Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal – estudo do CNS

Dezembro 12, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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O estudo Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal debruça-se sobre as políticas públicas de proteção e promoção da saúde das crianças e jovens, dos 0 aos 18 anos. Visa identificar políticas já existentes e verificar quais os determinantes da saúde que ainda carecem de algum tipo de abordagem e desenvolvimento e que podem constituir riscos acumulados ao longo da vida. E tece recomendações que permitam orientar linhas de ação estratégica para o desenvolvimento saudável deste grupo etário.

O estudo encontra-se em discussão pública até ao dia 3 de janeiro de 2019.

Todos os contributos poderão ser remetidos para o CNS, para o seguinte endereço de e-mail:
geral.cns@cns.min-saude.pt

Aceder ao estudo:

Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal [3.4 Mb]

 

«Peso exagerado nas mochilas está ligado a contraturas musculares, má postura e excesso de carga nos discos da coluna»

Setembro 17, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Alexandra Pedro para o DNLife, em 26 de agosto de 2018

Depois de lhe darmos seis dicas fundamentais para o uso adequado das mochilas escolares, consultámos o neurocirurgião Bruno Santiago, coordenador da campanha nacional Olhe Pelas Suas Costas, para lhe explicar melhor quais os problemas que podem surgir do excesso de carga.

Bruno Santiago é neurocirurgião e coordenador da campanha Olhe Pelas Suas Costas, desenvolvida a nível nacional. Depois das recomendações para comprar a mochila mais adequada para o próximo ano letivo, o especialista deu uma entrevista à Life para falar sobre os problemas do excesso de peso nas costas.

Em causa estão problemas de postura, dificuldades musculares e até lesões na coluna vertebral. Leia a entrevista com o neurocirurgião e recorde as recomendações sobre a utilização das mochilas na fotogaleria.

Qual o peso ideal das mochilas?
Sabemos que o peso das mochilas não deve exceder 10 por cento do peso corporal da criança. Para uma criança de 30 quilogramas, por exemplo, deveria ter no máximo 3 quilos. Mas verificamos, frequentemente, que esse peso é largamente excedido, podendo chegar aos oito quilogramas.

«Os pais devem ter um papel pró-ativo e inequívoco na vigilância desta situação, pesando a mochila dos filhos e alertando os professores ou a escola.»

Que consequências podem surgir do excesso de peso nas costas?
Provoca desde logo um aumento da carga que a coluna vertebral em crescimento tem que suportar. No curto prazo provoca dores nas costas, que podem ser na região lombar ou cervical e ombros. O peso exagerado nas mochilas correlaciona-se também com contraturas musculares, má postura do tronco e com um excesso de carga nos discos da coluna vertebral.

E a longo prazo?
A longo prazo, esta sobrecarga e postura inadequada de forma persistente pode contribuir para um desgaste mais precoce dos discos intervertebrais, embora não esteja ainda demonstrada ou quantificada essa correlação do ponto de vista científico.

Como acha que se pode contornar o problema do excesso de peso nas mochilas dos estudantes?
Deve existir um esforço de gestão dos livros necessários para a aprendizagem. Ou seja, só deveriam levar para casa o mínimo indispensável para os trabalhos de casa. Idealmente, seria até apenas uma disciplina de cada vez.

A utilização de cacifos na escola tem sido uma solução apontada…
Sim, a par da transformação digital dos manuais escolares. Há também alguns detalhes na escolha das mochilas que são úteis, como ter vários compartimentos para melhor distribuir o peso e duas alças bem almofadadas. É ainda de realçar a importância de colocar sempre a mochilas em ambos os ombros.

 

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Como devem os pais lidar com esta questão?
Os pais devem ter um papel proativo e inequívoco na vigilância desta situação, pesando a mochila dos filhos e alertando os professores ou a escola caso o excesso de peso da mochila seja recorrente.

Durante o processo de crescimento ocorre um impacto muito negativo na postura da criança ou do adolescente.

Quais são as idades mais afetadas pelo excesso de peso?
As dores nas costas nas crianças e adolescentes aumentam com a idade e está demonstrado que a sua frequência é maior sobretudo entre os 10 e os 16 anos. Há vários estudos que destacam a correlação entre este tipo de dores nas crianças e o uso de mochilas com um peso que excede os 15 a 20 por cento do peso corporal.

