Bullying: escola abre investigação a «incidente» que envolveu rapaz que se suicidou

Janeiro 14, 2014 às 3:51 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 14 de Janeiro de 2014.

ouvir a reportagem da TSF aqui

Ouvido pela TSF, o diretor do agrupamento escolar não revela que tipo de incidente está a ser investigado e limita-se a falar numa «brincadeira» dentro da escola. O ministro da Educação também já anunciou a abertura de um inquérito.

O diretor do agrupamento de escolas de Palmeira, em Braga, revela que foi aberta uma investigação a um incidente que envolveu o adolescente que se suicidou na passada semana, alegadamente por ser vítima de bullying.

Ouvido pela TSF, Fausto Farinha lamentou o incidente e apresentou as condolências à família e fez questão de lembrar

Fausto Farinha garante, no entanto, que não teve conhecimento de qualquer situação fora do normal vivida pelo adolescente na escola mas revela que está a ser investigado um incidente verificado a semana passada dentro da escola e que envolveu este rapaz.

O diretor do agrupamento escolar não revela que tipo de incidente está a ser investigado e limita-se a falar numa «brincadeira» dentro da escola.

Segundo o jornal Correio da Manhã, que noticia o caso, o jovem de 15 anos queixava-se com frequência aos vizinhos da forma como era tratado na escola, admitindo mesmo que um dia acabaria por desistir.

O ministro da Educação já comentou este caso e anunciou que a Inspeção Geral da Educação abriu um inquérito.

«Temos de ser inflexiveis com o bullying e com todos estes problemas que começam de muito pouco e que depois se transforma neste tipo de tragédias», disse Nuno Crato, apresentando as condolências à familia.

Há cada vez mais adolescentes internados em enfermarias psiquiátricas de adultos

Novembro 22, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 18 de Novembro de 2013.

Manuel Roberto

Catarina Gomes

Pedopsiquiatras dizem que tentativas de suicídio dos adolescentes estão a aumentar no contexto da crise.

No país inteiro existem apenas 20 camas para internar crianças e adolescentes com problemas mentais. Com a crise estão a chegar às urgências cada vez adolescentes que tentaram suicidar-se. Perante a falta de vagas, a solução para estas e outras situações tem sido, muitas vezes, o internamento em enfermarias psiquiátricas de adultos. “Em vez de ser uma experiência pacificadora, pode ser traumatizante”, alerta o director do Serviço de Pedopsiquiatria do Hospital Pediátrico de Coimbra, José Garrido.

Diz a Carta da Criança Hospitalizada que “as crianças não devem ser admitidas em serviços de adultos. Devem ficar reunidas por grupos etários para beneficiarem de jogos, recreios e actividades educativas adaptadas à idade, com toda a segurança”. Desde 2010 que a idade pediátrica em Portugal foi alargada dos 16 para os 18 anos.

Augusto Carreira, presidente da Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e da Adolescência, lembra o caso de uma rapariga de 16 anos do Algarve, “em situação psíquica grave”, que andou muito tempo para ser internada porque naquela região do país não há pedopsiquiatria e porque o Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, onde há 10 camas, estava lotado. Além desta instituição só existem outras dez camas no Magalhães Lemos, no Porto.

Zulmira Correia, responsável pela unidade de pedopsiquiatria da zona Norte, que funciona no Hospital Magalhães Lemos, diz que os miúdos que, por falta de alternativas, são internados na psiquiatria de adultos aterram num mundo de doentes crónicos “e podem pensar “eu vou pertencer a este mundo do ‘voando sobre um ninho de cucos’”. A médica nota que o internamento na saúde mental de adultos é estigmatizante para a família e pode impedir a visita de colegas de escola e amigos do adolescente. Zulmira Correia fala no caso de raparigas que nestes internamentos ficam expostas a “relatos de experiências de vidas que não são simpáticas de ouvir fora do tempo, histórias de maridos… Não é favorável”. Zulmira Correia nota que a legislação e a acreditação internacional dos serviços de saúde não permite sequer que as salas de espera e os corredores para crianças e adolescentes sejam os mesmos que os adultos.

