A liberdade de uma filha vale uma família inteira?

Abril 24, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Texto da http://www.tsf.pt/ de 11 de abril de 2017.

Foto Zohra Bensemra/Reuters

Cláudia Arsénio com Reuters

Zeinab tem 14 anos. O ano passado, um homem mais velho ofereceu dinheiro pelo dote. Mil dólares (cerca de 950 euros) que permitiriam à família escapar à fome e a uma morte certa no sul da Somália.

“Preferia morrer. É melhor fugir e ser comida pelos leões”, desabafou a adolescente bonita quando a mãe lhe falou da oferta. Zeinab sonha ser professora de inglês, sonha com um futuro diferente. “E nós ficaríamos aqui e morreríamos à fome e depois os animais comeriam o que restasse”, respondeu a mãe, dividida entre o amor e o pragmatismo.

Não se sabe ao certo quantas famílias na Somália enfrentam o mesmo dilema, numa altura em que a guerra e a seca levaram o país à maior crise desde a II Guerra Mundial.

Na aldeia de Zeinab e da família, os poços secaram e o gado morreu. A única esperança que lhes resta é chegar a Dollow, uma cidade junto à fronteira com a Etiópia, onde a ajuda internacional fornece água e comida a quem foge de uma morte certa. E, para tal, precisam do dinheiro do dote para a viagem.

O negócio seria realizado. Abdir Hussein, a mãe, confessa à repórter da Reuters, já em Dollow, que nunca se sentiu tão mal. “Acabei com os sonhos do meu bebé. Mas sem aquele dinheiro, teríamos morrido todos”.

Na balança estavam, de um lado, os sonhos de Zeinab e, do outro lado, a vida de 20 sobrinhos e sobrinhas, filhos e filhas das suas três irmãs mais velhas já viúvas ou divorciadas. A vida do seu irmão mais velho, da irmã mais nova e dos seus pais.

O casamento foi celebrado e a união consumada, mas ao fim de três dias… Zeinab fugiu. O marido seguiu-a até Dollow e a família enfrentou um novo dilema: estavam a salvo, mas não poderiam devolver o dinheiro do dote.

A solução seria Abdiweli Mohammed Hersi, a professora de inglês de Zeinab. Com a ajuda do grupo humanitário italiano Cooperazione Internazionale, conseguiu reunir o dinheiro necessário. Agora o grupo vai mediar um encontro entre os homens das duas famílias e propor a devolução do valor do dote se o marido aceitar divorciar-se perante testemunhas,

Ao ouvir estas palavras, os olhos negros da bela Zeinab deixaram de fixar o chão. “Serei livre?”, perguntou.

Fotografias de Zohra Bensemra, da agência Reuters.

mais fotografias n link:

http://www.tsf.pt/internacional/interior/a-liberdade-de-uma-filha-vale-uma-familia-inteira-6214381.html?utm_campaign=Echobox&utm_content=TSF&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1491911394

 

 

Perto de 1.4 milhões de crianças em risco de morte devido à ameaça de fome na Nigéria, na Somália, no Sudão do Sul e no Iémen

Março 10, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Comunicado de imprensa da Unicef de 21 de fevereiro de 2017.

On 5 February, a woman plays with her 2-year-old son, Kuot Kune, at the UNICEF-supported Al-Shabbah Children’s Hospital, where Kuot is being treated for severe acute malnutrition, in Juba, the capital. In late May 2015 in South Sudan, the lives of more than a quarter of a million children are at risk from a rapidly worsening nutrition situation. The environment for children has greatly deteriorated, based on the onset of an early lean season brought by ongoing conflict, diminished household food stocks and a declining economy. Children trapped by fighting, without access to basic medical services and food, will struggle to survive this lean season without an urgent resumption of humanitarian assistance in conflict-affected areas. Through the national Nutrition Scale Up programme and rapid response missions to remote, conflict-affected areas, UNICEF and partners have treated almost 50,000 children for severe acute malnutrition thus far in 2015. With a funding shortfall of 75 per cent this year, UNICEF is urgently appealing for US$25 million to continue its life-saving nutrition response in South Sudan.

On 5 February, a woman plays with her 2-year-old son, Kuot Kune, at the UNICEF-supported Al-Shabbah Children’s Hospital, where Kuot is being treated for severe acute malnutrition, in Juba, the capital.