Estes problemas de coluna podem dificultar o processo de crescimento?
Durante o processo de crescimento ocorre um impacto muito negativo na postura da criança ou do adolescente, com o uso persistente e errado das mochilas pesadas, que se pode prolongar na vida adulta. No entanto, não está provado que contribua para doenças específicas da coluna vertebral, como por exemplo a escoliose.

Pós Graduações em Saúde Mental – Promoção da Saúde Mental e do Bem Estar em Contexto Escolar e Educação Sexual – Intervir na Promoção e Bem estar da Saúde Sexual e Reprodutiva na FMH

Fevereiro 1, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://posgrad.fmh.ulisboa.pt/saude-mental/

mais informações:

http://posgrad.fmh.ulisboa.pt/educacao-sexual/

Escolas devem comunicar a delegados de saúde alunos sem vacinas em dia

Maio 11, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/de 29 de abril de 2017.

As escolas devem comunicar aos delegados de saúde os casos de alunos que não têm as vacinas em dia, determina um despacho do Governo. Objetivo é promover aconselhamento.

Os estabelecimentos de educação pré-escolar, do básico e do secundário devem comunicar aos delegados de saúde coordenadores do respetivo agrupamento de centros de saúde da área de cada escola “os alunos que não se encontrem com a vacinação recomendada atualizada”, determina um despacho do Governo.

O diploma, publicado sexta-feira em Diário da República, indica que é necessário “reforçar os mecanismos de articulação dos estabelecimentos escolares com as autoridades de saúde” no que à vacinação diz respeito.

O objetivo de as escolas transmitirem esta informação aos delegados de saúde é, segundo o despacho, “promover o aconselhamento e esclarecimento adequados”, bem como sensibilizar as famílias para os benefícios da vacinação.

As vacinas do Programa Nacional de Vacinação (PNV), que são gratuitas, não são obrigatórias, mas geralmente as escolas, públicas e privadas, pedem o boletim vacinal dos alunos no ato da matrícula ou da inscrição.

A importância de se cumprir o esquema vacinal segundo o PNV tem sido evidenciada pelas autoridades de saúde no atual surto de sarampo em Portugal, que até ao momento já afetou 25 pessoas e levou à morte de uma jovem de 17 anos.

A vacinação é o meio de prevenção mais eficaz contra o sarampo, uma doença altamente contagiosa e que, ainda que geralmente tenha evolução benigna, pode gerar complicações graves e até levar à morte.

 

 

 

As casas de banho escolares – falar disto agora para resolver até setembro…

Abril 26, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Mário cordeiro publicado no https://ionline.sapo.pt/ de 11 de abril de 2017.

Pouco se fala do assunto, mas as consequências podem ser graves. Depois de ler este artigo, o leitor, seja pai, professor, diretor de escola ou meramente cidadão, faça o que puder para que as coisas melhorem!

As más condições das casas de banho escolares são um problema frequente no dia–a-dia das crianças. A maioria das crianças evitam usar a casa de banho da sua escola, muitas delas durante todo o dia.

As razões apontadas – e que poderiam sê-lo por qualquer leitor – incluem: cheiro desagradável, sujidade, portas que não fecham e falta de privacidade, sanitas partidas, ausência de papel higiénico, vandalismo e graffiti nas casas de banho, localização inconveniente das mesmas, o facto de estas se encontrarem por vezes trancadas e, em muitas escolas, só se poderem usar nos intervalos, em que a chusma de crianças a necessitar de ir à casa de banho é grande e, naqueles escassos 15-20 minutos, muita outra coisa há a fazer.

A falta de privacidade é o problema principal referido pela maioria das crianças; num estudo que fizemos, 70% relataram existência de urina e fezes no chão, paredes ou assento da sanita. Neste mesmo estudo, perto de quatro quintos das crianças referiram que as casas de banho eram “sujas, desagradáveis, a cheirar mal, assustadoras e locais de bullying”.

A retenção urinária e fecal por recusa de usar as casas de banho escolares são causa de problemas de saúde, psicológicos e educacionais significativos. No primeiro ciclo, as crianças estão a aprender os hábitos higiénicos, pelo que é fundamental adquirir comportamentos visando autonomia, intimidade e uma boa sexualidade, o que obriga a um nível mínimo de qualidade das instalações sanitárias.

