Há menos seis bebés por dia a nascer em Portugal

Julho 19, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 7 de julho de 2017.

Tânia Pereirinha

Ao todo, no primeiro semestre de 2017, foram registados menos 1.069 nascimentos do que no mesmo período do ano passado. É a primeira vez que há uma quebra desde 2015.

Em 2014 nasceram 82.367 bebés em Portugal; no ano seguinte, 85.500; e um mais tarde, 87.126. A confirmar-se a tendência registada no primeiro semestre de 2017, este será o ano em que a taxa de natalidade volta a baixar: até dia 30 de junho, só 41.689 bebés — menos 1.069 do que em igual período do ano passado, uma média de menos seis por dia — foram submetidos ao “teste do pezinho”. Os dados são do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e estão a ser avançados esta sexta-feira pelo Jornal de Notícias.

Porque o Programa Nacional de Diagnóstico Precoce é recomendado mas não obrigatório; e também porque, dizem as estatísticas nacionais, a maior parte dos nascimentos até acontece entre os meses de Julho e Dezembro, estes números devem ser avaliados com cuidado e as contas finais só devem ser feitas no final do ano, avisam várias especialistas contactadas pelo jornal.

“É muito prematuro para falar seja do que for. As tendências não se medem por um ou dois anos. Na altura [quando os nascimentos começaram a subir], alertei que, porventura, não seria uma alteração de tendência, mas teria antes a ver com os nascimentos adiados. Esse adiar por causa da crise poderá ter estado na origem da ligeira recuperação nos últimos dois anos”, diz Maria João Valente Rosa, demógrafa e diretora da Pordata.

De acordo com a base de dados, organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, Portugal tem a taxa de fecundidade mais baixa da União Europeia — 36% contra 57,8% da Irlanda. As portuguesas são mães pela primeira vez aos 30,3 anos — em 1980 a média fixava-se nos 23,6. A taxa bruta de natalidade, que em 1960 era de 24,1%, em 2016 ficou em 8,4%.

 

Disparou o número de crianças a viver só com a mãe

Maio 10, 2016 às 9:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://rr.sapo.pt de 2 de maio de 2016.

Descarregar o estudo citado na notícia em baixo:

Determinantes da Fecundidade em Portugal

DR

A natalidade aumentou quase 4% em 2015, mas há um dado essencial a reter: mais de 16% destes pais não são casados nem coabitam. Um deles, habitualmente o pai, emigrou.

A percentagem de crianças a viver só com a mãe disparou em Portugal, e, na maioria dos casos, a responsabilidade é da crise e da emigração. As conclusões são do estudo “Determinantes da Fecundidade” que divulgado esta segunda-feira pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS).

O estudo conclui que em 2015 a natalidade aumentou em Portugal quase 4%, numa aparente inversão de tendência, mas há um dado essencial a reter: mais de 16% destes pais não são casados nem coabitam. A percentagem triplicou nos últimos 10 anos.

A coordenadora do estudo, a demógrafa Maria Filomena Mendes, aponta, em declarações à Renascença, duas explicações para o fenómeno. “Alguns dos casais que coabitavam deixaram de viver na mesma casa devido à emigração. Durante o período da crise, a partir de 2010, tivemos valores altíssimos de emigração, sobretudo masculina. Muitos dos bebés nascidos em Portugal no ano passado podem ser um reflexo desta situação”, observa.

“Outra razão será a própria crise. Alguns casais não têm condições para viver em casa própria. Ou seja, tem os filhos mas continua, cada um dos progenitores, a viver na casa dos pais”, explica a demógrafa.

Maria Filomena Mendes tem contudo a esperança de que, uma vez ultrapassada a crise, quando os pais não forem obrigados a emigrar, muitas destas famílias possam voltar reunir-se. “Acho que podemos ter essa expectativa, porque quer os homens quer as mulheres querem ter filhos”, afirma.

“O estudo mostra exactamente isso: A maioria dos portugueses quer ter filhos, pelo menos um filho, e tanto as mães como os pais querem participar activamente e ter tempo para acompanhar os filhos no seu crescimento e na sua educação”, sublinha. “Isso, provavelmente, é um motivo para termos esperança no futuro da fecundidade em Portugal.”

 

 

Por que é que o país da école maternelle é tão “confortável para se ter filhos”?

Julho 6, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do Público

Andreia Sanches (texto, em França), Miguel Manso (fotografia), Vera Moutinho (vídeo) e Joaquim Guerreiro (infografia)

A França é hoje o país mais fértil da União Europeia: quase 2 filhos por mulher. Portugal, país de filhos únicos, não passa dos 1,21. Em 2014, o concelho de Alcoutim registou a mais baixa taxa bruta de natalidade do país e nos últimos 20 anos perdeu 20% da sua população.

Portugal tem o mais baixo índice de fecundidade. A França, que nos anos 1990 tinha visto o número de filhos por mulher baixar, tem hoje o mais alto. De que forma pode o país da école maternelle inspirar Portugal a resolver um dos seus problemas mais estruturais?

