Coronavírus na escola: o que diz a ciência sobre os riscos da volta às aulas?

Setembro 5, 2020 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da BBC Brasil de 7 de agosto de 2020.

Daniel Gallas

Escute esta reportagem em áudio neste link.

“Vocês vão mandar suas crianças de volta para as aulas?”

A pergunta está presente em praticamente todos os grupos de WhatsApp de pais de alunos. Escolas do Brasil e de todo o mundo se preparam para reabrir pela primeira vez desde março, quando a maioria foi fechada devido à quarentena contra o coronavírus.

Mas o que a ciência diz sobre as escolas durante a pandemia? Elas podem reabrir agora com segurança para alunos e professores? O fechamento delas ajudou a conter a pandemia?

Em termos gerais, as pesquisas sugerem que pode ser seguro reabrir escolas onde não há grandes surtos da doença, mas que seria necessário manter medidas como distanciamento social. Além disso, seria vital ter um bom sistema de testes e de rastreamento de contatos — algo que inexiste em diversos lugares, como no Brasil.

Os estudos também mostram que professores, funcionários e alunos de escolas secundárias estão em maior risco que crianças pequenas de contrair a covid-19 — e que esses riscos não são nada desprezíveis.

Também está comprovado que diversas escolas no mundo — tanto primárias, quanto secundárias — registraram grandes surtos da doença.

No Brasil a maioria das escolas permanece fechada e sem previsão sequer de quando vão reabrir. Mas já há alguns planos mais avançados.

No Rio de Janeiro, algumas escolas da rede privada já retomaram suas atividades em agosto — mas com relatos de pouca presença de alunos e processos na justiça contra a reabertura. Alguns sindicatos de professores estão em greve contra a reabertura.

Em São Paulo, o governo estadual chegou a anunciar o dia 8 de setembro como o previsto para reabertura, mas isso ainda não foi confirmado.

No hemisfério norte, setembro coincide com o começo do ano letivo e muitos países já anunciaram que vão reabrir, mesmo em meio a temores de que uma segunda onda de coronavírus pode estar começando.

No Reino Unido, o governo disse que sua prioridade máxima é retomar as aulas a partir de setembro, e estuda até fechar outros segmentos da economia (como bares e restaurantes) como contrapartida para a reabertura das escolas.

O governo britânico também indicou que pode multar pais que não levarem seus filhos à escola, o que provocou reações fortes da sociedade. Um sindicato que representa 300 mil professores exige maiores garantias de que haverá segurança no retorno às aulas.

A imprensa local noticiou o caso de uma mãe que já economizou 4 mil libras (mais de R$ 27 mil) para pagar multas, já que ela não pretende mandar seu filho para a escola.

A Unesco diz que, neste mês, 60% da população estudantil do mundo está sofrendo com o fechamento de escolas — e que esse índice chegou a 90% em abril. Foram poucos países — como Taiwan, Suécia e Nicarágua — que decidiram manter suas escolas abertas durante a pandemia.

Desde março, diversos estudos já foram publicados com dados empíricos coletados nesta pandemia que tentam responder essas perguntas. Os governos têm se debruçado sobre essas pesquisas para tomar suas decisões — mas a questão é de difícil solução e não existe um consenso sobre qual seria o melhor caminho a seguir.

É arriscado?

A primeira pergunta na cabeça dos pais é: meu filho pode pegar covid-19 na escola?

Uma das mais recentes pesquisas sobre o tema foi publicada esta semana na revista científica The Lancet Child & Adolescent Health. E ela sugere que escolas podem reabrir onde houver outras formas de se controlar a pandemia, como distanciamento social.

Foram analisadas as escolas do Estado mais populoso da Austrália, New South Wales, entre os meses de janeiro e abril, quando a pandemia começou no país e atingiu seu pico. Nesse período, a maior parte das escolas ficaram abertas, mesmo quando em outros segmentos da sociedade eram registrados grandes surtos da doença.

O estudo liderado por uma pesquisadora do Centro Nacional para Pesquisa e Monitoramento de Imunidade sugere que as escolas não foram grande foco de infecção de coronavírus, com apenas 25 escolas registrando casos em um universo de 7,7 mil instituições — ou seja, menos de 1%.

O risco de infecção entre as crianças foi considerado pequeno.

A situação mais preocupante era a de professores e funcionários. Eles correspondem a apenas 10% da população escolar, mas responderam por 56% dos casos de covid-19 registrados em escolas.

Os autores do estudo foram explícitos nas suas conclusões: “nossas descobertas fornecem evidências de que a transmissão de Sars-CoV-2 em ambientes educacionais pode ser mantida em baixo nível no contexto de uma resposta eficaz à epidemia”.

“Onde medidas de mitigação da pandemia resultam em um controle forte da doença, nós prevemos que escolas podem ser mantidas abertas de forma segura, para o bem educacional, social e econômico da comunidade enquanto nos adaptamos para viver com a covid-19.”

Uma outra pesquisa das agências de saúde pública da Suécia e da Finlândia também afirma que o contágio de crianças não foi significativo durante a pandemia.

A Suécia e a Finlândia tiveram estratégias opostas durante a pandemia: os finlandeses fecharam suas escolas de março a maio; os suecos mantiveram escolas primárias abertas (secundárias e faculdades fecharam a partir de 17 de março).

O relatório — que não passou por revisão de pares — diz que as diferentes estratégias produziram resultados semelhantes: baixo número de contágio em pessoas de 1 a 19 anos, raros casos de internação em UTI e nenhuma morte.

