Rússia : Jogo na internet leva centenas de jovens ao suicídio

Abril 12, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://pt.euronews.com/  de 30 de março de 2017.

 

As autoridades da Rússia estão preocupadas e a investigar o jogo em linha Blue Whale (Baleia Azul).

Este é considerado um dos mais perversos e perturbadores jogos em linha e já levou ao suicídio mais de uma centena de jovens.

As autoridades russas começaram a investigar o jogo depois de duas jovens, Yulia Konstantinova, de 15 anos, e Veronika Volkova, de 16, se terem suicidado, em fevereiro, ao saltarem de um prédio de 14 andares, na cidade de Ust-Ilimsk, na Sibéria.

Segundo o jornal “The Siberian Times”, dias antes, outra jovem de 14 anos pos fim à vida ao atirar-se para a frente de veículos em movimento.

Como funciona o jogo?

O jogo tem proliferado através de vários grupos de jovens na rede social russa Vkontakte (semelhante ao Facebook).

Os jovens são levados a cumprir várias tarefas de automutilação como golpear a pele, inscrevendo palavras e símbolos nos braços, incluindo a baleia que dá nome ao jogo.

Os participantes são sujeitos a uma autêntica lavagem cerebral. Ficam sujeitos à privação de sono, são levados a visionar filmes de terror durante horas ininterruptas. Ao 50° dia, os jogadores recebem instruções para acabarem com a própria vida, ganhando assim o jogo.

Minutos antes de saltar do décimo quarto andar do prédio, Yulia Konstantinova publicou no seu perfil, na Vkontakte, a palavra “End”, postando ainda uma fotografia de uma baleia azul.

As autoridades detiveram Philip Budeikin, um jovem de 21 anos, por, alegadamente, ser o líder do grupo que, na rede social, incentiva os jovens a colocarem termo à vida.

 

 

A adolescência pode ser um fardo impossível de suportar

Abril 11, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 30 de março de 2017.

Clay (Dylan Minnette) ouve a história dos últimos meses de vida de Hanna Beth Dubber /Netflix

Por Treze Razões estreia-se esta sexta-feira na Netflix. Parte do best-seller homónimo de Jay Asher para falar de temas como cyberbullying, abuso sexual e suicídio juvenil.

Maria João Monteiro

Quando Clay chega a casa depois de mais um dia de escola, tem uma misteriosa caixa à sua espera. Lá dentro encontram-se sete cassetes com 13 mensagens gravadas por Hannah, a sua colega de turma que se suicidou duas semanas antes e por quem sentia um carinho especial. A missão de Hannah é simples – dirigir-se a cada uma das 13 pessoas que tiveram um papel, maior ou menor, na sua decisão de pôr fim à vida e explicar o impacto das suas acções aparentemente inofensivas naquele desfecho trágico. Por Treze Razões é a nova série da Netflix e baseia-se no best-seller homónimo de Jay Asher lançado em 2008 (em Portugal foi editado pela Presença). “Este livro é incrivelmente trágico e sombrio em muitos aspectos, mas, em última instância, é uma história que fala de esperança”, disse Brian Yorkey, criador da série, citado pelo The Hollywood Reporter.

Ao longo de 13 episódios contados por Clay e Hannah, numa narrativa dual que flutua entre o presente e o passado, somos convidados a percorrer as memórias da protagonista relacionadas com cada uma das pessoas envolvidas nas circunstâncias da sua morte – quer as que a afectaram directamente, quer as que poderiam ter tido uma maior intervenção a seu favor – e com os lugares onde esses acontecimentos decorreram. A ideia é que as cassetes sejam ouvidas por todos os nomes que constam da lista deixada por Hannah. “Estou prestes a contar-vos a história da minha vida – mais especificamente, por que é que a minha vida acabou. Se estás a ouvir esta gravação, és uma das razões”, diz Hannah no trailer de apresentação da série. Clay só tem memória de ter tratado bem a colega de turma, mas quando carrega no play percebe que essa impressão pode não corresponder à verdade.

Por Treze Razões retrata a pressão social da adolescência e contextualiza o cyberbullying, a depressão, o abuso físico e psicológico, o suicídio. Paralelamente, aponta a passividade individual e de grupo – de pais e funcionários da escola – que protege muitas vezes os agressores de sofrerem as consequências das suas acções e empurra as vítimas para um estado de desespero sem retorno. “Lembro-me de que depois de filmar vi uma notícia sobre uma rapariga que se matou”, disse Katherine Langford, que interpreta a protagonista, citada pelo New York Daily News. “Foi um lembrete horrível de que o que tínhamos filmado é real e acontece com adolescentes em todo o lado.”

À medida que a história avança pelos últimos meses da vida da protagonista, é possível perceber que a situação de Hannah, embora levada ao extremo, não é única. Problemas como o bullying e a baixa auto-estima estendem-se a grande parte da sua comunidade escolar e, nomeadamente, às 13 pessoas mencionadas nas gravações. A série aborda, ainda, a forma como os pais de Hannah lidam com a sua inesperada morte, já que não lhes é deixada qualquer nota, mas sim muitas perguntas que aparentemente não têm resposta.

Com argumento de Brian Yorkey e Jay Asher, a série tem produção executiva de Tom McCarthy (O Caso Spotlight), que também realizou dois dos episódios. O projecto foi inicialmente pensado por Mandy Teefey para ser desenvolvido e protagonizado pela filha, Selena Gomez, mas desde então a história sofreu grandes alterações e as duas acabaram por aparecer como produtoras executivas da série, tendo os papéis principais sido entregues aos novatos Katherine Langford e Dylan Minnette. “Gosto do facto de não aparecer. Este livro tem um público tão grande que eu queria que [a série] fosse credível. Se eu fizesse parte dela, iria gerar um outro tipo de conversa”, explicou Selena Gomez numa entrevista ao jornal norte-americano New York Times.

Por Treze Razões promete ser o ponto de partida para uma maior discussão entre os pais e os adolescentes sobre os temas abordados e tem recebido diversas críticas positivas. A Variety refere que a série “faz um excelente trabalho ao retratar as emoções intensas da adolescência sem ser condescendente para com os espectadores, tenham eles a idade que tiverem”. Já o Uproxx acrescenta que “os melhores episódios são pequenas histórias marcantes sobre a forma como os adolescentes (…) se magoam mutuamente sem terem a intenção de o fazer ou sem se aperceberem do que estão a fazer”. A série conta ainda com nomes como Kate Walsh (Clínica Privada, Anatomia de Grey), Brian D’Arcy James (Smash), Derek Luke (Empire) e Miles Heizer (Parenthood).

 

 

“O meu agressor anda comigo no bolso”

Março 20, 2017 às 2:20 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 18 de março de 2017.

Ana França

As ofensas, o gozo, os e-mails difamatórios, as fotografias tiradas no balneário. Na era da internet, o bullying é uma nódoa negra permanente. Nada se esquece e tudo se partilha.

