Las nalgadas durante la infancia incrementaría el riesgo de depresión e intentos suicidas

Novembro 21, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site https://www.psyciencia.com de 7 de novembro de 2017.

Por David Aparicio

A principios del año escribí un extenso artículo que presentaba la evidencia de cientos de investigaciones sobre los efectos de las nalgadas en la salud física y mental de los niños. Las investigaciones no han cesado y datos más recientes nos alertan de repercusiones más severas como depresión, intentos suicidio, abuso del alcohol y drogas.

El estudio publicado en Child Abuse & Neglect y dirigido por Melissa T. Merrick y los ya conocidos expertos en el tema del castigo físico, Elizabeth Gershoff y Andrew Grogan-Kaylor, llevaron un análisis que evaluó el efecto de las Experiencias Infantiles Adversas (ACE, por sus siglas en inglés) que sufrieron 7645 personas de diferentes razas antes de los 18 años de edad.

Experiencias Infantiles Adversas y el efecto de las nalgadas

Las ACE incluyen por lo general una lista de 10 experiencias: abuso sexual, emocional, físico, negligencia (física y emocional), problemas en el hogar (madre tratada violentamente, familiares con trastornos mentales, familiares en prisión, con problemas de abuso de sustancia y padres separados o divorciados). Sin embargo, en esta investigación se decidió añadir las nalgadas1 en la lista de ACE para a explorar sus efectos en conjunto y por separado.

Como era de esperarse, los análisis indicaron que una relación directa y creciente entre los ACE y los problemas de salud mental como el consumo de drogas y alcohol, intentos de suicidio y depresión. Así se encontró que las personas que habían sufrido de seis o más ACE durante su infancia tenían 2.73 más riesgo de sufrir de depresión durante su vida adulta; 24.36 de intentar suicidio, 3.73 de riesgo de abuso de sustancias y 2.84 de tener problemas de alcohol. Al analizar los ACE de manera independiente se encontró que las nalgadas durante la infancia también relacionaba con los problemas de alcohol, drogas, intentos de suicidio y depresión.

La investigación también evaluó los efectos combinados entre varios ACE y en esta etapa se encontró  las nalgadas no se relacionaban significativamente con el intento de suicidio y depresión. Los autores argumentan que probablemente se deba a que las nalgadas están fuertemente relacionadas con otras formas de maltrato físico infantil (cachetadas, correazos, etc.) que se relacionan también con problemas de salud.

Hace poco en Francia aceptó como legal el uso de nalgadas, bajo la premisa de que los padres están en una relación jerárquica que les atribuye el derecho de usar el castigo físico como método correctivo. Ningún gobierno puede legalizar la violencia como medio “correctivo” cuando las leyes internacionales lo prohiben y hay tanta evidencia de los efectos que puede provocar. No estamos hablando solo de efectos imperceptibles, estamos hablando de problemas de salud mental y físicos que causan la muerte de millones de personas y representan miles de millones de dólares en gastos de salud.

Fuente: Psypost

Notas al pie de página:

Para evitar confusiones o malas interpretaciones los autores fueron cuidadosos a la hora de definir qué son las nalgadas: (uso de fuerza física, con la mano abierta, para provocar dolor, pero sin lesiones con el fin de corregir o controlar la conducta de los niños.

 

 

“Quando há um aluno que vem à escola de manhã e de tarde se suicida, o mundo fica do avesso”

Agosto 21, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/ de 19 de julho de 2017.

Carmo Machado

Professora

Professora de Português da Secundária D. Dinis, em Lisboa, escreve sobre o ano letivo mais duro da sua carreira, marcado pelo suicídio de três alunos.

ma vez, numa reunião em início de ano letivo, um colega alto e musculado afirmou a respeito de uma turma difícil que me tinha cabido em sorteio: “Quando os vi pela primeira vez, tive medo.”

