As casas de banho escolares – falar disto agora para resolver até setembro…

Abril 26, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Mário cordeiro publicado no https://ionline.sapo.pt/ de 11 de abril de 2017.

Pouco se fala do assunto, mas as consequências podem ser graves. Depois de ler este artigo, o leitor, seja pai, professor, diretor de escola ou meramente cidadão, faça o que puder para que as coisas melhorem!

As más condições das casas de banho escolares são um problema frequente no dia–a-dia das crianças. A maioria das crianças evitam usar a casa de banho da sua escola, muitas delas durante todo o dia.

As razões apontadas – e que poderiam sê-lo por qualquer leitor – incluem: cheiro desagradável, sujidade, portas que não fecham e falta de privacidade, sanitas partidas, ausência de papel higiénico, vandalismo e graffiti nas casas de banho, localização inconveniente das mesmas, o facto de estas se encontrarem por vezes trancadas e, em muitas escolas, só se poderem usar nos intervalos, em que a chusma de crianças a necessitar de ir à casa de banho é grande e, naqueles escassos 15-20 minutos, muita outra coisa há a fazer.

A falta de privacidade é o problema principal referido pela maioria das crianças; num estudo que fizemos, 70% relataram existência de urina e fezes no chão, paredes ou assento da sanita. Neste mesmo estudo, perto de quatro quintos das crianças referiram que as casas de banho eram “sujas, desagradáveis, a cheirar mal, assustadoras e locais de bullying”.

A retenção urinária e fecal por recusa de usar as casas de banho escolares são causa de problemas de saúde, psicológicos e educacionais significativos. No primeiro ciclo, as crianças estão a aprender os hábitos higiénicos, pelo que é fundamental adquirir comportamentos visando autonomia, intimidade e uma boa sexualidade, o que obriga a um nível mínimo de qualidade das instalações sanitárias.

Ao longo do tempo, a retenção pode levar a uma situação conhecida como síndroma de eliminação disfuncional, com um padrão alterado de micção e defecação, e com obstipação, micção infrequente ou síndroma da bexiga preguiçosa. Esta situação pode dar dor abdominal, levar a não conseguir reter as fezes (encoprese), infeções urinárias recorrentes, urgência miccional, enurese, refluxo vesico-ureteral e até lesões renais.

É sabido, também, que a melhor posição para o esvaziamento da bexiga é a posição sentada, com apoio para as coxas e os pés, e o corpo ligeiramente dobrado para a frente. Pois… mas, na prática, 85% das mulheres que usam as casas de banho públicas normalmente agacham-se quando o fazem, resultando num aumento de cerca de uma vez e meia do volume urinário residual. Do mesmo modo, em escolas com sanitas sujas e sem assentos, as meninas tendem a agachar-se para não tocarem nas sanitas, o que pode levar a uma micção incompleta e aumentar o volume residual urinário, com aumento do risco de disfunção vesical e infeção urinária.

Por outro lado, a pressa que as crianças têm de se “despachar”, entre outras razões para evitar o contacto com o assento da sanita, faz com que se verifiquem situações em que a urina reflui para a zona vulvovaginal, molhando depois as cuecas quando se levanta, o que é uma situação muito desagradável do ponto de vista psicológico.

Algumas crianças referem beber menos líquidos, com vista a terem de ir menos à casa de banho, mas isso pode levar a uma leve desidratação, que resulta em menor atenção, irritabilidade, mau humor e falta de concentração, e também aumentar o risco de infeção urinária ou obstipação.

Além destes efeitos físicos, os problemas causados por casas de banho escolares inaceitáveis podem provocar ansiedade e vergonha, especialmente nas crianças que acabam por sofrer de incontinência, podendo ser vítimas de bullying, o que afeta o rendimento escolar, com mais baixa autoestima, pior desempenho e mal-estar na escola.

Sabe-se igualmente que uma em oito meninas (cerca de 12,5%) tem o primeiro período menstrual (menarca) durante o 1.o ciclo e a ausência de condições sanitárias das casas de banho escolares, desde a falta de privacidade (casas de banho mistas) a outros pormenores, como a ausência de caixotes de lixo, pode tornar a menstruação uma experiência traumática que afeta a criança e perturba o desenvolvimento de uma sexualidade saudável.

É ainda de referir a importância das condições higiénicas na disseminação de doenças, designadamente gastroenterites e hepatite A, através da utilização de assentos, sabonetes ou torneiras contaminadas, ainda por cima quando sabemos que a utilização é feita nos intervalos, altura em que as crianças comem os lanches da manhã e da tarde, bem como antes das refeições principais, o que facilita a contaminação se houver má higiene.

Muitos pais “bramem”, nas reuniões de pais, por causa do “tamanho da maçã” ou porque “o Manel deu um encontrão ao Zé”, mas raramente referem as condições das casas de banho como um problema – e muitas direções escolares assobiam para o lado e ignoram a questão. Além disso, existe uma lacuna na legislação, a nível europeu. Em Portugal apenas existem algumas recomendações da responsabilidade do Ministério da Educação, que são escassas e insuficientes, e uma breve referência na Circular Normativa do Ministério da Saúde.

É necessário, pois, falar deste assunto sem papas na língua e que os jornalistas façam reportagens, pressionem e levantem questões a quem de direito – não esqueçamos que estamos a falar de crianças do 1.o ciclo, que ainda estão numa fase inicial da aprendizagem das regras de promoção de saúde e num contexto que deve ser eminentemente educativo e modelar.

Só para dar um exemplo de medidas que se podem tomar se se quiser fazer alguma coisa: num país escandinavo verificou–se que os meninos gostavam de pegar na sua “mangueirinha” e “regar” em todas as direções. Resposta: para lá de sermões, conselhos e normas, pintaram-se alvos em círculos, dentro da sanita. Resultado: as crianças passaram a querer acertar no “100” e deixaram de molhar o resto. Simples, não é? Aqui fica, à atenção de quem de direito. Com imaginação, criatividade e colaboração dos próprios alunos, conseguir-se-ão grandes avanços… mas só depois de reconhecer esta situação como um verdadeiro problema de saúde pública.

