Estão os tablets a comprometer os hábitos de leitura das nossas crianças?

Setembro 21, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A preocupação não é nova, mas o facto é que não existe uma resposta fechada para esta pergunta e são várias as faces da questão. Há quem considere que o problema está na tecnologia em si, outros apontam para uma integração que potencie renovados hábitos de leitura e há quem saliente nesta equação a importância do factor humano.

“A popularidade dos tablets entre as crianças é um tópico controverso. Estão estes dispositivos a distrair as crianças de actividades mais tradicionais, que alguns consideram promover maior bem-estar, como a leitura?” Esta é a pergunta de partida para o artigo de Stuart Dredge publicado esta semana, a 24 de Agosto, no The Guardian.

Complexa, é sobretudo uma pergunta que divide investigadores e cuja resposta se multiplica numa série de estudos e comparativos onde não existe consenso, deixando os pais à deriva. Sem apresentar uma resposta fixa, o que este artigo faz sobretudo é apontar caminhos e, no fim, “tudo se resume às pessoas”.

Segundo a entidade reguladora das telecomunicações do Reino Unido, a OfCom, em 2010 apenas 7% das crianças entre os 5 e os 15 anos tinha acesso a um tablet. Já em 2014, este número chegou aos 71%.

Tentando responder à pergunta se de facto a massificação destes dispositivos afectou os hábitos de leitura das crianças, Dredge apresenta alguns dados que dão conta a ausência de consenso em torno deste tema.

Segundo National Literacy Trust, 41,4% das crianças e adolescentes britânicos com idades compreendidas entre os 8 e os 18 anos lia fora da sala de aula, muito acima dos 29,1% em 2010, altura em que foi lançado o primeiro iPad da Apple.

Já o relatório da Publisher Scholastic, aponta para o facto de que o número de crianças norte-americanas que lê por prazer entre 5 a 7 dias por semana, e com idades compreendidas entre os 6 e os 17 anos, caiu de 37% em 2010 para 31% em 2014.

Quando se passa dos números para quem actua no terreno, percebem-se as muitas faces desta questão.

Joanna de Guia, criadora do Story Habit – empresa que se dedica a promover a leitura nas crianças através da realização de eventos e acções de formação -, mostra-se preocupada com o grau de distracção que pode ser introduzidos por um dispositivo que junta num só lugar aplicações, jogos, vídeos, entre muitas outras fontes de entretenimento.

Se as crianças “não estão a receber uma gratificação instantânea do livro que estão a ler, podem simplesmente jogar um jogo em vez disso. Então o que acontece à história?”, questiona, salientando que, contrariamente à leitura, o “grau de concentração exigido em qualquer dispositivo digital é muito curto”.

Quando a questão passa não por escolher o tablet ou um livro, mas antes em ler livros neste tipo de dispositivos, Irene Picton da National Literacy Trust considera que “precisamos de pesquisa” e de “uma pesquisa mais abrangente”.

Na mesma linha, David Kleeman, vice-presidente da Dubit, empresa que analisa tendências mundiais, aponta que “quase tudo o que se lê hoje em dia sobre e-reading [leitura em plataformas digitais] é preliminar ou de escala reduzida”.

Picton vai mais longe e salienta que “muitas vezes nos esquecemos que os livros são tecnologia também, e uma que teve vários séculos para evoluir”. A investigadora recorda “a desconfiança com que Sócrates recebeu a escrita”. “Ele pensava que as pessoas não se lembrariam das coisas se as estivessem a ler em vez de as ouvir.

Agora estamos preocupados de não nos recordarmos das coisas porque estão escritas num ecrã e não em papel”, disse.

Para Picton, as plataformas digitais pode constituir uma oportunidade de “manter a leitura relevante” e diz que não ter uma “mente aberta” pode levar-nos a “ignorar essa oportunidade”.