Ao longo do tempo, a retenção pode levar a uma situação conhecida como síndroma de eliminação disfuncional, com um padrão alterado de micção e defecação, e com obstipação, micção infrequente ou síndroma da bexiga preguiçosa. Esta situação pode dar dor abdominal, levar a não conseguir reter as fezes (encoprese), infeções urinárias recorrentes, urgência miccional, enurese, refluxo vesico-ureteral e até lesões renais.

É sabido, também, que a melhor posição para o esvaziamento da bexiga é a posição sentada, com apoio para as coxas e os pés, e o corpo ligeiramente dobrado para a frente. Pois… mas, na prática, 85% das mulheres que usam as casas de banho públicas normalmente agacham-se quando o fazem, resultando num aumento de cerca de uma vez e meia do volume urinário residual. Do mesmo modo, em escolas com sanitas sujas e sem assentos, as meninas tendem a agachar-se para não tocarem nas sanitas, o que pode levar a uma micção incompleta e aumentar o volume residual urinário, com aumento do risco de disfunção vesical e infeção urinária.

Por outro lado, a pressa que as crianças têm de se “despachar”, entre outras razões para evitar o contacto com o assento da sanita, faz com que se verifiquem situações em que a urina reflui para a zona vulvovaginal, molhando depois as cuecas quando se levanta, o que é uma situação muito desagradável do ponto de vista psicológico.

Algumas crianças referem beber menos líquidos, com vista a terem de ir menos à casa de banho, mas isso pode levar a uma leve desidratação, que resulta em menor atenção, irritabilidade, mau humor e falta de concentração, e também aumentar o risco de infeção urinária ou obstipação.

Além destes efeitos físicos, os problemas causados por casas de banho escolares inaceitáveis podem provocar ansiedade e vergonha, especialmente nas crianças que acabam por sofrer de incontinência, podendo ser vítimas de bullying, o que afeta o rendimento escolar, com mais baixa autoestima, pior desempenho e mal-estar na escola.

Sabe-se igualmente que uma em oito meninas (cerca de 12,5%) tem o primeiro período menstrual (menarca) durante o 1.o ciclo e a ausência de condições sanitárias das casas de banho escolares, desde a falta de privacidade (casas de banho mistas) a outros pormenores, como a ausência de caixotes de lixo, pode tornar a menstruação uma experiência traumática que afeta a criança e perturba o desenvolvimento de uma sexualidade saudável.

É ainda de referir a importância das condições higiénicas na disseminação de doenças, designadamente gastroenterites e hepatite A, através da utilização de assentos, sabonetes ou torneiras contaminadas, ainda por cima quando sabemos que a utilização é feita nos intervalos, altura em que as crianças comem os lanches da manhã e da tarde, bem como antes das refeições principais, o que facilita a contaminação se houver má higiene.

Muitos pais “bramem”, nas reuniões de pais, por causa do “tamanho da maçã” ou porque “o Manel deu um encontrão ao Zé”, mas raramente referem as condições das casas de banho como um problema – e muitas direções escolares assobiam para o lado e ignoram a questão. Além disso, existe uma lacuna na legislação, a nível europeu. Em Portugal apenas existem algumas recomendações da responsabilidade do Ministério da Educação, que são escassas e insuficientes, e uma breve referência na Circular Normativa do Ministério da Saúde.

É necessário, pois, falar deste assunto sem papas na língua e que os jornalistas façam reportagens, pressionem e levantem questões a quem de direito – não esqueçamos que estamos a falar de crianças do 1.o ciclo, que ainda estão numa fase inicial da aprendizagem das regras de promoção de saúde e num contexto que deve ser eminentemente educativo e modelar.

Só para dar um exemplo de medidas que se podem tomar se se quiser fazer alguma coisa: num país escandinavo verificou–se que os meninos gostavam de pegar na sua “mangueirinha” e “regar” em todas as direções. Resposta: para lá de sermões, conselhos e normas, pintaram-se alvos em círculos, dentro da sanita. Resultado: as crianças passaram a querer acertar no “100” e deixaram de molhar o resto. Simples, não é? Aqui fica, à atenção de quem de direito. Com imaginação, criatividade e colaboração dos próprios alunos, conseguir-se-ão grandes avanços… mas só depois de reconhecer esta situação como um verdadeiro problema de saúde pública.

