Concurso “Nós Reciclamos – 2015”

Abril 15, 2015 às 12:32 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

recicla

O Instituto de Apoio à Criança participa no concurso “Nós Reciclamos – 2015”, iniciativa do comando Metropolitano de Lisboa da Polícia de Segurança Pública (COMETLIS), realizado em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML).

A cerimónia de entrega dos prémios realizar-se-á no dia 22 de maio de 2015, no auditório da Fundação Champalimaud.

Esta iniciativa visa melhorar a proteção ambiental, estimulando a reutilização e reciclagem de materiais e tem em vista a construção de um “Carro de Patrulha”.

Este ano, a organização do evento conta, além do IAC, com a participação da Fundação Joana Vasconcelos e da Fundação Champalimaud. A iniciativa é dirigida a crianças, jovens e idosos, visando o reforço dos laços de proximidade da PSP com a população destas faixas etárias. Esses objetivos inserem-se no Modelo Integrado de Policiamento de Proximidade, concretizado pelas Equipas dos Programas Escola Segura e Idosos em Segurança da PSP de Lisboa.

Este concurso foi apresentado no dia 8 de abril, no antigo Comando Distrital de Lisboa da PSP. A primeira iniciativa, em 2013, envolveu alunos do 1.º e 2.ºciclos de 30 escolas da área da COMETLIS. No ano seguinte, foi alargado o âmbito de intervenção às instituições de apoio a idosos. Participaram 82 escolas e 62 instituições de apoio a idosos, num total de 144 instituições inscritas, o que envolveu cerca de 3000 pessoas.

cartaz

vídeo

Mais informação aqui

 

Apadrinhamento Civil de crianças sem candidatos a padrinhos

Março 3, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Notícia do Sol de 27 de fevereiro de 2015.

Shutterstock

Em quase cinco anos, apenas uma criança foi apadrinhada através da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), revelou hoje fonte da instituição, realçando que o Apadrinhamento Civil não tem funcionado por falta de candidatos a padrinhos.

Para alertar a comunidade e até profissionais para a possibilidade de as crianças institucionalizadas terem uma família afectiva mesmo quando continuam a manter algum vínculo com a família biológica, a SCML realiza hoje de manhã uma sessão de esclarecimento aberta sobre o Apadrinhamento Civil e o Acolhimento Familiar.

Um afilhado civil “é como se fosse um filho, não o sendo”, explicou Teresa Antunes, responsável pela Unidade de Adopção, Apadrinhamento Civil e Acolhimento Familiar da SCML.

Crianças para apadrinhar existem muitas: “são todas aquelas com menos de 18 anos, que não são adoptáveis e não tem condições de serem integradas na família biológica”.

“O grande entrave é não existirem candidatos espontâneos a padrinhos”, destacou Teresa Antunes, realçando que a lei permite o Apadrinhamento Civil desde 2010. 

Em quase cinco anos, a SCML registou apenas “uma situação – muito positiva – de apadrinhamento”, que está a decorrer desde o ano passado. 

“Antes dessa, nunca tivemos nenhuma”, disse a mesma responsável, considerando que no país inteiro devem ser pouco mais de 20 os casos de apadrinhamento.

No apadrinhamento há alguém que aceita ser tudo o que um pai representa para um filho que nunca será seu.

Os padrinhos assumem para toda a vida a tutela, a educação, as despesas, os cuidados e os afectos para com uma criança ou jovem que pode continuar a manter o contacto com a família biológica.

“Por um lado, há ainda um grande desconhecimento em relação ao apadrinhamento. Por outro, a própria situação do país não ajuda. Ainda por outro lado, há outra coisa que assusta as pessoas, que é esta possibilidade de continuar a manter o contacto com a família biológica”, declarou.

Talvez por isso, “as poucas situações de apadrinhamento que existem a nível nacional são situações de facto'”: tios, sobrinhos ou vizinhos que já estavam a cuidar de uma criança e que recorrem aos serviços para legalizarem a situação, que juridicamente continua mesmo depois de o jovem completar 18 anos.

É, aliás, também esta a situação do único caso registado pela Santa Casa, no qual “já havia uma relação prévia estabelecida” entre quem apadrinhou e a criança.