“Em conclusão, fechar ou não escolas não teve impacto mensurável no número de casos confirmados em laboratório em crianças de idade escolar na Suécia e Finlândia.”

Mas nem todos os estudos caminham na mesma direção.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos e publicada no mês passado sugere que crianças desempenham um papel importante na disseminação de doenças respiratórias em pandemias.

“Crianças são geralmente importantes transmissoras de epidemias virais como a influenza porque elas passam períodos longos em muita proximidade com outras crianças em escolas e durante atividades físicas”, escrevem os cientistas do Hospital Infantil de Cincinnati, no Estado americano de Ohio, para a revista científica Journal of the American Medical Association (Jama).

Eles analisaram o fechamento de escolas em 50 Estados americanos entre março e maio. O estudo indica que, após o fechamento das escolas, houve uma queda, em média, de 62% no número de casos e 58% no número de mortos — mas faz a ressalva de que outras medidas concomitantes contribuíram para esses percentuais.

Um problema específico da covid-19 é que cientistas acreditam que muitas crianças são assintomáticas. Elas podem não estar apresentando sintomas da doença e mesmo assim agindo como propagadoras do vírus.

Surtos registrados

Mesmo com alguns estudos defendendo a reabertura de instituições de ensino, há relatos de surtos em escolas pelo mundo, sobretudo nas secundárias, com alunos mais velhos.

Um dos maiores surtos de coronavírus na Nova Zelândia aconteceu em março em uma escola marista de Auckland, com 96 casos relacionados. O caso começou com um professor contaminado, que teria espalhado o vírus para as demais pessoas. Em uma escola primária próxima, não houve casos.

Em Israel, uma escola secundária de Jerusalém registrou contágio de 153 alunos e 25 professores em maio. A escola foi fechada e a imprensa local noticiou que um professor “super-disseminador” tinha sido a origem do surto.

Neste mês, no Estado americano da Geórgia, 260 funcionários da rede de escolas do condado de Gwinnett testaram positivo para covid-19 ou entraram em quarentena por ter contato confirmado com infectados. Apesar disso, eles estão sendo obrigados a organizar a retomada das aulas nas próximas semanas, o que gerou protestos do sindicato de professores.

Os relatos de casos de covid-19 em escolas primárias são mais raros, mas eles existem.

Segundo a revista Science, nove de 11 crianças em uma sala de aula em Trois-Riviere, no Canadá, foram contaminadas. E em Jaffa, em Israel, 33 alunos e cinco professores de uma escola primária pegaram covid-19.

Também houve casos em pré-escolas: em Toronto, Montreal e no Texas.

Mais recentemente um surto em um acampamento de verão no Estado americano da Geórgia revelou que crianças pequenas também foram contaminadas. O ambiente é diferente do de uma escola, já que as crianças dormiam juntas nas mesmas cabanas.

Mas cientistas alertam que o surto mostra que crianças pequenas não são imunes à doença.

“Essa investigação acrescenta dados às evidências que demonstram que crianças de todas as idades são suscetíveis à infecção por Sars-CoV-2 e, ao contrário de relatos anteriores, podem desempenhar um papel importante na transmissão”, afirma um relatório do órgão americano Centers for Disease Control and Prevention.

Reabrir ou não?

O debate sobre se as escolas devem reabrir ou não segue intenso em vários países.

No Reino Unido, a sociedade de pediatria enviou uma carta ao governo pedindo que a reabertura das escolas seja a prioridade número um da sociedade.

Os pediatras alertam para dois problemas. Primeiro, a falta de aulas teria consequências graves para a saúde mental e desenvolvimento dos alunos. E segundo, ela agrava a desigualdade de oportunidades entre alunos, com crianças que vivem em situação econômica mais frágil não conseguindo acompanhar aulas online.

“Até agora, poucas crianças foram afetadas diretamente pela covid-19. Mas indiretamente, muitas crianças e jovens sofreram enormemente com o impacto da pandemia no seu cotidiano. São as nossas crianças mais vulneráveis, como as de famílias em desvantagem ou com necessidades especiais, que sofrem mais”, diz a pediatra Liz Marder, uma das profissionais que assinaram a carta.

O impacto econômico das escolas fechadas também é alvo de estudos. Muitos pais não estão podendo trabalhar para cuidar de seus filhos, prejudicando a renda familiar.

E existe também um potencial dano de longo prazo para a economia. Um painel interdisciplinar da instituição britânica Royal Society afirma que o tempo de aula perdido terá impacto na educação e nas habilidades dos alunos, que estarão menos preparados para o mercado de trabalho, podendo resultar em uma perda salarial de até 3% no futuro.

Um estudo austríaco afirma que a falta de escola provocou uma redução salarial ao longo de 40 anos em gerações que viveram durante a Segunda Guerra Mundial.

Todos esses fatores são levados em consideração no debate sobre reabertura das escolas.

Mas muitos governos têm se guiado por um parâmetro para tomar suas decisões: saber se a reabertura de escolas contribuiria para o aumento da pandemia no país.

Um estudo recente no Reino Unido diz que, no pior dos cenários, se as escolas reabrirem em setembro, a segunda onda de coronavírus poderia atingir seu pico em dezembro. A intensidade desse pico seria de até 2,3 vezes maior do que a primeira onda.

Mas o estudo também afirma que com um bom sistema de rastreamento de contatos — algo que sequer existe em países como o Brasil atualmente — seria possível impedir uma segunda onda.

