Separar alunos para melhorar os resultados? Nestas escolas resulta

Janeiro 2, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 17 de dezembro de 2018.

Projecto piloto criado há três anos em duas escolas da Madeira tem obtido resultados animadores. Taxas de retenções caíram a pique e notas mais altas subiram.

Márcio Berenguer

Em três anos, a Escola Básica dos 2.º e 3.º ciclos do Caniço baixou a taxa de retenção de 20,8% para 4%. No Estreito de Câmara de Lobos, nos mesmos três anos, a EB 2/3 local viu a taxa de sucesso evoluir de 89% para 96,9% — e a de insucesso baixar de 11% para 3,1%.

O resultado dos projectos pedagógicos destas duas escolas da Madeira, que dividiram os alunos por turmas de acordo com o desempenho académico dos anos anteriores (separando os que têm mais dificuldades dos que se saem melhor), não é mensurável apenas nas estatísticas. O sucesso, extravasa os números. “Muitos encarregados de educação têm vindo à escola pedir para os filhos entrarem para o programa”, diz, de sorriso aberto, Armando Morgado, presidente do conselho executivo da EB 2/3 do Caniço, uma cidade dormitório, paredes meias com o Funchal.

No início do ano lectivo de 2015/2016, quando os projectos “Caniço +” e “Estreito +” foram apresentados, as reacções foram muitas, e todas desfavoráveis. Entre a desconfiança dos encarregados de educação e as críticas abertas do sindicato dos professores e dos partidos da oposição ao governo social-democrata de Miguel Albuquerque, os programas foram alvo de grande escrutínio. A principal falha que lhe apontavam era os riscos de os alunos se sentirem discriminados. Outros, acusavam mesmo o sistema de estar a desistir das crianças com menor aproveitamento escolar.

“Pelo contrário.” António Mendonça, director da EB 2/3 do Estreito de Câmara de Lobos, uma freguesia rural a Oeste do Funchal, repete ao PÚBLICO o que vem dizendo nos últimos três anos. “Se houve discriminação, foi pela positiva. As turmas de recuperação [onde os alunos com maiores dificuldades foram colocados], sempre tiveram mais meios pedagógicos do que as restantes.” Toda a comunidade educativa, continua António Mendonça, percebeu isso. “Depois da relutância inicial, temos agora pais a pedirem para os filhos entrarem.”

O “Estreito +” começou por actuar no início de cada ciclo escolar, em duas turmas do 5.º e duas turmas do 7.º ano. Com um máximo de 16 alunos em cada, foram formadas turmas de desenvolvimento (para os que apresentavam um bom histórico académico) e de recuperação (para os que denotavam mais dificuldades). Ambas tinham a mesma mancha gráfica horária e contavam com dois professores por disciplina.

“Os resultados foram bastante positivos, com os alunos a terem melhor desempenho e vontade de aprender mais”, explica António Mendonça, dizendo que o projecto foi sendo alargado.

No arranque deste ano lectivo, a EB 2/3 do Estreito de Câmara de Lobos, tinha duas turmas “mais” no 5.º, duas no 6.º, seis no 7.º, e duas no 8.º e no 9.º. “Estamos a monitorizar os alunos que estiveram neste programa e entretanto saíram para outras escolas, para percebermos melhor o alcance a longo prazo deste programa”, acrescenta, dizendo que outras escolas da região têm procurado saber mais sobre o projecto.

A Secretaria Regional de Educação, que desafiou ambas as escolas a tentarem novas abordagens para reduzir o insucesso escolar, faz também um “balanço muito positivo” dos três anos do projecto. “Os dados disponíveis confirmam que é possível conceber e implementar com sucesso alternativas para manter a maioria dos alunos no ensino regular, como aconteceu no caso destas escolas”, diz ao PÚBLICO o gabinete de Jorge Carvalho, secretário regional de Educação.

No Estreito de Câmara de Lobos, desde que o programa chegou à escola, a taxa de retenção caiu de 11% para 3,1%. No Caniço, a taxa global de sucesso subiu de 79,2% (no final de 2014/2015) para os 96% do ano lectivo passado. Em anos mais sensíveis, como o 7.º ano, a taxa de retenção tornou-se residual: 2,6%, quando antes era de 15,2%.