 

 

Mitos e verdades sobre as vacinas

Abril 20, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://observador.pt/ de 19 de abril de 2017.

Rita Porto

As vacinas podem ser dadas fora das idades indicadas no plano?

Pergunta 1 de 10

“Uma criança que não seja vacinada na idade indicativa, deve ser vacinada logo que possível”, refere Jorge Atouguia, especialista em Doenças Infecciosas, ao Observador. “A única dúvida que fica é se terá a mesma eficácia do que no período indicado”.

Carlos Alves, infecciologista no hospital São João no Porto, é da mesma opinião: “As crianças podem sempre ser vacinadas”, explica o especialista, acrescentando que os pais devem ir ao centro de saúde para ter “o esquema vacinal adaptado à criança”. “Quem não está protegido deve rapidamente fazê-lo”.

Há, contudo, situações específicas e excecionais em que as vacinas podem ser administradas fora das datas indicadas. Por exemplo, se uma pessoa for para uma zona de risco e precisar de receber a vacina da hepatite B, “em vez de se fazer o que está prescrito numa vacinação normal, pode-se aumentar a dose e encurtar o período entre as várias doses”, refere Jorge Atouguia.

“São situações excecionais e que estão contempladas ao nível da saúde pública internacional”, acrescenta o especialista.

Carlos Alves dá o exemplo de crianças que não nasceram nem cresceram em Portugal, logo é provável que não tenham as vacinas obrigatórias. “Para as crianças que venham de fora e não têm as vacinas recomendadas, adapta-se o esquema de vacinação. O mesmo se faz para as crianças que tiveram uma doença e que, durante algum tempo, não puderam fazer as vacinas”.

Na sequência do atual surto de sarampo, a DGS lembra que a vacinação antes das idades “está prevista no Programa Nacional de Vacinação para situações excecionais, sendo apenas administrada mediante prescrição médica e respetiva fundamentação, em particular para pessoas que estiveram em contacto com doentes”.

Fonte: Programa Nacional de Vacinação

As crianças que estejam constipadas podem ser vacinadas?

Pergunta 2 de 10

Jorge Atouguia refere que as crianças não podem ser vacinadas se tiverem febre. “Caso a criança tenha febre pode significar que existe outra infeção e podemos não ter a resposta que pretendemos com a vacinação”, explica o infecciologista.

Se a criança apresentar sintomas como rinite, “algum entupimento nasal” ou alguma tosse, não há problema em vaciná-la.

Carlos Alves sublinha a importância de ser consultado um médico para perceber se a vacinação deve ser adiada durante dias ou semanas — “cada caso é um caso”.

Crianças que tenham tido reações anafiláticas após vacinação devem ser submetidas a outras vacinas?

Pergunta 3 de 10

De acordo com o Programa Nacional de Vacinação (PNV), as reações adversas mais frequentes são “reações ligeiras no local da injeção”.

O PNV refere ainda que a prevenção é a melhor abordagem para as reações anafiláticas, pelo que os médicos devem perguntar se a criança já teve reações anafiláticas a “alimentos, medicamentos, picadas de insetos” ou a outras vacinas e/ou componentes de vacinas como “alergias específicas a leveduras, a gelatinas, ao ovo e a antibióticos.”

Luís Varandas, coordenador da Comissão de Vacinas da Sociedade de Infecciologia Pediátrica e da Sociedade Portuguesa de Pediatria, afirma ao Observador que uma reação anafilática a uma vacina “pode ser uma contraindicação a revacinar com a mesma vacina, mas não com outras”. “E mesmo assim há alternativas: perceber qual o componente a que a criança é alérgica e fazer uma vacinação a nível hospitalar”, ou seja, em ambiente controlado.

“Os choques anafiláticos [um tipo de reação anafilática aguda] provocados pelas vacinas são muito raros”, defende Jorge Atouguia. O especialista adianta que há “vacinas conhecidas por poderem provocar respostas alérgicas agudas” e que estão “contraindicadas a determinadas pessoas”, mas os profissionais que administram as vacinas sabem desta situação e perguntam previamente ao doente e/ou familiar.

“Há vacinas que não podem ser feitas por pessoas que têm alergias aos seus componentes”. Por exemplo, a vacina da febre amarela e do sarampo é produzida a partir de ovos e embriões de galinha, logo as pessoas que sejam alérgicas ao ovo não podem fazer esta vacina.

O PNV refere que “podem ocorrer reações de hipersensibilidade não grave a componentes das vacinas. Estas reações não implicam uma contraindicação à vacinação (exemplo: alergia ao ovo). A vacinação deve ser realizada como habitualmente”.

Nestes casos de reações alérgicas, ou não se vacina de todo ou “existem vacinas que são produzidas de outra forma”. “Quando há uma quantidade de pessoas que não pode fazer a vacina ou que não tem uma boa resposta a uma determinada vacina, há sempre grupos que tentam desenvolver outras vacinas.” É caso da vacina contra a hepatite B, por exemplo: há pessoas que não reagem bem e já estão a ser estudadas outras vacinas.

Quando uma pessoa faz uma reação alérgica, acrescenta Jorge Atouguia, é preciso “estudar o assunto”, nomeadamente “decompor os componentes [a vacina] e perceber a que é que essa pessoa é alérgica”. No caso da vacina do sarampo, a título de exemplo, uma vez que não se trata de uma “vacina isolada” — a VASPR são três vacinas numa: contra o sarampo, a parotidite (papeira) e rubéola –, é importante perceber se a reação alérgica foi exclusivamente à vacina contra o sarampo ou contra as outras doenças.

“Não é de ânimo leve que decidimos não fazer essas vacinas”, defende.

