Luís Figo em entrevista: «O sorriso de uma criança vale tudo»

Dezembro 1, 2010 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Luís Figo ao jornal A Bola no dia 24 de Novembro de 2010.

Fotografia ASF

Fotografia ASF

 

Por Rogério Azevedo

Aos 38 anos, Figo mantém o mesmo olhar de sempre: acutilante, incisivo, penetrante. E foi com os olhos brilhando de satisfação e orgulho que, há dois dias, numa manhã fria e chuvosa, abriu as portas do número 51 da Rua da Prata para que os leitores de A BOLA pudessem perceber um pouco mais detalhadamente o outro projecto da sua vida: a Fundação Luís Figo.

A Fundação Luís Figo nasceu em Março de 2003, quando você tinha 30 anos e era campeão da Europa pelo Real Madrid. Era ideia que fervilhava na sua cabeça há muito tempo?
Sim. Um pouco antes da constituição da fundação comecei a pensar nesta possibilidade. Ajudar os mais desfavorecidos e, neste caso, os mais jovens sempre foi aliciante e, nessa fase da minha carreira desportiva, há quase oito anos, decidi avançar.

Em que consiste a acção da Fundação Luís Figo?
Actuamos, fundamentalmente, em quatro eixos: Educação, Esperança, Saúde e Desporto.

O eixo do Desporto foi inicialmente a face mais visível da fundação, através da organização anual do jogo das Estrelas, o chamado AllStars Game.
Sim. Esse foi o começo de uma aventura que, até à data, tem sido muito gratificante. É uma das nossas iniciativas de maior visibilidade em termos nacionais e internacionais e que está ainda em vigor. Tem servido para angariar fundos para os programas menos visíveis da fundação, incrementando os níveis de notoriedade das nossas actividades, bem como dos nossos parceiros institucionais.

O primeiro AllStars foi em 2003 e já vão sete…
Sim. Os primeiros quatro foram realizados em Portugal [Estádio do Bessa, duas vezes no Estádio do Algarve e uma no Estádio José Alvalade] e os últimos três no estrangeiro [Roménia, Suíça e Angola]. Nos primeiros quatro angariámos cerca de 300 mil euros para ajudar os nossos projectos menos mediáticos.

E nos últimos três?
Nesses o donativo foi aplicado na construção de casas de apoio a crianças. Contribuímos com 80 mil euros para a construção de uma casa de acolhimento para os refugiados, em Lisboa, numa parceria com o Conselho Português para o Refugiado, cuja primeira pedra foi lançada na última segunda-feira; em 2008, a fundação contribuiu com 50 mil euros para que a Fundação Ronald McDonald inaugurasse um projecto chamado ‘Uma casa longe de casa’, junto do Hospital D. Estefânia, em Lisboa, para acolher crianças em regime de tratamento ambulatório; finalmente, em 2007, a IPSS Movimento ao Serviço da Vida iniciou a recuperação de uma casa doada pela Câmara Municipal de Lisboa, localizada no Parque da Bela Vista, que servirá para acolher crianças mis desfavorecidas. Esta casa, A Casa das Cores, foi inaugurada em Novembro de 2008 e a Fundação contribuiu com 100 mil euros.

Voltemos atrás. De que se trata o eixo da Educação?
Apoiamos o programa do Desporto Escolar do Ministério da Educação num projecto chamado TEIP. A ligação entre o desporto e o sucesso escolar é importante, diria quase decisiva, para o crescimento saudável dos nossos jovens. Se praticarem desporto, na escola ou fora dela, aumentam as possibilidades de terem uma vida saudável e cresce ainda o leque de alternativas positivas a problemas tão reais como, por exemplo, a droga. Queremos ajudar a combater os baixos índices de escolaridade e de insucesso escolar, nomeadamente o absentismo, os comportamentos aditivos e a violência.

Que é, exactamente, o TEIP?
A partir de Julho de 2007, o protocolo entre a Fundação e o Ministério da Educação foi alargado ao programa TEIP, os chamados Territórios Educativos de Intervenção Prioritária. Destina-se, como já referi, a crianças e jovens em risco de exclusão escolar e/ou social. São, para já, 35 os agrupamentos e escolas inseridos em comunidades social e economicamente carenciadas das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, onde o risco é maior. O projecto-piloto foi iniciado em 2010/11, no Agrupamento de Escolas de Santiago, em Setúbal, oferecendo aos 330 alunos que iniciaram o 5.º ano o equipamento para a prática de Educação Física, tentando incentivá-los à prática de Desporto e para prevenir o abandono escolar.

No eixo da Esperança terá havido um dos momentos mais emotivos, com a entrega de uma cama eléctrica articulada tripartida a um menino que sofre de paralisia por espinha bífida…
Sim. Temos um projecto próprio, criado há pouco, chamado «Para uma vida melhor», que apoia crianças e jovens desfavorecidos, visando criar melhores condições de vida. No último Verão, a 5 de Julho, fizemos a entrega da cama ao Marco António, cujo nível de vida melhorou imenso. São gestos como este, talvez menos visíveis para a opinião pública, que te marcam mais. São gestos extremamente emotivos.

Foi o momento mais marcante em sete anos de fundação?
Todos os projectos me tocam, porque todos têm uma vertente social. Basicamente, tocaram-me todos os momentos em que proporcionámos momentos de alegria a quem estava necessitado e, ainda, quando elevámos as condições de vida a alguns jovens bem necessitados. Um pequeno gesto, quase sem importância para quem o oferece, pode mudar a vida de uma pessoa. O sorriso de uma criança vale tudo.


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