Eu nunca tive medo. Já me senti impotente, desesperada, frustrada, revoltada e mesmo agoniada. Com medo, nunca. Já cheguei a sair da sala a chorar, arrastando-me com o peso da frustração na mochila. Já me apeteceu dar um estalo a um aluno insolente. Já vivi momentos que não desejo ao meu pior inimigo. Mas medo, não. Já contei várias até dez, já respirei fundo e engoli em seco em várias aulas para conseguir avançar. Mas medo nunca senti. Mesmo quando recebo turmas de alunos mal educados e repetentes que olham para mim como um inimigo e um alvo a abater. Já tive aulas que não foram aulas mas autênticos campos de batalha, guerras abertas entre a agressividade do aluno e a desilusão do professor.

Não, nunca senti medo. Pelo contrário, enfrento a solidão das suas almas e penso para comigo que aqueles alunos precisam ainda mais de mim do que os outros, aqueles meninos da escola “in” do bairro chique de Lisboa onde poderia ter ficado a trabalhar quando me profissionalizei. Porém, a minha vida profissional – se calhar como todas as vidas – é feita de desafios. Só que os meus desafios deixam marcas diariamente dentro de mim.

Quando, há vinte e sete anos, comecei a ensinar Português numa escola pública situada numa zona carenciada da cidade de Lisboa, nunca pensei chegar até aqui, onde hoje ao escrever esta crónica, me encontro: num estado físico e psicológico tal que nem cem dias de férias consecutivos conseguiriam apaziguar. Ser professora de alunos que encaram a escola como um fardo e uma mera obrigação intensifica o processo de desgaste a que esta profissão já há muito me habituou. Os anos letivos sucedem-se numa azáfama sem deixarem tempo para o que verdadeiramente interessa. A sobrecarga burocrática, os exageros programáticos, a massa humana constituída por trinta e um alunos por turma, o salário estagnado há anos, a indisciplina permanente dentro e fora da sala de aula, as reuniões infrutíferas, os testes obrigatórios, a preparação para o exame e o resto… O resto que é tudo, afinal.

Quando há um aluno que vem à escola de manhã e de tarde se suicida, o mundo fica do avesso e o professor questiona a sua função e, pior ainda, questiona-se a si próprio. Cada vez mais me convenço de que a primeira tarefa de um professor é trabalhar a relação humana com os seus alunos, mostrar-lhes novas perspetivas de vida, deixar uma semente de mudança em alunos que dela necessitam avidamente. Jovens adolescentes a quem, por vezes, falta quase tudo: famílias estruturadas, ambientes propícios à aprendizagem e à curiosidade para aprender, autoestima, autoconfiança e até comida…

Uma das principais dificuldades que sinto no meu dia a dia profissional, enquanto professora / orientadora – mais para o exame do que para a vida – é encontrar tempo para estar atento ao outro, observar os seus comportamentos, ouvi-lo, apoiá-lo. Porque a escola, sei-o bem, pode ser um lugar de grande solidão. No meio de centenas de jovens barulhentos há sempre um silêncio intransponível dentro de alguns.

Quantas vezes, numa aula em frente a três dezenas de seres fervilhantes de vida, de sonhos e de mágoas, não me senti impotente para conseguir chegar a todos? Quantas vezes não me apeteceu simplesmente ignorar o programa? Destruir o manual? Sair da sala com eles para as ruas da cidade? Explicar-lhes que a vida é dura e difícil, injusta muitas vezes, implica ganhos e perdas mas vale a pena ser vivida até ao fim. Sem batota.

 

 

 

 

Prevenção contra Desafio “Baleia Azul” vídeo da PSP

Maio 4, 2017 às 12:30 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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OMS: Suicídio já mata mais jovens que o HIV em todo o mundo

Outubro 12, 2015 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.bbc.com/portuguese de 22 de setembro de 2015.

BBC

Valeria Perasso Repórter especial do Serviço Mundial

“As pessoas simplesmente pensam que é um crime ter pensamentos suicidas. Não deveria ser assim”, diz Lauren Ball, uma mulher de 20 anos que já tentou se matar várias vezes.

Seis, para ser mais preciso. A mais recente tentativa foi no ano passado.

“Sei que foi muito difícil para minha família”, contou Ball ao programa de rádio Newsbeat, da BBC, voltado para o público jovem.