Carlos Alves também sublinha que, dependendo das vacinas, existem “alternativas” e que se pode delinear um “esquema vacinal para contornar o problema”. “Não se vai deixar de fazer todas as vacinas por causa de uma reação alérgica a uma vacina”, defende Carlos Alves. Ainda assim, o infecciologista refere que há vacinas que podem nunca vir a ser feitas.

Existe alumínio nas vacinas?

Pergunta 4 de 10

Jorge Atouguia não consegue precisar se as vacinas que são atualmente administradas em Portugal contêm alumínio. “Houve vacinas que tinham alumínio, mas em quantidades mínimas”.

O especialista recorda que há tempos se associaram problemas neurológicos à vacina da hepatite B, mas “não houve qualquer evidência científica” desta relação.

“As vacinas utilizadas neste momento são seguras”, garante Carlos Alves, acrescentando que não há nenhuma vacina que entre para o Programa Nacional de Vacinação sem ser avaliada.

O infecciologista explica que a vacina é um produto que, “para além da substância ativa”, tem “outros componentes” para “estimular as células”, para “dar resposta no organismo” e para “preservar a própria vacina”. “As vacinas mais antigas podiam ter efeitos adversos, mas hoje em dia as que constam do Programa de Vacinação são seguras”.

Quando devem ser dadas as vacinas extra ao Programa Nacional de Vacinação?

Pergunta 5 de 10

As vacinas extra ao Programa Nacional de Vacinação — como a vacinação contra a tosse convulsa, contra a varicela, contra rotavírus, etc — “podem ser dadas sempre que necessário e sempre que se justificar”, refere Jorge Atouguia.

Ainda assim, deve ter-se em atenção as interações com outras vacinas. Isto é, as “vacinas vivas” como a da febre amarela e da Poliomielite, devem ser dadas “na mesma altura ou com um intervalo de um mês” enquanto as “vacinas inativas” como tétano e a hepatite A podem ser dadas “na mesma altura ou separadas por uma semana”.

Não há, contudo, problema em administrar uma vacina viva e uma inativa ao mesmo tempo — por exemplo a vacina da febre amarela juntamente com a vacina do tétano.

No caso da vacina VASPR (contra o sarampo, a parotidite (papeira) e rubéola) — são várias vacinas numa só, todas a partir “de estirpes vivas e atenuadas” –, “são todas das na mesma altura” até porque têm uma resposta “mais eficaz do que quando administradas isoladamente”.

Uma vacina que devia ter sido dada na infância tem a mesma eficácia na idade adulta?

Pergunta 6 de 10

Para Jorge Atouguia, a resposta imune de uma vacina do Programa Nacional de Vacinação administrada em adulto quando era suposto a pessoa tê-la recebido ainda em criança “pode não ser tão eficaz”.

O especialista explica que as vacinas “estimulam a imunidade” e, no caso das crianças, “essa imunidade está a desenvolver-se”, ou seja “está mais suscetível a responder mais rapidamente à estimulação”. No caso de um adulto, a imunidade está “totalmente desenvolvida”, logo “a resposta à vacina pode não ser tão eficaz”.

Por exemplo, quando as três doses da vacina da hepatite B são dadas corretamente e na infância, as crianças “ficam imunes para o resto da vida”. “A mesma vacina em adultos já não tem garantias”.

Carlos Alves ressalva que a eficácia de uma vacina pode efetivamente variar com a idade, “em particular com os mais idosos”. “Há vacinas que são eficazes durante toda a vida, mas há outras que têm menos resposta. A idade avançada faz diminuir resposta imunitária”. É o caso da vacina contra a gripe, exemplifica o especialista, que tem mais eficácia em jovens adultos, mas é administrada aos idosos, uma vez que são um grupo de risco.

As vacinas podem provocar autismo?

Pergunta 7 de 10

“Não há qualquer evidência de que as vacinas estejam associadas ao autismo”, defendem os especialistas Carlos Alves e Jorge Atouguia.

Carlos Alves recorda um artigo publicado na revista The Lancet, em 1998, por Andrew Wakefield e outros 12 especialistas sugerindo a relação entre a vacina VASPR e o autismo.

Um artigo científico que teve por base um estudo com uma amostra de 12 crianças e com grande impacto em todo o mundo. Foi aliás a partir deste artigo que se gerou um movimento antivacinação e que se mantém até hoje, apesar de os vários estudos entretanto publicados que descartavam a ligação entra a vacina e o autismo.

Só em 2004 é que Andrew Wakefield foi desmascarado: o Sunday Times publicou uma investigação onde dava conta que o especialista tinha falsificado dados clínicos em troca de dinheiro dos advogados dos pais de crianças autistas — os progenitores queriam processar os produtores da VASPR.

Brian Deer: entrevista ao jornalista que desmascarou o médico anti-vacinas

Ainda assim, só em 2010 é que a The Lancet assumiu o erro e, no mesmo ano, Wakefield foi proibido de exercer medicina.

Uma criança pode ser matriculada na escola não estando vacinada?

Pergunta 8 de 10

Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, afirmou esta quarta-feira que a exigência das vacinas em dia para se matricular uma criança na escola “não é uma questão premente”.

Ainda assim, o governante sublinhou que “todas as escolas vão receber” o comunicado enviado pela Direção-Geral de Saúde (DGS) sobre o surto de sarampo de modo a “tranquilizar as famílias”.

“É preciso deixar esta mensagem de tranquilidade às famílias”, acrescentou Tiago Brandão Rodrigues.

Entretanto, a DGS enviou uma nova recomendação sugerindo que, em caso de exposição ao vírus, as crianças cujas famílias se recusem a vaciná-las, devem ficar longe da escola durante 21 dias.