Quanto ao Acolhimento Familiar, um modelo criado há cerca de 20 anos, não existe actualmente nenhum caso na esfera da SCML e são poucos em Portugal, apesar do sucesso em países como Inglaterra ou Espanha.

Esta modalidade permite que a criança, em vez de estar numa instituição, fique com uma família, por decisão do tribunal.

“Famílias de acolhimento não são pais adoptivos. É sempre uma medida de carácter transitório. Muitas vezes é só o período em que está a ser estudada a reintegração da criança na família biológica, mas ainda não foi possível”, explicou, destacando que estas famílias são prestadoras de um serviço, com uma retribuição enquanto recebem a criança, mas há poucos casos em Portugal.

O processo de exigências e de selecção dos candidatos a apadrinhamento é semelhante ao da adopção e as inscrições podem ser feitas na SCML, para candidatos da região de Lisboa, e nas direcções regionais de segurança social no resto do país. 

Para quem precisar de mais esclarecimentos, a Santa Casa tem uma linha directa através do número de telefone 213 235 133 ou do e-mail servico.adopcao@scml.pt

Lusa/SOL

 

 

 

Encontro “Colaborar para fazer melhor”

Novembro 30, 2014 às 4:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

scml

Programa Encontro SCML 15 12 2 0

A convite da SCML, na pessoa da Diretora da UDIP Descobertas Dr.ª Ana Filipa Dias, vimos por este meio convidar todos os interessados em participar no encontro “Colaborar para fazer melhor”, cujo programa se anexa.

Caso estejam interessados em participar, enviem por favor um e-mail a representante da SCML, Dr.ª Rita Lopes Cardoso rita.cardoso@scml.pt a confirmar o interesse até 3 de Dezembro.

 

 

Ortopedistas lançam campanha nas praias contra mergulhos perigosos

Agosto 12, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , ,

Texto do Público de 11 de agosto de 2014.

campanha

Pedro Sales Dias

Acção de sensibilização, entre Agosto e Setembro, estará em 100 praias e alertará os veraneantes para a possibilidade de mergulhos perigosos resultarem em traumatismos vertebro-medulares.

Durante dois meses as praias do país vão receber ortopedistas e vários voluntários numa campanha que visa sensibilizar os veraneantes para os perigos de mergulhar em águas baixas ou junto a rochas. A campanha “Mergulho Seguro”, em marcha entre Agosto e Setembro, “pretende prevenir os traumatismos vertebro-medulares provocados por acidentes relacionados com o mergulho”, adiantou ao PÚBLICO Jorge Mineiro, o presidente da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT), entidade responsável pela acção em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

A campanha estará presente em 100 praias do país com cartazes e folhetos de sensibilização. “Estima-se que 43% dos acidentes de mergulho aconteceram a jovens entre os 10 e os 19 anos e que 73% dos acidentados tinham menos de 29 anos. É nos meses de Julho e Setembro que se verifica mais de 90% destas ocorrências”, apontou também Jorge Mineiro com base num estudo relativo à época balnear de 2012.

“É o único estudo prospectivo que existe. Nele foram referenciados 17 acidentes, dos quais seis resultaram em lesões medulares e três em lesão total”, explicou o médico interno autor do estudo, Ricardo Prata. No âmbito da campanha deverá ainda ocorrer a realização de acções de sensibilização em escolas de surf e a colocação de outdoors nas praias, indicou Ricardo Prata.

Com base nesses números, o presidente da SPOT defende que “os jovens devem conhecer a profundidade do local antes de mergulharem e não devem mergulhar a partir de rochas, margens de lagos ou rios ou em águas rasas”. Correr esse risco, poderá resultar na morte ou deixar os jovens “gravemente incapacitados”, alerta o especialista.

“Não mergulhes no escuro. O local onde mergulhas pode não ser tão fundo como pensas. A água às vezes não é o que parece”, lê-se num dos folhetos que serão distribuídos nas praias.

