Adolescentes portugueses trocam Facebook pelo Instagram

Março 23, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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PAULO SPRANGER/GLOBAL IMAGENS

Notícia do https://www.dn.pt/ de 5 de março de 2018.

Ana Rita Guerra

Rede de partilha de fotos e vídeos foi a que mais cresceu no ano passado e já é a segunda mais utilizada em Portugal

As notícias da morte do Facebook ao longo dos anos têm sido claramente exageradas, mas a tendência de perda de utilizadores entre os 12 e os 17 anos está a acelerar mais do que o previsto. Há pelo menos cinco anos que diversos estudos se debruçam sobre este problema na rede social mais utilizada do mundo: os mais jovens não querem estar onde estão os adultos. Os números recentes da eMarketer mostram que os adolescentes americanos estão a deixar o Facebook em grandes quantidades e a voarem para a aplicação de mensagens efémeras Snapchat. Mas, em Portugal, a tendência não é bem essa. A rede social que os jovens portugueses preferem agora é o Instagram, que, apesar de também pertencer ao conglomerado de Mark Zuckerberg, tem características mais atrativas para essa faixa de idades.

“Toda a gente começou a deixar de usar [o Facebook] e depois lá não dá para pôr as Stories”, confirma Sofia Matos, de 15 anos. “No Insta dá para pôr histórias e começou a ficar mais na moda.” A criação desta funcionalidade, Instagram Stories, foi uma das iniciativas recentes mais bem-sucedidas da rede social. Permite criar uma história curta com fotografias, frases, clips de vídeo e emojis que desaparece ao fim de 24 horas – uma cópia clara do conceito do Snapchat (e que, na verdade, também existe no Facebook). É a funcionalidade que os jovens portugueses parecem preferir. “Eu quando vou ao Instagram o que costumo ver mais é Stories”, diz ao DN Baltazar Nunes, de 17 anos, que fez exatamente o mesmo que Sofia: desinstalou a app do Facebook do telemóvel e só deixou a do Messenger. “O Instagram é para pôr fotografias e editá-las com filtros diferentes e acho que o Facebook ficou mais antiquado. As pessoas gostam de coisas mais modernas e diferentes”, resume. Baltazar diz que a tendência é a mesma entre todos os seus amigos e dura há cerca de um ano. “O Instagram tem funções completamente diferentes” reitera. “No Instagram, não sei explicar, mas tenho mais amigos que veem.”

Sofia, que já nem se lembra da palavra-passe da conta no Facebook, só usa a app do Messenger para enviar fotografias a si mesma e poder guardá-las. Explica que um dos motivos pelos quais deixou de gostar de ir à rede era estar rodeada de adultos. “No Facebook tinha muitos familiares e no Insta não tenho quase ninguém.”

A mesma transição aconteceu com Mara Machado, que vai fazer 16 anos em maio. No caso de Rafael de Barros, de 13 anos, a passagem para o Instagram deveu-se à popularidade entre os amigos. “Fiz porque ouvia toda a gente a falar sobre isso, queria ver como era e como funcionava”, diz ao DN. Ainda assim, Rafael não é um grande utilizador de redes sociais; mantém o Facebook por causa do Messenger, apesar de quase nunca entrar no seu perfil, e prefere o WhatsApp como meio de comunicação.

Em todos os casos, os pais dos adolescentes criaram contas no Instagram para poderem seguir a atividade dos filhos, sendo que são contas privadas – o adolescente tem de aceitar o pedido para ser seguido e a regra é não o fazer se não conhecer a pessoa.

“Ela acha o Instagram mais seletivo”, conta Ana Machado, mãe de Mara, que agora usa a rede de partilha de fotos para divulgar o seu trabalho de estética. “Um mundo um pouco mais fechado.”

Anabela de Barros, mãe de Rafael, continua a ter as palavras–passe das contas do adolescente, mas diz notar uma grande diferença entre rapazes e raparigas. “Elas expõem-se muito mais”, considera. “Há aquela coisa de se mostrarem.”

Tendência nacional

Estes casos refletem uma tendência nacional que foi atestada pela Marktest num estudo divulgado no final de 2017. Segundo os dados apurados no relatório “Os Portugueses e as Redes Sociais”, da Marktest Consulting, o Instagram foi a rede que teve o maior aumento relativo em 2017, na ordem dos 35%, e é já a segunda rede mais usada pelos portugueses. Enquanto a taxa de utilização global é de 50,3% entre todos os portugueses que usam redes sociais, a penetração na faixa etária dos 15 aos 24 anos é bem mais impressionante: 80,4%.

O Facebook continua a ser a rede mais utilizada, tendo registado durante o ano de 2017 uma taxa de penetração de 95,5% entre o universo de utilizadores de redes sociais. Mas, mesmo que os adolescentes não apaguem as suas contas no site criado por Mark Zuckerberg por uma questão de conveniência – por exemplo, login noutras apps, ligação entre contas ou manutenção do Messenger -, deixaram de ser utilizadores reais. No caso de Mara Machado, a jovem cancelou mesmo o seu perfil e já só usa o Instagram. Os dados da Marktest, curiosamente, indicam que existe uma incidência superior de utilização da rede de partilha de fotos entre as mulheres. Por outro lado, “os residentes na Grande Lisboa e no Grande Porto e indivíduos das classes mais baixas também referem mais do que a média ter conta no Instagram”, indica o relatório da consultora.

E o Snapchat?