Foi com a ministra Ana Jorge que a idade pediátrica foi alargada para os 18 anos, uma decisão acertada, diz Augusto Carreira, mas que não foi acompanhada de reforço de meios. O problema é saber para onde mandar os adolescentes, sobretudo dos 16 aos 18 anos. Ou seja, quando é necessário internamento nestas idades “é uma aflição enorme para tentar arranjar lugar”. Não podem ser colocados em enfermarias de pediatria porque muitas vezes estão em estado de agitação e podiam colocar riscos para outras crianças, mas nunca deveriam ser colocados em enfermarias de adultos, como por vezes acontece, diz.

O problema é que o recurso às enfermarias psiquiátricas de adultos tende a ser mais frequente com o aumento do número de adolescentes que vão parar às urgências por tentativas de suicídio, diz Augusto Carreira.

Não há números para quantificar o fenómeno, mas a sua prática clínica diz-lhes que estão ao aumentar estes casos e que a crise contribuiu para este crescimento, defende José Garrido. Diz que só no primeiro semestre deste ano chegaram às urgências do Hospital Pediátrico de Coimbra 33 adolescentes dos 13 aos 18 anos que se tentaram suicidar ingerindo medicamentos, embora à cabeça continuem a estar as situações de ansiedade e depressão, com 110 casos.

“A maior parte dos casos de comportamentos suicidários precisam de ser internados”, diz Augusto Carreira, “para avaliar da gravidade do gesto e existência de risco”. Além das tentativas de suicídio, Augusto Carreira fala do aumento de comportamentos violentos para com os outros e contra si mesmos, por exemplo com situações de automutilação, como os cortes dos pulsos. “As famílias estão muito desorientadas”, diz, sublinhando que “as crianças, para se desenvolverem de forma satisfatória, precisam de se sentir protegidas. No contexto em que nós vivemos as famílias não se sentem tranquilas, não sabem se chegam ao final do mês com dinheiro para dar de comer aos filhos”.

“Os recursos que se oferecem neste momento estão a rebentar pelas costuras” e estes, defende, ainda são mais importantes “nesta fase”. “Uma criança que atravessa a crise vai ficar com marcas, não é como uma empresa em que, passada a crise, volta a dar lucro. Perdura”.

“As enfermarias psiquiátricas não são sítios muito agradáveis. Estes internamentos são primeiras experiências de internamento”, nota, e “podem ser traumatizantes, até para a família que pode ver aquilo quase como se estivesse a vislumbrar o futuro do filho. É pesado, era importante que se pudesse evitar isso”, sublinha o presidente da Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e da Adolescência.

O director do Programa Nacional para a Saúde Mental, Álvaro de Carvalho confirma “uma maior pressão desde a crise, com maiores necessidades de internamento”. O responsável diz que “a situação de crise desencadeia tensões emocionais que muitas vezes criam estados de crise emocional, em que o internamento transitório pode ser uma solução”. Os últimos dados oficiais dizem que em 2011 houve 295 internamentos por perturbações mentais da infância, com uma média de quase nove dias de permanência.

“A única prevenção em saúde mental é na infância, na adolescência já é muitas vezes tarde demais”, reforça José Garrido. Está descrito em estudos internacionais que, em momentos de crise económica, aumentam as tentativas de suicídio também na adolescência, “são sintomas da crise”, que se faz acompanhar “de mais conflitos familiares, mais violência doméstica, mais consumo de álcool, pais que emigram. É uma sociedade em stress”.

Adolescentes que fizeram cyber-bullying acusadas de crime de perseguição

Outubro 24, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 17 de Outubro de 2013.