Todavia, é preciso saber trabalhar bem a transição do papel para o digital. “Com um ecrã que compete pela atenção a criança e oferece múltiplas hipóteses [de entretenimento] – vídeos, aplicações, jogos, livros, e redes sociais – é muito fácil ser seduzido pelas possibilidades: introduzir coisas desnecessárias que não suportam ou melhoram a história, mas antes distraem”, alerta David Kleeman.

No mesmo sentido, Asi Sharabi, fundador da Lost  My Name, uma empresa que faz livros personalizados para crianças, considera que “conseguir que os miúdos fiquem agarrados pela narrativa é algo que os livros fazem muito bem” e que isso não está a ser conseguido pelos dispositivos porque “os miúdos vão sempre olhar para o que podem fazer a seguir no ecrã para despoletar alguma interactividade”, diz.

Gareth Williams, investigador da Universidade de Nottingham Trent, leva a discussão para outro patamar, mais humano e menos no âmbito da tecnologia. “Pensamos nos livros como algo muito solitário, uma actividade individual, mas para as crianças mais pequenas – aquelas que ainda não sabem ler – os livros são em grande medida uma actividade social, quer sejam lidos no âmbito de um grupo ou pelos pais”, diz.

“Uma coisa em que o iPad como dispositivo, como objecto cultural, nunca foi muito bom é nestas experiências de leitura partilhada. Ao contrário dos livros, onde não há outra opção senão sentar e ler com os filhos nos primeiros anos”, salienta Asi Sharabi, acrescentado que estes dispositivos são muitas vezes usados como “uma ama moderna”, permitindo aos pais ganhar tempo para fazer outras coisas. Depois, o sentimento de culpa faz com que se “criem limites quando a tempo de uso dos ecrãs ou do tablet”, o que faz com que, “quando os miúdos têm meia hora ou uma hora com o iPad, optem por fazer as coisas de que mais gostam”.

Um dos entrevistados por Stuart Dredge que não se quis identificar levanta a questão: “Talvez o problema não seja com os miúdos e os ecrãs, mas com os pais e os ecrãs (…) As crianças olham para nós como modelo, então, como podemos esperar que amem ler, se nós não conseguimos afastar do Facebook ou do WhatsApp por 10 minutos para ler com eles?”.

Assim sendo, pergunta Gareth Williams, “podem estes aspectos sociais de interactividade acontecer com dispositivos tal como acontecem com livros? Na verdade, tudo se resume às pessoas”.

 

I WANT MY iPAD! Are our kids getting addicted to technology?

Setembro 15, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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“Are toddlers really becoming addicted to technology? There’s certainly a lot of media hype to suggest that they are. And there’s no question the footage of small children breaking down when their tablet is taken away is unsettling:

 

 

Footage such as this is often aimed at showing the evils of technology and the myriad ways digital devices engender bad behaviour among children.

Viewers are often put in a position where they naturally try to apportion blame for such behaviour. In this case, the apparent targets are the technology and even the parents.
Scare tactics

As an expert in children, technology and learning, I question the purpose and proper interpretation of content such as this, regardless of whether it’s presented on prime time TV, headlining a newspaper or a new addition to a parenting blog.

In recent years society has been inundated with scare tactics around children’s increasing use of technology. To date, media articles have blamed technology for various ills in society such as obesity, insomnia, violence, aggression and language development issues.

Unfortunately, these scare tactics often succeed because they cause a sense of guilt among adults and perpetuate a sense of loss of control.

But this type of thinking doesn’t make sense. It suggests that by removing technology from their lives, children will be fitter rather than overweight, and mental health problems such as aggression and depression will diminish. Children’s health and happiness are essential goals, but magic wand thinking is not going to get us there.

The other obvious target of blame when watching the above footage are the parents themselves, and their seeming lack of ability to control their children’s use of technology.