Já não é só das nove às cinco. É todo o dia e toda a noite, e acontece dentro de um objeto que transportamos para todo o lado. “O meu agressor anda comigo no bolso”, ouviu Rosário Carmona, psicóloga que acompanha crianças e jovens vítimas de abuso, um dia, no seu gabinete. O bullying é um fenómeno que existe em todas as escolas do mundo e desdobrou-se, com a chegada da internet , no cyberbullying. O gozo, a ofensa, a violência psicológica, as críticas, as ameaças e a chantagem acontecem 24 horas por dia, sete dias por semana, no ecrã de um telemóvel do qual os jovens estão cada vez mais dependentes. O cordão que os liga ao mundo onde estão os seus agressores serve também como principal escape a essa agressão.

As marcas não desaparecem nunca, porque da internet nada desaparece nunca. O direito ao esquecimento é fundamental para quem sofre de cyberbullying, já foi aprovado por todos os países da Europa, mas é preciso que o caso chegue a tribunal. A lei, em Portugal, já considera o bullying e o cyberbullying como crimes, puníveis com pena de prisão até cinco anos quando o agressor é maior de 16 anos.

O principal risco para as crianças é que os pais e os educadores por vezes relativizam este tipo de violência como uma coisa banal, como só mais uma parte de se ser adolescente. Só que o bullying acontece nas idades que nos definem, naquela altura em que ter muitos amigos, ser convidado para festas de aniversário, ou ser escolhido em primeiro lugar para as equipas na aula de Educação Física são as batalhas mais importantes do mundo. O bullying não é apenas gozar com miúdo que é mais baixo que os colegas de turma. É um ataque sistemático e premeditado a alguém que vai deixando de acreditar, à medida que lhe espezinham a auto-estima, que é digno de amor e respeito no futuro.

O bullying é um problema sério, com uma influência direta e documentada nas tendências suicidas dos jovens de todo o mundo. Em Portugal este fenómeno ainda não está bem estudado, até porque os pais e os educadores precisam de mais formação para identificarem os alertas nas crianças e para estarem atentos ao que se passa dentro dos computadores e dos telemóveis. “É essencial que os professores e os pais entendam que aquele miúdo mais calado ao fundo da sala, que chega a casa com dores de cabeça e dores de barriga pode não ser apenas uma criança tímida mas sim uma criança que já não comunica com medo de ser gozada”, defende, numa entrevista ao Observador, Rosário Carmona. A psicóloga será uma das oradoras no debate “Novas tecnologias: Uso ou abuso?” que acontece este sábado, em Aveiro, organizado pelo SIPE – Sindicato Independente de Professores e Educadores.

Na semana passada, o caso da adolescente de Ponte de Lima que fugiu de casa cinco dias para se ir encontrar com um rapaz de 24 anos que já tinham sido identificado pela Polícia Judiciária como alguém “com perfil de predador online”, voltou a colocar a questão da segurança dos jovens no meio digital em primeiro plano. Infelizmente, já nem é possível contar os casos de homens — e algumas mulheres — que fingem serem outras pessoas na internet para aliciar jovens a enviar fotografias e vídeos em situações comprometedoras. Alguns chegam mesmo a convencer as vítimas a marcar um encontro, e não é preciso dizer o perigo que isso acarreta — ou é? “É sim. Parece óbvio para um migrante digital, que tem noção do que é a interação social antes da internet, mas nas redes sociais as coisas parecem sempre relativamente inofensivas. É só uma mensagem, qual é o problema? Se um homem nos abordar na rua começamos a correr ou chamamos a polícia, mas na internet expomo-nos mais, baixamos as defesas, somos desconhecidos, até podemos ser anónimos. Esta é a realidade de muitos adultos, e de muito mais crianças”, explica Rosário Carmona.

“O papel dos professores é essencial e a formação de professores e auxiliares tem que ser uma prioridade nas escolas”, defende, na mesma sala, Júlia Azevedo, presidente do SIPE. “A tecnologia é ensinada em aulas específicas, mas como estamos sempre a correr para dar o programa resta pouco tempo para incluir nas aulas essas advertências essenciais em relação aos perigos que se escondem em algo que os alunos utilizam todos os dias”. Na opinião da professora, falta “flexibilidade de horários e conteúdos”. Rosário Carmona e Júlia Azevedo já têm ideias. Por exemplo, nas aulas de Português ou Psicologia um dos trabalhos podia ser conduzir uma entrevista com um especialista em cyberbullying, e, em Matemática, construir um gráfico com a evolução da prevalência deste problema nos vários países da Europa”, dizem à vez.

“As formas de subjugação e violência possíveis na internet são inúmeras. Por exemplo, um agressor pode criar uma página na internet e colocar insultos ou fotos da vítima, ou então pode fazer circulá-las pelo Whatsapp ou outro chat, ou criar grupos fechados por exemplo no Facebook onde circulam comentários ofensivos à pessoa alvo do cyberbullying”.

Rosário Carmona, psicóloga clínica especializada em problemas da juventude

Alguns dos casos mais conhecidos chegam-nos pela imprensa estrangeira. Amanda Todd tinha 15 anos quando se suicidou, em 2012, em sua casa, depois de uma fotografia do seu peito ter sido partilhada por um homem que a chantageou por mais de dois anos. Aydin Coban, o agressor de Amanda, foi preso na quinta-feira e vai passar 11 anos na prisão. Também Jessica Logan, uma jovem de 18 anos de Cincinnati, escolheu acabar com a própria vida depois uma imagem do seu corpo nu ter sido partilhada centenas de vezes pelo namorado na rede social pré-Facebook, o MySpace, depois de ela ter terminado a relação. A chantagem está quase sempre subjacente a esta forma de violência e os golpes chegam de várias direções.

“As formas de subjugação e violência possíveis na internet são inúmeras. Por exemplo, um agressor pode criar uma página na internet e colocar insultos ou fotos da vítima, ou então pode fazer circulá-las pelo Whatsapp ou outro chat, ou criar grupos fechados por exemplo no Facebook onde circulam comentários ofensivos à pessoa alvo do cyberbullying“, diz Rosário Carmona.

Os jovens que chegam ao seu consultório trazem histórias que a ficção não conseguiria conjurar. Rosário Carmona conta a história de um jovem que é vítima de cyberbullying e que sabe perfeitamente que existe um grupo no Facebook criado para dizer mal dele. “Às vezes, os seus agressores concedem-lhe acesso, outras vezes bloqueiam-no. Numa das consultas ele disse-me que não sabia se era pior estar lá dentro e ler o que diziam dele, ou se era quando não podia ver, porque ficava horas a imaginar as coisas horríveis que estariam a circular”, exemplifica a psicóloga que além de um jogo de tabuleiro para tentar que as crianças e os pais se reúnam à volta destas questões tem um livro de perguntas e respostas para educadores e pais — “iAgora?” — que deve sair no início de abril.

“Para um migrante digital é óbvio que a internet representa um outro mundo, porque existe a noção do que é ou foi a interação social antes da internet mas nas redes sociais as coisas parecem sempre relativamente inofensivas. É só uma mensagem, qual é o problema? Se um homem nos abordar na rua começamos a correr ou chamamos a polícia mas na internet expomo-nos mais, baixamos as defesas, somos desconhecidos, até podemos ser anónimos”.

