5º Congresso Internacional Sexualidade e Educação Sexual: Interação, Interdependência e Interseccionalidade – com a presença do IAC- Humanização

Novembro 23, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Ana Lourenço, Drª Anabela Reis e a Drª Vera Abecasis do Sector da Humanização do Instituto de Apoio à Criança, irão participar no congresso no dia 29 de novembro com as comunicações:

P60 -Leave the toys alone, they are not girls or boys! | Deixem os brinquedos em paz, não são de rapariga nem de rapaz! Vera Abecasis, Ana Lourenço, Anabela Reis, Inês Agostinho & Melanie Tavares

PR61 -The Discovery of Being -Health Education: Sexuality | A Descoberta do Ser – Educação para a Saúde: Sexualidade Vera Abecasis, Ana Lourenço, Anabela Reis, Inês Agostinho & Melanie Tavares

PR64 -Gender issues in children’s play activity | As questões de género na atividade lúdica das crianças Ana Lourenço, Anabela Reis, Vera Abecasis, Inês Agostinho & Melanie Tavares

mais informações no link:

http://www.eventos.ciec-uminho.org/5cises/index.html

Sessão “A Descoberta do Ser” pelo IAC-Humanização na EB 2/3 Piscinas (Olivais)

Outubro 9, 2019 às 4:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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O Setor da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do IAC em mais uma sessão “A Descoberta do Ser” – educar para a sexualidade na Escola EB 2/3 Piscinas (Olivais).

Não será a vontade dos alunos a determinar a que casas de banho vão, mas sim o sexo a que pertencem

Agosto 28, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e foto do Público de 21 de agosto de 2019.

Novo diploma sobre identidade de género nas escolas está a motivar uma onda de protestos. Ministério da Educação esclarece que só alunos “em situações muito particulares” poderão escolher instalações independentemente do seu sexo de origem.

Clara Viana

O Ministério da Educação esclareceu nesta quarta-feira que o uso das casas de banho e balneários das escolas vai continuar a ser feito como até agora, respeitando a divisão por sexos. Em resposta ao PÚBLICO a propósito da polémica criada com um despacho que estipula as medidas de protecção da identidade de género nas escolas, o ministério frisa que “não está em causa, como é evidente, um uso livre de espaços [casas de banho e balneários], mas sim a salvaguarda da privacidade e intimidade de jovens em situações muito particulares”.

Num despacho, publicado no passado dia 16 de Agosto, que visa aplicar às escolas a lei da identidade de género aprovada no ano passado, são elencadas algumas medidas que visam “assegurar o respeito pela autonomia, privacidade e autodeterminação das crianças e jovens, que realizem transições sociais de identidade e expressão de género”. Entre elas figura a seguinte determinação: “As escolas devem garantir que a criança ou jovem, no exercício dos seus direitos, aceda às casas de banho e balneários, tendo sempre em consideração a sua vontade expressa e assegurando a sua intimidade e singularidade.”

Não foi preciso mais para motivar uma petição pública em prol da suspensão deste despacho, que nesta quarta-feira à noite, poucas horas depois de ter sido lançada, reunia já cerca de 17 mil assinaturas. “Uma das medidas mais polémicas deste despacho é que as escolas são obrigadas a deixarem a criança, de qualquer idade, escolher a casa de banho e o balneário de acordo com o seu ‘género’”, escreve-se na petição. Onde se refere que o novo diploma, assinado pela secretária de Estado da Igualdade e pelo secretário de Estado da Educação, mais não faz do que “oficializar a implementação da ideologia de género nas escolas”.

Nos comentários colocados pelos signatários da petição podem ler-se considerações como estas: “Não existe igualdade de género, Deus criou o homem e a mulher”; “não é o que os jovens necessitam, o que lhes pode trazer equilíbrio e felicidade é uma família estruturada. Tudo isto contribui para o oposto”; ou “o que vai acontecer nas escolas, é uma vergonha!”, entre muitas outras do mesmo estilo.