Perto de 1.4 milhões de crianças em risco de morte devido

à ameaça de fome na Nigéria, na Somália, no Sudão do Sul e no Iémen

NOVA IORQUE/DAKAR/NAIROBI/AMÃ, 21 de Fevereiro de 2017 – Quase 1.4 milhões de crianças estão em risco iminente de morte devido à má nutrição aguda grave este ano, causada pela fome que paira sobre a Nigéria, a Somália, o Sudão do Sul e o Iémen, afirmou a UNICEF hoje.

“O tempo está a esgotar-se para mais de um milhão de crianças,” afirmou Anthony Lake, Director Executivo da UNICEF. “Ainda podemos salvar muitas vidas. A má nutrição aguda e a ameaça da fome são em grande medida causadas pelo homem. O nosso sentido de humanidade exige uma acção mais rápida. Não podemos deixar que se repita a tragédia da fome no Corno de África em 2011.”

Este ano no nordeste da Nigéria, o número de crianças que sofrem de má nutrição aguda grave deverá chegar aos 450.000 nos estados de Adamawa, Borno e Yobi afectados pelo conflito. Fews Net, o sistema de alerta precoce de fome que monitoriza a insegurança alimentar, disse no final do ano passado que é possível que a fome tenha ocorrido em algumas zonas do estado de Borno anteriormente inacessíveis, e que continuará a ocorrer noutras zonas que permanecem inacessíveis à assistência humanitária.

Na Somália, a seca está a ameaçar uma população já fragilizada por décadas de conflito. Quase metade da população, ou seja, 6.2 milhões de pessoas, enfrentam uma situação de insegurança alimentar grave e precisam de assistência humanitária. É expectável que cerca de 185.000 crianças venham a sofrer de subnutrição aguda grave este ano, mas este número poderá chegar aos 270.000 nos próximos meses.

No Sudão do Sul, um país debilitado pelo conflito e pela pobreza e insegurança, mais de 270.000 crianças estão gravemente malnutridas. A fome foi recentemente declarada em partes do estado de Unity na zona norte central do país, onde vivem 20.000 crianças. É previsível que o total de pessoas em situação de insegurança alimentar no país aumente de 4.9 milhões para 5.5 milhões no pico da época de escassez de alimentos em Julho se nada for feito conter a gravidade e o alastramento da crise alimentar.

No Iémen, nos últimos dois anos profundamente afectado por um conflito violento, 462.000 crianças sofrem actualmente de má nutrição aguda grave – um aumento de quase 200 por cento desde 2014.

Este ano, a UNICEF está a trabalhar com vários parceiros a fim de providenciar tratamento a 220.000 crianças gravemente subnutridas na Nigéria; mais de 200.000 no Sudão do Sul; mais de 200.000 na Somália; e 320.000 no Iémen.

 

 

Campanha para escolarizar um milhão de crianças começa hoje na Somália

Setembro 17, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia da RTP Notícias de 8 de setembro de 2013.

A Press Release da Unicef citada na notícia é a seguinte:

Massive campaign to get one million Somali children into school to be launched

Lusa

As autoridades somalis lançaram hoje uma campanha para que um milhão de crianças deste país devastado pela guerra vá à escola, anunciou a UNICEF, a organização das Nações Unidas para a infância.

A iniciativa “Go 2 School” (“Ir à escola”) foi lançada simultaneamente na capital, Mogadíscio, tal como em Hargeisa e em Garowe, as duas maiores cidades nas regiões do Norte, respetivamente, na região autónoma da Somalilândia e em Puntland, semiautónoma.

A campanha, que terá a duração de três anos, “visa dar a oportunidade de estudar a um quarto dos jovens que atualmente estão fora do sistema escolar”, segundo a UNICEF.

Com um custo total estimado de 117 milhões de dólares (89 milhões de euros), o projeto inclui a construção e a renovação de escolas, recrutamento e formação de professores, formação técnica e profissional para os alunos mais velhos e programas especiais para as comunidades nómadas.

A taxa de escolarização neste país do Corno de África, que está a esforçar-se para ultrapassar vinte anos de guerra civil, está entre as mais baixas do mundo, de acordo com a UNICEF, que precisa que apenas quatro em cada dez crianças vão à escola.

Muitas crianças começam a escola primária muito mais tarde do que a idade prevista de seis anos e muitas mais abandonam a escola cedo.

“A educação é a chave para o futuro da Somália, que já perdeu pelo menos duas gerações. Uma juventude instruída é uma das melhores contribuições para a manutenção da paz e da segurança na Somália”, disse o representante da UNICEF na Somália, Sikander Khan.