Rosário Carmona, Rosário Carmona, psicóloga clínica especializada em problemas da juventude

 

Apesar de não existirem estudos exaustivos realizados recentemente no nosso país, existe um publicado em 2014 (comparando dados de 2010 e 2014) pelo EU Kids Online, uma plataforma financiada pela União Europeia e sediada na London School of Economics que estuda os hábitos de utilização da internet dos jovens europeus, em parceria com um outro projeto com o mesmo objetivo, o Net Children Go Mobile. Os investigadores entrevistaram 28 mil jovens e a conclusão é que o fenómeno está a crescer. Em Portugal, Dinamarca, Itália, Irlanda, Roménia, Bélgica e Reino Unido, os sete países analisados, os dados mostram um aumento dos oito para os 12 por cento.

O crescimento aconteceu sobretudo entre as raparigas, e entre o grupo mais jovem do estudo (nove aos 16 anos). Outro dado preocupante é que o contacto com imagens ou informação de cariz sexual através das redes socais também aumentou (de 26 para 28%) na mesma faixa. Em quatro anos, as raparigas, que já eram o grupo mais vulnerável, ficaram ainda mais expostas (de 12 para 19 por cento).

Cristina Ponte, uma das investigadoras da equipa que tratou os dados dos jovens portugueses no estudo, destaca que, no nosso país, o dado mais interessante é que as crianças têm um acesso à internet quase universal, o que também acaba por os expor mais a mais riscos.

Já em 2016, Tito de Morais, autor do “Cyberbullying, Um Guia para Pais e Educadores” e fundador da página Miúdos Seguros na Net, disse que a violência propagada pelo espaço digital “atinge hoje entre 10 a 20% dos jovens portugueses mas “mas a sua verdadeira prevalência não se conhece”.

Repercussões perpétuas

Nos recreios dos idos anos 90, e nos de todas as décadas que lhe antecederam, as ofensas resolviam-se disferindo uma pior, ou, no máximo, um soco. A vergonha, fora nos casos mais graves, fazia mossa apenas até ao próximo miúdo ser gozado, ou pelo menos cessava quando a vítima se libertava das paredes das escola. Agora, o palco para este tipo de violência é, potencialmente, todo o mundo.

“Para que exista uma situação de bullying a violência tem que ser intencional, persistente e tem que haver um desequilíbrio de poder. Na internet tudo isto é mais fácil, mais rápido e mais abrangente”, explica Rosário Carmona, que completa com um exemplo.

“Uma das adolescentes que eu acompanho confessou que decidiu, com uma amiga, criar um email em nome de uma outra rapariga da escola e escrever, a partir daquele e-mail falso, e-mails para todos os rapazes da turma oferecendo-se para dormir com eles. Isto causa problemas complicados de perceção, e essa ‘fama’ é de uma grande violência para as raparigas nestas idades”.

Uma criança que seja vítima de cyberbullying não consegue ver um fim para o seu sofrimento e por isso “o risco de suicídio aumenta três vezes em relação ao bullying presencial”, diz Rosário Carmona.

O palco alarga-se e o controlo escorre-lhes das mãos. “Há duas características principais que distinguem os dois tipos de bullying. Uma é o palco e outra é o controlo. Uma fotografia comprometedora na internet pode ser partilhada centenas de vezes em poucos segundos, adquire uma exposição muito mais vasta, o palco é infinito. Por outro lado, o controlo deixa de existir como o conhecemos. Estou a ser agredida mas não o consigo evitar, não o consigo enfrentar. Não sei quem fez o site sobre mim, ou o print screen, quem publicou as ofensas ou as fotos, quantas pessoas viram, ou quando vai parar”, diz a psicóloga que há mais de uma década acompanha dezenas de jovens que todos os dias sofrem com este tipo de abuso cobarde e anónimo.

Terra de ninguém

Tal como na maioria dos casos de abuso fora dos meios digitais, as vítimas muitas vezes optam por não recorrer à ajuda dos pais, nem dos professores. Fecham-se, porque anteveem o pior caso denunciem os seus agressores: temem, em primeiro lugar, que a agressão se intensifique, depois têm vergonha de contar os abusos em si. Quando a vítima deixa de reagir ao abuso e depois volta a reagir, sem querer, está a ensinar ao agressor a partir de que ponto é que começa a obter uma reação “, diz Rosário Carmona.

Esperam que passe. Os pais, mesmo os que sabem, esperam que passe. “Só que raramente passa e os pais tendem a ignorar”, diz a psicóloga. Às vezes, na tentativa de ajudar, ainda causam mais ansiedade. “Alguns pais optam por retirar o computador, ou o acesso às redes sociais, ou o telemóvel. Alguns miúdos dizem-me que não falam com os pais porque têm a certeza que eles lhe vão retirar o telefone. Só que impedir o uso do telefone muitas vezes ainda desestabiliza mais”.

Isto apesar de Rosário Carmona defender uma restrição ao uso da internet e aconselhar que os pais controlem o que os filhos consultam, incluindo pedindo-lhes as passwords para as redes sociais, prometendo respeitar a privacidade e intervindo apenas em situações suspeitas. Alguns pais também lhe dizem que “não se querem meter” porque “não sabem utilizar muito bem a internet” mas, na opinião da psicóloga, os pais não precisam de saber utilizar redes sociais, ou qualquer outra plataforma, para proibirem alguma coisa que está claramente a afetar o comportamento dos seus filhos, ou pode colocá-los em perigo, ou quando têm alguma suspeita de que estejam a ser sujeitos a algum tipo de violência”.

A internet são fios invisíveis. Fios que ligam toda a gente sem que ninguém perceba quem está ligado a quem. “É muito possível que uma situação de cyberbullying se passe durante muito tempo sem ninguém reparar, porque muitas vezes os agressores não ofendem publicamente. Uma das minhas pacientes estava sentava nas aulas na mesma carteira que a sua agressora e aquilo deixava-a tão angustiada que começou a baixar consideravelmente o seu aproveitamento escolar”. Só mais um exemplo.

O cyberbullying, diz Rosário Carmona, é uma “terra de ninguém” porque “a escola não quer assumir o problema e os pais não sabem o que se passa, por isso também não agem. É por isso que a formação e a educação das crianças é tão importante. É absolutamente essencial que os pais saibam ensinar aos jovens as competências para lutarem eles contra isto: assertividade, interação, tolerância à frustração, regulação do comportamento e adiamento da recompensa”, explica.

O que isto quer dizer, basicamente, é que há ferramentas que ajudam a lutar contra todas as adversidades da vida, e que os jovens estão a perder, porque hoje a regulação dos comportamentos é sempre feita através de um estímulo externo. Depende-se do iPad para uma criança comer, por exemplo, o que quer dizer que a paciência para esperar, a capacidade para esperar pela resolução de uma situação desagradável, a resiliência, tudo isto está em causa quando falamos não do uso mas do abuso da utilização da internet.

Rosário Carmona pergunta a Júlia Azevedo em que deve focar a apresentação que irá fazer em Aveiro. “Sinais de alerta, sinais de alerta, sinais de alerta”, responde a professora, que não se cansa de frisar que a formação é essencial para todos os membros da comunidade escolar que têm de estar preparados para identificar estes alunos. “Tanto as vítimas como os agressores”, diz a professora, “porque os agressores, muitas vezes já foram vítimas e as vítimas estão a um click de se tornarem agressores”.