A eMarketer prevê que, só neste ano, o Snapchat adicione 1,9 milhões de utilizadores americanos com menos de 25 anos, enquanto o Facebook vai perder 2,1 milhões de utilizadores nessa faixa etária (os analistas questionam se será troca por troca). No ano passado, a rede de Zuckerberg perdeu 1,4 milhões de adolescentes entre os 12 e os 17, três vezes mais que o previsto, e a tendência repete-se noutros grandes mercados, como o do Reino Unido. A aplicação de mensagens efémeras em fotos e vídeos continua a ter mais jovens entre os 12 e os 24 do que o Instagram nos Estados Unidos, mas mesmo assim tem uma dimensão mundial inferior. O Snapchat contabiliza 187 milhões de utilizadores diários, enquanto o Instagram tem 500 milhões.

A que se deve esta diferença entre os jovens americanos e os portugueses? Baltazar Nunes resume desta forma: “O Snapchat é como o Facebook, há uns anos toda a gente usava e deixaram de usar, passou tudo a usar o Instagram.” Sofia Matos confirma: “O Snapchat uso para tirar fotos, porque tem lá efeitos giros, mas já não uso muito.” Rafael de Barros e Mara Machado nem sequer têm lá conta.

Talvez reflitam uma transição que vai chegar a outros mercados, ou estejam a responder às próprias decisões da Snap, casa-mãe do Snapchat, que nos últimos tempos fez um grande esforço para atrair utilizadores mais velhos. Na conferência com analistas para discutir os resultados do quarto trimestre fiscal, o CEO da Snap, Evan Spiegel, falou dos resultados das novidades introduzidas gradualmente na aplicação do Snapchat com esse propósito. O executivo mostrou uma série de indicadores encorajadores, entre os quais melhor envolvimento e interação com utilizadores acima dos 35 anos. É uma faixa etária que normalmente não se associava à aplicação de mensagens efémeras, e que choca com o desejo dos adolescentes de socializarem em ambientes virtuais com poucos ou nenhuns adultos.

A Snap parece estar a tirar notas da experiência do Facebook e do Instagram: é que, embora haja muita atenção devotada às preferências dos adolescentes, estes não têm o mesmo poder de compra das faixas etárias superiores, que estão mais bem distribuídas pelas redes sociais controladas por Mark Zucker- berg.

É um caminho inverso ao que o Instagram fez, quando usou os métodos bem-sucedidos do Snap- chat para atrair utilizadores mais velhos – com resultados muito positivos em mercados como o português. As Stories de que os adolescentes falaram, uma inspiração direta do conceito do Snapchat, aumentou o envolvimento com os utilizadores e acelerou o crescimento em novas contas. É possível até traçar um paralelo entre o ganho de utilizadores no Instagram e a desaceleração do crescimento no Snapchat, o que, por sua vez, levou a Snap a tomar medidas controversas.

De facto, o redesenho mais recente da interface do Snapchat foi feito precisamente para atrair outros públicos, mas causou uma autêntica revolta entre os utilizadores fiéis, que estão a fazer circular uma petição contra com mais de 1,2 milhões de assinaturas. A consultora LikeFolio reportou uma explosão de comentários de pessoas que trocaram o Snapchat pelo Instagram por causa do novo layout, que foi avaliado negativamente por 80% dos utilizadores.

A juntar a esta repercussão inesperada do redesenho, a Snap tombou 6,1% em bolsa e perdeu mais de 1,3 mil milhões de dólares de capitalização bolsista por causa de um tweet de Kylie Jenner, uma das figuras mais populares do clã Kardashian. “Entãooooo há mais alguém que já não vai ao Snapchat? Ou sou só eu… ugh isto é tão triste.” Muitos dos seus seguidores do Twitter (um total de 24,5 milhões) concordaram com o que a celebridade escreveu, apesar de Kylie ter publicado logo a seguir que ainda adora o Snapchat, o seu “primeiro amor”.

mais informações no relatório:

Os Portugueses e as Redes Sociais 2017

 

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16 seria o ideal mas há crianças portuguesas a navegarem online sozinhas desde os 8 anos

Março 12, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://tek.sapo.pt/ de 15 de fevereiro de 2018.

Em França fala-se nos 15 anos como idade mínima para deixar de ser necessária a autorização dos pais para criar perfil no Instagram, no Snapchat ou no Facebook. E em Portugal?

Da teoria à prática a distância é normalmente grande e tal parece aplicar-se às regras de utilização de redes sociais como o Instagram, o Snapchat ou o Facebook. O funcionamento destes serviços estabelece os 13 anos como idade mínima para criar perfil, mas há quem comece a navegar sozinho muito antes, alerta a psicóloga Ivone Patrão.

“O acesso às redes sociais sempre foi barrado a menores. Geralmente fazem uma permissão a partir dos 13 anos, mas o que se observa é que isto não é respeitado. Falo todos os dias com jovens e pais e sei bem isso”, referiu em declarações ao SAPO TEK.

A autora do livro #GeraçãoCordão acrescenta que nos estudos que tem desenvolvido, a média de idades de acesso à internet sem supervisão parental é de oito anos. “A partir daqui está tudo dito”.

O novo Regulamento Geral de Proteção de Dados vai trazer força legal a estas regras que não têm sido respeitadas. O diploma que os Estados-membros terão de adotar até 25 de maio próximo define que “só os menores com idade igual ou superior a 16 anos podem dar consentimento válido para o tratamento de dados pessoais relacionados com a oferta direta de serviços da sociedade de informação, tais como serviços online”. Prevê, no entanto, que os países da União Europeia estabeleçam uma idade inferior para esse consentimento, “desde que seja salvaguardado o limite mínimo de 13 anos”.

