Design The Future – plataforma online de orientação vocacional para jovens

Junho 22, 2015 às 1:00 pm | Na categoria O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe o seu comentário
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A Drª Maria João Pena (Instituto de Apoio à Criança – SOS-Criança/Criança Desaparecida) participou com 2 vídeos como Assistente Social no Instituto de Apoio à Criança – Serviço SOS Criança.

 

Press Release da Vodafone

FUNDAÇÃO VODAFONE LANÇA PLATAFORMA DIGITAL PARA JOVENS: DESIGN THE FUTURE

Terça-feira, 16 de Junho de 2015

Em parceria com a Better Future e com recurso a testemunhos reais

A Fundação Vodafone e a Associação Better Future acabam de lançar uma plataforma online, que pode ser acedida via PC, smartphone e tablet, que tem como missão difundir o conhecimento e promover a literacia dos jovens portugueses ao nível das suas opções formativas, de forma a permitir a estes jovens uma escolha académica mais orientada aos seus gostos e aptidões.

Na fase de lançamento da plataforma Design The Future, estão disponíveis mais de 100 vídeos com entrevistas a reconhecidos profissionais, representantes de profissões de várias áreas, tais como medicina, engenharia, desporto, literatura, educação, jornalismo, música, entre muitas outras, que falam sobre as suas profissões e sobre as motivações que os levaram a escolher a vocação na qual hoje são uma referência. Os entrevistados partilham a sua experiência profissional, de modo a transmitirem informação necessária para que os jovens possam fazer escolhas mais conscientes e orientadas ao seu perfil, competências e vocação, sempre em linha com as necessidades do mercado.

Este programa pretende contribuir para a melhoria do conhecimento dos jovens em relação às profissões existentes no mercado atual, bem como permitir disponibilizar informação sistematizada sobre as várias opções formativas existentes em Portugal, através das quais os jovens poderão ao longo do seu percurso desenvolver competências para o exercício de determinada profissão, designadamente informação sobre os cursos e respetivas instituições, provas de ingresso e médias de acesso.

Atualmente existem cerca de 440.900 jovens a frequentar o ensino secundário e 390.300 matriculados no ensino superior, no entanto, estima-se que metade dos estudantes que frequentam o ensino superior desiste do curso durante o 1º ano. Alguns estudos demonstram que tanto o abandono académico como uma parte da taxa de desemprego jovem advêm da falta de informação dos estudantes em relação aos cursos disponíveis no mercado e às respetivas saídas profissionais.

Como em todos os programas promovidos pela Fundação Vodafone, a plataforma Design The Future é inclusiva, permitindo a utilizadores cegos ou com baixa visão, aceder a todos os conteúdos disponibilizados através da mesma.

Link de acesso: http://designthefuture.pt/

 

 

Manuel Coutinho. “A palmada pedagógica é uma ideia que deve ser banida”

Maio 26, 2015 às 2:35 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Entrevista do i ao Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança) no dia 26 de maio de 2015.

José Fernandes A linha só funciona porque existe um trabalho de equipa com vários parceiros, diz Manuel Coutinho

Os maltratados são os que menos recorrem à linha SOS-Criança, conta-nos o secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança.

Esta linha surgiu nos anos 80, associada ao IAC. Como é que foi recebida?

Logo nos primeiros anos percebeu-se que as crianças eram maltratadas normalmente dentro da família. O modelo cultural permitia isso. Em Novembro de 1988 surgiu o SOS-Criança, precisamente para dar voz à criança. Psicólogas, assistentes sociais e educadoras ouviam–nas e tentavam dar uma resposta. Mas o serviço que ia trazer alegria e esperança não foi logo muito bem aceite por todos. Foi considerado um serviço que dava muito trabalho aos outros, como se fôssemos inventar situações de risco e de perigo. Era-nos frequentemente dito que os casos não constavam dos seus registos. Depois as coisas foram-se alterando e a criança começou a ser considerada um sujeito de direitos.

Era um serviço pioneiro, mesmo para o resto do mundo.

