Crianças passam demasiado tempo dentro dos infantários

Julho 27, 2015 às 12:30 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Texto do site http://lifestyle.sapo.pt/ de 23 de julho de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Interação criança-espaço exterior em jardim de infância

LUSA

Nuno Noronha Lusa

Um estudo de uma investigadora da Universidade de Aveiro (UA) conclui que as crianças passam pouco tempo nos espaços exteriores dos jardins-de-infância e com pouca atividade motora.

A investigação de Aida Figueiredo, do Departamento de Educação da Universidade de Aveiro, a primeira em Portugal a estudar a interação das crianças com os espaços exteriores das creches e jardins-de-infância, conclui que os espaços exteriores e as atividades proporcionadas às crianças “não promovem o desafio, a exploração, a autonomia e a liberdade, aspetos importantes no desenvolvimento da autoconfiança e do bem-estar emocional” entre os mais novos.

“As crianças permanecem no exterior apenas 10,8% do tempo passado no jardim-de-infância e por períodos curtos de tempo que em média têm 30 minutos, dedicando ao jogo livre apenas uma pequena fração desse tempo”, afirma Aida Figueiredo, investigadora do Departamento de Educação e do Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da UA.

Segundo Aida Figueiredo, “as crianças [no exterior dos jardins de infância] evidenciam pouca atividade motora, permanecendo a maior parte do tempo de pé e a andar, não existindo ações que requerem contacto do corpo com o solo, equilíbrio ou desafio, como trepar, pendurar ou balançar, percorrendo distâncias inferiores a dez metros, independentemente da área e do tipo de espaço”.

As conclusões resultam do trabalho de doutoramento da investigadora que, durante meses, analisou as interações de 16 crianças, entre os 4 e os 5 anos, com os espaços exteriores de quatro jardins-de-infância das cidades de Aveiro e de Coimbra.

Ainda que o estudo se tenha centrado em quatro espaços infantis, Aida Figueiredo não tem dúvidas quanto ao cenário, em tudo semelhante, que se poderá encontrar no país.

“Não se pode generalizar do ponto de vista investigativo, mas o saber empírico que detemos, a partir de supervisão de estágios, seminários e conversas informais, diz-nos que a probabilidade desta situação ser muito frequente em Portugal é elevada”, afirma a investigadora.

Aida Figueiredo lembra que a interação das crianças “com espaços exteriores diversificados, estimulantes, desafiadores, que incorporem elementos da natureza, seja terra, água, flores, folhas, pedras ou areia, e que convidem ao movimento e à exploração aumenta o seu nível de atividade física, enriquece o comportamento de jogo livre e potencia o seu desenvolvimento cognitivo, emocional e físico”.

Relativamente à atividade motora, “observou-se que as crianças apresentam predominantemente ações que envolvem a parte superior do corpo [tronco, mãos e cabeça], permanecem de pé e andam, sendo pouco frequentes ações motoras mais intensas [como correr e saltar] ou com maior grau de qualidade [como trepar, equilibrar e suspender]”.

 

Adolescentes sabem menos sobre sexo do que pensam

Dezembro 30, 2014 às 6:00 am | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 8 de dezembro de 2014.

mais informações sobre os resultados mencionados na notícia podem ser consultados no artigo:

Results of a sex education program for 2nd and 3rd cycle of portuguese basic education students

clicar na imagem

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Cyberbullying: ameaças fazem-se cada vez mais pela Internet

Novembro 20, 2014 às 8:00 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Notícia da TVI 24 de 19 de novembro de 2014.

A tese de doutoramento citada na notícia pode ser consultada no link:

Bullying nas escolas: prevenção e intervenção

«É uma nova forma de violência que amplia as consequências do bullying tradicional», como revela uma investigação da Universidade de Aveiro