Ameaça de acção judicial

Também o líder da Juventude Popular não poupou críticas ao novo diploma, anunciando mesmo que se este não for suspenso, avançará com uma acção judicial contra a aplicação das normas ali previstas.  “A escola não é um acampamento de Verão do Bloco de Esquerda”, escreveu Francisco Rodrigues dos Santos, frisando que o despacho consubstancia “um ataque vil à liberdade de ensino e de educação”, que deve ser suspenso “com urgência e efeitos imediatos”, até que o Tribunal Constitucional se pronuncie sobre a lei da identidade do género, que está na origem do diploma de sexta-feira.

O pedido de fiscalização de constitucionalidade desta lei foi apresentado no final de Julho por iniciativa de 86 deputados do PSD e do CDS, a que juntou o socialista Miranda Calha, com base em argumentos similares aos que estão a ser utilizados contra o novo despacho. Em causa estão dois postulados do art.º 12 da lei n. º38/2018, que é orientado precisamente para o sector da educação.

“A ideologia de género tem tantos direitos como qualquer outra. Pode ser discutida e difundida, visto que vivemos num país que assegura a liberdade de expressão, mas as ideologias não podem ser ensinadas nas escolas”, justificou um dos subscritores do pedido de fiscalização.

Um dos pontos contestados neste pedido é o que estipula que “os membros do Governo responsáveis pelas áreas da Igualdade de Género e da Educação adoptam, no prazo máximo de 180 dias, as medidas administrativas necessárias para a implementação” do exercício do direito à autodeterminação da identidade de género à protecção das características sexuais das pessoas.

Como este prazo acabou por ser amplamente ultrapassado, o despacho dos secretários de Estado da Igualdade e da Educação acabou por ser publicado já depois de o pedido de fiscalização e constitucionalidade ter dado entrada no tribunal. A este respeito, o ministério esclarece que se “trata da regulamentação prevista na lei, já em curso antes do pedido de fiscalização”, acrescentando que este “não tem qualquer impacto suspensivo”.

O ME adianta ainda que este despacho “é sobre os direitos dos alunos, independentemente do nível de ensino”, que se “destina a proteger todos os jovens que, por algum motivo particular relacionado com questões de género, necessitem de ver a sua privacidade e segurança protegidas” e que as medidas previstas “contemplam questões como o direito do uso do nome auto-atribuído [escolhido pela criança ou jovem em transição de identidade]” e o seu acompanhamento “por adultos formados para o efeito”.

No diploma estabelece-se também que as escolas devem identificar um responsável “a quem pode ser comunicada a situação de crianças e jovens que manifestem uma identidade ou expressão de género que não corresponde à identidade de género à nascença”. Ainda em resposta ao PÚBLICO, o ministério refere a este respeito que todo o despacho aponta para “uma estreita articulação com as famílias, pelo que não se prevê qualquer obrigatoriedade de comunicação, mas sim a protecção dos alunos”.

À procura de likes, menores expõem intimidade nas redes sociais

Junho 28, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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DN Life

Notícia e imagem do DN Life de 7 de junho de 2019.

Numa sociedade altamente sexualizada, crianças e adolescentes partilham fotos de momentos íntimos para gerar mais interação nas redes sociais.

Texto de Joana Capucho

Mais de 110 menores foram identificados recentemente em Espanha pela partilha de conteúdos com teor sexual nas redes sociais. Em causa estão vídeos de momentos de intimidade publicados em plataformas como Instagram, Twitter ou YouTube. Segundo a Polícia espanhola, há casos em que as imagens de crianças nuas ou seminuas foram partilhadas pela família, mas existem outros em que foram os próprios menores a publicar as imagens. O objetivo, diz o comunicado das autoridades, era “conseguir novos seguidores para os seus canais do Youtube ou mais likes nas suas publicações”.