França já fez a sua proposta nesse sentido. A Assembleia Nacional daquele país fixou nos 15 anos a idade mínima para um cidadão francês criar sozinho um perfil numa rede social. Entre os 13 e os 15 anos tal será possível com o consentimento de cada um dos progenitores ou responsáveis legais e abaixo dos 13 fica proibido.

Algo idêntico poderia ser seguido em Portugal, na opinião de Ivone Patrão. A psicóloga considera que, nas idades mencionadas, “já se adquiriu maior maturidade cognitiva e emocional, para exercer algum autocontrolo face ao que pode surgir online”.

Acrescenta que “é importante que se legisle”, e além disso também é importante “o legislador conhecer os dados da realidade e perceber que temos muitas crianças e jovens em risco, pela ausência da supervisão de um adulto, quando contactam com o mundo online”.

Em Portugal, o RGPD já esteve em consulta pública, não sendo conhecida ainda uma proposta final própria no que diz respeito às idades escolhidas.

 

 

Mais novos deixam o Facebook mas alguns abrem o Instagram

Março 6, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 12 de fevereiro de 2018.

Previsões da eMarketer antecipam uma queda nos utilizadores entre os 12 e os 24 anos.

JOÃO PEDRO PEREIRA

A ideia de que os utilizadores mais jovens não gostam de partilhar a rede social com os pais e avós corre pela Internet há anos. Mas o envelhecimento dos utilizadores do Facebook está a acelerar, indica um relatório de uma analista de mercado, numa tendência que trará mais desafios à rede social e que poderá mudar o comportamento dos anunciantes.

De acordo com previsões da eMarketer, divulgadas nesta segunda-feira, de todos os utilizadores de Internet entre os 12 e os 17 anos nos EUA, serão este ano menos de metade aqueles que vão aceder pelo menos uma vez por mês ao Facebook.

Os chamados utilizadores activos mensais são uma métrica importante para o Facebook, que tinha em Dezembro 2130 milhões destes utilizadores, mais 14% do que no final de 2016. Teoricamente, é preciso ter pelo menos 13 anos para ter uma conta na rede social.

A eMarketer (que é propriedade do grupo de media alemão Axel Springer) antecipa que o número de utilizadores com menos de 12 anos nos EUA deverá cair 9% ao longo de 2018. Já o número de utilizadores entre os 12 e os 24 anos deverá descer perto de 6%. É a primeira vez que a eMarketer prevê um declínio no número de utilizadores destas faixas etárias.

No Reino Unido, segundo estimativas da mesma analista citadas pelo jornal The Guardian, o número de utilizadores entre os 12 e os 24 anos cairá 12% este ano. Não há números para Portugal.

Contactado pelo PÚBLICO, o Facebook disse não ter nenhum comentário sobre o relatório.

Outras plataformas a crescer

Perder utilizadores mais novos no Facebook não quer dizer que a empresa os perca completamente. Alguns estão a migrar para outras plataformas, entre as quais o Instagram, uma aplicação focada em partilha de fotografias, que é também do Facebook (a empresa é ainda dona da aplicação de mensagens WhatsApp). A eMarketer aponta que esta aplicação deverá conseguir este ano, nos EUA, mais 1,6 milhões de utilizadores com menos de 25 anos.

A aplicação rival Snapchat, que permite a partilha de imagens que se apagam automaticamente e foi concebida especificamente para utilizadores mais jovens, também está a crescer. A aplicação terminou 2017 com 187 milhões de utilizadores diários (não comunica utilizadores mensais, ao contrário das outras redes sociais), um aumento anual de 18%.

“O Snapchat poderá acabar por ter um aumento de utilizadores nos grupos mais velhos, uma vez que está a redesenhar a plataforma para ser mais fácil de usar”, observou a analista da eMarketer Debra Aho Williamson. “A questão vai ser saber se os utilizadores jovens vão continuar a achar o Snapchat fixe à medida que mais pais e avós lá estão. É essa a encruzilhada em que o Facebook está.”

As previsões da eMarketer surgem depois de dois anos difíceis para o Facebook, que começaram com a disseminação de desinformação, especialmente durante as eleições americanas de 2016, e terminaram com um acumular de críticas no final de 2017 em relação aos potenciais efeitos nocivos da rede social, nomeadamente entre os mais novos. “Só deus sabe o que está a fazer aos cérebros das nossas crianças”, afirmou em Novembro, numa entrevista, um dos primeiros investidores na empresa e antigo presidente não executivo, Sean Parker. Poucos meses antes, frente a uma plateia de universitários, um antigo executivo pedira desculpas e tinha dito que “o circuito perpétuo de validação social movido a dopamina” criado pela rede social estava “a destruir a forma como a sociedade funciona”.

Mark Zuckerberg anunciou em Janeiro que iria dedicar o ano a concentrar-se em resolver os problemas do Facebook e a empresa já fez alterações nos conteúdos que apresenta a cada pessoa e que resultaram num decréscimo de 5% no tempo passado dentro da rede social. O objectivo é aumentar a qualidade dos conteúdos que os utilizadores vêem.

Por ora, as críticas e alterações na demografia dos utilizadores parecem não estar a afectar o negócio: as receitas da empresa dispararam 47% em 2017.

 

 

Crianças estão mal preparadas para riscos emocionais – Redes Sociais

Janeiro 11, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 4 de janeiro de 2018.