Solen Bodilis trabalha em part-time — 80% do horário normal, “o que também significa 80% do salário e 80% das férias”, mas é uma forma de ter as quarta-feiras livres para estar mais tempo com os quatro filhos. A geóloga de 45 anos fez uma escolha bem mais comum em França do que em Portugal: um terço das francesas trabalha a tempo parcial. Nascida na Bretanha, é casada com António Pires da Cruz, um engenheiro mecânico português de 44 anos. Vivem em Rueil-Malmaison, cidade tranquila de 80 mil habitantes, na margem esquerda do Rio Sena, a poucos quilómetros de Paris.

Ao fim da tarde, o centro é invadido por mães e pais com carrinhos de bebé e crianças a andar de bicicleta. Na montra de uma pastelaria, cheia de bolos de cores garridas, há um letreiro que convida a comprar um doce para oferecer no Dia das Mães, que aqui se assinala no último domingo de Maio. Estamos em França, o país com o maior índice de fecundidade da União Europeia. Portugal está no outro extremo: é o menos fértil.

Com uma média de dois filhos por mulher, que se tem mantido estável, a França consegue estar na confortável situação demográfica de ter “a substituição das gerações garantida”, nota Claude Martin, responsável pela cadeira de Protecção Social na Escola de Altos Estudos em Saúde Pública, em Rennes, e director do Centro de Investigação da Acção Política na Europa, que tem sede na Universidade de Rennes 1.

Desde o início da década de 30 do século passado que as políticas de família francesas se baseiam na promoção da natalidade , explica Claude Martin. Mesmo assim, ao longo dos anos de 1970, o país ainda assistiu, como outros europeus, a uma quebra, “com a generalização dos métodos contraceptivos e da ideia de que havia que concentrar energias num número menor de crianças”. Em 1995, o índice de fecundidade atingiu os valores mais baixos: 1,65 filhos por mulher. Depois, algo mudou. E muito: “A recuperação assumiu estes números: de 760 mil nascimentos em 1995, para 808 mil, em 2000, e 833 mil, em 2010.”

França seguiu, portanto, o sentido inverso de Portugal que, em 2013, o último ano para o qual há dados, apresentava um índice de fecundidade de 1,21. O que explica a retoma francesa? Essa é a pergunta difícil, diz Claude Martin. Mas foi essa que fomos fazer a famílias e especialistas no assunto. E mais esta: de que forma pode a França inspirar Portugal a resolver um dos seus problemas mais estruturais?

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Mais tempo com os filhos
Regresso a Solen Bodilis e António Pires da Cruz, em Rueil-Malmaison. Com a família a crescer, o casal trocou um apartamento de 70 metros quadrados, no centro, por uma bem mais espaçosa moradia alugada, com um jardim nas traseiras e um balouço. Recebem-nos com Tiago, 16 anos, Anna, 15, Aël, 9, e Sara, 5 — todos frequentam escolas públicas.
Há uns anos chegaram a ter em casa uma ama, que partilhavam com outra família para que os 1400 euros que ela ganhava não pesassem tanto no orçamento familiar. O Estado ajudava a pagar parte dos encargos sociais da funcionária (Segurança Social, seguros, etc…) e parte do salário dela era deduzível nos impostos.

Solen trabalha numa empresa em Paris, a “40 minutos de comboio se tudo corre bem”, e António faz investigação na área de motores automóveis, num instituto semi-público, a poucos minutos de bicicleta. Organizaram-se com outras famílias para que cada dia da semana seja uma diferente a levar de carro os miúdos mais velhos ao Lycée International de Saint Germain en Laye — todas têm carros onde cabem seis ou sete crianças. Só Aël e Sara não precisam desta boleia, a escola delas é perto de casa.

Esta organização informal entre famílias é comum em França. Outro exemplo: em várias cidades vêem-se sinais de “Pédibus” nas ruas  — são uma espécie de sinal de trânsito, colocado nos passeios, onde a uma hora pré-determinada as crianças se juntam com a certeza de que há um pai ou uma mãe que levará todos para a escola, a pé, em segurança. Lê-se num desses sinais que assim se evita o caos (“e a poluição”) dos carros parados junto aos portões das escolas à hora das entradas e das saídas.

Foi quando Aël nasceu que Solen decidiu trabalhar menos horas por semana. “É um direito em França”, sublinha. Os empregadores não podem recusar, têm de manter o posto de trabalho de quem quer gozar o chamado “complément de libre choix d’activité” (em 96% dos casos mulheres) e o trabalhador pode reduzir o horário, ou até cessar totalmente a actividade, até ao terceiro ano de vida do filho.

A Caisse Nationale des Allocations Familiales (Caf) — o braço familiar da Segurança Social francesa — encarrega-se de pagar ao trabalhador o dito “complément”, uma espécie compensação para minimizar a redução ou a perda de salário.

