A maioria dos sobredotados não sabe que o é

Setembro 5, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://www.dn.pt/ de 10 de julho de 2017.

Pedro Aires, 12 anos, com os pais | Pedro Correia/Global Imagens

Joana Capucho

É estimado que 3% a 5% das crianças sejam sobredotadas. Especialistas e pais queixam-se da falta de respostas em Portugal

Aos oito meses, Pedro disse a primeira palavra. Para grande frustração dos pais, não foi “mamã” nem “papá”, mas “peixes”. Com dois anos já decorava as matrículas e as marcas dos carros. Aos cinco, quando a mãe o viu a ler os rótulos dos frascos de champô e lhe perguntou há quanto tempo sabia ler, disse-lhe que o fazia “há milhões de anos”. Mas as suspeitas de que o filho era sobredotado só viriam a ser confirmadas por volta dos 7 anos. “Tinha um péssimo comportamento nas aulas. Éramos constantemente chamados por causa das suas extravagâncias. Não estava atento, mas tinha ótimas notas”, recorda a mãe, Ana César.

A certa altura, Pedro começou a ser acompanhado na escola por um psicólogo, que o avaliou como “bem dotado”. Mas, apesar do excelente aproveitamento, mantinham-se os problemas de atenção e comportamento. Ana recorda-se de receber inúmeros telefonemas da professora do filho logo às 09.00, porque o Pedro nunca fazia os trabalhos de casa. Foi o “desespero” que levou a família a pedir uma nova avaliação fora da escola. “O relatório indicou que atingia o nível da sobredotação.” Um “alívio” para o pai, que finalmente percebia os seus comportamentos, uma preocupação para a mãe, que não sabia como lidar com isso. Pedro, agora com 12 anos, sabe que as suas capacidades intelectuais são bastante superiores à média, mas essa não é a regra. Dizem os especialistas que a maioria dos sobredotados não estão identificados como tal.

“Estima-se que 3% a 5% das crianças e adolescentes que frequentam as escolas têm características de sobredotação. A maioria está por identificar. Muitos destes jovens passam despercebidos na escola por falta de estruturas de identificação e acompanhamento”, afirma Alberto Rocha, presidente da direção da Associação Nacional para o Estudo e a Intervenção na Sobredotação (ANEIS). Atendendo aos últimos dados do Ministério da Educação sobre os estudantes matriculados em Portugal (2014-15), podem existir até 80 mil crianças e jovens sobredotados em Portugal. “Muitos são apenas percebidos como hiperativos, desinteressados ou como alunos incómodos, em conflito com o próprio ensino, que não corresponde às suas necessidades e expectativas. Uma percentagem significativa de professores confessa nunca ter detetado um aluno sobredotado ao longo da sua vida profissional”, acrescenta o especialista em psicologia da educação.

Foi a pensar “nos casos que não são detetados” que Ana César decidiu deixar de falar sob anonimato: “Parece um assunto tabu. Ninguém fala, ninguém quer saber.” Para Helena Serra, presidente da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas (APCS), a falha na identificação deve-se “à falta de estrutura (como por exemplo uma Equipa de Apoio à Capacidade/ou à Sobredotação), que é preciso providenciar e que teria funções e responsabilidades atribuídas quanto a estes alunos, como é o caso das Equipas/Departamentos de Educação Especial atuais que existem em qualquer Agrupamento”. A professora da Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti considera que “essa falta de “estrutura de resposta” deve-se aos “mitos” que ainda estão muito presentes no caso destes alunos. Só os “coitadinhos” é que despertam vontade política de responder porque socialmente “fica bem””.

Essa falha tem consequências graves para as crianças, que, segundo Helena Serra, “muitas vezes andam tão saturadas na escola, entediadas, desgastadas, sem estímulos, portam-se mal, são provocadoras, têm insucesso, batem com a porta, abandonam e algumas podem depois cair nas franjas”. Ou então, adianta, “andam silenciadas, talvez desligadas e a cumprir “mínimos”, mas frustradas, tristes, infelizes, sem estímulo ou motivação”.

