“Sexting” cresce entre os adolescentes

Março 4, 2018 às 6:24 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 27 de fevereiro de 2018.

Nos últimos dez anos, cresceu o número de crianças e jovens que enviam e recebem mensagens sexuais explícitas

A troca de mensagens sexuais – “sexting” – entre adolescentes e crianças mais novas aumentou ao longo da última década, indica um novo estudo publicado esta segunda-feira na revista JAMA Pediatrics. De acordo com a investigação, um em cada quatro jovens disse ter recebido mensagens de cariz sexual e um em cada sete revelou ter enviado.

O estudo, que pode ser consultado aqui, foi divulgado pela CNN e revela que a pesquisa incluiu dados de 39 projetos de inquéritos realizados entre janeiro de 1990 e junho de 2016, com um total de 110.380 participantes, todos com menos de 18 anos – incluindo alguns jovens de 11 anos.

Os investigadores concentraram-se nos dados desde 2008 e encontraram um aumento no “sexting” – (contração de sex e texting), um anglicismo que se refere à divulgação de conteúdos eróticos e sensuais através de telemóveis.

O aumento do número de jovens envolvidos no envio ou receção de fotografias ou mensagens sexualmente explícitas correspondeu ao acesso em cada vez maior a telemóveis. Conscientes dessa tendência, os autores do estudo sugerem que “informações específicas sobre o sexo e suas possíveis consequências devem ser regularmente fornecidas como uma componente da educação sexual”.

Na verdade, não está a acontecer nada de novo, a não ser a introdução da tecnologia na equação. Os investigadores descobriram que os adolescentes que se envolvem em “sexting” fazem-no como uma maneira de começar a explorar a atração que sentem por outras pessoas.

“À medida que os adolescentes envelhecem vamos ver estes números a crescer… Tal como acontece no comportamento sexual real”, disse o co-autor do estudo, Jeff Temple, professor de psiquiatria na Universidade do Texas.

 

 

 

 

Raparigas partilham fotos íntimas porque são pressionadas por eles

Janeiro 8, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 8 de janeiro de 2017.

Pressão, manipulação e ameaças são as estratégias adoptadas pelos rapazes adolescentes para obter fotografias íntimas das raparigas. As jovens sabem que devem dizer não mas muitas vezes cedem, diz estudo. Especialistas avisam que a prática é cada vez mais comum entre os jovens portugueses, que muitas vezes não estão conscientes dos perigos.

Rita Marques Costa

“Por favor, ajudem-me… Eu gosto mesmo deste rapaz, mas ele usa-me. Está sempre a falar de sexo, quer fotos minhas e fica chateado quando não o faço. O que devo fazer? Estou tão confusa…” Este é um dos excertos publicados no estudo de uma investigadora norte-americana da Northwestern University, Sara Thomas, que avalia as razões que levam as raparigas adolescentes a enviar fotografias íntimas de si próprias ou a optar por não fazê-lo.

Os 462 depoimentos analisados foram deixados no site A Thin Line – uma iniciativa do canal MTV para combater o bullying digital e outros abusos entre adolescentes – entre 2010 e 2016, por raparigas que tinham, em média, 15 anos.

Quase 40% das jovens que recorreram à plataforma para partilhar a sua experiência justificaram o envio de fotos íntimas com a coerção exercida pelos rapazes. Na maior parte das vezes, na forma de pressão e ameaças.

A vontade de agradar o namorado ou conquistar um potencial parceiro e a persistência dos remetentes também figuram como motivações para estas jovens.

Em Portugal, apesar do fenómeno ainda ser pouco estudado, alguns psicólogos e investigadores que trabalham a área do ciberbullying arriscam dizer que a realidade não será muito diferente da descrita no estudo.

Quanto às motivações para a partilha, em muitos casos, “não o fazer é demonstrar fraqueza”, diz Tito de Morais, responsável pelo projecto Miúdos Seguros na Net. Luís Fernandes, psicólogo na Associação Sementes de Vida, reforça que há uma grande “vontade de agradar”.

 

Desejo também conta

O fenómeno é tão comum “que os pais nem imaginam”, nota Luís Fernandes. O psicólogo adianta que, por enquanto, esta será uma tendência “crescente”.

Porém, se é verdade que existe este lado negro da exposição e abuso, também há que ter atenção para não “diabolizar” a prática, nota Tito de Morais. O especialista detalha que esta é “uma forma dos jovens expressarem a sua sexualidade”, cada vez mais comum e na maior parte das vezes “não tem consequências”.