Nelson Garrido

Ana Gomes Ferreira

Se o julgamento das menores, de 12 e 14 anos, acontecer, poderá marcar uma mudança na atitude do aparelho judicial

A polícia da Florida, nos Estados Unidos, prendeu na terça-feira duas adolescentes ao abrigo da lei sobre cyber-bullying. Foram formalmente acusadas de crime agravado de perseguição, cometido contra Rebecca Sedwick, que tinha 12 anos e se suicidou a 9 de Setembro.

Numa conferência de imprensa, o xerife de Polk County, Grady Judd, explicou que decidiu agir porque, na sexta-feira, uma das adolescentes, Guadalupe, de 14 anos, admitiu na sua página no Facebook que tinha perseguido Rebecca e que não lamentava a sua morte. Judd contou que, ao ser presa, a rapariga se manteve muito tranquila, não mostrando “qualquer emoção”. “Ela provocou o que lhe está a acontecer”, disse Judd. “Decidimos que não podíamos deixá-la à solta. Quem sabe quem mais iria atormentar, quem mais iria perseguir”.

A outra adolescente, Katelyn, tem 12 anos e ficou em prisão preventiva domiciliária. Ainda não foi marcada a data de um julgamento, mas esse será o passo seguinte, uma vez que foi formalizada uma acusação. O julgamento pode marcar uma viragem na atitude do aparelho judicial perante este tipo de crime, uma vez que a lei ainda tem ambiguidades e aconselha que sejam as escolas a resolver, juntamente com os pais, este género de acosso. A lei não prevê a acusação de homicídio.

Nos EUA, onde entre 2010 e 2013 pelo menos doze pessoas se suicidaram devido ao cyber-bullying, já vários adolescentes foram formalmente acusados de terem provocado o suicídio de outros menores. Mas poucos julgamentos foram em frente e alguns, em que houve condenações, seriam depois anulados no recurso. No ano passado, três menores do estado do Indiana foram acusadas de crime de perseguição, que provocou o suicídio de uma adolescente, mas os advogados de defesa conseguiram anular o julgamento com o argumento da liberdade de expressão – fizeram ameaças através das redes sociais ou escreveram livremente o que lhes ia no pensamento?, questionou a defesa.

As adolescentes da Florida estavam a ser vigiadas desde a morte de Rebecca Sedwick. O xerife Grady Judd explicou na terça-feira que Rebecca viveu durante um ano um “sofrimento atroz”, provocado pelas mensagens que as duas acusadas lhe enviavam nas redes sociais. “Vários estudantes confirmaram que ambas fizeram bullying contra Rebecca em várias ocasiões, chamando-lhe nomes, intimidando-a, fazendo-lhe ameaças e, pelo menos uma vez, agredindo-a fisicamente”.

A perseguição com o objectivo de provocar sofrimento (a definição de bullying) começou quando Guadalupe começou a sair com um antigo namorado de Rebecca. “Ela não gostou [da antiga relação do namorado] e começou a atormentar Rebecca”, disse Judd, acrescentando que a outra acusada, Katelyn, chegou a ser a melhor amiga da vítima. O xerife explicou que depois de terem entrevistado outros alunos do liceu Crystal Lake, em Lakeland, os investigadores perceberam que houve uma manobra para que as raparigas, em bloco, deixassem de falar com a vítima, o que muitas fizeram receando ser elas alvo de bullying de Guadalupe e Katlyn. O resultado foi que 15 alunas se juntaram em grupo para atormentarem Rebecca, só porque ela tinha namorado o rapaz. A vítima mudou de escola, mas a perseguição continuou.

No dia 9 de Setembro, Rebecca Sedwick mudou o seu nome nas redes sociais para “Rapariga morta” e atirou-se de cima de um silo de uma fábrica abandonada, a meio caminho entre a sua casa e a escola.

Polícia investiga 15 suspeitos em novo caso de suicídio por cyberbullying

Outubro 2, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de Setembro de 2013.

Ana Gomes Ferreira

Rebecca tinha 12 anos e era perseguida por colegas através de mensagens enviadas para o telemóvel.