 

 

Tertúlia «Violência no Recreio: Diálogo sobre a Prevenção e Identificação do Bullying» 23 de fevereiro

Fevereiro 13, 2017 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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mais informações sobre o livro:

http://www.bertrand.pt/ficha/13-anos-para-sempre-marion?id=18896688

Cyberbullying: agressão permanente

Dezembro 16, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://expresso.sapo.pt/ de 8 de dezembro de 2016.

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É uma violência feita à distância, mas como se se estivesse perto. Todos os dias, a todas as horas, com milhões a assistir.

Carolina Reis (texto), Alex Gozblau (ilustração)

O medo tinha hora marcada. Começava e terminava com a campainha da escola. Adriana sabia que era ali que a paralisia facial mais se notava. Durante dez anos aguentou sozinha os comentários de gozo feitos em todas as aulas, os empurrões e insultos durante os intervalos. Não lhe valeu o irmão, que assistia a tudo ali mesmo ao pé e que, também com medo, ficava em silêncio. De certa forma, ela fez o mesmo. Aguentou até ter coragem para contar à mãe o que se passava. A vida desta família alentejana já se encaminhava para rumar mais a sul, o bullying foi a gota de água.

Adriana mudou de cidade, fez terapia, cresceu, recuperou das mazelas. Sentiu-se “curada”. Mas, dez anos depois da primeira vez em que os miúdos da escola a rodearam para lhe cuspir e gritar que ela era “feia, pequena, deficiente, um verme” que não merecia viver, os insultos voltaram. Agora, não existiam círculos no recreio, nem aparecia ninguém, de repente, para lhe dar uma palmada na cabeça, nem lhe roubavam a roupa depois do treino de educação física. Os insultos e ameaças chegavam através do Facebook e do telemóvel, constantemente. Ali, sem ver a cara dos agressores, ela voltava a ser “feia, pequena, deficiente, um verme” que não merecia viver. Como se nunca tivesse saído da primeira escola onde o assédio começou.

Adriana, 15 anos, passava de vítima de bullying a vítima de cyberbullying. Ironia das ironias, porque denunciou o que sofreu em pequena. Numa manhã nublada — de um dia do qual nunca se vai esquecer —, esperou que a família saísse de casa e sentou-se em frente ao computador. Pegou numas folhas brancas e numa caneta de feltro, escreveu e ligou a câmara. Um sorriso. E, novamente em silêncio, começou a mostrar o texto escrito nas folhas brancas. “Olá, eu sou a Adriana 🙂 Tenho 15 anos, quase 16. Vim do Alentejo. Alguma vez sentiste necessidade de contar um dos teus maiores segredos? Bem, eu sinto isso há algum tempo. Só preciso de alguns minutos da tua fantástica vida de adolescente. Desde os 5 anos que sou vítima de bullying. Parece simples, não é? Era gozada por ter a boca de lado, devido a uma paralisia facial. Diziam que eu era pequena, feia, deficiente, que nunca devia ter nascido. Imaginas como me senti? Era tão fraca… Tão ingénua e inocente. No 7º ano tudo piorou, quando tive uma segunda paralisia e a minha cara ficou pior, pois é raro ter duas na minha idade. Sofri calada. Chegava a casa cheia de dores, com dores nos olhos. Sentia-me uma merda. Então, culpei-me a mim própria. Estava farta de sofrer, de ser fraca. Por isso, tentei acabar comigo. Morrer. Simplesmente morrer. Tenho marcas que por mais que tente não vão desaparecer, nem o facto de ter sofrido tanto. Pareço feliz, mas uma parte de mim ainda acha que não sou o suficiente para o mundo. Hoje estou a viver em Portimão. Já não sou vítima de bullying. Passaram 14 anos de sofrimento. Sozinha. Mesmo assim, há quem ainda tente deitar-me abaixo. Mas eu concretizei um sonho: ser forte.”

O pior de uma vida tão curta estava descrito sem voz, entre sorrisos e lágrimas, em três minutos de vídeo. E nele uma mensagem de esperança: “A vida ensina-te a ser forte da pior forma”, o título que Adriana deu ao filme. Nos primeiros dias recebeu vídeos de resposta, felicitações, viu adolescentes da mesma idade partilharem a sua história recorrendo também a folhas brancas e canetas de feltro. Iniciava-se, porém, um ciclo diferente do que estava à espera. Os agressores, que durante tantos anos a intimidaram e perseguiram, viram o vídeo e responderam com a agressividade e maldade a que a tinham habituado. Desta vez, a quilómetros de distância, mas como se estivessem muito perto. O que era para ser um momento de catarse, o de pôr um ponto final num período negro, tornava-se, afinal, no começo de outro.

O medo deixava de ter hora marcada. Em perfis falsos, diziam que a culpa era dela, que era calada e, por isso, não tinha amigos. Chamaram-lhe nomes, prometeram que não a iam deixar em paz. No anonimato e graças à desregulação da internet, Adriana sentia-se uma presa fácil. “Era como se fosse a continuação de tudo o que tinha passado. Mas não conseguia ver a pessoa cara a cara. Era humilhada perante um público maior. Pensava em quantas pessoas estavam a ver aquilo!” Post atrás de post. Todos os dias, a todas as horas. Tanta gente a ver e ninguém a podia proteger. Ninguém a podia levar dali para fora, porque a internet é omnipresente. Mesmo que saísse de todas as redes sociais, sabia que continuariam a fazer o mesmo. “Tanto o bullying como o cyberbullying são formas de assédio. O bullying é direto com a vítima. O cyberbullying é um assédio virtual que usa vários meios de comunicação (como o telemóvel e as redes sociais) de uma forma repetida. O bullying é físico, deixa mais visibilidade. O cyberbullying é uma forma continuada e repetida de vitimização. Deixa mais sequelas, dura mais tempo”, explica Daniel Cotrim, psicólogo da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

Adriana sentiu-se sentada no escuro, como se não conseguisse ter uma vida diferente. Maria Ana esteve três anos sentada nesse lugar escuro. Nunca foi uma miúda popular na escola, mas as regras apertadas do colégio católico em que estudava não davam espaço para ninguém pisar o risco. Um dia, chegou a casa e abriu o e-mail. Lá dentro, um link encaminhava-a para um blogue que lhe era dedicado. Uma fotografia sua, tirada à revelia, com a cintura das calças descaída a mostrar o rabo, abria o blogue. Meia dúzia de posts apontavam-lhe os ‘defeitos’. Um vídeo mostrava vários alunos populares da turma a dizer como ela era chata e detestável. “Comecei a arranjar desculpas para faltar às aulas. Deixava de dormir para estar constantemente a ver se havia atualizações no blogue. Isolei-me, por não ter a certeza de quem tinha sido a ideia. Era como se estivessem todos envolvidos. E perdi a segurança.” Enquanto na escola algum adulto a podia ver e defender, não havia ninguém a quem se queixar na blogosfera.