Tito Morais, fundador do MiudosSegurosNa.Net, confessa que ficou “surpreendido” quando leu a notícia, mas, após alguma análise, considera que “faz sentido” tendo em conta a sociedade em que vivemos. “Vários estudos indicam que cada vez mais as redes sociais são um mecanismo de afirmação social perante os pares, sendo conhecidos vários efeitos negativos das mesmas ao nível da saúde mental”, diz à DN Life.

Na opinião do promotor do projeto de segurança online, estas plataformas “promovem cada vez mais a superficialidade em detrimento da profundidade”. O que vale atualmente é sobretudo “o parecer”, o que se “traduz na procura do like”.

Por cá, não são conhecidos casos de crianças ou adolescentes que partilhem conteúdo sexual com o objetivo de gerar mais interação nas redes sociais. “De forma deliberada, para ter mais likes ou seguidores, não tenho noção que aconteça”, diz a psicóloga Vânia Beliz, que tem participado em várias sessões sobre os perigos da internet nas escolas. Na opinião da sexóloga, estes são “comportamentos típicos da adolescência, de pisar o risco, mas que nesta altura têm consequências mais graves”.

O facto de as crianças e adolescentes viverem “num ambiente altamente sexualizado e de saberem que o sexo e a transgressão atraem” pode ajudar a explicar o fenómeno. “Os miúdos fazem o que veem fazer. Os videoclips são altamente erotizados, assistem a filmes que não são adequados para a idade”, explica a psicóloga. Ao mesmo tempo, “estão num processo de experimentação, de transgressão, de testar os limites”. O grande problema, frisa, “é que se colocam num cenário perigoso, porque a internet tem uma capacidade de divulgação dos conteúdos brutal”.

A necessidade de reconhecimento e de dar nas vistas sempre existiu, lembra a sexóloga, “mas agora surge de uma forma mais perigosa”, porque acontece no meio digital. “Há necessidade de ser aceite, de fazer alguma coisa que suscite a atenção dos outros. Estão numa altura em que é importante ter aprovação”, refere a psicóloga, destacando que “o sexo vende, chama a atenção”.

Daniel Cardoso, professor na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias e membro do projeto EU Kids Online, também não tem conhecimento de casos como aqueles que foram relatados em Espanha. “Mas, do que tenho visto, os jovens e as jovens, como quaisquer outras pessoas com vida sexual, sexualidade, interesses íntimos e que vivem numa sociedade que sobrevaloriza a sexualidade e a experiência sexual, acabam por mobilizar as suas próprias representações, às vezes por questões motivadas pela sua própria vontade, outras vezes para fins mais instrumentais, como parece ser o caso”, refere o investigador.

A serem reais, destaca Daniel Cardoso, “este tipo de ações têm de ser lidas no contexto de uma sociedade e cultura que sobrevaloriza a questão da nudez, da sexualidade e da sexualização dos corpos”. Como estão em causa menores, o docente universitário diz que se levanta outra problemática: “Tecnicamente, o que produzem pode ser considerado pornografia infantil, o que mostra o quão pouco adaptadas à realidade as nossas leis estão”. Há um caso, recorda, de uma adolescente americana que foi detida por posse e distribuição de pornografia infantil, depois de ter enviado uma foto sua ao namorado. Em causa, frisa, estão também “questões relacionadas com a autonomia sexual”.

“Vivemos numa sociedade que hiperssexualiza os jovens e, quando estes começam a testar os seus limites, achamos que é problemático, mas não problematizamos o contexto”, diz Daniel Cardoso, que prefere colocar a questão de uma outra forma. “Que sociedade é esta que faz com que este tipo de ações faça sentido? Se fazem isto, é porque têm resultados. Que cultura é esta que incentiva e mobiliza este tipo de práticas?”.

Nem a GNR nem a PSP têm registo de casos de menores que publicam fotos ou vídeos nus. Nas escolas, conta Vânia Beliz, o mais frequente é ler testemunhos de crianças e adolescentes “que já partilharam conteúdo erótico ou íntimo, que se filmaram ou que receberam ameaças” relacionadas com o sexting. Segundo a psicóloga, os promotores das ações de sensibilização leem “coisas horríveis” quando pedem relatos escritos, como casos em que as raparigas tinham enviados nudes aos namorados que os mostraram aos amigos ou que tinham ido a festas, consumido bebidas alcoólicas e filmado situações íntimas.