Entre 2010 e o Verão de 2013, o cyberbullying nos Estados Unidos terá sido responsável por pelo menos 12 suicídios. Na semana passada, Rebecca Ann Sedwick, que durante um ano foi torturada por 15 colegas da escola secundária, subiu a um silo de uma fábrica abandonada e atirou-se lá de cima. “Devias morrer”, “Porque é que ainda estás viva?”, “És horrorosa”, diziam as mensagens que lhe enviaram nas redes sociais.

Tinha 12 anos e antes de sair de casa na manhã do dia 9 de Setembro mudou o nome de um dos seu perfis na Internet para “Rapariga Morta”.

Rebecca Ann Sedwick morava na Florida, em Lakeland. Neste estado existe uma legislação antibullying a que este ano foi acrescentada uma emenda sobre cyberbullying. A emenda torna mais fácil acusar na Justiça os bullies do ciberespaço (o bullying é a palavra que define a violência física ou psicológica praticada por um ou mais indivíduos sobre outro, provocando-lhe grande sofrimento).

Na história de Rebecca, há 15 suspeitas, todas com idade semelhante à da vítima. A polícia ficou-lhes com os computadores e com os telemóveis e os advogados públicos estão à procura de provas que possam levar a algum tipo de acusação.

Mas a lei aprovada tem muitas ambiguidades, por exemplo estabelece que no caso de menores deve ser a escola a encontrar uma solução e um castigo para os infractores. Já foram condenadas pessoas por cyberbullying nos EUA, uma por ter provocado a morte de uma menor. Mas o veredicto de culpado foi anulado no recurso – em 2006, Lori Drew, um adulto, foi condenado no Missouri pela morte de Megan Meier, de 13 anos. O homem, que era vizinho da família da rapariga, começou uma relação virtual com a rapariga fazendo-se passar por um adolescente. Quando acabou com o romance, Megan enforcou-se. No recurso foi concluído que não ficou provado que o suicídio foi consequência directa do logro.

Havendo precedentes pouco favoráveis a condenações, os investigadores da Florida têm de começar por determinar se foram os 12 meses de perseguição que fizeram a rapariga subir ao silo e atirar-se, explicou o xerife de Polk County, Grady Judd, citado pelo Huffington Post.

Ela estava “aterrorizada”, disse o xerife. Em casa de Rebecca foram encontrados o computador, o telemóvel e diários com desabafos – “O que ela escreveu parte-nos o coração.”

No dia em que morreu, esta aluna do 7.º ano deixou o telemóvel em casa. Coisa inédita para quem nunca andava sem ele para poder partilhar mensagens, perguntas e imagens através de sites como o ask.fm ou o Kik and Vox. O ask.fm já foi envolvido em casos de cyberbullying nos EUA e no Reino Unido e prometeu criar um sistema de bloqueio; é acusado de nunca ter agido para conter ou proteger os seus utilizadores. “Quantos comprimidos precisas de tomar para morrer?”, era uma pergunta no telemóvel de Rebecca.

Tricia Norman, a mãe, contou à Associated Press que ao longo do ano tentou ajudar a filha. Fez queixas à escola, retirou-lhe o computador e o telemóvel várias vezes, impediu-a de usar os serviços de certos sites. Nunca percebeu que apagados uns, apareciam outros. A polícia encontrou imagens e mensagens que ela enviou nos últimos meses, quando a mãe acreditava que já não o fazia. “Existe toda uma nova cultura que passa ao lado dos adultos, porque muda de dia para dia”, explicou a The New York Times Denise Marzullo, do departamento de saúde mental do Nordeste da Florida. Quando os pais descobrem o Instagram, disse Marzullo, já isso é passado, os filhos estão muitos passos à frente.

A mãe também alertou a direcção da escola da filha para o que se estava a passar – não houve mudanças e transferiu-a para outra escola. “Ela andava risonha e bem-disposta”, disse a mãe, que acreditou que o pesadelo acabara com a mudança de ambiente escolar. Já Rebecca estava na outra escola quando estas mensagens caíram no seu telefone: “Importas-te de morrer, por favor”, “Porque é que ainda estás viva?”.