Responsável inglesa pelos direitos das crianças identifica uma idade crítica para o surgimento de riscos da utilização das redes. Quando a guerra de “gostos” e a partilha de fotografias substitui os jogos é o momento em que as brincadeiras podem dar lugar à ansiedade e a problemas de auto-imagem.

Sofia Robert

Um relatório da comissária inglesa para os direitos das crianças, Anne Longfield, alerta para o facto de os menores estarem mal preparados para lidar com as redes sociais num período-chave do seu desenvolvimento – a transição da escola primária para o ciclo seguinte, a partir dos 10 anos – expondo-as a riscos para o seu bem-estar emocional.

Apesar de serem ensinadas sobre segurança online ao longo da escola primária, as crianças não são adequadamente preparadas para outro tipo de desafios que surgem com a utilização das redes sociais, como problemas de auto-imagem que podem ser acompanhados por crises de ansiedade ou depressão.

Enquanto as crianças com idades entre os oito e os dez anos tendem a usar as redes sociais de uma forma lúdica, utilizando-as para disputar jogos entre si, nos anos seguintes começam a fazer uma utilização mais social de redes como o Instagram e o Snapchat, procurando “gostos” e comentários positivos nas suas publicações, cita o jornal britânico Guardian. E começam a ficar mais preocupadas e embaraçadas com o que o relatório designa como sharenting: o fenómeno da partilha de imagens pelos pais, sem a autorização das crianças e adolescentes.

“Estou preocupada que várias crianças comecem o ensino básico mal preparadas para lidar com as redes sociais. É também evidente que as empresas que detêm as redes sociais continuam sem fazer o suficiente para que as crianças menores de 13 anos parem de usar as suas plataformas”, afirma a comissária britânica, instando pais e professores a investirem mais na preparação dos seus filhos e alunos, sugerindo aulas obrigatórias de literacia digital.

“Tem de haver um papel mais activo das escolas em certificar-se de que as crianças estão a ser preparadas emocionalmente para os desafios das redes sociais. E as empresas das redes sociais têm de ter mais responsabilidade. Senão haverá um risco de deixar uma geração de crianças a crescer em busca de ‘gostos’ para se sentirem felizes, preocupadas com a sua aparência e imagem como resultado de uma percepção irrealista do que vêem nas redes sociais”, referiu Longfield.

A responsabilidade dos pais e das escolas

Também em Portugal têm sido realizados estudos sobre o impacto das redes sociais nas crianças, adolescentes e jovens adultos. Em 2017, o Instituto Superior de Psicologia concluiu que 70% dos jovens portugueses com menos de 25 anos apresentam sinais de dependência em que 6% admite ter ficado “sem comer ou sem dormir por causa da Internet”.

No mesmo ano, o médico psiquiatra Diogo Telles Correia alertava que as redes sociais expõem “os adolescentes a um contínuo fluxo de informação, que os estimula constantemente e alimenta uma personalidade hiperactiva e que pode conduzir, não raramente, a situações de ansiedade”, comentando dados então divulgados pela Marktest que identificavam um crescimento da utilização das redes, entre 2008 e 2015, entre todas as faixas etárias, de 17,1% para 54,8%.

Ainda sobre esses dados, a psicóloga Rosário Carmona defendia que é na escola que tem de ser feita a prevenção dos problemas associados ao uso das redes sociais e que a mesma “está muitíssimo desvalorizada”. Por seu turno, o médico psiquiatra Daniel Sampaio responsabiliza os pais: “Devem acompanhar a inscrição e a publicação dos primeiros conteúdos e têm que ter uma dimensão ética, explicando-lhes o que devem e o que não devem fazer. Têm que lhes explicar que não devem comentar as imagens dos outros, que não devem fazer comentários sobre os corpos dos amigos, que podem comunicar e trocar determinadas imagens dos sites que encontram mas que não devem publicar imagens de pessoas”.

Também em 2017, um estudo por uma dupla de investigadoras da Universidade Católica Portuguesa e da Universidade do Minho que acompanhou um grupo de oito crianças portuguesas ao longo de dois anos (dos seis aos oito) identificava uma idade crítica relativamente à utilização das redes sociais, concluindo que é aos oito anos que se vê o maior salto na sua autonomia online e que é também nessa altura que começam os riscos dessa exposição.

Texto editado por Pedro Guerreiro

 

 

 

São cadas vez mais novas as crianças cuja felicidade depende do número de “gostos” nas redes sociais

Janeiro 5, 2018 às 2:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 4 de janeiro de 2017.

Cátia Leitão

Novo estudo realizado no Reino Unido sugere que as crianças entre os 8 e os 12 anos estão a tornar-se viciadas nas redes sociais e que os ‘gostos’ no Facebook e Instagram funcionam como uma validação social para elas

Entre outubro e novembro, Anne Longfield, comissária das crianças em Inglaterra, desenvolveu uma pesquisa com o objetivo de perceber o impacto que as redes sociais têm atualmente no bem-estar de uma criança entre os 8 e os 12 anos, especialmente no que diz respeito à autoestima. Esta investigação analisou 8 grupos com 32 crianças e concluíu que apesar da idade mínima para um indivíduo se registar numa rede social ser de 13 anos, há um número cada vez maior de crianças com menos de 12 anos que já têm uma conta própria e que procuram aprovação social através dos ‘gostos’.