 

 

Petição contra peso excessivo das mochilas já foi assinada por mais de 16 mil portugueses

Fevereiro 9, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jornaleconomico.sapo.pt/de 6 de fevereiro de 2017.

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Mariana Bandeira

Baseando-se no estudo da Deco que concluiu que 53% das crianças transportavam mochilas com uma carga acima do recomendável pela Organização Mundial da Saúde, várias personalidades e instituições portuguesas assinaram uma petição a pedir medidas urgentes.

O ator José Wallenstein foi o primeiro signatário, mas a ele juntaram-se vários médicos fisiatras, a jornalista Cláudia Pinto e diversas instituições ligadas ao ramo da saúde. Mais de 16 mil portugueses já assinaram uma petição contra o peso excessivo das mochilas escolares em Portugal, lançada no dia 16 de janeiro.

De acordo com um estudo realizado pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco), em 2003, mais de metade das crianças do 5º e 6º anos de escolaridade transportam peso a mais nas mochilas.

“Passaram 13 anos desde este estudo. (…) Não estará na mesma, talvez, a maior consciencialização e sensibilização através dos meios de comunicação social, pois a cada ano letivo surgem novos alertas sobre esta situação. Mas todos sabemos que isso não é suficiente. Não chega”, escrevem os autores da petição, da qual fazem parte a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação e a Confederação Nacional das Associações de Pais.

A investigação da Deco concluiu 53% das crianças que participaram no trabalho transportavam mochilas com uma carga acima do recomendável pela Organização Mundial da Saúde, superior a 10% do seu próprio peso, sendo que 61% dos estudantes com dez anos de idade carregavam malas com peso excessivo e 44% das de 12 anos também.

O desfecho da análise da Deco levou a que este grupo de personalidades e instituições portuguesas a urgir alterações legislativas. Uma das principais medidas que propõem é que que se crie legislação no sentido de definir que o peso das mochilas escolares não deve ultrapassar os 10% do peso corporal das crianças, tal como o sugerido por associações europeias e americanas, requerendo ainda que se trate o assunto com urgência.

As outras sugestões dos signatários (atualmente 16.631) são as seguintes:

  • Obrigatoriedade de as escolas pesarem as mochilas das crianças semanalmente, de forma a avaliarem se os pais estão conscientes desta problemática e se fazem a sua parte no sentido de minimizar o peso que os filhos carregam. Para tal, cada sala de aula deverá contemplar uma balança digital, algo que já é comum em muitas escolas, devendo ser vistoriada anualmente.
  • Que as escolas públicas e privadas de todo o país disponibilizem cacifos para que todos os alunos consigam deixar alguns livros e cadernos, de modo que possam deslocar-se entre as suas casas e a escola com menos peso.
  • Podendo existir a opção de os alunos utilizarem o suporte digital, segundo o critério de cada escola, exigir às editoras responsáveis pela produção de manuais escolares o seguinte: manuais com papel mais fino ou divididos em fascículos retiráveis e conteúdos mais concisos e sintéticos, de modo a diminuir o volume e o peso dos livros.

 

 

Olhar pela saúde nas escolas

Janeiro 18, 2017 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educare.pt/de 6 de janeiro de 2017.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Relatório Técnico de Avaliação do Programa Nacional de Saúde Escolar do Ano Letivo 2014/2015

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Programa de Saúde Escolar revela hábitos de alunos e investe em ações que abordam assuntos como a alimentação, os afetos, a sexualidade, a saúde mental. O relatório do ano letivo 2014/2015 foi divulgado pela Direção-Geral da Saúde e mostra o trabalho feito nas cinco regiões do país.