‘Gatilhos’

Gabbi Dix sabia que sua única filha, Izzy, estava sofrendo com a chegada da adolescência, mas não imaginou que o suicídio rondasse seus pensamentos.

“Acho que nunca vou conseguir superar isso”, conta a mãe da adolescente de 14 anos, que em 2012 deu fim à própria vida, numa cidade costeira do sul da Inglaterra.

Para muitos especialistas, o suicídio juvenil tem contornos epidêmicos. E, para a Organização Mundial de Saúde, precisa “deixar de ser tabu”: segundo estatísticas do órgão, tirar a própria vida já é a segunda principal causa da morte em todo mundo para pessoas de 15 a 29 anos de idade – ainda que, estatisticamente, pessoas com mais de 70 anos sejam mais propensas a cometer suicídio.

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No Brasil, o índice de suicídios na faixa dos 15 a 29 anos é de 6,9 casos para cada 100 mil habitantes, uma taxa relativamente baixa se comparada aos países que lideram o ranking – Índia, Zimbábue e Cazaquistão, por exemplo, têm mais de 30 casos. O país é o 12º na lista de países latino-americanos com mais mortes neste segmento.

“O suicídio é um assunto complexo. Normalmente, não existe uma razão única que faz alguém decidir se matar. E o suicídio juvenil é ainda menos estudado e compreendido”, diz Ruth Sunderland, diretora do ramo britânico da ONG Samaritanos, que se especializa na prevenção de suicídios.

De acordo com a OMS, 800 mil pessoas cometem suicídio todos os anos. E para cada caso fatal há pelo menos outras 20 tentativas fracassadas.

“Para a faixa etária de 15 a 29 anos, apenas acidentes de trânsito matam mais. E se você analisar as diferenças de gênero, o suicídio é a causa primária de mortes para mulheres neste grupo”, diz à BBC Alexandra Fleischmann, especialista da OMS.

Diferenças

O Brasil, neste ponto, passa pelo fenômeno oposto: índice de suicídios nesta faixa etária para mulheres é de 2,6 por 100 mil pessoas, mas a taxa salta para de 10,7 entre a população masculina. Mas, entre 2010 e 2012, o mais recente período de análise de dados da OMS, o índice feminino cresceu quase 18%.

Em termos globais, uma variação chama atenção: 75% dos suicídios ocorrem em países de média e baixa renda. E as diferenças socioeconômicas parecem ter impacto mais forte entre adolescentes.

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Análise de gráficos sobre suicídios mostra picos dramáticos entre a população de 10 a 25 anos em países de baixa renda.

Tais “saltos” não são vistos em sociedades mais afluentes, o que sugere maior risco de suicídio entre populações mais pobres.

Ainda no segmento juvenil, a OMS diz que mais homens cometem suicídio que mulheres.

“A masculinidade e as expectativas sociais são os principais motivos para essa diferença”, explica Fleischmann.

Mas essa diferença entre os gêneros é menor em países mais pobres, onde mulheres e jovens adultos estão particularmente vulneráveis.

Em países mais ricos, homens se matam três vezes mais que mulheres, mas em países de média e baixa renda, a relação cai pela metade.

A intensidade também tem variações regionais.

Para especialistas, suicídios são mais do que fatalidades. Pesquisas acadêmicas revelam que pelo menos 90% dos adolescentes que se matam têm algum tipo de problema mental. Eles variam da depressão – a principal causa para suicídios neste grupo – e passam por ansiedade, violência ou vício em drogas.

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Mas há “gatilhos” que podem ser sutis como mudanças no ambiente familiar ou escolar, passando por crises de identidade sexual.

Por isso, os especialistas recomendam prestar atenção nos sinais iniciais. E, não por acaso, a mais recente campanha dos Samaritanos foi dirigida a estudantes britânicos iniciando o período letivo nas universidades.

Também recomenda-se atenção a questões com o bullying, incluindo suas manifestações pela internet. Especialistas também argumentam que o sensacionalismo na mídia pode encorajar imitações.

“Neste caso, um efeito positivo inverso seria encorajar as pessoas a procurar ajuda”, argumenta Sutherland.