“Muitas vezes, em casos de bullying, há grupos onde os jovens se sentem seguros. Por exemplo, o bullying pode ocorrer na sala de aulas, mas não na equipa de futebol da escola. Aqui não há fronteiras nem de tempo nem de espaço”, sublinha Ivone Patrão, docente e psicóloga da clínica do Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (ISPA). Adriana sabe bem o que é ficar sozinha — com o cyberbullying, deixou de ter um lugar seguro. Ela denunciava uma conta de Facebook e dois segundos depois aparecia outra. Ela bloqueava um ‘amigo’ e esse mesmo, mas com outro nome, voltava a pedir-lhe amizade. Ela desamigava outros amigos, mas os vídeos ameaçadores e de gozo voltavam a aparecer no seu feed. E milhares — milhões mesmo? — a ver, a partilhar. E ela a desconfiar, mas sem ter a certeza de quem estava por trás.

Humilhação universal

A visibilidade universal da internet torna-se a principal arma do agressor. Há mais gente a ver a humilhação, e ela pode acontecer onde quer que se esteja. Uma só pessoa pode criar várias contas para perseguir e insultar. “É uma questão de exposição, que ali ultrapassa os limites. A visibilidade faz com que outros problemas sejam acrescentados ao assédio, ao que seria o bullying, como o não querer ir às aulas, perturbações de sono, porque ficam até mais tarde na internet a ver o que os outros dizem sobre eles. Traz uma série de efeitos que são ampliados”, explica Luís Fernandes, psicólogo. Autor de “Cyberbullying, Um Guia para Pais e Educadores” e atualmente a preparar um plano nacional de ação contra este tipo de assédio e agressão, está habituado a visitar escolas e a falar com alunos e educadores. E não tem encontrado jovens surpreendidos com a possibilidade de ameaçarem e perseguirem na internet, através de SMS, com vídeos e imagens e sem terem de mostrar a cara. “Dez a 20% dos jovens consideram-se agressores ou vítimas. E um dos problemas é o sexting (envio de fotografias de pessoas nuas ou em poses íntimas).”

Com a internet instalaram-se novas palavras, como sextorsion, chantagem que consiste em exigir favores sexuais para não divulgar fotos íntimas. Os jovens crescem cada vez mais depressa. Têm conta de Facebook e telemóveis ainda antes de entrarem na adolescência. Da mesma forma, também começam a descobrir cedo o corpo e a sexualidade. E, como nativos digitais que são, trocam fotografias íntimas com naturalidade. Luísa, 44 anos, descobriu este ano as nudes (as tais fotografias íntimas). A filha Leonor, 11 anos, andava com um comportamento diferente. Embora ela não tivesse dado importância, percebeu que algo se passava. O filho mais velho comentou que andavam alguns colegas a gozar com Leonor no Facebook. Foi aí que decidiu entrar no mundo da adolescência em que Leonor se movimentava.

A conversa entre mãe e filha não começou de forma pacífica. Leonor não se queixava abertamente nem tinha vergonha de ter tirado as fotografias. A princípio, Luísa pensou que eram imagens provocantes. Quando entrou na conta de Facebook da filha, depois de lhe tirar as passwords de todas as redes sociais, não estava à espera nem do conteúdo nem da facilidade com que se espalhava. “Num grupo chamado chamado Leonor Má apareciam fotos e vídeos da Leonor. Os miúdos não têm consciência do que estão a fazer.” Aquele grupo era embaraçoso, mas o pior estava na caixa de mensagens. Um amigo do namorado de Leonor ameaçava publicar as imagens mais explícitas se Leonor não tivesse relações sexuais com ele.

Em países como os EUA, onde surgiram as primeiras leis anticyberbullying, no Canadá e no Reino Unido há casos de jovens que se suicidaram por causa do cyberbullying. Quase todos tinham medo de que as suas fotografias e vídeos em poses íntimas fossem parar à internet. “Em Portugal também há casos de tentativas de suicídio. O problema não é só ser agredido, é toda a gente ver. Cada pessoa que vê pode enviar para 10 ou 15, que também vão ver… E isso vai contra a imagem que o jovem andou a construir”, diz Luís Fernandes.

Nada desaparece da Internet

O caso de Leonor é um exemplo típico das queixas de pais apresentadas na Polícia Judiciária (PJ). E, contado assim, parece um crime moderno que apenas existe porque há internet e redes sociais. Jorge Duque, ex-inspetor-chefe da área de criminalidade informática da PJ, anda quase 20 anos para trás no tempo para recordar um dos casos que mais o marcou. Uma menor, da área da Grande Lisboa, foi filmada a ter relações sexuais com o namorado sem ter conhecimento disso. O rapaz partilhou o vídeo com amigos no IRC (um antigo serviço de chat), e a comunidade da zona onde ela vivia ficou a saber. A jovem começou a faltar às aulas, e a família, envergonhada, mudou de localidade. Um ano mais tarde, alguém encontrou o vídeo e partilhou-o no Hi5, uma rede social prévia ao Facebook. “Os dados na internet não são privados. Não desaparecem. Temos situações bastante graves, como tentativas de suicídio”, alerta Jorge Duque.

Na maior parte das vezes, os pais descobrem o que se passa numa altura em que a situação parece incontrolável, já os menores passaram por humilhações e chantagens. Luís agiu assim que teve noção da gravidade do problema. Mal descobriu, tratou de guardar todas as conversas e foi à APAV pedir ajuda para apresentar queixa. Queria — e quer — que o caso seja julgado e os culpados penalizados, mas, mais do que isso, gostava que o assunto fosse debatido na escola de Leonor. “Depois de guardar as provas, fui à escola, quis falar com a presidente do Conselho Diretivo e com os pais do rapaz. Mas a escola não quis saber, disse que não se tinha passado dentro de portas e que, por isso, não tinha qualquer responsabilidade. Faz-me confusão que os pais não saibam, que não tenham noção do que se passa com os filhos, mas também que as escolas não se envolvam.”

Esta apatia escolar deve-se muito ao desconhecimento do que é o cyberbullying. Uma sondagem feita pela APAV, há cerca de três anos, mostrava que a maioria sabia que existia, porém não o conseguia identificar. Se para os pais o bullying é hoje um conceito compreendido, e para o qual estão mais despertos, o cyberbullying é-lhes ainda difícil de definir. Para os educadores, que são imigrantes digitais, não é linear perceber se as fotos e posts que os filhos publicam e que são publicados sobre eles são gozo ou brincadeira. E até os mais novos, numa fase da vida em que estão em formação, ficam na dúvida entre o que é ‘rir de mim’ ou ‘rir comigo’. “Há uma fronteira ténue entre o que é cyberbullying e o que é uma opinião. A linha é ténue, porque depende de fatores externos, da vida pessoal e da estabilidade de cada um. Mas há casos em que não há dúvidas: criar contas falsas nas redes sociais só para falar mal dos colegas é um deles”, diz Ivone Patrão.

A realidade é nova, mas as próprias redes sociais — as plataformas que permitem a disseminação do medo, do ódio e da agressão — já deram por ela. Primeiro foi o Instagram a aumentar a lista das palavras ofensivas, agora é o Twitter a expandir a opção “Silenciar”, para permitir que os utilizadores bloqueiem tweets que contenham determinadas palavras ou frases.

