Adolescentes europeus estão a fumar e a beber menos. E a iniciar-se sexualmente mais tarde

Março 15, 2016 às 9:42 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 15 de março de 2016.

Consultar o relatório citado na notícia em baixo:

Growing up unequal: gender and socioeconomic differences in young people’s health and well-being. Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) study: international report from the 2013/2014 survey

Hugo Amaral

Os adolescentes europeus estão a fumar e a beber menos e a começar mais tarde a sua vida sexual, mas o uso do preservativo está a diminuir, conclui um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Realizado entre 2013 e 2014 junto de 220 mil adolescentes de 11, 13 e 15 anos em 42 países da Europa e América do Norte, o inquérito “Health Behaviour in School-aged Children” (HBSC) conclui que os comportamentos de risco estão a diminuir nos adolescentes.

Relativamente ao último estudo do género, realizado em 2009/10, a proporção de jovens de 15 anos que fumaram o seu primeiro cigarro antes dos 13 anos desceu de 24 para 17 por cento, enquanto a percentagem de adolescentes que dizem fumar pelo menos uma vez por semana diminuiu de 18 para 12 por cento.

Também no consumo de álcool, o relatório detetou “declínios consideráveis” face ao último relatório, com a percentagem de jovens de 15 anos que dizem consumir álcool semanalmente a cair de 21 para 13 por cento e a proporção de adolescentes que diz ter ficado bêbedo pelo menos duas vezes a cair de 32 para 22 por cento.

“Este relatório tem uma série de muito boas notícias. A redução do álcool e do tabaco significa que as políticas que os países têm estado a implementar estão a tocar nos riscos do tabaco e do álcool nos jovens. Mas os países precisam de se manter vigilantes com as raparigas, mais do que com os rapazes”, disse à Lusa Gauden Galea, diretor da divisão de doenças não comunicáveis e promoção da Saúde do escritório da OMS para a Europa.

Com efeito, segundo o relatório, os rapazes têm maiores probabilidades de fumarem e de beberem, mas a diferença tende a esbater-se nos últimos anos.

“Temo que, embora haja um declínio em ambos, que o declínio nas raparigas não seja tão grande como nos rapazes”, disse Galea.

No que diz respeito ao comportamento sexual, questão que só foi colocada aos jovens de 15 anos, o relatório conclui que a percentagem de adolescentes que diz já ter tido relações sexuais baixou de 29 para 24 por cento no caso dos rapazes e de 23 para 17 por cento no caso das raparigas.

No entanto, diminuiu a percentagem de jovens que usam preservativo, de 78 para 65 por cento.

“É uma área que estamos a tentar abordar com os países na Europa e (…) pediremos aos 53 estados membros que considerem formas de melhorar o acesso aos contracetivos, mesmo entre adolescentes”, disse Gauden Galea, numa entrevista telefónica à Lusa.

Para o responsável, “é importante que os jovens tenham um entendimento dos riscos, tanto em termos do impacto da gravidez nas suas vidas futuras (…) como num aumento do VIH e de outras doenças sexualmente transmitidas”.

Galea defendeu que “é preciso fazer mais” e explicou que a abordagem passa por “educação sexual positiva e proativa”, mas também por permitir que os jovens tenham acesso aos “instrumentos que lhes permitam proteger-se e às competências para exigi-lo aos seus companheiros”.

Os investigadores detetaram ainda uma pequena redução na proporção de adolescentes que dizem ter-se envolvido em lutas pelo menos três vezes nos últimos 12 meses. As lutas são mais frequentes nos rapazes e diminuem com a idade.

O bullying é outra questão analisada no relatório da OMS e, embora não haja grandes mudanças na probabilidade de se sofrer de bullying na adolescência, há uma ligeira redução na percentagem de jovens que admite ter feito bulliyng sobre outros aos 13 e 15 anos.

O relatório HBSC é realizado de quatro em quatro anos desde há 33 anos e tem influenciado as políticas e a legislação em vários países europeus, diz a OMS.

Texto de Agência Lusa.

 

 

Jovens portugueses já bebem álcool como os nórdicos

Outubro 30, 2015 às 11:50 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 30 de outubro de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Os Jovens, o Álcool e a Lei Consumos, atitudes e legislação

Gonçalo Villaverde Global Imagens

 

Joana Capucho

Festas académicas, dias da semana com preços reduzidos, publicidade e promoções potenciam o consumo desregrado

Litradas, happy hours, ladies nights, shots a metro, promoções. Os jovens portugueses têm vindo a adquirir padrões de consumo de álcool próximos dos nórdicos – grandes quantidades na mesma ocasião -, o que, segundo a Sociedade Portuguesa de Alcoologia, está relacionado com o facto de as bebidas serem baratas e o acesso fácil. Só durante o cortejo da latada da Covilhã, no dia 21, 65 estudantes receberam assistência pré-hospitalar e 12 foram transferidos para o hospital devido ao consumo excessivo de álcool, situação que nesta altura se repete por todo o país.