Por: Redação / CF

Um trabalho de investigação da universidade de Aveiro (UA), divulgado esta quarta-feira, conclui que crescem as ameaças através da Internet entre colegas de escola, para evitarem sanções disciplinares, num fenómeno em expansão, o chamado cyberbullying. «Este é um problema que diz respeito a toda a sociedade e não apenas às escolas», aponta José Ilídio Sá, autor da tese de doutoramento «Bullying nas Escolas: Prevenção e Intervenção», realizada no Departamento de Educação da UA, que durante um ano letivo estudou o comportamento de alunos de uma escola secundária de Espinho. «O ‘cyberbullying’ traduz inquestionavelmente uma forma mais complexa de ‘bullying’. Em muitos casos, surge como a continuação do ‘bullying’ presencial, mas noutras situações desponta como o «espaço predileto do agressor», explica o investigador. O anonimato ou a falsa identidade do ofensor, a enorme quantidade de observadores presentes, a velocidade “viral” de propagação das ofensas, agressões e humilhações, são fatores que levam os agressores a fazer essa escolha. Para a executar, dispõem hoje de variados meios ao seu dispor, como smartphones com câmara fotográficas e de vídeo, tablets, numerosos postos com computadores disponíveis e facilidade de acesso à Internet. «É uma nova forma de violência que amplia as consequências do ‘bullying’ tradicional. A difusão de ameaças, difamações e violência psicológica através da Internet é um meio cada vez mais utilizado pelos jovens para ofender terceiros», retrata. Segundo dados da investigação realizada numa escola secundária com o 3.º ciclo do Ensino Básico, que envolveu o estudo de duas turmas ‒ uma do 7.º e outra do 10.º ano, 31% dos alunos admitiu conhecer um colega que já foi “gozado ou ameaçado na Internet” e 13% dos estudantes do 10º ano já foram ameaçados, pelo menos numa ocasião, no ciberespaço, sendo essa percentagem mais significativa (19%) no caso dos jovens dos Cursos Profissionais. Outro «dado preocupante», apontado pelo estudo de José Ilídio Sá, diz respeito ao número significativo de jovens que admite desconhecer a identidade do seu agressor e que revelou não ter reportado a agressão de que foi alvo. A pesquisa permitiu apurar, na ótica dos agredidos, que perto de 45% dos jovens vítimas de agressão admitiu não ter reportado o sucedido a uma terceira pessoa tendo, por isso, «sofrido em silêncio de modo presumivelmente continuado e prolongado». Os que optaram pela denúncia fizeram-no a um colega (42,6%) ou a um familiar (29,7% dos casos, sendo que 23,8% aos respetivos pais e 5,9% aos irmãos). «Note-se que apenas uma percentagem muito residual de jovens (13%) mencionou ter participado essa agressão a um adulto da escola», diz. No caso concreto do ‘bullying’ eletrónico, «a fronteira entre o espaço escolar e o exterior torna-se quase impossível de delimitar» e por isso, «a responsabilização do agressor, quer seja na vertente disciplinar ou na criminal, torna-se assim muito difícil de comprovar». As famílias podem ter uma intervenção decisiva neste tipo de casos, «uma vez que um número significativo de situações de ciberagressão tem como palco o espaço do domicílio», para a vítima ou para o agressor. «O papel das famílias assume particular relevância, designadamente no que diz respeito à vigilância e à monitorização dos padrões de uso e de consumo da Internet por parte dos jovens, e à definição de regras por parte dos pais», afirma. Aconselham-se por isso os pais a estarem atentos e a definirem os tempos de utilização e dos conteúdos e a localização dos equipamentos, procurando inverter a «cultura do quarto» característica nessas faixas etárias, como apresenta a Lusa em síntese.

Cerca de 7% dos adolescentes têm comportamentos autolesivos

Outubro 1, 2014 às 12:00 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Notícia do i de 30 de setembro de 2014.

Relatório de Investigação

Comportamentos autolesivos em adolescentes: Características Epidemiológicas e análise de fatores psicopatológicos, temperamento afetivo e estratégias de coping”.

Tese de Doutoramento

Comportamentos autolesivos em adolescentes:características epidemiológicas e análise de fatores psicopatológicos, temperamento efetivo e estratégias de coping

Dados internacionais revelam que cerca de 10% dos adolescentes já terão tido pelo menos um episódio de autolesão ao longo da sua vida.

Cerca de 7 por cento dos adolescentes, a maioria raparigas, já se auto lesaram, comportamentos “secretos” não detetados pelos serviços de saúde ou escolares, revela um estudo que envolveu estudantes de 14 escolas públicas da área da Grande Lisboa.

Somando os jovens com comportamentos autolesivos com aqueles que apresentam pensamentos de autolesão, o estudo concluiu que para 13,5% dos adolescentes da amostra estes comportamentos “são ou poderão ser um potencial risco de saúde”.

O estudo “Comportamentos autolesivos em adolescentes Características epidemiológicas e análise de fatores psicopatológicos, temperamento afetivo e estratégias de coping” decorreu entre 2010 e 2013 e envolveu 1.713 adolescentes, com idades entre os 12 e os 20 anos, a maioria (56%) do sexo feminino.