Exigência de vacinas nas escolas “não é uma questão premente”

No que toca às escolas privadas, a associação que representa o setor emitiu uma circular, esta quarta-feira, em que frisa que a não obrigatoriedade do Programa Nacional de Vacinação “não é impeditiva que a Direção do estabelecimento de ensino imponha como condição (no regulamento interno ou em informação avulsa publicitada), dentro da sua autonomia pedagógica, no que concerne a matrícula/renovação de matrícula, que seja feita prova do cumprimento do Programa Nacional de Vacinação.

As vacinas dão 100% de imunidade?

Pergunta 9 de 10

Não se pode falar numa eficácia a 100%, ressalva Carlos Alves. Ainda assim, há muitas “em que a percentagem de resposta é muito elevada — algumas com 90 e tal por cento de eficácia”, como é o caso da VASPR.

Jorge Atouguia sublinha o mesmo: “Nada é 100% em medicina, mas algumas das vacinas dão imunidade de 99, muitos %”, como é o caso da febre amarela.

Mas mais importante que a imunidade de uma vacina é a validade, defende o especialista. “Uma vacina que seja válida para toda a vida protege-nos contra a doença e nunca mais pensamos nela”, afirma. “Com o surto de sarampo, as pessoas vacinadas corretamente não têm nenhuma razão para temer”.

Mas há algo que também é preciso ter em conta: o tempo para a vacina criar os anticorpos. “Quando somos vacinados, demora sempre algum tempo até que o organismo crie anticorpos para nos proteger e é um cuidado que os médicos têm de ter quando prescrevem vacinas: quanto tempo vai demorar até ao aparecimento de uma proteção eficaz”.

Um tempo que varia de vacina para vacina: “a maioria são entre 10 a 15 dias”. No caso da hepatite B, por exemplo, – só depois da terceira dose — dada seis meses depois da primeira — é que se pode garantir uma proteção que nem sequer é de 100%.

É importante vacinar mesmo quando a doença está eliminada?

Pergunta 10 de 10

O infecciologista Carlos Alves explica que o facto de uma doença estar eliminada em Portugal — isto é, não haver casos em território nacional — não significa que tenha sido erradicada a nível mundial, acrescentando que é importante manter a vacinação já que a doença pode ser trazida de outro país. “Nós não vivemos isolados”.

“Só a varíola é que foi erradicada: não há casos no mundo. Ao contrário da Poliomielite, por exemplo, que se está a tentar a erradicação. Em Portugal não há casos, mas não se deve deixar de vacinar porque há casos noutros países”.

Jorge Atouguia é da mesma opinião. “Enquanto a vacina não estiver erradicada nos vários pontos do mundo que têm ligações com o nosso país temos de vacinar”.

E dá um exemplo: a vacina contra o sarampo só começou a fazer parte do programa de vacinação a partir de 1974, logo as pessoas que nasceram antes não foram vacinadas e por isso não estão imunes à doença. Apesar de não haver casos em Portugal até este ano, basta vir alguém de fora e que seja portador de doença ou um português não vacinado ir ao estrangeiro e regressar infetado com a doença para contagiar aqueles que não estão vacinados.

O sarampo foi aliás declarado erradicado em Portugal pela OMS em 2006.

 

 

Não vacinar crianças. “Memória demasiado curta e arrogância demasiado grande”

Abril 19, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://rr.sapo.pt/ de 17 de abril de 2017.

É “altura de a sociedade não ter medo de denunciar esta ‘ciência do Facebook’”, defende o pediatra Mário Cordeiro, para quem os pais que não vacinam os filhos são negligentes e deveriam ser responsabilizados.

Mário Cordeiro lamenta a negligência dos pais que não vacinam os seus filhos e lembra que, até há pouco tempo, se morria de sarampo.

“Dizer mal das vacinas é um luxo de um país que já não tem, como há bem pouco tempo tinha, casos diários de meningite ou mortes por sarampo, como [aconteceu] em 1994. A memória é demasiado curta e a arrogância demasiado grande”, diz à agência Lusa.

Segundo o pediatra, o fenómeno de pais que não querem vacinar os seus filhos deve-se a uma mistura de mal-entendidos e teorias da conspiração, associados a uma ignorância história e fraca memória.

O surto de sarampo que atinge neste momento a Europa tem sido relacionado com casos de pessoas que não querem vacinar os filhos. Em Portugal, foram notificados 23 casos desde Janeiro. Onze foram confirmados pelo Instituto Ricardo Jorge e os restantes estão em fase de investigação.

Actualmente, o Programa Nacional de Vacinação constitui uma recomendação das autoridades de saúde, mas as vacinas não são obrigatórias.

“Não é possível, porque qualquer obrigatoriedade exige apuramento de responsabilidades, o que é muito complexo numa situação destas, e também coimas ou equivalentes, que iriam penalizar os mais desfavorecidos ou menos abrangidos pela informação”, explica o médico, que chegou a fazer parte de um grupo de trabalho na Direcção-Geral da Saúde para estudar a possibilidade de tornar obrigatórias as vacinas.

A solução passa, por isso, por ser mais incisivo em “desmontar as enormidades e falsidade que se dizem e propagam pelas redes sociais contra as vacinas”.

“Acho que é altura de se mostrar que estas teorias e estas pessoas são, também, responsáveis por estes surtos [como o do sarampo]. Chegou a altura de a sociedade não ter medo de denunciar esta ‘ciência do Facebook'”, sugere Mário Cordeiro, para quem a Direcção-Geral da Saúde (DGS) tem feito um bom trabalho nesta área da vacinação e dos alertas à população.

Alguns pais usam o argumento de que as vacinas “mexem” com a imunidade das crianças, usando-o como justificação para não as vacinarem. Mário Cordeiro explica que é isso mesmo que se pretende, sublinhando que se trata de algo positivo, porque a criança fica com a imunidade para a doença sem sofrer os malefícios dela.

“Aliás, todos os dias, a criança contacta com ‘N’ agentes microbianos na escola, em casa, na sociedade, que ‘mexem’ com a sua imunidade e a fortalecem”, exemplifica.