Esta investigação foi realizada com base em entrevistas feitas às crianças. Para que estas se sentissem à vontade e mais disponíveis para responder às perguntas colocadas, os investigadores juntaram todas as crianças em pares com alguém que estas já conhecessem, como por exemplo um amigo ou colega de escola. Mas antes disso, tanto as crianças como os respetivos pais teriam de completar um conjunto de tarefas para que os autores ficassem a saber mais sobre o estilo de vida, comportamento e relação de cada família com as redes sociais.

Os investigadores chegaram à conclusão que existiam vantagens e desvantagens no uso das redes sociais por parte das crianças. Por um lado, “percebeu-se que as redes sociais têm um efeito positivo no bem-estar das crianças e permite-lhes fazer coisas que elas gostam como de se manter em contacto com os amigos e estar ocupado”, segundo o estudo. Mas, por outro lado, “tem um efeito negativo porque leva as crianças a preocuparem-se com coisas sobre as quais não têm qualquer controlo” como explica Anne Longfield ao dizer que “as redes sociais providenciam grandes benefícios, no entanto, também expõem as crianças a riscos emocionais muito significantes”.

3 em cada 4 crianças com menos de 12 anos tem uma conta própria numa rede social apesar de a idade mínima de registo seja de 13 anos. O estudo descobriu também que as redes sociais mais utilizadas por esta faixa etária são o Snapchat, Instagram e Whatsapp. As crianças entre os 8 e os 10 anos ainda estão a descobrir como funcionam as redes sociais e por isso mesmo ainda não desenvolveram o hábito de verificar estas aplicações frequentemente. Nestas idades, os mais novos ainda acedem à internet a partir dos dispositivos móveis e das contas dos pais e admitem ter um tempo limite para usar as mesmas. Mas, os mais pequenos revelam que usam a internet para jogar com os amigos, explorar as surpresas das redes sociais – como os filtros – e ver vídeos para descobrir coisas para fazer.

Na faixa etária entre os 10 e os 12 anos o caso muda completamente de figura. Nestas idades as crianças já têm mais noção de como usar as redes sociais e começam a fazê-lo a partir dos seus próprios dispositivos móveis. Enquanto os mais novos apenas usam a internet depois da escola, neste grupo as crianças passam a usá-la quando querem mesmo durante o período escolar. É nesta idade que começam a sentir pressão social para usar as redes sociais com o objetivo de se tornarem populares e passam a dar mais importância aos ‘gostos’ e à aprovação social que estes trazem.

A comissária Longfield avisa os pais que “lá porque as crianças aprenderam algumas coisas sobre segurança na escola primária não significa que estejam preparadas para os desafios que as redes sociais apresentam” e acrescenta ainda que as escolas têm de se “certificar que as crianças estão preparadas para as exigências emocionais das redes sociais. O que significa que as companhias das redes sociais também têm de assumir uma maior responsabilidade”. Anne Longfield acredita que se os pais, as escolas e as companhias não tomarem medidas, existe um grande risco de “deixar crescer uma geração de crianças que persegue ‘gostos’ para se sentir feliz e apenas se preocupa com a aparência e imagem devido ao estilo de vida irrealista que vê nas plataformas como o Instagram e Snapchat”. Além disso Anne alerta ainda que isto tudo pode aumentar significativamente os estados de ansiedade nas crianças caso estas não consigam responder às exigências das redes.

O estudo inclui ainda frases das crianças inquiridas com o objetivo de alertar os pais para os pensamentos dos filhos. Harry tem 11 anos e diz que “se não usarmos coisas caras e de designer as pessoas gozam” mas “quando chegamos aos 50 ‘gostos’ começamos a sentir-nos bem porque isso significa que as pessoas acham que ficámos bem naquela fotografia”. Bridie, também com 11 anos, admite que usa as redes sociais cerca de 18 horas por dia e acrescenta ainda que “vi uma rapariga muito bonita e quero tudo o que ela tem, quem me dera ser como ela. Quero as coisas dela, a casa dela e a maquilhagem da MAC que ela tem. Vê-la faz me sentir aconchegada”.

As redes sociais fazem com que as crianças criem uma ideia de um mundo irreal onde podem ter tudo aquilo que desejam. Para chegar a esse ponto, acreditam que têm de ser aceites no mundo social da internet e que os ‘gostos’ são o meio para ter a validação que tanto procuram. Para evitar este tipo de ilusões nas crianças, a investigação sugere algumas medidas para os pais como falar com as crianças sobre os aspetos positivos e negativos das redes sociais e fazê-las entender as diferenças entre a aparência e a realidade para tentar combater a pressão que as crianças colocam nelas próprias.

Esta pesquisa integra o relatório “Life in Likes” publicado hoje por Anne Longfield, comissária das crianças de Inglaterra – um cargo independente do Governo com o objetivo de ajudar a melhorar a vida das crianças a longo prazo, principalmente das mais vulneráveis.

 

 

‘Bullying’: Instagram torna-se a pior rede social e destrona o Facebook

Julho 26, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jornaleconomico.sapo.pt/ de 19 de julho de 2017.

Estudo britânico analisou casos de cyber-bullying, abuso e dependência das redes sociais e concluiu que 42% dos casos acontecem no Instagram, em comparação com 37% no Facebook.

O Facebook deixou de ser a pior rede social no que diz respeito a bullying online. O lugar é agora ocupado pelo Instagram, uma rede de partilha de imagens que conta com mais de 10 mil jovens apenas no Reino Unido, de acordo com um estudo divulgado esta quarta-feira pela organização anti-bullying Ditch The Label (ou Abandonar o Rótulo, em português).