O modelo foi feito pela University College London e pela London School of Hygiene and Tropical Medicine e publicado na Lancet Child and Adolescent Health.

Há controvérsias sobre quantos contatos de pessoas contaminadas estão sendo rastreados no Reino Unido — críticos dizem que são apenas 50% dos contatos, mas autoridades afirmam que esse número é bem maior.

O estudo sugere que se as autoridades conseguirem detectar 75% dos casos de covid-19 com testes e rastrear 68% dos contatos de cada pessoa infectada, uma segunda onda da doença poderia ser contida.

Um dos autores do estudo, Chris Bonell, disse que a sua pesquisa não deve servir como argumento para manter as escolas fechadas, mas sim para que o governo aprimore os sistemas de rastreamento de contatos.

A reabertura das escolas também teria um efeito cascata na sociedade. Com mais escolas abertas, mais pais poderiam retomar seus trabalhos, e isso provocaria um aumento na circulação de pessoas.

As autoridades britânicas provocaram polêmica nessa semana ao sugerir que o país está próximo do seu limite máximo de reabertura da economia. De agora em diante, o governo pode adotar fechamentos de determinados setores, para permitir que outros reabram.

Um cientista que aconselha o governo disse que bares e outras atividades na Inglaterra podem ter que fechar para permitir que escolas reabram em setembro.

Como reabrir de forma segura?

Enquanto cientistas e autoridades ainda debatem a reabertura de escolas, professores, diretores e pais já se preparam para encarar a nova realidade.

O órgão americano Centers for Disease Control and Prevention (CDCP) tem um guia completo sobre como deve ser feita a reabertura.

A principal recomendação para todos é a de manter distanciamento social onde for possível e a constante higienização das mãos.

O uso de máscaras também é recomendado, com a ressalva de que nem todos conseguem usá-las de forma adequada (como crianças muito pequenas ou pessoas que têm problemas respiratórios). O uso é especialmente recomendado para quando as crianças são levadas para escola em carros e ônibus.

Novo normal

As escolas americanas estarão bem diferentes na volta às aulas. Haverá menos interação entre turmas e anos diferentes e haverá uma distribuição diferente entre ensino presencial e ensino online. Álcool gel e máscaras agora são parte da lista de material escolar.

Os pais devem monitorar sinais de doença em seus filhos todas as manhãs e não enviá-los para escola diante da presença de qualquer sintoma. Além disso, os pais devem se informar sobre os pontos de teste para covid-19 mais próximos e sobre como informar a escola no caso de um exame positivo.

Diretores receberam a recomendação de mostrar o guia da CDCP para pais que se opuserem às medidas de saúde púbica tomadas pelas escolas.

Desde seu começo, a pandemia foi observada de perto por cientistas e autoridades na tentativa de se aprender lições sobre como tentar retomar uma vida normal diante de um vírus que já infectou quase 20 milhões de pessoas no mundo tudo e matou mais de 700 mil.

Agora, com a reabertura iminente de escolas, os países se preparam para entrar em uma nova fase da pandemia — e novamente se tem poucos parâmetros e convicções para lidar com esse desafio.

“Se tiver boa qualidade do ar estou a diluir o vírus na sala de aula”

Agosto 25, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 10 de agosto de 2020.

O novo ano letivo está à porta e as preocupações dos pais quando se vive uma pandemia aumentam. Mas não é só o distanciamento e o uso de máscaras que pode ajudar a travar a propagação da covid-19. Há outras questões, como a ventilação e a qualidade do ar dentro da sala, que são importantes, refere Manuel Gameiro da Silva, professor catedrático da Universidade de Coimbra e especialista em qualidade ambiental nos edifícios.

Manuel Gameiro da Silva está entre os 239 cientistas de 32 países que escreveram uma carta à Organização Mundial da Saúde (OMS) para que alterasse as recomendações de proteção contra o novo coronavírus e admitisse a possibilidade de infeção através de pequenas gotículas suspensas no ar, os aerossóis. A OMS viria a acatar a opinião dos especialistas dias depois.

Nesta conversa como DN, o especialista em qualidade ambiental dos edifícios fala da importância da renovação do ar nas salas de aula e considera mesmo que as escolas deveriam estar equipadas com aparelhos de medição de dióxido de carbono. Mais: diz que na questão da covid-19 as engenharias também têm uma palavra a dizer.

Como se pode manter a qualidade do ar dentro da sala de aula e diminuir o risco de contrair covid-19? Um especialista alemão defendeu aulas mais curtas para se poder renovar o ar…
É difícil atirar com uma regra geral quando temos realidades tão diversas com estabelecimentos de ensino com idades tão diferentes, uns com 200/300 anos, uns extremamente recentes, projetados, construídos e aprovados com legislações completamente díspares. Aquilo que podemos ter nesses edifícios é completamente diferente. Já cometemos o mesmo erro em relação aos transportes, tratámos tudo de forma igual quando não são de maneira nenhuma iguais. Temos de saber com o que estamos a lidar e isso significa fazer avaliações e isso faz-se usando métodos científicos, não é só por umas entidades dizerem que achavam que não estava bem. Isto não é uma coisa para se achar, é uma coisa para se analisar. O problema da gestão destes assuntos é que tem sido feita com muito pouca engenharia.

