Videojogos: “Proibir não é a solução”

Janeiro 6, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Nuno Lobo Antunes ao https://www.publico.pt/ de 27 de dezembro de 2016.

Nuno Lobo Antunes, director clínico do centro de desenvolvimento PIN – Progresso Infantil Enric Vives-Rubio

Nuno Lobo Antunes, director clínico do centro de desenvolvimento PIN – Progresso Infantil Enric Vives-Rubio

Nuno Lobo Antunes defende que é necessário utilizar os próprios jogos e a tecnologia no tratamento de crianças com dependência de videojogos.

Romana Borja-Santos

Para o neuropediatra Nuno Lobo Antunes, director clínico do centro de desenvolvimento PIN – Progresso Infantil, as tecnologias fazem e vão continuar a fazer parte do mundo das crianças e jovens. Perante um número cada vez maior de casos de adicção aos videojogos e jogos online, o médico defende que é urgente que os pais estejam atentos e que apostem na prevenção. Mas sem proibição. Lobo Antunes defende que o problema não está no meio, mas no uso que se lhe dá, e faz um paralelismo com uma faca: “Pode ser utilizada para cortar amarras ou para ferir alguém.”

As situações de adicção aos jogos são mais frequentes quando há perturbações do desenvolvimento nas crianças?

Há uma grande incidência, nomeadamente nos casos de Síndrome de Asperger, a forma mais ligeira do autismo. São miúdos com dificuldades na interacção social, com dificuldade em fazer ou manter amigos, e às vezes com alguma dificuldade também em fazer uma distinção entre o mundo real ou fantasiado. Temos vários casos em que a dependência chega a um ponto em que abandonam todas as outras actividades, o que provoca situações dramáticas. Se os pais lhes cortam essa possibilidade isso leva a desregulações comportamentais gravíssimas. Mas também há miúdos sem perturbações e em que percebemos numa idade precoce que têm uma grande tendência para desenvolver esta adicção. A prevenção é essencial.

Como se controla a relação com os videojogos se praticamente todas as crianças e jovens têm smartphones nas mãos?

Hoje já ninguém tem um telefone. As pessoas têm computadores nas mãos. A minha visão é de que temos de acompanhar os desafios, dificuldades e soluções que a sociedade vai criando à medida que vai evoluindo. Lidamos com seres em transformação constante. Se não estivermos atentos a essas mudanças estamos a lidar com crianças do passado e não com as crianças actuais e proibir não é solução. É preciso compreender que as novas tecnologias trazem soluções novas. No PIN temos mais de 100 crianças a quem fazemos intervenção à distância. As novas tecnologias também criam soluções novas que permitem fazer coisas fantásticas.

Nas terapias usam videojogos ou jogos online?

Absolutamente. Muitas vezes as sessões psicoterapêuticas também terminam com um jogo ou com uma actividade lúdica que reforça a cumplicidade e a ligação entre as crianças e os terapeutas. Como costumo dizer, a faca é um belíssimo instrumento. Tudo depende da mão que a empunha. Pode ser utilizada para cortar amarras ou para ferir alguém. O problema não é da faca, é da mão que a empunha. Queremos ser uma mão – e somos seguramente – que usa a faca no bom sentido. As pessoas confundem o instrumento com quem o utiliza.

A forma como as novas gerações utilizam os videojogos pode mudar o nosso cérebro?

O nosso cérebro permanece igual há milhares de anos. Não é assim tão fácil de transformar quanto isso. Se treinamos muito uma determinada actividade naturalmente que nos tornamos mais aptos nessa actividade. Mas o cérebro não muda assim de forma tão definitiva, adquire competências através do treino. Mas são alterações individuais. No século XIX temia-se muito que os romances fizessem mal às raparigas, que lhes enchessem a cabeça de fantasias e visões eróticas. Há sempre uma certa relutância da geração anterior em compreender o que atrai e fascina as gerações que se seguem. Os alunos mexem melhor com a tecnologia do que os professores e isso é novo. A reacção normal dos mestres é uma reacção muito defensiva e não adaptativa.

 

Terapia para pais é a melhor forma de tratar crianças com défice de atenção e hiperatividade

Maio 20, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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texto do site http://lifestyle.sapo.pt de 5 de maio de 2016.

Pixabay

Susana Krauss

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças nos Estados Unidos recomenda que os pais façam terapia antes de darem medicação aos seus filhos.

De acordo com um novo relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) nos Estados Unidos, a chave para evitar dar medicação a crianças com défice de atenção e hiperatividade é os pais fazerem terapia no sentindo de saberem como atuar durante o tratamento dos filhos

“Os pais de crianças com esta patologia podem precisar de apoio e terapia comportamental. E a terapia é um primeiro passo importante”, refere Dr. Anne Schuchat, vice diretora do CDC. E adianta “é igualmente eficaz como os medicamentos, e não tem os efeitos colaterais de longo prazo”.

O CDC estudou milhões de registos médicos e descobriu que cerca de um terço das 6 milhões de crianças com esta patologia nos Estados Unidos foram diagnosticados antes dos 6 anos de idade. A Academia Americana de Pediatria também aconselha os pais a tentarem a terapia comportamental antes de darem medicação.

