Unaids: apenas metade dos bebés expostos ao HIV são testados

Abril 8, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 26 de março de 2019.

Segundo agência da ONU, quanto mais cedo for feito o teste mais eficazes são os tratamentos; testes adequados são escassos em países de baixo e médio rendimento; mortalidade entre os bebés não tratados é maior nos primeiros três meses de vida.

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, Unaids, alerta que somente metade dos recém-nascidos expostos ao HIV são testados.

Para o Unaids é necessário aumentar o número de testes uma vez que quanto mais cedo o vírus for detetado, melhores são os resultados do tratamento.

Resultados

Em nota, a agência explica que diagnosticar crianças menores de 18 meses de idade requer testes virológicos, que detetam o vírus. O teste sorológico, que testa o anticorpo do HIV, só pode ser usado apenas em crianças maiores de 18 meses e adultos.

No entanto, os testes virológicos não estão disponíveis na maioria dos países de baixo e médio rendimento e, quando disponíveis, são caros e demorados, envolvendo várias consultas clínicas para as mães e os bebés.

O Unaids estima que, a nível mundial, apenas metade dos bebés que são expostos ao HIV durante a gravidez da mãe são testados antes das oito semanas de idade.

O teste precoce é fundamental uma vez que a mortalidade entre os bebés não tratados é maior nos primeiros três meses de vida. Por isso, para o Unaids o diagnóstico imediato e o inicio do tratamento “são cruciais.”

Evolução

No ano passado, o Unaids divulgou um relatório alertando para o aumento de novas infecções de HIV em 50 países.*

A meta do Unaids é chegar a 2020 com menos de 500 mil mortes relacionadas à Aids. O tratamento universal é outro objetivo da agência. No ano passado, cerca de 60% dos soropositivos recebiam os antirretrovirais, o total de pessoas com HIV é de 36,9 milhões.

Uma das preocupações do Unaids é com o oeste e centro da África, onde apenas 26% das crianças com HIV e apenas quatro em cada 10 adultos recebem o tratamento.

 

Unicef: sem mais ação, 80 adolescentes morrerão com HIV todos os dias até 2030

Janeiro 4, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da Onu News de 29 de novembro de 2018.

Fundo pede mais programas de tratamento e prevenção; novas infeções cairão para metade entre crianças, mas diminuirão apenas em 29% entre os adolescentes; cerca de 700 adolescentes são infetados com HIV todos os dias.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, estima que cerca de 80 adolescentes morrerão de Aids, ou Sida, todos os dias, até 2030.

O Unicef apela, por isso, a um aumento urgente dos programas de tratamento e prevenção entre adolescentes, uma vez que os dados mostram uma redução lenta das infeções pelo HIV e mortes relacionadas com a Sida.

Novas Infeções

Em relatório divulgado esta quinta-feira, o Fundo adianta que cerca de 360 mil adolescentes morrerão de doenças relacionadas com a Aids entre 2018 e 2030.

Isto caso não haja investimento adicional em programas de prevenção, testes e tratamento.

O relatório “Crianças, HIV e Aids: O mundo em 2030” tem como base as atuais projeções populacionais e estima que o número de crianças até aos 19 anos com novas infeções atingirá cerca de 270 mil crianças até ao final da década de 30. É uma quebra de um terço em relação às últimas estimativas.

No entanto, o Unicef considera que a trajetória de queda é muito lenta, principalmente entre os adolescentes.

De acordo com o relatório, até 2030, o número de novas infeções por entre crianças na primeira década de vida será reduzido para metade, enquanto que entre adolescentes dos 10 aos 19 anos só diminuirá em 29%.

Mais Programas

O Fundo prevê que as mortes relacionadas com Aids diminuam em 57% nas crianças com menos de 14 anos, em comparação com uma redução de 35% nas pessoas com idades entre os 15 e os 19 anos.

A diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, afirmou que “o relatório deixa claro que o mundo ainda não está no caminho certo para acabar com a Aids entre crianças e adolescentes até 2030″, por isso, admite que os “programas para prevenir a transmissão do HIV de mães para bebés estão a valer a pena, mas não foram longe o suficiente, enquanto programas para tratar o vírus e impedir que ele se espalhe entre crianças mais velhas estão muito aquém do que deveriam.”

