Bons livros para temas difíceis

Outubro 19, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site https://portcast.net/ de 14 de setembro de 2017.

por Catarina Stichini

Ainda a escrita não tinha sido inventada, já as pessoas passavam conhecimentos e aspetos culturais de geração em geração contando estórias. A tradição oral sempre ocupou um lugar fundamental na nossa sociedade, sendo os donos da oratória fonte de grande apreço e admiração. Ainda hoje, um evento especial é marcado com um discurso. E quem não se lembra das histórias contadas pelos avós?

Nos últimos anos, a arte do story telling, Hora do Conto em Portugal ou Contação de Histórias no Brasil, desenvolveu-se exponencialmente, tendo sido criado um novo espaço para os contadores. Se, por um lado, se verifica a necessidade de levar a leitura a mais crianças e assim promover um mundo mais justo e mais rico para todos, por outro lado não é raro encontrar eventos que a promovam, em bibliotecas ou livrarias, que assim atraem miúdos e graúdos até si.

O encanto e a magia que caracterizam estes encontros permitem a todos deixar-se levar pelas histórias e pela imaginação, contribuindo para a formação do indivíduo que, de uma forma ou de outra, se vê espelhado na narrativa.

Além de possuir este aspeto fantasioso, a literatura é também um veículo privilegiado para abordar assuntos complexos, uma vez que oferece aos interlocutores a possibilidade de projetarem na história o que não querem ou não conseguem discutir diretamente.

Existem, sem dúvida, aos milhares livros sobre todos os temas possíveis e imaginários, mas o que se passa nos nossos países? Que querem dizer os contadores de língua portuguesa? Em que livros transmitem o que sucede atualmente nas nossas famílias? Foi com esta ideia em mente que decidimos elaborar uma pequena lista de livros de autores de expressão portuguesa ideais para abordar temas difíceis.

Dez livros de que gostamos muito!

 

  1. Adoção – Flávia e o bolo de chocolate, de Míriam Leitão e Bruna Assis Abril (ilustração), Editora Rocco

Este livro fantástico e doce de Míriam Leitão aborda a adoção através de uma perspectiva diferente, simples e amável.

Rita sempre quis ter um filho ou filha e quando encontrou Flávia, foi amor à primeira vista. Rita sabia que Flávia seria sua filha e pronto, descomplicado assim. Flávia cresce bonita e feliz mas passa a não gostar da cor “marrom” de sua pele por não ser parecida com a de sua mãe. Ela passa a não gostar de nada que seja marrom. Então a mãe com delicadeza e amor vai mostrando e explicando que as pessoas possuem características próprias e diferentes e que este fator torna o mundo rico e cheio de beleza. A mãe também vai ensinando a sua filha que muitas coisas belas e boas têm a cor marrom, inclusive a cor da menina.

A premiada jornalista Míriam Leitão aborda temas delicados como adoção e questões raciais de forma delicada e suave para os pequenos. O livro é uma beleza e ainda conta com belas ilustrações de Bruna Assis Brasil, a autora ganhadora do Prêmio FNLIJ 2014 na categoria Escritor Revelação por seu livro infantil de estreia, A perigosa vida dos passarinhos pequenos, que também mostra que o mundo é feito de diferentes cores, pessoas e sabores.

 

  1. Autismo – Tom, de André Neves, Projeto Editora, 2012

Em Tom, Andre Néves nos presenteia com uma bela história de extraordinária sensibilidade. Tom é um menino que vive no silêncio de seus pensamentos e, por este motivo, todos tentam entendê-lo e querem saber o que se passa com ele, principalmente seu irmão. Durante a história, o irmão se questiona sobre o motivo de Tom não brincar, não falar, não reagir à vida a sua volta. Até que um dia, Tom convida seu irmão para dançar e conhecer seu mundo.

Linda e talvez um pouco melancólica, esta história nos abre inúmeras possibilidades de interpretações e troca de ideias. Uma delas é o universo do autismo.

  1. Cancro – A Matilde está careca, vários autores, José Souto Moura (ilustração), Prime Books, 2017

Livro dedicado ao cancro infantil, escrito por antigos alunos da Faculdade de Medicina de Lisboa. Conta a história de Pedro e de Matilde, colegas inseparáveis na escola até ao dia em que Matilde não aparece e Pedro descobre que ela tem uma doença com um nome muito estranho.

Texto escrito numa linguagem acessível e fatual, que transmite o afeto entre as crianças, as dificuldades desta doença e a esperança na cura.