E como é que a engenharia pode entrar para ajudar a minimizar o risco?
Um dos pioneiros da qualidade do ar, um cientista alemão, dizia que o que importa é a dose. E a dose é o produto do tempo de exposição pela concentração média. Se eu tiver metade do tempo, posso ter a mesma dose, se a concentração for o dobro. Seja para contrair uma infeção seja para ficar intoxicado por um poluente químico, o que importa é a dose a que a pessoa está sujeita e, portanto, o que estava a fazer o professor de Berlim quando dizia que as aulas deviam ser de meia hora era tentar reduzir a dose. Mas, além de reduzir a dose, devemos reduzir a concentração.

E como?
A ventilar.

Como, quando a maior parte dos edifícios não têm sistemas para isso?
Pode fazer-se com alguma ventilação natural, mas também ainda há tempo de começar a pensar em instalar alguns sistemas de ventilação. Só consigo ventilar quando faço admissão de ar novo. O que estou a tentar fazer é diminuir a concentração do vírus num volume maior de ar. Imaginemos que tenho um bocadinho de vinho no fundo de um copo, se encher o copo todo de água aquele líquido vai diminuir.

O que é que tem mesmo de ser feito?
Não há uma solução única, tudo depende do que temos em cada tipo de edifício. Aliás, neste momento a pergunta mais importante, que não temos ainda respondida, é qual é o limiar de infecciosidade. Isto é, a que dose é que uma pessoa saudável tem de ser sujeita para ficar infetada? Porque será em função disso que devemos fazer o dimensionamento dos sistemas. Imaginemos que tenho uma sala de aula e nessa sala há uma pessoa infetada a libertar uma quantidade de vírus para o ambiente. As pessoas que lá estão ficarem ou não infetadas depende sempre de uma batalha entre os assaltantes que são o vírus e o sistema imunitário, que são os defensores…

“Devíamos tentar diminuir ao máximo o número de assaltantes [vírus]. E para isso precisamos de ventilar.”

É uma boa imagem…
Claro que se os assaltantes forem em número muito grande ganham a batalha. Se forem em número pequeno, ganham os defensores. Mas esta relação – quantos têm de ser os assaltantes para que a vitória seja para o lado do vírus – não sabemos exatamente qual é. Na ignorância relativamente a isso, aquilo que devíamos tentar é diminuir ao máximo o número de assaltantes. E para isso precisamos de ventilar. Acho que vamos ter uma mudança de paradigma em relação a estas coisas da qualidade do ar por causa da pandemia. Até agora os códigos de engenharia em relação à ventilação estavam maioritariamente estabelecidos em função dos valores de referência dos poluentes químicos, como o monóxido de carbono, o dióxido de carbono, o ozono, os compostos orgânicos voláteis. Esse conjunto de poluentes era o que estava na base da forma como calculávamos os caudais de ar novo que precisávamos para os nossos espaços. Admito que vamos ter de pensar também nos poluentes biológicos.

A pandemia é também um desafio para as engenharias?
Sim. A partir do momento em que do lado das ciências da saúde me digam que a dose máxima que deve ser considerada é de um determinado valor – normalmente, são unidades formadoras de colónias por metro cúbico vezes um tempo. Imaginemos que mil unidades formadoras de colónias por metro cúbico, basicamente mil vírus por metro cúbico durante uma hora, era o limiar de infecciosidade. Então, o que é que eu tinha de fazer? Sabendo qual a intensidade a que os vírus estão a ser libertados por uma pessoa, tenho de ver que caudal tenho de meter para garantir que a concentração está abaixo daquele valor.

Mas não estando as escolas preparadas para isto…
Há algumas que estão e outras que não. Temos realidades muito diferentes, temos escolas que foram objeto de remodelação da Parque Escolar, e parte dessas até admito que tenham o sistema de ventilação sobredimensionado, o que nestas condições não é mau, mas pesa na fatura de energia. O que faria sentido era haver algum investimento para ter alguma forma de verificação da qualidade do ar. E uma forma simples de o fazer é, por exemplo, ter uma medição de dióxido de carbono dentro da sala.

Mas não dá para medir a concentração do vírus…?
Dá para medir até que ponto o ar está a ser renovado. Imaginemos que temos uma sala de aula com alunos universitários. Por uma questão de simplificação, porque a taxa de emissão depende do tamanho das pessoas, temos uma sala com 20 alunos. As pessoas com corpulência anormal emitem 36 gramas de CO2 por hora, com atividade de quem está numa sala de aulas, se for num ginásio podem multiplicar este valor várias vezes. Sabendo eu quantas pessoas tenho na sala e qual é a emissão a partir dessas pessoas, o valor com que vou ficar dentro da sala depende da taxa de renovação do ar. A legislação portuguesa define que precisamos de cerca de 24 metros cúbicos por hora por pessoa para adultos com atividade sedentária e, com esse caudal, eu sei que a concentração de CO2 não vai ultrapassar os 1200 PPM (partes por milhão). A partir do valor da concentração que tenho na sala, sei o caudal de ar novo que tenho. Sei até que ponto tenho uma boa qualidade. E se tiver boa qualidade do ar estou a diluir o vírus na sala de aula, mesmo que haja carga viral ela estará a ser diminuída. Quando diminuo a concentração, tenho menos probabilidades de que as pessoas fiquem infetadas.

O uso de máscaras na sala de aula não é suficiente?
É uma grande vantagem. Há três formas de transmissão aérea do vírus, o chamado modo de transmissão por contacto, transmissão pelas gotículas e transmissão pelos aerossóis. Estes modos estão indexados a gotículas de tamanhos diferentes – as gotículas que tenham dimensão acima de 50 mícrons [um mícron equivale à milésima parte do milímetro] são as responsáveis pelo modo de contacto, entre 10 e 50 mícrons são as chamadas gotículas que saem da boca de uma pessoa e vai para o nariz da pessoa que vai ficar contaminada. E depois temos os chamados aerossóis, que são as gotículas mais pequenas – têm muito pouco volume e rapidamente perdem a fase líquida e os vírus ficam em suspensão. E estas partículas mais pequenas podem ficar em suspensão durante horas.