Tito de Morais, que há vários anos tem vindo a alertar para esta problemática, diz que, em Portugal, o que se sabe é que “há jovens que praticam sexting e que são coagidos a fazê-lo por namorados ou namoradas”. Daí “resulta muitas vezes sextortion (para extorsão de dinheiro ou favores sexuais)” e, em alguns casos, revenge porn, ou seja, publicação de vídeos ou imagens de cariz sexual sem o consentimento do outro.

Conselhos:

  • Nunca partilhar imagens ou vídeos de cariz íntimo na internet pois, quando disponibilizados na web, perde o controlo sobre a sua utilização e partilha.
  • Acompanhar a atividade das crianças na internet e a utilização das redes sociais.
  • Informar-se de forma a aumentar a literacia digital.
  • Só permitir o acesso ao telemóvel às crianças que mostrem maturidade para trabalhar com o dispositivo.
  • Se necessário, investir em programas de supervisão para controlar a atividade dos menores online.
  • Liderar pelo exemplo: não fazer uma utilização excessiva dos smartphones e das redes sociais.
  • Criar zonas livres da utilização de dispositivos eletrónicos, nomeadamente o local da refeição e os quartos.
  • É aconselhável ter um perfil nas redes sociais onde os menores estão inscritos, mas resista à tentação de fazer comentários sem o seu consentimento.
  • Não adicionar desconhecidos.
  • Incluir os menores no processo de definição de regras, uma vez que a imposição tende a não funcionar.
  • Ter atenção a comportamentos das crianças relacionados com o isolamento, nervosismo, falta de auto estima, insegurança, absentismo escolar, perda de apetite ou apresentação de lesões físicas.

 

 

Seminário Banda Larga: Igualdade e Direitos Sexuais, 12 de junho no Porto

Junho 6, 2019 às 8:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Seminário Banda Larga: Igualdade e Direitos Sexuais, 22 de maio em Évora

Maio 15, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrição gratuita e obrigatória, através do formulário de inscrição, disponível através do seguinte link :

https://www.facebook.com/events/665593980538668/

«Educar para a sexualidade é fundamental para prevenir o abuso»

Janeiro 8, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Shutterstock

Entrevista do DN Life a Vânia Beliz no dia 4 de dezembro de 2018.

Entrevista de Ana Pago | Fotografia de Shutterstock

Porque temos tanta dificuldade em conversar abertamente sobre sexo com os mais novos?

Na maior parte das vezes, a dificuldade surge do que as famílias entendem por sexualidade, que ultrapassa em muito o falar de sexo. Numa sociedade marcada pelo conservadorismo e ainda muito religiosa, prazer e satisfação são temas complicados, o que torna difícil ter à-vontade para abordá-los com os mais novos.

Nem é só a questão do falar: é não saber, ao certo, como começar a fazê-lo…

As famílias educam para a sexualidade desde o nascimento, e mesmo antes disso já há uma série de fantasias que vão influenciar a forma como se educa meninos e meninas. A partir do momento em que aprendem a falar, a curiosidade infantil dispara perguntas muitas vezes difíceis, mas a idade para perguntar é também a idade para saber. De forma adequada à maturidade das crianças, as famílias devem responder-lhes e perceber se elas aprenderam o que lhes foi explicado. As perguntas vão-se tornando mais complexas à medida que crescem.

Escreveu o livro Chamar as Coisas pelos Nomes (ed. Arena) porque essa é outra dificuldade dos adultos. Que palavras ainda temos vergonha de usar?

Temos vergonha de falar, por exemplo, dos nossos genitais. De dizer pipi, pilinha, há temas que nos coram e nos deixam acanhados. Ainda existe muito medo, muito constrangimento. E a questão que se coloca é: porque temos vergonha de explicar como nos reproduzimos? De falar de menstruação? De prazer? Como podemos ignorar temas que são da área da saúde e chegam a comprometer a nossa felicidade?