O livro faz parte do Plano Nacional de Leitura em Portugal e pode encontrar sugestões da Operação Nariz Vermelho para o abordar na escola, com crianças do Ensino Básico (1º ao 9º ano de escolaridade), aqui.

  1. Doença e superação – Dulce a abelha, de Bartolomeu Campos de Queirós e Mariana Newlands (ilustração), Editora Alfaguara, 2015

Esta fábula encantadora e poética nos conta a história de Dulce, uma abelha que não nasceu para fabricar mel e não por culpa dela. Era diabética. Foi proibida – pela natureza – de comer açúcar. O que era doce lhe dava tonteiras e causava desmaios. Dulce sonhava em ser tantas coisas, formiga, borboleta, apenas para não parecer preguiçosa e desobediente aos olhos das outras abelhas. Ela tenta até o fim vencer suas limitações.

Uma história sobre o desenrolar da vida e da morte, com suas certezas e incertezas, onde Bartolomeu Campos de Queirós trata de temas muito importantes como aceitação, superação e perda com lirismo e a simplicidade de uma criança.

  1. Emigração e adaptação – A Rainha do Norte, Joana Estrela, Planeta Tangerina, 2017

Ser estrangeiro não é fácil.

Joana Estrela parte da lenda das amendoeiras e escreve a estória de uma jovem que se muda para um país muito diferente do seu. Refletindo a realidade de muitas famílias nos dias de hoje, o livro aborda os desafios e dificuldades que esta experiência representa, da língua e da comida às saudades dos que se deixam para trás, mas também o amor e a vontade de crescer e mudar. Uma história muito bonita e bem conseguida, quer a nível verbal quer a nível gráfico.

  1. Guerra – Que luz estarias a ler?, de Ana Biscaia (ilustração) e Pedro Mésseder (texto), Xerefé edições, 2014

Um livro que começou ao contrário, com os desenhos de Ana Biscaia (Prémio Nacional de Ilustração 2013) baseados em fotografias de uma menina a apanhar livros no meio de escombros num cenário de guerra. Seriam esses desenhos que serviriam de base ao texto de Pedro Mésseder, que assim acaba por ilustrar ilustrações com as suas palavras.

No livro, a menina é Aysha e procura livros para a escola que sonha ter no fim da guerra, altura em que se dedicará a pensar no que o seu amigo Kalil estaria a ler quando morreu.

Um livro forte e belo, tanto a nível textual como visual, que nos permite abordar temas tão difíceis como a guerra e a morte infantil através da discussão do amor aos livros e do papel da literatura neste mundo às avessas.

Que luz estarias a ler? está atualmente a ser trabalhado com alunos de Português, do Ensino Básico (1º – 6º ano), na Suécia.

  1. Identidade – Como tu, de Ana Luísa Amaral e Elsa Navarro (ilustração), Quid Novi, 2012

Tudo muda e se transforma. Como tu.

Escrito numa linguagem poética e do quotidiano, com a bondade e pureza a que nos habitua Ana Luísa Amaral, este livro mostra-nos como tudo cresce, muda e passa, como tudo deve ser respeitado, tal como a borboleta e o pé de feijão. Uma conversa com uma criança sobre o mundo que a rodeia, um belíssimo ponto de partida para discutir a amizade, a família, a solidão, a sexualidade, a vergonha, os medos que nos assombram, e muito mais.

Livro acompanhado por um CD com música original de António Pinho Vargas e interpretação de Gilberto Oliveira e Margarida Gonçalves.

  1. Paixão e desilusão amorosa – Eu gosto de ti. E tu?, de Inês Almeida e Nicholas Carvalho, Livros Horizonte, 2016

A primeira paixão, o primeiro desgosto, a primeira lição para aprender a dar tempo ao tempo, ultrapassar medos e confiar em nós mesmos. Um livro numa linguagem delicada, como é o tema, com bonitas ilustrações.

  1. Síndrome do X Frágil – Olá! Eu sou o Alexandre – Alexandre, o Ágil, de Ana Zanatti e Madalena Bastos (ilustração), Pais em Rede, 2016

O Alexandre é um menino curioso e irrequieto, que vive rodeado de amor, entrega e preserverança. Vive com a síndrome do X Frágil, caracterizada por sintomas como a hiperatividade, problemas de atenção e concentração, ansiedade e timidez social. A estória de Alexandre é verídica, e aqui é contada num tom lúdico e em verso, pensada quase para ser cantada a outros meninos; faz parte da coleção Meninos Especiais, que visa contar a estória de crianças com deficiências, nem sempre visíveis ou conhecidas do público geral, e alertar para as suas necessidades especiais.