África

O Unicef estima que cerca de 700 adolescentes entre 10 e 19 anos são infetados com HIV todos os dias, ou seja, um a cada dois minutos.

Ainda segundo o relatório, 1,9 milhão de crianças e adolescentes ainda estarão vivendo com o vírus em 2030, principalmente na África Oriental e Meridional, seguido pela África Central e Ocidental e América Latina e Caribe.

Atualmente, 3 milhões de crianças e adolescentes vivem com o HIV em todo o mundo, mais da metade deles na África Oriental e Austral.

Diagnóstico

O relatório aponta para duas grandes falhas na resposta para crianças e adolescentes: o progresso lento na prevenção entre crianças pequenas e o fracasso em lidar com os fatores estruturais e comportamentais da epidemia.

Muitas crianças e adolescentes não sabem se têm ou não o vírus, e entre aqueles que foram diagnosticados, poucos aderem ao tratamento.

Para abordar essas lacunas persistentes, o relatório recomenda uma série de abordagens, apoiadas pelo Unicef, incluindo testes centrados na família para ajudar a identificar e tratar crianças, mais tecnologias de diagnóstico, maior uso de plataformas digitais para melhorar o conhecimento entre adolescentes, entre outras.

descarregar PDF –  Children and AIDS: The world in 2030

Site –  Children, HIV and AIDS: The world today and in 2030

 

 

Contágio de VIH/sida desce 33% no Mundo

Outubro 2, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 24 de setembro de 2013.

Mais informações e relatório da UNAIDS:

UNAIDS reports a 52% reduction in new HIV infections among children and a combined 33% reduction among adults and children since 2001

clicar na imagem

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Médicos reduzem vírus da sida em bebé para níveis que permitem falar em “cura funcional”

Março 4, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 4 de Março de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Functional HIV Cure after Very Early ART of an Infected Infant

Romana Borja-Santos e com Lusa

Criança infectada à nascença por VIH foi tratada com medicamentos mais agressivos e ficou com níveis do vírus quase indetectáveis.

Um grupo de médicos norte-americanos apresentou aquele que consideram ser o primeiro caso de “cura funcional” de um bebé infectado com o vírus da sida pela mãe.

A criança tinha sido infectada à nascença pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH), transmitido pela mãe seropositiva, que desconhecia estar infectada durante a gravidez. Para os virologistas, não se trata da erradicação do vírus, mas sim do seu enfraquecimento, de tal maneira que o sistema imunitário da criança pôde controlá-lo sem medicamentos antirretrovirais.

A apresentação do caso foi feita no domingo na 20.ª Conferência Anual de Retrovírus e Infecções Oportunistas, em Atlanta, Estados Unidos, adianta a AFP. O bebé, natural do Estado rural do Mississippi, começou a ser tratado com antirretrovirais cerca de 30 horas após o seu nascimento, um método pouco habitual e que poderá ter sido a chave da mudança.

A terapêutica usada, mais agressiva e precoce, poderá explicar a cura funcional da criança, ao bloquear a formação de reservatórios virais difíceis de tratar, de acordo com os médicos. As células contaminadas “dormentes” relançam a infecção na maior parte das pessoas seropositivas, em algumas semanas após a suspensão dos antirretrovirais.

Deborah Persaud, médica e professora associada no Centro Infantil Johns Hopkins, que liderou a investigação, assegura que a criança, agora com dois anos e meio, esteve quase um ano sem medicação, período durante o qual não apresentou sinais do vírus activo. Segundo a especialista, principal autora do relatório clínico, a carga viral no sangue do bebé começou a baixar assim que começou a ser tratado.

Persaud e outros médicos garantem que a criança esteve realmente infectada com o VIH, ao responder positivo à presença do vírus no sangue em cinco testes, efectuados no primeiro mês de vida. O bebé foi tratado com antirretrovirais até ter um ano e meio, idade a partir da qual os médicos perderam o seu rasto, durante dez meses. Ao longo deste período, a criança não recebeu qualquer terapêutica. Os médicos fizeram, posteriormente, uma série de testes sanguíneos, sem detectar a presença do VIH no sangue do bebé.