“É sabido que cada pessoa aprende de forma diferente. Não pode, portanto, a escola que se afirma democrática, ensinar de forma igual para todos”, argumenta a secretaria regional, sustentando que a escola “apenas se constituirá como lugar de realização de justiça”, se conseguir que todos os alunos sejam bem sucedidos. “Senão o fizer, a desigualdade social será perpetuada e naturalizada.”

Foi com essa ideia, e com a certeza de que aplicando a mesma receita dificilmente os resultados serão diferentes, que o Estreito de Câmara de Lobos e o Caniço desenharam as turmas mais. No Caniço, de um total de 35 turmas, 14 integram o programa. Um número reduzido de alunos, bolsas de explicação e dividir a turma nas aulas de dois blocos (alternadamente metade vai para Português, a outra para Matemática) tem significado bons resultados.

“Tirando um caso ou outro, todos os alunos completaram o 3.º ciclo em três anos”, diz Armando Morgado, acrescentando outro dado. No ano passado, a escola ficou em primeiro lugar na Madeira no exame final de 9.º ano, entre os estabelecimentos com mais de 50 provas.

Estes resultados, não se esgotam nas turmas “mais”. A escola do Estreito de Câmara de Lobos tem aproveitado a liberdade proporcionada pelo Projecto de Autonomia e Flexibilidade Curricular (PAFC) para mexer nos currículos e adaptar a carga horária. No Caniço, além do PAFC, não faltam outras estratégias. Desde a robótica aplicada à Matemática, ao xadrez (obrigatório no 5.º ano), à aposta no clube de cultura, que agrega teatro, dança, música e outras disciplinas.

“Queremos apostar na cultura, como já apostamos no desporto”, explica Armando Morgado, encostado ao fundo do ginásio, onde no palco improvisado os alunos vão dando corpo aos fantasmas do Natal passado de Mr. Scrooge (personagem de Charles Dickens). Mas no Caniço, como no Estreito de Câmara de Lobos, não é preciso Dickens para lembrar como eram os anos lectivos passados. Nem ninguém quer regressar a eles.

72% dos alunos retidos no 5.º ano tiveram negativa a pelo menos cinco disciplinas

Julho 5, 2017 às 11:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.educare.pt/ de 8 de junho de 2017.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Resultados Escolares por Disciplina – 2.º Ciclo

Quais as disciplinas em que os alunos revelam maiores dificuldades? E aquelas em que obtêm nota “cinco”? Qual a probabilidade de um aluno recuperar uma nota negativa no ano letivo seguinte? Como se comparam as notas de rapazes e raparigas? Que notas conseguem os alunos mais carenciados? Estas e outras questões encontram resposta no estudo “Resultados Escolares por Disciplina – 2.º ciclo”, divulgado em maio pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e da Ciência.

Ciências Naturais, Educação Física, Educação Musical, Educação Tecnológica, Educação Visual, História e Geografia de Portugal, Inglês, Matemática e Português são as disciplinas que compõem o currículo do 5.º e do 6.º anos. Para perceber “as circunstâncias em que ocorrem o sucesso e o insucesso escolar no 2.º ciclo” nestas nove disciplinas, o Ministério da Educação mostra as classificações obtidas por todos os alunos matriculados em escolas públicas de Portugal continental, no ano letivo de 2014/2015.

Além de analisar as pautas finais, em cada ano de ensino, o estudo faz um seguimento dos melhores alunos, os que obtêm “cinco”, entre dois anos letivos consecutivos. Desta forma, percebe-se quantos alunos do 5.º ano conseguem manter a nota no 6.º ano.

Por outro lado, o Ministério da Educação faz as contas às taxas de recuperação de negativas trazidas do 5.º para o 6.º ano e do 6.º para o 7.º ano, entre os alunos que transitaram de ano. Com base nestes dados, a tutela argumenta que a elevada taxa de classificações negativas em Matemática, associada a uma fraca capacidade de recuperação à disciplina, é prova da “ineficácia da retenção”.

“Nucleares” causam mais dificuldades

Os resultados não surpreendem. As três disciplinas que já foram consideradas “nucleares” são as que mais dificuldades causam. Começemos pelo 5.º ano, em que 26% dos alunos têm negativa a Matemática, 14% Inglês e 13% Português. As percentagens de chumbos nas três disciplinas pouco diferem no 6.º ano: 30%, 15% e 9%, respetivamente.