Entrar na escola aos quatro

L. tem 6 anos e meio e um QI (média ponderada) de 144. Passou agora para o 3.º ano. Entrou na escola com 4, sensivelmente um ano depois de os pais terem descoberto que era sobredotada, na sequência de um ataque de pânico. Até então, nem mesmo as perguntas sobre a vida e morte fizeram os pais desconfiar. “Tinha alguns problemas comportamentais e um dia disse-me que não queria ir para a escola. Eu insisti e, quando chegámos, teve uma crise de pânico”, recorda a mãe, A., ao DN. Já no 1.º ano, L. começou a “mostrar comportamentos de aborrecimento. Dizia que não queria ir para a escola, que estava farta, porque todos os dias lhe perguntavam a mesma coisa”. No 2.º ano começou um programa diferenciado de ampliação de conhecimentos.

Segundo Helena Serra, as respostas para estas crianças incluem “a “aceleração”, que é o poder avançar um ano por ciclo, num máximo de dois anos, e o princípio geral da diferenciação no ensino-aprendizagem, que é de facto uma ideia peregrina, porque na prática é bem complicado numa mesma sala ter opostos e a média e gerir com êxito tudo isso”. Considera, por isso, que a resposta é “curtíssima e falaciosa”. Uma opinião partilhada por A. “Portugal tem de respeitar estas crianças. Dar-lhes as mesmas condições que dá aos demais. Só peço que a L. possa seguir ao ritmo dela.” A. pediu um parecer para que a filha avance mais um ano, mas “veio no sentido do indeferimento, porque a lei só permite uma aceleração e não prevê que um aluno termine o quarto ano antes dos 9 anos”. No entanto, adverte, isso vai sempre acontecer, uma vez que L. entrou aos 4 anos. Por outro lado, critica, essa “antecipação está a contar como uma aceleração quando não o é”.

L. sabe os números “até aos milhões” e “só lhe perguntam quanto é dois mais dois”. Isso faz que passe fases de grande angústia. Segundo os especialistas, L. tem uma idade cognitiva que corresponde sensivelmente ao dobro da sua idade. “No outro dia perguntou-me quando é que pode sair para tomar café com um amiga”, conta a mãe, destacando que, naturalmente, a educação não é dada de uma forma típica. L. é uma criança “muito racional”. Para perceber o que era o Alzheimer, por exemplo, a mãe teve de lhe mostrar algumas TAC. Mas não deixa de ser uma criança como qualquer outra: tanto gosta de ver o National Geographic e o Odisseia como o Panda.

Falta de respostas preocupa pais

Ana César teve de lutar para que o colégio que o filho frequenta lhe arranjasse um plano diferente. Finalmente conseguiu. “Não há respostas. As escolas deviam ter um plano diferente para estas crianças, que, no entanto, devem estar nas turmas com as outras crianças”, lamenta.

Alberto Rocha concorda que “as respostas são quase inexistentes” em Portugal. “Entendemos que a implementação de medidas educativas para apoio aos alunos com características de sobredotação deve prever uma estrutura que permita a aceleração, a complexidade e o aprofundamento curricular, bem como todo o material suplementar necessário ao desenvolvimento das várias áreas do desenvolvimento psicossocial destes alunos”, sugere.

 

 

 

 

 

Sobredotados na escola: O sossego que os incomoda

Agosto 29, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site Educare de 7 de agosto de 2015.

Snews

Duas histórias diferentes, com a mesma personagem principal: a sobredotação.

Andreia Lobo

Filhos sobredotados, trabalhos dobrados. O proverbio não existe. O seu significado, no entanto, é bem conhecido para alguns encarregados de educação. São alunos com uma “extrema necessidade de aprender”, explica Helena Serra, autora do livro Será o meu filho sobredotado? (2015).

A fundadora da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas, que também dirige um gabinete especializado na realização de testes de avaliação nesta área, tem encontrado muitos casos de crianças mal compreendidas. “Os métodos de ensino-aprendizagem não são concebidos para atender à criança sobredotada.”

No entanto, através dos Despachos Normativos n.º 50/2005, n.º 24A/2012 e n.º 13/2014, a legislação portuguesa prevê algumas medidas para ir ao encontro das “capacidades excecionais” destes alunos, como a realização de planos de desenvolvimento, com atividades de enriquecimento curricular, a possibilidade de a escolar formar grupos temporários de alunos que aprendam de forma mais rápida e, se for caso disso, até avançar de ano – os ingredientes legais quase perfeitos para promover o sucesso dos sobredotados, com a cereja da chamada “diferenciação pedagógica” servida no último despacho.