A escola Crystal Lake descarta responsabilidades. Fez saber que recebeu apenas uma queixa, em Dezembro – quando Rebecca foi internada porque começara a cortar-se com lâminas -, e que a direcção foi obrigada a suspender a rapariga por ela tentar bater numa colega. As mensagens, o bullying, disse já a polícia, foram enviadas sobretudo em horário escolar, e os investigadores estão também a tentar encontrar legislação que sustente um processo contra a escola.

 

Prevenção do suicídio vai chegar às escolas já este ano lectivo

Setembro 12, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de Setembro de 2013.

Natália Faria

Haverá 30 mil tentativas de suicídio por ano, dois terços das quais perpetrados por jovens.

A taxa de suicídio entre os adolescentes portugueses não é alarmante, mas os comportamentos autolesivos, como a intoxicação medicamentosa, sim. E porque, atingidas idades mais avançadas, estes tendem a aumentar de gravidade e a degenerar em actos suicidas, a Direcção-Geral de Saúde (DGS) vai replicar no ano lectivo 2013/14 um projecto de prevenção em várias escolas do país, já ao abrigo do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio que é terça-feira apresentado em Castelo Branco.

Trata-se de alargar o projecto + Contigo, que arrancou no ano lectivo de 2009/10, nalgumas escolas de Coimbra, resultado de uma parceria entre a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra e a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, estabelecida precisamente na sequência do suicídio de uma aluna de 13 anos. No ano lectivo 2011/12, o + Contigo já chegava a 741 estudantes do 3.º ciclo do ensino básico que contaram com a ajuda de 66 profissionais de saúde, 228 professores e assistentes e 153 encarregados de educação, aos quais coube trabalhar com os alunos a capacidade de resolução de problemas, o reforço da auto-estima, o combate ao estigma em saúde mental. “No final, registámos um aumento do bem-estar entre os jovens e uma melhoria dos casos de depressão”, adiantou ao PÚBLICO José Carlos Silva, professor na Escola de Enfermagem de Coimbra.

Ainda não há indicações precisas quanto ao número de escolas que irão aderir, até porque algumas estão ainda a candidatar-se. Será preciso assegurar a participação dos profissionais de saúde em cada uma das regiões (“este projecto só funciona em rede, nomeadamente com os centros de saúde e os profissionais de saúde mental”).

José Carlos Silva conta que já aconteceu vários alunos acabarem por ser encaminhados para assistência médica nos cuidados de saúde primários ou nos serviços de saúde mental que se aliaram ao projecto. Sem números oficiais quanto à dimensão do suicídio entre os jovens, José Carlos Silva lembra os dados da Organização Mundial de Saúde, segundo os quais por cada suicídio consumado ocorrem cerca de 30 tentativas. Em Portugal, e considerando que os dados oficiais apontam para pouco mais de mil suicídios por ano, haverá acima de 30.000 tentativas por ano. Destas, “cerca de dois terços são perpetradas por jovens, maioritariamente do sexo feminino”, segundo o também ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Suicidologia e relator do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio.

Suicídios subnotificados

Apesar de só cerca de 25% destes jovens recorrerem aos serviços de saúde, após a ocorrência dos comportamentos autolesivos, José Carlos Silva lembra que o mais comum entre os jovens é a “intoxicação medicamentosa e por venenos”. E que “se os problemas que estão por detrás dos comportamentos não forem resolvidos nesta faixa etária, a probabilidade de estes jovens virem a cometer suicídio é mais elevada do que na população em geral”.