O estudo analisou casos de cyber-bullying, abuso e dependência das redes sociais e concluiu que 42% dos casos acontecem no Instagram, segundo noticia o Mashable. O valor compara com 37% no Facebook e 31% no Snapchat, outra rede social focada na partilha de fotografias e vídeos predominantemente usada por jovens.

Os dados revelam uma migração do Facebook para o Instagram, de acordo com a organização britânica, já que estudos anteriores mostravam que a primeira era a rede social que contabilizava o maior número de casos de bullying. As formas mais comuns de cyber-bullying incluem comentários ofensivos em perfis e fotografias, mensagens indesejadas e denúncias faltas de fotografias como abusivas.

“Sabemos que os comentários ‘postados’ por outras pessoas podem ter um grande impacto e é por isso que recentemente investimos fortemente em novas tecnologias para ajudar a fazer o Instagram um lugar seguro e solidário”, disse em comunicado o responsável pela política do Instagram, Michelle Napchan, citado pelo Mashable.

“Através do uso de tecnologias de aprendizagem, comentários ofensivos no Instagram são agora automaticamente bloqueados para que não aparecem nas contas das pessoas. Nós também damos às pessoas a opção de desativar os comentários ou de fazerem as suas próprias listas de palavras ou emojis proibidos”, acrescentou.

O estudo mencionado na notícia é o Annual Bullying Survey 

mais informações:

https://www.ditchthelabel.org/69-people-done-something-abusive-towards-another-person-online/

 

 

Instagram é a rede social mais nociva para a saúde mental

Junho 5, 2017 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Texto do http://exameinformatica.sapo.pt/ de 24 de maio de 2017.

O estudo citado na notícia pode ser consultado na notícia da Royal Society for Public Health:

Instagram ranked worst for young people’s mental health

Ruben Nascimento Oliveira

É o que diz um estudo realizado no Reino Unido que questionou 1500 pessoas para comparar os efeitos na saúde mental das redes sociais: Instagram, Snapchat, Facebook,Twitter e Youtube.

A Royal Society for Public Health em conjunto com o movimento Young Health publicou um estudo focado nos efeitos que cinco redes sociais diferentes têm na saúde dos jovens.

O estudo foi feito no Reino Unido, onde cerca de 1500 pessoas entre os 14 e 24 anos de idade foram questionadas sobre a sua saúde, bem-estar, suporte emocional, imagem corporal e bullying, noticia a Cnet.

Após análise às respostas, os investigadores concluíram que o Instagram era o mais prejudicial para a saúde dos jovens seguidos por ordem decrescente relativamente ao seu efeito nocivo nos utilizadores, pelo Snapchat, Facebook, Twitter e Youtube.

Os efeitos negativos superiores do Instagram e Snapchat parecem ser derivados do grande foco em imagens que existe em ambas as redes sociais, explica Shirley Cramer Chefe executiva do Public Health Group.

 

O que os adolescentes consideram cool

Abril 23, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do  http://blitz.sapo.pt/ de 8 de abril de 2017.

Zoran Ivanovich (Creative Commons)

Um estudo da Google indica onde se encontram as preferências dos adolescentes de hoje em dia

Todas as gerações são distintas. As preferências dos adolescentes de há meio século são, hoje, muito diferentes das preferências dos adolescentes de hoje. E assim vai variando, de década para década, de época para época. Traduzido por miúdos: o que ontem era “fixe” hoje é “uma seca”.

A Google elaborou, recentemente, um estudo que visa, precisamente, apontar onde se situam as preferências dos adolescentes de hoje em dia, a denominada Geração Z – a que nasceu em meados da década de 90, já com o uso da Internet disseminado por todo o mundo. No entanto, foram apenas considerados os jovens com idades compreendidas entre os 13 e os 17 anos.

Segundo o estudo, aquilo que é considerado “fixe” para a Geração Z é, também, uma representação dos seus valores, das expetativas que guardam para si próprios, dos seus amigos, e das marcas que mais apoiam. Neste grupo estão, por exemplo, o YouTube, a Netflix, a Nike e a própria Google.

E quais são, então as preferências musicais desta geração? Segundo o estudo, são mais variadas do que qualquer preconceito poderia ditar. Entre os artistas mais “votados” pelos inquiridos estão gigantes da pop atual, como Drake e Beyoncé, mas também bandas como os Coldplay, Fall Out Boy, ou Panic! At The Disco – e até os Beatles encontraram espaço nos corações, e ouvidos, da Geração Z.

A música ainda detém um papel importante na “fixeza”; para estes adolescentes, as celebridades mais importantes são, quase todas, músicos, destacando-se Selena Gomez, Chance the Rapper e Ariana Grande. O seu nível de popularidade mede-se, também, pelas suas ações: os mais “genuínos” e filantrópicos são considerados os “mais fixes”.

Por ter crescido rodeada de computadores e, mais importante ainda, pela Internet, não é de estranhar que esta geração mostre, também, um forte apego pela novidade tecnológica. De todos os inquiridos, 24% (14% rapazes, 10% raparigas) disseram que aquilo que é “mais fixe” são as novas tecnologias.

(Talvez) Por isso, são poucos os que afirmaram não possuir um smartphone: apenas 9,6% dos inquiridos, sendo que neste campo a Apple suplanta ligeiramente a Microsoft, com 42,3% a preferirem o Iphone aos Androids.