A investigação visou identificar a prevalência deste problema e caracterizar de “forma pormenorizada” estes comportamentos e os jovens que os realizam.

O estudo revela que 7,3% dos adolescentes já tinham apresentado, pelo menos, um episódio de autolesão, sendo que destes, 46% já tinham realizado este comportamento mais vezes.

Cerca de 6% da amostra relatou pensamentos de autolesão (sem o comportamento associado), sendo estes também mais frequentes nas raparigas.

A probabilidade de comportamentos autolesivos é “significativamente maior nas raparigas, naqueles que vivem noutro sistema familiar que não o nuclear e naqueles com maior insucesso escolar”.

Em declarações à Lusa, o psiquiatra Daniel Sampaio, orientador do estudo, considerou estes números preocupantes, advertindo que “é preciso estar atento” a esta situação.

Estes comportamentos dos jovens se cortarem, queimarem, ingerirem uma substância numa dose excessiva “significam sofrimento na adolescência”, disse o psiquiatra.

“São um sinal de alarme para uma adolescência que não está a correr bem”, adiantou Daniel Sampaio.

A grande maioria dos jovens negou ter falado com alguém ou ter pedido ajuda, permanecendo estes comportamentos “secretos” e não detetados pelos serviços de saúde ou escolares, refere o estudo.

Só 19% dos jovens admitiu ter feito algum pedido de ajuda e apenas 13% recorreu ao hospital após a autolesão, tal acontecendo sobretudo em casos de sobredosagens.

Questionados sobre se durante qualquer episódio de autolesão pensaram “decididamente em morrer”, 42% afirmaram que sim.

Os jovens que relatavam autolesão apresentavam maior sintomatologia depressiva e ansiosa, assim como maiores taxas de consumo de álcool, de embriaguez, de consumo de tabaco e de utilização de drogas ilegais e maior número de acontecimentos de vida negativos.

Daniel Sampaio sublinhou que os pais, a escola e sociedade devem estar atento a este problema, mas realçou o papel importante dos colegas na deteção destes casos.

“Normalmente é mais fácil que eles confidenciem os problemas a um colega ou a um amigo do que aos pais ou ao professor”, justificou, defendendo a realização de um trabalho nas escolas para alertar para o problema.

“Já se fala alguma coisa [no problema], já temos estudos sobre isso, já temos professores mais habilitados a falar no assunto, já temos alguns psicólogos nas escolas atentos mas é preciso fazer muito mais”, defendeu.

Dados internacionais revelam que cerca de 10% dos adolescentes já terão tido pelo menos um episódio de autolesão ao longo da sua vida.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela Agência Lusa

 

Violência doméstica contra as mães afeta desenvolvimento dos bebés

Julho 18, 2014 às 1:00 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Noticia da Visão de 12 de julho de 2014.

Logo no primeiro ano de vida, os bebés de mulheres vítimas de violência doméstica apresentam atrasos no seu desenvolvimento

Lusa – Esta notícia foi escrita nos termos do Acordo Ortográfico

Os bebés de vítimas de violência doméstica durante a gravidez apresentam atrasos no desenvolvimento logo no primeiro ano de vida, concluiu o doutoramento, da psicóloga Clementina de Almeida, na Universidade de Coimbra.

Segundo o estudo desenvolvido, os bebés apresentam “mais ansiedade, mais comportamentos agressivos, mais comportamentos de desregulação e muita irritabilidade”, referiu Clementina de Almeida. A psicóloga conseguiu, também, observar que estes não conseguem alcançar algumas metas no desenvolvimento da “linguagem, locomoção ou coordenação”.

A avaliação cognitiva e emocional dos bebés foi feita aos três meses e meio e aos 12 meses, tendo sido possível observar atrasos no desenvolvimento mental do bebé e perturbações “sócio-emocionais” nos dois momentos de análise, sublinhou Clementina de Almeida.

Ao todo, foram analisadas em 2010 204 grávidas com uma média de idades de 29 anos, tendo 58% sido alvo de pelo menos um ato de violência doméstica durante a gravidez.

Das mulheres vítimas de violência, 59% sofreram de violência psicológica, 25% de coerção sexual e 18% de agressão física.

A gravidez surge como factor que pode “aumentar a agressividade da violência que já existe ou pode até iniciá-la”, disse à agência Lusa Clementina de Almeida, sublinhando que “a violência física e a psicológica são factores de risco” para o bebé.