Grupos envolvidos com a questão também argumentam que o suicídio deveria se tornar uma questão de saúde pública. No entanto, apenas 28 países têm estratégias nacionais de prevenção.

“A Finlândia, por exemplo, em uma década viu seus índices caírem 30%”, conta Fleischmann.

 

 

Crise fez disparar número de crianças e adolescentes com depressão e ansiedade

Março 19, 2015 às 2:55 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 16 de março de 2015.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Building primary care in a changing Europe  pág. 28

sol

O director do Programa Nacional para a Saúde Mental afirmou hoje que houve “um acréscimo muito significativo” de crianças e adolescentes de famílias em situação de crise a recorrer às urgências com situações de depressão, ansiedade e tentativas de suicídio.

“Desde que a crise tem estado mais significativa o que empiricamente tenho recolhido da parte dos meus colegas dos serviços de saúde mental de adultos, de crianças e adolescentes é que há um aumento de recursos a serviços de urgência por situações de depressão e de ansiedade”, disse Álvaro de Carvalho.

No caso das crianças e jovens houve “um acréscimo muito significativo”, adiantou o psiquiatra, que falava à Lusa a propósito de um relatório da Organização Mundial da Saúde e do Observatório Europeu sobre Sistemas e Políticas de Saúde hoje divulgado, que sublinha as evidências “bem documentadas” do impacto da crise na saúde mental.

Álvaro de Carvalho explicou que esta situação “não é de estranhar, porque havendo crise nas famílias, originada em dificuldades económicas, desemprego, etc., é inevitável que os elos mais fracos”, as crianças e os adolescentes, repercutam essa situação de tensão.

Na base destas idas às urgências estão situações de depressão e ansiedade, mas também tentativas de suicídio de jovens adolescentes.

“Os meus colegas responsáveis dos serviços de psiquiatria do Porto (Centro Hospitalar do Porto) e de Lisboa (Hospital D. Estefânia) registaram um aumento de recursos às urgências também com tentativas de suicídio de jovens adolescentes com origem em famílias com rendimento médio e médio alto, contrariamente ao que era tradicional”, adiantou.

Defendendo que os pais devem estar atentos a estas situações, o psiquiatra explicou que no caso destas crianças e jovens, os pais estão “tão preocupados com a crise” que estão menos atentos e menos sensíveis aos sinais de alarme emitidos pelos filhos.

Estes sinais de alarme são “bastante inespecíficos”, mas nas crianças e jovens a depressão manifesta-se mais através da ansiedade, dificuldade de concentração, problemas alimentares, alterações do sono e automutilações, que têm estado a aumentar, o que pode estar relacionado com a situação de crise, adiantou.

Ressalvando que não há dados epidemiológicos em Portugal sobre o impacto da crise a nível da saúde mental, o psiquiatra disse que a evidência internacional de outras crises na União Europeia aponta para um crescimento significativo da depressão e da ansiedade.

“A evidência também mostra que na maioria dos países esse aumento da depressão e ansiedade está associado ao aumento de pessoas com ideação suicida e eventualmente de risco de concretização do suicídio”, adiantou.

“Mas aparentemente nesta crise, Portugal e Espanha parecem ter menos aumento de suicídio com a crise do que a Grécia, por exemplo”, disse Álvaro de Carvalho, baseando-se em “dados ainda muito preliminares”.

Apesar de não ter havido um reforço significativo dos cuidados de saúde mental, houve um aumento do número de serviços comunitários.

“A maioria das pessoas em Portugal com problemas emocionais recorre em primeira linha aos cuidados de saúde primários e na medida em que haja uma articulação entre as equipas de saúde mental comunitárias e os cuidados de saúde primários há melhor capacidade de diagnóstico”, explicou.

No entanto, o número de consultas manteve-se porque os transportes aumentaram e as pessoas que estão empregadas deixaram de ter tanta facilidade para irem a uma consulta ou a um tratamento.

Por outro lado, “as pessoas em crise nem sempre, por pudor, evidenciam os sintomas emocionais”, frisou.

Lusa/SOL

 

 

 

Como o Talebã recruta crianças como homens-bomba

Dezembro 19, 2014 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do site http://www.bbc.co.uk/portuguese  de 16 de dezembro de 2014.