Quando é que a criança está pronta, de facto, para falar de sexualidade?

Quando pergunta sobre isso. Os temas surgem de acordo com a idade e a curiosidade dela e devem ser respondidos de forma objetiva, sem metáforas.

Esta é uma função da escola, educar para a sexualidade? Dos pais? De ambos?

De ambos. A escola deve educar para o respeito do outro, para a proteção e para temas que respeitem os direitos humanos. A educação formal não vai contra os valores das famílias nem incentiva a prática sexual. É um complemento na educação para a saúde das crianças e jovens e deve ser feita também por profissionais habilitados, devidamente formados, com um perfil apropriado às exigências dos mais novos.

O mais importante é ensinar às crianças o que é amor, intimidade, respeito pelo seu corpo e o do outro?

As crianças aprendem muito cedo a expressão dos afetos pelas relações que são estabelecidas consigo e com quem as rodeia, por isso a forma como as famílias vivem a sua intimidade, como se relacionam com o corpo e com a diversidade sexual, transmite-se às crianças e jovens. Por exemplo, uma família que tenha comportamentos homofóbicos pode transmitir isso aos filhos. Aqui, a escola tem a oportunidade de desmontar esta realidade que não respeita a liberdade de quem é diferente.

No fundo, tem tudo que ver com o modo como os pais lidam com a sexualidade deles…

Um pai ou uma mãe que tenha problemas com a sua nudez e autoestima terá dificuldade em transmitir isso aos filhos. Mas depois há muitos temas em relação aos quais estará sempre lá alguém para sugestioná-los caso não tenham sido acordados para eles em casa, veja-se o acesso rápido à pornografia e a erotização precoce. As famílias precisam de compreender a importância que educar para a sexualidade tem em problemas graves da nossa sociedade, como a prevenção do abuso ou a violência sexual e de género. Não é só sexo: é estarmos a educar para a saúde, para o bem-estar e para a felicidade.

Vânia Beliz é mestre em Sexologia e doutorada em Estudo da Criança na especialidade de Saúde Infantil

 

Ainda é difícil aos pais falar com os rapazes sobre preservativos

Janeiro 5, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 18 de dezembro de 2018.

Os adolescentes que não conseguem falar com os pais podem falar com os médicos sobre sexo seguro.

Reuters

Muitos rapazes querem que os seus pais falem com eles sobre preservativos. Mas um estudo feito nos EUA revela que estas conversas são complicadas e deixam os jovens com ideias confusas sobre o que é praticar sexo seguro.

O estudo foi feito pelo Centro de Saúde para Adolescentes e Famílias Latinas da cidade de Nova Iorque, a partir de entrevistas feitas a 25 pares constituídos por pai e filho de origem afro-americana ou latina, que vivem em bairros onde a taxa de gravidez na adolescência e os casos de infecções sexualmente transmissíveis são muito superiores à média nacional.

A pesquisa revela que a maioria dos pais e filhos falaram sobre sexo, mas muitos dos pais sentiram-se mal preparados para explicar as complexidades do uso do preservativo. Muitos dos adolescentes tinham apenas uma ideia vaga da importância de usar preservativo e não tinha um claro entendimento de como ter sexo seguro.

“Descobrimos que os pais muitas vezes referem o uso de preservativo, mas em termos gerais”, afirma o principal autor Vincent Guilamo-Ramos, director do Centro de Saúde para Adolescentes e Famílias Latinas.

No entanto, os pais raramente se sentem à vontade para dar orientações específicas sobre o uso correcto e consistente ou sobre os erros e problemas comuns com preservativos, como aplicá-lo tarde demais ou o que fazer quando se rompe, explica Guilamo-Ramos por e-mail.

As idades médias eram 17 para os filhos e 44 para os pais – o que significa que muitos dos pais atingiram a maioridade nos anos 1980, quando a educação sexual muitas vezes se concentrava na abstinência, em vez de tomar decisões informadas sobre o controlo da natalidade.