A própria violência doméstica afecta também a “auto-estima” das mulheres, que apresentam “mais quadros depressivos moderados e graves” do que as mães não vítimas, sendo que a debilidade da saúde mental materna acaba por determinar “um atraso ainda maior” no bebé, salientou.

Segundo as conclusões do doutoramento, a violência doméstica também “parece ter um efeito negativo ao nível das atitudes maternas durante a gravidez”, não afectando, porém, “o nível de envolvimento” entre mãe e bebé.

“Nos resultados, todos os bebés apresentaram melhorias no seu desenvolvimento, da primeira avaliação para a segunda. No entanto, os bebés filhos de mulheres que sofreram violência durante a gravidez obtêm consistentemente níveis ligeiramente inferiores”, constata ainda Clementina de Almeida, considerando que a violência pré-natal, apesar de não afectar “directamente” o desenvolvimento do bebé, acaba por ser um factor que pode dificultar “o desenvolvimento do pleno potencial” do mesmo.

Clementina de Almeida defendeu ainda que os bebés “deveriam ter um acompanhamento específico”, sendo “fundamental uma intervenção precoce”.

“Um bebé vítima de violência está mais predisposto a encontrar-se com situações abusivas”, notou, criticando a inexistência por parte do Estado de um mecanismo que possa ser accionado para um acompanhamento dos filhos de vítimas de violência doméstica.

 

Crianças que estudam música têm melhores notas a Matemática

Junho 2, 2014 às 12:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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texto do site da Universidade de Aveiro de 21 de maio de 2014.

A tese mencionada no texto é a seguinte:

A aprendizagem musical como elemento de aperfeiçoamento de competências matemáticas

Investigação do Departamento de Educação da Universidade de Aveiro

As crianças que estudam música apresentam melhores desempenhos a Matemática comparativamente às que não têm lições musicais. Pioneiro em Portugal, o estudo realizado na Universidade de Aveiro (UA) conclui ainda que quanto maior for o número de anos de aprendizagem musical melhor é o desempenho matemático, nomeadamente na área da Geometria. A investigação, que envolveu a análise do percurso escolar do 7º ao 9º ano de escolaridade de 112 alunos de norte a sul do país, vai ainda mais longe e sugere que, entre os pequenos músicos, os alunos de teclado são aqueles que alcançam melhores notas a Matemática.

A investigação desenvolvida por Carlos dos Santos Luiz, no âmbito da tese de Doutoramento realizada no Departamento de Educação da UA e orientada por Carlos Fernandes, destaca o facto de a associação entre aprendizagem musical e performance matemática permanecer evidente mesmo após a remoção das diferenças entre alunos ao nível da inteligência e do nível socioeconómico. Demonstra-se, assim, a aptidão preditiva das lições de música no desempenho matemático sem a interferência destas duas variáveis potenciadoras do desempenho académico.

“Constatámos, ainda, que é possível prever o desempenho matemático a partir do raciocínio espacial, raciocínio este especialmente desenvolvido pelos estudantes de música”, aponta Carlos dos Santos Luiz que acrescenta que “as capacidades espaciais melhoradas têm um contributo importante no desempenho a matemática, assim como em áreas da ciência, tecnologia e engenharia”.

Alunos de instrumentos de tecla são melhores matemáticos

Sabendo que a leitura de música e a aprendizagem de um instrumento envolvem e propiciam o desenvolvimento de capacidades espaciais, o investigador analisou também a associação entre o tipo de instrumento musical, o raciocínio espacial e o desempenho a matemática. “Observei que os alunos de instrumentos de teclado apresentam tanto um desempenho matemático quanto um raciocínio espacial superiores aos alunos de outros instrumentos musicais”, aponta o investigador que, atualmente, leciona na Escola Superior de Educação de Coimbra.

Se a prática instrumental requer a integração de vários sistemas sensoriais, tais como o auditivo, o visual e o motor, “no caso dos instrumentos de teclado, a disposição espacial do próprio teclado permite a representação visual das relações intervalares entre as alturas de som que, por sua vez, têm correspondência com a geometria da música escrita”. A configuração física do teclado “reforça, assim, a importância de conteúdos matemáticos”.

Sobre a influência que a aprendizagem de música tem no cérebro dos jovens a ponto de lhes proporcionar um melhor desempenho matemático, Carlos dos Santos Luiz aponta que “no âmbito da neurociência da música,as tecnologias imagiológicas e eletrofisiológicas permitem verificar diferenças anatómicas e fisiológicas entre músicos e não músicos ao nível do encéfalo”. Assim, “a aprendizagem musical precoce é o principal fator para a maioria das diferenças verificadas”.