“Se colocarmos os vírus em fila, alinhados, para ter uma dimensão de um milímetro precisamos de 10 mil vírus.”

Quantas horas?
É como quando na nossa casa temos a luz a entrar por uma janela e conseguimos ver o pó, as partículas mais pequenas podem andar no ar durante um dia, ou mais. É o caso dos aerossóis. Quanto mais pequenas forem as partículas mais podem permanecer em suspensão. O vírus tem uma dimensão tipicamente de 0,1 mícron, significa que se colocarmos os vírus em fila, alinhados, para ter uma dimensão de um milímetro precisamos de dez mil vírus. Partículas desta dimensão podem estar a voar nos nossos edifícios durante dias. O que acontece em relação às máscaras é que praticamente anulam os dois primeiros modos de transmissão, o modo de contacto e o modo das gotas. Porquê? Porque as partículas de maior dimensão não passam através da máscara. Em relação ao terceiro modo, a quantidade de aerossóis é reduzida para cerca de um quarto ou um quinto – quando uma pessoa espirra, o ar escapa pelas frestas entre a máscara e a cara. Mas do lado recetor também é anulado cerca de um quarto ou um quinto. Se o emissor e o recetor estiverem a usar a máscara, a probabilidade, a dose, que é aquilo que é importante, é logo dividida por 20.

Já defendeu o uso da máscara e da viseira, em conjunto.
A viseira complementa. Porque as partículas mais pequenas, que são as que ficam em suspensão, batem na viseira e não passam.

Mas não é viável numa sala de aula…
Defendo para as pessoas que estão sujeitas a concentrações altas, alguém que está num sítio público, hospitais, zonas onde a carga viral é elevada.

Importante seria pelo menos um equipamento que medisse a qualidade do ar nas escolas…
Por um lado, ter as pessoas a usar máscara, porque praticamente anulamos dois modos de transmissão e reduzimos o terceiro. Relativamente aos aerossóis não há distância de segurança. O que podemos fazer é tentar diminuir a concentração daquilo que ficou no ar e para isso temos de ventilar. Quanto é que devemos ventilar? Só conseguimos tratar se for uma metodologia que vá de alguma forma abarcar todas as situações possíveis e se definirmos que devemos ventilar de maneira a que a concentração de CO2 não ultrapasse os 1000 PPM.

“Podemos recomendar aos diretores de escola para terem sensores de CO2 e para se habituarem a usar as salas abrindo portas e janelas, para que a concentração não atinja valores perigosos.”

Mas há também a ventilação natural…
O problema é que a ventilação natural pode não chegar, quando em termos de espaço a ocupação é mais elevada. Além disso, é pouco controlada, depende de se está vento ou não, se há correntes de ar de origem térmica, etc… Podemos recomendar aos diretores de escola para terem – até pode nem ser nas salas todas – sensores de CO2 e para se habituarem a usar as salas abrindo portas e janelas, para que a concentração não atinja valores perigosos. É típico nas nossas salas de aula, quando as portas e as janelas estão fechadas, termos concentrações de 2500/3000 PPM para o CO2, e isso já começa a ser perigoso. É habitual nas escolas e em alguns meios de transporte, o que dá aquela sensação de ar pesado.

Há escolas onde os alunos têm de levar mantas por causa do frio. Abrir portas e janelas no inverno…
Gastamos dinheiro em tanta coisa, porque não pensamos em investir em sistemas de aquecimento para as escolas? A produtividade das tarefas intelectuais está diretamente relacionada com a qualidade dos ambientes. Quando temos os alunos nas escolas com muito más condições ambientais estamos a prejudicar o processo de aprendizagem deles. Ao fim do ano, o que nos fica mais caro?

Não é só a questão da edução, é também da saúde…
São as duas coisas. Noutros países, com climas muito mais frios do que o nosso, conseguem ter condições de conforto nas escolas. Se calhar, é preciso que a reabilitação das escolas, em vez de obras faraónicas, seja um programa racional.

A medição da qualidade do ar afastaria, por exemplo, a necessidade de reduzir o tempo das aulas?
Reduzir o tempo das aulas tem algum efeito. Imaginemos que entro com os meus alunos numa sala de aula às nove da manhã. A concentração que lá temos dos poluentes é igual à concentração no exterior, mas depois a concentração vai começar a subir com uma curva que atinge um valor constante, o chamado valor assintótico. O tempo que demoro a atingir esse valor depende da taxa de renovação de ar. Se interrompermos a aula antes de termos atingido esse valor, significa que os máximos de concentração que vai atingir também não são tão elevados.

Adiar entrada no pré-escolar “é uma questão de bom senso”, dizem os pais

Agosto 22, 2020 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 19 de agosto de 2020.

Catarina Reis

Representantes dos pais consideram que serão poucas as famílias com possibilidade de atrasar a entrada dos filhos no pré-escolar com condições para os deixar em casa. Mas dizem que pode ser uma boa opção para quem reúne estas condições.

Ainda é cedo para um balanço sobre o número de alunos matriculados no pré-escolar para o próximo ano letivo. Para já, o dirigente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação diz apenas que atrasar a entrada de uma criança na escola pode ser uma boa opção neste ano que se inicia em plena pandemia de covid-19. “Se as famílias ponderam retardar a entrada no pré-escolar, por segurança, acho que é uma questão de bom senso”, diz Rui Martins.

