Crianças migrantes medicadas sem consentimento em centros de acolhimento

Junho 23, 2018 às 5:23 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 21 de junho de 2018.

“Disseram-me que não podia sair se não tomasse a medicação”, contou uma das crianças.

Inês Chaíça

A “tolerância zero” para com a imigração ilegal, que tem ditado a separação de famílias que entram nos EUA, fez com que centenas de crianças fossem mantidas em jaulas enquanto aguardam pelo desfecho das acções judiciais contra a família, e geraram uma onda de críticas. Mas há outras denúncias de outros atropelos aos direitos dos menores, cometidos anteriormente – vários centros de acolhimento estatais estão sob investigação porque os funcionários medicam crianças com psicotrópicos sem o consentimento dos pais. Alguns disseram tomar 16 comprimidos por dia, segundo o Huffington Post e o Texas Tribune.

Os centros são contratadas pelo Departamento de Realojamento do Refugiado [Office of Refugee Resettlement,  ORR na sigla inglesa] dos EUA, agência estatal que distribui subsídios a instituições em mais de 18 estados, maioritariamente religiosas e sem fins lucrativos.

Desde 2003, o Departamento de Saúde e Serviço Humano já atribuiu cinco mil milhões de dólares a estas instituições de acolhimento temporário e tratamento. Mas os relatos de abusos vindos destas instituições motivaram uma acção judicial contra elas. Nesse processo, ainda em curso, foram ouvidas vários menores – um deles recorda ter tomado nove comprimidos de manhã e outros sete à noite, sem saber que medicação se tratava.

“O ORR administra de forma rotineira às crianças medicamentos psicotrópicos sem a autorização necessária”, lê-se num memorando do processo, datado de Abril de 2016 e citado pelo Huffington Post. “Quando os jovens se recusam a tomar esta medicação, a ORR obriga-os. A ORR não pede consentimento parental antes de medicar uma criança, nem solicita autorização legal para consentimento no lugar dos pais. Em vez disso, a equipa do ORR ou do centro de acolhimento assina formulários de ‘consentimento’, atribuindo-se autoridade para administrar medicamentos psicotrópicos a crianças” ao seu cuidado.

Uma grande parte das acusações de medicação forçada vem do centro de acolhimento e tratamento Shiloh, em Manvel, no Texas. Fundado em 1995, começou a ser financiado em 2013 pelo Estado, que lhe atribuiu 25 milhões em subsídios ao longo de cinco anost. De acordo com os advogados que representam as crianças neste processo, a medicação forçada acontece em todos os centros, mas só em Shiloh é que se administram injecções forçadas.

As crianças acabam em Shiloh devido a problemas comportamentais ou de saúde mental, diagnosticados a alguns dos jovens que cruzam a fronteira. O transtorno stress pós-traumático é um dos mais comuns. Os psicotrópicos podem ser repostas válidas para o tratamento destes transtornos, mas só se forem receitados por psiquiatras e administrados com consentimento parental. Caso contrário, violam-se as leis do Texas.

Um dos menores que viveram nesse centro, identificado no processo como Julio Z., contou em tribunal como os funcionários o atiravam ao chão para o forçar a aceitar os comprimidos: “Disseram-me que não podia sair se não tomasse a medicação”, relatou, segundo os registos do tribunal. Ainda disse ainda ter engordado 20 quilos devido aos comprimidos, escreve o Huffington Post.

400 delitos em centros de acolhimento

As crianças migrantes que chegam aos EUA sozinhas recebem, das autoridades, o rótulo de “menores não acompanhados”. Diz a lei que devem ser encaminhadas para junto dos familiares que vivam no país, mas a maior parte passa meses em centros de acolhimento como Shiloh. Em 2014, cerca de 70 mil crianças cruzaram a fronteira sozinhas.

A estas, juntam-se agora os menores separados das suas famílias com a ‘tolerância zero’ decretada pela Administração Trump. Actualmente, as crianças estão a ser colocadas em centros de acolhimento temporário, onde dormem em armazéns onde os vários recintos são separados por gradeamento – semelhantes a jaulas, denunciaram os críticos. Outros vivem em tendas vigiadas por pessoal do Departamento de Segurança Interna armado com espingardas. Mas é apenas uma situação temporária: estes menores vão ser depois enviados para centros de acolhimento através do ORR.