But, as any parent knows, young children can have tantrums over many things. At this age they’re often not psychologically equipped to delay gratification, so we shouldn’t be surprised at their response to technology. In addition, just because they can’t delay gratification now doesn’t mean they won’t develop the capacity later in life.
Embracing technology

Blaming parents for indulging their children is easy, yet many parents correctly recognise that technology is an essential part of modern life. Many professions now require the use of multiple devices over the course of a working day.

In addition, much of our social lives have migrated online, requiring us to make use of technology to stay in touch with our friends and colleagues. Even government support agencies require individuals go online to make a claim or submit an enquiry.

Forbidding children to use electronic devices hampers their ability to engage with the modern world. Research shows that technology offers many educational benefits for children.

These include encouraging them to work with more complex ideas from an earlier age, promoting skills in collaboration and problem solving, accelerating learning in the first year of school, helping children with learning challenges and enhancing mathematics learning. School curricula around the word rely on technology for this very reason”.

Fonte: http://theconversation.com

“Os jovens e as plataformas móveis”: sessão de esclarecimento em Paços de Ferreira

Janeiro 21, 2015 às 12:21 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Peritos defendem limitação do tempo de utilização de tablets em crianças

Janeiro 9, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 31 de Dezembro de 2013.

A notícia original é a seguinte:

Tablets a Hit with Kids, but Experts Worry

D.R.

Por Lauro Lopes*

Os tablets só chegaram ao mercado há três anos, mas já conquistaram um número muito significativo de adeptos. Mais simples do que um computador convencional, são especialmente intuitivos para os mais novos, que com facilidade aprendem a consumir conteúdos ou jogar nestes aparelhos

Não havendo dispositivos intermediários como o rato de computador, restam os gestos: intuitivos, especialmente quando as interfaces de utilizador que predominam nestes aparelhos estão concebidas para adoptar uma abordagem mais simples do que num PC convencional. O potencial pedagógico que estes aparelhos representam, no entanto, parece dividir e preocupar os peritos na matéria, segundo reportou recentemente a Techland.

Em mercados como os EUA, por exemplo, a adopção dos tablets é muito superior à adopção em Portugal, sendo por isso mais comum que as crianças daquele território tenham maior facilidade de acesso a estes aparelhos. Empresas como a Samsung têm vindo inclusive a lançar propostas direccionadas para as audiências mais novas (a empresa lançou recentemente uma variante para crianças do seu Galaxy Tab).

O facto de ser uma categoria de produto relativamente nova  ainda não reuniu um consenso absoluto e divide os peritos, uma vez que as análises sobre o impacto real destas tecnologias no desenvolvimento das crianças ainda se encontra numa fase algo embrionária.

Não fazer do tablet uma segunda ‘televisão’

Apesar de ainda não existirem provas concretas do valor educativo que um tablet pode proporcionar ao desenvolvimento de uma criança, uma das preocupações que os peritos levantam em relação ao uso destes equipamentos está directamente relacionada com o tempo dispensado à sua utilização.

Se o mesmo for superior ao tempo gasto em interacções com adultos, ou até mesmo a brincadeiras com aparelhos não-electrónicos, o principal receio está na sua potencial interferência em actividades que promovam o seu desenvolvimento cerebral.

O excesso de tempo passado em frente a um ecrã pode apresentar riscos e conduzir a problemas de adaptação social, além de potencialmente contribuir para um desenvolvimento social mais tardio.

Isto não significa que não existe valor em aplicações ou jogos pedagógicos, mas sim riscos associados à utilização concedida aos dispositivos – se um tablet ou smartphone for utilizado maioritariamente para consumo de vídeos, por exemplo, os seus efeitos poderão aproximar-se mais aos provocados pelo consumo excessivo de televisão.

Parece haver um consenso, contudo, sobre a necessidade dos pais estarem presentes durante o consumo de conteúdos em dispositivos móveis. Os peritos defendem medidas como a limitação do tempo dispensado para a utilização de tablets, de forma a não interferir com actividades como o sono, a leitura ou a interacção com adultos.