Sara R. Oliveira

Não havia muitos alunos que escovavam os dentes na escola no ano letivo 2014/2015 e nem todos tinham o boletim de vacinas atualizado. Nesse ano, foram sinalizados 2060 casos de maus tratos e registados 50 590 acidentes escolares. Oitenta por cento das escolas cumpriam a restrição de fumar e 15% tinham coberturas de fibrocimento. O Norte e o Algarve investiram na educação para os afetos e a sexualidade. O Alentejo dedicou-se sobretudo à educação alimentar e Lisboa e Vale do Tejo à prevenção do consumo de tabaco. Estes são alguns dos resultados do relatório técnico do Programa de Saúde Escolar do ano letivo 2014/2015, elaborado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Ao todo, 73% dos alunos matriculados nesse ano letivo foram alvo desse programa, ou seja, 886 490 dos 1 219 652. Uma maior percentagem, 80%, no 1.º ciclo do Ensino Básico e, com menor incidência, 54%, no Secundário. O programa teve mais expressão nos primeiros níveis de ensino. E existem diferenças regionais que, não sendo significativas, revelam prioridades nesta intervenção escolar. O Norte e o Alentejo privilegiaram as escolas do 1.º ciclo. O Centro e o Algarve o 2.º ciclo. Lisboa e Vale do Tejo abrangeu de forma equilibrada todos os níveis de ensino. E o Algarve foi a região que, proporcionalmente, mais trabalhou com os alunos do Secundário.

A análise feita revela que 31% dos alunos abrangidos pelo programa escovavam os dentes na escola, 66% estavam vacinados, 85% cumpriam a vigilância em saúde e 58% tinham um plano de saúde individual. O Norte foi a região que mais contribuiu para a melhoria da vigilância da saúde dos mais novos, o Algarve sobressaiu na melhoria da vacinação. O apoio a crianças e jovens com necessidades de saúde especiais (com doenças crónicas complexas, doenças neuromusculares, diabetes, asma e doenças alérgicas, entre outras) foi mais significativo no Norte e no Algarve. Seja como for, o programa ajudou a melhorar os indicadores de saúde das crianças e jovens, bem como o cumprimento da vacinação e vigilância da saúde.

Segundo o relatório da DGS, a saúde escolar sinalizou 2060 crianças e jovens vítimas ou suspeitas de maus tratos: 631 no 1.º ciclo, 532 no 3.º ciclo, 482 no 2.º ciclo, 267 no pré-escolar e 147 no Secundário. O maior número de sinalizações verificou-se no Norte, seguindo-se Lisboa e Vale do Tejo e a região Centro. O Alentejo e o Algarve tiveram menos situações reportadas. Os casos de maus tratos ou suspeitas sinalizados nas escolas são encaminhados para os Núcleos de Apoio a Crianças e Jovens em Risco.

Oitenta por cento das escolas cumpriam a restrição de fumar no ano 2014/2015. A evolução tem sido positiva. No ano 2013/2014, a percentagem era de 79%, no ano letivo anterior de 76% e em 2011/2012 de 75%. “Apesar da boa evolução, nem todas as escolas cumprem a restrição de fumar e ainda há queixas sobre o desrespeito da lei”, lê-se no relatório. Em 2014/2015, contaram-se nove queixas por alunos fumarem.

O relatório dá ainda conta de 50 590 acidentes escolares: 2726 no pré-escolar, 14 380 no 1.º ciclo, 12 020 no 2.º ciclo, 14 868 no 3.º ciclo e 6 596 no Secundário. Todas as escolas avaliadas tinham sistema de recolha de resíduos sólidos, 98% da água para consumo humano era da rede pública e 90% tinham ligação à rede pública de esgotos. Quinze por cento tinham cobertura em chapa de fibrocimento, a maior percentagem estava situada na região de Lisboa e Vale do Tejo.

A DGS refere que a intervenção no âmbito da saúde escolar tem contribuído para a melhoria da saúde oral e redução da cárie dentária, através da implementação da escovagem dos dentes, de forma correta e precoce. “As crianças e jovens com necessidades de saúde especiais, isto é, problemas de saúde que podem comprometer, ou não, as aprendizagens é outra área de preocupação que as equipas de saúde escolar procuram eliminar/minimizar através da elaboração de planos de saúde individuais”, sublinha a DGS.

Afetos, tabaco, alimentação

As ações sobre alimentação saudável e atividade física foram as que chegaram a mais alunos, 386 383 ao todo. A seguir surgem as ações de educação para os afetos e a sexualidade com 378 400 alunos e as dedicadas ao ambiente e saúde com 270 672. Questões ligadas à saúde mental e à promoção de competências socioemocionais abrangeram 143 014 crianças e jovens, e a prevenção do consumo do tabaco chegou a 122 443 alunos. A prevenção do consumo de bebidas alcoólicas e de substâncias psicoativas ilícitas envolveu menos de 100 mil alunos. No pré-escolar, todos os assuntos são abordados, à exceção da saúde mental e do consumo do tabaco e de substâncias psicoativas ilícitas.