Para Sónia Seixas, doutorada em psicologia pediátrica pela Universidade de Coimbra, as experiências com a sexualidade e o corpo do outro, comuns na adolescência, passam a “deixar um rasto digital, quando antes eram estritamente presenciais”. Isto faz com que partilhas, neste caso de fotos íntimas, que inicialmente eram inocentes podem tornar-se abusivas com o fim de uma relação.

A psicóloga admite que quando as imagens são divulgadas publicamente, a situação é vista como “humilhante” para as raparigas. Já para os rapazes esse não é o caso. “Ainda se nota esta dinâmica”, mas “as mentalidades estão a mudar”, comenta Sónia Seixas.

Aceitam termos impostos pelos rapazes

Ainda assim, no estudo da investigadora norte-americana, só em 8% dos depoimentos analisados as raparigas disseram ter enviado as suas fotografias íntimas por desejo.

A investigadora resume no seu estudo: “quando confrontadas com este tipo de pressão, as raparigas aquiescem aos termos impostos pelos rapazes no que diz respeito ao envolvimento romântico e sexual”. Contudo, “se bem que a maioria das raparigas assume a responsabilidade de negociar e gerir todas estas pressões, também reportam alguma confusão e insuficiência de recursos para lidar com este tipo de questões”.

Quanto à intensidade dos fenómenos de coerção noutros países, Sara Thomas comenta ao PÚBLICO que “há mais países que têm de lidar com este fenómeno”. Contudo, não é algo exclusivo de uma faixa etária. “Se acontece entre adultos, também vai acontecer entre jovens.”

Estratégias para os pais e adolescentes

Apesar das estratégias de “sexting seguro” que alguns sugerem, como não captar o rosto ao tirar este tipo de fotografias ou utilizar plataformas onde o período de vida das imagens é limitado, ainda é possível ver o remetente das imagens ou fazer uma captura de ecrã. Tito de Morais diz que compreende esta prática, mas não a recomenda “nem a jovens nem a adultos”.

A educação ocupa um papel importante na prevenção deste tipo de comportamentos.  Especialmente no sentido da “assertividade” para que os jovens percebam que não devem fazer aquilo que não querem ou não acham correcto.

Mas quando o mal está feito e as vítimas são os jovens, há várias coisas que podem ser feitas. Para já, “a comunicação é essencial”. Os jovens devem saber com quem contar e quando já há um canal de comunicação “é mais fácil”, diz Luís Fernandes.

Os pais também devem estar atentos aos comportamentos dos jovens. “Quando os miúdos começam a evitar as tecnologias, mostram-se nervosos e manifestam alterações de comportamento” há motivos para desconfiar. O facto dos pais serem pouco conhecedores do mundo digital não ajuda.

 

 

Sexting

Dezembro 20, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Mais tiras no link:

http://www.seguranet.pt/pt/tiras-bd-seguranet

Sexting – Vídeo da SeguraNet

Novembro 9, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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http://www.seguranet.pt/

Crees que tu hijo comparte contenido sexual en el móvil?

Outubro 30, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do blogue https://rincondelbibliotecario.blogspot.pt/ de 12 de outubro de 2017.

El diálogo abierto en el entorno familiar y la concienciación son claves para prevenir el uso inadecuado de las tecnologías por parte de los menores.

Aunque el intercambio de material sexual a través de redes sociales y servicios de mensajería instantánea (sexting) no es algo exclusivo de los menores de edad, sí que es importante estar vigilantes en los colegios y en el entorno familiar para concienciar y minimizar así las posibles consecuencias que pueda acarrear esta práctica.

En muchas ocasiones, las exparejas comparten fotos y vídeos íntimos como venganza

Cuando alguien decide enviar contenido íntimo debe saber que éste deja de estar bajo su control. En ese momento, es la otra persona quien pasa a tener el control de ese material y, en muchas ocasiones, puede utilizarlo a modo de chantaje o como venganza. En el caso de los adolescentes, muchas veces son las exparejas las responsables de subir a Internet o compartir por mensajería instantánea las fotos o videos de contenido sexual por despecho o por venganza, según advierte la Oficina de Seguridad del Internauta, un servicio puesto en marcha por el Ministerio de Energía, Turismo y Agenda Digital en colaboración con el Instituto Nacional de Ciberseguridad (INCIBE).

Pero, ¿cómo debemos actuar en casa y en el colegio? El Observatorio de la Seguridad de la Información (OSI) en la Guía sobre adolescencia y sexting: qué es y cómo prevenirlo, ofrece una serie de pautas.