Os jovens do estudo declararam que queriam ouvir os seus pais sobre esse tema e esperavam que fossem eles a iniciar uma conversa sobre o mesmo. Como disse um adolescente: “Eu quero que ele diga que quer falar sobre algo importante e que isso beneficiará meu futuro.”

Outro adolescente ressaltou a importância de ter os factos para evitar erros: “A coisa mais importante é usar o preservativo, como colocá-lo no caminho e estar ciente do que estamos a fazer quando o usamos.”

Por seu lado, os pais revelaram a necessidade de eles próprios aprenderem algo sobre o tema e expressaram interesse em ter recursos educacionais para ajudá-los a prepararem-se para conversar com os filhos. “Estou disposto a ensiná-lo o máximo possível, tudo o que ele precisa saber, mas se estou ensiná-lo, na verdade também estou a aprender”, disse um dos progenitores entrevistados.

De salientar que o estudo não prova que conversas entre pais e filhos sobre preservativos teriam impacto na saúde sexual ou nas opções contraceptivas dos adolescentes. Ainda assim, os resultados sublinham a importância de os pais terem uma comunicação frequente, contínua e aberta com adolescentes sobre sexo, defende Kate Lucey, da Universidade Northwestern, e do Hospital Infantil de Chicago Ann & Robert H. Lurie.

“Doenças sexualmente transmissíveis como gonorréia, clamídia e sífilis, estão em alta entre os adolescentes, e o uso de preservativos é uma das melhores maneiras de preveni-las”, acrescenta Lucey. Os adolescentes que não conseguem falar com os pais podem falar com os médicos sobre sexo seguro, conclui.

 

Lançamento do livro de Vânia Beliz “Chamar as coisas pelos nomes : como e quando falar sobre sexualidade” 19 setembro FNAC Chiado 19.00 horas

Setembro 18, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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CHAMAR AS COISAS PELOS NOMES: Como e quando falar sobre sexualidade.

Editora Arena

Convido-vos a conhecer o meu novo livro dirigido às famílias, aos educadores e às educadoras. “Chamar as coisas pelos nomes” é o meu desafio de oferecer, a quem educa, estratégias simples para que se possam abordar com crianças e com jovens alguns dos temas mais importantes da sexualidade. O prefácio de Jorge Ascensão, Presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, é o ponto de partida do reconhecimento da importância desta temática na educação para a saúde.

Porque falar de sexualidade ultrapassa, em muito, a temática do sexo, convido-vos a descobrir como podemos promover a saúde e o bem-estar das nossas crianças desde o nascimento. Educamos para a sexualidade desde que nascemos, e a forma como nos comportamos e como educamos meninos e meninas é um ponto de partida importante para o sucesso das nossas relações. A forma como viveremos a nossa intimidade e como construiremos a nossa felicidade depende sempre da forma como integramos a nossa identidade, de como lidamos com o nosso corpo e as suas transformações, e de como vivemos os primeiros relacionamentos… Será que sente ter competências para abordar todos estes temas importantes?

E as questões da identidade: quem sou e como sou? a puberdade e a adolescência? Bem, “Chamar as coisas pelos nomes” poderá ser, assim, uma ferramenta que considero importante para todos e para todas que se preocupam com a felicidade dos seus filhos e das suas filhas, e que querem responder eficazmente a todas as perguntas e desafios que surgirem.

De forma objetiva e sem medo, chamemos as coisas pelos nomes!

O meu obrigada

Vânia Beliz 

 

Elas perguntam, nós respondemos – Sexualidade

Agosto 7, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://expresso.sapo.pt/ de 9 de julho de 2017.