Ainda assim, a escola falha com eles por não conseguir ensinar com igual voracidade. Envolvem-se profundamente em determinadas tarefas, mas ficam aborrecidos na sala de aula, muitas vezes com o dedo no ar sem que o professor lhes dê a vez para responder, porque sabem sempre quase tudo. O EDUCARE.PT testemunhou os problemas que um QI acima da média coloca ao sistema educativo português.

Marta só queria a companhia dos adultos

Durante a gravidez descobriu que não poderia levar a gestação até ao fim. O cordão umbilical dava duas voltas ao pescoço da filha, que corria risco de asfixia. Ana Freitas já tinha perdido quatro bebés. Marta, hoje com 9 anos, nasceu bem, mas a mãe nunca deixou de temer que “pudesse vir a ter problemas.” Por isso, quando aos 6 anos a menina “deu alguns sinais de ser diferente”, a mãe julgou que teria problemas de saúde mental.

Marta lia e escrevia ainda estava no pré-escolar. A mãe, professora de karaté, “notava que ela memorizava tudo e não lhe passava nada em branco”. Quando entrou para a escola, Marta estava radiante por estar a trabalhar numa sala de aula, como dizia à mãe. Mas a felicidade durou dois meses, recorda Ana Freitas. Depois começou paulatinamente a perder a motivação. “Os colegas gozavam-na por ela ter as melhores notas.”

Marta sofria por ser apontada nas aulas. Apesar das suas “capacidades cognitivas fabulosas”, conta a mãe, a professora começou a queixar-se de que a caligrafia de Marta era “péssima”. Não dava erros ortográficos. Tinha pouca apetência para o desenho das letras. A mãe correu com ela para o oftalmologista. Não precisava de óculos. “Havia um problema, mas eu não sabia qual era. Pensei que fosse alguma deficiência, relacionada com a gravidez de risco, a manifestar-se.”

Ana Freitas estava longe de pensar que Marta seria sobredotada. “As minhas primeiras pesquisas levaram-me a pensar numa depressão. Ela tinha uma tristeza profunda. Não queria brincar com os colegas da sua idade. Só queria a companhia dos adultos.”

Quando teve nas suas mãos a avaliação psicológica da filha, a mãe nem queria acreditar no nível elevado do seu QI. Ficou assustada, mas ao mesmo tempo aliviada. Tinha encontrado o problema. Parte da solução implicava avançar a Marta de ano. A descoberta da sobredotação entre as crianças na escola e o “burburinho” dos pais dificultaram a vida da aluna. Marta fez o 2.º e o 3.º ano num ápice. Marcou presença em todos os quadros de honra e terminou em julho o 4.º ano.

Ainda assim, o último ano do 1.º ciclo não correu como seria de esperar. “Em outubro, a Marta já estava outra vez a entrar em depressão, porque o ritmo das aulas era muito lento para ela.” Em abril, a mãe era forçada a falar de novo com a professora, mas nada havia a fazer, constatou Ana Freitas: “O sistema não permite alunos com negativa, então, como a Marta já sabe tudo, a professora deixa-a “sossegada” e vai dar atenção aos outros.” De janeiro a maio, a aluna foi mantida na sala de aula nesse estado de sossego que só a ela incomoda. Voltaram os problemas.

Sistema barra respostas mais criativas

É na Matemática que Marta gosta de encontrar formas cheias de esquemas para resolver os problemas mais simples. Recebe elogios da professora em privado. Só não pode mostrar aos colegas, para não os baralhar. “Não digas a ninguém”, pede-lhe a professora. Num secretismo que tanto a protege do gozo como a deixa desmotivada. A Português, as composições da Marta estão sempre bem. Por isso, nas correções, a professora deixa-a para último. “Ser sempre a melhor tem destas coisas”, confidencia a mãe, lamentando: “Há falta de diversificação e de respostas para potenciar as capacidades da Marta.”

“O próprio sistema de ensino coloca barreiras aos professores que queiram dar respostas mais criativas na sala de aula”, explica Ana Freitas, dando uma série de exemplos: “O facto de o ensino obedecer a metas curriculares, ser tudo limitado com prazos ridículos, como a realização de exames em maio quando as aulas acabam em junho.” Mais? “As escolas terem de avaliar um mês depois de começar o 3.º período, os quadros de honra, os pontos para isto e para aquilo”, ou seja, “é tudo à base de valores”, resume.