Em termos internacionais, foi uma das primeiras linhas a existir. Levou a que os países da Europa criassem linhas europeias, anónimas e confidenciais. Criaram-se os números 116 111, iguais em todos os países europeus, para serem usado nas situações de risco das crianças. Para Portugal foi muito fácil fazer a permuta. Para além desta linha, no início dos anos 90 percebemos a necessidade de criar uma linha 24 horas por dia para as crianças desaparecidas e abusadas sexualmente. Foi feito um trabalho nacional, fez-se um estudo para perceber quem eram as organizações que trabalhavam com esses casos e lançámos o número 1410. A Europa, mais tarde, cria o número europeu: 116 000.

O que fazem no caso do desaparecimento de uma criança?

O desaparecimento não é só o rapto efectuado por terceiros. São também as fugas da família ou da instituição, os raptos parentais (subtracção de menores), imigrantes não acompanhados. Quando desaparece uma criança, os pais e os familiares devem imediatamente contactar a linha, a PSP ou a PJ. Não recomendo que divulguem a imagem da criança. Os raptores estão atentos a todos os sinais e quando vêm a imagem em todo o lado tendem a desfazer-se da criança. A imagem de uma criança na internet fica para sempre na internet, tal como os emails que todos recebemos sobre crianças que desapareceram – e que muitas vezes já apareceram. O que não é bom para as crianças, nem para as famílias, nem para as pessoas que trabalham nestas situações. No âmbito das crianças desaparecidas existe um serviço designado “alerta rapto de menores” que é accionado em caso de rapto por terceiros. Só quando os meios acham que se deve lançar este alerta – durante três horas e depois pára – é que a linha de apoio é chamada para que todas as pessoas que possam ter informações rapidamente actuem. Há muitos pais que têm a ideia errada de que os de-saparecimentos só podem ser denunciados passado 24 horas. Isso é falso. Até um minuto pode fazer a diferença.

O que acontece depois de o SOS-Criança receber uma chamada?

Orientamos as situações para outros serviços. Só existimos porque fazemos um trabalho de equipa com outros parceiros. Mas o SOS é mais do que a linha telefónica. Tem um serviço psicológico, social e jurídico gratuito e uma equipa de mediação escolar que parte do princípio de que é na escola que os problemas familiares muitas vezes se manifestam. Vamos às escolas tentar sensibilizar as crianças e os adultos para a existência destes apoios. Quando percebem que uma criança está a passar por uma situação de vulnerabilidade, que está a conviver com alcoólicos, toxicodependentes, que apresentem a situação porque o objectivo é evitar que o perigo aconteça. Muitas vezes vêm depois das fatalidades dizer que sabiam e não denunciaram. De forma indirecta, foram cúmplices.

Quem é que liga?

Crianças, jovens e adultos. Quem liga mais são os adultos. E, dentro dos adultos, as mulheres. O maltratado nem sempre liga. Normalmente quem liga são pessoas próximas dele. Na família, quem mais maltrata as crianças são as mães. Uma vez dizia-me uma menina: “A minha mãe diz que o meu pai é um cobarde porque lhe bate. Então porque é que também me bate a mim?” A palmada pedagógica é uma ideia que deve ser banida. Nenhuma mulher gostava que o seu homem ou o seu chefe lhe desse uma palmada pedagógica.

Há quem ligue por estar só?

Sim, chega-nos muito. Crianças que estão tristes, que não têm quem brinque com elas. Os pais têm hoje muito pouco tempo para estar com os filhos. As crianças não são adultos em miniatura. E como não o são, não devem, depois de cargas horárias brutais, vir para casa com trabalhos de casa. As crianças estão sobrecarregadas e esses trabalhos potenciam os conflitos intrafamiliares. Os professores avaliam os trabalhos de casa feitos pelos pais que os sabem fazer. As crianças não se sentem bem-amadas ou sentem-se desprotegidas. Muitas telefonam durante anos, regularmente. Tenho lá dentro o quadro de uma criança que aos 16 anos tinha tendências suicidas porque passava os Natais e os fins-de-ano sozinha. Recebeu apoio de um serviço de especialidade. Uns anos mais tarde mandou-nos um desenho a agradecer.

 

 

 

Linha SOS-Criança. Uma chamada a cada hora, a cada hora uma criança

Maio 26, 2015 às 2:20 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Reportagem do i de 26 de maio de 2015.