Segundo a SPOT “os traumatismos vertebro-medulares apresentam elevadas taxas de morbilidade e mortalidade particularmente elevada em Portugal face ao panorama europeu, no contexto dos acidentes em praias”. Aquela sociedade não conseguiu, porém, adiantar,  para efeitos de comparação, as taxas médias de mortalidade devido a este tipo de acidentes na Europa.

recomendações

11491_348413041955039_165089020_n

 

Homens, solteiros e sem rendimentos, a viver nas ruas de Lisboa

Março 5, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia do site da SCML de 12 de Fevereiro de 2014.

Conclusões do trabalho desenvolvido pelo Programa Intersituações da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa foram apresentados esta quarta-feira.

São na maioria homens entre os 35 e os 54 anos, solteiros e sem fontes de rendimento, os “sem-abrigo” que vivem nas ruas de Lisboa. Foram, sobretudo, conflitos familiares e relacionais, desemprego e doença física ou mental os motivos que os “empurraram” para a rua e entre eles já há licenciados.

Estes são alguns dos resultados dos inquéritos realizados pelas equipas do “Programa Intergerações | InterSituações de Exclusão e Vulnerabilidade Social” da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) entre abril e dezembro de 2013.

O desafio foi lançado pelo provedor Pedro Santana Lopes, na sequência do trabalho desenvolvido pelo “Programa Intergerações”, que, em 2012 identificou, porta a porta, a população idosa em situação de exclusão e vulnerabilidade, em Lisboa.

As conclusões do trabalho que culminou com uma contagem dos sem-abrigo na capital realizada em 12 de dezembro passado, foram apresentadas esta tarde, na sede da SCML.

A administradora com o pelouro da ação social, Rita Valadas, agradeceu aos parceiros desta ação presentes na sessão e referiu a importância dos dados que compõem o diagnóstico para a reintegração das pessoas, dados esses apresentados pelo sociólogo Paulo Ferreira.

João Marrana, coordenador do InterSituações, frisou que o principal objetivo é “tirar as pessoas da rua”, o que exige a criação de condições para estimular as suas competências pessoais, sociais e profissionais. Estas pessoas “não estão zangadas com o mundo. Só estão à espera que uma janela se abra”, nota.

852 nas ruas, 21 licenciados

O trabalho desenvolvido sobre os sem-abrigo tornou-se possível graças à colaboração de vários parceiros da Santa Casa, como juntas de freguesia, Câmara Municipal de Lisboa (CML), PSP, IPSS, paróquias e associações. As equipas recorreram ainda aos “bons conhecedores” da noite de Lisboa,como os “homens do lixo”, os seguranças ou taxistas.

A “contagem” de 12 de dezembro realizada com a participação de centenas de voluntários, registou 852 pessoas a viver nas ruas de Lisboa, 21 das quais licenciadas.

Nos oito meses anteriores, as equipas do InterSituações contactaram 649 pessoas sem-abrigo, das quais 454 responderam a inquéritos. A mais nova tem 16 anos e a mais velha 85.

As respostas permitem concluir que 30,6% dessa população está na rua há menos de um ano, 17% entre um a três anos e 15%, entre três a seis anos. Cinco por cento encontra-se há mais de duas décadas em situação de vulnerabilidade.

Com o objetivo de mudar o paradigma de intervenção junto dos sem-abrigo, a Santa Casa vai criar um Núcleo de Ligação para acompanhar esta população vulnerável, com mediadores que incluirão pessoas que já viveram na rua, no passado.

Em estudo está igualmente um Centro de Recuperação de Competências Psicossociais, que proporcione o encontro entre as pessoas e contribua para a sua reinserção na vida ativa.

Em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, a Santa Casa planeia ainda abrir um Centro de Alojamento de Transição, que facilite a reorganização da vida do dia a dia.

As entidades públicas e privadas têm de concertar estratégias e fazer evoluir as respostas da assistência para a reintegração daqueles que vivem na rua, defendem os responsáveis do InterSituações.

12 de fevereiro de 2014

Voluntários para a contagem das pessoas sem-abrigo da cidade de Lisboa

Dezembro 10, 2013 às 1:09 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

contagem

Texto do site da SCML de 6 de Dezembro de 2013.