Nas restantes disciplinas há menos insucesso. No 5.º ano e no 6.º ano, a percentagem de negativas em História e Geografia de Portugal é de 12% e de 9% e em Ciências Naturais é de 8% e 9%. No 5.º ano, 4% dos alunos tiram negativa em Educação Visual, Educação Musical e Educação Tecnológica, no 6.º a percentagem varia entre os 3% e os 2%, e apenas 2% dos alunos chumbam em Educação Física nos dois anos de ensino.

Olhando para o total de classificações, os resultados mostram que 63% dos alunos do 5.º e do 6. ano passaram de ano, designadamente para o 6.º e 7.º ano, sem negativas. Já 16% transitaram com uma negativa. Poderão ter passado de ano ou não, dependendo das decisões do conselho de turma, 11,5% de alunos com duas negativas e 9,5% com três ou mais negativas. Dito de outro modo, mais de um terço dos alunos que frequentaram o 2.º ciclo no ano letivo de 2014/2015 chumbaram em pelo menos uma disciplina.

“Curiosamente”, diz o Ministério da Educação, apesar de as negativas a Matemática e Inglês serem mais frequentes, “onde uma maior proporção de alunos revela dificuldades sérias”, ambas as disciplinas têm também a sua quota parte de excelentes alunos, com classificação “cinco”.

Quais as diciplinas de nota “cinco”?
As notas variam numa escala de 1 a 5 valores, no 2.º ciclo, o que permitiu ao Ministério da Educação analisar não apenas os casos em que o aproveitamento escolar é insuficiente, mas também em que é excelente.

Quais as disciplinas em que os alunos tiram mais notas “cinco”? Tanto no 5.º, como no 6.º ano a resposta é a mesma: Educação Musical foi a disciplina em que uma maior percentagem de alunos, 24%, alcançou a classificação máxima. Os dados mostram também que bastantes alunos obtêm “cinco” Educação Física, Educação Visual e Educação Tecnológica.

Olhando, agora, para os resultados excelentes nas disciplinas em que se registam mais negativas, vê-se que tanto no 5.º como no 6.º anos é mais frequente encontrar alunos com nota “cinco” em que Inglês e a Matemática do que a Português. Apenas 9% e 7% dos alunos conseguem nota máxima no 5.º e no 6.º anos em língua materna. Em Inglês, a proporção de alunos com nota “cinco” é bastante mais elevada: 17% no 5.º ano e 15% no 6.º ano.

A análise da distribuição das classificações dos alunos, por disciplina, na escala de 1 a 5 valores possibilitou outras descobertas. Como a de que os professores praticamente não dão a nota mais baixa.

Se o “um” é a classificação mais rara, o “três” é a nota mais comum na generalidade das disciplinas. Exceto em Educação Musical e Educação Física, em que o “quatro” é mais frequente e em que 65% dos alunos ou têm “quatro” ou tem “cinco”, no final do ano. Em Matemática, por exemplo, a percentagem análoga é aproximadamente de 35%.

Da “nega” à positiva
Existe uma proporção significativa de alunos que passam de ano, com negativa a uma ou a duas disciplinas. A falta de aproveitamento, como foi referido, é mais frequente a Matemática, e em menor percentagem, também em Inglês e em Português.

“Chegados ao ano seguinte, é natural que estes alunos sintam algumas dificuldades em acompanhar devidamente a matéria das disciplinas que já traziam sem aproveitamento do ano anterior”, explicam os autores do relatório “Resultados Escolares por Disciplina”.

Esta dificuldade em entender a “nova” matéria, quando a “antiga” não foi corretamente aprendida, acaba por gerar aproveitamento negativo no novo ano de escolaridade. Qual a probabilidade de um aluno recuperar uma nota negativa no ano letivo seguinte? Foi a pergunta a que o Ministério da Educação quis dar uma resposta, analisando as recuperações de negativas no ano seguinte.

Qual das situações é mais frequente: o aluno conseguir a positiva ou voltar a ter negativa? A resposta varia, consoante a disciplina em causa. Em Educação Tecnológica ou Educação Visual, é muito frequente os alunos obterem positiva no 6.º ano, quando tiveram negativa no 5.º ano. Os dados mostram que 85% dos alunos que trouxeram do 5.º ano uma “nega” a Educação Tecnológica tiveram positiva no ano seguinte. Em Educação Visual, a percentagem de recuperações é também elevada, situa-se em 81%.