“A coisa mais importante para as crianças é tempo [passado com] os pais e educadores”, de acordo com Dimitri Christakis, pedriatra norte-americano, citado na Time. “Nada é mais importante em termos de desenvolvimento social. Se o tempo passado com o tablet vem à custa disso, isso não é positivo”.

Estas interferências em outras actividades podem resultar em efeitos colaterais negativos como um desenvolvimento da linguagem mais tardio, ou um retardamento do desenvolvimento social. Um dos motivos apontados está no facto de que a utilização destes dispositivos assenta frequentemente numa natureza solitária, e rouba tempo às crianças para fazerem novos amigos ou adquirirem competências sociais.

O outro lado da moeda revela-nos uma perspectiva mais positiva e optimista em relação à interacção das crianças com dispositivos móveis. Existem pediatras que acreditam haver benefícios em tecnologias como estas, incluindo a sua facilidade de uso – uma criança pode ter facilidade em absorver e compreender uma tecnologia destas ainda antes de entrar na escola, entrando no ambiente escolar melhor preparada do que uma criança que nunca teve qualquer contacto pedagógico com nenhum destes aparelhos.

*Telemoveis.com

 

Pai cria app para conseguir se comunicar com filha com paralisia cerebral

Outubro 6, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.hypeness.com.br de Setembro de 2013.

Por Vicente Carvalho

A comunicação entre pais e filhos é algo primordial, e acontece das mais diversas formas. Mas imaginem quando seu filho é impossibilitado de falar por conta de uma paralisia cerebral em consequência de um erro médico? Foi por essa necessidade que Carlos Pereira, pai de uma linda menina chamada Clara, de 5 anos, criou o aplicativo Livox, e transformou o mundo de sua filha.

Carlos é analista de sistemas, e inicialmente fez um aplicativo bem simples, que testou em seu próprio celular, e que possibilitava a filha responder apenas “Sim” ou “Não às suas perguntas. Aos poucos, com ajuda de fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e pedagogos a ferramenta foi sendo aprimorada, e assim nasceu o Livox, atualmente o mais competente aplicativo do mercado mundial da área, e o primeiro em português adaptado para tablets (outros apps em inglês não tinha interesse por parte dos desenvolvedores em ter suas versões em português).

Hoje em dia, Carlos procura recursos e parcerias com o governo brasileiro para levar o Livox às famílias carentes, pois sabe que tablets e smartphones ainda realidade muito distante para grande parte da população no Brasil. Para mostrar o potencial e a incrível relevância do aplicativo para os que possuem dificuldades em fala, tem um vídeo que mostra Paloma, uma adolescente que atualmente consegue se comunicar com o mundo com a ajuda do Livox:

Mais fotos e vídeos Aqui

Cartilha de Segurança para a Internet

Outubro 3, 2013 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Cartilha de Segurança para Internet contém recomendações e dicas sobre como você pode aumentar a sua segurança na Internet. Abaixo você encontra links para cada um dos capítulos do Livro da Cartilha. Este livro também está disponível nos formatos PDF e ePub.
Para facilitar a discussão de alguns tópicos da Cartilha e a difusão de conteúdos específicos são disponibilizados periodicamente Fascículos. Cada um destes fascículos é acompanhado de um conjunto de slides que poderão ser utilizados para ministrar palestras ou complementar conteúdos de aulas.

Todos os livros no Tablet

Outubro 1, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem da Exame Informática 219 Setembro de 2013.

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Alunos de duas turmas da escola de Cuba recebem manuais em formato digital

Outubro 1, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 13 de setembro de 2013.

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Ver a reportagem Aqui

Os alunos de duas turmas de sétimo ano da escola de Cuba, no Alentejo, vão receber na segunda-feira tablets com os manuais escolares. O projeto-piloto engloba 44 alunos que vão receber gratuitamente equipamentos e conteúdos.

 

 

 

 

 

 

Crianças tecnológicas. Tablets estão a chegar às salas de aulas

Setembro 9, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 31 de Agosto de 2013.