O autor sublinha que a partir de estudos já realizados, tanto na área da cognição musical como na do processamento matemático, é possível estreitar a ligação entre música e cognição matemática.

“No caso concreto do processamento e perceção musicais, os não músicos evidenciam um domínio hemisférico cerebral direito, ao passo que os músicos demonstram um domínio hemisférico cerebral esquerdo”, aponta o investigador. Neste contexto, diz, “os estudos destacam a anatomia e a fisiologia de certas áreas cerebrais com representação mais lateralizada à esquerda, nomeadamente o lobo temporal (áreas auditivas), assim como o lobo parietal (em vários locais) e o lobo frontal (córtex pré-frontal) dos músicos”.

De modo semelhante, determinados processos matemáticos acedem a áreas no hemisfério esquerdo, como o lobo parietal. Para além do córtex parietal, os estudos relatam também uma ativação cerebral no córtex pré-frontal. “Supõe-se que, se a música e a matemática utilizam as mesmas áreas corticais, a prática da primeira poderá influenciar a segunda. Adicionalmente, alguns autores observaram a proximidade de regiões do cérebro para a música e processamento espacial”, diz.

Música não é prioridade nas escolas

No âmbito do ensino da música em Portugal refira-se o Estudo de avaliação do ensino artístico: Relatório final, elaborado em 2007 por docentes e investigadores da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, que veio chamar a atenção para o contributo positivo da disciplina de música na formação dos estudantes, a par de outras disciplinas consideradas essenciais, e que o seu impacto tem suporte científico.

Aquela equipa de docentes e investigadores constatou que ao nível do currículo da educação e ensino artístico do ensino básico geral português não existiam diferenças notórias relativamente aos currículos de certos países europeus. “O que parecia ser diferente era a atenção e o valor atribuído ao ensino das artes em geral naqueles países”, recorda Carlos dos Santos Luiz. Deste modo, os autores sugeriram a necessidade de uma maior valorização da disciplina de música, assim como de um maior investimento na qualidade do nosso sistema de ensino.

“Na última reforma da estrutura curricular do ensino básico português, concretizada pelo Ministério da Educação e Ciência em 2012, e referindo-nos apenas ao 3º ciclo, a disciplina de Educação Musical sofreu uma redução significativa do tempo que lhe era anteriormente concedido no 7º e 8º anos e no 9º ano de escolaridade deixou de existir no plano de estudos”, alerta o investigador.

 

As crianças já absorveram as regras para uma Internet mais segura, mas isso pode ser um problema

Fevereiro 13, 2014 às 12:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Notícia do Público de 10 de Fevereiro de 2014.

Enric Vives Rubio

Samuel Silva

Doutoramento de investigadora da Universidade do Minho debruça-se sobre os usos que as crianças fazem das tecnologias e mostra que estas são hoje um factor central das suas vidas.

Evitar contactos com estranhos ou conteúdos sexuais na Internet são advertências comuns para as crianças. E estas parecem já ter absorvido este discurso depois da mediatização das regras para uma utilização mais segura dos meios digitais nos últimos anos. Foi isso que descobriu a investigadora Ana Francisca Monteiro, na sua tese de Doutoramento feita na Universidade do Minho sobre os usos que os mais novos fazem das tecnologias. Mas isso até pode ser contraproducente, avisa a autora: há outros perigos da utilização das tecnologias que estão a ser deixados para segundo plano.

“Já todos sabem que quem está a falar com eles do outro lado da rede pode não ser quem diz ser e pode ser arriscado um encontro pessoal com essa pessoa”, conta Ana Francisca Monteiro. A pornografia também só vem à baila como “curiosidade”, especialmente por parte dos rapazes, mas sempre num registo muito contido. “O que eles acham é que só se mete nestes problemas quem quer”, afirma. E isto é fruto de um discurso que está muito inculcado entre esta população.

A investigadora nota uma evolução neste campo nos últimos anos. Quando há cerca de cinco anos começou o trabalho de campo que resultou na tese de doutoramento em Estudos da Criança defendida no mês passado na Universidade do Minho, “pouco se falava do assunto”. Entretanto, tem havido acções de sensibilização, como a Semana da Internet Segura que começa esta segunda-feira (ver caixa), que tornaram este discurso muito presente entre os adultos, mas também entre as crianças.

