Estudo relaciona atrasos na linguagem a brinquedos eletrónicos

Abril 5, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Os impactos do contato com a tecnologia na primeira infância são diversos e variam de criança para criança e, principalmente, de contexto para contexto. A recomendação da Sociedade Brasileira é que nenhum contato seja permitido até os dois anos, principalmente durante as refeições ou antes de dormir.

Um novo estudo, realizado pela pesquisa Anna V. Sosa e publicado em 2016 no periódico JAMA Pediatrics, associa a relação direta entre a hiperexposição aos brinquedos eletrônicos, como tablets, jogos de celular e computadores, a atrasos de aprendizado e linguagem.

A partir da observação das formas de brincar da criança e dos níveis de interação com os pais, a pesquisa investiga como a relação entre esses dois elementos influenciam a aquisição de linguagem da criança. O estudo aponta que o ambiente de linguagem em que a criança está inserida na Primeira Infância pode influenciar a aquisição da sua fala, além de afetar a leitura e o futuro sucesso acadêmico.

A pesquisa foi realizada em 2016, com 26 famílias e bebês de 10 a 18 meses. Os pesquisadores concluem que a interação com brinquedos eletrônicos esteve associada a redução na qualidade e quantidade de linguagem recebida pela criança, quando comparados com livros e brinquedos tradicionais. Por esse motivo, o estudo conclui que não recomendável incentivar o contato com jogos eletrônicos no momento em que a criança está desenvolvendo a linguagem.

O texto ressalta também a importância do incentivo à leitura nesta fase do desenvolvimento da criança. “Os pais devem ser encorajados a ler para seus filhos e engajá-los em atividades que proporcionem interações reais entre pais e filhos”. A pesquisa chama a atenção ainda para o bombardeio excessivo de publicidade dirigida não só às crianças mas também aos pais, que podem ser facilmente iludidos por brinquedos autointitulados educativos que prometem incrementar o desenvolvimento”.

Confira um resumo dos principais resultados alcançados:

  • Para promover o desenvolvimento da linguagem, os pais podem investir tempo para ler para os filhos e brincar junto, olho no olho.
  • Brincar com livros ou brinquedos tradicionais é melhor do que brincar com eletrônicos, no sentido de promover um nível qualitativo de comunicação entre pais e filhos.
  • Quando estão brincado com brinquedos eletrônicos, as crianças vocalizam menos, quando comparado ao modo que elas verbalizam e interagem quando estão em contato com brinquedos tradicionais.

Intitulado “Association of the Type of Toy Used During Play With the Quantity and Quality of Parent-Infant Communication” (Em uma tradução livre, “Associação entre o tipo de brinquedo utilizado durante a brincadeira com a quantidade e qualidade da comunicação entre pais e filhos”), o estudo está disponível online e em inglês, para quem quiser se aprofundar na discussão, clique aqui para ler.

 

Catraquinha, de 13 de fevereiro de 2017

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Ciclo de Conferências “A voz das crianças nos olhares sobre a infância” no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa de 14 de março a 18 de maio

Março 10, 2016 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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CICLO DE CONFERÊNCIAS
“A voz das crianças nos olhares sobre a infância”

O interesse pela infância tem suscitado, desde os anos 80/90 do século XX, um conjunto crescente de pesquisas cujo denomina-dor comum assenta no pressuposto de que as crianças “são sujeitos competentes de produção da vida social”, “actores de corpo inteiro da sua socialização”, indivíduos com direito “à palavra”. Rejeitando uma visão adultocêntrica, estas pesquisas procuram entender a concepção que as crianças têm do mundo que as rodeia e estudar as relações sociais por elas produzidas, a partir do seu próprio ponto de vista. As investigações que dão corpo ao ciclo de conferências inserem-se justamente neste paradigma socio-lógico, tendo subjacente a mesma opção metodológica: dar voz às crianças.

1.ª Conferência: 14 de março | 11h00 | Sala 7 do IE
“Quem habita os alunos? A socialização de crianças de origem africana”, por Irene Santos (IE-ULisboa)

Outras conferências:
11 de abril | 20 de abril | 27 de abril | 4 de maio | 18 de maio

mais informações:

http://www.ie.ulisboa.pt/portal/page?_pageid=406%2C1898837&_dad=portal&_schema=PORTAL

 

6 razões porque as crianças não devem ter smartphones e tablets antes dos 12 anos

Janeiro 19, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de Renan Hamann publicado em 30 jun 2014.

Você deixa que seus filhos pequenos ou outras crianças tenham acesso a smartphones ou tablets? Pois saiba que isso pode acarretar uma série de problemas no desenvolvimento deles. Dois grandes institutos da América do Norte — Sociedade Canadense de Pediatria e Academia Americana de Pediatria — foram responsáveis por uma série de estudos bem profundos sobre isso.

