Espetáculo “Olhar de novo” + Seminário/Debate “Bullying – formas e perspetivas de atuação”

Março 14, 2014 às 11:45 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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olhar

Depois das apresentações para o ensino secundário, nos dias 12, 13 e 14, a Baal17 apresenta o espetáculo “Olhar de novo” para o público em geral, seguido do seminário/debate “Bullying – formas e perspetivas de atuação”.

O seminário, dirigido a pais, alunos, professores e todos os interessados em debater a temática, conta com a moderação da jornalista Ana Sousa Dias e a presença dos seguintes oradores:

Luís Fernandes, psicólogo. Autor do livro “Plano bullying – como apagar o bullying das escolas”

Tânia Paias, psicóloga. Diretora do site portalbullying.pt e autora de “Tenho medo de ir à escola”

Manuel Damas, sexólogo. CASA – Centro Avançado de Sexualidades e Afectos

José Antunes Fernandes. Gabinete Coordenador de Segurança Escolar, DGEstE.

Mais informações: 284 549 488 / 961 363 107

Bullying surge cada vez mais em idades precoces

Fevereiro 10, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 31 de janeiro de 2014.

por Lusa, publicado por Ana Meireles

O fenómeno do bullying (agressão reiterada) surge cada vez mais em idades precoces, em grupos de crianças ainda no pré-escolar, disse à agência Lusa a psicóloga Tânia Paias, que hoje lança um livro sobre o tema.

“Temos vindo a notar que cada vez mais estas situações acontecem em idades mais precoces, às vezes até já no pré-escolar podemos ter situações destas”, afirmou a psicóloga, que em 2010 lançou o Portal do Bullying.

“Tenho Medo de ir à Escola”, apresentado como um guia para pais e educadores, contém a experiência captada pela autora na prática clínica e no trabalho desenvolvido junto de escolas, onde tem realizado palestras.

A faixa etária mais atingida pelas agressões de pares é a dos 11 aos 13, apesar de haver frequentes situações em adolescentes de 15 anos.

“Temos de trabalhar muito a convivência nos jovens, que é ensinar-lhes a lidar com os outros”, defende a psicóloga, para quem é importante ensinar às vítimas que têm o poder de alterar a situação, de dizer “não”.

No caso de crianças, o trabalho passa por jogos em que sejam estimuladas a lidar com as emoções e a perceber o que as suas atitudes provocam nos outros.

“Se estivermos a falar de crianças em idade pré-escolar é trabalhar muito as emoções, mostrar-lhes que certo tipo de emoções, o que dizemos, tem consequências no outro”, referiu.

O mesmo se passa ao nível do 1.º Ciclo. Os técnicos estão particularmente atentos à transição entre ciclos, momento em que as crianças ficam mais fragilizadas.

“Sabemos que há uma maior vulnerabilidade entre ciclos, as crianças vão sentir-se mais desprotegidas e é importante que saibam pedir ajuda, pedir auxílio a alguém, não deixar que o outro faça coisas que ela não quer ou seja, ensinar este jovem a não se subjugar à vontade do outro”, explica.

No livro, Tânia Paias sugere dicas para identificar os sinais problemáticos e perceber se a criança ou jovem é vítima ou agressor, tanto em situações de bullying como de ciberbullying (ofensas ou ameaças pela Internet).

“Sabemos que nesta idade é sempre o grupo de pares, às vezes os jovens fazem tudo para se manter naquele grupo, mas temos de trabalhar com eles no sentido de manterem a sua própria vontade e isto faz-se aos pouquinhos”, conta.

O livro, editado pela Esfera dos Livros, está dividido em sete capítulos, ao longo dos quais se explica o que o é o bullying e se partilham relatos e conselhos.

“Não será uma zanga entre colegas que se poderá conotar com bullying, não é uma brincadeira de mau gosto que fará com que estejamos perante o fenómeno, pois requer que haja premeditação e intimidação continuada (…) e sirva o propósito do outro”, explica-se no livro.

medo

Bullying. Prática que acompanha gerações e não escolhe sexos

Fevereiro 8, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Livros | Deixe um comentário
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Noticia do i de 4 de Janeiro de 2014.