Falar de sexualidade com as crianças pode não ser fácil, mas não deve ser evitado. E é melhor aguardar pelas interrogações do que as suscitar. Elas só acontecerão se existir espaço para isso — e esse espaço é construído desde o berço

Luciana Leiderfarb  texto

Carlos Esteves  infografia

Há sempre um momento em que a nossa criança formula a pergunta de um milhão. Aquela que sabíamos que viria, mas que não estamos preparados para responder — ou, pior ainda, que achávamos que ela não estava preparada para sequer perguntar. Por mais comunicação que exista entre pais e filhos, abordar o tema da sexualidade pode nem sempre ser fácil ou simples. E atire a primeira pedra quem não tiver desviado o assunto pelo menos uma vez.

“Muitos pais têm medo do que ouvem por parte dos filhos, e podem não responder logo. Podem até dizer: ‘tenho de pensar sobre isso’, de forma a terem tempo para encontrar as palavras certas. Mas não podem não responder”, diz Sofia Nunes da Silva, psicóloga e terapeuta familiar no Hospital de Santa Maria. Nestas coisas, o silêncio não é uma opção. E, se por acaso o tiver sido, não é na adolescência que ele será quebrado. “Essa ideia é irrealista e errada. Quem não tiver criado esse canal de comunicação até à puberdade, não o vai criar a partir daí. O silêncio mostra que este é um tema incómodo. E pode fazer com que a criança não exteriorize as suas dúvidas ou o faça só com os pares — que nem sempre têm informação completa ou estruturada”, complementa Duarte Vilar, diretor executivo da Associação para o Planeamento da Família (APF). “O silêncio é horrível”, continua Sofia Nunes da Silva. “É um sinónimo de indiferença.”

Dito isto, e tendo mesmo que falar, há várias formas de o fazer. E convém mesmo não evitar ou contornar os assuntos. Desde as primeiras perguntas mais ‘básicas’ às mais tardias e elaboradas, a linguagem deve ser “simples e verdadeira”, aconselha o urologista Manuel Mendes Silva, autor do livro “A sexualidade explicada às crianças”. “Aos seis anos, deve-se esperar que seja a criança a colocar as questões. A partir dos oito, já se pode ser mais proativo”, explica o clínico. Quer isto dizer, reformula Sofia Nunes da Silva, que os adultos têm de ouvir mais do que falar, aguardar que seja a criança a trazer as temáticas, tentando não antecipar as suas perguntas. Fazê-lo pode provocar ansiedade, sentimentos de incompreensão, ou aquilo que os pais mais temem: “Suscitar curiosidades deslocadas para a idade dos filhos e levá-los a uma exploração para a qual não estão ainda preparados.”

Se toda a pergunta é sempre um começo atrás do qual se escondem muitas outras, ela representa também o fim e a finalidade de um longo processo. A pergunta acontece porque, desde a nascença, foi criado espaço para tal. “A criança não quer falar do que não lhe interessa, pelo que é preciso esperar que ela ‘puxe’ o assunto. Mas isto só ocorre se ela sentir que os pais estão disponíveis.”, comenta Duarte Vilar. A disponibilidade constrói-se. Para Sofia Nunes da Silva, a chamada ‘educação sexual’ mais não é do que a educação dos afetos, “o modo como a criança se relaciona com os outros”. Por isso mesmo, “começa no berço”: “Inicia-se na relação da criança com os pais e com os irmãos. Com eles, ela aprende os limites e o respeito pelo próprio corpo e o do outro, e adquire as noções fundamentais que, mais tarde, serão a base da sexualidade adolescente.” Desde cedo, defende a psicóloga, espera-se dos pais uma postura recetiva do que as crianças têm para dizer.

E elas não se expressam de qualquer maneira. Duarte Vilar aconselha a que os pais não procurem “ter ‘a’ conversa”. “Resumir tudo numa conversa formal é uma ideia antiquada. Numa família, a comunicação é informal e constrói-se em torno de comentários, de respostas, do que os miúdos ouvem fora de casa, do que passa na televisão. Há muitas formas de conversar”, opina o sociólogo. Por outro lado, as próprias dúvidas que os jovens colocam vão também alterando a configuração. “Não adianta pensar que se já explicamos uma coisa, a criança não precisa de voltar a falar disso. Ela compreende, a cada momento, o que tem a capacidade de compreender. E vai aprofundando os assuntos.”