A notícia contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

José Fernandes

Sílvia Caneco

O i conversou com os técnicos, ouviu os telefonemas e conta-lhe as histórias de quem liga para o 116 111.

– Por favor… Alguém me ajude. Há dois dias que não dou comida à minha filha.

Paula, a técnica responsável pelo atendimento da chamada feita para o 116 111, começava a sufocar. Como consegue alguém ouvir que uma criança corre perigo e continuar ali, agarrada a uma secretária e a um telefone, sem poder ir a correr salvá-la? À medida que a mãe se ia desembrulhando de um discurso de coisa sem coisa, Paula tomava conta da gravidade do que estava a acontecer, algures numa casa do país: aquela mãe não tinha caído na pobreza; não estava inválida, nem paralisada, nem tinha qualquer problema de mobilidade. Quem ligava era uma mulher barricada entre o que sabia estar certo e o que um transtorno de personalidade lhe pedia para fazer.

– Ela tentou ir buscar umas bolachas. Mas ela não pode. Ela não pode chegar à comida.

Paula teve a certeza, naquele momento, de que se tratava de uma emergência: se a mãe desligasse, ou se a chamada simplesmente caísse, não teria forma de detectar o rasto da chamada telefónica. Era preciso manter a mãe em linha, acalmá-la e conseguir identificar uma morada entre tanto discurso sem nexo para que as autoridades fossem enviadas ao local. Nesse dia, sem se levantar da cadeira, Paula salvou uma criança de morrer à fome.

Naquele dia, quem ligou foi a mãe. Noutra hora é um pai, ou uma avó, ou uma vizinha, ou uma professora, ou uma amiga. Ou simplesmente um homem ou uma mulher. Alguém só com um timbre, não precisa de rosto, nem nome, nem tão-pouco grau de parentesco. Desde que a linha foi criada há 25 anos, pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC), já foram feitas por esta via mais de 132 mil denúncias.

Em média, a cada hora que passa há uma chamada que chega à linha e mais um registo, na folha de Excel, de uma criança em risco. Vítima de maus-tratos físicos e psicológicos. Vítima de abandono ou negligência. Vítima de bullying, violência no namoro ou abusos sexuais. Há ainda histórias de pais que não sabem dos filhos. Pais sem condições económicas ou mentais para cuidar das crianças. Pais que ameaçam pôr os filhos fora de casa. Pais que sofrem agressões e querem ver os filhos longe delas.

As seis técnicas responsáveis pelo atendimento não esquecem o que ouvem quando, ao fim de um dia de trabalho e dezenas de chamadas, entram em casa. Mónica – assim mesmo, sem apelido, por razões de segurança as técnicas não os têm – tinha acabado de sair de licença de maternidade quando, do outro lado da linha, começou a ouvir um relato pormenorizado de maus-tratos a um bebé.

– Tive de fazer um esforço sobre-humano para a minha voz não se separar de mim. Ali, sei que tenho de manter uma voz calma, que não me posso descontrolar, mas aquilo tudo, talvez por ter sido mãe há pouco tempo, mexia muito comigo –, recorda.

Quando chegou à sala ao lado, onde estavam as colegas, já as lágrimas escorregavam pelo queixo. Só conseguia repetir: “Como é que é possível? Como é que é possível? É um bebé!”

O vermelho do S.O.S chega de todos os lugares. Nos últimos seis anos, pelo menos 36 mil menores foram sinalizados como estando em risco ou tendo sido vítimas de qualquer tipo de maus-tratos: num extremo está a negligência, falhas nos cuidados alimentares, no acompanhamento escolar ou na saúde; no outro, os abusos sexuais e emocionais e as agressões psicológicas e físicas. Os números são perturbadores: entre 2011 e 2013, o Instituto de Medicina Legal detectou, em média, dois casos semanais de suspeitas de agressões a crianças. Seis acabaram por morrer vítimas de asfixia, intoxicação e lesões traumáticas. De acordo com o estudo “Maus-tratos infantis e morte em Portugal: estudo retrospectivo de três anos”, divulgado em Outubro, em Coimbra, em quase metade dos casos (45,5%), os agressores são os próprios pais. A maioria das crianças sinalizadas como vítimas tinham entre um ano e meio e dois anos e meio de idade. Há registo de traumatismos de natureza contundente, de natureza cortante, de intoxicação com gases e fármacos e até de queimaduras com cigarros.