“Eu recebia 100 e tal euros por mês e foi assim até aos 3 anos da Aël”, conta Solen. “Depois fiquei sem receber algum tempo, mas mantive o part-time. Depois, voltei a receber após o nascimento da Sara, outra vez até aos 3 anos.” Com alguma polémica à mistura, a lei mudou no ano passado e as regras e duração do “complément” encurtaram, mas isso já não afecta Solen.

Findo o período legal desta licença, o empregador pode dizer que não quer que o trabalhador continue a part-time. “Mas isso não aconteceu comigo”, continua. E não acontece com muitas outras mulheres de profissões mais qualificadas que, diz, mesmo estando a 70% ou 80%, acabam por fazer quase o mesmo trabalho que fariam com um horário completo. Às quartas-feiras, quando não vai trabalhar, a geóloga mantém muitas vezes o computador de casa ligado.

No ano passado, 480 mil famílias optaram, após a licença de maternidade , por reduzir ou parar a sua actividade e receberem o “complément”.

 

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 Ler o resto da reportagem e ver o vídeo no link:

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/por-que-e-que-o-pais-da-ecole-maternelle-e-tao-confortavel-para-se-ter-filhos-1699999

 

Só 1 em cada 4 portugueses pensa ter filhos nos próximos três anos

Julho 1, 2014 às 11:14 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 30 de junho de 2014.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Inquérito à Fecundidade 2013

Paulo Cunha Lusa

Ter muitos filhos deixou de ser um desejo da população e o número de filhos para uma família ideal foi descendo

Raquel Albuquerque

Portugal está na cauda da Europa quando se fala no número de filhos por mulher (1,21). Perceber porquê implica olhar para o número de filhos que os portugueses têm, o número de filhos que gostariam ter e o número de filhos que, na realidade, imaginam vir a ter. Tudo junto permite chegar a algumas conclusões: já não queremos muitos filhos e temos menos do que gostávamos. Se olharmos para as intenções dos próximos três anos, concluímos que só um em cada quatro portugueses pensa ter filhos.

Os resultados definitivos do Inquérito à Fecundidade 2013, publicados esta segunda-feira pelo INE e pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), mostram que mais de metade da população atualmente já não quer ter filhos ou não quer ter mais filhos do que tem.

Se aos que já não querem ter juntarmos os que não pensam ter nos próximos três anos, o número é ainda maior. De três quartos da população portuguesa não podemos esperar nascimentos nos próximos três anos.

“Os contextos sociais, económicos, culturais, geográficos, entre outros, têm impactos decisivos nos percursos de fecundidade das pessoas”, aponta o estudo, cujos primeiros resultados tinham sido publicados em novembro de 2013.

Expectativa de ter mais do que dois não existe

Olhando para os números, conclui-se que em média os portugueses têm um filho (1,03) e pensam vir a ter no máximo 1,78. Ou seja, a expectativa de ter mais do que dois, em média, não existe.

Mas enquanto os portugueses têm, em média, um filho, a verdade é que desejariam ter 2,31 filhos e consideram que a família ideal seria composta por 2,38. O que também se percebe é que a fecundidade desejada ao longo da vida – ou seja, o número de filhos desejados – tem vindo a descer. O número mínimo de filhos necessário para garantir que as gerações se substituem – o índice de renovação das gerações – é de 2,1.

Quando se pergunta se a população portuguesa não tem um número elevado de filhos porque não quer ou não pode, a resposta é clara. “É mesmo porque não quer. A intenção e o desejo de descendências numerosas não existe para a esmagadora maioria da população”, aponta Maria João Valente Rosa nos comentários ao estudo publicados esta segunda-feira.

“Verifica-se uma tendência decrescente quando se observa o número ideal de filhos numa família, o número de filhos que as pessoas desejam para si ao longo da vida e aqueles que efetivamente esperam ter”, lê-se no destaque do INE.

As expectativas das pessoas, explica o estudo, nomeadamente no que se refere ao número de filhos que desejam, “vão sendo ajustadas ao longo da vida em função, entre outras variáveis, da entrada na parentalidade e do número de filhos que já têm”.

O facto de as pessoas já terem ou não terem filhos influencia a intenção de os vir a ter ou vir a ter mais.

O estudo deixa uma esperança para o que poderá estar para vir. O facto de os portugueses pensarem chegar aos 1,78 filhos – um número superior ao atual índice sintético de fecundidade (1,21) – permite “equacionar um cenário otimista quanto a uma possível recuperação dos níveis de fecundidade no futuro”.

A baixa fecundidade e o envelhecimento da população têm vindo a caracterizar a demografia portuguesa nas últimas décadas, algo que, como o estudo indica, tem implicações nas dinâmicas e formas de organização das sociedade europeias.

Somos o segundo país onde se nasce menos

Novembro 8, 2011 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Destak de 27 de Outubro de 2011.

O relatório mencionado na notícia é o seguinte:

The State of World Population 2011

 


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