A preferência dos jovens portugueses recai sobretudo na cerveja e nas bebidas espirituosas. “E assiste-se à aquisição de modelos próximos dos nórdicos. Há um consumo intenso e cada vez mais frequente de bebidas destiladas, mais graduadas”, disse ao DN Augusto Pinto, presidente da Sociedade Portuguesa de Alcoologia, que debateu o tema nas suas 23.as jornadas, na Universidade da Beira Interior. Na opinião do hepatologista Fernando Ramalho, “há muito tempo que isto acontece. Há mais de uma década que os padrões de consumo são completamente diferentes”.

Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Alcoologia, a acessibilidade e o preço são as duas grandes explicações para o problema. “As festividades académicas, promovidas pelas cervejeiras, prologam-se cada vez mais dias e até às seis da manhã, os bares dirigem festas às mulheres e dedicam noites a bebidas destiladas. Também há litradas, bebidas vendidas a metro e outras promoções”, exemplifica o responsável. Nas festas académicas, realça, “o preço das bebidas alcoólicas, nomeadamente da cerveja, é francamente mais baixo do que o da água. E, apesar da crise, bebe-se mais porque o álcool é bastante económico”.

Em Portugal, um dos países com maior consumo de álcool per capita a nível mundial (10,8 litros), a situação pode até tornar-se mais grave do que nos países nórdicos. “Eles consomem preferencialmente ao fim de semana e com intensidade. Aqui, além do consumo tradicional, há o excessivo em alguns dias, nomeadamente nas quintas feiras académicas e ao fim de semana”, esclarece Augusto Pinto. Segundo Manuel Cardoso, vice-presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), assiste-se ao consumo de quatro ou cinco bebidas seguidas e “os jovens bebem com o objetivo pré-definido de ficarem alegres”.

Num estudo do SICAD feito em 2014 – “Os jovens, o álcool e a lei” -, só 17% dos 1500 jovens entrevistados nunca tinham tomado bebidas alcoólicas. A maioria (63%) começou a beber antes dos 16 anos, sobretudo entre os 13 e os 15, e 70% assumiram que tinham bebido álcool recentemente. Os consumos nocivos surgem, sobretudo, a partir dos 16 anos e, apesar de serem os que bebem mais e até ficarem “alegres”, os que têm entre 19 e 24 são os que menos se embriagam de “forma severa”.

Cirroses hepáticas mais cedo

Os consumos precoces têm conduzido ao aparecimento de doenças relacionadas com o álcool cada vez mais cedo. Segundo o presidente da SPA, “há mais cirroses em indivíduos cada vez mais novos”. Manuel Cardoso confirma e explica que se deve ao facto de os jovens “começarem a beber muito cedo e com padrões de consumo problemáticos”. Há alguns anos, os casos surgiam, sobretudo, entre os 40 e os 50 anos. “É arrepiante ver cirroses a aparecerem antes dos 30.”

Este fenómeno tem vindo a ser percecionado por Fernando Ramalho no serviço de hepatologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. “A idade média para o aparecimento destas doenças tem vindo a diminuir.” Há zonas do país, destaca o hepatologista, onde “a partir dos 11 anos as crianças já bebem cerveja regularmente”.

Outro dado preocupante, diz Augusto Pinto, é o facto de o consumo de álcool entre as jovens do sexo feminino estar a aproximar-se do consumo entre os do sexo masculino. “Há cada vez menos diferença entre os consumos dos dois grupos e uma clara preferência destas jovens pelas bebidas destiladas”, frisa o presidente da SPA. Esta tendência ganha especial relevo, tendo em conta o facto de “a vulnerabilidade para as doenças hepáticas ser maior nas mulheres do que nos homens”.

Aos Alcoólicos Anónimos chegam cada vez mais jovens. “Há muitos que nos procuram e participam nos grupos, sobretudo maiores de 20 anos. Há um ou outro caso mais novo, mas são pontuais”, disse ao DN fonte da associação. Este crescimento na procura, sublinha, estará relacionado “com uma maior consciencialização de que precisam de ajuda”.

Para os especialistas ouvidos pelo DN, a alteração à lei do álcool foi importante, mas não chega. “É preciso educar e fiscalizar”, destaca Fernando Ramalho, lembrando que o álcool provoca 62 doenças, acidentes de trânsito, alterações de comportamento. “É o drama da sociedade portuguesa”, sublinha.