No entanto, avisa que “cada vez são menos as famílias que têm essa possibilidade”. “Estão muito ocupadas, por isso, terão de se desenrascar. Não têm outro recurso senão colocar as crianças no pré-escolar.” Uma ideia reiterada pelo dirigente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap), Jorge Ascenção: se existir pais a decidir tardar a entrada dos filhos na escolaridade obrigatória, “deverá ser em número muito reduzido”. Rui Martins frisa, por outro lado, a confiança “nas escolas e nas medidas de segurança que aplicam”.

Após meses encerradas, as escolas abriram no dia 1 de junho para receber as crianças do pré-escolar, na terceira fase do plano de desconfinamento do Governo seguinte ao estado de emergência. Mas a afluência ficou aquém do esperado por pais e professores, que desejavam ver um efeito positivo da segurança sentida com a reabertura das creches e das escolas secundárias.

Numa primeira ronda, a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) concluiu que “menos de metade” das crianças entre os 3 e os 6 anos marcaram presença no dia da reabertura. Em declarações ao DN, o dirigente da ANDAEP Filinto Lima dizia que “grande parte está com menos de 20% das crianças”. Segundo indiciou a Fenprof ao DN, no mesmo dia, a afluência total terá rondado os 35%. Ou seja, de um total de mais de 227 mil crianças inscritas no pré-escolar – de acordo com os mais recentes dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, relativos ao ano letivo 2017-2018 -, só cerca de 80 mil compareceram.

Números que, segundo o ministro da Educação podem, dever-se às “muitas famílias” que “estão na sua segunda habitação” e, por isso, “longe”. Tiago Brandão Rodrigues garantia, em declarações aos jornalistas, estarem asseguradas “as medidas para mitigar o impacto, mas é preciso criar a confiança”.

As escolas abriram com regras apertadas para a utilização de cada espaço. O distanciamento deveria ser mantido, mas sem abdicar do direito de brincar, segundo as orientações enviadas no final de maio pelo Ministério da Educação. As crianças deveriam também evitar levar brinquedos pessoais e os educadores privilegiar as atividades ao ar livre.

As matrículas para o pré-escolar terminaram no dia 1 de julho, depois de um alargamento do prazo devido a constrangimentos registados no Portal das Matrículas, mas ainda não é possível saber quantas crianças se matricularam neste ano. Contactado pelo DN, o Ministério da Educação diz que a rede ainda não está fechada e que as estatísticas só deverão estar disponíveis durante o decorrer do ano letivo.

Saiba o que pode mudar no regresso às aulas do próximo ano letivo

Julho 19, 2020 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Rádio Renascença de 16 de julho de 2020.

Fátima Casanova , Sofia Freitas Moreira

As aulas regressam entre os dias 14 e 17 de setembro e a prioridade agora são as aulas presenciais, apesar de as orientações para as escolas preverem também regimes misto e não presencial.

O calendário escolar para o ano letivo 2020/2021 prevê mais dias de aulas e menos férias, estendendo-se, por isso, por mais dias em junho. Antevê-se, também, que a interrupção letiva da Páscoa seja mais curta, no próximo ano.

As aulas recomeçam entre os dias 14 e 17 de setembro e, segundo o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, a prioridade agora são as aulas presenciais, apesar de as orientações para as escolas preverem também regimes mistos e não presenciais.

Para já, os alunos beneficiários da ação social escolar, ou sinalizados pelas comissões de proteção de crianças e jovens, vão ter aulas na escola, mesmo nos regimes misto e não presencial, o que obriga as escolas a acolherem estes alunos.

De forma a que as aulas presenciais possam regressar, será obrigatório o uso de máscara por todas as pessoas que entrem na escola: professores, pessoal não docente e encarregados de educação e também pelos alunos a partir do 2º ciclo.

A lavagem das mãos com água e sabão e a secagem com toalhetes de papel também devem passar a ser prática habitual. Deve também ser disponibilizada uma solução antissética de base alcoólica à entrada dos recintos.

De acordo com as normas da Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), as escolas devem reorganizar os horários escolares, de modo a que as turmas funcionem em turnos de meio dia, para evitar grande concentração de alunos.

As aulas devem ser dadas em espaços amplos e, sempre que possível, e desde que não comprometam a segurança dos alunos, devem manter-se as janelas e portas abertas, de modo a permitir uma melhor circulação do ar.

Cada turma deve manter-se na mesma sala e os alunos devem ter lugares fixos. As mesas devem estar dispostas, preferencialmente, com a mesma orientação e as horas de almoço devem ser desfasadas.

Um dos pontos polémicos das orientações emitidas é o que diz que, sempre que possível, deve garantir-se um distanciamento físico entre os alunos e entre alunos/docentes de, pelo menos, um metro. Isto representa uma diminuição face à recomendação, tendo em conta que, noutros contextos, a distância recomendada é de um metro e meio ou de dois metros.

Os diretores escolares e os sindicatos de professores não estão satisfeitos com esta medida, uma vez que, tal como a recomendação está escrita, até podem ficar dois alunos na mesma carteira.

A preocupação também surge no que toca à prática da atividade desportiva. As normas enviadas para as escolas referem apenas que a prática de desporto, bem como outras atividades que impliquem maior contacto físico, devem ser planificadas e adequadas às orientações das autoridades de saúde em vigor. Quanto ao desporto escolar, também ainda não há indicações.