O Norte e o Algarve destacaram-se pelo investimento em educação para os afetos e sexualidade. O Alentejo deu preferência à educação alimentar e o Centro à educação para o ambiente e saúde e à alimentação. Lisboa e Vale do Tejo sobressaiu na prevenção do consumo de tabaco.

O relatório indica que, no futuro, é necessário promover uma maior intervenção em saúde mental e competências socioemocionais. “Melhorar o nível de literacia para a saúde dos alunos é muito mais do que informar sobre os riscos associados a determinados comportamentos e doenças. É motivar, é compreender a informação de saúde, é saber aceder e utilizar essa informação para promover e manter uma boa saúde”. O programa pode virar-se para outras direções. “Outras áreas novas como os hábitos de sono e repouso, a educação postural e a prevenção de comportamentos aditivos sem substância não foram intervencionadas de forma expressiva na escola. No entanto, elas são de capital importância para a saúde das crianças e dos jovens que a frequentam”, realça-se.

No ano letivo 2014/2015, foram avaliados 2230 estabelecimentos de ensino quanto à segurança, higiene e saúde. A maior parte das escolas tem boa segurança e higiene no seu meio envolvente. As escolas do Algarve eram as mais seguras no recinto, no edifício e na zona de alimentação coletiva. A segurança do meio envolvente da escola era maior no Alentejo. O Algarve e o Centro tinham uma maior percentagem de escolas com boas condições de higiene nos diversos espaços escolares. E, como se sabe, a boa higiene do ambiente escolar implica a limpeza geral do espaço, do mobiliário urbano, a boa conservação das salas de aula, balneários, vestiários, instalações sanitárias, remoção de resíduos em todas as áreas do estabelecimento, cantinas incluídas.

Literacia de alunos e docentes

O relatório focou-se no ano letivo em que mudou o paradigma de intervenção da saúde escolar e o seu sistema de informação. No ano em que foi elaborado um referencial de educação para a saúde, em que se operacionalizaram projetos para a promoção de estilos de vida saudáveis, do pré-escolar ao secundário, e se investiu em materiais pedagógicos.

Ao todo, 53 557 educadores de infância e docentes foram alvo do programa. Tal como acontece com os alunos, os professores dos primeiros níveis de educação, em especial os educadores de infância, são os que têm maior apoio no âmbito da saúde escolar. Situação que se repete e que a DGS avisa que é preciso inverter. “O principal trabalho das equipas de saúde escolar, especialmente no que à promoção da saúde diz respeito, é junto dos docentes e não docentes”, lê-se no relatório. O Alentejo, o Centro e o Norte trabalharam com cerca de 80% dos educadores de infância e professores do 1.º ciclo.

O programa melhora a literacia para a saúde de alunos e docentes. Quanto mais cedo se passar à ação, melhor. “Obter ganhos em saúde, a médio e longo prazo, passa por olhar para o perfil de saúde da população portuguesa e trabalhar desde cedo em prol da promoção e educação para a saúde, e da redução dos determinantes das doenças crónicas como a obesidade, o tabaco, a diabetes e a hipertensão arterial que condicionam a esperança de vida saudável”. E não se pode esquecer a formação. A DGS defende que “investir em promoção da saúde na escola é dar prioridade aos docentes, capacitando-os para que os determinantes da saúde sejam integrados nos currículos das mais diversas áreas do saber e a sua ‘transmissão’ aos alunos seja pedagogicamente adequada ao nível de desenvolvimento do grupo escolar”.

 

 

Indisciplina e más notas provocadas por sofrimento emocional acentuado

Janeiro 5, 2017 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 30 de dezembro de 2016.

A notícia contém declarações da Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança.

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Isolamento pode ser um dos sinais de sofrimento | Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens

Ana Bela Ferreira

Promoção da saúde mental é prioridade da Direção Geral da Saúde, que já formou 300 profissionais para ajudar jovens

As dificuldades de aprendizagem e indisciplina de muitas crianças resultam de “um sofrimento emocional acentuado”, alerta a Direção Geral da Saúde (DGS), no relatório do Programa Nacional de Saúde Escolar, feito no letivo 2014/2015 e recentemente apresentado. Preocupada com o problema, a promoção da saúde mental passou a ser “o eixo central da intervenção da Saúde Escolar”.