Pautas para prevenir el sexting

* 1. Informarse de forma conjunta:

Existen diversas organizaciones y empresas que ofrecen información sobre las situaciones en las que pueden encontrarse los menores en internet. Es importante hacerlo para fomentar un clima de confianza y descubrir de forma conjunta los riesgos. Por ejemplo, desde el propio INCIBE se ha puesto en marcha un teléfono de atención para que tanto menores como padres y docentes expongan sus dudas.

Por su parte, Orange ha lanzado la iniciativa Por un uso Love de la tecnología, que pretende mostrar a las familias las consecuencias del mal uso de las redes sociales y los dispositivos móviles. La compañía quiere convertirse así en fuente de información y de reflexión para las familias y lograr un uso responsable de la tecnología.

Así se habla del sexting en familia

  1. Hablar de privacidad:

Es importante insistir en la prevención y, para ello, los menores tienen que ser conscientes de los riesgos que corren al exponer sus datos personales y sus fotos más íntimas públicamente.

Hay que exponer los riesgos posibles y poner ejemplos de casos de actualidad. Debe hacerse en un ambiente de confianza que facilite que el menor exponga sus ideas y problemas y así reflexione sobre las posibles consecuencias. Es importante que los padres, madres y educadores sean capaces de trasladar a los menores la confianza suficiente como para que, ante una incidencia en la Red, recurran a la opinión experta de un adulto. Orange, dentro de la iniciativa, ha potenciado ese diálogo dentro de las familias para que los menores puedan explicar a sus padres en qué consiste el sexting y expongan sus impresiones sobre esta práctica.

* 3. La factura bajo control

El Observatorio para la Seguridad en Internet afirma que, según varios estudios, el porcentaje de menores que practican sexting se quintuplica entre los que pagan totalmente sus propias facturasde teléfono frente a los que no lo hacen o solamente pagan una parte. Pagar sus propias facturas puede generar en el menor una sensación de autonomía y madurez (incluso anonimato) que le lleve a sobrevalorar sus razonamientos y percepciones de seguridad.

* 4. El ordenador, en las zonas comunes

El sexting no es una práctica que sólo se lleve a cabo a través de los smartphones, sino que los ordenadores también juegan un papel clave. Por eso, es importante colocar el ordenador en un lugar común de la casa, algo que evitará situaciones de sexting. Si el equipo se encuentra en la habitación del menor, será más fácil encontrar momentos de intimidad para realizar contenidos sexuales, mientras que si está en una zona común a la vista del resto de miembros de la familia, se reduce.

* 5. Instalar sistemas de control parental

También existen sistemas de control parental que pueden limitar e informar sobre el uso que el menor hace del ordenador.

Fuente bibliográfica

¿Crees que tu hijo comparte contenido sexual en el móvil? [en línea], [sin fecha]. [Consulta: 13 octubre 2017]. Disponible en: http://www.elmundo.es/promociones/native/2017/10/09/index.html.

 

Já está disponível para download o InfoCEDI n.º 72 sobre Segurança Infantil na Internet

Outubro 27, 2017 às 1:30 pm | Publicado em CEDI | Deixe um comentário
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Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 72. Esta é uma compilação abrangente e atualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre Segurança Infantil na Internet.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line. Pode aceder a esta publicação AQUI.

Menina de 12 que enviou foto a pedófilo pode ficar com registo criminal

Setembro 26, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jn.pt/de 17 de setembro de 2017.

Foto: Arquivo/Global Imagens

 

Uma menina de 12 anos, residente no sul de Inglaterra, pode enfrentar acusações depois de ter enviado uma fotografia do próprio corpo para um homem que a assediava na Internet.

Segundo o britânico “Independent”, especialistas da área da exploração infantil advertiram a mãe da jovem para a hipótese de a filha poder ficar com registo criminal, uma vez que é ilegal partilhar imagens explícitas de menores, ainda que a pessoa que as envie seja também menor.

O suspeito que coagiu a menina a enviar a fotografia ainda não foi detido. O homem tê-la-á contactado, através de um perfil falso, pelo serviço de mensagens privadas do Instagram, onde a abordou e revelou as intenções.

A jovem recusou os sucessivos pedidos feitos pelo alegado pedófilo, mas, algumas mensagens depois, acabou por enviar uma fotografia onde expunha o corpo.