Neste país, o CDC descobriu que cerca de 75% das crianças com menos de 5 anos já estavam a ser tratadas com medicamentos, e só cerca de metade tinham recebido terapia comportamental.

Para fazer valer a terapia, a CDC está agora a falar com médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde para que estes deem uma melhor atenção à terapia, explicando os benefícios da mesma para os pais e encaminhá-los nesse sentido.

artigo do parceiro: Susana Krauss

 

Terapia para os viciados em smartphones

Janeiro 13, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://pt.euronews.com  de 5 de janeiro de 2015.

euro

visualizar a reportagem no link:

http://pt.euronews.com/2016/01/05/terapia-para-os-viciados-em-smartphones/

Há cada vez mais pessoas viciadas em telemóveis e constantemente ligadas à Internet que procuram ajuda para se libertarem do vício.

A desintoxicação digital é um programa terapêutico nascido nos Estados Unidos que existe hoje em vários países. Em Voltigen na Suíça, o programa de desintoxicação dura três dias.

“De manhã, o alarme toca, pego no telefone e ligo-me à Internet ver as aplicações Whatsapp e Facebook, para ver o que se passou durante a noite. Depois, tomo o pequeno-almoço a ouvir música no Spotify. Estou constantemente ligado à Internet em casa e no trabalho”, contou David, um dos participantes.

O vício da Internet não afeta apenas os adultos. Há cada vez mais crianças que adormecem na sala de aula, depois de passarem noites inteiras agarrados aos smartphones. Segundo um estudo do ISCTE, metade dos alunos inquiridos, em Portugal, afirma que manter o telemóvel desligado causa ansiedade.

“Os smartphones e a Internet são fornecedores de felicidade, assemelham-se às máquinas nos casinos que provocam vício. As pessoas ficam à espera de mensagens de amigos, de notificações. Estamos constantemente sob tensão, o que estimula as nossas emoções. No entanto, 90% das vezes o que se está a passar não é realmente importante”, afirma Alexander Steinhart, o coordenador do programa de desintoxicação digital, na Suíça.

Durante a terapia, os participantes são convidados a fazer mais atividades no exterior, sem ligação à Internet. Aprendem a relaxar e a passar bons momentos fora do mundo digital.

 

 

 

Conferência & Debate – Drug addicted Adolescents | Treatment and Recovery com Christine Morgenroth no ICS

Novembro 25, 2013 às 3:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A psicóloga social Christine Morgenroth apresenta o seu livro “A Terceira Oportunidade”

Conferência & Debate
26.11.2013, 15h00
Instituto de Ciências Sociais, Av. Prof. Anibal de Bettencourt,9, Lisboa, Sala 3
Inglês
Entrada livre
21 780 4700
info@lissabon.goethe.org

No âmbito dos Seminários Jovens no Terreno, a psicóloga social Christine Morgenroth (Universidade Leibniz, Hannover) fala sobre o seu livro Die Dritte Chance  (A Terceira Oportunidade), abordando o tema central da toxidependência, que se inicia na infância, suas consequências e terapia. O livro analisa o desenvolvimento de jovens que foram submetidos a um tratamento estacionário abrangente, questionando as mudanças causadas pela terapia. Os resultados adquiridos ao longo de uma década fundamentados numa avaliação terapêutica biográfica e psicoanalítica, demonstram claramente quão sustentáveis ​​são os efeitos da terapia de acordo com o conceito aqui descrito. Uma única forma de terapia não é decisiva, mas antes o processo terapêutico que, além de uma relação contínua, oferece uma rede estável de elementos consistentes – só assim conduzindo à maturação, à terceira oportunidade.

SEMINÁRIOS JOVENS NO TERRENO

Drug addicted Adolescents: Treatment and Recovery – A Qualitative Evaluation of a Pilot Project

ICS-UL, 15h00, room 3

Abstract: The lecture refers to an investigation designed as a biographical longitudinal study focusing on the sustainable effects of inpatient drug therapy lasting several months. The goal of the intensive inpatient treatment was to offer the adolescents the chance for maturing. After completion of therapy annual narrative interviews were conducted with these former adolescent drug patients who had been addicted since their childhood or early adolescence. These interviews were analyzed, among other means, by using an in-depth hermeneutic interpretation approach. The research goal was to document the level of changes in the adolescents’ subjective structures. A summary of central results will be presented just as some characteristics in the process of research itself. In a few words: the therapy has to be considered as remarkable successful.

Organização: Observatório Permanente da Juventude do ICS em colaboração com o Goethe-Institut

A criança na terapia – Crónica de Daniel Sampaio

Janeiro 18, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Crónica de Daniel Sampaio no Público de 13 de Janeiro de 2013.

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sampaio

 

Robótica apoia terapia com alunos autistas – Projeto com APPACDM incentiva interação utente-escola

Janeiro 1, 2012 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem da Universidade do Minho de 17 de Novembro de 2011.

