas condutas adotadas na inquirição da criança vítima de abuso sexual, os profissionais estão conscientes da necessidade de reformular os procedimentos (…) com vista à sua proteção”, assinala.

Segundo a autora, o estudo, na sequência de outras investigações anteriores, também permitiu recolher “elementos caracterizadores das práticas judiciais vigentes na inquirição da criança vítima de abuso sexual”, segundo a perspetiva dos dois grupos profissionais entrevistados, magistrados e psicólogos forenses.

“Tendo em conta as especificidades do abuso sexual de crianças, todos os profissionais reconhecem a importância e centralidade do testemunho das crianças vítima”, face à “ausência de provas físicas e/ou biológicas neste tipo de crime”, valorizando ainda “a participação e testemunho da criança durante o processo judicial”, indica.

No futuro, Ana Cristina Sequeira, gostaria de “alargar quantitativamente e geograficamente a amostra, para caracterizar outras realidades judiciais e, acima de tudo, de poder aceder também à perspetiva dos juízes, aqueles que, na prática, orientam os procedimentos e tomam as decisões judiciais finais”.

A autora entende que “seria relevante também aceder às perspetivas dos advogados e, se possível, às perspetivas das próprias crianças vítimas, envolvidas nestes processos”.

ASR // SSS

Lusa/fim

 

Portuguesa cria jogo para prevenir bullying

Fevereiro 3, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Reportagem do Correio da Manhã TV de 26 de Janeiro de 2014.

Ver a reportagem aqui

billy

mais informações:

Página do jogo:

A Brincar e a Rir o Bullying Vamos Prevenir

Tese de mestrado de Cátia Vaz

Bullying escolar: estudo e projeto de prevenção através do jogo

Leites em pó para bebés podem ter bactérias potencialmente perigosas

Dezembro 10, 2013 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 4 de Dezembro de 2013.

O estudo de Ricardo Assunção mencionado na notícia é o seguinte:

Enterobacter sakazakii em fórmulas lácteas infantis em pó: implementação da metodologia de detecção e avaliação microbiológica de amostras comercializadas no distrito de Lisboa

Recomendações da World Health Organization sobre Cronobacter Sakazakii (previously Enterobacter sakazakii)

Reuters

Os leites em pó para bebés podem conter bactérias nocivas, o que leva a Organização Mundial da Saúde a recomendar que sejam preparados com água a 70 graus e a apelar aos fabricantes para darem esta indicação aos consumidores.

Lusa – Esta notícia foi escrita nos termos do Acordo Ortográfico

Érica Lopes, enfermeira e organizadora de um seminário sobre preparação e manuseamento de fórmulas em pó para lactentes, considera que este tema é pouco divulgado em Portugal, mesmo entre os profissionais de saúde.

Em Portugal, as autoridades não têm normas sobre este assunto, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) avisa que os processos de fabrico dos leites em pó não são estéreis, podendo estas ficar contaminadas com duas bactérias: Enterobacter sakazakii e Salmonella entérica.

Segundo uma avaliação de risco realizada pela OMS e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação (FAO), em 2006, os leites em pó nunca devem ser preparados com água a uma temperatura inferior a 70 graus.

Apesar disso, alguns fabricantes indicam, nos rótulos dos seus produtos, que o leite pode ser preparado com água a 30 ou a 40 graus.

“Quando se prepara a fórmula com água a menos de 70 graus, a temperatura não é suficiente para inativar por completo” os micro-organismos nocivos, refere a OMS nas suas orientações, recomendando que as instruções dos fabricantes sejam revistas.

Érica Lopes, uma das organizadoras do seminário que hoje decorre em Lisboa, considera que deve haver normas e orientações uniformes e claras para a preparação para as fórmulas de leite, quer em casa, quer em instituições, como creches.

“Como profissional de saúde, tento acompanhar o que diz a OMS e como consumidora quero saber se há riscos. No fundo, queremos dar uma escolha informada ao consumidor”, referiu à agência Lusa a enfermeira e conselheira de amamentação.

Além de discutir o tema, os organizadores pretendem que do seminário saia um grupo multidisciplinar que crie um documento de consenso, propondo boas práticas para a preparação, manuseamento e armazenamento das fórmulas em pó para lactentes.

Para evitar conflitos de interesse, a organizadora salienta que não foram aceites para o seminário patrocínios ou apoios de empresas que comercializam substitutos do leite materno ou produtos como tetinas e biberões.

Outro dos organizadores do encontro, Ricardo Assunção, realizou em 2008 um estudo sobre a presença de micro-organismos nas fórmulas de leite na região de Lisboa, tendo confirmado a ideia de que estes leites em pó não são produtos estéreis.

Embora nas amostras analisadas tenha encontrado níveis de contaminação muito reduzidos, detetou também a presença de uma bactéria ambiental que já esteve implicada em surtos associados a cuidados intensivos neonatais.

No final do estudo realizado na Universidade Técnica de Lisboa, Ricardo Assunção recomenda que as mães que não possam ou não queiram amamentar sejam alertadas para o facto de as fórmulas infantis em pó não serem estéreis e que determinados agentes podem ser responsáveis por situações graves de doença.

Além disso, é ainda sugerido que se melhore a rotulagem dos produtos e que se desenvolvam diretrizes transversais para preparação e uso destes leites em pó.

 

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