“Há um padrão de comportamento, dentro do qual ninguém quer cair e acabam por recusar essas práticas”, diz a autora. E isso leva a uma certa “estigmatização” daqueles que têm comportamentos considerados arriscados por parte da maioria das crianças. Só que este resultado aparentemente positivo, “pode ser contraproducente”. O forte reconhecimento das regras para uma Internet mais segura parece contribuir para que muitas crianças escondam comportamentos perigosos: “Não vão deixar sequer que haja sobre eles a suspeita de que estão a falar com alguém que possa ser estranho. Há uma crítica tão grande, que ninguém quer ser associado a esse papel”.

Por isso, há outros problemas e riscos da utilização das tecnologias por parte das crianças que, como estão fora desse padrão, não são debatidos, nem sequer reconhecidos. Por exemplo, as crianças disponibilizam com relativa facilidade os seus números de telemóvel em suportes digitais – para se inscreverem em jogos online por exemplo – e é “muito comum” o relato de utilizadores que ficam sem saldo no telemóvel sem explicação aparente.

Outro comportamento pouco reconhecido é o da adição. As crianças “raramente desligam” do seu ambiente virtual e mesmo na escola “passam o tempo a falar dos jogos que fazem na internet”, explana Ana Francisca Monteiro. “Alguns fazem apostas no fim das aulas para ver quem é o primeiro a chegar a casa para ligar o computador”, ilustra. Mas todos recusam a ideia de serem viciados nas tecnologias. O problema só começa a ser visto como real a partir do momento em que estas crianças começam a ter más notas na escola, associando os maus resultados ao tempo “excessivo” passado online.

Estudos anteriores já tinham demonstrado que os pais portugueses não fazem um acompanhamento tão próximo do uso da internet por parte dos seus filhos como noutros países europeus, porque têm mais dificuldades no domínio da tecnologia. “Isso faz com que as crianças sejam muito mais independentes”, explica Ana Francisca Monteiro. O que as famílias fazem, sobretudo, é controlar o tempo que os filhos passam em frente ao computador, explica, mas não tanto os conteúdos consumidos.

Isso também explica que a investigadora tenha encontrado discursos divergentes nestas crianças quando se dirigem às famílias ou aos amigos. “As famílias parecem valorizar um distanciamento face às tecnologias”, por isso as crianças tendem a desvalorizar a importância que a tecnologia tem nas suas vidas quando conversam com os pais. Pelo contrário, juntos dos amigos das mesmas idades, “às vezes torna-se difícil justificar por que não estiveram online”.

Os pais não conseguem prever o que os filhos fazem, porque na sua infância estes não eram dispositivos à sua disposição. “Os pais sentem-se inseguros relativamente ao que os miúdos estão a fazer”, diz a autora. Este trabalho tenta, por isso, criar um ponto de ligação entre pais e crianças no que toca ao uso das tecnologias que são um ponto de “tensões e conflitos” nas famílias.

“«Tem é de ser de mim»: Novas tecnologias, riscos e oportunidades na perspectiva das crianças”, a tese aprovada no mês passado, é o resultado do trabalho de campo com crianças e pré-adolescentes dos 9 aos 14 anos. O estudo é centrado nas crianças e pretendeu entender a forma como elas usam a Internet no dia-a-dia.  “Para acompanhar com mais eficácia é necessário compreender. Até porque o uso é muito autónomo e independente”, defende Ana Francisca Monteiro.

Hoje, a Internet é algo “muito importante no grupo de amigos” e que “estrutura as relações”, aponta a investigadora. Se, em idade mais jovens, a Internet é um passatempo, à medida que vão envelhecendo, começa a haver um compromisso maior. A forma como eles se relacionam e as suas amizades são construídas e negociadas a partir do que eles fazem na Internet, concluiu.

Vida familiar fragilizada gera casos de menores violadores

Setembro 11, 2013 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 1 de setembro de 2013.

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Menores chegam a representar um quarto dos violadores condenados

Abril 29, 2013 às 8:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Notícia do Público de 21 de Abril de 2013.

Menores chegam a representar um quarto dos violadores condenados

 

 

 

Rede pré-escolar prejudica crianças pobres

Fevereiro 18, 2013 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Reportagem do site da Universidade do Minho de 22 de Janeiro de 2013.