 

Somália, o pior sítio do mundo para se ser criança

Maio 10, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia da Visão de 3 de Maio de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Mortality among populations of southern and central Somalia affected by severe food insecurity and famine during 2010-2012

REUTERS

REUTERS

A fome matou 133 mil crianças com menos de cinco anos. Em apenas um ano

O primeiro estudo em profundidade sobre as mortes por fome na Somália foi divulgado quinta-feira e confirma, em números, um cenário trágico: 133 mil crianças, com menos de cinco anos, morreram em 2011. Em algumas comunidades, a taxa de mortalidade infantil é perto de 20%, ou seja, um quinto das crianças morre de fome. Dados que fazem da Somália o sítio mais perigoso do mundo para se ser criança.

No total dos países industrializados, as mortes de crianças com menos de cinco anos no mesmo período foi de 65 mil.

“O mundo foi demasiado lento a responder aos avisos da seca, exacerbada pelo conflito na Somália e o povo pagou com as suas vidas. Estas mortes podiam e deviam ter sido evitadas”, lamenta Senait Gebregziabher, diretor da organização Oxfam, que presta auxílio na Somália.

O novo estudo aponta para um total de 260 mil mortes por fome.

29 mil crianças morrem à fome

Agosto 19, 2011 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia do Jornal da Madeira de 5 de Agosto de 2011.

A notícia  tem como base o seguinte documento:

Written Testimony of Nancy E. Lindborg Assistant Administrator, Bureau for Democracy, Conflict, and Humanitarian Assistance Drought and Famine in the Horn of Africa  Before the Subcommittee on African Affairs Committee on Foreign Relations United States Senate August 3, 2011  

Visualizar o documento Aqui

 Mais de 29.000 crianças morreram de fome na Somália nos últimos três meses, em sequência da pior crise humanitária no Corno de África, indicou a Agência Americana de Ajuda ao Desenvolvimento, instando a comunidade internacional a agir.
“Estimamos que mais de 29.000 crianças com menos de cinco anos morreram nos últimos 90 dias no sul da Somália”, explicou Nancy Lindborg, responsável da Agência Americana de Ajuda ao Desenvolvimento (USAID, na sigla americana), durante uma audição no Congresso americano.
De acordo com as Nações Unidas, a fome propagou-se a três novas zonas na Somália, incluindo a capital, Mogadíscio.
Na Somália, “3,2 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária imediata”, sublinhou Nancy Lindborg.
“Trata-se da pior crise humanitária dos últimos 20 anos”, salientou a responsável, secundada pelo senador democrata Chris Coons, que no Congresso americano afirmou que aquela “afeta a nutrição de 12 milhões de pessoas na Somália, Etiópia, Quénia, Djibouti e outros” países.

Somália e Estados Unidos deveriam ratificar a Convenção sobre os Direitos da Criança

Novembro 9, 2010 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia retirada do site do UNRIC – Centro Regional de Informação das Nações Unidas

A Presidente do Comité dos Direitos da Criança apelou à Somália e aos Estados Unidos, para que ratifiquem a Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC), uma vez que são os dois únicos países que ainda o não fizeram.

“Tendo presentes os melhores interesses da crianças, reiteraria, com todo o respeito, o nosso apelo a esses Estados, para que ratifiquem a Convenção sobre os Direitos da Criança”, disse Yanghee Lee perante a Terceira Comissão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

O tratado é o primeiro instrumento internacional juridicamente vinculativo a incorporar todos os direitos humanos – civis, culturais, económicos, políticos e sociais – dos jovens com menos de 18 anos.

Yanghee Lee apelou também à ratificação universal até 2012  dos dois protocolos facultativos à Convenção (sobre a participação de crianças em conflitos armados e sobre a venda de crianças, a prostituição infantil e a pornografia infantil). Actualmente, 139 Estados ratificaram o primeiro destes protocolos e 141, o segundo.

Este ano, o Comité e os seus parceiros lançaram uma campanha para assegurar a ratificação universal dos dois protocolos facultativos até 2012,  ano em que se comemora o décimo aniversário da sua entrada em vigor, e para consciencializar as pessoas da obrigação de os Estados partes garantirem que as suas leis nacionais respeitem esses protocolos.

O Comité dos Direitos da Criança foi criado em virtude dos art.º 43.º da Convenção sobre os Direitos da Criança com o objectivo de controlar a aplicação, pelos Estados Partes, das disposições desta Convenção, bem como dos seus dois Protocolos Facultativos.

(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 13/10/2010)


Entries e comentários feeds.