O 5.º ano trará um novo desafio para Marta. A mãe fez tudo para a matricular numa escola que considera “exigente”, com um ensino especializado na área da música, porque a filha estuda piano de cauda e violino. Adivinha-se a sua participação em espetáculos e recitais, promovidos pela escola, com reputação de concorrer a prémios na área da literatura e da poesia.

Manter a Marta ocupada com atividades todos os dias, “exceto ao domingo, quando não tem os escuteiros”, foi a forma que Ana Freitas encontrou de a motivar. Depois da escola, faz os trabalhos das 17h00 às 18h00 na sala de estudo; logo a seguir tem música ou desporto, e nunca se cansa. “Nas férias, às vezes, caio no erro de não a levar às atividades e arrependo-me porque ela fica mais agitada.

” De resto, Marta “é uma miúda fácil”, orgulha-se a mãe. “Gosta muito de cumprir, tem o quarto num caos, a pasta da escola também, mas é muito exigente com ela própria.”, e perspicaz. Quando se viu numa sala de aula com amigas mais velhas, e depois de muitos conflitos, Marta arranjou um sistema para fazer amizades: levar os brinquedos na mochila, a começar pelas Barbies. “Ao levar alguma coisa para a escola, ela percebeu que conseguia atrair sempre o interesse de alguém e nunca ficava a brincar sozinha.”

André nunca teve a oportunidade de fazer amigos

Suspeitou muito cedo que o filho seria sobredotado. As dúvidas foram totalmente dissipadas quando o miúdo se submetia a uma série de testes de avaliação na Associação Portuguesa das Crianças Sobredotadas. Mas a história de André (nome fictício), 11 anos, é feita de reveses que a mãe, sob anonimato, conta com a voz embargada e uma grande revolta. “Como é possível que o Estado Português dê apoios aos alunos com dificuldades de aprendizagem, mas nada faça pelos que têm capacidades acima da média?”

Os problemas começaram no ano letivo de 2013/2014. André frequentava o 5.º ano no ensino articulado de música. A mãe submetia toda a documentação que provava a sua sobredotação. Ainda assim, via rejeitado o pedido para o filho avançar de ano. “A escola duvidou dos elementos que constavam nos relatórios, não conheciam a legislação para estes casos, fui eu que tive de a entregar ao diretor de turma”, recorda a mãe. O processo arrastou-se. “Fui olhada como se quisesse pôr o meu filho num pedestal.” Causou danos emocionais ao miúdo: “Foi discriminado pelos professores. Faziam-lhe testes mais difíceis e de surpresa!”

Até hoje, a mãe não entende o que se passou. Sabe que os professores da escola de música, testemunhas da capacidade do filho, não foram chamados ao Conselho de Turma, que vetou a progressão de ano. Sabe que “até a professora do ensino especial, que nunca tinha feito nenhum teste ao André, disse não”.

Finalmente, o ano passou. André mudou de escola. Todavia viu-se forçado a frequentar o 6.º ano. “Porque lhe tinham cortado as pernas no ano passado”, insurge-se a mãe. Com o problema por resolver, em outubro é feita outra tentativa para permitir ao aluno avançar de ano. Os meses passaram sem que até maio os pais tivessem obtido retorno da parte da direção. Ainda assim, desta vez, tudo corria de forma diferente: mais recetividade da parte dos professores.

A própria escola andou à procura de respostas. Sem êxito, porque a legislação não é clara relativamente ao avanço em anos de fim de ciclo e sujeitos a exames nacionais. “Daí toda a ambiguidade e também receios por parte da escola de estar a fazer algo errado”, constata a mãe que diz compreender a situação.

Não compreende é o ziguezague percorrido a tentar desbloquear a vida escolar de André. Através de cartas, emails e telefonemas para as várias seções, secretarias e direções-gerais do Ministério da Educação e Ciência. Um labirinto de “ora ligue para ali”, “faça uma exposição a este”, “envie uma carta àquele”. Os destinatários – ministro da Educação, secretário de Estado do Ensino Básico – várias vezes repetidos.