Os números não incluem o caso do pai que saiu de casa com as mãos ensanguentadas depois de matar o filho de três meses, em desatinados golpes de faca, em Linda-a-Velha. Nem o de Maria Isabel, de dois anos, que morreu dias depois, em Loures, após ser espancada pelo padrasto.

Não há limites para a realidade.

“Nunca ninguém pensa que um homem pode ligar à mulher para lhe dizer: vou espetar uma faca no coração de uma criança. Quem trabalha nestas equipas tem de ter muita resistência à frustração. Muitas vezes, a realidade que chega ao telefone ultrapassa a ficção. Se cada um varrer a frente da sua porta, a rua fica limpa. É melhor apresentarem uma situação e ela não ser verídica do que não a apresentarem e ser. A criança não é o futuro, é o presente. E é no presente e com os meios que temos ao nosso dispor que a devemos ajudar”, defende Manuel Coutinho, secretário-geral do IAC, o instituto que foi pioneiro na criação de uma linha de atendimento telefónica gratuita e confidencial para denunciar os riscos e perigos a que estão sujeitas crianças e adolescentes.

Paula sabe que estatísticas são apenas estatísticas e não se guia por elas. Mas de há um ano para cá começou a ter outra percepção dos telefonemas que atende: “Temos percebido que temos tido apelos mais complicados. Muitas vezes, situações que ficam ali na fronteira. Que não sabemos muito bem se são maus-tratos psicológicos, se são outra coisa.” À conversa com Mónica, partilha um caso que chegara na semana anterior: o de uma criança de 12 ou 13 anos a quem o companheiro da mãe terá rapado o cabelo, depois de lhe ter retirado os pêlos púbicos.

Noutro dia foi uma vizinha quem ligou. Não suportava mais guardar para si que, na casa ao lado, duas crianças, de três e seis anos, passavam o dia sozinhas. E que durante esse período até já tinham sido vistas a passear pelo telhado. O que era feito do pai e da mãe? O pai estaria detido. A mãe contava às crianças, depois de lhes dar o almoço, que ia trabalhar para o Pingo Doce. Quando os técnicos da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco chegaram ao hipermercado, perceberam que não havia qualquer funcionária com o nome daquela mãe. Estavam perante um caso de abandono ou, no mínimo, de negligência. João e Joana acabaram numa instituição.

Noutra hora é uma professora quem liga em desespero. O que fazer quando uma criança conta na escola que o companheiro da avó vê filmes pornográficos ao seu lado? Ainda para mais, Sara descrevia cenas explícitas dos filmes e tinha sido apanhada na piscina a simular sexo com os rapazes. Como se não bastasse, contava que o pai estava fora e que a mãe era agredida pelo tal companheiro da avó. Já noutra hora, é uma mãe com receio de maus-tratos por parte de uma educadora porque a filha se recusa a ir à escola. Ou um pai que se barricou com os filhos. Ou uma mãe que saiu de casa porque o filho roubava e a agredia. Ou uma mãe que ameaça pôr a filha fora de casa porque já não sabe como lidar com os seus comportamentos agressivos. Um adolescente que fez uma tentativa de suicídio. Ou alguém para quem bastou olhar para os pulsos da neta para sentir que havia perigo.

– A minha neta tem 12 anos e automutilou-se.

Do outro lado do 116 111, numa sala de um prédio lisboeta, durante 17 minutos, Paula tenta acalmar a avó nervosa.

– Não sei o que fazer. Disse-me que não era a primeira vez, que não era de agora. Nunca notei que tivesse problemas. É muito estudiosa, mas talvez a minha filha a pressione muito com as notas. Ela faz isso no corpo. O meu filho, quando estava mais nervoso ou irritado, dava murros na parede. Agora ela faz isto. Serão problemas da cabeça? Isto não é autismo, pois não?