As mais recentes medidas de restrição ao consumo do álcool, que proibiram a venda de bebidas espirituosas a menores de 18 anos, mas deixaram de fora da interdição o vinho e a cerveja, também se inscrevem nesta lógica de prevenção. Mas o coordenador do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, Álvaro de Carvalho, gostava que o Governo tivesse ido mais longe. “Esta legislação terá tido o mérito de contribuir para lançar mais uma vez o alarme, mas não me parece que dê garantias de resultados práticos”, lamenta. A proposta inicial do Governo previa, entre outras coisas, a proibição do consumo e venda de qualquer bebida alcoólica antes dos 18 anos e o aumento dos respectivos preços.

Para esta e outras campanhas que até ao final do ano serão desenvolvidas, nomeadamente junto dos profissionais de saúde, Álvaro de Carvalho diz ter já garantido um financiamento de 300 mil euros. A importância da formação mede-se por um acontecimento recente: em Famalicão, uma jovem de 23 anos enforcou-se no final de Junho, horas depois de ter obtido alta do hospital onde dera entrada depois de uma primeira tentativa de suicídio.

Porque todos os especialistas concordam que o suicídio em Portugal está muito acima dos registos oficiais (1012 suicídios em 2011, e 1098 em 2010, segundo o Instituto Nacional de Estatística), o plano de prevenção do suicídio prevê também para este ano o funcionamento pleno das certidões de óbito electrónicas. A ideia é conseguir que menos suicídios surjam mascarados de mortes por causa indeterminada, seja por causa do estigma, de questões religiosas ou simplesmente para prevenir problemas com seguros.

Por estes dias, o sistema de Informação dos Certificados de Óbito, mediante o qual a DGS pretende pôr cobro à falta de rigor na determinação das causas de óbito em Portugal, encontra-se ainda em fase de experimentação no Norte e Centro do país e no Funchal. Mas a ideia é que “até ao final do ano abranja todo o território nacional, Açores incluídos”, adianta Álvaro de Carvalho.

Mas de pouco adiantará o país dotar-se de um sistema electrónico de registo dos óbitos se este não for acompanhado da formação dos profissionais responsáveis pela introdução dos dados no sistema, diz. “A DGS tem vindo a garantir essa formação de médicos, forças de segurança e funcionários do Ministério da Justiça…”

A pergunta estava lá, numa rede social para jovens: “Já te podes matar?”

Agosto 12, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de Agosto de 2013.

Vincent West Reuters

Alexandra Prado Coelho

A britânica Hannah Smith, de 14 anos, é a mais recente vítima de abusos através do site de perguntas e respostas Ask.fm. David Cameron já apelou ao boicote e grandes empresas estão a retirar os anúncios

Hannah Smith tinha uns olhos grandes e um ar de menina, apesar da maquilhagem com que aparece nas fotos dos jornais que deram a notícia do seu suicídio no início de Agosto, aos 14 anos. Foi encontrada enforcada no seu quarto – o pai, David Smith, diz que a filha se matou depois de ter sido vítima de insultos violentos e continuados através do site Ask.fm.

Um estudo da NSPCC (organização contra a violência infantil) citado ontem pelo The Guardian revela que uma em cada cinco crianças diz ter sido alvo de cyberbullying no último ano no Reino Unido e que 10% dos adolescentes entre os 11 e os 16 são bombardeados diariamente com insultos e ameaças através da Internet.

A morte de Hannah não é a primeira ligada ao Ask.fm, um site que surgiu em 2010, está baseado em Riga, na Letónia, e já tem 60 milhões de utilizadores registados em 150 países. Segundo o Guardian, os suicídios de seis adolescentes nos últimos meses podem estar relacionados com o cyberbullying cometido através do site, onde os utilizadores podem (se quiserem anonimamente) fazer perguntas de todo o tipo.

Trata-se essencialmente de uma rede social onde os adolescentes – que constituem cerca de metade dos utilizadores – podem falar entre eles sem supervisão dos adultos. Entre as mensagens deixadas no perfil de Hannah Smith estavam algumas como “morre, toda a gente ficará feliz”, “faz-nos um favor e mata-te” ou “ninguém se importa se morreres, cretina”. A irmã de Hannah, Jo, de 16 anos, veio já denunciar que depois da morte da irmã ela própria começou a ser vítima de abusos através da Internet.