Uma vida sem medicamentos
Também a médica Hannah Gay, que acompanhou a criança, adiantou ao Guardian que apesar dos níveis indetectáveis nas análises existem alguns vestígios do vírus no organismo da criança, mas que lhe permitirão ter uma vida normal e sem medicamentos já que não tem capacidade de se multiplicar.

De acordo com os virologistas, a supressão da carga viral do VIH, sem tratamento, é extremamente rara, sendo observada em menos de 0,5% dos casos de adultos infectados, cujo sistema imunitário impede a replicação do vírus e o torna clinicamente indetectável.

Novos estudos estão a ser equacionados para aferir se tratamentos precoces e agressivos, como os da criança do Mississippi, funcionam noutros bebés infectados.Os tratamentos antirretrovirais na mãe permitem evitar a transmissão do vírus ao feto em 98% dos casos, segundo os especialistas.

Contudo, o anúncio feito na conferência internacional já gerou algumas reacções entre os mais cépticos, que acreditam que a criança nunca esteve realmente infectada e que os testes apenas deram positivo logo após o parto por a mãe ter o vírus. O caso também se torna bastante particular já que os médicos nunca parariam intencionalmente a medicação se a mãe não tivesse deixado de comparecer nas consultas, escreve o Los Angeles Times.

A investigação foi financiada pelo Instituto Nacional de Saúde norte-americano (National Institutes of Health) e a Fundação Americana para a Investigação da Sida (American Foundation for AIDS Research).

Este bebé torna-se na segunda pessoa em todo o mundo em que é referida uma “cura funcional”. O primeiro caso aconteceu em 2007 mas só foi oficializado em Dezembro de 2010, quando a comunidade médica confirmou que um norte-americano, na altura com 42 anos, residente em Berlim e infectado pelo VIH, tinha desenvolvido uma leucemia aguda. A quimioterapia falhou e seguiu-se um transplante de medula óssea. Após a intervenção, as análises revelaram que o vírus responsável pela sida tinha desaparecido do seu corpo e os médicos deram-no como curado.

Portugal com transmissão residual
Em Portugal, os casos de transmissão de VIH mãe/filho já são quase residuais. Entre 1999 e 2010 nasceram 2656 crianças em risco de infecção, sendo que em 70 casos houve transmissão da mãe para o bebé, segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).

Neste momento, por ano nascem mais de 250 crianças de mães infectadas pelo vírus da sida. Em 2010, último ano com os dados totais disponíveis, nasceram 264 crianças de mães com VIH, com a taxa de transmissão nos 1,9%, o que significa que houve cinco positivos para o vírus. Ainda assim, estes são números muito diferentes dos de 1999, quando nasceram 97 crianças, seis delas infectadas, o que corresponde a uma taxa de 6,2% – a mais elevada até hoje.

A redução das taxas anuais de transmissão mãe-filho do VIH para níveis próximos do 1% até 2016 é precisamente um dos principais objectivos do Programa Nacional para a Infecção VIH/Sida em Portugal.

Reunião do Grupo de Trabalho sobre infeção VIH na criança

Setembro 7, 2012 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Por dia, 2500 jovens são infectados com o VIH, diz o Relatório “Oportunidades na Crise”

Julho 22, 2011 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Comunicado de Imprensa

A Saúde dos Adolescentes Portugueses – Relatório Preliminar do Estudo HBSC 2010

Abril 21, 2011 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Nos Labirintos da Sexualidade: Educar sem Banalizar

Março 5, 2011 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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“O CENFIPE  Centro de Formação e Inovação dos Profissionais de Educação das Escolas Associadas do Alto Lima e Paredes de Coura leva a efeito, nos próximos dias 18 e 19 de Março, em Ponte da Barca e Arcos de Valdevez respectivamente, umas Jornadas cujo tema central é a Educação Sexual em Contexto Escolar.

Colocam-se, no presente momento, algumas questões que suscitam a reflexão: que modelos de educação sexual na escola?; Que valores, objectivos e conteúdos deve incluir a educação sexual nas escolas?; Como organizar o currículo?; Como devem formar-se os professores que levam a cabo a educação sexual na escola?
O CENFIPE pretende dar um contributo inequívoco para a abertura de espaços de cidadania e diálogo que contribuam para uma escola pública em melhoria.
Trata-se de um importante debate público a desenvolver por este Centro de Formação de quem o IE é parceiro, para o qual se convocam professores, pais e encarregados de educação, técnicos de saúde, autarcas e todos aqueles que têm interesse e responsabilidades na administração da saúde e da educação.”