João Henriques

João Henriques

Por Catarina Correia Rocha

Prática que afecta 40% dos jovens pode ter início no pré-escolar e deixa marcas até à idade adulta

O bullying “não é um fenómeno recente, mas fala-se mais do que antes” desta problemática. Tânia Paias, psicóloga clínica e autora do livro “Bullying – Tenho Medo de Ir à Escola”, explica ao i que não há nenhum factor económico ou social associado ao bullying, que a prática é “transversal” a estas condições. “O que pode variar é a modalidade de perpetuação”, explica.

De acordo com vários estudos, 40% dos jovens portugueses já se envolveram em alguma dinâmica de bullying seja no papel de vítimas seja de agressores. Ainda no início deste ano, um jovem de 15 anos, em Braga, suicidou-se alegadamente devido a maus-tratos na escola. O caso está a ser investigado pela Inspecção-Geral de Educação e Ciência. O próprio ministro da Educação, Nuno Crato, considera esta prática um “fenómeno intolerável”.

Apesar de não ser recente, o bullying tornou-se mais conhecido porque a sociedade está mais sensibilizada e menos tolerante, o que leva a que certos comportamentos sejam agora detectados com mais facilidade. Também a divulgação destas práticas levou vítimas de bullying agora adultas a perceber o que lhes ocorreu na infância ou adolescência.

A directora do PortalBullying afirma que podem ser compreendidas como actos de bullying todas as acções que são “continuadas no tempo, com intenção de infringir dano ou medo”.

No livro, lançado a 31 de Janeiro, Tânia Paias explica que “não será uma zanga entre colegas que se poderá conotar com bullying, não é uma brincadeira de mau gosto que fará com que estejamos perante o fenómeno, pois este requer que haja premeditação e intimidação continuada”.

Também o género influencia a forma como este é praticado. O sexo masculino é mais impulsivo fisicamente enquanto o feminino “utiliza mais a palavra, a difamação e a exclusão do grupo”.

O agressor tem, “na maioria dos casos, dificuldade na gestão dos impulsos” e “em conhecer os limites”, enquanto as vítimas “têm dificuldade em dizer ‘não’, em exteriorizar”.

As diferenças são explicadas ao i pela psicóloga: “Se por um lado uns ficam com tudo internamente, os outros põem tudo no exterior.”

pré-escolar A dinâmica de bullying pode estar presente desde o pré-escolar, e é nesta idade que os pais devem começar a estar alerta. “Os primeiros anos de escolarização são determinantes para o salutar desenvolvimento das crianças. É aqui que se iniciam os primeiros conflitos, dúvidas, inseguranças e incapacidades”, explica a autora no livro. “A idade pré-escolar e os anos pré-escolares são fundamentais para adquirir uma conduta de funcionamento com os colegas, pois é aqui que nos vamos descentrando da nossa posição e aceitando a posição do outro”, acrescenta.

Já no primeiro ciclo, “as características individuais começam a emergir e vão dando cunho ao tipo de relações que se estabelecem entre as crianças”. Uma intervenção de pais e educadores nestas idades faz com que se “evitem dificuldades de maior na adolescência”.

Adolescência Muitas das questões associadas ao bullying podem confundir-se com a própria adolescência.

No seu livro, Tânia Paias explica que “a mudança de atitude, as alterações de temperamento, a irritabilidade extrema e o isolamento” podem ser característicos dos jovens numa idade em que há também uma alteração na dinâmica entre pais e filhos. Mas estes comportamentos podem ainda ser indícios de que algo não está bem. Numa altura em que a identidade do jovem se está a formar, é fundamental manter uma comunicação saudável.

O acompanhamento de pais, professores, directores e de todas as outras pessoas que participam no espaço escolar é fundamental para a vítima, explica a psicóloga ao i: “Devem trabalhar com ela para que consiga recuperar a sua segurança, o amor-próprio e a capacidade de resposta.”

Caso os pais suspeitem que o filho está a ser vítima de bullying, devem “conversar com ele e ir falar com o director de turma”. A directora do PortalBullying indica o caminho a seguir: “Devem sempre falar com os filhos, referir que se estão a aperceber de que algo não está bem e que em conjunto vão fazer tudo para acabar com o sofrimento.”

Os estudos sobre bullying evidenciaram ainda a necessidade de encarar esta problemática não só de um ponto de vista individual mas também do contexto em que o jovem se insere. Para lá das questões de educação, há que estar atento às amizades.

Mas esta prática não diz respeito apenas à violência física ou psicológica a que uma criança ou um jovem estão sujeitos na escola. Também o cyberbullying – que recorre às tecnologias de informação e comunicação e que ocorre através do envio de mensagens para o telemóvel e publicação de mensagens e imagens nas redes sociais ou blogues – cresceu nos últimos anos.