Morte por negligência?

O pediatra questiona: “Se morrer alguma criança não vacinada porque os pais não quiseram, não será isso passível de acusação de ‘morte por negligência, como seria se morresse por andar de carro sem cadeirinha ou cinto de segurança?”

Mário Cordeiro lamenta que Portugal, que sempre teve elevadas taxas de vacinação, volte a ter casos de sarampo.

“É pena que um país que foi declarado ‘livre de sarampo’ há cerca de seis meses e que foi apontado como um exemplo na Europa e no mundo, volte a ter um surto de sarampo autóctone. Mais cedo ou mais tarde ter-se-ia de pagar o preço da ignorância e do ‘não-te-rales'”.

Este ano, já foram reportados mais de 500 casos de sarampo na Europa, que afectam pelo menos sete países, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Direcção-Geral de Saúde (DGS) faz esta segunda-feira, pelas 18h30, um comunicado pormenorizado sobre o surto em Portugal. O director-geral da Saúde, Francisco George já veio sublinhar a importância da vacinação.

“Não há liberdade individual que possa justificar a ausência de vacinação das crianças”, frisa.

Apesar de não ser obrigatória, a maior parte dos pais vacina os seus filhos (95%, segundo o “Diário de Notícias, com base nas estimativas da DGS). Por vacinar ficam, por ano, cerca de 4000 crianças.

A ideia lançada pelo estudo norte-americano, apesar de falsa, instalou-se na Europa e o movimento antivacinação virou moda em várias parte do mundo, tendo já provocado várias vítimas mortais na Europa, nomeadamente na Alemanha.

 

“Não há nada na Constituição que proíba a vacinação obrigatória”

Abril 19, 2017 às 4:02 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 18 de abril de 2017.

Paulo Otero diz, contudo, que é difícil que o Estado possa ser responsabilizado judicialmente pela morte de alguém que contraiu uma doença evitável por vacinação.

Lusa

O professor catedrático e constitucionalista Paulo Otero considerou nesta terça-feira que “não há nada na Constituição que proíba a vacinação obrigatória” quando está em causa a protecção da saúde pública e o perigo de contágio alargado da doença.

Paulo Otero falava à agência Lusa numa altura em que existe um surto de sarampo em Portugal, que deixou uma jovem de 17 anos internada nos cuidados intensivos do hospital Dona Estefânia, em Lisboa, e quando é sabido que não existe uma política de saúde que imponha a vacinação obrigatória para certas doenças.

Questionado sobre se a vacinação obrigatória não colide com direitos fundamentais do cidadão previstos na Constituição, Paulo Otero salientou que “é a saúde pública que está em primeiro lugar” em situações de “contágio alargado da doença”.

“Estão em causa as crianças e os pais não são os seus donos. As crianças não são propriedade dos pais”, frisou o professor catedrático, observando que, em matéria de saúde pública e perigo de contágio, é muito discutível que os pais possam dispor da vontade dos filhos, quando em causa está a sobrevivência das próprias crianças.

E o Estado ser responsabilizado?

Além de não encontrar obstáculos de natureza constitucional que impeçam a vacinação obrigatória para protecção da saúde pública, Paulo Otero reconheceu, no entanto, que é difícil que o Estado possa ser responsabilizado judicialmente pela morte de alguém que contraiu a doença evitável por vacinação.

“O que pode haver é a violação do dever de legislação (do Estado) em tornar obrigatório certo tipo de vacinas”, disse, admitindo também que possam ser levantadas questões sobre a responsabilidade civil do Estado em não tornar obrigatória a vacinação contra certas doenças graves e contagiosas.

Quanto ao surto de sarampo em Portugal, Paulo Otero vincou que há “uma atenuante” para o Estado, porque o “surto é anómalo”, já que há décadas que não existia nenhum surto desta doença.

O professor catedrático insistiu porém que “não há motivos decorrentes da tutela dos direitos fundamentais que obstem a casos de vacinação obrigatória”, embora esta obrigatoriedade deva estar sempre subordinada ao “princípio da proporcionalidade”. Ou seja, não faria sentido, por exemplo, tornar obrigatória em Portugal a vacinação contra uma doença que só existe nos trópicos.

“Uma agressão física”

Contactado pela agência Lusa, o constitucionalista e deputado do PS Bacelar de Vasconcelos assinalou que o tema da vacinação é uma questão “polémica entre as próprias instituições de saúde” e que há “opiniões que se contradizem relativamente à imposição da vacinação obrigatória”, nomeadamente quanto a certas “doenças ou surtos epidémicos”.

“É sobretudo uma questão de avaliação da epidemia”, disse Bacelar de Vasconcelos, para quem “só perante uma ameaça grave em que está em causa a saúde pública” é que se deve ponderar a obrigatoriedade da vacinação.

“Em última análise, a vacinação obrigatória é sempre uma agressão física”, considerou o deputado socialista, admitindo contudo que “não há um impedimento constitucional” em tornar a vacinação obrigatória quando “houver um perigo grave para a saúde pública”.

“Não havendo essas condições [de perigo para a saúde pública] impor a toda a gente a vacinação obrigatória é ridículo”, disse, nomeadamente “perante um surto de sarampo que estava erradicado em Portugal”.

Bacelar de Vasconcelos entende que quaisquer medidas que sejam tomadas pelas autoridades sanitárias sobre a vacinação devem ser “proporcionais” à situação que enfrentam, muito embora em “cenários de grave crise epidémica as entidades de saúde pública tenham a possibilidade de adoptar medidas excepcionais e transitórias que travem a propagação da doença”.

Quanto a eventuais responsabilidades criminais ou civis do Estado em situações de morte por ausência de vacinação obrigatória, o constitucionalista considerou que a questão “não se coloca neste momento” e que só uma “negligência grave” poderia fazer repensar o assunto.