AFP

Dawood Azami Do Serviço Mundial da BBC

Em um dia frio de inverno, uma série de parentes, vizinhos e curiosos se aproxima da casa do tio de Naqibullah, de 10 anos, na província de Baluquistão, no Paquistão. Eles estão felizes por encontrar o garoto vivo.

Naqibullah havia desaparecido misteriosamente de uma madrassa, uma escola onde os alunos se dedicam a estudar o islamismo.

Por cinco meses, não houve uma notícia sequer de seu paradeiro, até que um vizinho reconheceu o garoto na transmissão de uma emissora afegã.

Leia mais: O ataque à escola militar paquistanesa em fotos

Naqibullah estava entre os insurgentes capturados pela polícia do Afeganistão na cidade de Kandahar, no sul do país.

“Corri e contei ao tio dele que Naqibullah havia sido preso por tentar realizar um ataque suicida”, disse o vizinho.

A história de Naqibullah ilustra como o Talebã e outros grupos extremistas treinam crianças para se tornarem homens-bomba.

Vulneráveis

Os afegãos têm muito orgulho de ser um povo guerreiro, mas ataques suicidas não faziam parte desta tradição.

Estes ataques se tornaram comuns no país em 2005, uma tática copiada dos acontecimentos da guerra civil no Iraque.

No conflito instalado no país desde 2001, quando o atual governo e forças internacionais derrubaram o regime do Talebã, as crianças têm sido afetadas desproporcionalmente.

Leia mais: ‘Eles choravam, eu os confortava’; veja relato do psiquiatra que tratava talebãs

Elas têm sido usadas há tempos em ações dos militantes, como em ataques com explosivos, vigilância, busca de informações sobre as posições das tropas e autoridades do governo e da Otan.

Adolescentes já foram vistos carregando militantes feridos, coletando armas e até mesmo lutando. As autoridades afegãs dizem ter prendido cerca de 250 crianças nos últimos dez anos.

Mas o desdobramento mais perturbador deste seu envolvimento é o crescente número de crianças usadas como homens-bomba.

‘Mais recrutáveis’

AP

As crianças vêm sendo recrutadas justamente por serem crianças.

As forças de segurança do Afeganistão têm se tornado mais eficientes, e os homens-bomba adultos têm tido cada vez mais dificuldade em atingir seus alvos.

As crianças são consideradas mais “recrutáveis”: é mais fácil induzi-las a realizar um ataque e raramente despertam suspeitas.

Naqibullah foi recrutado em uma madrassa, o principal local usado pelo Talebã para recrutar crianças.

O garoto havia sido matriculado na escola por seu tio, que cuidava dele desde a morte de seu pai.

Famílias pobres no Afeganistão e no Paquistão enviam seus filhos para madrassas, onde eles ganham moradia e educação de graça.

Leia mais: Diálogo com Talebã divide opiniões em Washington

Entrevistas com crianças que foram presas revelaram que elas também são recrutadas nas ruas e em bairros pobres.

Em muitos dos casos, os pais ou responsáveis dizem desconhecer que as crianças tornaram-se militantes.

Há alguns casos raros de meninas recrutadas.

Spozhmai, de 10 anos, ganhou fama internacional no início deste ano quando foi presa em um posto de controle. Ela disse que seu irmão tentou fazê-la explodir a si mesma em um posto policial.

Em 2011, uma menina de 8 anos foi morta na província de Uruzgan, no centro do país, enquanto levava explosivos acionados por controle remoto para um posto policial.

Lavagem cerebral

No Paquistão, os “recrutas” passam por uma lavagem cerebral e são coagidos a realizar missões suicidas.

Mas também há evidências de que o treinamento ocorre também em partes do Afeganistão sob o controle do Talebã.

No ano passado, um pai da cidade de Kunduz, no norte afegão, entregou seu filho à polícia.

“Fiz isso porque temia que pudesse ter se tornado um radical depois de desaparecer por alguns meses”, disse o homem de 50 anos, que havia voltado do Paquistão com sua família um ano antes.