Por Marta F. Reis

O i esteve num colégio que arranca este ano com tablets no primeiro ciclo. E numa sala de pré-escolar onde as novas tecnologias não deixam ninguém atrapalhado

“Acho que acabei de descobrir uma coisa que nem sei bem o que é.” Guilherme, de sete anos, navega pelo Espaço numa aplicação no iPad. No ecrã, um pedregulho com poeira à volta. Toca num painel para saber a resposta. “Ah, é um comets”, diz. A aplicação está em inglês, mas isso não atrapalha a experiência na sala de aula, um exemplo das muitas que vão ter no próximo ano lectivo. Agora é uma nave espacial, apontamos. “É um satélite”, corrige.

As aulas começam dia 9 no Colégio da Fonte Velha, em Sintra, um dos três do mesmo grupo educativo que este ano arranca com uma parceria com a Apple, que vai reforçar o uso de novas tecnologias na sala de aula. Guilherme e outros colegas do primeiro ciclo mostram as aplicações que já têm instaladas. Mapas-múndi onde podem navegar por diferentes eras geológicas ou conhecer culturas distantes, aplicações com exercícios de matemática ou instrumentos musicais são alguns dos exemplos que sacam em menos de nada, cada um a querer mostrar que tem mais aplicações do que o outro. Mariana conta que nas férias a mãe já a ensinou a tocar os parabéns e o pau ao gato no xilofone do tablet. E alguma vez viste um xilofone a sério, perguntamos. “Tenho um em casa, mas não dá tanto jeito.”

A empresa que lançou o tablet há três anos tem vários projectos destes espalhados pelo mundo e em Março lançou o desafio às escolas nacionais. O grupo educativo com oferta de pré-escolar e primeiro ciclo em Sintra, e que este ano arranca com um colégio que terá todos os ciclos em Braga, foi o primeiro a agarrar o desafio e começa este ano a usar tablets. No pré-escolar, estarão nas salas para apoio aos educadores. A partir do primeiro ciclo, cada aluno terá o seu. A maioria já os usava em casa, para brincar. Vasco, de sete anos, diz ter começado aos três, a jogar “Subways Surfs.” Todos sabem de que é que ele está a falar, menos as jornalistas. “Agora é para brincar e para aprender”, resume Vasco. “Vamos aprender mais.”

Sofia Homem Cristo, directora curricular, chama-lhe o início da desmaterialização do ensino. Podiam ter optado por um formato radical, onde se eliminaria manuais escolares ou cadernos, mas entenderam que ainda não é altura. “Talvez daqui a dez anos”, diz. Para isso, defende, é preciso isto generalizar-se a todas as escolas, é preciso uma mudança maior no ensino, para uma aprendizagem mais activa. “Começámos a fazer esse trabalho nos colégios. Além dos currículos normais, incentivamos a investigação e trabalho em grupo desde o pré-escolar”, diz. Nas salas de aula, as carteiras não estão viradas para o quadro, mas em grupos. Apesar de dizer estarem já num paradigma diferente, onde cada sugestão dos alunos pode tornar-se matéria de ensino – há dois anos um ataque de soluços levou a sala dos 4 anos a estudar o sistema nervoso central – optaram por ir com calma. Materiais convencionais e avançados vão assim conviver em todas as disciplinas, mesmo em educação musical. Quer dizer que os alunos vão deixar de tocar piano a sério? “Não, mas por vezes vão poder tocar todos ao mesmo tempo, algo que até aqui não era possível. Vão poder experimentar outros instrumentos que não temos fisicamente, como bateria ou guitarra eléctrica. Vem aumentar as experiências e o potencial de aprendizagem”, defende a responsável.