A recuperação é mais difícil quando o insucesso ocorre às disciplinas de Matemática e de Inglês. Só 21% dos alunos que transitaram do 5.º ano para o 6.º ano com negativa a Matemática alcançaram a positiva nesse mesmo ano. Em Inglês a taxa de recuperação foi de 34%. O que diz o Ministério da Educação sobre estes dados?

“Estes resultados sugerem que obter uma classificação final negativa a Matemática é um problema mais sério do que obter uma classificação negativa noutra disciplina, pois a probabilidade de posterior recuperação dessa negativa é muito menor.”

O estudo mostra ainda as taxas de recuperação de negativas dos alunos que transitaram do 6.º ano para o 7.º ano no final de 2013/2014, analisando os resultados que esses mesmos alunos obtiveram no final de 2014/2015. Como o 7.º ano já pertence ao 3.º ciclo, e nem todas as disciplinas do 6.º ano existem no ano seguinte, as comparações do Ministério da Educação cingiram-se às disciplinas de Português, Matemática, Inglês, Ciências Naturais, Educação Visual e Educação Física.

De novo, “a dificuldade de recuperação de negativas difere muito de disciplina para disciplina”, lê-se no relatório. Alguns exemplos: entre os alunos que passaram do 6.º ano para o 7.º ano com nota negativa em Matemática, apenas 22% recuperaram no final do 7.º ano. Em Inglês, a mesma percentagem de recuperação de negativas foi de 40%. E em Português, 45% dos alunos conseguiram recuperar e acabar o 7.º ano com positiva. No extremo oposto, em Educação Visual e Educação Física, 78% e 76% dos alunos conseguiram recuperar a negativa trazida do 6.º ano.

Recuperação entre os “repetentes”
A informação recolhida pela tutela mostra que entre os alunos que chumbaram em 2014/2015, e que representam 10% do total de alunos do 2.º ciclo, a recuperação é ainda mais difícil. O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, tem argumentado que a retenção é um dos principais focos de preocupação do sistema educativo português.

Dos alunos do 5.º ano que não transitaram para o 6.º ano no final de 2014/2015, cerca de 43% tiveram nota final negativa a seis ou mais disciplinas. Somando estes aos alunos que chumbaram com cinco negativas, percebe-se, segundo o Ministério, que “uma esmagadora maioria” de 72% dos alunos retidos no 5.º ano tiveram negativa em pelo menos cinco disciplinas. Para os responsáveis pela Educação, isto significa que “entre quem chumba no 5.º ano, as dificuldades escolares são generalizadas”.

Apenas 7% dos alunos retidos neste nível de escolaridade, em 2014/2015, tinha negativa a três disciplinas e, por isso, estava no limiar de mínimo de negativas a partir do qual os conselhos de turma, por norma, decidem chumbar o aluno. “O que mostra que existem relativamente poucas retenções à tangente”, esclarece o relatório.

No caso dos alunos retidos no 6.º ano de escolaridade, o cenário é muito semelhante. Ainda assim, são mais frequentes as retenções “marginais”, ou seja, com duas e três negativas. De notar, em matéria de chumbos, que o aluno fica reprovado com negativa a duas disciplinas se estas forem em simultâneo Português e Matemática.

As reprovações no 6.º ano com negativa em cinco ou mais disciplinas representam 47% do total de retenções, uma percentagem relativamente inferior aos 72% observados no 5.º ano. As disciplinas com aproveitamento insuficiente entre os alunos que chumbaram no 5.º e no 6.º ano são sobretudo a Matemática, o Inglês, o Português e a História e Geografia de Portugal.

Rapazes e raparigas

Os desempenhos escolares das raparigas são bastante superiores aos dos rapazes, em praticamente todas as disciplinas consideradas no estudo, exceto a Educação Física. Seja em Matemática, ou Inglês, Ciências Naturais ou Educação Musical, seja no 5.º ou no 6.º ano, há sempre mais notas negativas entre os rapazes. Mas o fosso é “particularmente largo” na disciplina de Português, diz o relatório. No 5.º ano, tiram negativa nesta disciplina 17% dos rapazes, contra 8% das raparigas; no 6.º ano, 13% dos rapazes e 6% das raparigas.

As raparigas voltam a ganhar na percentagem final de “quatros” e “cincos”, tanto no 5.º como no 6.º ano, exceto na disciplina de Educação Física, na qual mais rapazes do que raparigas obtêm as pontuações máximas.