A aposta – resultado de uma parceria entre a DGS e Direção Geral da Educação – “tem a ver com a consciência de que o universo escolar traz atrelado uma série de preocupações e a certeza de quando há uma boa saúde mental é mais fácil a aprendizagem, a inserção social, o sucesso escolar e como é importante apostar desde o início nestas áreas”, defende Conceição Tavares Almeida, psicóloga e assessora para a área da infância e adolescência no programa nacional de saúde mental.

Para poder ajudar as crianças e jovens, arrancou, em fevereiro deste ano, um plano de formação “de cerca de 300 profissionais de saúde e de educação que ficaram capacitados para desenvolver projetos de promoção da saúde mental orientados pela tipologia de competências socioemocionais”, segundo explicou ao DN a coordenadora do Programa Nacional Saúde Escolar, Gregória Paixão von Amann. E que o coordenador do Programa Nacional para a Saúde Mental – que trabalhou em conjunto com a equipa da Saúde Escolar – confirma que está previsto manter em 2017. “Está no plano de atividades a continuidade deste programa de formação, para chegar mais ou menos a mais 300 pessoas e assegurar apoio a quem já teve esta formação. Está previsto, mas às vezes pode haver problemas de orçamento, tal como já tivemos no ano passado”, aponta o especialista.

Com estas ações, os responsáveis de saúde pretendem que sejam desenvolvidos projetos junto das crianças que as ensinem “a aceitar as diferenças entre si, a respeitarem-se mutuamente, a saberem identificar quando precisam de ajuda e recorrerem a um adulto de referência, a assumirem gradualmente a responsabilidade das suas ações e a tomarem as melhores decisões para a sua saúde e vida”, refere a coordenadora do programa de saúde escolar.

Além disso, “quando os professores estão alerta para a situação por detrás daqueles comportamentos, acabam por adequar a sua forma de estar e conseguem ter outros resultados, não tem que ser uma atitude desculpabilizante, mas de compreensão”. E como “comportamento gera comportamento”, os alunos “acabam por mudar a sua atitude perante o professor”, justifica Melanie Tavares, coordenadora da mediação escolar do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

É “melhorando a qualidade da interação entre a criança ou jovem com a família, a escola e o meio sociocultural”, que a DGS acredita ser o caminho para combater o sofrimento emocional de muitas crianças. “No âmbito do Programa Nacional de Saúde Escolar a promoção da saúde mental é uma prioridade pois é a dimensão da saúde que permite lidar, de forma mais eficaz, com as emoções, os sentimentos, as frustrações e usufruir do seu contributo para a capacidade de pensar e de tomar decisões”, diz Glória von Amann.

Não há crianças mal educadas

Uma das razões para investir na saúde mental dos jovens é, segundo o psiquiatra Álvaro Carvalho, o facto de “nenhuma criança é mal educada porque sim”. “O caráter só se forma no final da adolescência, ou seja, até lá comportamentos de indisciplina ou agressivos são, com frequência, expressão de problemas emocionais, que podem ter origem na família ou na escola”.

Esse é o entendimento que tem estado na base da atuação dos gabinetes de apoio ao aluno e à família (GAAF) do IAC, desde que foram criados em 1998. “A nossa intervenção sempre assentou em quatro pilares: aluno, escola, família e comunidade. A nossa experiência diz-nos que na maioria das vezes o problema está na família, na falta de apoios socioeconómicos ou acompanhamento”, refere Melanie Tavares, coordenadora da mediação escolar do IAC. Da sua experiência, a psicóloga, lembra que “os alunos são o espelho das situações familiares”. “Uma criança quando não está bem só consegue por cá para fora coisas más. Se tivermos adultos educados para lidar com este tipo de crianças ou jovens, eles desistem do comportamento que tinham”, acrescenta.

Dos casos que acompanham, “sem fazer um estudo, diria que 80% dos alunos que identificámos com problemas emocionais, tiveram problemas de comportamento”. No ano letivo anterior, os GAAF identificaram 229 alunos com problemas do foro psicológico e 544 participações disciplinares (sendo que o mesmo aluno pode ter mais do que uma participação).

O número de crianças “com problemas mentais” não é conhecido em Portugal, como esclarece Álvaro Carvalho, que faz referência aos dados internacionais que apontam para uma incidência de 20% e dessas só um quinto das crianças são tratadas.