Há outros problemas: de acordo com as autoridades, nos lares de acolhimento temporário do estado do Texas foram registadas mais de 400 delitos, um terço destes considerados “sérios”, escreve o Texas Tribune.

Na sua maioria, relacionam-se com falhas nos cuidados médicos. De acordo com a investigação deste jornal regional, há relatos de crianças com queimaduras, pulsos partidos e doenças sexualmente transmissíveis que ficaram sem tratamento. Há ainda relatos de uma criança que tomou um medicamento ao qual era alérgica, apesar do que indicava a sua pulseira médica. E as autoridades também descobriram centros onde há “contacto inapropriado com crianças”. Num deles, um funcionário deu uma revista pornográfica a um menor.

Em 2001, uma menor morreu num desses lares temporários ao ser imobilizada por um funcionário – foi a terceira a morrer desta forma desde 1993. Há ainda registo de uma criança que morreu por asfixia e outra presa dentro de um armário.

 

 

Ciclo de Conferências Riscos (d)e Trauma – Trauma stories – the hidden side of the interview

Novembro 19, 2012 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação, Uncategorized | Deixe um comentário
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Ciclo de Conferências Riscos (d)e Trauma

O Centro de Trauma do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, no âmbito das suas actividades propõe-se realizar um ciclo de conferências proferidas por individualidades de reconhecido mérito, e subordinado aos vastos temas da Prevenção e Intervenção no Trauma Psicológico.
O propósito deste Ciclo assenta no desejo de estimular a discussão e a partilha de conhecimento entre aqueles que intervêm nas áreas da crise, desastre ou catástrofe, reflectindo conjuntamente e congregando leituras interdisciplinares.

Trauma stories – the hidden side of the interview

Gavin Rees (Diretor do Dart Centre Europe | Escola Superior de Jornalismo da Universidade de Columbia/Nova Iorque)

21 de novembro de 2012, 15h00, Auditório do Centro de Informação Urbana de Lisboa, Picoas Plaza, Rua do Viriato, 13 | Lisboa

Resumo

Trauma is news. For a society to function people need to know about the worst things that can befall individuals and their communities. But no area of news coverage arouses greater ambivalence. We may find ourselves gripped by the news, while simultaneously wishing that we had never seen it. What does it take for journalists to navigate this minefield? Portraying the lives of people who have been adversely exposed to traumatic events, such as sexual violence, street crime, armed conflict or other forms of human tragedy, requires research, knowledge and sensitivity – and in some cases genuine personal courage.
Gavin Rees, the Director of Dart Centre Europe, will talk about why trauma awareness for journalists matters and, in particular, will look at the hidden aspects of trauma interviewing that rarely get talked about.
Nota biográfica

Gavin Rees, jornalista e realizador, é diretor do Dart Centre Europe, um projeto da Escola Superior de Jornalismo da Universidade Columbia em Nova Iorque dedicado à promoção de abordagens éticas e inovadoras na cobertura jornalística do trauma e da violência. Gavin Rees é responsável pela implementação na Europa do trabalho do Dart Centre, atuando nessa qualidade como consultor em organizações noticiosas, ONG e escolas de jornalismo para a consciencialização sobre o trauma. Embora a sua carreira tenha iniciado como investigador político, trabalhou durante vários anos para uma grande variedade de meios de comunicação social. Durante cerca de quinze anos produziu notícias nas áreas económica e política para a Financial Times Television, CNBC e notícias internacionais para grupos japoneses. Participou também na produção de filmes e documentários para a BBC e o Channel 4, entre outros.

O seu interesse pelas narrativas traumáticas nasceu das entrevistas que realizou a sobreviventes do ataque nuclear a Hiroshima, no âmbito de um documentário para a BBC, premiado com um Emmy em 2006. Atualmente é investigador visitante da Universidade Bournemouth, onde desenvolve investigação sobre a narrativa jornalística sobre a violência, e é membro da direção da European Society of Traumatic Stress Studies.

Projecto Backup the Children – A Perturbação de Stress Pós-Traumático em Crianças e Jovens

Fevereiro 7, 2011 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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