A conclusão a que chegaram é bem interessante. Segundo os especialistas, há diversos problemas causados pelos eletrônicos em crianças de até 12 anos. Está curioso para saber quais são eles? Então fique atento neste artigo para saber exatamente em que aspectos a utilização de smartphones e tablets podem ser prejudiciais.

 
1. Problemas de desenvolvimento cerebral

Os cérebros dos bebês crescem muito rapidamente nos primeiros anos de vida. Até completar dois anos, uma criança tem seu órgão triplicado em tamanho. Nesse período, os estímulos do ambiente — ou a falta deles — são muito importantes para determinar o quão eficiente será o desenvolvimento cerebral. Alguns estudos mostram que a superexposição a eletrônicos nesse período pode ser prejudicial e causar déficit de atenção, atrasos cognitivos, distúrbios de aprendizado, aumento de impulsividade e diminuição da habilidade de regulação própria das emoções.

 
2. Obesidade

Você já deve ter ouvido alguma afirmação similar a: “As crianças do século 21 fazem parte da primeira geração de pessoas que não vai viver mais do que os próprios pais”. Um dos grandes motivos para isso é a obesidade, que pode sim estar ligada ao uso excessivo de eletrônicos. Estima-se que crianças com aparelhos no próprio quarto têm 30% mais chance de serem obesas do que outras.

 
3. Problemas relacionados ao sono

A constante utilização dos aparelhos pode acabar gerando dependência em diversos graus diferentes. Um dos problemas relacionados a isso está no fato de que muitas crianças deixam de dormir para jogar, navegar ou conversar nos aparelhos. Além das consequências psicológicas causadas por isso, também é preciso lembrar que a falta de sono noturno pode gerar problemas de crescimento.

 
4. Problemas emocionais

Há estudos de diversas partes do mundo ligando diretamente a utilização excessiva de tecnologia a uma série de distúrbios emocionais. Entre os mais citados pelos pesquisadores estão: “Depressão infantil, ansiedade, autismo, transtorno bipolar, psicose e comportamento problemático”. Crianças tendem a repetir comportamentos dos adultos e de personagens que consideram referências. Logo, a exposição a jogos e filmes com violência excessiva pode causar problemas de agressividade também às crianças de até 12 anos.

 
5. Demência digital

Psicólogos e pediatras dos institutos já mencionados afirmam: “Conteúdos multimídia em alta velocidade podem contribuir para aumento o déficit de atenção.”. Além disso, a exposição a isso também causa problemas de concentração e memória. O motivo para isso seria a redução de faixas neuronais para o córtex frontal, que acontece pelo mesmo motivo recém-mencionado.

 
6. Emissão de radiação

A discussão sobre a relação entre o uso de celulares e o surgimento de câncer cerebral ainda é bem polêmica — e pouco conclusiva. Mas há algo em que os cientistas concordam: as crianças são mais sensíveis aos agentes radioativos do que adultos. Por causa disso, pesquisadores canadenses acreditam que a radiação dos celulares deveria ser considerada como “provavelmente cancerígena” para crianças.

 
Independente do quanto os médicos norte-americanos culpam os celulares e tablets por uma série de problemas infantis, é importante sempre ficar atento aos usos de cada aparelho. Manter os eletrônicos aliados à educação das crianças pode ser uma saída muito interessante, mas sempre evitando os excessos e a superexposição a conteúdos agressivos.

Fonte

 

I WANT MY iPAD! Are our kids getting addicted to technology?

Setembro 15, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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“Are toddlers really becoming addicted to technology? There’s certainly a lot of media hype to suggest that they are. And there’s no question the footage of small children breaking down when their tablet is taken away is unsettling:

 

 

Footage such as this is often aimed at showing the evils of technology and the myriad ways digital devices engender bad behaviour among children.

Viewers are often put in a position where they naturally try to apportion blame for such behaviour. In this case, the apparent targets are the technology and even the parents.
Scare tactics

As an expert in children, technology and learning, I question the purpose and proper interpretation of content such as this, regardless of whether it’s presented on prime time TV, headlining a newspaper or a new addition to a parenting blog.

In recent years society has been inundated with scare tactics around children’s increasing use of technology. To date, media articles have blamed technology for various ills in society such as obesity, insomnia, violence, aggression and language development issues.

Unfortunately, these scare tactics often succeed because they cause a sense of guilt among adults and perpetuate a sense of loss of control.

But this type of thinking doesn’t make sense. It suggests that by removing technology from their lives, children will be fitter rather than overweight, and mental health problems such as aggression and depression will diminish. Children’s health and happiness are essential goals, but magic wand thinking is not going to get us there.

The other obvious target of blame when watching the above footage are the parents themselves, and their seeming lack of ability to control their children’s use of technology.