E, no entanto, o óbvio: André tira notas muito boas a quase todas as disciplinas. Como acontece com muitos sobredotados, não é excelente em todas as áreas. A Educação Física e a Educação Visual são os seus pontos fracos. Nada que merecesse o “castigo” de ter ficado preso no 6.º ano, um grande contratempo gerador de uma maior frustração. “Este ano letivo já devia estar no 7.º ano”, insiste a mãe. O final do ano letivo assim o ditou, finalmente. Mas a mãe não se conforma com o travão imposto ao filho e assume que, por sua vontade, André frequentaria já o 8.º ano.

Desde que entrou para o 1.º ciclo, André foi um nómada na escola, com périplo por quatro estabelecimentos de ensino. Por essa razão, lamenta a mãe, “nunca teve oportunidade de criar um núcleo de amigos, como muitos dos outros seus colegas”. A vida escolar não tem sido fácil e a mãe não está otimista quanto ao futuro. Vê o filho quase sem amizades, cabisbaixo. “Ele tenta integrar-se, mas com tudo o que passou vai ter sempre tendência para se isolar.”

 

 

Seminário “Sobredotação: abrindo caminhos”

Abril 9, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Congresso Internacional ANEIS 2014 “Sobredotação: A Aceleração Escolar como Resposta Educativa

Agosto 21, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Sou mãe de um sobredotado

Dezembro 25, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Sábado de 12 de Dezembro de 2013.

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Congresso Internacional ANEIS 2013 – Sobredotação – Desafios do ensino-aprendizagem em diferentes contextos

Outubro 12, 2013 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Cerca de 40 mil crianças sobredotadas em Portugal, maioria não está identificada

Abril 17, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 10 de Abril de 2013.

Lusa

Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas alerta para falta de estrutura nas escolas para apoiar os professores dos alunos sobredotados.

Cerca de 40 mil crianças até aos 12 anos em Portugal serão sobredotadas, mas a maioria não está identificada, segundo especialistas que apontam como principal lacuna a falta de formação para detectar estes meninos e encaminhá-los de forma adequada.

“A lacuna principal é a falta de conhecimento do fenómeno. Há muito tipo de crianças sobredotadas e temos poucos especialistas para as detectar. Devia haver formação específica entre professores e psicólogos que fizessem destrinça entre os diferentes tipos de sobredotados”, afirma o presidente do Instituto da Inteligência, Nelson Lima.

Para Nelson Lima, além da falta de informação e formação, há ainda muitos mitos, como o de que a criança sobredotada “tem de ser boa em tudo” e, caso não seja, já não se considera sobredotada.

Contudo, há crianças sobredotadas que manifestam uma inteligência geral, ampla, diversificada, enquanto outras dirigem o seu talento apenas para uma área específica, sobretudo para as artes, como a pintura, a dança ou a escrita.

“Geralmente, estes sobredotados talentosos definem uma área de vida e uma trajectória à qual se dedicam inteiramente. Apaixonam-se por uma área e dedicam-se a ela”, explica o mesmo responsável.

Para o presidente do Instituto de Inteligência, o problema existe no grande número de crianças sobredotadas que, finda a adolescência, “ficam sem saber o que fazer”.

“É importante ajudar a definir o projecto de vida, apelando à sua imaginação e à descoberta de quem são. E a forma como a inteligência se manifesta, se é mais analítica, mais prática”, disse.

Aliás, diversos estudos revelam que, apesar da grande expectativa gerada na infância, muitos dos sobredotados apresentam, mais tarde, um grau de insucesso igual ou maior do que o das outras pessoas.

Nelson Lima, que hoje dá uma conferência na Universidade Lusíada, em Lisboa, sobre o futuro dos sobredotados no fim da adolescência, garante que é a escola que tem o papel mais importante na trajectória das crianças sobredotadas, preparando um caminho para as orientar no futuro.

“Quando se fala de sobredotados, a atenção é centrada nas crianças. À medida que entram na adolescência, deixa-se de falar no assunto, mesmo que estejam detectadas. A partir de uma certa idade há um certo abandono, estão um pouco por conta própria. E não se potenciam as suas capacidades e inteligência”, adiantou à Lusa.

Em 1998, o Ministério da Educação produziu um manual com instruções para os professores com indicações para detectar crianças sobredotadas.