Quando a mãe da jovem teve acesso às mensagens, entrou em contacto com o Centro de Exploração Infantil e Proteção na Internet (CEOP) – um braço da agência governamental “National Crime Agency” (NCA) – que reportou o caso à polícia.

Depois de as autoridades terem falado com a menina e revistado o iPad onde trocava mensagens com o sujeito, um oficial do CEOP alertou a mãe para a possibilidade de esta enfrentar uma acusação.

“Nem quis acreditar. Como é que a vítima pode acabar com cadastro? É uma miúda nova e inocente que cometeu um erro”, disse a mãe ao jornal “The Sunday Mirror”, acrescentando que já se questionou se fez bem em reportar o caso.

mais informações na notícia:

Schoolgirl groomed online by paedo could face CHARGES after she was pressured into sending topless snap

 

Net com Consciência – Sexting

Setembro 10, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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mais vídeos no link:

https://www.youtube.com/user/PTinternetsegura/videos

Sexting: os perigos reais da intimidade virtual

Setembro 9, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 31 de agosto de 2016.

Com os smartphones, o sexting ganhou uma nova dimensão. Do envio de mensagens marotas passou-se para a troca de imagens e vídeos eróticos. O perigo desta prática é real e pode estar escondido nas teias da internet. Conheça os principais cuidados relativos ao sexting na galeria de imagens. (Fotografia Getty Images)

Com os smartphones, o sexting ganhou uma nova dimensão. Do envio de mensagens marotas passou-se para a troca de imagens e vídeos eróticos. O perigo desta prática é real e pode estar escondido nas teias da internet. Conheça os principais cuidados relativos ao sexting na galeria de imagens. (Fotografia Getty Images)

Por: Ana Pago

Ilustração Shutterstock

A troca de conteúdos eróticos entre parceiros é um fenómeno. Que perigos esconde?

No início era um envio de mensagens marotas (sex) por sms (texting). Depois vieram os smartphones e o sexting e a respetiva troca de conteúdos eróticos ganhou outra sofisticação ao incluir fotografias e vídeos. Com aplicações como Whatsapp, Snapchat, Viber ou Skype, os perigos de a nossa intimidade cair em mãos erradas são agora imensos. O verão torna os utilizadores mais disponíveis para esta prática.

Quando Jessica Logan se despiu, não era bem aquilo que tinha em mente. A jovem nunca previu a iminência do fim. Fotografava o próprio corpo com um telemóvel e só pensava na surpresa que o namorado teria ao receber aquelas imagens. No fundo, só queria dizer «Dou-me a ti porque estou apaixonada». Aos 18 anos, não se lembrava de algum dia se ter sentido tão atraente. Mas o namoro terminou. E o namorado que passou a ex partilhou as fotografias reveladoras com amigos, que as distribuíram por outros via Facebook, MySpace e sms num crescendo de violência psicológica difícil de conter.

No mesmo quarto onde fez sexting durante meses, a linda e desinibida Jesse enforcou-se, tornando-se em 2008 a primeira vítima mortal conhecida pelo uso irresponsável (do namorado) do fenómeno de troca de mensagens eróticas, com ou sem imagens, via telemóvel, chats ou redes sociais.

«Registar fotografias ou vídeos da nossa intimidade em formato digital é dar o primeiro passo para perdermos o controlo sobre ela», alerta Tito de Morais, fundador do projeto MiúdosSegurosNa.Net para ajudar famílias e escolas a promover a segurança online dos jovens. O dispositivo pode avariar-se, perder-se, ser roubado, alvo de intrusão ou de um acesso indevido acidental. «O que era privado torna-se público e, com a internet, a audiência para esses conteúdos escala exponencialmente.» Muitas vezes as vítimas acabam perseguidas, ameaçadas, afastadas à força da vida que faziam antes da sobre-exposição online. Sobretudo no verão, diz: «Além da quantidade de fotografias em biquíni suscetíveis de reprodução não consentida e descontextualizada, as férias são uma época de novos namoros, desinibição e experiências sexuais, exprimíveis através do sexting.»

Uma vez enviado um vídeo ou fotografia de natureza erótica, ninguém sabe que usos lhe podem dar recetores mal-intencionados, confirma Sofia Rasgado, coordenadora do Centro Internet Segura, um projeto da responsabilidade da Fundação para a Ciência e Tecnologia, que envolve outros organismos públicos e privados, com vista à disponibilização de informação para proteção e prevenção de riscos no uso da internet. Facto: não é novidade duas pessoas envolvidas numa relação séria trocarem material «quente» entre si. Facto: fazê-lo sempre implicou o risco de esse conteúdo poder ser usado contra quem o partilhou. «O problema hoje decorre, porém, de o fenómeno ser especialmente comum entre adolescentes e jovens adultos, criados com as novas tecnologias de comunicação e informação», diz a responsável. Se por azar uma imagem cai nas mãos erradas, a velocidade vertiginosa a que tudo se processa fará que seja enviada, copiada e partilhada em múltiplas plataformas, sem controlo possível.