Voluntários vão ajudar a fazer a contagem das pessoas sem-abrigo da cidade de Lisboa

A operação de contagem é organizada pelo Programa Intergerações da Santa Casa.

Depois da identificação dos idosos que vivem em situação de isolamento e de pobreza na cidade de Lisboa, o Programa Intergerações da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa vai fazer a contagem das pessoas sem-abrigo que vivem na capital, na noite de 12 de dezembro.

Para essa tarefa, pretende-se angariar um extenso grupo de voluntários que percorram as ruas e arruamentos da capital, contabilizando o número de pessoas que dormem na rua nessa noite, no seguimento de um método utilizado internacionalmente. Os interessados em participar nesta iniciativa podem inscrever-se no email intergeracoes@scml.pt.

Cada grupo de voluntários sairá da sede das várias juntas de freguesia para identificar os sem-abrigo registando o género, a idade aproximada e o local da pernoita.

Esta iniciativa que arrancará às 21h00 do dia 12, visa a identificação, a sinalização e o diagnóstico das pessoas sem casas que dormem nas ruas de Lisboa (dividida em 17 grandes zonas) através do levantamento de informações que permitam compreender os contextos em que estas pessoas foram “empurradas” para as ruas.

Um dos benefícios desta ação é a sensibilização de todas a comunidade envolvente para a condição dos sem-abrigo e para a procura de soluções que dêem resposta a este problema.

 

Mais de metade das crianças rastreadas apresenta problemas dentários

Setembro 13, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia da SIC Notícias de 4 de Setembro de 2013.

Mais de metade das cerca de 500 crianças que fizeram rastreios de saúde através de um programa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) foram encaminhadas para dentistas, tendo sido detetados casos preocupantes, segundo os responsáveis.

De acordo com Noémia Silveiro, responsável da SCML, num período experimental  foram realizados rastreios a 540 crianças e jovens de bairros sociais de  Lisboa: 310 foram encaminhadas para dentistas, 144 para nutricionistas e  63 para oftalmologistas.

Face a casos considerados “muito preocupantes, a Santa Casa decidiu  iniciar um programa de rastreios gratuitos de saúde a crianças até aos 18  anos em bairros sociais, históricos e também em juntas de freguesias e instituições  particulares de solidariedade social.

No âmbito da iniciativa “Saúde Mais Próxima”, a SCML vai começar por  fazer, na quinta e sexta-feira, rastreios a crianças dos 6 aos 15 anos,  através de uma nova Unidade Móvel Juvenil de Saúde que estará no Largo Trindade  Coelho, em Lisboa, das 10:00 às 18:00.

O objetivo, como explicou Noémia Silveiro à Lusa, é avaliar a saúde  geral, oral, visual e auditiva dos mais novos, depois dos casos encontrados  no rastreio experimental.

“Encontrámos pais pouco sensíveis para algumas das questões da saúde”,  nomeadamente no que respeita às questões da nutrição e alimentação, disse  a responsável, referindo que, em 500 rastreios, detetaram 40 crianças com  problemas de obesidade.

Para alargar estes rastreios, a SCML quer estabelecer parcerias com  sociedades médicas e outras associações, como o caso da organização não  governamental “Turma do bem”, com a qual já existe um acordo para tratar  doenças orais e problemas visuais.

No âmbito do programa Saúde Mais Próxima, que já existe há mais de um  ano, a Santa Casa já realizou ações de sensibilização e rastreios para as  doenças respiratórias, obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, osteoporose  ou cancro da pele.

Os responsáveis do programa ficam com os contactos dos doentes que são  reencaminhados para os médicos de família e tentam seguir todos os passos  do respetivo processo clínico para se certificarem de que as consultas e  exames necessários são efetivamente realizados.

 

 

 

Palestra “Voluntariado em lares de crianças e jovens”

Outubro 25, 2011 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

 

 

O futuro de João pode ser o colo quente de uma mãe adoptiva

Dezembro 31, 2010 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Reportagem do Público de 21 de Dezembro de 2010.