Basta uma rápida ronda por alguns perfis do site – e encontram-se vários em português, de utilizadores do Brasil e de Portugal – para perceber que as conversas oscilam entre perguntas inofensivas como “qual é o teu signo?”, ou “qual o presente ideal para si?” para “Assunto SEXO: luz acesa ou apagada? Cama ou chão? Com putaria ou sem? Gemido ou grito? Com ou sem camisinha?”, podendo rapidamente resvalar para insultos e ameaças como as citadas pelo Guardian: “Juro que te vou violar, toma cuidado”, ou “estás na minha lista de pessoas a violar”.

A morte de Hannah Smith está a provocar uma onda de indignação no Reino Unido. O primeiro-ministro, David Cameron, já apelou a que os utilizadores da Internet boicotem este tipo de sites, e o que os operadores actuem de forma responsável para proteger as crianças de abusos. “O facto de alguém fazer alguma coisa online não significa que esteja acima da lei. Se se incita alguém a fazer mal ou se se incita à violência, isso é uma violação da lei, seja online ou offline“, disse.

Mas a resposta mais eficaz partiu das empresas anunciantes no Ask.fm, muitas das quais já retiraram os seus anúncios, explicando que estes são geralmente colocados pela Google, com a qual têm um contrato para a colocação de publicidade online. Entre os que saíram estão empresas como a Vodafone, McDonald”s, Laura Ashley ou a British Airways.

Outras redes e outras mortes

Foi, aliás, aos anunciantes que se dirigiu Liese Stanley, mãe de uma adolescente de 13 anos cuja história é contada pelo mesmo jornal. Stanley ficou chocada quando viu as mensagens que a filha estava a receber através do Ask.fm, que ultrapassavam em muito os insultos à aparência e eram verdadeiras ameaças, de violações e ataques sádicos.

Enviou uma série de emails para os responsáveis pelo site, que começaram por lhe responder que é possível bloquear todas as perguntas anónimas, garantindo posteriormente que iriam investigar o caso. Stanley enviou mais oito emails, mas não recebeu mais respostas, embora as ameaças à filha tenham sido retiradas do site. Mais eficazes foram os apelos junto dos anunciantes, muitos dos quais lhe responderam e retiraram os seus anúncios do Ask.fm.

Mas o problema afecta outras redes sociais semelhantes, como o qooh.me, baseado na África do Sul, e dirigido também a adolescentes, ou o formspring.com, baseado em São Francisco. Os criadores do Ask.fm garantem ter instrumentos para controlar o conteúdo, mas reconhecem que estes funcionam sobretudo para vídeos e fotografias, e que é difícil controlar mensagens escritas. Mas argumentam também que o site “é apenas um instrumento de comunicação”.

Além de Hannah, o bullying através do Ask.fm foi relacionado com os suicídios de Ciara Pugsley, 14 anos, e Erin Gallagher, 13, de Josh Unsworth, 15, Anthony Stubbs, 16 e Jessica Laney, 16 anos, cujos amigos denunciaram os abusos que sofria no site, tornando públicas mensagens em que era insultada e que incluíam uma que dizia apenas: “Já te podes matar?”

Este tipo de violência online continua a acontecer a cada momento. Uma mensagem, entre muitas, no site qooh.me, citada pelo Guardian, encorajava a vítima a suicidar-se. A resposta surgia logo de seguida: “Estou quase a pensar nisso.”

 

 

I Congresso Mundial de Comportamentos de Saúde Infanto-Juvenil

Abril 12, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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congresso

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Rússia é o país com maior taxa de suicídio infantil na Europa

Março 12, 2013 às 10:57 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 11 de Março de 2013.