“Ainda não encontrei um único professor que diga que o conhece. É altamente provável que os exemplares deste manual tenham ficado numa gaveta do Ministério da Educação”, lamentou Nelson Lima, defendendo que seja criado um novo manual actualizado, dirigido sobretudo aos professores do primeiro ciclo.

Também a Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas considera que falta nas escolas uma estrutura que tenha como função central apoiar os professores dos alunos sobredotados.

Helena Serra, presidente da associação, admitiu que há em Portugal uma baixa cobertura de “respostas de qualidade” ao nível da formação de professores e de apoios nas escolas para detectar e acompanhar os meninos sobredotados.

Mas, para esta associação, é também importante apoiar os pais destas crianças, que enfrentam várias dificuldades.

“São crianças cansativas, que fazem perguntas dificílimas e têm constante necessidade de respostas. E muito cedo afirmam a sua vontade própria e independência. É preciso ensinar os pais a gerir isso”, explicou à Lusa.

A associação organiza, no Porto, a iniciativa “Sábados Diferentes”, que serve para que as crianças sobredotadas estejam com os seus pares numa perspectiva de “desenvolvimento pessoal e social”. Ao mesmo tempo, os pais também podem usufruir, recebendo formação e orientação.

O projecto deverá alargar-se a Lisboa, mas, por enquanto, no resto do país escasseiam iniciativas que dêem este tipo de apoio a crianças e aos seus educadores.

 

 

 

4.º Congresso Internacional Psicologia da Criança e do Adolescente “Neuropsicologia e Desenvolvimento”

Fevereiro 27, 2013 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Seminário – Abordagens à Sobredotação: Sobredotação , Escola e Família

Julho 26, 2012 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Alunos sobredotados são ignorados nas escolas e vivem à margem da lei

Dezembro 2, 2011 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 19 de Novembro de 2011.

Kátia Catulo

É caso único na Europa. Congresso alerta para o desperdício de talento que, sem apoio, será formatado pelas escolas até à normalidade.

 Quantos alunos sobredotados estão nas escolas portuguesas é um cálculo que só se faz por aproximação. Os professores não ouvem falar deles durante a sua formação, o ensino não consegue identificá-los e, no plano legal, nem sequer têm direito a existir. “Não há um decreto. Portugal é, aliás, caso único na Europa”, conta Cristina Palhares, da Associação Nacional para o Estudo e Intervenção na Sobredotação (ANEIS), que promove hoje em Braga o segundo dia do congresso internacional “Sobredotação e Talento – Atenção da Escola à Diversidade”.

 Ao não haver “suporte legal”, não há também maneira de promover formação, desenvolver currículos adaptados ou direcionar os recursos das escolas para apoiar esta população. Saber quantas crianças sobredotadas vivem em Portugal não tem uma resposta direta. Estima-se que sejam 3% a 5% da população mundial: “Num universo de mil alunos de uma escola, serão 50 crianças, mas não estão minimamente identificadas.”

 Lá fora é diferente e o congresso da ANEIS trouxe dois exemplos que poderiam ser adotados nas escolas portuguesas. Brasil e Espanha têm estas crianças inseridas no grupo de alunos com necessidades educativas especiais: “Estes meninos são acompanhados pelos mesmos professores que apoiam as crianças com deficiências.” Isto faz todo o sentido, defende Cristina Palhares. Por serem diferentes da norma, precisam de atendimento especializado.

 Falta de legislação e incapacidade das escolas de sinalizar crianças sobredotadas têm consequências, embora seja difícil algum dia virmos a saber quanto talento o país desperdiça. Como tudo na vida, a inclusão tem um reverso, avisa a secretária da direcção da ANEIS. E se, para o caso das crianças deficientes, estar nas mesmas turmas que outros colegas contribui por si só para subir o seu desenvolvimento, o mesmo não acontece com os sobredotados. “Se não existir um atendimento diferenciado, a escola vai formatando a criança até a normalização.”

 Sem acompanhamento, a escola não faz mais que normalizar o talento que estas crianças desenvolvem mesmo em meios hostis. “Conheci um menino que sabia ler e escrever muitíssimo bem com cinco anos e não tinha um livro em casa. Há crianças que, mesmo em ambientes adversos, conseguem desenvolver os seus talentos.” Isso só não chega. Sem trabalho, o dom atrofia, como “qualquer músculo que não é exercitado”.

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