Paula sossega a avó, sugere que vá às consultas do Instituto de Apoio à Criança ou contacte um psicólogo mais próximo da área de residência. Repete que o número 116 111 está disponível 24 horas por dia: que pode voltar a ligar, e que a neta, ou o filho ou a nora, também o poderão fazer. O mais importante é fazê-la interiorizar esta mensagem: aquela criança é uma criança em risco. Se cortou os pulsos é porque está em sofrimento.

– Há qualquer coisa com a qual ela não está a conseguir lidar, percebe? Ela está a pedir ajuda.

“Esta nem é a situação típica. Mas o SOS tem essa especificidade. São situações atrás de situações, o que é muito exigente. Estamos a ouvir coisas difíceis e, por mais preparação que tenhamos, isto marca-nos sempre. E depois é preciso lidar com o sofrimento da outra pessoa. Neste caso era a avó, que estava claramente nervosa e ansiosa. Aqui, o nosso papel não é o chapa 5, registar situações e já está, mas lidar com isso ao telefone.

Perceber que aquela situação é muito delicada, que aquela criança está a precisar de ajuda e fazer ver isso ao apelante. É daquelas chamadas em que temos de mostrar que é preciso actuar já”, desabafa Paula depois de pousar o telefone.

Maria José não precisava de se identificar, nem tão-pouco de dizer que era avó daquela criança. A linha garante o anonimato. O único dado necessário é a localização. As técnicas (psicólogas ou assistentes sociais) que atendem das 9 às 19h (nas horas seguintes, as chamadas são reencaminhadas para a Polícia Judiciária) registam a duração da chamada, o género do apelante (nome dado a quem faz a denúncia), o distrito de onde liga e se a chamada tem ou não relação com uma criança. Se o tiver, passa-se à segunda fase: consoante as denúncias, são contactadas as autoridades, as comissões de protecção de crianças e jovens em risco, a Segurança Social ou as escolas. Denúncias que envolvem bebés são tratadas como urgentes. No fim, quem atende e reencaminha os casos faz sempre questão de saber se a denúncia era verdadeira e se a história teve um final mais feliz. Para que conste dos registos e também porque, por mais que histórias que ouçam, nunca as tiram da cabeça.

Quem mais liga são os adultos, sobretudo as mulheres. Mas também há casos de crianças e adolescentes, muitas vezes motivados pelas campanhas de sensibilização que o IAC faz regularmente nas escolas. O apelo, desenvolvido em panfletos, é simples: se tens um problema, liga-nos. A partir daí chegam à linha histórias de crianças e jovens com ideação suicida, falta de auto-estima, problemas na escola ou dificuldade em lidar com pais divorciados e desavindos. “Às vezes o problema é relativo, mas não nos cabe a nós desvalorizar o problema de uma criança”, contam Paula e Mónica, habituadas a partilhar as histórias, e a rir de algumas delas como forma de catarse.

Há quem ligue porque se sente sozinho ou até, cada vez mais, porque os pais não estão e precisa de ajuda para fazer os trabalhos de casa.

“É outra coisa que aqui nos chega muito: o tempo que as crianças não têm para brincar. É frequente não terem sequer quem brinque com elas. O alargamento dos horários de trabalho lesou, e muito, a interacção parental. E se as crianças já estavam demasiadas horas na escola, com recreios desumanizados, ainda passaram a estar mais”, diz Manuel Coutinho, que logo a seguir salta para o orgulho que tem nos percursos de quem ligou durante anos e anos para aquela linha SOS, ultrapassou as crises e se transformou num adulto feliz. Aqueles que depois enviam cartas e desenhos, hoje pendurados na parede do apartamento onde todos os dias se arranjam soluções na hora pelo telefone.

Os mais sós transformam facilmente aqueles telefonemas numa rotina. Como o Rui, que começou a ligar com oito ou nove anos e hoje já está quase a entrar na idade adulta: uma criança solitária, ora eufórica ora deprimida, com um historial de ataques de pânico, conflitos com o padrasto e tentativas de suicídio. Chegou até o dia em que as técnicas tiveram de reencaminhar uma ambulância porque se atirou de um segundo andar. Rui sobreviveu e de vez em quando ainda liga, nem que seja para desabafar dores de crescimento ou simplesmente falar sobre o sol. António também já o faz há anos. Hiberna no Inverno e reaparece nas férias de Verão, quase sempre para repetir histórias em torno de um menino que “não consegue arregaçar as mangas”.