“Se os jovens têm dúvidas e perguntas é porque são capazes de entender as respostas”, concorda Margarida Gaspar de Matos. E a escola tem igualmente de participar no processo. Porém, por mais legislação que exista, é urgente haver continuidade. “O que falha? O facto de nem sempre se achar que a educação para a saúde é importante. Faz-se um grande investimento e depois interrompe-se o processo.” Coordenadora do projeto Aventura Social, que integra o Health Behavior in School-aged Children, da Organização Mundial da Saúde, a psicóloga relembra algumas das conclusões do estudo de 2014 sobre a vida dos adolescentes — o próximo será divulgado em janeiro de 2018. Entre elas, a ênfase dada nas escolas à prevenção do risco sexual e não tanto à abordagem da sexualidade em termos de “competências pessoais, relações interpessoais, de equidade de género e de direitos humanos”.

O problema surge quando a educação sexual “é dada como matéria” estritamente ligada à saúde, à biologia e às ciências da natureza, dispensando o debate em torno dos comportamentos e das relações afetivas. Em última instância, frisa Gaspar de Matos, é esse lado da aprendizagem que mais tarde irá prevenir situações de abuso ou de violência sexual, ou que irá fixar a noção de consentimento sexual. “A educação sexual na escola trouxe melhorias, como uma diminuição da gravidez adolescente [segundo os últimos dados do INE]. E há escolas a fazer grandes trabalhos. Só que o panorama é muito desigual e o Ministério da Educação deveria garantir que todas as escolas cumpram os mínimos”, diz Margarida Gaspar de Matos, para quem a mera existência de gabinetes de apoio à saúde não garante que estes funcionem eficazmente. Para tal acontecer, é necessário voltar a treinar os professores, pois “não é com um PowerPoint que se esclarecem as dúvidas” dos mais novos.

Para Margarida Gaspar de Matos, cabe à escola dar o que, por vezes, a família não consegue. Por exemplo, a orientação necessária face às tecnologias, onde as crianças obtêm todo o tipo de informações nem sempre fiáveis. “Os pais podem ser ajudados não só a falar com os filhos mas também a orientá-los na procura de informação.” Para Duarte Vilar, “a educação sexual na escola tem de ser consistente e regular, e não resumir-se a uma conversa a cada cinco anos”. Agora, o recém-homologado Referencial de Educação para a Saúde — uma espécie de guia da educação para a saúde em ambiente escolar — pode significar o preenchimento deste hiato e a reativação desse espaço no ensino. E um simples relance pelos seus conteúdos mostra que o lado físico da sexualidade surge a par do relacional. A secção respetiva chama-se “Afetos e Educação para a sexualidade” e foca subtemas como a identidade e género, os valores e os direitos sexuais e reprodutivos.

DESENVOLVIMENTO DA SEXUALIDADE

0-3 anos O bebé torna-se consciente do seu corpo e começa a explorá-lo. Precisa de ser tocado e acarinhado. Aprende se é rapaz ou rapariga.

4-6 anos Surgem a curiosidade sobre a reprodução e a fase dos ‘palavrões’. A exploração do corpo traduz-se em jogos. Nascem as amizades preferenciais.

7-9 anos Aparece o sentimento de pudor. Faz-se menos perguntas sobre sexo. Meninas e meninos juntam-se em grupos à parte.

10-15 anos Iniciam a puberdade e, a seguir, a adolescência. Há mais interesse pela sexualidade. Nas raparigas aparece a menstruação. Nos rapazes, a primeira ejaculação. A masturbação em ambos aumenta. Um novo corpo começa a desenhar-se.

16-18 anos A orientação sexual é agora clara. As experiências sexuais consolidam-se na relação com o outro. Há uma cada vez maior independência dos pais.

Fonte: OMS, Policies for Sexuality Education in the European Union, 2013

 

 

 

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