O estudo faz ainda uma análise das classificações por disciplina tendo como critério o facto de o aluno ser ou não beneficiário dos apoios da Ação Social Escolar (ASE). A comparação realizada foi semelhante à efetuada entre rapazes e raparigas. O apoio ASE, recorde-se, está dividido em dois escalões: o A corresponde a dificuldades económicas severas e o B a carências mais ligeiras.

Considerando as duas disciplinas geradoras de maior percentagem de notas negativas no 2.º ciclo, os dados mostram, por exemplo, que 44% dos alunos do 5.º ano com nota final negativa a Matemática estão no escalão A, 28% no escalão B e apenas 16% não são beneficiários de apoios. Relativamente às negativas em Inglês, a distribuição é semelhante: 25% dos alunos estão no escalão A, 14% no B e 7% não têm escalão.

Mas há mais exemplos: no 6.º ano, 48% dos alunos com negativa a Matemática estão no escalão A, 32% no B e 20% não são beneficiários. Em Inglês, 26% dos alunos com negativa no final do ano estão colocados no escalão A, 17% no B e 9% não têm ASE. Nas restantes disciplinas, tanto no 5.º como no 6.º ano, a distribuição segue o mesmo sentido: mais negativas entre os alunos beneficiários e muito menos entre os não beneficiários.

Na leitura feita sobre os dados recolhidos, o Ministério da Educação realça que “não deixa de impressionar a regularidade e a intensidade da correlação entre as classificações dos alunos nas disciplinas e o seu contexto económico”. Efeitos “muito marcados” sobretudo em Matemática, Inglês, História e Geografia de Portugal, Português e Ciências Naturais, e “um pouco mais suaves” em Educação Musical, Educação Visual, Educação Tecnológia e Educação Física.

“Parece ser inegável que, em Portugal, o sistema educativo terá de continuar a trabalhar para que a escola pública cumpra o seu papel nivelador de oportunidades entre alunos oriundos de diferentes estratos socioeconómicos”, lê-se no estudo.

 

Estudo. Chumbar não ajuda os alunos a melhorar resultados

Setembro 29, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia http://observador.pt/ de 26 de setembro de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Números, letras ou tubos de ensaio?

antonio-amaral

Agência Lusa

Estudo desenvolvido pelo projeto aQueduto revela que alunos repetentes do 9.º ano têm piores resultados do que os que nunca chumbaram. Portugal tem taxa de retenção de 34%, contra 4% da Finlândia.

Um estudo desenvolvido pelo projeto aQueduto revela que os alunos repetentes do 9.º ano têm piores resultados do que aqueles que nunca chumbaram, apresentando Portugal com uma taxa de retenção de 34%, contra 4% da Finlândia.

A partir de uma amostra de sete países (Holanda, Luxemburgo, Espanha, Irlanda, Dinamarca, Portugal e Finlândia), os autores do trabalho concluem que chumbar “não parece contribuir” para que os alunos melhorem as suas aprendizagens em nenhum dos domínios avaliados: matemática, leitura e ciências.

“Na generalidade dos países, incluindo Portugal, os alunos que frequentam o 9.º ano por terem chumbado apresentam piores resultados em todos os domínios do que os seus pares que também frequentam o 9.º ano, mas que nunca chumbaram”, lê-se no documento, que será discutido hoje no Conselho Nacional de Educação (CNE), em Lisboa.

Porém, há diferenças entre os sistemas de ensino dos vários países. Na Holanda, por exemplo, os alunos que chumbaram (28%) não estão um ano atrasados, sendo-lhes permitido continuarem o seu percurso entre os colegas da mesma idade. O Luxemburgo adota uma política semelhante.

Num plano mais alargado, que inclui também a República Checa, França, Suécia, Dinamarca, Irlanda e Polónia, é a Finlândia que tem a menor carga de trabalho fora da escola (incluindo trabalhos de casa, explicações e trabalhos de pesquisa).

No entanto, é aos alunos mais fracos que exige “um pouco mais de esforço”. Do mesmo modo, a República Checa, a Dinamarca, a Suécia e a Polónia “tendem a exigir mais trabalho aos alunos com piores resultados”.

Nos restantes países, entre os quais Portugal, são os melhores alunos que mais trabalham fora do horário escolar.

“Em Portugal, os alunos muito bons trabalham cerca de três horas semanais a mais, a maior diferença entre os países observados”, sublinham os autores do estudo.