A Renascença já pediu esclarecimentos ao Ministério da Educação, há vários dias, mas ainda não obteve resposta.

Caso a evolução da pandemia de Covid-19 em Portugal não permita o retorno normal às aulas presenciais, está previsto um sistema misto e também não presencial.

No sistema misto, as aulas devem desenvolver-se através da combinação entre atividades presenciais, sessões síncronas (à distância) e trabalho autónomo.

No regime não presencial, a carga horária semanal passa a ser distribuída por sessões síncronas e assíncronas, à semelhança do que foram os últimos meses de aulas.

Regresso às aulas presenciais – regras de segurança (Covid-19) Vídeo DGE

Maio 22, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Tem filhos a estudar? Veja o plano que o Governo enviou às escolas para combater o Covid-19

Março 6, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 5 de março de 2020.

Isabel Leiria

Recomendações apontam para a existência de áreas de isolamento, desinfeção e controlo da febre. Há ainda conselhos para o comportamento social e para quem vem de viagem

Tal como todo as empresas públicas, também as escolas têm de ter os seus planos de contingência para o COVID-19 definidos até ao início da próxima semana. Esta quinta-feira, o Ministério da Educação deu uma ajuda enviando um conjunto de orientações específicas para estabelecimentos de ensino. As medidas passam pela definição de uma estrutura de comando e responsabilidades, práticas a tomar por quem vem do estrangeiro e ações a realizar no caso de confirmação de um caso positivo na comunidade escolar.

A nota da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGESTE) foi enviada 24 horas depois de terem sido suspensas as atividades no primeiro estabelecimento de ensino em Portugal (neste caso, uma escola superior do Politécnico do Porto, a Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo) e no dia em que os primeiros alunos (seis turmas ao todo), professores e funcionários de duas escolas de um agrupamento na Amadora foram colocados em isolamento profilático. A medida foi determinada depois de uma professora de Físico-Química ter regressado de Itália e ter testado positivo para o novo coronavírus.

As medidas que têm de ser contempladas não são substancialmente diferentes das que já tinham sido emanadas pela Direção-Geral da Saúde para as empresas e até mesmo de algumas indicações recebidas em 2009, aquando o surto de gripe A, nomeadamente a necessidade de existirem salas de isolamento.

No caso de deslocações ao estrangeiro – e foram muitos os que aproveitaram a pausa de Carnaval e que se preparam para viajar na Páscoa -, a orientação mantém-se: prudência e ponderação. Mas não há interdições oficiais nem necessidade de isolamento. Mesmo para os que voltaram recentemente de países identificados como de risco para a infeção pelo Covid-19 (Itália, China, Coreia do Sul, Singapura, Japão ou Irão), a ideia não é que deixem de ir à escola se não apresentarem quaisquer sintomas de doença.

Evitar cumprimentos com contacto físico

No entanto, lembra a DGESTE, é preciso que quem regressa de zonas de risco ou tenha estado em contacto “próximo e direto” com pessoas nessa situação monitorize, durante 14 dias, o seu estado de saúde. Deve medir a temperatura corporal duas vezes ao dia e estar atento a sintomas como tosse ou dificuldades respiratórias. Deve ainda “evitar cumprimentos sociais com contacto físico”.

As medidas de prevenção diária são aquelas que todos já devem ter: lavar frequentemente as mãos, usar lenços de papel para assoar e deitá-los logo fora, tossir ou espirrar para o braço e não para as mãos, evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos sujas ou contaminadas com secreções respiratórias.

As escolas também têm de ter uma área de isolamento, do conhecimento de todos, para onde irá qualquer aluno, professor ou funcionário que apresente sinais e sintomas de Covid-19. “Quem o acompanhe até à sala deve cumprir as precauções básicas de controlo de infeção quanto à higiene das mãos.”

Caso se confirme o caso suspeito, iniciam-se todos os procedimentos de limpeza e desinfeção necessários, em particular de todos os locais, materiais, equipamentos com maior probabilidade de estarem contaminados.

A linha SNS 24 continua a ser o primeiro contacto a fazer para que possa avaliar e decidir os procedimentos subsequentes. Todas estas orientações podem ser lidas no site da DGESTE e também da Direção-Geral da Saúde.

Orientações às Escolas para a elaboração do Plano de Contingência

Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal – estudo do CNS

Dezembro 12, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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O estudo Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal debruça-se sobre as políticas públicas de proteção e promoção da saúde das crianças e jovens, dos 0 aos 18 anos. Visa identificar políticas já existentes e verificar quais os determinantes da saúde que ainda carecem de algum tipo de abordagem e desenvolvimento e que podem constituir riscos acumulados ao longo da vida. E tece recomendações que permitam orientar linhas de ação estratégica para o desenvolvimento saudável deste grupo etário.

O estudo encontra-se em discussão pública até ao dia 3 de janeiro de 2019.

Todos os contributos poderão ser remetidos para o CNS, para o seguinte endereço de e-mail:
geral.cns@cns.min-saude.pt

Aceder ao estudo:

Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal [3.4 Mb]

 

«Peso exagerado nas mochilas está ligado a contraturas musculares, má postura e excesso de carga nos discos da coluna»

Setembro 17, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Alexandra Pedro para o DNLife, em 26 de agosto de 2018

Depois de lhe darmos seis dicas fundamentais para o uso adequado das mochilas escolares, consultámos o neurocirurgião Bruno Santiago, coordenador da campanha nacional Olhe Pelas Suas Costas, para lhe explicar melhor quais os problemas que podem surgir do excesso de carga.