De modo a tentarem evitar este género de violência, os pais deverão “estar atentos à movimentação dos filhos e ao que consultam na internet”, explica Tânia Paias ao i, acrescentando que “é necessária uma liberdade controlada”, o computador “num local comum, a que os pais possam ter acesso”.

No caso do cyberbullying, o inimigo não tem rosto. Em termos psicológicos trata-se de uma agressão mais dura, “porque a humilhação, o gozo, chegou a todos. A proliferação da informação é imediata e todas as esferas do jovem ficam afectadas”, diz a especialista.

idade adulta O bullying sofrido na infância ou na adolescência afecta as pessoas na idade adulta. Segundo Tânia Paias, “é a fase de construção da identidade, das amizades, da estabilidade, da segurança. Quem vive este período com medo, com receio do que lhe pode acontecer, zangado consigo mesmo porque não se consegue defender, com uma agressividade contida, desconfiada de todos, naturalmente irá tornar-se um adulto com dificuldade nas relações sociais, em confiar e gerir adequadamente as suas emoções”.

Bullying. Veja aqui os sinais a ter em conta

Alguns sinais de que o seu filho é a vítima:

•  Falta de amor-próprio
•  Menos assertividade
•  Maior ansiedade
•  Maior introversão
•  Resultados académicos inferiores
•  Fobias, crises de pânico
•  Descontrolo de impulsos (passagem de calma aparente para crise de choro ou raiva)

Alguns sinais de que o seu filho é o agressor:
A análise dos comportamentos dos agressores é mais difícil, uma vez que existe uma maior capacidade de dissimulação, mas contudo poder-se-á notar:

•  No tipo de atitudes para com os outros, se respeita o espaço para além do seu
•  Se é muito agressivo nas suas conversas ou se traz objectos para casa (telemóveis, canetas, etc.)
•  Se tem sempre dinheiro, a forma como se relaciona com o grupo e o tipo de interesses que desenvolve

Comportamentos que servem de sinais de alerta:
•  Medos recorrentes
•  Falta de amor-próprio
•  Isolamento social
•  Vergonha extrema
•  Incapacidade para tirar prazer das actividades
•  Incapacidade de gerir as emoções (alegria/raiva/medo)
•  Ansiedade extrema
•  Ira intensa
•  Ataques de fúria
•  Irritabilidade extrema
•  Frustração frequente
•  Impulsividade
•  Auto-agressão
•  Falta de amigos
•  Dificuldade em prestar atenção
•  Inquietude física

Fonte: “Tenho Medo de Ir à Escola”, de Tânia Paias

Guia SOS. Glossário

Bullying Termo usado para descrever o uso da força, ameaça, coacção ou outros actos de intimidação física ou psicológica, exercidos de forma intencional e continuada sobre uma pessoa.

Vítima Quem sofre de qualquer forma de ameaça, coacção ou agressão, física ou psicológica, não tendo meios ou competências para se defender.

Agressor Quem importuna, ameaça, coage ou agride, física ou psicologicamente, alguém mais fraco ou por alguma razão mais vulnerável, de forma intencional e repetida.

Bullying directo Forma mais comum entre agressores do sexo masculino. Envolve lutas e agressões físicas.

Bullying indirecto Forma mais comum entre agressores do sexo feminino. Caracteriza-se por levar ao isolamento social da vítima espalhando rumores, criticar a pessoa pela forma de se vestir, pelo seu aspecto físico, grupo social ou religião.

Bullying físico Qualquer contacto que possa ferir ou prejudicar uma pessoa: bater, beliscar, agarrar, empurrar, cuspir, dar pontapés.

Bullying verbal Qualquer tipo de intimidação verbal: chamar nomes, fazer comentários ofensivos, insultar, dizer piadas sobre a religião, o sexo, a etnia ou a posição socioeconómica.

Bullying emocional Espalhar rumores, excluir, atormentar, manipular, amedrontar, chantagear, ignorar, ridicularizar o outro.

Cyberbullying Recorre à utilização de tecnologias. Ocorre normalmente pelo envio de mensagens para o telemóvel e publicação de comentários ou imagens nas redes social com o objectivo de hostilizar deliberada e repetidamente uma pessoa

Fonte: Associação EPIS


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