Alguns dos recrutas foram bem-sucedidos em seus ataques suicidas. Um garoto de 12 anos usando um uniforme escolar matou cerca de 30 pessoas na cidade de Mardan em fevereiro de 2011.

Promessas

AP2

Autoridades dizem que os militantes oferecem às crianças uma alternativa a uma vida tediosa, às drogas e à pobreza.

Naqibullah conta que os homens que cuidavam dele prometeram que ele iria para o céu e que seus problemas acabariam.

“Eles oferecem vislumbres do paraíso, onde correm rios de leite e mel. Em troca, a criança deve entregar sua vida e se tornar um homem-bomba”, disse um oficial.

Apesar de as confissões obtidas destas crianças e jovens não serem totalmente confiáveis, são relatos assustadores sobre como são recrutadas.

É dito a elas que meninas e mulheres afegãs são estupradas pelas “forças estrangeiras invasoras” e que o Alcorão está sendo queimado por americanos.

As crianças ouvem que é sua responsabilidade religiosa resistir às forças de coalizão “infiéis” e que seus pais irão para o paraíso – e que os afegãos que serão mortos por elas “merecem morrer” porque “não são muçulmanos de verdade” ou “colaboram com os americanos”.

‘Chaves do paraíso’

No entanto, raramente é dito às crianças quais são seus alvos específicos e por que estes merecem morrer.

Em alguns casos, simplesmente mentem para elas. Algumas recebem um amuleto contendo versos do Alcorão, que supostamente as ajudaria a sobreviver ao ataque.

Alguns militantes dão chaves para que as crianças as carreguem no pescoço. São as “chaves que abrirão as portas do paraíso” para elas.

Leis internacionais proíbem o uso de crianças em conflitos.

De acordo com o artigo 1º da Convenção de Direitos Infantis de 1989, qualquer pessoa com menos de 18 anos é uma criança.

A lei afegã também proíbe o recrutamento de menores por forças armadas ou pela polícia.

Porta-vozes do Talebã normalmente negam o uso de crianças, especialmente de meninas.

De fato, os três Laihas (códigos de conduta e regras) emitidos depois da queda do regime do Talebã, em 2001, dizem que jovens sem barba não podem ser arregimentados.

Mas um oficial do Talebã admitiu que comandantes do grupo violam este código por vontade própria.

Para muitos, a idade não é o mais importante. Qualquer pessoa que já tenha entrado na puberdade e não tenha problemas mentais é considerada pronta para o combate.

Reabilitação

Segundo autoridades afegãs, mais de 30 crianças acusadas de terem envolvimento com insurgentes ainda estão detidas.

A reabilitação é um processo complicado com tão poucos recursos. Segundo uma fonte, enquanto algumas crianças completam com sucesso este processos, outras se dizem arrependidas se terem falhado em suas missões suicidas.

Naqibullah descreve o que aconteceu com ele: “Eles me mantiveram em uma outra madrassa por alguns meses. Depois, outros homens vieram e me levaram para Kandahar”.

“Um dia, eles me levaram de carro, me deram um colete pesado e apontaram para alguns solados.”

Mas a polícia o deteve antes que ele pudesse explodir seu colete, e os militantes que o observavam fugiram de carro.

Para que conseguir sua libertação, seu tio contatou líderes tribais, teólogos e autoridades afegãs.

De volta em casa, o garoto diz para todos com quem conversa como está feliz de ter retornado.

 

 

10.ªs Jornadas sobre Comportamentos Suicidários

Julho 15, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações aqui

STUDY: Kids Who Are Cyberbullied Are 3 Times More Likely To Contemplate Suicide

Março 31, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site Think Progress de 11 de Março de 2014.

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By Sy Mukherjee

Children and teenagers who are bullied are twice as likely to contemplate suicide as other children, according to a new review of dozens of previous studies on the psychological tolls of being harassed, taunted, and otherwise ostracized by one’s peers. Strikingly, analysis published in the Journal of the American Medical Association (JAMA) Pediatrics also finds that cyberbullying is even more harmful for young Americans’ mental well-being. Children who have faced online harassment are three times as likely to contemplate suicide.