Os pais pedem ajuda no limite. Mas não basta dar um ralhete e cortar o acesso às redes sociais aos filhos. A diferença entre a maioria e Luísa é que ela tentou compreender o que fazia Leonor partilhar imagens daquelas. “Ela sempre foi muito vaidosa, sempre gostou muito de se fotografar. Aquelas foram mais umas fotografias, que são hoje muito comuns na escola”, conta. Em vez de entrar em pânico, e apesar do medo que também sentiu, encaminhou Leonor para uma psicóloga e ponderou mudar a filha de escola. Só que, se essa medida funciona numa situação de bullying, no cyberbullying não adianta. Este tipo de assédio é um “Big Brother”. Em 24 horas, esteja-se onde se estiver, pode ser-se vítima. Foi por isso que Adriana se sentiu mais no limite. Não havia por onde fugir.

Até há cinco anos, existia uma lista de cinco medidas para prevenir o cyberbullying. Uma delas dizia que o computador devia estar na sala, para ser usado em família. Outra dava dicas sobre os filtros que se deveriam usar para controlar o que os menores fazem online. Com os smartphones, as duas tornaram-se ultrapassadas. “Este é um mundo muito complexo. As famílias devem integrar as tecnologias nas suas vidas, de uma forma positiva, quando os filhos são pequenos, para eles poderem compreender”, frisa a psicóloga do ISPA. Já Jorge Duque alerta para a prematuridade com que pessoas ainda em estado imaturo se expõem a milhares. “Valerá a pena correr o risco de deixar os jovens terem uma conta numa rede social? A reprodução dos dados na internet funciona como bola de neve.” E é difícil encontrar a fonte da origem.

O anonimato da internet pode transformar-se num refúgio, tornando as vítimas de bullying em agressores de cyberbullying. É o reverso da moeda. Protegidos pela distância física e sem terem de mostrar o rosto, é comum que jovens que sejam perseguidos e ameaçados na escola usem as redes sociais para se vingarem. “Acontece muito, e assim continua o ciclo de violência. É por isso que é importante trabalhar com o agressor. Fazê-lo perceber que ele também pode ser visto como bom se estiver a fazer bem, trazê-lo para o outro lado”, sublinha Luís Fernandes. É que, se há sempre uma vítima e um agressor, isso não quer dizer que sejam bons ou maus. Enquanto a violência existir, o medo terá sempre hora marcada.

Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 3 de dezembro de 2016

 

 

 

Bethany sobreviveu a um tumor cerebral. E suicidou-se depois, vitima de “bullying”

Novembro 18, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/de 1 de novembro de 2016.

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Tiago Palma

Tinha 11 anos quando resolveu suicidar-se em casa. Aos três, foi-lhe diagnosticado um cancro no cérebro. Derrotou-o. Mas não derrotou o “bullying” de que foi alvo por causa da doença.

Bethany, de volta a casa, no autocarro da escola, despediu-se da melhor amiga. E saiu.

Antes, confidenciou-lhe que se iria suicidar mal chegasse a casa. A amiga tentou demovê-la. Avisou a mãe de Bethany. Tarde demais. Quando esta chegou a casa, encontrou a filha na varanda de casa, morta sobre o chão. Bethany suicidara-se mesmo, com um tiro na cabeça, usando para isso a arma do pai. Tinha 11 anos.

“Quando a vi, fiquei em choque. Em que é que ela estaria a pensar? O que é que lhe aconteceu de tão grave, que a levou a pensar que ninguém a poderia ajudar, que aqueles que a amavam não a poderiam ajudar?”, questionou-se à revista Time a mãe de Bethany, Wendy Feucht.

Bethany era natural do Ohio, nos Estados Unidos. Com apenas três anos foi-lhe diagnosticado um tumor cerebral. Ao longo dos anos, foi operada várias vezes, o tumor foi removido, fez radioterapia, e venceu a doença. Mas Bethany tinha pela frente outro combate: contra o “bullying”. E não o venceu. Na escola onde estudava, a Triad Middle School, Bethany era troçada pelos rapazes. E tudo porque, após a operação, Bethany ficou com mazelas irreversíveis no rosto: o canto direito da boca era mais subido do que o esquerdo, aparentando um sorriso ligeiro. Os seus bullies apelidavam-na de “sorriso torto”. A situação prolongou-se por mais de um ano, sem que ninguém soubesse e agisse.

“Os rapazes na escola foram simplesmente implacáveis com ela. No começo ela reagia, chateava-se com eles. Depois, não conseguiu ignorar mais a situação. E fartou-se”, lamentou a mãe à Time. Wendy Feucht recorda a filha como uma criança “carinhosa e divertida”, que adorava super-heróis e animais. Bethany queria ser veterinária. “Eu sei que ela está no céu. E onde quer que esteja, está certamente feliz e perfeita. Ela nunca fez mal a ninguém. E tenho a certeza que vou voltar a encontrá-la um dia. É isso que me conforta na dor”, conclui.

 

Consejos Preventivos para Padres ante la Ideación Suicida de sus Hijo/as

Novembro 6, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do site http://www.anar.org

anar

Según la OMS (Organización Mundial de la Salud), el suicidio es la segunda causa de muerte entre adolescentes.

No todos/as los/as adolescentes llegan a tener una ideación suicida pero si se da el caso, es bueno tener en cuenta determinadas cuestiones. Y es por eso que queremos ayudar a los padres a identificar determinados comportamientos o señales que puedan indicar que están pasando por un momento difícil y pueden estar teniendo ideación suicida.

Queremos resaltar que no sólo por tener uno de estos comportamientos hay que pensar que el/la adolescente está teniendo ideación suicida, se tienen que dar un conjunto de comportamientos no habituales en él/ella. Tales como:

CAMBIOS DE CONDUCTA Y DE CARÁCTER.

Aunque en el/la adolescentes los altibajos emocionales y del estado de ánimo son normales, cuando hay una ideación suicida estos cambios son mucho más llamativos y distintos a su forma de ser habitual. Así mismo hay que estar atentos ante el consumo de drogas, querer “cerrar temas”, hacer cartas de despedida…

AISLAMIENTO SOCIAL PROLONGADO.

No hablamos aquí del “típico” aislamiento del/la adolescente buscando la intimidad de su dormitorio como algo necesario y habitual en esta etapa, sino del aislamiento en el que no sólo no quiere comunicarse con vosotros, sus padres, sino que tampoco quiere hacerlo con su grupo de iguales.

TRISTEZA.

Si vuestro/a hijo está más triste de lo normal, tiene una visión del mundo o de sí mismo negativa y tiene una perspectiva muy pesimista respecto a su futuro.

PROBLEMAS DE RENDIMIENTO Y ABSENTISMO.

Si está teniendo cambios significativos en cuanto a la concentración a la hora de hacer sus tareas escolares y ha bajado su rendimiento o habéis tenido conocimiento de que se salta clases.

AUTOLESIONES O INTENTOS PREVIOS DE SUICIDIO.