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Projecto Robótica – Autismo Aqui

 

 

Texto e fotos: Pedro Costa

Tendo como ponto de partida a capacidade de atração dos robôs para a interação, um grupo de investigação da UMinho está a desenvolver um projeto que visa facilitar a sempre difícil ligação entre os terapeutas e os portadores de autismo. Sob uma ideia base consubstanciada na máxima “a engenharia ao serviço do ser humano”, este trabalho tem obtido resultados positivos na desejada interação, melhorando as condições para a terapia, a qualidade de vida dos jovens autistas e a formação de quadros familiares mais apoiados e identificados com o dia-a-dia desta problemática.

Um grupo de investigação sedeado na Universidade do Minho e que fomenta uma parceria com a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) está a desenvolver um projeto para a utilização de robôs como meio de comunicação e interação com alunos autistas. Esta equipa é composta por três investigadores e um doutorando, todos da Engenharia Eletrónica Industrial, um investigador da área da Educação, um mestrando de Engenharia Biomédica, uma psicóloga da APPACDM de Braga e mais dois bolseiros de investigação.

A ideia surgiu a partir de contatos já existentes com a APPACDM, onde se verificou haver terreno favorável para o desenvolvimento do projeto inspirado em duas teses de mestrado em Eletrónica Industrial. O projeto de investigação é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e visa a aplicação de ferramentas robóticas como forma de melhorar a vida social de alunos com autismo e com problemas intelectuais, melhorando as suas habilidades de interação e comunicação com pessoas e em contextos diferentes.

No estudo já realizado, o robô foi apresentado inicialmente aos alunos, pela professora, em contexto de sala de aula. Posteriormente, os investigadores da UMinho interagiram, através do robô, com cada um dos alunos com autismo, generalizando depois a ação aos cenários de vida do aluno, sem a presença do robô. As atividades visaram incentivar os jovens a interagir, pedir e participar em jogos e iniciativas em conjunto com outras pessoas. “Tendo por base a interação, a comunicação e a vocalização, definimos atividades muito simples, com competências bem definidas que quisemos ver desenvolvidas”, frisa a investigadora responsável, Filomena Soares.

Os resultados demonstraram ser possível a estes jovens realizarem algumas destas atividades pela primeira vez. Conclui-se a relevância da utilização de robôs como mediadores na interacção com alunos com autismo. Registou-se a realização de novas tarefas, nunca antes realizadas, pelos alunos com este tipo de problema, como, por exemplo, “o fato de se sentarem num local diferente na sala de aula para brincar com o robô, ou realizar com um outro colega uma atividade previamente realizada com o mesmo robô, para além de outras tarefas relevantes”.

O facto deste projeto trabalhar contextos diferenciados acaba por influenciar um envolvimento das famílias, que, desta forma, participam no desenvolvimento e beneficiam de uma transferência de competências e de rotinas muito importantes para o contexto familiar. Segundo a investigadora, neste aspeto “foi determinante o papel da APPACDM, que acabou por facilitar a interação, proporcionando contatos durante o projeto, assim como uma ação de divulgação e partilha onde todos participaram.”

Após as cinco experiências positivas, realizaram-se através do Ministério da Educação contatos com outras unidades de ensino estruturado, havendo já reuniões com mais quatro centros, que se juntam à APPACDM de Braga no desenvolvimento deste projeto. Desta forma, o grupo de investigação passará a trabalhar com utentes de Arouca, A-Ver-O-Mar, Barcelos e Leça da Palmeira, para além de Braga.

Estão ainda a ser estudadas e avaliadas novas formas de interagir com os alunos com autismo em idade escolar, utilizando plataformas robóticas mais robustas e com maiores capacidades. As atividades de aprendizagem consideradas nesta nova fase englobam a exploração de competências e a oportunidade de comunicação e expressão, utilizando sempre a tecnologia como mediador. Filomena Soares realça que este método representa “apenas o papel de mediação entre o utente e o seu terapeuta, sendo que o papel dos terapeutas é basilar no processo evolutivo destes jovens”.

 Jovens investigadores numa nova perspetiva da Engenharia

Outra das marcas deste projeto da área da Eletrónica Industrial é o facto de abordar novas perspetivas do uso das engenharias no quotidiano das pessoas, conferindo-lhe um papel social, para além da mais-valia técnica e utilitária.

Sandra Costa, aluna de doutoramento de Eletrónica Industrial, integrada neste grupo, é a autora de uma das duas teses de mestrado que inspiraram o projeto e representa uma nova geração de especialistas desta área que assume “uma visão social dos projetos”. Sublinha que, “para além das questões do conforto, a Engenharia já está ao serviço das pessoas ao nível da sua dimensão social e das problemáticas profundas”.

O trabalho desenvolvido por este projeto de Robótica para o Autismo tem sido reconhecido pela comunidade científica, através de publicações em diversas conferências de especialidade, a última das quais a RO-MAN2011 – 20th IEEE International Symposium on Robot and Human Interaction Communication, que teve lugar em Atlanta, Geórgia (EUA), em julho.

© 2011, GCII – Universidade do Minho

Colóquio – Pais e Técnicos: Um Olhar sobre o Autismo

Novembro 11, 2011 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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