Uma jovem de 17 anos com sarampo está internada nos cuidados intensivos do hospital Dona Estefânia, em Lisboa, encontrando-se ventilada, sob sedação e o seu estado clínico é instável.

O hospital recorda que não é prática habitual emitir informação clínica pública sobre doentes internados e que só o faz agora, após autorização da família da doente, a título excepcional.

Em Portugal, desde janeiro de 2017 e até ao fim do dia de segunda-feira, foram registados 21 casos confirmados de sarampo pelo Instituto Ricardo Jorge, havendo outros casos ainda em investigação.

Um surto de sarampo tem afectado desde o início do ano vários países europeus. Esta é uma doença altamente contagiosa, geralmente benigna mas que pode desencadear complicações e até ser fatal. Pode ser prevenida pela vacinação, que em Portugal é gratuita.

 

 

 

Jovem que morreu não terá tomado vacinas desde os 2 meses

Abril 19, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 19 de abril de 2017.

A jovem de 17 anos que morreu vítima de sarampo no Hospital Dona Estefânia não estava imunizada contra a doença. A informação foi confirmada pelo ministro da Saúde, que não acrescentou mais pormenores. Mas a jovem não só não tinha a vacina do sarampo como outras previstas no Programa Nacional de Vacinação. A última vacina, a DTP, terá sido tomada aos dois meses de idade.

“A jovem não estava protegida do ponto de vista imunitário”. A frase do ministro da Saúde foi suficientemente clara para confirmar a informação de que a jovem falecida esta manhã no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, vítima de sarampo, não estava devidamente vacinada contra a doença. Mas Adalberto Campos Fernandes não quis adiantar mais pormenores sobre as razões de não estar imunizada. Há informações contraditórias sobre a origem do caso. Segundo o Expresso, a jovem não estava vacinada por opção da família. “Fonte médica revelou ao Expresso que a mãe da rapariga de 17 anos é antivacinas e adepta da homeopatia“, explica o jornal, num artigo em que confirma que terá contraído sarampo no Hospital de Cascais (onde fora hospitalizada devido a uma mononucleose), aparentemente pela proximidade com bebé de 13 meses infetado, também sem a vacina.

Informações conseguidas pela SIC, junto de fontes hospitalares, confirmam que a última vacina que a jovem terá tomado será a chamada DTP, contra a difteria, tétano e tosse convulsa, aos dois meses de idade. Depois dessa data não terá tomado mais nenhuma vacina.

Alegadamente, a bebé terá sofrido na altura um choque anafilático, o que terá levado a família a decidir não a vacinar mais. Mas o Expresso acrescenta que a mãe da jovem será adepta do movimento anti-vacinas.

Seja por reação a um choque anafilático que terá acontecido na sequência de uma vacinação com dois meses, seja por opção “ideológica” (o movimento anti-vacinas cresceu muito nos últimos anos, sobretudo na internet), é seguro afirmar que a jovem falecida não estava vacinada contra o sarampo e não tinha várias outras vacinas. E que morreu exatamente por não estar vacinada.

O plano de vacinação não é obrigatório, mas as vacinas “são fortemente recomendadas” pela Direção-Geral da Saúde. Alguns dos casos de sarampo agora em Portugal até são vacinados, mas “a vacinação evita que um surto de maiores dimensões”, garante Teresa Fernandes, técnica superior do Programa Nacional de Vacinação.

 

 

 

Mais de 95 mil crianças e jovens não estarão vacinados contra o sarampo

Abril 18, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt de 17 de abril de 2017.

Profissionais de saúde também estão em grupo vulnerável de uma doença que pode matar Rui Gaudêncio

Pais que se esqueceram de vacinar filhos, pessoas em situação económica vulnerável ou imigrantes em situação irregular preocupam especialistas. Há 21 casos confirmados.

Joana Gorjão Henriques

Pais que perderam a percepção do risco e se esqueceram de vacinar os filhos. Pais que têm difícil acesso à saúde por razões económicas ou estão em situação irregular em Portugal. Estrangeiros e portugueses que são contra as vacinas. Embora não se saiba o número exacto, cerca de 5% das crianças e jovens até aos 18 anos não estão vacinados contra o sarampo, estima a Direcção-Geral de Saúde (DGS).

Tendo em conta que, de acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), residiam em Portugal, em 2015, cerca de 1 milhão e 900 mil crianças e jovens até aos 18 anos, cerca de 95.600 indivíduos nessa faixa etária (os tais 5%) não estarão vacinados.

Ana Jorge: poderá ser necessário antecipar vacinação de bebés

Este é o perfil de quem compõe as “bolsas de não-vacinados” que estão a preocupar os especialistas, numa altura em que os casos de sarampo confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge já chegam aos 21, informou a DGS em comunicado esta segunda-feira à noite, e um ano depois de a doença ter sido declarada eliminada em Portugal. Vários outros doentes estão em investigação.

Ao final do dia desta segunda-feira, o director-geral da Saúde, Francisco George, questionou os “direitos e deveres” dos pais que não fazem vacinação dos filhos pois “essa decisão não põe em risco apenas as próprias crianças”, tem “um reflexo na comunidade”. Também disse que estava a ser estudada a hipótese de baixar a idade da primeira vacina para antes dos 12 meses.

Actualmente, a vacina do sarampo é administrada em duas doses: uma aos 12 meses e uma segunda aos cinco anos. O grupo mais vulnerável é o das crianças entre os 6 e os 12 meses, “pois já não têm os anticorpos maternos e ainda não fizeram a primeira dose”, afirmou ao PÚBLICO Maria do Ceú Machado, que foi Alta Comissária da Saúde e directora do departamento de Pediatria do Hospital Amadora-Sintra e foi nomeada no mês passado para a presidência do Infarmed.

95% vacinados

Teresa Fernandes, da equipa de coordenação do Programa Nacional de Vacinação (PNV) da DGS, referiu ao PÚBLICO que a percentagem de 95% de pessoas vacinadas corresponde a uma média nacional, mas sublinhou que há pequenas comunidades, a nível local, com taxas mais altas de não-vacinados onde o risco aumenta.