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Adolescentes. 70 milhões excluídos da escola e 80 milhões sem trabalho

Fevereiro 25, 2011 às 4:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do i de 25 de Fevereiro de 2011.

Relatório da UNICEF mencionado na notícia é o seguinte:

THE STATE OF THE WORLD’S CHILDREN 2011 – Descarregar o relatório Aqui

Fotografia Getty

Fotografia Getty

Unicef apresenta hoje o relatório anual e pela primeira vez aborda a situação dos adolescentes que ficaram em segundo plano face às crianças.

Há mais de 70 milhões de adolescentes no mundo que deviam frequentar o ensino secundário, mas estão excluídos da escola. Mais de 20% desta população sofre de algum problema mental ou comportamental e a depressão é a doença mais recorrente. Todos os anos são mais de 70 mil os rapazes e as raparigas que se suicidam. Há ainda 70 milhões de raparigas e mulheres entre os 15 e os 49 anos que já foram submetidas à mutilação genital, a maioria no início da puberdade. São só alguns números que vão ser hoje revelados em Lisboa pela Unicef e que constam no seu relatório “Situação Mundial da Infância 2011”, que este ano tem como tema “Adolescência: Uma Idade de Oportunidades”.

Contrariar a exploração infantil ou promover os direitos das crianças são batalhas que têm vindo a ganhar terreno em todo o mundo – nas últimas duas décadas, a taxa de mortalidade infantil desceu 33% entre as crianças com menos de cinco anos. Só que este não deve ser o único objectivo dos países que tentam quebrar os ciclos de pobreza. É preciso investir a mesma vontade e os mesmos recursos nos adolescentes, que têm ficado em segundo plano, alerta a Unicef.

O relatório “Situação Mundial da Infância” debruça-se pela primeira vez “com maior profundidade” sobre os jovens entre os 10 e os 19 anos, idade que corresponde à adolescência, de acordo com a definição da ONU. Até ao ano passado as crianças foram o centro da atenção da Unicef, que vem agora alertar para a urgência de se investir nos 1,2 milhões de adolescentes para fazer recuar a pobreza e diminuir os riscos que enfrentam. Basta recordar que “50% das perturbações mentais acontecem antes dos 14 anos”, sublinha o relatório. O fenómeno tem vindo a aumentar nas últimas três décadas e a Unicef atribui à quebra de laços familiares, ao desemprego e às ambições profissionais e emocionais que acabam por não se concretizar.

O desemprego é o grande obstáculo que esta faixa etária enfrenta. Com 81 milhões de jovens sem trabalho no mundo, o fenómeno terá tendência a acentuar-se com um mercado de trabalho cada vez mais tecnológico e uma parte da população sem acesso ao ensino médio ou superior. É por isso que a Unicef insiste na promoção de programas de formação e ainda na melhoria de políticas e na aprovação de leis que protejam os direitos dos jovens. “Prevê-se que a gravidade venha a acentuar-se no decurso da próxima década”, lê-se no relatório.

Os países em desenvolvimento são os que têm maiores dificuldades em assegurar as condições básicas e 88% dos rapazes e raparigas vivem nessa parte do planeta. Mais de metade desta população está no continente asiático. Tanto o Sul da Ásia como a Ásia Oriental e o Pacífico acolhem 990 milhões habitantes entre os 10 e os 19 anos.

O sexo feminino é particularmente vulnerável. Nos países em desenvolvimento (excluindo a China), entre as raparigas pobres a probabilidade de se casarem antes dos 18 anos é três vezes maior que entre as adolescentes nascidas nas famílias de classe média dos países mais ricos.

Uma em cada cinco adolescentes entre os 15 e os 19 anos nos países pobres está casada ou vive em união. Em África, 25% das mulheres entre os 20 e os 24 anos tiveram o primeiro filho antes dos 18 anos. Os dados disponíveis em 14 países em desenvolvimento sugerem que elas correm maiores riscos nutricionais do que eles. A anemia é a doença mais comum.

