Palmadas afetam saúde mental das crianças. Mas não só

Fevereiro 8, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.noticiasaominuto.com de 27 de janeiro de 2016.

pixabay

Por Daniela Costa Teixeira

As palmadas dadas às crianças são a primeira forma de abuso que os mais novos sofrem, dizem os especialistas.

Há quem defenda que umas palmadas ‘nunca fizeram mal a ninguém’ e são, mesmo, uma ‘forma de educar e de impor respeito’. Mas não serão essas mesmas palmadas uma forma de abuso contra as crianças?

A questão foi colocada pelo professor psiquiátrico Ronald Pies, que defende que a chamada ‘punição corporal’ não só é um abuso contra as crianças, como pode mesmo afetar a saúde mental das mesmas.

“Eu e a minha esposa não temos filhos e, por isso, não posso julgar os casais que têm filhos com difíceis problemas comportamentais. Mas, como psiquiatra, não posso ignorar a evidência de que os castigos corporais, incluindo a palmada – que é geralmente definida como a palmada de mão aberta e que não causa danos – tem um impacto grave na saúde mental das crianças”, disse Ronald Pies, citado pelo Daily Mail, que traz o assunto à ribalta depois de o senador do Texas (Estados Unidos) Ted Cruz ter revelado que bate à sua filha de cinco anos quando esta diz mentiras.

Um caso controverso nos Estados Unidos

Dar uma palmada, ou não dar uma palmada, eis a questão.

Nos Estados Unidos, os castigos corporais são comummente alvo de estudo, crítica e opinião. Michelle Knox, professor de psiquiatria na Universidade de Toledo, passou a pente fino todos os dados acerca das agressões (graves ou não) de pais contra filhos e detetou uma atitude “irónica” entre os norte-americanos.

Nos Estados Unidos, diz o docente, “é contra a lei bater em prisioneiros, criminosos e outros adultos”, mas “ironicamente” é o único país onde “ainda é legal bater nos membros mais vulneráveis da sociedade – aqueles que deveriam proteger – as crianças”.

Para o psiquiatra, as palmadas não só não são uma solução, como “bater é, frequentemente, o primeiro passo num ciclo de abuso infantil”, ideia defendida, também, em 2011, pela Associação Nacional de Profissionais de Enfermagem Pediátrica dos Estados Unidos.

De acordo com o organismo, citado pelo Daily Mail, “o castigo corporal é um importante fator d risco para as crianças que desenvolvem um padrão de comportamento impulsivo e anti-social”. Mas não só, as crianças que “frequentemente” são alvo de castigos corporais “são mais propensas a envolverem-se em comportamentos violentos na vida adulta”.

As palmadas em Portugal e no mundo

Em Portugal o castigo físico é ilegal desde 2007 e punido pelo Código Penal – que condena o castigo em ambiente de violência doméstica, maus-tratos ou ofensa à integridade física. A proibição deste tipo de agressão está presente nos crimes de Violência doméstica (artigo 152º) e de ‘Maus-tratos (artigo 152º-A).

No ano passado, o Papa Francisco disse que uma palmada não faz mal às crianças, “desde que não afete a sua dignidade”. A declaração não foi bem aceite e levou o Vaticano a emitir alguns esclarecimentos sobre o assunto.

Também no ano passado, o Conselho da Europa condenou a França por não proibir, de “forma suficientemente clara, coerciva e precisa os castigos corporais” a crianças. De acordo com o Público, 80% dos franceses, que receberam palmadas – ou até mesmo tareias – dos seus pais em pequenos, são contra a proibição de bater nos filhos.

Em 2014, o Brasil aprovou a Lei da Palmada, uma legislação que não só proíbe o castigo corporal como encaminha os pais a tratamento psicológico.

Nesse mesmo ano, a Time listou os 43 países em que o castigo corporal é ilegal. Veja aqui os países que já na altura puniam tal comportamento.

Em 2011, Cristiana Silveira Ribeiro, Wilson Malta e Teresa Magalhães, da Universidade de Coimbra, desenvolveram um estudo de revisão acerca do tema. Pode consultá-lo aqui.

 

 

 

 

Marca de um beliscão e olhar atento de médico salvam bebé vítima de maus-tratos

Abril 18, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jornalmedico.pt  de 21 de março de 2014.

por Catarina Gomes

Uma especialista em medicina legal revelou ontem que o olhar mais atento de um médico salvou a vida a um bebé quando desconfiou da marca de um beliscão que, afinal, era um dos vários sinais dos maus-tratos que a criança sofria.

O exemplo apresentado por Teresa Magalhães, do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), durante o II Congresso Nacional de Ortopedia Infantil, que decorre até hoje, em Lisboa, visou reforçar a importância dos profissionais de saúde na detecção de maus-tratos infantis.

“Esse médico, porque suspeitou das equimoses provocadas por um beliscão – que o pai atribuiu a uma queda –, foi investigar e descobriu que o bebé tinha ainda várias fracturas nas costelas e marcas oftalmológicas, salvando-lhe a vida”, afirmou a professora na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Durante a sua intervenção, Teresa Magalhães apresentou várias imagens de maus-tratos “fáceis de detectar”, como os provocados por banhos em água a ferver, violações, queimaduras de cigarro, com secadores de cabelo, cortes, entre outros, mas alertou também para os “mais difíceis de detectar”.