Por vezes o mais difícil é perceber os sinais. “A questão é que tudo pode ser sintoma”, aponta Melanie Tavares. “Pode ser começar a ficar agitada ou muito parada, deixar de ter capacidade de concentração, ou então ficar muito concentrada e sobre investir na parte escolar, alterações alimentares. No fundo, é preciso estar atento a mudanças”, sintetiza Álvaro Carvalho.

 

 

 

Escolas sinalizaram mais de dois mil casos de maus tratos em 2014/2015

Dezembro 30, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 21 de dezembro de 2016.

o documento citado na notícia é o seguinte:

Relatório Técnico de Avaliação do Programa Nacional de Saúde Escolar do Ano Letivo 2014/2015

Relatório da Direcção-Geral da Saúde tem dados do ensino pré-escolar ao secundário Rui Gaudencio

Relatório da Direcção-Geral da Saúde tem dados do ensino pré-escolar ao secundário Rui Gaudêncio

No último ano lectivo avaliado pelo Programa Nacional de Saúde escolar, um quinto das escolas não respeitava a restrição de fumar.

Alexandra Campos

Mais de dois mil casos de maus tratos e suspeitas de maus tratos a crianças e jovens foram denunciados pelos estabelecimentos de ensino no ano lectivo de 2014/15, no âmbito do Programa Nacional de Saúde Escolar, revela um relatório divulgado nesta segunda-feira pela Direcção-Geral da Saúde (DGS).

No relatório técnico que faz a síntese das acções levadas a cabo no âmbito deste programa (que nesta última edição incluiu novos indicadores), especifica-se que foram 2060 os casos e as suspeitas de maus tratos identificados por professores ou funcionários ou elementos das equipas de saúde escolar nos estabelecimentos do ensino pré-escolar ao secundário.

O maior número de supostas vítimas foi identificado no ensino básico e a região Norte foi a que mais casos de maus tratos denunciou aos núcleos de apoio a crianças e jovens em risco que estão integrados nos agrupamentos de centros de saúde.

Estes núcleos são constituídos por equipas pluridisciplinares que identificam os autores dos maus tratos, habitualmente familiares das vítimas, e tentam resolver as situações de risco, razão pela qual no relatório da DGS não são adiantados detalhes sobre os casos. “Não nos vamos sobrepor às competências destes núcleos, referenciamos para quem tem a responsabilidade de tratar desta situações”, explica Gregória von Amenn, coordenadora do Programa Nacional de Saúde Escolar da DGS.

São estes núcleos nos centros de saúde que prioritariamente têm a responsabilidade da intervenção junto dos menores em risco, ainda antes das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens e dos próprios tribunais, os quais apenas devem ser chamados a intervir quando não for possível aos primeiros actuar de forma a remover o perigo.

Escolas denunciam um quarto dos casos

No relatório da DGS enfatiza-se que, em 2014, foram sinalizados a nível nacional mais de oito mil casos de maus tratos e suspeitas de maus tratos a crianças e jovens, o que permite concluir que aproximadamente um quarto destas situações são detectadas e denunciadas pelos estabelecimentos de ensino.

Mas o documento destaca ainda que no ano lectivo 2014/2015 ocorreram 50.590 acidentes dos mais variados tipos nos estabecimentos de ensino. Neste ano lectivo, o programa abrangeu 886 mil alunos dos mais de 1,2 milhões que estão matriculados em estabelecimentos de ensino, desde o pré-escolar até ao secundário. Ou seja, 73% do total dos alunos foram alvo de acções de promoção e educação para a saúde.

O que se percebe também é que um quinto dos estabelecimentos avaliados não cumpria então “a restrição de fumar” e que ainda há queixas sobre o desrespeito da legislação do tabaco (sobre consumo em locais inadequados, falta de vigilância, etc), apesar de a situação ter melhorado substancialmente nos últimos ambos. Fica-se a saber que menos de um terço (31%) dos alunos escova os dentes na escola.

O ano lectivo de 2014/2015 foi um ano de mudança no qual “se alterou o paradigma de intervenção da saúde escolar” e se mudou o seu sistema de informação, depois de ter sido assinado um protoclo de cooperação em Fevereiro de 2014 entre directores gerais da saúde e da educação.

 

I Congresso Presse “Educação Sexual na Região Norte”

Abril 27, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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