Estas comunidades estão em bairros ou são famílias, são “pequenas populações”, afirmou. A DGS sabe onde estão as crianças que não cumpriram o PNV, mas ao PÚBLICO a especialista preferiu não especificar a sua dispersão geográfica para não lançar o pânico. “A nível local e regional estão a ser desenvolvidas acções” de sensibilização para conseguir a sua vacinação, acrescentou.

As “bolsas de não-vacinação” preocupam os especialistas, já que, como explicou Ricardo Mexia, da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, a existência de um grupo que não esteja vacinado aumenta a probabilidade de contágio e de propagação da doença.

Em 2001, a taxa de vacinação era de 98% e em 2007 tinha baixado para 95%, lembra Ricardo Mexia. A vacina do sarampo tem “imunidade de grupo”, ou seja, têm de estar mais de 95% das crianças vacinadas para a população estar protegida, explica, por seu lado, Maria do Céu Machado, actualmente directora do departamento de Pediatria do Hospital Santa Maria.

Teresa Fernandes revelou ainda que as taxas mais baixas da cobertura da vacina foram detectadas sobretudo em crianças que tinham sete anos em 2016 e que não receberam a segunda dose.

Para esta especialista, apesar de, a nível europeu e mundial, existirem pais que não vacinam os filhos por serem contra, em Portugal esse fenómeno ainda não gera preocupação. Também Luís Varandas, da Comissão de Vacinas da Sociedade de Infecciologia Pediátrica e da Sociedade Portuguesa de Pediatria, não o considera problemático. “Podemos especular sobre as razões do reaparecimento [do sarampo] mas uma delas prende-se com a própria doença que é altamente contagiosa e não precisamos de muitos casos para se propagar”, comenta. “O outro aspecto são as bolsas de não-vacinação em termos europeus, porque há muito sarampo na Europa. E outro é a mobilidade: alguém que está em período de incubação e se desloque, facilmente transmite a doença. Se todos os anos temos 1% da população que não está vacinada, ao fim de cinco anos temos uma pool de pessoas não imune relativamente alto.”

Clusters de estrangeiros”

Já Maria do Ceú Machado diz que há “clusters de estrangeiros (sobretudo belgas e alemães) e alguns portugueses que se dizem esclarecidos”, nomeadamente um grupo nos arredores de Lisboa, que opta pela não-vacinação.

Segundo o Centro Europeu de Controlo de Doenças, o sarampo cresceu na Europa e quase todos as situações terão ligação ao surto que começou na Roménia em Fevereiro de 2016, país que lidera o número de surtos com mais de quatro mil casos, diz a Lusa. A agência refere que nos primeiros quatro meses do ano houve mais casos de sarampo em Portugal do que na última década.

As razões do reaparecimento do sarampo em Portugal ainda estão a ser analisadas. Francisco George lembrou que é necessária uma pesquisa grande já que o período em que pode haver contágio antes de aparecerem as erupções na pele é de até quatro dias e a incubação pode chegar às três semanas.

Só a partir de 1990 é que a vacina do sarampo foi generalizada em Portugal – por isso quem nasceu entre 1974 e 1990, em princípio, só recebeu uma dose. Até 1974, quando foi introduzida a vacina do sarampo no PNV, a maioria dos adultos contraía sarampo, pelo que nessa faixa etária há mais pessoas imunes. Neste momento, as recomendações são uma dose para os adultos. Em caso de dúvida sobre se se está ou não vacinado, deve-se vacinar, aconselha Teresa Fernandes.

Grupos vulneráveis

Além das pessoas que não estão vacinadas e das crianças até aos 12 meses, os profissionais de saúde e pessoas que não tiveram segunda dose estão entre os grupos vulneráveis, afirma Luís Varandas. “E quanto maior o tempo de contacto, maior a probabilidade de contrair a doença.”

A equipa do PNV está a chamar as crianças que não estão vacinadas. A vacinação não é 100% eficaz, mas a probabilidade de alguém vacinado apanhar sarampo baixa significativamente – além de se tornarem menos graves os sintomas, como febre, erupções cutâneas, tosse ou conjuntivite. O sarampo é uma das principais causas de morte de crianças no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). As encefalites, pneumonia e otites que degeneram em surdez são algumas das consequências mais perigosas.

A Teresa Fernandes, da DGS, rejeita a ideia de epidemia. Como a doença foi declarada eliminada pela OMS, “há um número de casos acima do esperado”. Também Luís Varandas não acredita num surto, mas diz que ” vai haver mais casos”.

Notícia corrigida: é encefalites e não encefalias

 

 

 

Pais que não vacinem os filhos devem ser responsabilizados, afirma pediatra

Abril 18, 2017 às 4:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 17 de abril de 2017.

PAULO RICCA / PUBLICO

Mário Cordeiro lamenta falta de vacinação por parte dos pais e considera que a solução passa por desmitificar as falsas afirmações que se propagam pelas redes sociais contra a vacinação.

Lusa

O pediatra Mário Cordeiro lamenta a negligência dos pais que não vacinam os seus filhos, considerando que deviam ser responsabilizados pelas consequências dos seus actos, apesar de reconhecer que é difícil instituir a obrigação de vacinar. “Se morrer alguma criança não vacinada porque os pais não quiseram, não será isso passível de acusação de ‘morte por negligência, como seria se morresse por andar de carro sem cadeirinha ou cinto de segurança?”, questiona Mário Cordeiro em declarações à Lusa.

Actualmente, o Programa Nacional de Vacinação constitui uma recomendação das autoridades de saúde, mas as vacinas não são obrigatórias. O surto de sarampo que está a atingir a Europa tem sido relacionado com casos de pessoas que não querem vacinar os filhos.