Sobre esses, Teresa Magalhães defendeu que o profissional de saúde, “na dúvida, deve sinalizar” aos organismos respectivos, como as comissões de protecção de menores.

O objectivo, disse, é salvar a vida destas crianças, que podem não ter uma outra oportunidade.

“Já fiz autópsias a crianças com sinais mais ou menos óbvios de violência e nós não queremos de todo fazer autópsias às crianças”, afirmou.

Teresa Magalhães sublinhou que o empenho dos profissionais de saúde – tal como os educadores na idade escolar – é determinante para a resolução destes casos e considerou que o envolvimento destes é hoje muito mais concreto e com resultados visíveis.

A especialista minimizou o papel dos números, pois acredita que “ainda não estão criados os instrumentos para conhecer uma realidade que, pela sua natureza, é encoberta”. “Os números são importantes, mas não chegam. Bastava haver um caso”, disse.

A propósito da crise económica e dos seus efeitos nas famílias, com repercussões no bem-estar das crianças, Teresa Magalhães disse não sentir ainda um aumento significativo de casos de maus-tratos, embora assuma que esta situação é “um dos muitos factores de risco”.

Os vários profissionais de saúde que estão em Lisboa a participar neste congresso nacional têm debatido a forma como os maus-tratos chegam aos serviços de saúde, com destaque para a área ortopédica, defendendo todos eles a importância de uma resposta multidisciplinar para o problema.

Cassiano Neves, presidente da Federação Europeia das Sociedades de Ortopedia e Traumatologia disse que os profissionais de saúde, perante uma suspeita de maus-tratos, devem actuar. “Ter medo deste confronto [com os progenitores ou quem traz a criança ao serviço de saúde] não é razão para metermos o saco na cabeça”, disse.

O especialista em ortopedia infantil deixou, contudo, um aviso: “Não há nada pior do que acusar uma família sem ter um estudo completo da criança. Na dúvida, é melhor internar a criança até ter um diagnóstico”.

A este propósito, lembrou que existem doenças – como a osteogenesis imperfecta, que consiste numa muito acentuada fragilidade dos ossos – que podem assemelhar-se a marcas de maus-tratos.

Em Portugal existem 70 casos notificados desta doença e, segundo Cassiano Neves, já existiram situações que aparentavam maus-tratos físicos, mas que os profissionais concluíram tratar-se da patologia.

Por isso, sintetizou, é necessário que as dúvidas sobre maus-tratos sejam suportadas por “uma boa história clínica”, a qual também tem de passar por uma análise à relação dos pais com a criança.

 

 

O papel dos profissionais de saúde na deteção de maus-tratos em crianças e jovens

Junho 24, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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arouca

Inscrições obrigatórias até 30 de junho

https://docs.google.com/forms/d/1AZxPtTM2tRayVLeawv71tUnTJygyVITQmwqjdE4ltNQ/viewform?c=0&w=1

https://www.facebook.com/events/874279265920018/

256 948 371/2 (Fax: 256 948 373)

 

cpcj@cm-arouca.pt

 

http://cpcjarouca.blogspot.pt/

CPCJ PROMOVE SESSÃO SOBRE O PAPEL DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NA DETEÇÃO DE MAUS-TRATOS

«O papel dos profissionais de saúde na deteção de maus-tratos em crianças e jovens» é o mote para a sessão promovida pela Comissão de Proteção de Crianç
as e Jovens de Arouca, no próximo dia 3 de julho, a partir das 14:00, no Centro de Saúde de Arouca. Teresa Magalhães, do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, I.P. e professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto é a oradora convidada. A inscrição é obrigatória e gratuita.

Esta sessão resulta de uma parceria entre a Comissão, o Núcleo de Apoio a Crianças e Jovens em risco, o Agrupamento de Centros de Saúde entre Douro e Vouga 1 e o Município de Arouca.

As inscrições podem ser formalizadas até dia 30 de junho, junto da CPCJ de Arouca (gabinete Via Verde Social), pelo telefone 256 940 256, através do e-mail cpcj@cm-arouca.pt ou na página da Comissão no Facebook (
www.facebook.com/pages/CPCJ-de-Arouca/271379189669261?ref=hl).

Os participantes terão direito a um certificado.

 

Crianças expostas à violência podem ser adultos violentos

Janeiro 29, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do site Notícias Universidade do Porto de 20 de Janeiro de 2013.

entrevista dada por Teresa Magalhães ao Porto Canal

Eva Pinho / FMUP e Tiago Reis / REIT

O castigo físico, como as bofetadas ou os abanões, pode influenciar o normal desenvolvimento das crianças, pautando de forma negativa o seu crescimento e formação como adultos. O alerta marcou o 3.º Congresso sobre o Abuso e Negligência de Crianças, evento que reuniu, de 18 a 19 de janeiro, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), mais de 250 participantes de diversas áreas de formação.