Bruno Santiago é neurocirurgião e coordenador da campanha Olhe Pelas Suas Costas, desenvolvida a nível nacional. Depois das recomendações para comprar a mochila mais adequada para o próximo ano letivo, o especialista deu uma entrevista à Life para falar sobre os problemas do excesso de peso nas costas.

Em causa estão problemas de postura, dificuldades musculares e até lesões na coluna vertebral. Leia a entrevista com o neurocirurgião e recorde as recomendações sobre a utilização das mochilas na fotogaleria.

Qual o peso ideal das mochilas?
Sabemos que o peso das mochilas não deve exceder 10 por cento do peso corporal da criança. Para uma criança de 30 quilogramas, por exemplo, deveria ter no máximo 3 quilos. Mas verificamos, frequentemente, que esse peso é largamente excedido, podendo chegar aos oito quilogramas.

«Os pais devem ter um papel pró-ativo e inequívoco na vigilância desta situação, pesando a mochila dos filhos e alertando os professores ou a escola.»

Que consequências podem surgir do excesso de peso nas costas?
Provoca desde logo um aumento da carga que a coluna vertebral em crescimento tem que suportar. No curto prazo provoca dores nas costas, que podem ser na região lombar ou cervical e ombros. O peso exagerado nas mochilas correlaciona-se também com contraturas musculares, má postura do tronco e com um excesso de carga nos discos da coluna vertebral.

E a longo prazo?
A longo prazo, esta sobrecarga e postura inadequada de forma persistente pode contribuir para um desgaste mais precoce dos discos intervertebrais, embora não esteja ainda demonstrada ou quantificada essa correlação do ponto de vista científico.

Como acha que se pode contornar o problema do excesso de peso nas mochilas dos estudantes?
Deve existir um esforço de gestão dos livros necessários para a aprendizagem. Ou seja, só deveriam levar para casa o mínimo indispensável para os trabalhos de casa. Idealmente, seria até apenas uma disciplina de cada vez.

A utilização de cacifos na escola tem sido uma solução apontada…
Sim, a par da transformação digital dos manuais escolares. Há também alguns detalhes na escolha das mochilas que são úteis, como ter vários compartimentos para melhor distribuir o peso e duas alças bem almofadadas. É ainda de realçar a importância de colocar sempre a mochilas em ambos os ombros.

 

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Como devem os pais lidar com esta questão?
Os pais devem ter um papel proativo e inequívoco na vigilância desta situação, pesando a mochila dos filhos e alertando os professores ou a escola caso o excesso de peso da mochila seja recorrente.

Durante o processo de crescimento ocorre um impacto muito negativo na postura da criança ou do adolescente.

Quais são as idades mais afetadas pelo excesso de peso?
As dores nas costas nas crianças e adolescentes aumentam com a idade e está demonstrado que a sua frequência é maior sobretudo entre os 10 e os 16 anos. Há vários estudos que destacam a correlação entre este tipo de dores nas crianças e o uso de mochilas com um peso que excede os 15 a 20 por cento do peso corporal.

Estes problemas de coluna podem dificultar o processo de crescimento?
Durante o processo de crescimento ocorre um impacto muito negativo na postura da criança ou do adolescente, com o uso persistente e errado das mochilas pesadas, que se pode prolongar na vida adulta. No entanto, não está provado que contribua para doenças específicas da coluna vertebral, como por exemplo a escoliose.

Pós Graduações em Saúde Mental – Promoção da Saúde Mental e do Bem Estar em Contexto Escolar e Educação Sexual – Intervir na Promoção e Bem estar da Saúde Sexual e Reprodutiva na FMH

Fevereiro 1, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://posgrad.fmh.ulisboa.pt/saude-mental/

mais informações:

http://posgrad.fmh.ulisboa.pt/educacao-sexual/

Escolas devem comunicar a delegados de saúde alunos sem vacinas em dia

Maio 11, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/de 29 de abril de 2017.

As escolas devem comunicar aos delegados de saúde os casos de alunos que não têm as vacinas em dia, determina um despacho do Governo. Objetivo é promover aconselhamento.

Os estabelecimentos de educação pré-escolar, do básico e do secundário devem comunicar aos delegados de saúde coordenadores do respetivo agrupamento de centros de saúde da área de cada escola “os alunos que não se encontrem com a vacinação recomendada atualizada”, determina um despacho do Governo.

O diploma, publicado sexta-feira em Diário da República, indica que é necessário “reforçar os mecanismos de articulação dos estabelecimentos escolares com as autoridades de saúde” no que à vacinação diz respeito.

O objetivo de as escolas transmitirem esta informação aos delegados de saúde é, segundo o despacho, “promover o aconselhamento e esclarecimento adequados”, bem como sensibilizar as famílias para os benefícios da vacinação.

As vacinas do Programa Nacional de Vacinação (PNV), que são gratuitas, não são obrigatórias, mas geralmente as escolas, públicas e privadas, pedem o boletim vacinal dos alunos no ato da matrícula ou da inscrição.

A importância de se cumprir o esquema vacinal segundo o PNV tem sido evidenciada pelas autoridades de saúde no atual surto de sarampo em Portugal, que até ao momento já afetou 25 pessoas e levou à morte de uma jovem de 17 anos.

A vacinação é o meio de prevenção mais eficaz contra o sarampo, uma doença altamente contagiosa e que, ainda que geralmente tenha evolução benigna, pode gerar complicações graves e até levar à morte.

 

 

 

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