 Nuno Passos

Doutoramento de Emília Vilarinho, Instituto de Educação

A rede pré-escolar nacional cresceu imenso em 15 anos, colocando Portugal acima da média europeia. Porém, apesar da profícua legislação e das parcerias com a sociedade civil, na maioria dos casos não está a ser assegurada a qualidade e a igualdade educativa, lesando os direitos das crianças, sobretudo as de classes desfavorecidas. E face à baixa natalidade vê-se, entre jardins-de-infância públicos, sociais e privados, lógicas de quase-mercado na disputa dos “clientes”. O alerta está na recém-defendida tese de doutoramento de Emília Vilarinho. A professora do Instituto de Educação da UMinho defende a criação urgente de um Observatório do Pré-Escolar, para evitar outros problemas como um só escalão na mensalidade, animadores sem qualificação e, mais grave, meninos de 3, 4 anos que já estão a abandonar os jardins-de-infância.

Raríssimos jardins-de-infância públicos cumprem os seis escalões de mensalidade para cobrir as atividades não pedagógicas, segundo o vencimento de cada agregado familiar, como prevê o Despacho 300/97. O habitual é haver até três escalões ou uma mensalidade média fixa para todas as crianças. “Certos pais pagam 60€ quando deviam entregar 17€. E têm necessidade de ter lá os filhos mais tempo, pressionados pela precaridade laboral. No entanto, pensam em retirá-los porque não têm dinheiro que chegue”, esclarece Emília Vilarinho. A investigadora avaliou a fundo um concelho do Norte do país e acompanha os estudos nacionais mais recentes na área.

Estas atividades de “complemento de apoio à família”, que incluem refeições e prolongamento de horário, são pagas numa parte pelo Estado (via município) e na outra parte pelas famílias. Sucede que as entidades parceiras do município no serviço – associações de pais, instituições particulares de solidariedade social (IPSS), juntas de freguesia – “desrespeitam quase sempre” a lei e o princípio da discriminação positiva. “Em reuniões de pais, para evitar confusões define-se um valor mensal médio. Os dirigentes fazem-no com o sentido de não prejudicar ninguém, mas na prática há uma falsa igualdade e uma aparente desresponsabilização”, frisa a docente.

Este “efeito perverso” leva à deslocalização das crianças de classe média/alta dos jardins-de-infância privados e solidários para os públicos, até porque estes valorizam na admissão a idade em vez dos que têm menos recursos, elucida Emília Vilarinho. “São lógicas de quase-mercado e há uma disputa permanente pelos ‘clientes’, face à queda da natalidade”, acrescenta. Este é só um exemplo do hibridismo em que se tornou o “complemento de apoio à família”, o qual varia naturalmente de freguesia para freguesia, mas é ampliado pela ambiguidade de lógicas, interesses e parcerias, impedindo a promoção da igualdade, qualidade e de oportunidades. “Há outras diferenças gritantes, sobretudo nos primeiros anos da educação pré-escolar, como a má gestão e conceção das atividades de prolongamento, muitas vezes limitadas, desadequadas e com animadores que são escassos, mão-de-obra barata e desqualificada”, cita.

Emília Vilarinho defende a “repolitização das políticas e da sociedade civil
solidária”, isto é, que as entidades envolvidas observem os efeitos produzidos, que “podem ser graves”, e tenham consciência dos valores do Estado-providência. Por outro lado, “o Estado não está a fiscalizar estas atividades não educativas e por isso deve criar um Observatório para regulá-las de perto, como sucede por exemplo com a plataforma que acompanha o enriquecimento curricular do 1º Ciclo”. Antes, as inspeções-gerais do Ministério da Educação e da Segurança Social uniam-se e conferiam “in loco” os problemas. “As parcerias estão bem regulamentadas, os documentos são virtuosos e coerentes, mas o problema é as práticas, a implementação”, insiste. A perita já ouviu esta preocupação da União das Misericórdias Portuguesas, da Confederação Nacional das Instituições Sociais, da Associação Nacional de Municípios e de várias entidades do setor.

Três em dez estão fora da educação pré-escolar

A professora da UMinho admite, porém, que os dirigentes e agrupamentos escolares começam a interessar-se mais e a tentar regular a situação. O Despacho 8683/2011 define já com pormenor o papel dos professores, educadores e auxiliares no desenvolvimento de ações extracurriculares. Em paralelo, o novo modelo “child care” europeu exige planos pedagógicos e recursos humanos adequados, obrigando Portugal a apropriar-se e a seguir orientações da UE, da OCDE e até do FMI. “É este o caminho. E importa, também, ressalvar as especificidades das comunidades, quais os seus recursos e como devem criar apoio à infância de raiz comunitária”, assinala.