 

Ainda nascem crianças seropositivas em Portugal

Dezembro 6, 2010 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Diário de Notícias de 1 de Dezembro de 2010.

Fotografia Diário de Notícias

A transmissão do  VIH de mãe para filho caiu a pique  em 15 anos. Em 1995, era de 20% e no ano passado de apenas  2,5%

“Eu tenho um dragão dentro de mim, que mato com a comida, com a água e a dormir. Precisamos de muita coragem. Temos de comer muito. Eu como quatro pratos antes de dormir. Um dos dragões que tenho é branco, preto e vermelho. Os outros são coloridos. Não me chateio de ter o meu dragão”, explica Sara (nome fictício), de 11 anos, ao DN. O dragão já tem um nome, embora Sara nunca o diga. Chama-se VIH e é o bichinho da sida.

A menina é uma das mais de 200 crianças em Portugal que foram infectadas através da mãe, durante a gravidez, parto ou aleitamento. No ano passado, o Grupo de Trabalho sobre Infecção por VIH na Criança detectou seis casos de transmissão vertical, o que corresponde a 2,5% da totalidade dos partos de mulheres infectadas(ver infografia). Em 1995 o número estava nos 20%. Mas o ideal será chegar a 1%. No País há entre 35 mil e 40 mil pessoas a viver com o vírus.

“Portugal é um dos países onde o rastreio nas grávidas se faz com maior abrangência. Muito poucas mulheres escapam ao filtro”, explica Teresa Branco, infecciologista do hospital Amadora-Sintra, referindo-se à queda acentuada de casos de transmissão vertical.

O ano de 1995 foi chave para esta mudança. Criaram-se as linhas orientadoras para o tratamento nas grávidas, a opção pela cesariana selectiva e a medicação combinada. Mas ainda se pode fazer mais. “Os nossos maiores problemas são a gravidez não vigiada e a imigração, sobretudo mulheres que vêm de África sem acompanhamento ou tratamento”, diz ao DN Cristina Guerreiro, obstetra na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa. Também “há casos de transmissão em que a gravidez foi seguida e que têm de ser melhor estudados”, conta. Com “medicamente não é possível fazer mais”.

É preciso “assegurar que todas as mulheres são seguidas e a gravidez a planeada para reduzir ainda mais o risco”, defende Teresa Branco. Há ainda o facto de muitas desconhecerem estar infectadas. “Quando as relações se tornam estáveis, abandonam o uso preservativo sem fazerem o teste”, relata.

Sara não se lembra da primeira vez que ouviu falar do dragão e confessa que já não faz perguntas há algum tempo sobre o assunto. “Acho que a minha mãe espreitou para dentro de mim e viu como é o meu dragão. Perguntei-lhe se o podia matar, se ele era gigante e se podia fazer tudo o que quisesse.”

Conversadora, animada, sempre a saltitar na cadeira, já sabe o que quer ser quando for grande. “Veterinária ou bombeira… Não, veterinária. É isso que vou ser!”, conta, decidida. Gosta de brincar, ver televisão e está na fase em que acha que nunca vai gostar de rapazes. “A minha avó diz que só aos 18 anos e eu ainda só tenho 11!”

Sabe que tem de ter cuidados extra e que por causa do dragão tem de tomar “quatro comprimidos de manhã e quatro à noite”. “Se cair na escola vou ter com uma das auxiliares e fico como nova. É importante para as pessoas que têm dragões e doenças como eu. Há algumas pessoas que não têm doenças e que são más. Chateiam e gozam com os outros”, conta.

Sara sabe que não pode falar do dragão a ninguém. É a forma que a mãe encontrou de a proteger da discriminação. “É aconselhado aos pais que escolham uma pessoa a quem dizer e que possa agir quando necessário. Temos muitos problemas porque a discriminação começa nos professores e auxiliares”, explica ao DN Filipa Farrajota, psicóloga na Abraço.

A história do dragão foi a forma como encontraram de ajudar os mais novos a lidar com a doença. “É muito importante falar e trabalhar com eles desde crianças. Os que não são trabalhados nessa fase, que descobrem a doença na adolescência entram em negação completa”, explica.

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