Para os investigadores, as consequências do castigo físico podem ser distintas: baixa autoestima, comportamentos desviantes, prejuízos a nível psicológico, entre muitas outras. De acordo com Teresa Magalhães, docente da FMUP, diretora da Delegação Norte do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), e coordenadora do congresso, os abanões dos bebés ou de crianças até aos três anos de idade “podem provocar inclusivamente a sua morte, constituindo um dos casos que ocorrem cada vez com mais frequência”.

Já a exposição das crianças à violência doméstica, como as discussões entre os pais, é uma outra forma de abuso infantil. Para além dos efeitos traumáticos, estas situações “podem inclusivamente provocar lesões e até a morte”. Teresa Magalhães afirma ainda que num contexto de violência doméstica, “21% dos casos de mulheres mortas tinham crianças presentes”.

Por fim, a exposição das crianças a imagens violentas, provenientes da internet, filmes, desenhos animados ou telejornais, revela-se como um abuso cada vez mais frequente e que transforma as crianças em adultos violentos.

Apesar da noção que existe atualmente sobre a dimensão deste fenómeno e das suas consequências, os participantes no congresso foram unânimes em considerar que a sociedade ainda se mantém demasiado tolerante face a algumas práticas que levam muitas crianças a sofrer danos graves na saúde. Práticas essas que sempre existiram e foram entendidas como normais ao longo do tempo.

O 3.º Congresso sobre o Abuso e Negligência de Crianças foi organizado pela FMUP, pelo INML e pela Sociedade Portuguesa para o Estudo da Criança Abusada e Negligenciada (SPECAN).

Médicos identificam mais casos de maus tratos a bebés e crianças

Dezembro 17, 2012 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 10 de Dezembro de 2012.

Lusa

Os maus tratos podem não estar a aumentar; os profissionais de saúde é que sabem identificar melhor, diz responsável da Medicina Legal.

Os serviços de saúde estão a notificar mais casos de maus tratos em crianças, sobretudo bebés, ao Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), revelando “um olhar mais atento e preocupado” dos médicos para estas situações, segundo Teresa Magalhães, directora da delegação Norte daquele organismo.

Os serviços de saúde estão a notificar mais casos de maus tratos em crianças, sobretudo bebés, ao Instituto de Medicina Legal, revelando “um olhar mais atento e preocupado” dos médicos para estas situações, sublinha a dirigente.

“A nível das perícias [médico-legais], notamos que há uma maior procura [desses sinais] por parte dos serviços dos hospitais, que estão, cada vez mais, a detectar situações que outrora não detectavam”, diz a directora.

Teresa Magalhães explicou que isso não quer dizer que os casos não existissem; os profissionais é que não estavam “tão alertas” e tão orientados para o seu diagnóstico. Agora, “os médicos, a nível dos hospitais e centros de saúde, estão mais alertados, mais atentos, mais preocupados, mais formados relativamente a esta problemática e estão mais capazes de identificar os casos e não os deixar passar como meros acidentes”, realçou, comentando que “é um bom sinal”.

O INML tem estado a monitorizar estas situações e “não há nenhum aumento significativo de violência. Estão é a detectar-se casos diferentes que não eram detectados e que nos deixavam muito preocupados porque sabíamos que existiam”, frisou.

Sobre os casos que chegam ao INML, Teresa Magalhães diz que são de crianças de todas as idades, mas sobretudo bebés, cujo diagnóstico é sempre mais difícil de fazer porque não falam.

“Os hospitais têm alertado para casos que até aqui não eram visíveis”, como crianças com fracturas ósseas e bebés vítimas da Síndroma do Bebé Sacudido, que provoca uma lesão cerebral grave resultante da força com que o bebé foi abanado e pode provocar danos graves ou permanentes e até a morte.

A responsável do INML sublinha que há “casos bastante graves”, alguns de bebés de meses, que “não apareciam e agora começam a aparecer, o que significa que há um olhar mais atento sobre estes casos”.

Teresa Magalhães adianta que a denúncia destas situações é obrigatória, porque se trata de casos que constituem crime público, e que requerem uma “intervenção que se quer cada vez mais articulada” entre as várias instituições.

Na semana passada, a médica Deolinda Barata, da Sociedade Portuguesa de Pediatria, alertou que os maus tratos físicos e a negligência a crianças estão a aumentar com as dificuldades das famílias, que não conseguem assegurar necessidades básicas como alimentação, vestuário e uma casa digna.

Deolinda Barata é presidente da secção de Pediatria Social daquela sociedade e coordena o núcleo de crianças e jovens em risco do Hospital D. Estefânia (Lisboa), onde tem assistido a situações que não surgiam na prática clínica “há 20 ou 30 anos”. “Estamos a andar para trás na história dos maus tratos. E voltámos a ver maus tratos hediondos”, disse, atribuindo esta situação, em parte, ao desespero das famílias que, quando excluídas, perdem as suas referências e vêem-se “privadas de dar um colo aconchegante” aos filhos.

 

 


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