«Não existem dados claros de que as mensagens puramente textuais caíram em desuso, contudo vemos que uma das aplicações mais descarregadas entre jovens é o Snapchat, que permite o envio de conteúdos multimédia (texto opcional) que se autodestroem passados 15 segundos», diz Sofia, ciente do tráfego de cariz erótico a circular por este meio. Daí o aviso: «Apesar de a aplicação dizer que destrói estes conteúdos, eles podem ser registados com métodos digitais (capturas de ecrã) ou analógicos (filmar o dispositivo quando recebe mensagens). Há ainda a possibilidade de serem armazenados, de forma não autorizada pelos utilizadores, em servidores passíveis de sofrerem ataques que resultem em partilha/publicação indevida.»

E de repente, sem querer, ficamos sujeitos a exposição pública, humilhação, chantagem, exclusão e vergonha, que podem conduzir a estados depressivos e até automutilação ou suicídio.

«O sexting tornou-se uma moda, uma mudança comportamental associada à revolução dos smartphones e das redes sociais. Passámos do erotismo como um tabu para o extremo de expor o que faz sentido manter na intimidade », diz a psicóloga e terapeuta sexual Cristina Mira Santos.

«Assistimos a uma excessiva erotização social e mediática do corpo, a que se junta adolescentes a amadurecer sexualmente, influenciáveis e com desejo de pertença a um grupo.» Regra geral, eles partilham mais e elas expõem mais, pressionadas por uma sociedade que continua a ver no corpo feminino valor de objeto e troca – o que não significa que os rapazes não se exponham ou não sejam alvo de partilhas abusivas. O desgaste psicológico de tudo isto pode ser devastador e causar estragos para o resto da vida. «Recordo-me de jovens que viram a sua localidade de residência exposta e foram alvo de processos de aliciamento sexual, ameaça e extorsão», diz Tito de Morais, impressionado com a gravidade do cyberbullying nos casos em que o sexting é feito sob ameaça ou coação, e as imagens divulgadas «por mera gabarolice ou para ofender, humilhar e difamar o(s) visado(s)». A nível internacional (os primeiros fenómenos de sexting identificados remontam aos EUA em 2005), inúmeros casos de finais trágicos sucederam-se ao de Jesse Logan: Hope Witsell, de 13 anos, também se enforcou por razões idênticas um ano depois.

Sofia Rasgado lembra ainda Amanda Todd, muitas vezes referida nas sessões de apoio/esclarecimento do Internet Segura. «Enquanto andava no 7.º ano, a jovem participou num chat e conheceu um estranho que a elogiou e a convenceu a mostrar os seios diante da câmara», diz a coordenadora do Centro Internet Segura. O sujeito passou a chantageá-la: ou ela voltava a mostrar-se, ou ele partilhava publicamente o registo. Durante uma série de tempo, Amanda foi perseguida, sofreu de ansiedade e depressão graves, mudou de casa com a família. «A par do consumo de álcool, drogas e mais tarde automutilação, o seu estado de saúde mental piorou.» Suicidou-se em desespero no final de 2012. Em 2014, um homem de 35 anos dos Países Baixos foi acusado de vários crimes de extorsão, aliciamento online, assédio criminoso e registo de pornografia infantil ligados ao caso de Amanda.

Ainda assim, o sexting e as tecnologias não são bons nem maus em si mesmos. «Tudo depende do uso que fazemos deles», ressalva Daniel Cardoso, doutor em Ciências da Comunicação (na vertente de Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias) e autor da tese Entre Corpos e Ecrãs: Identidades e Sexualidades dos Jovens nos Novos Media, defendida na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Cristina Mira Santos dá-lhe razão, apoiada num estudo de 2015 da Universidade Drexel, de Filadélfia, EUA, segundo o qual casais que trocam mensagens sexuais pelo telemóvel têm maior satisfação física e afetiva. «Como mecanismo erótico, é poderoso a reacender a chama numa dada fase do relacionamento. Esta noção do provocar, do proibir, seria bastante confortável se não houvesse tanto risco de uma eventual exposição do corpo na internet», diz a psicóloga. O problema reside precisamente aí: na divulgação. As sequelas não advêm da prática, mas sim da exposição reprovável de conteúdos pessoais.