Portugal tem uma taxa real de pré-escolarização a rondar os 86%, diz o Governo, e o Eurostat coloca a taxa de cobertura desta sua rede em 82.3%, acima dos 80.3% da média da UE 27. São dados confortáveis, se notarmos que a cobertura era de apenas 41% em 1990 e 60% em 1996. Mas os valores têm que ser desconstruídos. Que oferta está realmente a crescer? “O pré-escolar nacional tem pouco mais de 250.000 crianças. Por onde andam as 30% que não estão no ‘sistema’? São de meios muito carenciados? De famílias que não entendem ainda as vantagens da educação pré-escolar?”, desfia Emília Vilarinho.

A docente ilustra que a frequência de dois anos em jardins-de-infância “de qualidade” (por exemplo, aos 4 e 5 anos de idade) tem um impacto muito significativo no percurso da criança a nível pessoal, cognitivo e social, em especial se for de meios culturalmente desfavorecidos. “A educação pré-escolar deve manter esta função compensatória das desigualdades sociais. É ainda muito frágil o direito à educação das crianças mais pequenas, feito com qualidade e ao ritmo delas. A este nível temos muito a melhorar a nível governamental e nas comunidades”, acentua.

Por que os miúdos carenciados não têm refeição grátis?

As crianças carenciadas do ensino pré-escolar público (escalões A, B e C) pagam refeição em muitos concelhos e agrupamentos, ao contrário das do 1º Ciclo do ensino público. “Há diversas interpretações da lei da ação social escolar. A Direção Regional de Educação do Norte clarificou a um município que importa cumprir o Despacho 300/97: só não se paga no 1º Ciclo”, refere a investigadora do Instituto de Educação da UMinho, duvidando que a medida promova a efetiva igualdade. Ou seja, o equilíbrio “passa pela consciência cívica” do parceiro da Câmara que presta o serviço.

O crescimento rápido da rede pré-escolar em 15 anos levou também a que uma freguesia, em geral urbana, tenha já vários jardins-de-infância (um público, um solidário e um privado, por exemplo). Em paralelo, afirma-se a “moda” dos centros escolares, agregando num edifício vários níveis de ensino. Estas opções políticas aceleram o fim de muitos jardins-de-infância nas localidades rurais, afetando as populações distantes e carenciadas.

A paixão pela educação de Guterres

A Lei-Quadro da Educação Pré-Escolar (Lei 5/97) é um marco na recente política de ensino em Portugal, ao procurar resolver vários problemas, desde a urgente expansão da oferta à baixa taxa de pré-escolaridade (em 1960 era de 0.4%, em 1990 de 57%). O primeiro-ministro António Guterres (1995-2002) tratou o pré-escolar como o centro da sua “paixão pela educação”. Era uma espécie de “refundação”, influenciada pelas políticas de “terceira via” europeias. A rede nacional passou a incluir, a par da rede pública, a oferta das instituições solidárias e privadas, pelas quais mais passaria a crescer o pré-escolar. Houve apelo forte à sociedade civil e apoio estatal/comunitário na construção, contratação de educadores e aquisição de materiais.

“O Estado assumiu-se como um mobilizador, mas também um forte regulador na expansão, redefinição e promoção da qualidade”, nota Emília Vilarinho. Um aspeto decisivo foi a rede pública alargar o horário até às 17h30, com serviço socioeducativo e refeições (“componente de apoio à família”). Tal permitiu aumentar a escolha dos pais que trabalhavam até tarde e, mais ainda, clarificou a função pré-escolar: de formação e de guarda. Para isso contratualizou-se parcerias com associações de pais, IPSS e juntas de freguesia, mediadas pelas autarquias, que ganharam poder de intervenção.

Na atualidade, os princípios da Lei-Quadro “são desvirtuados ano após ano”. “Não está a haver diálogo com o Ministério da Educação e Ciência. Não se vê o impacto da formação dada aos profissionais para as atividades extracurriculares, que frequentemente não têm qualificação ou são até recrutados no IEFP como desempregados de longa duração. Às 15h30, as crianças vão por vezes de um edifício para outro, para salas reconvertidas e sem as condições ideais”, enumera Emília Vilarinho, para continuar: “Também não se respeita o princípio da complementaridade com os centros escolares, que ficam em zonas muito povoadas. E o apoio da UE na construção destes centros não contempla refeitórios ou áreas para atividades a tempo inteiro, o que se torna um problema incrível para as autarquias…”.

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