Foram usados dados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) de 2012 para este trabalho, que será discutido sob o tema “Números, letras ou tubos de ensaio?, numa sessão que conta com a participação do presidente do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), Helder Sousa.

O projeto aQueduto: avaliação, equidade e qualidade em educação é uma parceria entre o Conselho Nacional de Educação e a Fundação Francisco Manuel dos Santos.

 

 

Foi no 9.º ano que a taxa de chumbos mais caiu no ano passado

Agosto 2, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 4 de julho de 2016.

nuno veiga lusa

Marlene Carriço

A taxa de retenção de alunos baixou em todos os níveis de ensino no ano passado. Foi no 9.º ano de escolaridade que os chumbos mais caíram face ao ano anterior.

No ano passado houve menos alunos a chumbar em todos os níveis do ensino obrigatório. A redução mais acentuada verificou-se no 9.º ano de escolaridade, de acordo com os dados mais recentes divulgados pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC).

Começando precisamente pelo 9.º ano — que é onde se nota um maior progresso neste indicador –, no ano passado, um em cada 10 alunos matriculados ficou retido, o equivalente a uma taxa de retenção de 10,61%, analisando os dados em bruto, referentes apenas ao ensino regular e Portugal Continental, apresentados nas “Estatísticas da Educação 2014/2015”. Em 2013/2014 essa taxa fixou-se nos 15,03%. A quebra foi assim de 4,43 pontos percentuais.

O ano com a segunda maior quebra nos chumbos foi o 6.º, que corresponde ao fim do 2.º ciclo, onde havia prova final a contar 30% para a nota. Nesse ano de escolaridade a taxa de retenção rondou os 8,6%, menos 3,05 pontos percentuais do que no ano anterior.

Ainda assim estes não são os anos de escolaridade onde menos alunos chumbam. É no 4.º e no 3.º anos que se encontram as mais baixas taxas de retenção: 2,25% e 3,9% respetivamente. No extremo oposto, é no conjunto do ensino secundário (18,3% de chumbos), com incidência para o 12.º ano, e no 7.º ano (15,13%) que mais alunos ficam retidos.

Ao Expresso, o ex-ministro da Educação, Nuno Crato, destacou que “o que é mais notável é que o sucesso subiu com a exigência”, referindo-se à avaliação externa no 4.º e 6.º anos introduzida durante o seu mandato e que o atual Governo já substituiu por provas de aferição (que não contam para nota) no 2.º, 5.º e 8.º anos.

Os dados agora disponibilizados pela DGEEC permitem ainda confirmar que o número de alunos matriculados desde o pré-escolar até ao ensino secundário caiu continuou a cair. Ao todo, considerando jovens e adultos, ensino público e privado, e todos os níveis de ensino, incluindo pré-escolar, havia, em 2014/2015, 1.699.976 inscritos, 80,3% dos quais no público. O total de alunos caiu 0,5% face ao ano anterior e se recuarmos cinco anos aí a quebra é mais notória: 15,6%.

 

 

Alunos que frequentam o pré-escolar mais do que um ano chumbam menos

Março 30, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 28 de março de 2016.

Isabel Leiria

Em duas décadas a taxa de pré-escolarização das crianças com 5 anos passou de 53% para 96%

A frequência do pré-escolar faz a diferença? Olhando para a percentagem de chumbos registada entre quem andou num jardim-de-infância durante um ano ou mais e quem só se estreou na escola aos 6 anos tudo indica que sim.

Os investigadores do projeto Aqeduto, apoiado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, cruzaram vários dados do PISA e concluíram que 29% dos alunos com frequência de um ano ou mais de pré-escolar chumbaram pelo menos uma vez até aos 15 anos. Mas essa taxa dispara para os 46% entre os estudantes da mesma idade que não andaram no jardim-de-infância. Ou seja, concluem os investigadores, “estes resultados parecem suportar a ideia de que a influência do pré-escolar se torna mais visível quando as crianças o frequentam por um período mais prolongado”.

Recorde-se que Portugal tem uma das mais altas taxas de reprovação da OCDE: até aos 15 anos, um em cada três alunos chumbou pelo menos uma vez.

Estes resultados são discutidos hoje ao final do dia, no CNE, na apresentação deste que é o quarto estudo desenvolvido no âmbito do projeto Aqeduto. Encontrar explicações para as variações dos resultados dos alunos portugueses nos testes PISA (realizados nos países da OCDE de três em três anos) é o objetivo.