Este livro foi financiado pela Associação Portuguesa da Síndrome X Frágil, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

  1. Um novo irmão – Eu só só eu, de Ana Saldanha e Yara Kono (ilustração), Editora Peirópolis, 2014

Um livro cheio de amor sobre tudo o que faz parte do mundo de um filho único: os seus brinquedos, os seus espaços, os seus afetos. E como tudo isso muda com um irmão, só seu.

Texto e ilustrações ideais para abordar o tema com crianças até aos 3 anos.

Sugerimos também:

  • Alice Beija-Flor, um PortCast da autoria de Jorge Reis, com exercícios de Catarina Stichini, para ler e ouvir e discutir a infância, a família e distúrbios alimentares. Versão lenta e grátis, aqui. Versão com exercícios, aqui.

Diga-nos o que acha e sugira outros livros!

 

Catarina Stichini é professora há mais de vinte anos, tendo já lecionado do ensino infantil ao universitário. Em 2014, foi nomeada para o Prémio de Melhor Professor da Universidade de Estocolmo, na Suécia, país onde é atualmente professora de Português Língua de Herança. Dedica parte do seu tempo ao www.portcast.net, uma plataforma para a aprendizagem de português através de podcasts. Tem um filho luso-sueco com 6 anos.

Gabriella Teixeira é formada em Comunicação Social e trabalha como professora de Português como Língua de Herança na Suécia. Apaixonada por literatura infantojuvenil, em 2015, criou o projeto, Cantinho da história na Suécia, onde realiza diversas contações de histórias em português nas bibliotecas de Estocolmo e também em Uppsala.

 

 

 

Afonso, Alexandre e João são “meninos especiais” com histórias em papel

Novembro 16, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 24 de outubro de 2016.

joao

Cada livro da colecção “Meninos Especiais” conta a história de uma criança com necessidades especiais. O Afonso tem um atraso global de desenvolvimento. O Alexandre tem síndrome de X frágil. O João ainda não tem diagnóstico. Escritores e ilustradores foram desafiados a conhecer estes meninos e a entrar nos seus mundos reais

Texto de Andreia Cunha

Afonso tinha um ano quando foi vítima de uma meningite. Durante três meses lutou contra a morte numa cama de hospital e finalmente voltou para casa. Livrou-se da meningite, mas esta doença levou consigo muitas competências — sentar-se, andar, falar ou agarrar um objecto já não estava ao seu alcance. O Afonso tem um atraso global de desenvolvimento. O que pouca gente sabe é que este menino tem uma espada mágica e adora pintar. Todos os dias trazem novas aprendizagens. E são estes momentos que Isabel Stilwell conta no livro “Afonso e a Espada Mágica”.

Madalena Braga aceitou sem hesitar o desafio de ilustrar uma realidade que não conhecia. No entanto, foi fácil inspirar-se e trazer para o papel uma dimensão especial do dia-a-dia do Afonso. O baloiço onde se sente seguro, as mãos todas as sujas de bolo de chocolate e Filipe (pai adoptivo) montado num cavalo, um animal que Afonso adora, são alguns dos momentos que a ilustradora polvilhou no livro. “O que mais me cativou a representar o Afonso foi a expressão daquele olhar, bastante intenso e feliz, e um sorriso que acompanhou o encontro que tivemos quando o fomos visitar a casa”, diz a ilustradora.

Este encontro resultou numa “relação mágica com o Afonso através da ilustração”. “Quando conheci o Afonso lembro-me que a imagem que melhor registei na minha cabeça foi quando ele veio ter comigo com um brilho nos olhos e um sorriso enorme. Essa foi a maior fonte de inspiração para poder ilustrar a vida do Afonso e tentar exaltá-lo como se fosse o herói da história”, explica ao P3.

Contar as histórias de três meninos reais foi o desafio lançado por Luísa Beltrão, presidente da associação Pais em Rede, a seis escritores e ilustradores. “Como escritora comecei a pensar que seria excelente fazer pequenos livros com bons escritores da nossa praça que pudessem ir conhecer crianças com determinado problema, conhecer cada uma na sua casa e criar uma história que pudesse fazer outras crianças entrar no mundo desse colega diferente”.