Si os habéis enterado o habéis visto que vuestro/a hijo/a se autolesiona. Las autolesiones son comportamientos que emplean algunos/as adolescentes con el fin de poder dar salida a un malestar emocional que no saben cómo manejar. Los intentos previos también deben tomarse en cuenta.

SI VUESTRO/A HIJO/A SE COMPORTA DE FORMA IMPULSIVA Y/O  AGRESIVA EN SU FORMA DE ACTUAR.

Aunque, por regla general, los/as adolescentes tienden a la impulsividad y no a la reflexión, cuanto más impulsivo/a sea un/a adolescente en su conducta habitual, más posibilidades hay de este tipo de planteamientos suicidas.

Por tanto, y ante todo lo anteriormente expuesto, queremos aportaros algunos CONSEJOS para actuar ante la ideación suicida de vuestro/a hijo/a adolescente o para prevenirla:

  1. SIEMPRE HAY QUE HACER CASO Y DARLE IMPORTANCIA SI OS VERBALIZA O DESCUBRÍS QUE VUESTRO/A HIJO/A TIENE IDEACIÓN SUICIDA.

Es muy importante que ante una ideación suicida o signos de que pudiera haberla, no lo toméis a la ligera o penséis que “son cosas de adolescentes y que ya se le pasará”, ni tampoco reprendáis, ni os enfadéis puesto que su intención no es desafiar.  Tener en cuenta que en este tipo de problemas la detección precoz puede evitar graves consecuencias.

  1. VALIDAR SUS EMOCIONES.

Es necesario que dejéis que se exprese emocionalmente como necesite y que vosotros le deis una respuesta empática y comprensiva. No confrontar con la idea, ni minimizar la situación o el sentimiento. Acompañarle, acogerle y contenerle en estos momentos porque, aunque no lo exprese, necesita que le transmitáis seguridad.

  1. EVITAR MOMENTOS DE TENSIÓN FAMILIAR.

En estos momentos, vuestro/a hijo/a necesita poder estar en un ambiente que le devuelva la estabilidad y tranquilidad que él mismo no tiene. Intentar  evitar peleas familiares o momentos de tensión que puedan afianzarle la idea negativa del mundo que le rodea.

  1. TRATAR DE COMUNICAROS CON VUESTRO/A HIJO/A PARA ENCONTRAR LAS CAUSAS DE ESA IDEACIÓN.

Buscar momentos de tranquilidad para hablar con vuestro/a hijo/a desde la serenidad y haciéndole ver que entendéis que está pasándolo mal y que vais a estar ahí siempre que os necesite. Prestadle atención pero no le interroguéis desde vuestra angustia. Tener presente que detrás de una ideación suicida hay otro problema que hay que solucionar.

  1.      ENSEÑARLE LA TEMPORALIDAD DE LAS SITUACIONES.

Enseñarle que nada es para siempre y que los problemas tienen solución pero que hay que buscarla en el lugar y la forma adecuados. Si para ello, hay que pedir ayuda, no pasa nada. Es de personas inteligentes pedir ayuda cuando se necesita.

  1.      COMPARTIR LOS PROBLEMAS NOS AYUDA A SOLUCIONARLOS.

Los/as adolescentes tienden a pensar que lo que están viviendo no le sucede a nadie más, que nadie les puede comprender y se aíslan. Enseñarle que hablar de nuestros problemas nos aporta posibles soluciones que nosotros no habríamos descubierto solos.

  1.      SI VUESTRO HIJO PASA MUCHO TIEMPO “ENGANCHADO”  A  LAS REDES.

Es necesario que tratéis reducir el tiempo negociando con ella/el, no prohibir. Tenéis que saber que estar en contacto con páginas en las que aparecen chicos/as que han intentado el suicidio como manera de solucionar problemas, es perjudicial y puede aumentar la probabilidad de que lo haga.

  1.      SI ESTÁ AISLADO SOCIALMENTE DE FORMA PROLONGADA.

Fomentar la práctica de aficiones saludables que puedan realizarse en grupo (deporte, música, cine etc.). Cuando los/as hijos/as llegan a la adolescencia, los padres pensamos que ya no nos necesitan tanto y tendemos a dejar de “acercarnos” a ellos/as. Sin embargo, ellos/as necesitan saberse queridos y aceptados por eso importa expresarles que su compañía os agrada y proponerle hacer cosas en común. Esto influirá en una sana autoestima.

  1.      TRATAR QUE ESTÉ ACOMPAÑADO/A EL MAYOR TIEMPO POSIBLE.

Si habéis descubierto señales o comportamientos que indican claramente una posible ideación suicida, tratar que vuestro/a hijo/a esté acompañado y quitar de su alcance cualquier medio lesivo (objeto punzante, medicamentos, etc.) y preservarle de situaciones en la que pueda hacerse daño. Si es necesario, llame o acuda al servicio de Emergencias.

  1.   BUSCAR AYUDA PSICOLÓGICA.

Los padres no podemos hacer de psicólogos con nuestros  hijos, buscar ayuda profesional. Cuando las situaciones nos desbordan o no sabemos cómo solucionarlas, hay que buscar ayuda experta. También es bueno buscarla para vosotros como padres, porque es posible que las emociones derivadas de las circunstancias os superen y os afecten personalmente no dejando que veáis con claridad lo que está sucediendo. De esta manera es difícil poder ayudar bien a vuestro hijo/a.

Em Portugal telefones úteis:

http://www.spsuicidologia.pt/sobre-o-suicidio/telefones-uteis

OMS: Suicídio já mata mais jovens que o HIV em todo o mundo

Outubro 12, 2015 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.bbc.com/portuguese de 22 de setembro de 2015.

BBC

Valeria Perasso Repórter especial do Serviço Mundial

“As pessoas simplesmente pensam que é um crime ter pensamentos suicidas. Não deveria ser assim”, diz Lauren Ball, uma mulher de 20 anos que já tentou se matar várias vezes.

Seis, para ser mais preciso. A mais recente tentativa foi no ano passado.

“Sei que foi muito difícil para minha família”, contou Ball ao programa de rádio Newsbeat, da BBC, voltado para o público jovem.

‘Gatilhos’

Gabbi Dix sabia que sua única filha, Izzy, estava sofrendo com a chegada da adolescência, mas não imaginou que o suicídio rondasse seus pensamentos.

“Acho que nunca vou conseguir superar isso”, conta a mãe da adolescente de 14 anos, que em 2012 deu fim à própria vida, numa cidade costeira do sul da Inglaterra.

Para muitos especialistas, o suicídio juvenil tem contornos epidêmicos. E, para a Organização Mundial de Saúde, precisa “deixar de ser tabu”: segundo estatísticas do órgão, tirar a própria vida já é a segunda principal causa da morte em todo mundo para pessoas de 15 a 29 anos de idade – ainda que, estatisticamente, pessoas com mais de 70 anos sejam mais propensas a cometer suicídio.

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No Brasil, o índice de suicídios na faixa dos 15 a 29 anos é de 6,9 casos para cada 100 mil habitantes, uma taxa relativamente baixa se comparada aos países que lideram o ranking – Índia, Zimbábue e Cazaquistão, por exemplo, têm mais de 30 casos. O país é o 12º na lista de países latino-americanos com mais mortes neste segmento.