Fotografia de Daniel Rocha

Uma criança no Centro de Acolhimento Temporário Santa Joana - Fotografia de Daniel Rocha

Por Bárbara Wong

Casos como o do menino abandonado com horas de vida em Cascais são raros. Quando acontecem, há uma investigação da PJ, procura-se a família. Mas podem passar meses até que estes bebés sejam adoptados. Enquanto não acontece, nos centros que os recebem tenta-se que a vida seja normal. Mas “há sempre um vazio”.

Envolto em toalhas turcas, o menino foi abandonado na rua, com poucas horas de vida. Não conhece o sorriso da mãe, o cheiro do corpo dela, nem a voz que poderia dizer-lhe que o ama. João Vasco tem 11 dias e ainda não distingue as cores das batasdas pessoas que o acalentam quando chora, mas começa a perceber que as vozes que ouve são muitas e têm tons diferentes.

Se tão cedo não voltar a ouvir a voz que lhe fez companhia nos últimos nove meses, o menino poderá ser adoptado e aí espera-se que encontre alguma estabilidade – nos olhares, nos sorrisos, nas canções de embalar de uma família. Para já, está num centro de acolhimento à espera que o tribunal decida o seu futuro.

Dois dias depois de João Vasco ter sido encontrado, em Cascais, foi descoberto outro recém-nascido já sem vida, junto à ribeira do Jamor, em Oeiras. Estava dentro de um saco estampado com um rosto de uma criança loura e sorridente.

Os casos de abandono à nascença, em plena rua, estão, contudo, longe de ser comuns. São raras as mulheres que abandonam os filhos deste modo. Mais frequente é deixarem-nos nas maternidades, hospitais, igrejas ou em locais onde os bebés não corram risco de vida. “O mediatismo desses casos é inversamente proporcional à frequência com que acontecem”, diz Manuel Branco Mendes, director da Unidade de Infância e Juventude do Instituto de Segurança Social.

Segundo os números da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR), no ano passado 173 crianças com menos de cinco anos foram abandonadas. Não estão disponíveis estatísticas mais finas, que permitam perceber, exactamente, a idade de cada criança.

Bebés cada vez mais novos

Certo é que à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) os bebés chegam cada vez mais novos – mas nem todos foram abandonados, faz questão de sublinhar Rosa Macedo, directora de Acolhimento e Desenvolvimento da Infância e Juventude. Há casos em que a família representa um risco e por isso os filhos são-lhe retirados.

De 2007 a 2009, foram acolhidos, em média, 30 bebés por ano com menos de três meses de vida. Dos 31 entregues, no ano passado, aos cuidados da SCML, 14 tinham menos de 15 dias – e um foi acolhido com apenas cinco dias.

Numa sala do Centro de Acolhimento e Observação Temporário Santa Joana, da SCML, Freddie Mercury canta Thank God it”s Christmas, num ritmo lento e num tom de voz que serve de música de fundo. Ana, uma auxiliar do centro, está sentada no chão, junto à janela, com Vera ao colo. Sorri-lhe, ao mesmo tempo que não tira os olhos de Patrícia e de António, que estão deitados em cima de enormes almofadas e rodeados de brinquedos, do lado oposto da sala. Todos têm alguns meses de idade e nenhum consegue ainda sentar-se sozinho.

O Centro de Santa Joana não será muito diferente daquele onde vive João Vasco actualmente. Está preparado para receber crianças dos zero aos três anos, mas neste momento o mais velho dos 31 meninos que ali se encontram tem 18 meses. O acolhimento institucional é “a última medida” a adoptar e só é tomada quando há consciência do risco, explica Rosa Macedo.

Mulheres desesperadas

Para já, desconhece-se qual será o destino do bebé de que as notícias têm falado. O seu nome foi escolhido pela equipa médica dohospital de Cascais, onde esteve internado depois de ter sido encontrado na rua – João, como o médico do INEM que o tratou, e Vasco, nome da mascote daquela unidade de saúde. A Polícia Judiciária tem a seu cargo a investigação e procura saber onde está a mãe ou algum familiar, dando andamento ao processo-crime. O artigo 138.º do Código Civil determina que o abandono é um crime ao qual corresponde uma pena de um a cinco anos de prisão. Esta pode ser agravada (de três a dez anos) se do abandono resultarem danos graves ou a morte da criança.