Ana Zanatti teve oportunidade de conhecer Alexandre, um menino simpático e irrequieto que adora comer gelados na praia e tocar bateria enquanto a mãe toca piano. O Alexandre tem síndrome de X frágil, uma doença genética causada pela mutação de um único gene. Apesar de demorar um pouco mais a aprender do que os colegas da escola, Madalena Bastos, ilustradora, conseguiu captar o Alexandre e alguns momentos de descoberta e de alegria junto dos familiares e amigos.

Já a vida do João é uma caça ao tesouro e, todos os dias, em casa deste menino descobre-se a música antes de encontrar os peluches cheios de dentadas. O livro de Afonso Reis Cabral é “um testemunho” da realidade em que vive o João, uma criança que tem grandes impedimentos em qualquer aprendizagem. Um almoço e uma tarde juntos foram o suficiente para o romancista descrever o mundo do João e “transmitir esse ambiente aos leitores”. O João não fala, quase não anda, não come sozinho, mas não é isso que se vê nos desenhos de Carla Isidro. A ilustradora mostra o quarto onde o João guarda tudo o que gosta, o jardim com o baloiço e a relva onde passeia e a sala onde encontra a irmã pequena antes de lhe dar um abraço.

Estes meninos são agora protagonistas de livros que têm como objectivo a inclusão social de crianças e jovens com deficiência. Luísa Beltrão é também mãe de uma mulher com deficiência e acredita que “esta colecção dos Meninos Especiais é, de certa maneira, o melhor expoente do que é o espírito dos Pais em Rede”, uma associação que nasceu em 2008 pela mão de um grupo de pais preocupados com o futuro dos filhos.

Mas os principais destinatários destes livros não são as crianças com necessidades especiais. As histórias podem ser lidas pelos pais e familiares de crianças com as mesmas patologias, pelos pais de crianças que não tiveram qualquer contacto com estes problemas, pelos professores e educadores nas escolas e até pelos próprios alunos. “Estes livros são dirigidos a todas as crianças e a todos os adultos”, salienta Edite Vasconcelos, coordenadora do projecto “Meninos Especiais”.

Histórias que são difíceis de compreender

O projecto já vai no quarto ano e, doze livros depois, o objectivo mantém-se. Em 2012, a primeira colecção mostrava síndromes mais conhecidas como autismo e trissomia 21. Depois, foram dando a conhecer outras histórias que ainda hoje são difíceis de compreender como é o caso do João. “Há muitas crianças que não têm diagnóstico, têm uma série de deficiências mas estas não se enquadram em nenhuma patologia descoberta. Fizemos este livro porque representa uma fatia grande das crianças e jovens com deficiência deste país e de todo o mundo”, explica Edite Vasconcelos.

Os livros da colecção “Meninos Especiais” não estão à venda nas livrarias, apenas podem ser adquiridos por encomenda através de correio electrónico. Além destas edições, há ainda livros inclusivos com textos a negro e em braille para garantir que o objectivo da inclusão seja cumprido. Depois de terem sido vendidos mais de 18 mil exemplares em quatro anos, Luísa Beltrão não deixa de sublinhar o “sucesso retumbante” destes livros infantis trabalhados gratuitamente por escritores, ilustradores, paginadores e editores, contando ainda com o apoio de várias instituições. Cada livro custa cinco euros e a receita reverte na totalidade para os projectos da associação.

A quarta colecção é apresentada a 24 de Outubro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Mas Luísa Beltrão garante que estas histórias não terminam aqui: “Para ano há outra colecção e já há vários escritores que estão interessados em escrever mais livros”.

Livros que trouxeram um novo olhar sobre as deficiências, modificaram a experiência dos escritores, ajudaram os pais destas crianças a “desdramatizar” os problemas dos filhos e todas as crianças a compreender as suas necessidades e os comportamentos dos outros. Estes livros, refere Luísa Beltrão, “são fruto de uma rede de boa vontade” e uma forma de permitir que estas crianças sejam incluídas na sociedade onde vivem.

http://paisemrede.pt/

 

 

 

 

XXVII Encontro Nacional da APPIA | Histórias de Vida, Percursos de Sobrevivência: dos Riscos aos Projetos

Abril 29, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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encontromais informações:

https://www.facebook.com/events/495414763978320/

http://appia.com.pt/

XII Jornadas da Prática Profissional – Educação Básica : Novas Orientações

Junho 10, 2010 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Escola Superior de Educação de Santarém vai organizar as “XII Jornadas da Prática Profissional –  Educação Básica : Novas Orientações”, nos dias 14 e 15 de Junho de 2010 no Auditório 1 da ESES.


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