Nesta revolução, há outros elementos que podem causar estranheza. Sofia conta que vão poder usar uma aplicação que serve de microscópio e ampliar animais 20 mil vezes. E deixam de usar o microscópio real, insistimos, ou de dissecar uma rã? “Se calhar as crianças não precisam de manter um animal para ter essa experiência. Podemos ir para a serra de Sintra e aumentar animais e plantas vivos. Ganhamos mais do que perdemos.” Perdem o herbário em papel, por exemplo. Em vésperas de o programa arrancar a sério, não há espaço para nostalgia? “Esta é a tendência. Houve dúvidas e medos dos pais, até sobre se os filhos conseguiam adaptar-se. Por isso começámos a trabalhar em Maio, para que todos soubessem utilizar os aparelhos e para que fossem eles a instalar as aplicações que os filhos vão usar. A nostalgia não nos vai dar de comer daqui a 20 anos. Eles têm de dominar as tecnologias, têm de saber falar um bom inglês. O ensino tem de se ir adaptando.”

Entre os sinais de mudança, há estudos, ideias, mas poucas respostas. Ainda esta semana, resultados da participação portuguesa no projecto EU Kids Online, revelaram que as crianças até aos oito anos usam cada vez mais internet. “Ainda não estão estudados os seus aspectos positivos e negativos”, concluíram os autores.

Nos Estados Unidos, peso pesado da indústria das aplicações, a desmaterialização do ensino vai mais avançada. Amy Jordan liderou entre 1996 e 2013 o departamento de media e desenvolvimento de crianças da Universidade da Pensilvânia, um dos pólos académicos mais especializados no tema.

Ao i, resume o que se pensa sobre esta geração tão cedo habituada a ecrãs tácteis, aplicações e internet. “Como qualquer tecnologia, os efeitos dependem de como é usada. As crianças que têm acesso a aparelhos de ecrã táctil podem usá-los para aprender e explorar o mundo, sobretudo se houver um pai ou professor a guiá-los”, diz. “Mas se as crianças não tiverem espaço para ficarem aborrecidas, então estes aparelhos podem tirar-lhes a capacidade de ser criativos na forma como utilizam o seu tempo para brincar. Há também preocupações com o acesso a conteúdos pouco apropriados ou que no futuro estas crianças tenham mais dificuldade em concentrar-se em tarefas difíceis.”

Nos EUA, há uma recomendação oficial: gadgets não devem ser usados por crianças com menos de dois anos. Amy Jordan concorda. “A Associação Americana de Pediatria fez essa recomendação com base em décadas de investigação sobre a forma como as crianças precisam de interagir fisicamente com o ambiente que as rodeia e de ter feedback de pessoas reais para se desenvolverem.” A partir daí, defende que a integração deve ser progressiva. “Uma das coisas interessantes acerca das novas tecnologias é que mudaram tanta coisa na forma como vivemos mas não mudaram ainda a educação. Devemos reconhecer que já têm um papel significativo na vida das crianças e que estes aparelhos podem ser aproveitados para tornar a aprendizagem mais cativante.” Só quem nunca viu uma criança de três anos pegar num tablet é que duvida da naturalidade com que dominam a máquina.

Estamos na sala do pré-escolar do colégio O Barco do Mimo, dos três aos cinco. Gabriel, de três, aprende em segundos a vencer o jogo que levamos no tablet, que implica fazer a personagem deslizar por túneis e prender-se a lianas para ganhar moedas. Se no colégio de Sintra este tipo de gratificações dos jogos vão servir para aumentar o interesse em matérias curriculares, com aplicações que dão bónus por bom raciocínio matemático ou uma redacção bem feita, ali são, por agora, uma experiência lúdica. Mas a tecnologia está presente como ferramenta de ensino, conta Vanessa Marques, educadora de infância de 38 anos. Na sala, há um portátil para comunicar com os pais mas também para pesquisar temas que vão surgindo. “Dantes muitas vezes não podíamos dar uma resposta imediata. Agora há uma trovoada ou um deles diz que no fim-de-semana esteve numa duna e podemos dar logo resposta à curiosidade, com imagens e sons.”

