Professores portugueses são dos que perdem mais tempo a manter a disciplina nas aulas

Junho 30, 2014 às 12:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 25 de junho de 2014.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

TALIS 2013 Results : An International Perspective on Teaching and Learning

talis

A indisciplina dos alunos nas salas de aula preocupa, o horário é dos mais sobrecarregados e apenas 10% dos docentes acham que a sua profissão é valorizada pela sociedade. Mas em geral a esmagadora maioria está satisfeita com o seu trabalho.

Isabel Leiria

Numa aula normal, os professores portugueses perdem em média um quarto do tempo a manter a ordem na sala e a realizar tarefas administrativas. É um dos valores mais altos da OCDE (e da Europa em particular, só superado por dois países), sobretudo por causa do tempo que os docentes dizem gastar em sossegar os alunos: 15,7%, contra uma média de 12,7%. No final, o tempo realmente dedicado a ensinar fica nos 75%.

Este é apenas um dos dados analisados no maior inquérito internacional sobre professores, conduzido pela OCDE e que envolveu mais de 100 mil docentes do 3.º ciclo do ensino básico e diretores de 34 países. O estudo, divulgado esta manhã, chama-se TALIS (Teacher and Learning Internationla Survey) e pretende ajudar a definir políticas e medidas que ajudem a construir uma classe docente de alta qualidade.

Ainda no que respeita à disciplina, outros números confirmam que este é um dos aspetos que afeta muitos professores portugueses. Quatro em cada dez dizem que quando as aulas começam têm de “esperar bastante tempo até que os alunos acalmem”, tantos quantos os que afirmam “perder um tempo considerável por causa das interrupções dos estudantes durante as aulas”. Tudo somado, um terço considera que “há demasiado barulho e perturbação na sala”. Todas estas respostas superam em muito a média registada na OCDE.

Atrasos e vandalismo

O facto de os alunos chegarem atrasados às aulas é outros dos fatores que os diretores dos estabelecimentos de ensino apontam com mais frequência: mais de metade (58%) respondem que isso acontece pelo menos uma vez por semana entre os estudantes da escola. Atos de vandalismo e roubo, embora minoritários, também ultrapassam a média da OCDE (7,4% contra 4,4% dos diretores dizem que tal acontece semanalmente). Com expressão ainda mais reduzida encontra-se o uso e posse de drogas e de álcool (3,6%), não deixando, no entanto, de ser o segundo valor mais alto da OCDE, só ultrapassado pelo Brasil.

Quanto aos horários de trabalho, o TALIS conclui que os professores portugueses são dos que dedicam mais horas à profissão. Em toda a OCDE só três países se destacam com valores superiores e são asiáticos. Ao todo, os docentes portugueses dizem que trabalham 44,7 horas por semana, contra uma média de 38,3 na OCDE. Curiosamente, na Finlândia, conhecida pelos seus bons resultados educativos, o número é dos mais baixos – 31,6.

Entre os fatores que sobrecarregam os horários não está tanto o tempo despendido em aulas, que está próximo da média, mas o tempo que se passa a corrigir os trabalhos dos alunos e que não tem paralelo com mais nenhum país: são 9,6 horas por semana quando a média da OCDE se fica por metade. Aparentemente, não são só os alunos portugueses que são chamados a fazer mais trabalho extra-escola, já que os próprios professores têm depois de avaliá-los.

Outro aspeto em que Portugal se destaca é no facto de os professores consagrarem mais tempo do seu trabalho a tarefas administrativas e a preencher papéis (3,8 horas por semana), um valor que só é ultrapassado por alguns países asiáticos e, na Europa, pela Suécia.

Apesar de considerarem que, de uma forma geral, não são reconhecidos pelo seu trabalho  – apenas 10% responderam concordar com a afirmação de que a sociedade valoriza a profissão docente e a média da OCDE é o triplo – e de quase metade pensar se seria melhor ter escolhido outra profissão, a esmagadora maioria (94,1%) está satisfeita com o trabalho. Mais até do que a média.

Ainda assim, há 16% de ‘arrependidos’, que preferiam ter escolhido outra profissão. A média na OCDE fica-se pelos 9,5% e só na Coreia e Suécia há um descontentamento maior.

 

 

Professores portugueses querem mais formação em educação especial

Junho 30, 2014 às 10:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 25 de junho de 2014.

Reuters

A educação especial é a área de ensino na qual  os professores portugueses mais sentem falta de formação, com 26,5% dos  inquiridos num estudo da OCDE a revelar um “elevado nível” de necessidade  de desenvolver competências nesta matéria. 

 No inquérito TALIS 2013 (Teaching and Learning International Survey)  da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), hoje  divulgado, a organização internacional, que inquiriu professores do 3º ciclo de mais de 30 países para este relatório, revela que o número de docentes  portugueses que sentem falhas na formação em educação especial e que admitem  precisar de desenvolver mais competências é superior à média do conjunto  dos países inquiridos, que se fixa nos 22,3%. 

Recentemente, uma recomendação do Conselho Nacional de Educação relativa  a políticas públicas de educação especial denunciou a falta de qualidade  da formação de professores de educação especial, um ponto de vista partilhado  pelo grupo de trabalho criado pelo Governo para rever a legislação da educação  especial e que apresentou as conclusões do seu trabalho a 11 de junho. 

O inquérito da OCDE vem agora sublinhar que mais de um quarto dos professores  portugueses admite ter fragilidades de formação nesta área. 

Gestão e administração escolar (14,1%) e ensinar em contextos multiculturais  e multilingues (16,8%) são as outras duas áreas mais referidas pelos professores  como aquelas em que gostariam de adquirir mais competências, e também nestes  casos Portugal fica acima da média do conjunto de países inquiridos. 

O TALIS 2013 revela ainda que apenas 35,5% dos professores portugueses  afirmou ter tido acesso a um programa de formação inicial formal no seu  primeiro ano a lecionar, abaixo da média de 48,6% da OCDE.  

Quanto à formação contínua, 88,5% dos docentes portugueses indicou ter  desenvolvido atividades nesse sentido nos últimos 12 meses. 

A figura de professor-mentor tem pouca expressividade entre a classe  docente em Portugal: apenas 4,3% dos professores têm um colega como mentor,  contra uma média da OCDE de 12,8%. 

No que diz respeito aos efeitos da avaliação na atividade dos professores,  38,5% admitem que o retorno que recebem relativamente ao seu trabalho aumentou  o número de horas de formação que frequentam (45,8% média da OCDE) e quase  metade dos inquiridos em Portugal (48,9%) referiu que ser avaliado melhorou  a sua prática profissional (62% média da OCDE). 

Lusa

 

 


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