No que diz respeito às redes sociais, plataformas de partilha de imagens e vídeos, como o Snapchat e o Instagram, são rainhas. O Facebook ainda é utilizado, mas apenas para consumo diário – partilhar algo através desta rede já não é “fixe”.

E se, novamente, o preconceito ditar velhos adágios como “os jovens de hoje já não se interessam pela leitura”, saiba que nada se encontra mais longe da verdade: ler é uma atividade indispensável e “fixe”, lado a lado com os videojogos. Afinal de contas, estamos a falar de uma geração que não conheceu o mundo sem Internet – e que, por causa dela, se tornou na mais informada de sempre.

 

Sexting: os perigos reais da intimidade virtual

Setembro 9, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 31 de agosto de 2016.

Com os smartphones, o sexting ganhou uma nova dimensão. Do envio de mensagens marotas passou-se para a troca de imagens e vídeos eróticos. O perigo desta prática é real e pode estar escondido nas teias da internet. Conheça os principais cuidados relativos ao sexting na galeria de imagens. (Fotografia Getty Images)

Com os smartphones, o sexting ganhou uma nova dimensão. Do envio de mensagens marotas passou-se para a troca de imagens e vídeos eróticos. O perigo desta prática é real e pode estar escondido nas teias da internet. Conheça os principais cuidados relativos ao sexting na galeria de imagens. (Fotografia Getty Images)

Por: Ana Pago

Ilustração Shutterstock

A troca de conteúdos eróticos entre parceiros é um fenómeno. Que perigos esconde?

No início era um envio de mensagens marotas (sex) por sms (texting). Depois vieram os smartphones e o sexting e a respetiva troca de conteúdos eróticos ganhou outra sofisticação ao incluir fotografias e vídeos. Com aplicações como Whatsapp, Snapchat, Viber ou Skype, os perigos de a nossa intimidade cair em mãos erradas são agora imensos. O verão torna os utilizadores mais disponíveis para esta prática.

Quando Jessica Logan se despiu, não era bem aquilo que tinha em mente. A jovem nunca previu a iminência do fim. Fotografava o próprio corpo com um telemóvel e só pensava na surpresa que o namorado teria ao receber aquelas imagens. No fundo, só queria dizer «Dou-me a ti porque estou apaixonada». Aos 18 anos, não se lembrava de algum dia se ter sentido tão atraente. Mas o namoro terminou. E o namorado que passou a ex partilhou as fotografias reveladoras com amigos, que as distribuíram por outros via Facebook, MySpace e sms num crescendo de violência psicológica difícil de conter.

No mesmo quarto onde fez sexting durante meses, a linda e desinibida Jesse enforcou-se, tornando-se em 2008 a primeira vítima mortal conhecida pelo uso irresponsável (do namorado) do fenómeno de troca de mensagens eróticas, com ou sem imagens, via telemóvel, chats ou redes sociais.

«Registar fotografias ou vídeos da nossa intimidade em formato digital é dar o primeiro passo para perdermos o controlo sobre ela», alerta Tito de Morais, fundador do projeto MiúdosSegurosNa.Net para ajudar famílias e escolas a promover a segurança online dos jovens. O dispositivo pode avariar-se, perder-se, ser roubado, alvo de intrusão ou de um acesso indevido acidental. «O que era privado torna-se público e, com a internet, a audiência para esses conteúdos escala exponencialmente.» Muitas vezes as vítimas acabam perseguidas, ameaçadas, afastadas à força da vida que faziam antes da sobre-exposição online. Sobretudo no verão, diz: «Além da quantidade de fotografias em biquíni suscetíveis de reprodução não consentida e descontextualizada, as férias são uma época de novos namoros, desinibição e experiências sexuais, exprimíveis através do sexting.»

Uma vez enviado um vídeo ou fotografia de natureza erótica, ninguém sabe que usos lhe podem dar recetores mal-intencionados, confirma Sofia Rasgado, coordenadora do Centro Internet Segura, um projeto da responsabilidade da Fundação para a Ciência e Tecnologia, que envolve outros organismos públicos e privados, com vista à disponibilização de informação para proteção e prevenção de riscos no uso da internet. Facto: não é novidade duas pessoas envolvidas numa relação séria trocarem material «quente» entre si. Facto: fazê-lo sempre implicou o risco de esse conteúdo poder ser usado contra quem o partilhou. «O problema hoje decorre, porém, de o fenómeno ser especialmente comum entre adolescentes e jovens adultos, criados com as novas tecnologias de comunicação e informação», diz a responsável. Se por azar uma imagem cai nas mãos erradas, a velocidade vertiginosa a que tudo se processa fará que seja enviada, copiada e partilhada em múltiplas plataformas, sem controlo possível.

«Não existem dados claros de que as mensagens puramente textuais caíram em desuso, contudo vemos que uma das aplicações mais descarregadas entre jovens é o Snapchat, que permite o envio de conteúdos multimédia (texto opcional) que se autodestroem passados 15 segundos», diz Sofia, ciente do tráfego de cariz erótico a circular por este meio. Daí o aviso: «Apesar de a aplicação dizer que destrói estes conteúdos, eles podem ser registados com métodos digitais (capturas de ecrã) ou analógicos (filmar o dispositivo quando recebe mensagens). Há ainda a possibilidade de serem armazenados, de forma não autorizada pelos utilizadores, em servidores passíveis de sofrerem ataques que resultem em partilha/publicação indevida.»

E de repente, sem querer, ficamos sujeitos a exposição pública, humilhação, chantagem, exclusão e vergonha, que podem conduzir a estados depressivos e até automutilação ou suicídio.