Por vezes, nestes casos, as autoridades encontram a mãe. A procura faz-se na zona onde o bebé foi abandonado ou nos hospitais, para saber se alguém deu entrada com indícios de ter dado à luz. Às vezes, há denúncias porque aquela vizinha estava muito gorda e de um dia para o outro emagreceu, diz Dulce Rocha, presidente executiva do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

Não há um perfil traçado sobre as mulheres que abandonam os filhos. O que terão em comum é o desespero. É o estado psicológico e não a situação económica que as leva a tomar uma decisão destas, continua Dulce Rocha. “A natureza fez os bebés com rostos apelativos à protecção, quando isso não acontece, é excepcional.”

Durante nove meses de gravidez há grandes transformações hormonais, as mulheres preparam-se para receber aquele filho, imaginam-no, planeiam a sua vida. “Mas há circunstâncias da vida de algumas mães e pais que os levam a não fazer esse trabalho”, aponta Célia Rebelo, da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens do Concelho de Cascais, que acompanhou o caso de João Vasco.

A técnica desconhece a história da família deste bebé. “Há bebés que são tirados às mães e essa pode não ter sido a sua vontade”, diz. De qualquer modo, continua, as mães também podem abandonar os filhos “por desespero total, por estarem muito fragilizadas”.

Dulce já caminha

O padre Artur Coutinho não esquece aquele dia frio, “mais ou menos por esta altura”, do ano de 1994, quando, depois de celebrar a missa, uma mulher entrou de rompante na sacristia da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Viana do Castelo. Chegou num passo apressado, pousou um “embrulho feito de farrapos” em cima de uma mesa e tentou sair logo de seguida. “Agarrei-a por um braço e disse-lhe: “Primeiro vamos ver o que se passa.””

O sacerdote viu que no meio dos farrapos estava um recém-nascido. O bebé e a mãe foram para o hospital, mas a mulher fugiu, apesar de precisar de ser suturada. “Ela vinha para deixar a criança e não queria saber de mais nada. Só disse que teve o bebé num campo de milho, que ninguém sabia. Andou a esconder uma gravidez adúltera da família e do marido que estava no estrangeiro”, conta o padre.

“Ela nem sequer lhe deu peito”, acrescenta o sacerdote, como quem diz que a mãe não criou qualquer vínculo com o bebé, que “teve sorte e foi rapidamente adoptado”.

Enquanto a polícia procura o paradeiro da mãe ou da família de João Vasco, o Tribunal de Menores de Cascais vai traçando um plano de vida para este bebé, que, caso não se encontre nenhum familiar, será a adopção. “O projecto de vida é feito com a maior rapidez possível. Se não aparecem os pais, o processo de adopção é relativamente curto e a criança pode ser adoptada em poucos meses”, explica Armando Leandro, presidente da CNPCJR. A existência de uma lista nacional de pessoas interessadas em adoptar ajuda a tornar o processo mais rápido, diz.

O Ministério Público pode, contudo, defender que os pais devem ser procurados e a institucionalização da criança pode prolongar-se até aos 18 meses, nota Rosa Macedo, da SCML. Anteriormente, antes de a lei ter sido alterada, esse período de espera poderia chegar aos dois anos e meio.

No Centro de Santa Joana, da SCML, estão bebés com histórias muito diferentes. Mas, à primeira vista, nada os distingue dos que têm famílias estáveis. Maria está sentada, muito direita, para os poucos meses de idade que tem, cara redonda e satisfeita. A fralda de pano que segura a chucha dança nas suas mãos, para cima e para baixo. Curiosa, olha para tudo, com ar divertido, e esconde-se atrás do pano colorido. Ao seu lado, Beatriz não pára de palrar, está ao colo da educadora e levanta a voz de cada vez que a mulher desvia o olhar, como que a chamar a atenção. De sorriso aberto, a educadora responde-lhe e agita uma roca.