“O suicídio é um assunto complexo. Normalmente, não existe uma razão única que faz alguém decidir se matar. E o suicídio juvenil é ainda menos estudado e compreendido”, diz Ruth Sunderland, diretora do ramo britânico da ONG Samaritanos, que se especializa na prevenção de suicídios.

De acordo com a OMS, 800 mil pessoas cometem suicídio todos os anos. E para cada caso fatal há pelo menos outras 20 tentativas fracassadas.

“Para a faixa etária de 15 a 29 anos, apenas acidentes de trânsito matam mais. E se você analisar as diferenças de gênero, o suicídio é a causa primária de mortes para mulheres neste grupo”, diz à BBC Alexandra Fleischmann, especialista da OMS.

Diferenças

O Brasil, neste ponto, passa pelo fenômeno oposto: índice de suicídios nesta faixa etária para mulheres é de 2,6 por 100 mil pessoas, mas a taxa salta para de 10,7 entre a população masculina. Mas, entre 2010 e 2012, o mais recente período de análise de dados da OMS, o índice feminino cresceu quase 18%.

Em termos globais, uma variação chama atenção: 75% dos suicídios ocorrem em países de média e baixa renda. E as diferenças socioeconômicas parecem ter impacto mais forte entre adolescentes.

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Análise de gráficos sobre suicídios mostra picos dramáticos entre a população de 10 a 25 anos em países de baixa renda.

Tais “saltos” não são vistos em sociedades mais afluentes, o que sugere maior risco de suicídio entre populações mais pobres.

Ainda no segmento juvenil, a OMS diz que mais homens cometem suicídio que mulheres.

“A masculinidade e as expectativas sociais são os principais motivos para essa diferença”, explica Fleischmann.

Mas essa diferença entre os gêneros é menor em países mais pobres, onde mulheres e jovens adultos estão particularmente vulneráveis.

Em países mais ricos, homens se matam três vezes mais que mulheres, mas em países de média e baixa renda, a relação cai pela metade.

A intensidade também tem variações regionais.

Para especialistas, suicídios são mais do que fatalidades. Pesquisas acadêmicas revelam que pelo menos 90% dos adolescentes que se matam têm algum tipo de problema mental. Eles variam da depressão – a principal causa para suicídios neste grupo – e passam por ansiedade, violência ou vício em drogas.

mata

Mas há “gatilhos” que podem ser sutis como mudanças no ambiente familiar ou escolar, passando por crises de identidade sexual.

Por isso, os especialistas recomendam prestar atenção nos sinais iniciais. E, não por acaso, a mais recente campanha dos Samaritanos foi dirigida a estudantes britânicos iniciando o período letivo nas universidades.

Também recomenda-se atenção a questões com o bullying, incluindo suas manifestações pela internet. Especialistas também argumentam que o sensacionalismo na mídia pode encorajar imitações.

“Neste caso, um efeito positivo inverso seria encorajar as pessoas a procurar ajuda”, argumenta Sutherland.

Grupos envolvidos com a questão também argumentam que o suicídio deveria se tornar uma questão de saúde pública. No entanto, apenas 28 países têm estratégias nacionais de prevenção.

“A Finlândia, por exemplo, em uma década viu seus índices caírem 30%”, conta Fleischmann.

 

 

Crise fez disparar número de crianças e adolescentes com depressão e ansiedade

Março 19, 2015 às 2:55 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 16 de março de 2015.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Building primary care in a changing Europe  pág. 28

sol

O director do Programa Nacional para a Saúde Mental afirmou hoje que houve “um acréscimo muito significativo” de crianças e adolescentes de famílias em situação de crise a recorrer às urgências com situações de depressão, ansiedade e tentativas de suicídio.

“Desde que a crise tem estado mais significativa o que empiricamente tenho recolhido da parte dos meus colegas dos serviços de saúde mental de adultos, de crianças e adolescentes é que há um aumento de recursos a serviços de urgência por situações de depressão e de ansiedade”, disse Álvaro de Carvalho.

No caso das crianças e jovens houve “um acréscimo muito significativo”, adiantou o psiquiatra, que falava à Lusa a propósito de um relatório da Organização Mundial da Saúde e do Observatório Europeu sobre Sistemas e Políticas de Saúde hoje divulgado, que sublinha as evidências “bem documentadas” do impacto da crise na saúde mental.

Álvaro de Carvalho explicou que esta situação “não é de estranhar, porque havendo crise nas famílias, originada em dificuldades económicas, desemprego, etc., é inevitável que os elos mais fracos”, as crianças e os adolescentes, repercutam essa situação de tensão.

Na base destas idas às urgências estão situações de depressão e ansiedade, mas também tentativas de suicídio de jovens adolescentes.

“Os meus colegas responsáveis dos serviços de psiquiatria do Porto (Centro Hospitalar do Porto) e de Lisboa (Hospital D. Estefânia) registaram um aumento de recursos às urgências também com tentativas de suicídio de jovens adolescentes com origem em famílias com rendimento médio e médio alto, contrariamente ao que era tradicional”, adiantou.

Defendendo que os pais devem estar atentos a estas situações, o psiquiatra explicou que no caso destas crianças e jovens, os pais estão “tão preocupados com a crise” que estão menos atentos e menos sensíveis aos sinais de alarme emitidos pelos filhos.

Estes sinais de alarme são “bastante inespecíficos”, mas nas crianças e jovens a depressão manifesta-se mais através da ansiedade, dificuldade de concentração, problemas alimentares, alterações do sono e automutilações, que têm estado a aumentar, o que pode estar relacionado com a situação de crise, adiantou.

Ressalvando que não há dados epidemiológicos em Portugal sobre o impacto da crise a nível da saúde mental, o psiquiatra disse que a evidência internacional de outras crises na União Europeia aponta para um crescimento significativo da depressão e da ansiedade.

“A evidência também mostra que na maioria dos países esse aumento da depressão e ansiedade está associado ao aumento de pessoas com ideação suicida e eventualmente de risco de concretização do suicídio”, adiantou.

“Mas aparentemente nesta crise, Portugal e Espanha parecem ter menos aumento de suicídio com a crise do que a Grécia, por exemplo”, disse Álvaro de Carvalho, baseando-se em “dados ainda muito preliminares”.

Apesar de não ter havido um reforço significativo dos cuidados de saúde mental, houve um aumento do número de serviços comunitários.

“A maioria das pessoas em Portugal com problemas emocionais recorre em primeira linha aos cuidados de saúde primários e na medida em que haja uma articulação entre as equipas de saúde mental comunitárias e os cuidados de saúde primários há melhor capacidade de diagnóstico”, explicou.

No entanto, o número de consultas manteve-se porque os transportes aumentaram e as pessoas que estão empregadas deixaram de ter tanta facilidade para irem a uma consulta ou a um tratamento.

Por outro lado, “as pessoas em crise nem sempre, por pudor, evidenciam os sintomas emocionais”, frisou.

Lusa/SOL

 

 

 

Simpósio Autolesão & Adolescência / castigar o corpo para aliviar a alma

Outubro 8, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.milrazoes.pt/autolesao/

 

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