Cyberbullying has become increasingly problematic in youth culture as schoolyard gossip shifts to online forums and social media platforms, some of which allow users to engage in emotional taunting while maintaining anonymity. Last fall, Florida authorities arrested two girls, aged 12 and 14, on felony charges after their online bullying of 12-year-old Rebecca Sedwick allegedly caused the girl to commit suicide by jumping from an abandoned cement tower. More recently, Daisy Coleman — the 14-year-old girl who was allegedly sexually assaulted by a Maryville high school football player two years ago — tried to kill herself by overdosing on pills after being mocked on Facebook as a “hypocrite” and “slut” for attending a party.

The new JAMA study’s authors say that cyberbullying has unique elements that may make it more harmful than other types of bullying. “With cyberbulling, victims may feel they’ve been denigrated in front of a wider audience,” said lead study author Mitch van Geel in an interview accompanying the analysis. “[And material] can be stored online, which may cause victims to relive the denigrating experience more often.”

Cyberbullying also presents more of a danger to girls and LGBT youth than it does to other young people. While boys in the U.S. are more likely to engage in physical violence and bullying, girls are significantly more likely to be both the perpetrators and the victims of online bullying, according to data from the Cyberbullying Research Center. The Gay, Lesbian, & Straight Education Network (GLSEN) reports that LGBT children are cyberbullied at three times the rate of other kids, and that more than 40 percent of LGBT youth have been bullied online.

States can take action to bolster anti-cyberbullying measures. Although many states consider “electronic harassment” to be bullying, just 18 states specifically mention “cyberbullying” in protective statutes. A mere 12 states impose criminal sanctions on cyberbullies.

Advocacy groups also stress the need for parents to familiarize themselves with their children’s Internet habits and social media interactions while minimizing the stigma associated with being a victim of the harassment.

 

“Não há nenhuma escola no mundo sem bullying”

Março 12, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Público a Luís Fernandes no dia 11 de março de 2014.

Maria João Lopes

Há vários anos que vai a escolas falar com pais, professores e alunos. O psicólogo Luís Fernandes, co-autor, em conjunto com Sónia Seixas, do livro Plano Bullying – Como Apagar o Bullying das Escolas, diz que o cyberbullying acabou com as agressões num “horário das 9h às 17h” para permitir que aconteçam 24 horas por dia.

O que é o bullying?
Um conjunto de comportamentos agressivos e desajustados entre pares, em contexto educativo, que acontece quando uma pessoa é gozada, empurrada, agredida, ameaçada, posta de parte do grupo, insultada por outros colegas, perseguida e até humilhada, de forma repetida e intencional. Geralmente, inicia-se no final do pré-escolar ou no início do 1.º ciclo e diminui a partir do 3.º ciclo e ensino secundário. No entanto, com a cada vez maior oferta de alternativas para a concretização da escolaridade obrigatória, há alunos mais velhos com comportamentos de bullying.

Existe em todas as escolas?
Não há nenhuma escola no mundo onde não exista bullying. Segundo estudos, realizados por alguns programas de combate desenvolvidos em países como os Estados Unidos, Inglaterra ou Austrália, calcula-se que a cada sete segundos ocorra uma situação de bullying em alguma escola do planeta. Eu costumo dizer que o bullying é democrático, uma vez que atravessa todas as classes sociais. E é inclusivo, uma vez que todos podem ser potencialmente vítimas, agressores ou, pelo menos, observadores.

Que papel assume o cyberbullying entre crianças e jovens?
Veio dar uma nova dimensão às agressões, pois permite que um comentário, uma foto ou um vídeo seja visto, em poucos minutos, por um sem-número de colegas. As agressões verbais, físicas e psicológicas que antes eram exercidas num “horário das 9h às 17h” passaram a ser realizadas 24 horas por dia.

Que relação existe entre o bullying e o suicídio?
As vítimas de bullying apresentam quatro vezes maior probabilidade de vir a cometer suicídio do que outra criança ou jovem que não se encontre envolvida neste tipo de comportamentos. No caso do cyberbullying, segundo investigações recentes realizadas nos Estados Unidos, uma em cada cinco vítimas pensa, em algum momento, suicidar-se, e uma em cada dez vítimas tenta mesmo fazê-lo.