 

 

 

Crianças europeias reconhecem riscos para a saúde do vício na Net

Junho 13, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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De acordo com os responsáveis pelo relatório, a prevenção está demasiado centrada no ‘cyberbullying’, na proteção da informação pessoal e no contacto pessoal com estranhos que se conheceu ‘online’.

As crianças europeias reconhecem que o vício na Internet lhes pode provocar problemas de saúde, e mencionam dores de cabeça e problemas de visão como consequência do excessivo tempo despendido ‘online’, refere um relatório apoiado pela União Europeia.

A perda de contacto com a realidade, assim como a falta de interesse por atividades, foram reconhecidas como consequências do vício na Internet pelas crianças de nove países europeus que participaram num estudo da rede ‘EU Kids Online’, dedicado a analisar o que os mais novos percecionam como situações problemáticas ao usar a Internet.

“Depois de passarem demasiado tempo ‘online’, algumas disseram sentir dores de cabeça, problemas de visão, sonos irregulares e até mesmo a perda de amigos”, refere-se nas conclusões do relatório agora divulgado, que envolveu a participação de 378 crianças entre os 9 e os 16 anos de idade, com origem em Portugal, Bélgica, República Checa, Grécia, Itália, Malta, Roménia, Espanha e Reino Unido.

No entanto, o que os jovens mais receiam ao usarem a Internet é serem vítimas de assédio ou ‘bullying’, de acordo com as conclusões do relatório, que já tinham sido parcialmente divulgadas em fevereiro, a propósito do dia da Internet Segura.

As conclusões indicam também que as vítimas deste tipo de violência, frequentemente veiculada através das redes sociais, tendem a recorrer mais a estratégias proactivas de defesa que evitem a exposição a situações de risco, do que a procurar apoio social – junto da família, amigos e escola – para lidar com o problema, sendo que são as raparigas quem mais procura ajuda social.

No que diz respeito à mediação de potenciais situações problemáticas, os pais são uma importante rede de apoio junto dos mais novos, que são aqueles que têm menos relutância em recorrer à intervenção parental. Os mais velhos tendem a ver a intervenção dos pais nestas situações como uma invasão de privacidade, sobretudo quando estes pedem para verificar os aparelhos eletrónicos que os filhos estavam a usar.

“Isto é um problema, porque pode provocar conflitos no seio da família e tornar menos provável que as crianças confiem nos pais para lhes contar os problemas que surjam”, lê-se nas conclusões.

Sobre o envolvimento das escolas na mediação e prevenção de conflitos, o relatório refere que “variou consideravelmente, dependendo da cultura da escola, e das aptidões e conhecimentos tecnológicos dos professores”.

Em alguns casos, acrescenta-se, as estratégias de prevenção são incorporadas em atividades em sala de aula, ou organizam-se palestras para alertar para os riscos.

Os autores do estudo apontam algumas políticas que podiam ser adotadas para lidar de forma mais abrangente com as várias situações de vulnerabilidade que os mais novos podem enfrentar pelo uso da Internet.

De acordo com os responsáveis pelo relatório, a prevenção está demasiado centrada no ‘cyberbullying’, na proteção da informação pessoal e no contacto pessoal com estranhos que se conheceu ‘online’

“As crianças precisam de uma educação mais vasta e detalhada sobre o mundo digital que as ajude a avaliar melhor situações problemáticas. Também precisam de mais educação relativamente à exposição a conteúdos de cariz sexual ou a contactos de índole sexual, assim como de mais informação sobre vício digital e problemas comerciais”, refere o estudo.

Os autores defendem ainda que as estratégias de prevenção devem ter em conta o contexto social das crianças, a sua idade e deve valorizar o país de origem de cada uma, dando como exemplo o facto de aquelas que são de países da ex-federação soviética verem o ‘download’ ilegal como uma situação mais aceitável do que as crianças do Reino Unido, que identificam os problemas legais destas ações.

 

Jornal i em 2 Jun 2014

Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil 2013

Junho 11, 2013 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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dgs

Descarregar o programa Aqui

Consulta Pública – Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil

Julho 20, 2012 às 4:00 pm | Publicado em Divulgação, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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A Direção-Geral da Saúde coloca em consulta pública, até ao próximo dia 3 de agosto de 2012, o documento “Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil”, na sequência do Programa-tipo de Atuação em Saúde Infantil e juvenil, criado em 1992 e cuja última revisão havia sido efetuada em 2005.

 Podem responder a esta consulta pessoas singulares ou coletivas, públicas ou privadas, com interesses ou competências nas referidas áreas.

A submissão dos contributos pode ser efetuada através do endereço contributos.pnsij@dgs.pt

Consultar o documento aqui

 

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