A Rússia ocupa a primeira posição no suicídio infantil entre os países europeus, com um aumento de 37 % nos últimos anos

Lusa – Esta notícia foi escrita nos termos do Acordo Ortográfico

“A Federação da Rússia ocupa hoje o primeiro lugar da Europa em suicídios entre crianças e adolescentes. Nos últimos anos, o número de suicídios infantis e tentativas de suicídio cresceram 37 %. No total, no período de 1990-2010 registaram-se cerca de 800.000 suicídios na Rússia”, indica a página de internet do Serviço de Defesa do Consumidor (SDC), citada pela agência espanhola Efe.

As autoridades russas lamentam o aumento dos suicídios cometidos por adolescentes, que é referido como sendo três vezes superior à média mundial, escreve a Efe.

“Só em 2009 suicidaram-se 1379 rapazes e 369 raparigas entre os 15 e 19 anos na Rússia. No país registam-se 19-20 suicídios por cada 100 mil adolescentes”, assinala o comunicado, que acrescenta que por cada morte há outras 200 tentativas entre jovens de entre 15 e 35 anos.

 

Cyberbullying only rarely the sole factor identified in teen suicides

Outubro 30, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site EurekAlert! de 20 de Outubro de 2012.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Cyberbullying and Suicide: A Retrospective Analysis of 22 Cases

NEW ORLEANS – Cyberbullying – the use of the Internet, phones or other technologies to repeatedly harass or mistreat peers – is often linked with teen suicide in media reports. However, new research presented on Saturday, Oct. 20, at the American Academy of Pediatrics (AAP) National Conference and Exhibition in New Orleans, shows that the reality is more complex. Most teen suicide victims are bullied both online and in school, and many suicide victims also suffer from depression.

For the abstract, “Cyberbullying and Suicide: A Retrospective Analysis of 41 Cases,” researchers searched the Internet for reports of youth suicides where cyberbullying was a reported factor. Information about demographics and the event itself were then collected through searches of online news media and social networks. Finally, descriptive statistics were used to assess the rate of pre-existing mental illness, the co-occurrence of other forms of bullying, and the characteristics of the electronic media associated with each suicide case.

The study identified 41 suicide cases (24 female, 17 male, ages 13 to 18) from the U.S., Canada, the United Kingdom and Australia. In the study, 24 percent of teens were the victims of homophobic bullying, including the 12 percent of teens identified as homosexual and another 12 percent of teens who were identified as heterosexual or of unknown sexual preference.

Suicides most frequently occurred in September (15 percent) and January (12 percent) although these higher rates may have occurred by chance. The incidence of reported suicide cases increased over time, with 56 percent occurring from 2003 to 2010, compared to 44 percent from January 2011 through April 2012.

Seventy-eight percent of adolescents who committed suicide were bullied both at school and online, and only 17 percent were targeted online only. A mood disorder was reported in 32 percent of the teens, and depression symptoms in an additional 15 percent.

“Cyberbullying is a factor in some suicides, but almost always there are other factors such as mental illness or face-to-face bullying,” said study author John C. LeBlanc, MD, MSc, FRCPC, FAAP. “Cyberbullying usually occurs in the context of regular bullying.”

Cyberbullying occurred through various media, with Formspring and Facebook specifically mentioned in 21 cases. Text or video messaging was noted in 14 cases.

“Certain social media, by virtue of allowing anonymity, may encourage cyberbullying,” said Dr. LeBlanc. “It is difficult to prove a cause and effect relationship, but I believe there is little justification for anonymity.”

Dia Mundial de Prevenção do Suicídio 2012

Setembro 10, 2012 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Age differences

Suicidal behaviour can occur at any age. The frequency of suicidal behaviour escalates steeply from childhood through middle to late adolescence and into adulthood. Suicide ranks as the second cause of death worldwide among 15-19 year olds, with at least 100,000 adolescents dying by suicide every year. Suicide rates are high among middle-aged and older adults and highest among those aged 75 and older. Elderly people are likely to have higher suicidal intent and use more lethal methods than younger people, and they are less likely to survive the physical consequences of an attempt.

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