Mas podemos concluir que os jovens estão constantemente a fazer sexting? A resposta também é difícil, mas «existe um desfasamento entre a perceção que têm da conduta dos seus pares (acham que estão sempre a fazê-lo) e o seu próprio comportamento», diz Daniel Cardoso.

O inquérito EU Kids Online, sobre usos, riscos e segurança na internet a nível europeu, sustenta que 15 por cento dos jovens entre os 11 e os 16 anos receberam mensagens sexuais em 2014, mas só três por cento as terão enviado.

Seja como for, a partilha indevida é crime qualquer que seja a escala, avisa o especialista. «Há uma espécie de normalização social desta coisa de andar a ver e mostrar imagens íntimas. O primeiro passo é valorizar a ideia de que se a outra pessoa não consentiu em mostrar, então nós devemos tentar não ver.» Na dúvida, nunca fazer aos outros o que não queremos que um dia nos possam fazer a nós.

E FREXTING, JÁ EXPERIMENTOU?
Não há nada que bons amigos não partilhem exceto a intimidade, essa fronteira para lá da qual a amizade passaria a outro patamar. Mas agora a moda do frexting (friends + sexting) diz que os amigos podem partilhar mesmo tudo, inclusive imagens todos nus para que os outros lhes digam como estão esplenderosos e retribuam na mesma moeda, mostrando-se como vieram ao mundo para reforçar os laços. O conceito espalhou-se muito por conta da escritora norte-americana Kelly Williams Brown, que no seu Adulting Blog garante que a prática é libertadora e faz maravilhas pela nossa autoestima. Mandam depois as regras de etiqueta que se responda com emojis positivos, nomeadamente a chama, o gato com corações nos olhos e as mãos a bater palmas. Sempre sem esquecer que a internet não esquece o que lá vai parar.

NET COM CONSCIÊNCIA
É este o nome de uma web série lançada pela Internet Segura, abordando diferentes situações do quotidiano dos jovens. O episódio 4 foca-se no impacto do sexting na reputação do utilizador. O seguinte aprofunda a revenge porn (pornografia vingativa), em que uma pessoa partilha imagens sexuais do anterior parceiro.

 

 

Teens who ‘sext’ experience more violence: study

Agosto 16, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site http://medicalxpress.com/ de 5 de agosto de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Teenage intimate partner violence: Factors associated with victimization among Norwegian youths

Jourden C

Teenagers who exchange digital messages with sexual content, a practice known as sexting, are more likely to experience violence in love relationships, a study has found.

In a survey of more than 1,000 14 to 17-year-olds in Norway, 549 reported having had a romantic partner.

Nearly a third of the young lovers said they had sent explicit sexual messages—pictures and/or text—to their sweethearts.

Compared to teens who had not engaged in sexting with a partner, these adolescents experienced four times more physical violence—acts such as smacking, pushing, strangulation or being beaten with a hard object, the researchers found.

They suffered 2.5 times more sexual abuse, ranging from forced kissing to rape, and 3.5 times more psychological violence.

The findings were reported in the peer-reviewed Scandinavian Journal of Public Health.

For teens, “there is a bigger chance of becoming a victim of intimate partner violence if you send messages with sexual content,” said lead author Per Hellevik, a sociologist at the Norwegian Centre for Violence and Traumatic Stress Studies is Oslo.

More than 40 percent of youngsters with love interests—which did not necessarily include sex—said they had experienced couple violence of some kind. This included sexters and non-sexters.

Girls were far more exposed to violence than boys, the study showed, especially those with older partners.

They also reacted differently.

Both sexes were asked how they felt when subjected to violence in a relationship, with possible answers ranging from “sad” and “frightened” to “loved” and “desired”.

Twice as many girls expressed negative feelings about violence.

At the other extreme, “one percent of the girls and 35 percent of the boys had purely positive experiences”, Hellevik said in a statement.

The study does not conclude that sexting causes violence, noting that children who experience fighting or brutality at home or at school are prone to similar behaviour with their intimate partners.

Sexting, in other words, could be as much symptom as cause.

The findings raise thorny questions about when parents and teachers should intrude in the private digital lives of youngsters.

“We wouldn’t let teenagers hang around in the streets all day without knowing what they are up to or who they were with,” said Hellevik.

“In the same way, they shouldn’t be allowed to hang around online on their own.”

 

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