Parecem felizes, mas Alexandra Lima, directora do Serviço de Adopção da SCML, tem a certeza de que “há sempre um vazio”. “A capacidade de estabelecer uma boa relação depende da ligação que cada um tiver à nascença. A vinculação entre mãe e filho confere à criança uma capacidade de viver em segurança e um abandonado é um potencial não vinculado”, ou seja, é uma criança que vai crescer “perturbada e insegura”, diz.

Na sala dos crescidos, com mais de um ano, as cuidadoras andam de joelhos atrás dos que gatinham. Incentivam a andar quem está quase, quase a dar os primeiros passos. Batem palmas aos que se aventuram a caminhar sem a ajuda do andarilho. É o caso de Dulce, cabelos louros, rosto sereno, que pára de empurrar o brinquedo onde se apoia, para abrir os braços e dar uns passinhos inseguros até junto de uma mesa redonda. Palmas e exclamações de alegria das educadoras deixam-na satisfeita.

À noite, quando estes meninos são deitados nos berços, cada um tem o seu boneco preferido, ou a fraldinha, que aperta contra o rosto e que acaricia até adormecer. Têm beijos e palavras carinhosas, mas nenhuma é da mãe ou do pai. “Eles não partem para a vida com as mesmas armas dos outros que foram sempre cuidados e protegidos”, diz Alexandra Lima.

O que é o abandono?

Rosa Macedo fala de dois tipos de abandono: o abandono de facto – mães que deixam os filhos na maternidade é o mais frequente; e o abandono afectivo, a negligência de quem leva o bebé para uma casa sem condições, para uma família que não sabe cuidar, por vezes com problemas de dependências, de violência. No ano passado, as instituições de acolhimento que existem no país receberam 428 meninos e meninas até aos três anos.

E depois, “cada caso é um caso”, continua. Os mais rápidos de resolver são aqueles cujas famílias cortam os laços e dão autorização para que a criança seja adoptada. Acontece, por vezes, as mulheres darem à luz e, logo na maternidade, assinarem uma intenção de consentimento prévio para adopção. Quando assim é, passam algumas semanas até que a mãe seja chamada ao tribunal, onde, perante o juiz, deve reafirmar a sua vontade.

Depois de o juiz decidir que um bebé pode ser adoptado é preciso, em média, um mês até que sejam encontrados os pais ideais para a criança, diz Rosa Macedo. Já se sabe que quanto mais pequena e mais saudável for esta, mais fácil é encontrar candidatos. Contudo, não saber quem são os progenitores pode condicionar a adopção por uma razão muito simples: não se sabe quais as doenças ou os potenciais riscos de saúde daquele bebé. “Num abandono estamos sempre perante o desconhecido”, diz a directora do serviço de adopção da SCML.

Apesar de haver muitos colos, nos centros de acolhimento da SCML procura-se que cada criança tenha um cuidador especial, alguém com quem possa estabelecer uma relação mais estável, ainda que a intenção seja que fique pouco tempo no centro. É essa cuidadora que é responsável pelo álbum e pela caixa dos segredos, onde se guarda a primeira chucha, o primeiro dente, onde se constrói a história de vida. Esses registos acompanham a criança enquanto estiver institucionalizada e são depois passados à família que vai adoptar, quando isso acontece.

Muitas destas crianças abandonadas quererão um dia saber quem foram os seus pais. Mas se a mãe biológica foi encontrada e pediu o anonimato, nunca saberão a sua origem.

Se João Vasco for adoptado, caberá aos pais adoptivos contar-lhe o que aconteceu. Para Dulce Rocha “não é preciso dizer algo tão cruel como: “Foste abandonado””. Não se deve “engrandecer a adopção à custa do empobrecimento da filiação biológica”, diz Alexandra Lima. Mas deverão ser sempre os pais adoptivos a gerir esse processo: “É bom ter pais novos porque ajudam as crianças a resolver coisas difíceis e uma delas é aprender a lidar com a sua história.”

Nesta reportagem, todos os nomes de crianças e cuidadores, à excepção do de João Vasco, são fictícios.

Santa Casa reforça campanha de Famílias de Acolhimento de Crianças

Dezembro 16, 2010 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Site ou blogue recomendado, Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Mais informações Aqui

« Página anterior


Entries e comentários feeds.