Mas se mais anos em ambiente escolar estão associados a resultados mais altos na avaliação nacional, os investigadores já não encontraram essa relação no que respeita ao desempenho dos jovens na literacia em leitura avaliada no PISA. “Verifica-se uma melhoria subtil dos resultados dos alunos que frequentaram o pré-escolar, embora este impacto não seja determinante”, concluíram.

O que é evidente é a evolução que o país registou nos indicadores de frequência do pré-escolar. A taxa de pré-escolarização para crianças de 5 anos passou de 53% em 1990 para 96% em 2013. E quem beneficiou mais deste alargamento da rede foram as famílias dos estratos socioeconómicos e cultural mais baixos.

Ainda assim, há diferenças assinaláveis entre classes. Se, em 2012, 94% das famílias com estatuto socioeconómico alto tinham os filhos em idade pré-escolar num estabelecimento de ensino, em relação aos agregados com estatuto baixo esse valor estava nos 80%.

 mais informações:

aQeduto: Avaliação, qualidade e equidade em educação

 

 

 

Norte e Centro continuam a ser as regiões com menos chumbos

Dezembro 6, 2011 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 28 de Novembro de 2011.

Por Lusa, Clara Viana

A percentagem de alunos do ensino básico e secundário que chumbou no ano lectivo de 2009/2010 continua a ser menor no Norte e Centro e maior nas regiões autónomas e na zona de Lisboa. Os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística confirmam a existência de fortes disparidades regionais no que respeita ao sucesso escolar dos alunos.

Uma comparação com dados de anos anteriores, divulgados pelo Ministério da Educação, dá conta de que os lugares ocupados pelas diferentes regiões têm-se mantido estáveis.

Segundo o INE, no ano lectivo passado, a taxa de retenção e desistência no ensino básico foi de 7,9%. Cinco das sete regiões de Portugal ultrapassaram esta média. Na Madeira chumbaram, no básico, 11,8% dos alunos. Em Lisboa o mesmo aconteceu a 9,6%. No Norte e Centro as taxas de retenção situaram-se nos 6,2 e 6,8% respectivamente.

O insucesso é maior quando se tem só em contra os resultados do 3º ciclo, o último do ensino básico. A taxa de retenção sobe, na média nacional, para 13,8%. Madeira, Açores, Algarve, Lisboa e Alentejo voltam a ser as regiões que têm resultados piores. No 3º ciclo a percentagem de chumbos oscila, nestas regiões, entre 19,4 e 14,%. No Norte e no Centro chumbaram, neste ciclo 11,5 e 12,2% dos alunos.

No ensino secundário o Alentejo junta-se à lista das regiões com melhores resultados. A taxa de transição/conclusão neste nível de ensino é ali igual à da média nacional: 80,7%. No Norte e Centro foi superior. Nos Açores 74,5% dos alunos do ensino secundário passaram de ano. Foi a região com piores resultados.Com 78,1%, Lisboa ficou em quarto lugar.

Por sub-região, seis ilhas dos Açores (Flores, Terceira, Santa Maria, Pico, São Miguel e Faial) lideram a lista dos chumbos, com taxas entre 10,8 e 12,9%. Surgem depois a península de Setúbal (10,3%), Alentejo Litoral (9,8%) e Grande Lisboa (9,3%).

Do lado oposto, com as mais baixas taxas de retenção e desistência nos três ciclos do ensino básico, estão as sub-regiões de Minho-Lima (4,6%), Baixo Mondego (5,2%) e Cávado (5,3%). Numa análise por município, os últimos lugares pertencem à Calheta (Madeira), Vila Franca do Campo (Açores), Porto Moniz (Madeira), São Roque do Pico (Açores), Alter do Chão (Alentejo) e Freixo de Espada à Cinta (Norte), com taxas entre 17,8 e 15,9%. Já os concelhos mais bem sucedidos são Arronches, Castelo de Vide e Almodôvar (Alentejo), e Armamar, Moimenta da Beira e Mondim de Basto (Norte), com valores entre 0,4 e 2,9%.

Os dados divulgados pelo INE fazem parte dos Anuários Estatísticos Regionais hoje publicados. No seu resumo referente à educação, o INE frisa que “os desempenhos mais favoráveis nas regiões Norte e Centro têm por base disparidades internas, nomeadamente com os municípios do Litoral da região Norte a apresentar valores mais elevados”.


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