O pediatra fez parte de um grupo de trabalho que estudou na Direcção-Geral da Saúde a possibilidade de tornar obrigatórias as vacinas. “Não é possível, porque qualquer obrigatoriedade exige apuramento de responsabilidades, que é muito complexo numa situação destas, e também coimas ou equivalentes, que iriam penalizar os mais desfavorecidos ou menos abrangidos pela informação”, afirmou o médico.

Mário Cordeiro acredita que a solução não passa por tornar obrigatório, mas antes por ser mais incisivo em “desmontar as enormidades e falsidade que se dizem e propagam pelas redes sociais contra as vacinas”. “Dizer mal das vacinas é um luxo de um país que já não tem, como há bem pouco tempo tinha, casos diários de meningite ou mortes por sarampo, como [aconteceu] em 1994. A memória é demasiado curta e a arrogância demasiado grande”, declarou à Lusa.

Segundo o pediatra, o fenómeno de pais que não querem vacinar os seus filhos deve-se a uma mistura de mal-entendidos e teorias da conspiração associados a uma ignorância história e fraca memória. “Acho que é altura de se mostrar que estas teorias e estas pessoas são, também, responsáveis por estes surtos [como o do sarampo]. Chegou a altura de a sociedade não ter medo de denunciar esta ‘ciência do Facebook’”, sugere Mário Cordeiro, para quem a Direcção-geral da Saúde (DGS) tem feito um bom trabalho nesta área da vacinação e de alertas à população.

Alguns pais usam o argumento de que as vacinas “mexem” com a imunidade das crianças, usando-o como justificação para não as vacinarem. Perante isto, Mário Cordeiro explica que é isso mesmo que se pretende, mas indicando que se trata de uma coisa positiva, porque a criança fica com a imunidade para a doença sem sofrer os malefícios dela. O especialista recorda que, “aliás, todos os dias, a criança contacta com ‘N’ agentes microbianos na escola, em casa, na sociedade, que ‘mexem’ com a sua imunidade e a fortalecem”.

Mário Cordeiro lamenta ainda que Portugal, que sempre teve elevadas taxas de vacinação, volte a ter casos de sarampo: “É pena que um país que foi declarado ‘livre de sarampo’ há cerca de seis meses, e que foi apontado como um exemplo na Europa e no mundo, volte a ter um surto de sarampo autóctone. Mais cedo ou mais tarde ter-se-ia de pagar o preço da ignorância e do ‘não-te-rales’”.

Desde Janeiro foram notificados 23 casos de sarampo em Portugal e mais de 500 casos de sarampo foram reportados só este ano na Europa, afectando pelo menos sete países, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

 

 

Sarampo : Saiba os riscos, conheça o seu estado vacinal, proteja-se!

Abril 18, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Fumar na praia ou nos parques infantis com os dias contados?

Março 24, 2017 às 7:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://rr.sapo.pt/ de 24 de março de 2017.

O discurso de Vytenis Andriukaitis  pode ser consultado em baixo:

EUROPEAN CONFERENCE ON TOBACCO OR HEALTH: TOWARDS A TOBACCO-FREE EUROPE – PORTO, PORTUGAL – 23 MARCH 2017

EPA

Bruxelas defende a proibição do consumo de tabaco em todos os espaços públicos, entre os quais praia, parques infantis e equipamentos desportivos. O anúncio foi feito pelo comissário europeu da Saúde e Segurança Alimentar no Porto, onde participou na VII Conferência Tabaco e Saúde, organizada pela Liga Portuguesa contra o Cancro.

A ideia é que a proibição seja implementada em todos os Estados-membros.

O comissário defendeu ainda, na quinta-feira, a definição de uma idade mínima para se fumar e aumentar a consciencialização nas escolas.

Vytenis Andriukaitis pretende que, com estas medidas, possa ser reduzido o número de mortes devido ao consumo do tabaco. Fumar mata seis milhões de pessoas, por ano, em todo o mundo. Em Portugal, 30 pessoas morrem por dia, vítimas de doenças relacionadas com o tabaco.

O governante europeu alertou também ser necessário seguir com atenção o mercado dos cigarros electrónicos, vistos como uma alternativa para deixar de fumar, afirmando que estes “não se podem tornar numa porta de entrada para novos fumadores”.

“Se os cigarros electrónicos são considerados como uma ferramenta que permite deixar de fumar, então devem ser autorizados como produtos farmacêuticos e vendidos em farmácias”, sublinhou.

Para o responsável, “o tabaco deve parecer e saber a tabaco, não deve parecer um perfume ou um bâton”, sendo que “tudo isto torna [o tabaco] atraente para as crianças começarem a fumar”.

Vantagens de uma embalagem limpa

Vytenis Andriukaitis referiu que “as evidências mostram que as pessoas têm menos probabilidade de fumar” se os maços exibirem mensagens e imagens que alertam para os riscos do tabaco, bem como se não tiverem marcas, logotipos e design de marketing”.

“Este é o motivo pelo qual cinco Estados-membros decidiram tornar obrigatória a embalagem ‘limpa’ nos respectivos países, e é um excelente exemplo para o resto da Europa”, disse.

Para o comissário europeu, ainda há um longo caminho a percorrer no combate ao tabagismo e é necessário que os estados-membros “juntem forças e trabalhem em conjunto” para tornar a Europa numa zona livre de tabaco.

Perante as “consequências devastadoras” do acto de fumar, quer de saúde quer económicas, o comissário desejou ainda que a legislação comunitária ajude os adolescentes “a fazerem a escolha certa de dizer não ao primeiro cigarro”.

Esta conferência é organizada pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, em parceria com a associação europeia das ligas contra o cancro, com o Alto Patrocínio da Presidência da República.

No evento, cuja sessão de abertura contou com a rainha de Espanha, estarão presentes até sábado médicos e peritos de Portugal, Espanha e outros países europeus, bem como delegados de toda a União Europeia.

 

 

 


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