«O sexting tornou-se uma moda, uma mudança comportamental associada à revolução dos smartphones e das redes sociais. Passámos do erotismo como um tabu para o extremo de expor o que faz sentido manter na intimidade », diz a psicóloga e terapeuta sexual Cristina Mira Santos.

«Assistimos a uma excessiva erotização social e mediática do corpo, a que se junta adolescentes a amadurecer sexualmente, influenciáveis e com desejo de pertença a um grupo.» Regra geral, eles partilham mais e elas expõem mais, pressionadas por uma sociedade que continua a ver no corpo feminino valor de objeto e troca – o que não significa que os rapazes não se exponham ou não sejam alvo de partilhas abusivas. O desgaste psicológico de tudo isto pode ser devastador e causar estragos para o resto da vida. «Recordo-me de jovens que viram a sua localidade de residência exposta e foram alvo de processos de aliciamento sexual, ameaça e extorsão», diz Tito de Morais, impressionado com a gravidade do cyberbullying nos casos em que o sexting é feito sob ameaça ou coação, e as imagens divulgadas «por mera gabarolice ou para ofender, humilhar e difamar o(s) visado(s)». A nível internacional (os primeiros fenómenos de sexting identificados remontam aos EUA em 2005), inúmeros casos de finais trágicos sucederam-se ao de Jesse Logan: Hope Witsell, de 13 anos, também se enforcou por razões idênticas um ano depois.

Sofia Rasgado lembra ainda Amanda Todd, muitas vezes referida nas sessões de apoio/esclarecimento do Internet Segura. «Enquanto andava no 7.º ano, a jovem participou num chat e conheceu um estranho que a elogiou e a convenceu a mostrar os seios diante da câmara», diz a coordenadora do Centro Internet Segura. O sujeito passou a chantageá-la: ou ela voltava a mostrar-se, ou ele partilhava publicamente o registo. Durante uma série de tempo, Amanda foi perseguida, sofreu de ansiedade e depressão graves, mudou de casa com a família. «A par do consumo de álcool, drogas e mais tarde automutilação, o seu estado de saúde mental piorou.» Suicidou-se em desespero no final de 2012. Em 2014, um homem de 35 anos dos Países Baixos foi acusado de vários crimes de extorsão, aliciamento online, assédio criminoso e registo de pornografia infantil ligados ao caso de Amanda.

Ainda assim, o sexting e as tecnologias não são bons nem maus em si mesmos. «Tudo depende do uso que fazemos deles», ressalva Daniel Cardoso, doutor em Ciências da Comunicação (na vertente de Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias) e autor da tese Entre Corpos e Ecrãs: Identidades e Sexualidades dos Jovens nos Novos Media, defendida na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Cristina Mira Santos dá-lhe razão, apoiada num estudo de 2015 da Universidade Drexel, de Filadélfia, EUA, segundo o qual casais que trocam mensagens sexuais pelo telemóvel têm maior satisfação física e afetiva. «Como mecanismo erótico, é poderoso a reacender a chama numa dada fase do relacionamento. Esta noção do provocar, do proibir, seria bastante confortável se não houvesse tanto risco de uma eventual exposição do corpo na internet», diz a psicóloga. O problema reside precisamente aí: na divulgação. As sequelas não advêm da prática, mas sim da exposição reprovável de conteúdos pessoais.

Mas podemos concluir que os jovens estão constantemente a fazer sexting? A resposta também é difícil, mas «existe um desfasamento entre a perceção que têm da conduta dos seus pares (acham que estão sempre a fazê-lo) e o seu próprio comportamento», diz Daniel Cardoso.

O inquérito EU Kids Online, sobre usos, riscos e segurança na internet a nível europeu, sustenta que 15 por cento dos jovens entre os 11 e os 16 anos receberam mensagens sexuais em 2014, mas só três por cento as terão enviado.

Seja como for, a partilha indevida é crime qualquer que seja a escala, avisa o especialista. «Há uma espécie de normalização social desta coisa de andar a ver e mostrar imagens íntimas. O primeiro passo é valorizar a ideia de que se a outra pessoa não consentiu em mostrar, então nós devemos tentar não ver.» Na dúvida, nunca fazer aos outros o que não queremos que um dia nos possam fazer a nós.

E FREXTING, JÁ EXPERIMENTOU?
Não há nada que bons amigos não partilhem exceto a intimidade, essa fronteira para lá da qual a amizade passaria a outro patamar. Mas agora a moda do frexting (friends + sexting) diz que os amigos podem partilhar mesmo tudo, inclusive imagens todos nus para que os outros lhes digam como estão esplenderosos e retribuam na mesma moeda, mostrando-se como vieram ao mundo para reforçar os laços. O conceito espalhou-se muito por conta da escritora norte-americana Kelly Williams Brown, que no seu Adulting Blog garante que a prática é libertadora e faz maravilhas pela nossa autoestima. Mandam depois as regras de etiqueta que se responda com emojis positivos, nomeadamente a chama, o gato com corações nos olhos e as mãos a bater palmas. Sempre sem esquecer que a internet não esquece o que lá vai parar.

NET COM CONSCIÊNCIA
É este o nome de uma web série lançada pela Internet Segura, abordando diferentes situações do quotidiano dos jovens. O episódio 4 foca-se no impacto do sexting na reputação do utilizador. O seguinte aprofunda a revenge porn (pornografia vingativa), em que uma pessoa partilha imagens sexuais do anterior parceiro.

 

 


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