 

Campanha da Missing Children Europe de divulgação do 116 000 Linha Europeia para Crianças Desaparecidas

Maio 20, 2015 às 2:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Texto do Facebook da Missing Children Europe

We are just a week away from International Missing Children’s day on May 25th. The day has been commemorated around the world since 1983, in memory of 6 year old Etan Patz who went missing on his way to school on 25 May, 1979, as well as in memory of thousands of other children who go missing each year. The day sends a message of hope to parents and children, and raises awareness about the problem, through the use of the ‘forget-me-not’ flower as its official symbol.

Speak up for missing children this year by joining our thunderclap campaign, running or golfing for Missing Children Europe, visiting our photo exhibition at the European Parliament or donating to help realise one of Missing Children Europe’s projects. Find out how in our newsletter:

http://eepurl.com/bfPE5n

Em Portugal o 116 000 foi atribuído ao SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança. mais informações aqui 

Açores é uma das regiões com mais alertas sobre crianças

Março 18, 2015 às 12:00 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 17 de março de 2015.

clicar na imagem

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557 chamadas dos Açores para a linha de apoio SOS Criança. Não há razão para alarme. – Entrevista de Manuel Coutinho à Antena 1 Açores

Março 10, 2015 às 1:30 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Entrevista do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança) à Antena 1 Açores no dia 6 de março de 2015.

Ouvir a entrevista no link:

http://www.rtp.pt/play/p1249/e186835/jornal-das-13-00

minuto 04.58 – 06.55

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Montras do Ministério da Educação

Outubro 10, 2014 às 3:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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Na sequência do convite endereçado ao Instituto de Apoio à Criança pela Secretaria-Geral do Ministério da Educação, a Direção do IAC considerou de grande interesse a participação do IAC no programa de dinamização de Montras do Centro de Informação e Relações Públicas (CIREP) do Ministério da Educação para a divulgação de atividades e projetos do IAC de maior significado.

A responsabilidade da organização desta exposição nas Montras do Ministério da Educação foi entregue ao sector CEDI (Centro de Estudos, Documentação e Informação sobre a Criança). Desta forma, durante todo o mês de outubro de 2014 pode ser apreciada a exposição relativa à atividade desenvolvida pelo Instituto de Apoio à Criança, composta por diversos materiais: roll up, cartazes, publicações, brinquedos, trabalhos realizados por crianças e outros que representam o trabalho desenvolvido pelos vários sectores do Instituto.

As montras estão situadas nas instalações do Ministério de Educação (CIREP) da Avenida 5 de Outubro, nº 107 em Lisboa.

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Relatório Estatístico do SOS-Criança 2013

Setembro 22, 2014 às 8:00 pm | Na categoria Relatório | Deixe o seu comentário
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descarregar o relatório:

http://www.iacrianca.pt/images/stories/pdfs/sos/relatorio_2013.pdf

 

A história do rapto de Maria Alice – reportagem da RTP1

Setembro 12, 2014 às 1:20 pm | Na categoria O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe o seu comentário
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reportagem da RTP de 9 de setembro de 2014.

A reportagem contém dados estatísticos do IAC sobre rapto parental.

ver a reportagem aqui

Luís Filipe Fonseca/ Luís Moreira

O Instituto de Apoio à Criança recebeu no ano passado 60 denúncias de desaparecimento de crianças. Cerca de 40 por cento dessas queixas corresponderam a casos de rapto parental, o que significa que a história de Maria Alice e de Paulo Guiomar é uma entre muitas.

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Guerra em tempo de férias

Setembro 10, 2014 às 7:00 pm | Na categoria O IAC na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia do Sol de 14 de agosto de 2014.

A notícia contém declarações da Drª Maria João Pena (Instituto de Apoio à Criança – SOS-Criança/Criança Desaparecida) e da A Drª Ana Sotto-Mayor Pinto do Serviço Jurídico do instituto de Apoio à Criança.

clicar na imagem

SOL

 

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