Mostramos o iPad e perguntamos o que é. “Um tablet”, respondem em uníssono. E serve para quê? “Para brincar.” Seguem–se os jogos preferidos. Inês, de cinco anos, gosta de vestir bonecas no telemóvel do pai. Catarina, de três, gosta de pintar animais. Mais do que nos livros? “Sim”, arrancamos, porque há mais desenhos e mais cores. Miguel, de quatros anos, dispara que só gosta de jogos de guerra. “Só jogo com o meu pai e matamos os maus.” Outra aplicação popular dá para cortar melancias. “É o ninja da fruta”, diz Vanessa, que domina o assunto. Tem uma filha de dois anos que, na hora de dormir, pede a chucha, o iPad e o leite. “Usamos para ler histórias”, diz a educadora, que agora lê menos vezes as histórias em livro, outra tendência partilhado pelas crianças na sala. “Pede para ver a mesma história uma vez, duas vezes e às vezes negociamos a terceira. Depois digo que o iPad vai dormir e ela responde logo que ele não faz óó. Mas adormece mais rápido do que dantes.”

Se o que mudará mesmo ainda está a ser estudado, Vanessa vai recolhendo sinais. “O recurso à internet para explicar o que os rodeia faz com que tenham mais cedo contacto com o mundo real quando dantes usávamos bonecos. Como as aplicações e os jogos não simplificam a linguagem, podem começar a falar mais tarde mas usam menos linguagem de bebé”, conta. São cada vez mais exigentes com as perguntas e sente-se que a famosa idade dos porquês começa mais cedo. E com a ajuda da internet na sala, sabem mais. “Com a idade deles não sabia que havia flores que comiam moscas ou o que era um icebergue. Noto que os que têm menos contacto com tecnologias conseguem concentrar-se mais tempo em actividades manuais. Por outro lado, o uso parece desenvolver um raciocínio mais rápido. ”

Certo é que de tablet ou telefone na mão, a conversa flui menos. “Pode ser o efeito novidade, mas ficam imersos”, diz Vanessa. Na sala do primeiro ciclo em Sintra, a experiência é a mesma. Num inquérito que fazemos junto de 18 pais, essa é das preocupações mais consensuais: que os miúdos se viciem. Mas a maioria entende que os efeitos no desenvolvimento cognitivo são sobretudo positivos, ainda que o lado social possa sofrer. No que estão diferentes? Das características que pomos à discussão – se estão mais criativos, concentrados, sociáveis, perspicazes, hiperactivos, sedentários, espertos ou birrentos – as que colhem mais consenso são a criatividade, a perspicácia e o sedentarismo. Certo é que quando estes pais eram pequenos, eram uma raridade os pais preocupados com a tecnologia. E agora todos têm de pensar nisso. Vanessa Faria Lopes, de 38 anos, é mãe de dois alunos que este ano terão tablets na sala. O maior receio? “A velocidade a que eles vão evoluir e se vamos ser capazes de acompanhar”, diz.

 

 

Webinar Geração Touchscreen: Crianças, Tablets & Smartphones

Setembro 4, 2013 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações Aqui

Destinada a pais, encarregados de educação e educadores de jardins de infância, esta apresentação aborda o tema da utilização de dispositivos sensíveis ao toque (touchscreen) tais como tablets (iPad, Android, etc.) e smartphones (iPhone, Android, etc.) na primeira infância. Sem esquecer os benefícios, sobretudo no domínio da aprendizagem e do entretenimento, esta apresentação aborda também os riscos e as soluções para minimizar os riscos da utilização de dispositivos touchscreen por crianças, no domínio da segurança, saúde e bem estar.

Disporemos ainda de uma oportunidade única para colocar perguntas, esclarecer dúvidas e partilhar experiências sobre o assunto.

Orador: Tito De Morais, Fundador do Projecto MiudosSegurosNa.Net

Mais informações e inscrições: http://www.anymeeting.com/PIID=E958DC8387493C

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