But, as any parent knows, young children can have tantrums over many things. At this age they’re often not psychologically equipped to delay gratification, so we shouldn’t be surprised at their response to technology. In addition, just because they can’t delay gratification now doesn’t mean they won’t develop the capacity later in life.
Embracing technology

Blaming parents for indulging their children is easy, yet many parents correctly recognise that technology is an essential part of modern life. Many professions now require the use of multiple devices over the course of a working day.

In addition, much of our social lives have migrated online, requiring us to make use of technology to stay in touch with our friends and colleagues. Even government support agencies require individuals go online to make a claim or submit an enquiry.

Forbidding children to use electronic devices hampers their ability to engage with the modern world. Research shows that technology offers many educational benefits for children.

These include encouraging them to work with more complex ideas from an earlier age, promoting skills in collaboration and problem solving, accelerating learning in the first year of school, helping children with learning challenges and enhancing mathematics learning. School curricula around the word rely on technology for this very reason”.

Fonte: http://theconversation.com

A educação já não quer (só) o quadro preto, o lápis e o caderno

Junho 29, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do Observador de 20 de junho de 2015.

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Catarina Marques Rodrigues

Ensinar o corpo humano com vídeos do YouTube e fazer resumos das aulas com um tweet. Demorar cada aula pelo tempo que cada aluno demora a aprender. A educação já não é o que era?

Estamos a assistir a uma revolução na forma de educar os nossos alunos? Os exemplos e as opiniões de especialistas dizem que sim. A mudança não só é uma realidade, como uma necessidade. A Quartz debruça-se sobre o conceito de blended learning — um programa de educação em que o estudante aprende, pelo menos em parte, com recurso a conteúdos pela via digital e dos media. Estendendo este conceito ao máximo, temos a base da Khan Academy, que disponibiliza vídeos online sobre todas as disciplinas e para todos os anos, com explicações interativas. Dos mais de dois mil vídeos, consta, por exemplo, um sobre “o que são as células” e outro sobre “o que é a inflação”.

Em vez de se medir o tempo passado na sala de aula (duas horas de português, duas horas de matemática, duas horas de ciências da natureza), há quem esteja a propor que a educação se vá orientando pelo tempo que o aluno demora a aprender cada matéria. Ou seja, se o aluno aprender os conteúdos de português numa hora e os de matemática em três, então essa adaptação vai-se fazendo de forma personalizada, em vez de se cumprir o tempo definido a passar na sala de aula. Este é um modelo já seguido em algumas escolas de New Hampshire (EUA), conta a publicação.

A revolução do digital já está em todo o lado e motivou académicos e especialistas a escrever a “Open Letter on the Digital Economy” (Carta aberta sobre a economia digital). Os subscritores recomendam uma série de políticas públicas aos EUA para aproveitarem as vantagens das ferramentas digitais. Uma das áreas em destaque é precisamente a educação. “Temos de reinventar a educação, sobretudo nas disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Temos de nos afastar de uma aprendizagem mecânica e temos de nos basear mais nas nossas capacidades tão únicas, como a criatividade e as relações interpessoais”, lê-se no texto.

“Durante as últimas décadas o nível de educação estagnou e, ao mesmo tempo, a necessidade de competências que estão ligadas à explosão das tecnologias digitais continua a aumentar”, recomendam os subscritores, entre os quais estão professores da Universidade de Toronto, da Harvard Business School e os vencedores do Prémio Nobel de Economia de 2007 e 2013. “Temos de redesenhar a forma como educamos em todos os níveis, e usar o poder das tecnologias digitais”.

A resistência à mudança sente-se também em Portugal. Em outubro, David Rodrigues denunciava na conferência “A Inclusão nas Escolas” que os professores estão muitas vezes “pouco disponíveis para modificar a sua forma de ensinar”. Em entrevista ao Observador, o professor catedrático na Universidade Portucalense e diretor da revista “Educação Inclusiva” referia que os docentes deviam usar a internet, as redes sociais e os dispositivos móveis para ensinar, já que são ferramentas próximas dos alunos. E exemplificava. “Há professores nos Estados Unidos que pedem um resumo da aula aos alunos com um tweet.

David Rodrigues sugere que se use filmes do YouTube para explicar uma matéria ou que se use o Facebook para comentar uma fotografia e falar sobre um assunto. “Não coloquem as novas tecnologias fora da escola. Aceitem-nas para que elas possam contribuir”, pede o especialista.

Há professores a pensar: ‘como é que eu vou dar o corpo humano?’ Não é nada difícil, há cinco mil vídeos no YouTube sobre o corpo humano”, explica

“A maior parte dos professores pensa; ‘uma coisa é aula, que tem o livro, o caderno de fichas e o quadro preto, e outra coisa são os smartphones e os tablets. Errado. A escola do século XXI tem de ser diferente porque os alunos são diferentes”, remata o professor.

 

 


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