 

Bullying e suicídio: algumas considerações

Janeiro 20, 2014 às 12:01 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Luís F. Fernandes e Sónia Seixas publicado no Público de 18 de Janeiro de 2014.

Luís F. Fernandes e Sónia Seixas

O bullying não pode, nem deve, ser visto como um fator que, isoladamente, contribui para um nível de ansiedade, medo e sofrimento tão intenso, que possa ser considerado uma causa direta do suicídio. De igual modo, não pode, nem deve, ser menosprezado como um dos fatores com impacto significativo nos níveis de bem-estar das nossas crianças e jovens.

É precisamente a intensidade, frequência e severidade dos ataques de bullying que, de forma progressiva, enfraquece a capacidade de resistência de muitas crianças e jovens; que, de forma corrosiva, destroem a sua autoimagem e autoestima; e que, em última análise, espezinham e aniquilam qualquer tentativa de escapar, ultrapassar ou alterar este ciclo vicioso de encontros recorrentes entre agressor e vítima. Ciclo esse que, nalguns casos, se tende a perpetuar e a agravar, de semana para semana, de mês para mês, de ano para ano….

Todas estas vivências de sofrimento, assumem particular importância e intensidade em períodos como a pré-adolescência e adolescência. Períodos em que a vivência, a integração e a aceitação no grupo de pares é fundamental para o desenvolvimento dos jovens e crucial para o seu bem-estar.

Sentimentos de incapacidade e impotência, exacerbados pela vivência sistemática de episódios de vitimização, podem, isso sim, reduzir a capacidade de processar ou reagir a outros incidentes ou condicionantes de vida negativos. Por vezes, a “gota de água” que faz transbordar o copo, pode parecer demasiado insignificante…

De modo mais simplista e, contrariamente ao que muitos pensam, o bullying:

– é “democrático”, uma vez que atravessa todas as classes sociais e existe em todas as escolas;

– é “inclusivo”, uma vez que nenhuma criança ou jovem fica à partida excluído, todos podem ser potencialmente vítimas, agressores ou, pelo menos, observadores;

– é para muitos agressores, um “trabalho” semanal ou até muitas vezes diário, sentindo as vítimas que deixaram de ter um real controlo sobre as suas vidas;

– e, desde o recente fácil acesso às tecnologias digitais, começou a fazer “horas extraordinárias” através do cyberbullying.

Com as agressões e perseguições através da Internet e dos telemóveis, as agressões verbais, físicas e psicológicas, que anteriormente eram exercidas num “horário das 9h às 17h”, passa a ter lugar 24h/dia, acompanhando os alunos para fora dos muros da escola.

É nossa obrigação enquanto professores, técnicos, responsáveis das escolas, funcionários, famílias, alunos ou simplesmente enquanto cidadãos, contribuir de forma proactiva para este combate, denunciando e dando voz a todos aqueles que, tantas e tantas vezes, não conseguem pedir ajuda, que passam os seus dias a “gritar para dentro”, como nos disse há uns tempos atrás uma criança que havia sido, durante alguns anos, vítima de bullying.

Perguntarmo-nos se o bullying pode conduzir ao suicídio é uma questão simplista que, sendo respondida com um simples “sim” ou um simples “não”, terá também uma resposta redutora. Que o bullying é um dos fatores que se tem confirmado (em diversos estudos científicos) estar de algum modo relacionado com o suicídio, isso é verdade. Mas também nessa verdade se devem incluir e considerar todos os restantes fatores que contribuem para exacerbar os sentimentos de solidão, sofrimento e incapacidade destas crianças e jovens.

Prevenir e combater o bullying é uma missão de todos, desde a escola, a família e a comunidade, acreditando que é sempre possível fazermos a diferença na vida de tantas crianças e jovens, nunca esquecendo um extraordinário provérbio africano, “Pessoas simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, conseguem mudanças extraordinárias”.

Professores e autores do livro Plano Bullying. O texto foi escrito segundo o Acordo Ortográfico

 

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